POTENCIAL DA RECICLAGEM EM CUIABÁ E NO ESTADO DE MATO GROSSO

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1 SEMINÁRIO PREPARATÓRIO À XII CONFERÊNCIA DAS CIDADES REGIÃO CENTRO-OESTE CUIABÁ, 02 DE SETEMBRO DE 2011 TEMA: POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS POTENCIAL DA RECICLAGEM EM CUIABÁ E NO ESTADO DE MATO GROSSO Eduardo Figueiredo Abreu Analista Ambiental, ex-secretário adjunto de meio ambiente de Cuiabá 1

2 CONCEITO DE RESÍDUOS SÓLIDOS De acordo com a Lei nº7862/02, Resíduos Sólidos são os que resultam das atividades humanas em sociedade e que apresentem nos estados sólidos, semi-sólido ou líquido, este último quando não passível de tratamento convencional. A noção de resíduo, em geral, só aparece quando a capacidade de absorção pelo meio é ultrapassada. 2

3 INSTRUMENTOS LEGAIS APLICADOS A GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Constituição Federal, Art.225; Constituição Estadual, Art. 272; Lei nº9605/98 (Crimes Ambientais), 2º, Art.54; Código Ambiental do Estado Política Estadual de Resíduos Sólidos Lei n 7862/2002 (sem regulamentação). Política Nacional de Resíduos Sólidos Lei nº12.305/2010 Resoluções CONAMA, RDC, CONSEMA, NBRs 3

4 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS Lei nº12.305, de 2/08/2010, Decreto nº 7.404/2010; Após 20 anos tramitando no congresso nacional, o Brasil passou a ter Marco regulatório na área de resíduos sólidos; Entre os objetivos da nova lei, destacam-se a não-geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos; a destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos; a diminuição do uso dos recursos naturais como água e energia, por exemplo, no processo de produção de novos produtos; a intensificação de ações de educação ambiental; o aumento da reciclagem no país; a promoção da inclusão social e a geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis. 4

5 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS A responsabilidade compartilhada, a logística reversa, a institucionalização das obrigatoriedades dos geradores de resíduos e do poder público como viabilizador do desenvolvimento dos setores; O processo de diálogo e engajamento entre poder público, setor produtivo e sociedade civil; A PNRS também estabelece princípios para a elaboração dos Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal de Resíduos Sólidos. Os municípios têm um prazo até agosto de 2012 para que apresentem seus planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos ao Ministério das Cidades; Além disso, precisa reverter o quadro de quase mil lixões em diferentes regiões do país, em período inferior a quatro anos; 5

6 POLÍTICA NACIONAL DE RESIDUOS SÓLIDOS O decreto nº 7404/2010 cumpre a importante função de definir e gerar a responsabilidade compartilhada no que diz respeito aos cuidados com a emissão e destinação de resíduos; Segundo o decreto, a inclusão das cooperativas de catadores em todas as fases da coleta seletiva de resíduos também está garantida. A publicação prevê que a União deverá criar um programa com a finalidade de melhorar as condições de trabalho e oportunidades de inclusão social e econômica de tais trabalhadores; Investimentos previstos de R$ 1,5 bilhão em projetos de tratamento de resíduos sólidos, na substituição de lixões e implantação da coleta seletiva e no financiamento de cooperativas de catadores. 6

7 ATIVIDADE ECONÔMICA X MEIO AMBIENTE = RESÍDUOS 7

8 CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUOS Resíduos Urbanos (domiciliar, comercial, etc.); Resíduos da agricultura e da indústria agro-alimentar; Resíduos Industriais; Residuos de Serviços de saúde; Resíduos da Construção Civil E segundo a NBR : Resíduos de Classe I Especiais ou perigosos; Resíduos de Classe II Comuns (não inertes); e, Resíduos de Classe III - Inertes 8

9 RESPONSABILIDADE DE GERENCIAMENTO Tipo de Resíduos Responsável - Domiciliar Prefeitura - Comercial Prefeitura * - Público Prefeitura - Serviços de Saúde Gerador - Portos, Aeroportos, terminais. Gerador - Agrícola Gerador - Entulhos Gerador * * A Prefeitura pode ser co-responsável por pequenas quantidades (<50 kg) 9

10 PESQUISA NACIONAL DE SANEAMENTO BÁSICO DO IBGE (2000) Domicílios Atendidos com coleta em MT = 82,3% Disposição em lixão = a quase totalidade dos municípios do Estado de MT Mato Grosso gera aproximadamente 2 mil toneladas/dia de Resíduos Sólidos Urbanos 10

11 PESQUISA NACIONAL DE SANEAMENTO BÁSICO DO IBGE (2000) No Brasil, a geração de lixo per capita varia de acordo com o porte populacional do município. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), elaborada pelo IBGE em 2000, a geração per capita de resíduos no Brasil varia entre 450 e 700 gramas para os municípios com população inferior a 200 mil habitantes e entre 700 e gramas em municípios com população superior a 200 mil habitantes. 11

