0. APRESENTAÇÃO. Relatório de Actividades ONDOR 5

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1 0. APRESENTAÇÃO O Observatório Nacional das Doenças Reumáticas (ONDOR) foi fundado em 2003 e resultou de uma parceria entre a Sociedade Portuguesa de Reumatologia e o Serviço de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O presente documento relata as actividades realizadas pelo Observatório desde a assinatura do protocolo da sua criação, em Julho de 2003, até Dezembro de Relatório de Actividades ONDOR 5

2 6 ONDOR Relatório de Actividades

3 ÍNDICE 0. APRESENTAÇÃO 05 SUMÁRIO I. OBSERVATÓRIO NACIONAL DAS DOENÇAS REUMÁTICAS - IMPORTÂNCIA E JUSTIFICAÇÃO IMPORTÂNCIA MUNDIAL DA PATOLOGIA REUMÁTICA O PANORAMA EM PORTUGAL 2.1. INQUÉRITO NACIONAL DE SAÚDE 1998/ RELATÓRIO DO OBSERVATÓRIO NACIONAL DE SAÚDE SOBRE A PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÓNICAS EM PORTUGAL 2.3. INTERNAMENTOS POR PATOLOGIA MUSCULO-ESQUELÉTICA EM PORTUGAL 2.4. ALGUNS DADOS SOBRE OS INTERNAMENTOS POR PATOLOGIA REUMÁTICA NO PERÍODO RECURSOS HUMANOS EM REUMATOLOGIA 2.6. DESPESA EM MEDICAMENTOS ANÁLISE GEOGRÁFICA DA DISTRIBUIÇÃO DAS FRACTURAS DO COLO DO FÉMUR 2.8. PLANO NACIONAL CONTRA AS DOENÇAS REUMÁTICAS O OBSERVATÓRIO NACIONAL DAS DOENÇAS REUMÁTICAS 3.1. GÉNESE E OBJECTIVOS DO OBSERVATÓRIO 3.2. ESPECIFICIDADES DA EPIDEMIOLOGIA APLICADA À REUMATOLOGIA 3.3. ÂMBITO DE ACTUAÇÃO 3.4. ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO 3.5. UTILIZADORES 3.6. COLABORADORES E PERITOS AVALIADORES II. ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS NO PERÍODO JULHO 2003 DEZEMBRO PÁGINA FORMAÇÃO PÓS GRADUAÇÃO NA ÁREA DA REUMATOLOGIA 5.1. EPIDEMIOLOGY OF RHEUMATIC DISEASES: QUANTITATIVE METHODS WITHOUT TEARS 5.2. INVESTIGAÇÃO CLÍNICA PLANEAMENTO E ANÁLISE DE DADOS (APLICAÇÃO EM REUMATO- LOGIA) COMUNICAÇÕES E PUBLICAÇÕES EM REUMATOLOGIA 40 Relatório de Actividades ONDOR 7

4 7. CONSULTORIAS INQUÉRITO AOS MÉDICOS REUMATOLOGISTAS EM PORTUGAL FREQUÊNCIA E CARACTERIZAÇÃO DOS DOENTES INTERNADOS E EM AMBULATÓRIO A PATOLOGIA REUMÁTICA NOS ADULTOS DA CIDADE DO PORTO 9.1. PREVALÊNCIA AUTO-DECLARADA DE PATOLOGIA REUMÁTICA NA AVALIAÇÃO BASAL 9.2. INGESTÃO DE CÁLCIO E DE VITAMINA D NA AVALIAÇÃO BASAL 9.3. PREVALÊNCIA AUTO-DECLARADA E AVALIAÇÃO CLÍNICA DE PATOLOGIA REUMÁTICA 9.4. QUALIDADE DE VIDA E SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA 9.5. CONHECIMENTOS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS DETERMINANTES DE FRACTURAS NUMA AMOSTRA DE MULHERES PORTUGUESAS CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA DETERMINANTES DA INCIDÊNCIA DE PRIMEIRAS FRACTURAS E DO NÚMERO DE FRACTURAS ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DE PRIMEIRAS FRACTURAS DETERMINANTES DO NÚMERO DE FRACTURAS DENSIDADE MINERAL ÓSSEA NUMA AMOSTRA NÃO ALEATÓRIA DE ADULTOS PORTUGUESES DENSIDADE MINERAL ÓSSEA EM ADOLESCENTES DO SEXO FEMININO FIBROMIALGIA INQUÉRITO NACIONAL SOBRE A FIBROMIALGIA PREVALÊNCIA DE FIBROMIALGIA NA POPULAÇÃO ADULTA DO PORTO III. RESUMO DA CONTABILIDADE DO ONDOR IV. PLANO DE ACTIVIDADES RECURSO ONLINE 2. FORMAÇÃO PÓS GRADUAÇÃO 3. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES 4. CONSULTORIAS V. REFERÊNCIAS ONDOR Relatório de Actividades

