II.3. Formas de Compartilhamento de Infra-Estrutura

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1 Cláusula Constitui pre ssuposto básico do presente Contrato a preservação, em regime de ampla competição, da justa equivalência entre a prestação e a remuneração, vedado às partes o enriquecimento imotivado às custas de outra parte ou dos usuários do serviço, nos termos do dispo sto neste Capítulo. 1º - A Concessionária não será obrigada a suportar prejuízos em decorrência do presente Contrato, salvo se estes decorrerem de algum dos seguintes fatores: I - da sua negligência, inépcia ou omissão na exploração do serviço; II - dos riscos normais à atividade empresarial; III - da gestão ineficiente dos seus negócios, inclusive aquela caracterizada pelo pagamento de custos operacionais e administrativos incompatíveis com os parâmetros verificados no mercado; ou IV - da sua incapacidade de aproveitar as oportunidades existentes no mercado, inclusive no atinente à expansão, ampliação e incremento da prestação do serviço objeto da concessão. (...) Estes parâmetros para definir tarifas, de forma a não prejudicar o proprietário da infra-estrutura (justa equivalência entre a prestação e a remuneração) nem permitir o abuso de poder econômico (vedado às partes o enriquecimento imotivado às custas de outra parte ou dos usuários do serviço) se encontram na regulação brasileira, para todas as co ncessões e na experiência internacional, como veremos mais à frente. II.3. Formas de Compartilhamento de Infra-Estrutura O uso da infra-estrutura comum do setor de telecomunicações está sendo desenhada pela ANATEL, levando em consideração três possibilidades distintas: 26

2 a) Compartilhamento de Infra-Estrutura; b) Uso Conjunto de Rede; c) Interconexão. O Regulamento que estamos discutindo abrange apenas a primeira forma para o setor de telecomunicações. Todavia, se quisermos atingir o melhor resultado econômico, os princípios econômicos básicos devem ser os mesmos para qualquer forma de uso, e, eles devem ser independentes inclusive do uso inicial da infra-estrutura, seja para o setor de telecomunicações, seja para outros setores regulados (como energia, estradas etc.). D entre esses princípios ressaltamos os seguintes: i. As regras regulatórias não devem distorcer decisões econômicas sobre a forma de uso, o que implica que a metodologia de precificação deve possuir os mesmos princípios econômicos básicos; ii. As regras regulatórias devem ser neutras e pró - competição. Como veremos isso significa que a metodologia definirá preços baseadas em custos de oportunidade forward looking (ou seja, custos de reposição incrementais, inclusive o de investimento inicial, associados à geração de serviços futuros). As vantagens do uso de um método comum para a precificação do uso da infra - estrutura são que, em primeiro lugar, um método padrão evita arbitragem, ou seja, ganhos na comercialização de um bem ou serviço que tem um preço, quando adquirido de uma empresa sujeita a um regime regulatório, revendido com lucro a empresas submetidas a outro regime de regulação). Este tipo de atividade não gera nenhum valor econômico, pelo contrário, gera custos para o 27

3 sistema e existira apenas porque metodologias diferentes gerariam preços diferentes, abrindo a possibilidade de ganhos para intermediários. Em segundo lugar, ainda que os preços gerados pelas diferentes regras fossem os mesmos, a metodologia baseada nos mesmos princípios consegue evitar ou minimizar os problemas e conflitos advindos de regras múltiplas e de sua administração, reduzindo os custos operacionais para as empresas e reguladores. Quanto ao fato da metodologia estar baseada em custos forward looking (de reposição), veremos que esta forma é a que consegue aproximar a remuneração do proprietário da infra -estrutura, mesmo numa situação de monopólio natural, daquela em que uma nova empresa teria em um mercado competitivo. II.4. Metodologia para a Precificação de Compartilhamento no Bras il: o Setor de Telecomunicações A experiência internacional pode nos ajudar a definir um critério para a precificação da infra-estrutura compartilhada, seja em telecomunicações, seja em outros setores regulados. Todavia, é necessário atentar para as especificidades das instalações de infra -estrutura em relação a outros equipamentos e também para as particularidades da situação brasileira em relação a de países como EUA e a Grã -Bretanha. Nossa proposta para a precificação da infra-estrutura deve fundamentar-se nos seguintes pontos: 1. Preço equivalente ao de mercado competitivo para garantir isonomia entre usuários; 2. Proprietário da infra-estrutura remunerado com a taxa normal de retorno de capital do negócio para o qual a infra-estrutura foi inicialmente constituída; 28