12 AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL Em 2010, o Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas dos chamados resíduos sólidos urbanos. Essa quantidade foi 6,8% mais alta que a registrada em 2009 e seis vezes maior que o crescimento populacional que, no mesmo período, ficou em pouco mais de 1%. De todo esse resíduo, cerca de 6,5 milhões de toneladas foram parar em rios, córregos e terrenos baldios 12

13 GERAÇÃO PER CAPITA ESTIMADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES NO ESTADO DE MT Segundo estudo realizado por Costa, Bertoldo Silva, Diagnóstico de gestão de resíduos sólidos no Estado de Mato Grosso, 2002, foi estimado a geração percapita de 0,65 kg/hab./dia; Geração per capita em Mato Grosso, com população de 3 milhões de habitantes ~ 2 mil toneladas/dia; Geração per capita em Cuiabá, com população de 600 mil habitantes ~ 500 toneladas/dia 13

14 GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES EM CUIABÁ A produção total diária de resíduos dos habitantes de Cuiabá, está situado entre 0,6 e 0,9 kg/hab dia. Trabalhos como Paoliello (1993), Brugger et al (1992), Menegat et al (2004) e dados do Cempre(a)(1994) Cempre(b)(2003), Cempre(c) (2006) estimam em valores entre 0,3 e 0,4 do total de resíduos sólidos urbanos domiciliares coletados, a quantidade de recicláveis presentes no total coletado. 14

15 PROJETO DE PESQUISA Avaliação do Potencial da Reciclagem na Cidade de Cuiabá MT REVISTA UNICIÊNCIAS, v.14, n.1, 2010 (Universidade Vale dos Sinos UNISINOS) Pesquisadores: Drº Roberto Naime Membro do Departamento de mestrado e doutorado de Qualidade Ambiental da FEEVALE/RS Msd. Eduardo Figueiredo Abreu Analista Ambiental, Especialista em Gestão, Auditoria e Perícia Ambiental, ex-secretário Adjunto de Cuiabá/MT 15

16 PESQUISA REALIZADA NA COOPEMAR, ATERRO SANITÁRIO DE CUIABÁ (2008) O objetivo do trabalho de pesquisa foi realizar um levantamento do potencial econômico representado pelos resíduos sólidos secos existentes no conjunto dos resíduos sólidos urbanos domésticos da cidade de Cuiabá. Sem coleta seletiva, a Cooperativa de trabalhadores e produtores de materiais recicláveis de Mato Grosso Ltda COOPEMAR, vêm recebendo os resíduos misturados e em péssimas condições sanitárias. 16

17 PESQUISA REALIZADA NA COOPEMAR, ATERRO SANITÁRIO DE CUIABÁ (2008) 17

18 PESQUISA REALIZADA NA COOPEMAR, ATERRO SANITÁRIO DE CUIABÁ (2008) 18

19 PESQUISA REALIZADA NA COOPEMAR, ATERRO SANITÁRIO DE CUIABÁ (2008) 19

20 ESTIMATIVA DO POTENCIAL DE EXECUÇÃO DE RECICLAGEM NOS MATERIAIS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO NO MUNICÍPIO DE CUIABÁ. Total dos RSUD 100% Quantidade reciclada Sem coleta seletiva (atualmente) Total de Recicláveis segregados nas esteiras Potencial com coleta seletiva do total dos RSUD Total potencial de segregados nas esteiras com coleta seletiva Apx 500 t 30% 150 t Fator arbitrado 8% 12 t Fator arbitrado 30% 150 t 20

21 ECONOMIA NA COOPEMAR - COOPERATIVA DE CATADORES DE RESÍDUOS DO ATERRO DE CUIABÁ Cerca de 25% do lixo que chega no Aterro passa pelo setor de Triagem, onde apenas 2(duas) esteiras do total de 5 (cinco) estão funcionando, o que permite uma eficiência máxima de 3 à 5% do lixo efetivamente aproveitado para a reciclagem; Emprega aproximadamente 100 trabalhadores; Lucro Bruto Mensal = R$60 mil à R$100 mil Lucro Líquido = R$40 mil Rendimento Médio por Trabalhador = R$350 à

22 DESPERDICIO ATRAVÉS DOS LIXÕES E ATERROS SANITÁRIOS A cada 100 toneladas de plástico economiza-se uma tonelada de petróleo; A incineração de 10 mil toneladas de lixo cria um emprego. O aterramento dessa mesma quantidade de entulho gera seis novas ocupações. A reciclagem pode proporcionar ocupação para cerca de 40 pessoas; Uma tonelada de papel reciclado economiza 10 mil litros de água e evita o corte de 17 árvores; A produção de vidro pela reciclagem reduz em 20% a poluição do ar e em 50% a da água usada nessa atividade; 22

23 DESPERDICIO ATRAVÉS DOS LIXÕES E ATERROS SANITÁRIOS O lixo é uma fonte de riquezas. As indústrias de reciclagem produzem papéis, folhas de alumínio, lâminas de borracha, fibras e energia elétrica, gerada com a combustão. No Brasil, a cada ano são desperdiçados R$ 4,6 bilhões porque não se recicla tudo o que poderia. Pesquisas indicam que cada ser humano produz, em média, um pouco menos de 1 quilo de lixo por dia. Atualmente, a produção anual de lixo em todo o planeta é de aproximadamente 400 milhões de toneladas. 23