5 SUMÁRIO As actuais estimativas mundiais de prevalência e de incidência permitem prever para as próximas décadas um crescente impacto da patologia reumática na saúde pública, tendo a Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas estabelecido o período como a Década do Osso e da Articulação, iniciativa para a qual foi criada uma Comissão Portuguesa. O panorama em Portugal, no que diz respeito à frequência destas doenças, é insuficientemente conhecido, o que torna importante um retrato da epidemiologia da patologia reumática no nosso país. O último Inquérito Nacional de Saúde (1998/99) forneceu informação para a distribuição por sexo, classe etária e região geográfica da presença de queixas musculo-esqueléticas e do recurso a cuidados de saúde com elas relacionados, bem como uma avaliação da qualidade de vida. Em conjunto, estas informações evidenciaram o peso relativo destas doenças, tendo 40% da população declarado lombalgias. A prevalência de doenças reumáticas foi estimada pelo Observatório Nacional de Saúde no âmbito de um estudo dedicado à investigação das doenças crónicas nos adultos portugueses, onde um quarto dos inquiridos referiu o diagnóstico de uma ou mais doenças reumáticas. O estudo dos episódios de internamento nos hospitais portugueses pode fornecer uma medida mais objectiva da importância dos quadros clínicos mais graves. Os dados mais recentes disponíveis documentam uma diminuição da letalidade e da duração dos internamentos. No entanto, em alguns Serviços de Reumatologia portugueses, entre 2003 e 2005, a demora média aumentou. O recenseamento dos recursos humanos em reumatologia documenta uma baixa representação desta especialidade em número relativo de profissionais, com uma curva etária bimodal nos serviços públicos, os quais apenas empregam cerca de metade dos especialistas disponíveis. A importância dos encargos em saúde com a patologia reumática fica expressa com o facto de, em ambulatório, representar cerca de 10% da quota de mercado português. A referenciação geográfica dos recursos, confrontada com, por exemplo, a distribuição geográfica das fracturas do fémur, da qual sobressai acentuada variabilidade regional, mostram a existência de uma inadequação entre oferta e necessidades. O Observatório Nacional das Doenças Reumáticas tem por missão caracterizar a frequência, a distribuição e os determinantes da patologia reumática em Portugal, bem como os recursos em saúde que se lhe associam, através de uma actividade continuada de apoio a investigação original, recolha e tratamento de informação e estudos específicos dirigidos ao conhecimento de problemas concretos. Relatório de Actividades ONDOR 9