4 3. Metodologia do melhor equipamento instalado pelo proprietário da infra - estrutura; 4. Prioridade para os detentores nos investimentos em pontos de estrangulamento. A experiência da FCC e Oftel foi reexaminada pela equipe para um contexto específico de compartilhamento de infra -estrutura, onde se procurará atingir as finalidades definidas na Lei Geral de Telecomunicações de promover a concorrência, preservando a remuneração justa do capital do proprietário, entendida como aquela que seria conseguida por uma empresa entrante em um mercado competitivo com o mesmo nível de risco. II.4.1. Preço Equivalente ao de Mercado Competitivo Um mercado competitivo na teoria econômica é definido como aquele onde as barreiras à entrada são baixas, não existe significativa diferenciação de produtos, o número de competidores é suficientemente elevado para limitar a capacidade de fixar preços de cada empresa. Nesta situação, no longo prazo, o preço é igual ao custo marginal de longo prazo. Ou seja, é um preço que paga exatamente o somatório da remuneração normal para cada um dos fatores de produção (trabalho, trabalho qualificado e capital), ajustado pelo risco da atividade. Portanto, se todos os mercados forem competitivos em uma economia, no longo prazo, cada fator de produção estará recebendo exatamente sua remuneração normal (que é proporcional a sua produtividade). Neste caso, o preço de cada produto será o mínimo que os produtores estão dispostos a receber para se manter naquele setor. Desse modo, a produção seria máxima, pois neste nível de preços, os consumidores maximizarão suas compras. 29

5 Curto e longo prazo em economia são diferenciados como períodos onde, no primeiro caso, alguns custos são fixos e outros variáveis e, no segundo, como o período onde todos os custos s ão variáveis. Por exemplo, no curto prazo, supondo uma planta que tem investimentos com vida econômica útil de dez anos, o curto prazo para a firma é inicialmente de 10 anos, pois existem custos que estão fixos, como a depreciação dos equipamentos. Assim, o custo marginal de curto prazo inclui os salários e a remuneração do capital aplicado em insumos que variam com a quantidade produzida. A remuneração do capital investido na planta faz parte do custo fixo, que não varia com a quantidade. Todavia para pra zos maiores, todos os custos variam com a quantidade produzida (que depende do tamanho da planta, que também pode variar). A própria remuneração do investimento faz parte do custo marginal (que varia com a quantidade) de longo prazo. Note -se que a diferença entre curto e longo prazo depende da vida econômica dos ativos, não é um período temporalmente definido. Desse modo, em nosso caso, uma metodologia que fixe preços baseados no custo marginal de longo prazo, considera para fins de cálculo os custos que s ão diretamente atribuídos à provisão dos elementos de infra -estrutura que estão sendo compartilhados. Dizer que esses custos são avaliados no longo prazo, significa que não só os custos operacionais, mas também o investimento de reposição da planta está se ndo considerado como integrante do custo, pois no longo prazo, o tamanho da planta é variável. Além disso, são também considerados, como já vimos antes, os custos conjuntos e comuns, pois sem eles, a própria operação da infra -estrutura compartilhada não se ria factível economicamente. 30