24 ESTRUTURAÇÃO DO GANHO ECONÔMICO COM A RECICLAGEM ATRAVÉS DA GESTÃO INTEGRADA Programa de Coleta Seletiva; Valorização econômica dos materiais recicláveis com criação da bolsa de resíduos; Elaboração dos Planos de Gerenciamento de resíduos sólidos municipais; Estimulo a criação e fortalecimento das Cooperativas de Reciclagem (existem 11 no Estado); Implantação de Consórcios Intermunicipais de Resíduos Sólidos Implantação de Sistemas alternativos de tratamento e destinação final dos resíduos sólidos 24

25 COLETA SELETIVA E RECICLAGEM DE RESÍDUOS Colider, Tangará da Serra, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum são cidades do Estado que vêm desenvolvendo programas de coleta seletiva municipal no Estado; Torixoréu é a única cidade do Estado que possui projeto de Aterro Sanitário aprovado, no entanto, não conseguem fazer o sistema funcionar porque não há os equipamentos necessários e não há como comprá-los sem apoio dos governos Estadual ou Federal. Além de Torixoréu, Campo Verde e Colíder chegaram a ter a licença de operação para o sistema, mas a primeira teve esta licença suspensa e a da segunda cidade venceu. 25

26 COLETA SELETIVA E RECICLAGEM DE RESÍDUOS A Coleta Seletiva do Lixo é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, tais como, papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, previamente separados na fonte geradora; Enquanto a quase totalidade das latas de alumínio é reciclada (+90%), apenas 1,9% do lixo é coletado de forma seletiva No Brasil, em 2004 apenas 451 cidades recolhem o lixo separadamente, o que representa apenas 8,2% do total de municípios. Na parcela de residências, o percentual não chega a dois dígitos: são apenas 6%. 26

27 PROGRAMA DE COLETA SELETIVA Deve ser parte de um sistema amplo de gestão integrada do lixo sólido que contempla também a coleta regular, uma eventual segunda etapa de triagem e finalmente a disposição final adequada; Projeto integrado de reciclagem deve envolver a Coleta Seletiva, a Reciclagem e o Marketing; 600 mil pessoas sobrevivem no Brasil com a venda dos materiais recicláveis; Gera 500 mil empregos indiretos e 25 mil diretos; 27

28 PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS - PGRS Antes de iniciar qualquer projeto que envolva Coleta, o Tratamento ou destinação final do lixo, a exemplo da Coleta Seletiva é importante obter um Raio X do lixo, ou seja, avaliar qualitativamente e quantitativamente o perfil dos resíduos sólidos gerados em diferentes pontos do município em questão; Este Raio X é considerado Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, exigido pela Lei Estadual nº7865/02, e agora pela PGRS (elaborar até agosto/2012). Somente Campo Novo dos Parecis possui PGRS aprovado. 28

29 CONSÓRCIOS INTERMUNICIPAIS DE RESÍDUOS SÓLIDOS Considerando aspecto geográfico, existem 22 Regiões com potencial de criação dos consórcios; Priorização no contexto da politica pública; Estruturação de mecanismos técnicos e jurídicos para funcionamento de tais consórcios; Contemplado pela PNRS. 29

30 SISTEMAS ALTERNATIVOS DE TRATAMENTO E DESTINAÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS Unidade de Triagem e Compostagem (RS); Central de Triagem, Reciclagem e Compostagem, em Minas Gerais; Contempla uma concepção sustentável da gestão do lixo. 30

31 QUADRO DO SETOR DA RECICLAGEM EM MATO GROSSO Dezenas de Indústrias de Reciclagem Licenciadas na SEMA; Central de Reciclagem de Cuiabá, que beneficia 100 à 150 ton/mês de Latinhas de Alumínio, administrado pela Aléris Latasa; Projeto Vale Luz - Troca de garrafas pets por bônus no desconto da energia elétrica; 31

32 GERENCIAMENTO SUSTENTÁVEL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS MUNICIPAL/REGIONAL Envolve: Uso de instrumentos econômicos na gestão do lixo; Valorização econômica do lixo; A Geração de Emprego e Renda; A necessidade de implementar a coleta seletiva, podendo inicia-la separando o lixo seco do úmido; O envolvimento de todos em uma comunidade e/ ou região, agregando diversos segmentos sócio- econômicos de um ou mais municípios, preconizado inclusive pela PNRS. Implementar Plano Estadual de Gestão Sustentável dos Resíduos Sólidos. 32

33 uma política ambiental têm como objetivos principais a prevenção da degradação do meio ambiente, a sua preservação, a disciplina do uso dos recursos naturais, propondo uma mudança de hábitos de consumo (conscientização) e a incorporação dos custos ambientais (externalidades) nos processos de produção dos agentes responsáveis pelo seu uso. OBRIGADO! Fones: (65)

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