6 O conjunto de informação gerada pelo ONDOR é difundido através do site up.pt, uma newsletter semestral e um relatório anual, bem como através de publicações em revistas da especialidade. O suporte informático disponível permite também a introdução e tratamento de informação para realização de inquéritos. No âmbito das actividades de pós graduação o Observatório promoveu a organização de dois cursos, um dos quais internacional. Recorrendo à população do Porto e integrado na avaliação inicial de uma coorte de adultos, foi possível estimar que a prevalência de doenças reumáticas auto-declaradas era 24%. Na mesma amostra foi possível quantificar, pela primeira vez, a inadequação na ingestão de cálcio e de vitamina D, tendo-se verificado elevadas prevalências de ingestão inferior às recomendações na maioria das classes etárias, para as mulheres, e em todas, para os homens. A reavaliação desta coorte tem permitido uma avaliação reumatológica aprofundada, nomeadamente em relação à osteoartrose e à osteoporose. Foi possível caracterizar, para a osteoartrose, a concordância entre a patologia referida e o diagnóstico clínico, demonstrando as limitações da auto-declaração. Estudou-se a associação da patologia reumática com a qualidade de vida e a sintomatologia depressiva, tendo-se objectivado a marcada influência da saúde musculo-esquelética nestas duas dimensões psicossociais. O presente relatório fornece informações originais sobre a profundidade dos conhecimentos quanto a doenças reumáticas, largamente dependentes da idade e da escolaridade, mostrando a necessidade de educação para a saúde ao longo da vida. A dinâmica da osteoporose tem sido objecto das actividades do ONDOR. Num estudo prospectivo em mulheres portuguesas de todo o país, a densidade mineral óssea no antebraço foi o principal determinante da incidência bem como do número de fracturas ocorridas dez anos após a avaliação basal. Uma outra avaliação envolvendo uma amostra não aleatória de cerca de adultos revelou elevadas prevalências de osteopenia e de osteoporose nos dois sexos. No contexto do reconhecimento do papel do desenvolvimento ósseo durante a adolescência na etiologia da osteoporose foi avaliada por densitometria do antebraço a massa óssea dos adolescentes de 13 anos do Porto. Nesta coorte reunida com o objectivo de estudar variáveis de saúde ao longo da vida, as características antropométricas e pubertárias das adolescentes foram os mais importantes determinantes do desenvolvimento ósseo. A importância crescente da fibromialgia na clínica justificou a realização de um inquérito aos médicos das especialidades de Reumatologia e de Medicina Geral e Familiar, com o objectivo de ter uma primeira perspectiva epidemiológica deste síndrome no nosso país. Globalmente, os resultados sugerem uma proporção importante de doentes com fibromialgia na prática clínica nas duas especialidades e uma escassez relativa de formação académica nesta área. É, porém, de notar que na reavaliação da amostra do Porto foi encontrada, até ao momento, uma prevalência de 0,2% para este síndrome. 10 ONDOR Relatório de Actividades

7 I. OBSERVATÓRIO NACIONAL DAS DOENÇAS REUMÁTICAS - IMPORTÂNCIA E JUSTIFICAÇÃO 1. IMPORTÂNCIA MUNDIAL DA PATOLOGIA REUMÁTICA O conceito de patologia reumática inclui todas as doenças e alterações funcionais do sistema musculo-esquelético de causa não traumática, constituindo um grupo com mais de uma centena de entidades com vários subtipos, onde se incluem as doenças inflamatórias do sistema musculoesquelético, do tecido conjuntivo e dos vasos, as doenças degenerativas das articulações periféricas e da coluna vertebral, as doenças metabólicas ósseas e articulares, as alterações dos tecidos moles periarticulares e as doenças de outros órgãos e/ou sistemas relacionadas com as anteriores (Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas). As doenças com componente musculo-esquelética têm fisiopatologia diversa, ligando-se entre si pelo envolvimento anatómico e pela associação comum com a dor e a função física. As suas implicações individuais e populacionais vêm sendo reavaliadas após décadas durante as quais algumas das mais prevalentes doenças reumáticas foram consideradas consequência natural e irreversível do envelhecimento. Internacionalmente, são a causa mais comum de dor e incapacidade física, acarretando graves encargos individuais e sociais, nomeadamente os respeitantes aos sistemas de saúde (1). Em 2003, a Organização Mundial de Saúde estimou que, a nível mundial: A osteoartrose do joelho afectava cerca de 135 milhões de pessoas em todo o mundo, 40% da população acima dos 70 anos; 80% dos doentes com osteoartrose tinham algum grau de limitação de movimento e 25% não eram capazes de realizar as suas actividades diárias principais; A artrite reumatóide afectava 20 milhões de pessoas; após uma década de evolução, a artrite reumatóide conduzia à invalidez laboral, definida como a total cessação de actividade profissional, em 51 a 59% dos doentes; As raquialgias eram a segunda causa de absentismo laboral, as lombalgias, em particular, atingiram proporções epidémicas, com aproximadamente 80% da população mundial a declará- -las em alguma altura da vida; As fracturas osteoporóticas quase duplicaram na década de 90, estimando-se em 1,7 milhões o número de fracturas da anca ocorridas em 1990 em todo o mundo. Contudo, o número previsto para 2050 é de mais de 6 milhões. Assim, previu-se que uma em cada três mulheres acima dos 50 anos venha a sofrer de uma fractura de origem osteoporótica. Com o objectivo de melhorar a percepção do problema crescente das doenças osteoarticulares nas sociedades, e no contexto das estimativas actuais de impacto mundial da patologia musculoesquelética, a Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas estabeleceram o período como a Década do Osso e da Articulação (2). Entre os objectivos propostos Relatório de Actividades ONDOR 11