6 Portanto, a precificação pelo custo marginal de longo prazo é uma metodologia custo-causativa, todos os fatores que geram custos são relevantes para o cálculo do preço. Dentre os quais se incluem a previsão dos custos operacionais, de reposição do investimento, administrativos e justa remuneração do capital para a provisão da infra-estrutura compartilhada. Com base na metodologia de formação de preço exposta acima, surge uma questão relevante: qual o tratamento que deve ser dado aos custos conjuntos e comuns. Como já vimos, esse tipo de custos pode não variar no curto prazo (quando a capacidade de prestação de serviços está fixa) implicando em custo marginal de curto prazo igual a zero. Contudo, de acordo com quantidade de e lementos de infra-estrutura colocados em operação (portanto alterando a capacidade de prestação de serviços), os custos conjuntos e comuns incorridos se alteram, fazendo parte do custo marginal de longo prazo. Por exemplo, no caso de um poste, o fato de e le sustentar cabos utilizados para várias finalidades, como transmissão de energia, telecomunicações e iluminação pública, inclui o compartilhamento do custo da parcela do poste que serve para a sustentação. Como já vimos, a melhor maneira de tratar essa q uestão é considerar a oferta de uma cesta de serviços, sendo os custos conjuntos e comuns pagos por todos os usuários. Para tanto, no caso do poste, pode -se utilizar um fator de uso da área utilizável para definir o rateio entre os usuários 7. 7 De qualquer forma, é sempre útil reduzir a ocorrência de custos comuns alocando -os, o tanto quanto possível, aos elementos de infra-estrutura compartilhados. 31

7 Neste ponto pode parecer dubitável que a parte da infra -estrutura destinada à provisão do serviço de compartilhamento deva ser remunerada pelos usuários desse serviço, uma vez que os preços cobrados pela detentora aos seus clientes já incluem uma parcela destinada à depreciação do investimento feito na infra - estrutura que detém. Ora, se a infra-estrutura da detentora passou a ter valor pela possibilidade de ser utilizada economicamente por outros prestadores de serviço, os quais, de outra forma, necessitariam investir para obter acesso aos seus mercados, não há porque negar à detentora a apropriação desse valor econômico. De fato, a própria natureza da sua atividade (privada) na prestação de um serviço público e do seu contrato de concessão lhe permitem explorar out ros tipos de serviço, tal como o serviço de compartilhamento, além daqueles que constituem objeto específico do seu contrato de concessão. A questão central é a determinação daquele valor econômico. A tese aqui defendida é que esse valor econômico seja de terminado como se o detentor estivesse oferecendo os serviços de compartilhamento num mercado competitivo, e não explorando tais serviços como monopolista, controlador de uma essential facility, capaz, inclusive, de promover o fechamento do mercado. Em conseqüência, tomamos como referencial para medir o capital empregado na atividade de compartilhamento o seu custo de reposição. Todos os demais custos marginais de longo prazo, inclusive a remuneração competitiva do capital, são também considerados na determinação do preço de equilíbrio em condições competitivas, o qual, no nosso entender, expressa as condições justas e razoáveis estatuídas pelo legislador brasileiro. 32

8 Em conclusão, a nossa definição de custo marginal de longo prazo inclui além dos custos operacionais e de investimento, os comuns incorridos na provisão de um elemento de rede compartilhado. É com base nesse custo que estabelecemos o preço de compartilhamento. Cabe observar que está incluída nessa metodologia de cálculo do preço o lucro normal da firma detentora, ou seja, o preço permite cobrir todos os custos dos elementos de infra-estrutura compartilhada bem como o custo de oportunidade do capital investido. II.4.2. Infra-Estrutura Remunerada com Taxa Normal de Retorno A metodologia de custo marginal de longo prazo incorpora o conceito de lucro normal porque a remuneração do capital da detentora está incluído no cálculo (seja esse capital financiado por empréstimos, emissão de títulos ou ações). A metodologia exposta acima garante uma taxa d e retorno normal (ajustada ao risco) dos investimentos da firma detentora. Note-se que de acordo com o tipo de infra-estrutura utilizada, o risco pode ser alterado. Enfim, pode-se destacar três conjuntos de fatores relevantes para o cálculo do custo marginal de longo prazo de elementos de rede compartilhados: 1. Custo do capital ajustado ao risco; 2. Custos operacionais de compartilhamento (incluindo os comuns) e; 3. Reposição do Investimento na infra-estrutura compartilhada. Entendemos que não devem ser incluídos custos históricos (ou contábeis) entre os gastos de capital a serem remunerados pela taxa normal de retorno, pois eles incluem investimentos que o próprio mercado não mais reconhece. Foram 33