8 constam as estimativas de prevalência e de incidência actuais dessas patologias, reunindo e estruturando dados recolhidos internacionalmente e relacionando-os com o aumento previsto do seu impacto. Em termos práticos, estas estratégias multidisciplinares foram traçadas de modo a resultar na melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde no universo dos indivíduos afectados por problemas músculo-esqueléticos. São consideradas doenças alvo para actuação no contexto da Década do Osso e da Articulação as doenças articulares, como a osteoartrose, artrite reumatóide e mais de 100 outras patologias inflamatórias; a osteoporose e as fracturas desta decorrentes; e as lombalgias e as espondiloartropatias. O envelhecimento das populações e as recentes mudanças nos estilos de vida em todo o mundo permitem estimar um aumento acentuado nos custos globais deste grupo de doenças nos próximos anos. O objectivo último da Década do Osso e da Articulação será apoiar decisões em Saúde Pública, com vista à diminuição do peso da patologia musculo-esquelética nas sociedades, através da redução da sua incidência e dos seus custos indirectos. Dizendo respeito especificamente à Europa, a organização publicou, em Outubro de 2005, o relatório European Action Towards Better Musculoskeletal Health Guide to the Prevention and Treatment of Musculoskeletal Conditions for the Healthcare Practitioner and Policy Maker (3), que divulga as estimativas actuais de impacto da patologia musculo-esquelética na Europa, onde se estimou que aproximadamente 25% da população sofria de patologia musculo-esquelética crónica e 50% da população adulta declarou ter tido dor musculo-esquelética no mês anterior. No mesmo documento são apresentadas, para as doenças reumáticas mais prevalentes, estratégias de identificação de casos e de intervenção. Fundaram e integraram a Comissão Portuguesa da Década do Osso e da Articulação , em 2003, elementos das Sociedades Portuguesas de Reumatologia, de Ortopedia e Traumatologia e de Medicina Física e Reabilitação (4). Além destas organizações, também apoiam a Década a Sociedade Portuguesa de Doenças Ósseas Metabólicas, a Comissão Parlamentar de Saúde e as seguintes organizações não governamentais: Associação Portuguesa de Osteoporose (APO), Associação Nacional Contra a Osteoporose (APOROS), Associação Nacional da Espondilite Anquilosante, Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas, Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide, Associação Nacional de Doentes com Lupus e Associação Nacional de Doentes com Artrite Infantil. A declaração oficial de apoio pelo Governo português foi assinada em Maio de 2005 pelo Ministro da Saúde. 12 ONDOR Relatório de Actividades

9 2. PANORAMA EM PORTUGAL 2.1. INQUÉRITO NACIONAL DE SAÚDE 1998/99 Acredita-se que a patologia musculo-esquelética seja a principal causa de incapacidade e gastos em saúde. Porém, o conhecimento mais exacto da situação na população portuguesa só pode ser obtido no âmbito de inquéritos nacionais, recorrendo a medidas objectivas e subjectivas desse impacto. No Inquérito Nacional de Saúde (INS) realizado em 1998/99, estimaram-se alguns desses aspectos (5). Apesar de a natureza do questionário não permitir conclusões específicas sobre doenças reumáticas, foi possível tomar o INS como um indicador do estado de saúde no nosso país, que reflecte indirectamente o peso da patologia musculo-esquelética. Isso será tão mais verdade quanto a sua prevalência for mais elevada. A proporção da amostra que, nos 3 meses anteriores ao inquérito, consultou um médico por Doenças do Sistema Ósteo-muscular e Tecido Conjuntivo é apresentada na Tabela 1. Nas mulheres, foi a classe etária entre os 55 e os 64 anos que mais recorreu a consultas (21,2%) e nos homens a classe dos 45 aos 54 anos (17,0%). Do total de 2918 consultas realizadas por este motivo, só 48 (1,6%) corresponderam à especialidade de Reumatologia. A Tabela 2 apresenta a proporção dos inquiridos que nos 3 meses anteriores ao inquérito consultou o médico das especialidades de Fisiatria, Fisioterapia, Medicina Física e Reabilitação, Ortopedia e Reumatologia. As proporções mais elevadas observaram-se nos homens com menos de 45 anos (5,0%) e nas mulheres entre os 55 e os 64 anos (5,1%). Assinale-se que no sexo masculino a prevalência decresce linearmente com a idade, reflectindo provavelmente o impacto dos acidentes e da patologia associados à actividade laboral. Nas mulheres o pico atinge-se aos anos, depois decrescendo a frequência de recurso a este tipo de consultas. Seria muito importante conhecer e compreender os motivos de consulta e, sobretudo, o eventual impacto das condições socio-económicas no seu acesso. Em conjunto, as Tabelas 1 e 2 mostram que apenas uma pequena proporção das queixas musculo-esqueléticas resultam em consultas a médicos das especialidades tradicionalmente com elas relacionadas, sendo essa proporção mais alta no grupo etário mais jovem. De novo, pode esta circunstância reflectir a frequência etária específica de algumas patologias mais graves, mas também, numa proporção desconhecida, barreiras ao acesso. Tabela 1. Consulta a médico por Doenças do Sistema Ósteo-muscular e Tecido Conjuntivo nos 3 meses anteriores ao inquérito. Classe etária (anos) < Sexo masculino n (%) 365 (9,0) 181 (17,0) 199 (15,0) 182 (13,1) 99 (11,1) Sexo feminino n (%) 444 (9,4) 341 (19,4) 440 (21,2) 434 (21,0) 248 (16,6) Relatório de Actividades ONDOR 13

10 Tabela 2. Consulta a médico das especialidades de Fisiatria, Fisioterapia, Medicina Física e Reabilitação, Ortopedia e Reumatologia, por grupo etário e sexo nos 3 meses anteriores ao inquérito. Classe etária (anos) < Sexo masculino n (%) 249 (5,0) 58 (4,2) 50 (3,1) 55 (3,3) 24 (2,4) Sexo feminino n (%) 177 (2,8) 69 (3,1) 121 (5,1) 93 (4,0) 48 (3,0) Porque as doenças reumáticas são a mais importante causa de morbilidade nas sociedades actuais e estão inevitavelmente associadas ao envelhecimento, na Tabela 3 é apresentada a proporção da amostra inquirida que classificou como mau ou muito mau o seu estado de saúde. Esta proporção foi maior na classe etária acima dos 75 anos, tanto nos homens (40,1%) como nas mulheres (55,1%). Naturalmente, este aumento da proporção com a idade não será devido exclusivamente às doenças reumáticas, mas é possível estabelecer uma relação entre esta tendência e a proporção de indivíduos que declararam ter habitualmente dores nas costas, apresentada na Tabela 4. Igualmente o contributo dos sintomas pode estar reflectido nos gastos referidos em medicamentos (Tabela 5). Tabela 3. Número absoluto e proporção dos inquiridos que caracterizou como mau ou muito mau o seu estado de saúde à data do INS. Classe etária (anos) < Sexo masculino n (%) 305 (4,7) 181 (12,7) 436 (27,3) 618 (35,0) 402 (40,1) Sexo feminino n (%) 496 (5,5) 642 (25,6) 1082 (41,4) 1325 (52,6) 884 (55,1) Tabela 4. Número absoluto e proporção dos inquiridos que referiu dores nas costas habituais. Classe etária (anos) < Sexo masculino n (%) 2280 (17,4) 1423 (46,1) 1568 (55,0) 1488 (56,5) 848 (54,6) Sexo feminino n (%) 3207 (24,7) 2054 (60,3) 2369 (68,9) 2384 (74,2) 1483 (62,1) Tabela 5. Gastos com medicamentos (média ± desvio-padrão, em escudos) nos dois meses anteriores ao Inquérito Nacional de Saúde, de acordo com a presença auto-declarada de dores nas costas habituais. Dores nas costas n Média ± DP p Não (60,4) 811 ± 2761 Sim (39,6) 2092 ± 4298 <0, ONDOR Relatório de Actividades