9 também excluídos os custos de oportunidade em termos de lucro n ão auferido, pois isso implicaria fugir da situação de mercado competitivo e remunerar, p.ex., uma essential facility com preços de monopólio. Finalmente, os subsídios de universalização não podem distorcer os preços e a concorrência, devendo ser financ iados por recursos orçamentários. Não faria sentido o consumidor de uma empresa de TV a cabo pagar preços de monopólio pela infra-estrutura compartilhada, seja para uma distribuidora de energia, seja para uma empresa de telefonia local para subsidiar a uni versalização ou modicidade tarifária de qualquer de um desses dois serviços. II.4.3. Metodologia do Melhor Equipamento Instalado da Detentora Uma questão que deve ser enfrentada ao se precificar o compartilhamento de infra-estrutura, diz respeito à forma de prec ificar o investimento realizado nos elementos de infra-estrutura utilizados como referência para estabelecer o custo. Três possibilidades poderiam ser consideradas. 1. Preços baseados no custo do elemento de infra -estrutura mais eficiente existente no mercado. 2. Preços baseados no custo histórico do elemento de infra -estrutura correntemente em operação. 3. Preços baseados no custo do elemento de infra -estrutura mais moderno empregado pela firma detentora. A primeira possibilidade utiliza como referência para def inir o custo marginal de longo prazo do equipamento de infra -estrutura, a configuração mais eficiente disponível para a indústria, reproduzindo as condições observadas em um mercado altamente competitivo. Porém, como trata-se aqui de compartilhamento 34

10 de infra-estrutura, este método, ao usar o elemento de infra -estrutura com a eficiência máxima disponível no mercado como referência, não proporcionaria nenhum incentivo à expansão da infra -estrutura pelos novos entrantes, já que sempre seria melhor optar pelo uso da rede da detentora (cujo valor é reduzido por ser este baseado na hipotética rede de máxima eficiência disponível). A segunda possibilidade seria utilizar o elemento de infra -estrutura correntemente utilizada pela detentora, ao seu custo contábil, c omo referência no cálculo do custo marginal de longo prazo. A desvantagem estaria no fato de ocorrer a possibilidade dos custos históricos depreciados refletirem ineficiências, uso de equipamentos obsoletos e acima de tudo sérios defeitos de medição decorrentes das inúmeras regras de indexação até 1994 e sua extinção a partir da introdução do Plano Real. Por último, existe a possibilidade de se usar como valor de referência, o elemento mais eficiente disponível e já implantado na rede da firma detentora. A vantagem de adotar essa abordagem estaria no fato de ela não ignorar as características da infra-estrutura já existente na definição de uma referência para o custo marginal e, dessa forma, reconhecer no valor do investimento a busca de maior eficiência, seja pela empresa detentora, seja pelos novos entrantes, os quais poderiam obter uma vantagem de custo caso fizessem investimento na criação de sua própria rede. A última abordagem é a mais equilibrada, pois, ao mesmo tempo em que incentiva o investimento em novos elementos de infra-estrutura, quando eles são economicamente viáveis, não avalia nem deprecia artificialmente os investimentos já realizados pelas detentoras. Em conclusão, é este o método que consideraremos mais adequado para a determinação do va lor do investimento inicial da infra-estrutura em questão. 35

11 II.4.4. Prioridades em Pontos de Estrangulamento Finalmente, temos a situação de pontos de estrangulamento, onde um determinado equipamento suporta um número máximo de usuários e é difícil ou impossível duplicá-lo. Neste caso, o Regulamento deveria considerar o estabelecimento de uma prioridade para a empresa detentora da infra -estrutura. Existem dois motivos para tal prioridade. Em primeiro lugar, freqüentemente, o detentor é um concessionário de servi ço público, que tem obrigações de atendimento, sujeita-se a tarifas e metas de universalização, merecendo, em contrapartida, alguma preferência. Em segundo lugar, a empresa detentora é aquela que realiza o investimento e a operação da infra-estrutura. É essa empresa, entre os usuários, que assume os riscos iniciais e que incorre inicialmente no custo da infra -estrutura instalada e nos custos de gestão da rede e sua manutenção. Portanto, para evitar o oportunismo de novas empresas e manter o incentivo para a detentora investir, é necessário que a detentora possa ter prioridade em se beneficiar de seu próprio investimento. Em situações de conflito pelo uso de pontos de estrangulamento, cabe à ANATEL as funções de mediação e arbitragem, se houver desacordo entre os agentes envolvidos. É claro, que de outro lado, dever-se-á observar se a parcela da capacidade da infra-estrutura pretendida pela detentora, não implica em esta empresa estar buscando excluir concorrentes ao invés de uma reserva necessária de capa cidade. Tal questão só pode ser decidida observando -se casos individualmente, considerando estimativas de crescimento de mercado pelo serviço que utiliza a infra-estrutura em questão, a viabilidade econômica e o tempo de investimento para superar o estrangulamento. 36