11 Com o objectivo de averiguar da distribuição geográfica das queixas de lombalgias, e relacionando-as com a distribuição geográfica dos gastos em saúde, construíram-se as Figuras 1 e 2, consideradas no Inquérito Nacional de Saúde. Figura 1. Referenciação geográfica de dores nas costas, idade e média de consultas médicas nos 3 meses anteriores ao inquérito por NUT2, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Saúde 1998/99. Relatório de Actividades ONDOR 15

12 Figura 2. Referenciação geográfica da despesa média com medicamentos por NUT2, de acordo com o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99. Verifica-se que a proporção de queixas lombares é naturalmente maior nas regiões onde é mais alta a média de idades, não sendo evidentes diferenças no número médio de consultas médicas referidas. Em conjunto, os mapas sugerem alguma correspondência entre queixas lombares e despesa com medicamentos. 16 ONDOR Relatório de Actividades

13 2.2. RELATÓRIO DO OBSERVATÓRIO NACIONAL DE SAÚDE SOBRE A PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÓNICAS EM PORTUGAL O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, através do Observatório Nacional de Saúde, publicou em Julho de 2005 o relatório Uma observação sobre a prevalência de algumas doenças crónicas em Portugal Continental (6). Neste estudo transversal, a amostra era constituída por 2820 indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos, distribuídos pelas cinco unidades territoriais NUT2 (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) avaliados por entrevista telefónica entre 25 de Novembro e 15 de Dezembro de Declararam sofrer de uma ou mais doenças reumáticas 690 (24%). As diferenças nas proporções de indivíduos que referiram doença reumática por região não foram significativas (Tabela 6). Tabela 6. Proporção (intervalo de confiança: IC 95%) de indivíduos que referiram doenças reumáticas, por região. Regiões n Prevalência (%, IC 95%) Norte ,1 (18,0-24,4) Centro ,3 (21,8-29,1) Lisboa e Vale do Tejo ,3 (21,6-29,3) Alentejo ,0 (23,2-31,1) Algarve ,5 (21,8-29,3) Total ,0 (22,4-25,7) Foram encontradas proporções significativamente diferentes entre sexos: 29,1% (IC 95%: 26,7 31,7) das mulheres e 18,3% (IC 95%: 16,2 20,6) dos homens referiram doenças reumáticas. Observou-se também uma tendência significativa para o aumento da prevalência com a idade (Tabela 7). Tabela 7. Proporção de indivíduos que referiram doenças reumáticas por sexo e idade em Portugal (ONSA) e no Porto (ONDOR). Portugal - ONSA Porto - EPIPorto n Prevalência (%, IC95%) n Prevalência (%, IC95%) Sexo Masculino ,3 (16,2-20,6) ,1 (10,2-16,6) Feminino ,1 (26,7-31,7) ,7 (25,6-32,0) p<0,001 p<0,001 Relatório de Actividades ONDOR 17

14 Portugal - ONSA Porto - EPIPorto n Prevalência (%, IC95%) n Prevalência (%, IC95%) Idade (anos) ,5 (0,3-8,4) ,4 (1,2-4,9) 84* 4,8 (1,3-11,7) ,2 (3,3-8,2) 189 6,9 (3,7-11,5) ,4 (8,4-15,4) ,3 (7,5-16,1) ,0 (20,7-29,8) ,1 (16,1-26,8) ,2 (34,3-44,4) ,2 (25,1-37,8) ,2 (49,7-60,6) ,7 (37,6-51,9) ,5 (55,5-68,9) 78 44,9 (33,6-56,6) p<0,0001 p<0,0001 * classe etária anos Estes resultados vêm de encontro às usuais estimativas de prevalência, quer em relação à distribuição da patologia referida por sexo quer à tendência relacionada com a classe etária. Os resultados dos dois estudos são semelhantes na tendência, podendo as diferenças nas prevalências por idade ser justificadas pelos diferentes métodos de inquirição, a entrevista telefónica no estudo do ONSA e a entrevista pessoal no estudo EPIPorto. Nos dois casos é importante referir as óbvias limitações do uso da patologia auto-declarada (sem confirmação clínica) que vem sendo descrita como resultando em sobre-estimativas. No estudo do ONSA será também de referir adicionalmente a ausência de especificações relativas ao tipo e gravidade das patologias, que poderá limitar a interpretação dos resultados. Não obstante, a prevalência e distribuição encontradas são indicadores importantes do peso da patologia musculo-esquelética na população portuguesa. 18 ONDOR Relatório de Actividades

15 2.3. INTERNAMENTOS POR PATOLOGIA MUSCULO-ESQUELÉTICA EM PORTUGAL O conhecimento dos internamentos hospitalares por patologia reumática em Portugal é um indicador no estudo da adequação de recursos, em número e em distribuição. Além disso, é uma das medidas dos encargos em saúde na área das doenças musculo-esqueléticas. No Relatório do Ponto de Situação dos Ganhos de Saúde em Portugal pela Direcção Geral de Saúde, é apresentado um resumo da evolução dos episódios de internamentos hospitalares por fracturas do colo do fémur e por doenças reumáticas e articulares (7). Verificaram-se diminuições no número absoluto de óbitos, na demora média do internamento e na letalidade (Tabela 8). Tabela 8. Evolução nos parâmetros dos episódios de internamento por fractura do colo do fémur e por doenças reumáticas e articulares em Portugal. Episódios de internamento por fractura do colo do fémur Anos Altas Óbitos % letalidade Dias de internamento Demora Média , , , ,3 Episódios de internamento por doenças reumáticas e articulares Anos Altas Óbitos % letalidade Dias de internamento Demora Média , , , ,1 Fonte: Base de Dados GDH, DE, DSIA, DGS. Na Tabela 9 é apresentada a informação respeitante a todos os episódios de internamento ocorridos em Portugal entre 1 de Janeiro de 2003 e 31 de Dezembro de 2004 aos quais foi atribuído o código 714 da Classificação Internacional de Doenças (dados cedidos pelo Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, IGIF). Relatório de Actividades ONDOR 19

16 Tabela 9. Internamentos classificados com o código 714 e respectivas extensões no período de 1 de Janeiro de 2003 a 31 de Dezembro de Homens Grupo Etário Número de altas Total de dias de internamento Duração média dos internamentos (dias) , , , , , , , , ,8 Mulheres Grupo Etário Número de altas Total de dias de internamento Duração média dos internamentos (dias) , , , , , , , , ,7 Fonte: Base de dados IGIF. Em todas as classes etárias, com excepção da primeira, foi mais elevado o número de altas no sexo feminino, correspondendo a um maior número total de dias de internamento, uma observação que é consistente com a distribuição conhecida deste grupo de patologias. Às duas primeiras classes etárias corresponderam importantes números de internamentos, devidos maioritariamente às artrites juvenis, que reflectem a gravidade da patologia nestas idades. Nas classes subsequentes nota-se uma tendência para o aumento com a idade no número de altas que poderá reflectir o aumento da gravidade da patologia com a idade. 20 ONDOR Relatório de Actividades