12 Essas são as diretrizes, que devem definir a metodologia de precificação de infra-estrutura para a negociação entre as partes, e de arbitragem quando for o caso. 37

13 III. Exame da Fórmula apresentada na Consulta Pública nº 239 de emitida pela ANATEL III.1. Introdução A metodologia utilizada neste exame foi a de examinar a experiência internacional, estudos e casos disponíveis no país e com base no julgamento técnico da equipe da FGV responsável pela elaboração deste Parecer Técnico, apreciar o modelo proposto pela ANATEL e fazer as recomendações que entender justificáveis. Como documentado no Anexo I, verifica -se que no início de 1978, a Federal Communications Comission (FCC) desenvolveu, dentro da Seção 224(d)(1) uma metodologia para determinar o p reço máximo permitido para utilização de postes, chamada de Cable Formula, na adoção de regras para a utilização de fixação de cabos de operadoras de televisão em postes. Na ocasião, implementou uma metodologia baseada em custos históricos e embutidos. E m 1987 a Comissão alterou e esclareceu a metodologia para a determinação dos preços. O Telecomunications Act de 1996 alterou a Seção 224 em vários aspectos. A Seção 703(6) de 1996 adicionou uma nova Subseção, 224(d)(3) que expandiu a abrangência do esco po da seção 224, através da aplicação da Cable Formula para as empresas de telecomunicações. A Seção 703(7) de 1996 adicionou novas subseções que estabeleceram uma metodologia separada para disciplinar as cobranças para a utilização de postes para fixaçã o de equipamentos de serviços de telecomunicações. 38

14 A história legislativa norte-americana mostra que o Congresso se mostrou preocupado com a complexidade regulatória, optando por um plano simples, que necessitasse de um mínimo de trabalho para sua operaci onalização. Também não achava que fossem necessários estudos contábeis especiais, porque os itens mais caros relacionados com infra -estrutura já estavam registrados de acordo com regulamentos estabelecidos pelas comissões que regulamentam as operadoras de telecomunicações e de energia elétrica (FCC e FERC). A Seção 224(d)(1) descreve duas metodologias possíveis para avaliação de custos, incrementais ou alocados, cada uma delas baseadas nos custos atuais de construção e operação da infra -estrutura de postes. Em 1978 a FCC escolheu a metodologia de custos embutidos (embedded costs) para o cálculo dos preços de locação, a qual tem sido sustentada por decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos. Foram propostas algumas alterações na Cable Formula, e a FCC pr ocurou verificar se eram necessárias modificações para melhorar a exatidão da fórmula. As empresas de energia elétrica, através do relatório Reed, submeteram uma metodologia para se determinar os preços, utilizando os chamados forward looking economic cos t, ou custos marginais de longo prazo. Essas empresas afirmaram que essa metodologia é necessária para compensá -las adequadamente pela utilização dos postes por parte das empresas de telecomunicações. A FCC tem utilizado os custos históricos na Cable Fo rmula desde 1978, e a Suprema Corte tem mantido esse procedimento. Para a FCC a fórmula tem proporcionado por duas décadas uma estrutura de regulamentação estável, que pode ser aplicada de uma maneira simples, exigindo uma estrutura de 39