17 2.4. ALGUNS DADOS SOBRE OS INTERNAMENTOS POR PATOLOGIA REUMÁTICA NO PERÍODO No mesmo contexto da secção anterior, o da avaliação da extensão e da importância relativa dos encargos em saúde nesta área, é útil fazer uma abordagem geográfica ao número e à duração dos internamentos por patologia reumática em Portugal. Nas Tabelas 10 a 12 são apresentados alguns dados sobre os internamentos, entre 2003 e 2005, em três Serviços de Reumatologia (identificados como 1, 2 e 3) de hospitais portugueses situados em diferentes regiões do país, por sexo e tempo de internamento. A Tabela 13 apresenta informação relativa às consultas da especialidade de Reumatologia de um dos Serviços. Tabela 10. Serviço de Reumatologia 1: Evolução no número e demora média dos internamentos entre 2003 e 2005 (período de 1 de Janeiro a 30 de Junho) Variação (%) 03/05 04/05 Doentes saídos ,17 60,71 Demora média (dias) 6,89 7,43 10,07 46,08 35,51 Taxa de ocupação (%) 49,45 34,20 65,19 31,84 90,61 Neste serviço sobressai uma tendência aparente para o aumento na demora média dos doentes entre 2003 e 2005, não se verificando diferenças importantes no número de doentes saídos nem na taxa de ocupação. Tabela 11. Serviço de Reumatologia 2: Número e duração média dos internamentos no período 2003 a 2004, por idade e sexo Homens Mulheres Homens Mulheres Idade n Duração (média±dp) n Duração (média±dp) n Duração (média±dp) n Duração (média±dp) ,0 1 15, ,6 ± 8,5 27 6,5 ± 10,1 7 10,7 ± 8, ,4 ± 17, ,3 ± 8,2 44 7,0 ±10, ,1 ± 11, ,2 ± 11, ,9 ± 13, ,1 ± 10, ,9 ± 16, ,7 ± 24, ,0 ± 13, ,4 ± 16,6 8 28,4 ± 17, ,6 ± 23, ,7 ± 10,7 4 1,0 ± ,4 ± 12,8 Relatório de Actividades ONDOR 21

18 No Serviço 2 nota-se, globalmente, uma tendência para o aumento da duração média do internamento com a idade, para os dois sexos. No entanto, o número total de internamentos é sempre maior na classe etária dos 45 aos 65 anos, o que se deve provavelmente à sua amplitude, principalmente quando comparada com a classe dos 65 aos 75 anos. Tabela 12. Serviço de Reumatologia 3: Número e duração média ± desvio-padrão dos internamentos no ano de 2003, por sexo. Período 01/01/2003 a 31/12/2003 Homens Mulheres n Duração (dias) ± DP n Duração (dias) ± DP 146 8,47 ± 9, ,9 ± 33,3 No Serviço 3 os internamentos foram mais frequentes em mulheres, sendo a duração do internamento acompanhada de grande dispersão em torno da média. Tabela 13. Evolução no número de consultas de Reumatologia do Serviço 1, entre 2003 e 2005 (período de 1 de Janeiro a 30 de Junho). Número de consultas Variação (%) 03/05 04/05 Primeiras ,63-12,93 Subsequentes ,01 9,67 Total ,56 4,58 Verifica-se uma tendência aparente para o aumento do número total de consultas, para o qual contribuem principalmente as consultas de seguimento. As consultas são um melhor indicador da utilização de cuidados de saúde em reumatologia, considerando que, com excepção de certos quadros clínicos (como as fracturas da anca e os episódios de agudização de certas patologias inflamatórias), será fundamentalmente em ambulatório que os cuidados são fornecidos. É, no entanto, nítido o interesse de um levantamento mais aprofundado dos internamentos e das consultas de Reumatologia em cada Serviço ou Unidade, no sentido da uniformização dos dados recolhidos e do estudo da sua distribuição geográfica em Portugal. Com esta finalidade está planeada para o ano de 2006 a promoção da utilização da base de dados online do ONDOR, na qual poderão ser inseridos dados relativos às características dos internamentos e das consultas por patologia reumática, de modo a que se torne possível avaliar o panorama nacional de forma mais completa. 22 ONDOR Relatório de Actividades

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