15 procedimentos e capacitação profissional consistentes com uma regulamentação justa e eficiente. Para a FCC, a substituição por uma metodologia baseada nos custos marginais de longo prazo poderia causar rupturas com os procedimentos históricos e impor custos significativos "on attachers and this Commission" 8. É interessante notar que uma consultoria norte -americana, o Reed Consulting Group, sustentou que o estabelecimento dos preços utilizando a metodologia de custos marginais de longo prazo apresenta vantagens significativas, inclusive proporcionado oportunidades de novos entrantes investirem em infra-estrutura. A FCC concorda que o método proposto "has significant advantages, including that it gives the appropriate signal for new entrants to invest in facilities". A FCC, entretanto, advoga a utilização de custos históricos na metodologia de cálculo dos preços da infra-estrutura, argumentando que o uso de uma fórmula clara é essencial para encorajar as partes a negociar os preços, termos e condições de utilização dos postes. A comissão acredita que o uso de custos históricos atende aos objetivos de assegurar para as detentoras e para as solicitantes preços justos e razoáveis, de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos. Pode-se verificar que na aplicação da Cable Formula os valores dos custos dos postes sempre fazem referência a contas e procedimentos contábeis, de acordo com planos de contas padrão para empresas dos setores de Telecomunicação e Energia Elétrica. O valor do investimento bruto em postes, por exemplo, está na conta FCC , Pole Attachment Formulas p

16 III.2. O referencial FGV e a avaliação da fórmula proposta na Consulta Pública nº 239 da ANATEL. III.2.1. Introdução Nossa proposta referenda o conceito de custo marginal de longo prazo, no qual se utilizam os custos presentes e futuros, ao inv és de custos históricos, para a determinação de preços. Nesse sentido, o preço deve remunerar os fatores de produção empregados e amortizar os custos de reposição, instalação e remoção da atual infra-estrutura, em condições normais de funcionamento, e ser baseado na tecnologia mais atual encontrada na planta do detentor. Um aspecto importante a ser enfatizado é que, por não utilizar os custos históricos, o referencial proposto atende os objetivos da Lei Geral de Telecomunicações, que consagra preços justo s e razoáveis, operacionalizada através de fórmula que pode ser aplicada de uma maneira simples, exigindo uma estrutura de procedimentos e mão -de-obra consistentes com uma regulamentação eficiente. Isso poderá ser verificado a seguir, onde a fórmula proposta é explicada com detalhes e serve de comparação com o modelo proposto na Consulta Pública da ANATEL. A aplicação da metodologia de custos históricos poderia parecer mais fácil quando as empresas brasileiras de serviços públicos, notadamente as de energia elétrica, tiverem um plano contábil padrão, sendo mais simples a apuração dos custos através dos saldos de suas contas contábeis de ativo imobilizado e depreciação acumulada. 41

17 O problema da utilização desses saldos é que até 1994 os valores do ativo imobilizado sofriam distorções em razão dos altos índices inflacionários, mesmo com a utilização de mecanismos de correção monetária do Balanço, pois foram incontáveis as mudanças nas regras e índices de correção monetária que alteraram aqueles resultados. A partir do exercício de 1995 não mais se utilizou correção monetária dos balanços no Brasil. Sendo assim, como aplicar uma metodologia baseada em custos históricos se parcela desses custos registrados pelo sistema contábil das empresas não devem refletir a dequadamente sequer os custos atualizados monetariamente dos ativos nem seus custos de oportunidade de utilização? Como administrar o fato de que empresas têm postes imobilizados antes e depois de 1994 e sua participação relativa ser diferente de empresa para empresa? Se o ponto fundamental na elaboração de uma fórmula de precificação é proporcionar uma regulamentação estável, justa e eficiente, de aplicação simples, e que não demande uma excessiva pesquisa de dados de custos, nada melhor que uma fórmula baseada em custos facilmente verificáveis no mercado de bens de capital e na atualidade dos custos de longo prazo. III.2.2. Características do Investimento e dos Itens de Custo relevantes para determinar o valor de locação Neste particular, a fórmula da ANATEL (Anexo I da Consulta Pública) menciona em nota de rodapé da página 14 que "procedeu a pesquisa formal dos preços de mercado, encontrando valores para postes de concreto, seção Duplotê de R$ 110,00 para poste de 9 mts/150 Kgf, R$ 170,00 para poste de 9 mts/3 00 Kgf e 42

18 R$ 268,00 para poste de 9 mts/450 Kgf". Concluímos que a ANATEL utilizou custos de reposição no seu documento de consulta. Entendemos que se deva utilizar o custo de reposição, ou seja, o custo de aquisição no momento em que se determina o valor da locação. Uma descrição completa dos elementos globais de custo que entendemos devam ser considerados encontra-se na seção II.2.3 Elementos de Custo Relevantes na Determinação do Aluguel de Infra-Estrutura. Considerando que a solicitante utiliza -se de uma infra-estrutura já montada, a característica do investimento nessa infra-estrutura restringe-se a sua reposição para a manutenção do negócio. Ou seja, a partir do momento em que se inicia o compartilhamento da infra -estrutura, a análise de investimento limita-se à reposição do segmento dos ativos objeto do compartilhamento. Sendo assim, o preço da locação a ser cobrado não deverá ser um pagamento pelo investimento já feito, mas sim uma retribuição à manutenção da funcionalidade e da capacidade de prestação de serviço da infra-estrutura. No exemplo deste Parecer Técnico, consideraremos como investimento de reposição apenas o investimento necessário para a reposição dos segmentos utilizável e comum de um poste para o fim de compartilhamento. Neste caso, o valor do aluguel a ser cobrado deverá representar um montante que possa, ao final da vida útil econômica (a uma determinada taxa), ser equivalente ao montante necessário para a instalação completa de um novo segmento utilizável de poste (reposição) e sua proporção do segmento comum, mais os custos de remoção, além de cobrir os custos correntes e remunerar o investimento feito. 43

19 Sendo o investimento de reposição uma necessidade de investimento futura temos que determinar: a) Tempo de vida útil da infra-estrutura, b) Capital necessário para aquisição, instalação e remoção completa de um poste, c) Custo real de capital do detentor da infra-estrutura. À exceção do item c, os outros fatores são considerados na fórmula da ANATEL (Consulta Pública nº 239). Com base nas premissas apresentadas, foi possível identificar os componentes de custo que deverão ser considerados na elaboração do referencial metodológico para precificação de infra -estrutura compartilhada e contrastá-lo com a fórmula da ANATEL. Esses componentes são: 1. Amortização do Investimento (Investimento de Reposição); 2. Custo de Manutenção Regular e estimativa de Manutenção Adicional; 3. Custo de Administração e Gestão Operacional; 4. Custo de Oportunidade de Capital do detentor; 5. Tributos Regulares eventualmente relacionados à planta (e.g. IPTU). Em outros modelos estudados, podemos notar algumas diferenças na composição dos custos, e isso se dá pelo fato de aquelas metodologias utilizarem a abordagem dos custos históricos como base de cálculo do valor do investimento. 44

20 Os documentos estudados e citados neste relatório são: EAESP Documento 1: Consulta Pública no. 239 de 12 de junho de 2.000, da ANATEL; Documento 2: Uso Mútuo de Postes Cálculo do Custo Incorrido e do Custo Evitado, das companhia elétricas: ESCELSA, CELG, LIGHT, CEB e ELMA; Documento 3: Pole Attachment Formulas, da FCC Federal Communications Commission. Apresentaremos a seguir uma descrição detalhada dos componentes de custo, bem como dos fatores que irão compor o referencial de precificação deduzido, o fator de recuperação de capital e fator de utilização. III.2.3. Elementos de Custo relevantes na Determinação do Aluguel de Infra- Estrutura Considerando o conceito de custo marginal de longo prazo, onde se estimam custos futuros ao invés de custos hi stóricos, propomos considerar o aluguel como uma retribuição para a reposição da atual infra-estrutura, em condições de perfeito funcionamento e baseada na tecnologia mais atual implantada na rede do detentor (o que não foi considerado na Consulta da ANATEL). Para tanto, é necessário levar em conta os seguintes componentes de custo: a) Custo (Avaliação) do Investimento na Planta Atual: é definido como a somatória do custo de aquisição de nova e idêntica infra -estrutura, sua instalação, mais o valor presente dos custos de remoção; seus custos de administração da obra; seus custos de projeto; tributos diretos e outros custos incidentais; enfim, todos os custos necessários para implantar, no 45

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