Transparência, Performance e Financiamento de Autoridades de Supervisão de Fundos de Pensão: Boas Práticas Internacionais. Flávia Pereira da Silva

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1 Transparência, Performance e Financiamento de Autoridades de Supervisão de Fundos de Pensão: Boas Práticas Internacionais Flávia Pereira da Silva

2 ROTEIRO FMI: Governance Nexus, a importância da governança corporativa Pilares da boa governança de autoridades de supervisão Princípios IOPS Medidas de Performance - diretrizes do governo britânico Práticas mais comuns

3 GOVERNANCE NEXUS credibilidade - sustentabilidade Instituições financeiras Governo Autoridades de supervisão

4 OS QUATRO PILARES DO FMI 1. Independência A autoridade de supervisão deve estar livre de influências inadequadas por parte da esfera política e dos entes supervisionados - Total independência: impossível - Solução: processos de nomeação e destituição transparentes - Bom nível de recursos: maior liberdade - Processos judiciais

5 OS QUATRO PILARES DO FMI 2. Responsabilidade ou Prestação de Contas (Accountability) A agência deve assumir responsabilidades perante legisladores, governo, beneficiários e entidades supervisionadas, além de possuir processos internos de avaliação e revisão de suas atividades - Prestação de contas contrapartida da independência - Linha tênue: mecanismos de controle e monitoramento, ninguém controle a autoridade, mas que ela esteja sempre sob controle - Solução: comitê de arbitragem - SBR: atribuição clara de responsabilidades

6 OS QUATRO PILARES DO FMI 3. Transparência A agência de supervisão deve ser transparente no que diz respeito às suas intenções, estratégias, ações e conquistas, mantendo um processo de diálogo constante com os stakeholders - Transparência = responsabilidade e legitimidade - Participação dos stakeholders: facilita processo decisório, estimula o compliance - Clareza sobre decisões: controle de expectativas

7 OS QUATRO PILARES DO FMI 4. Integridade A autoridade de supervisão deve possuir processos gerenciais adequados a fim de garantir que as decisões sejam tomadas de forma coerente, preservando-se a imparcialidade - Processos para evitar interferência de interesses pessoais e mau comportamento - Proteção legal para funcionários - Código de conduta, gestão de riscos, confidencialidade

8 International Organization of Pension Supervisors - IOPS 2004, Paris Informações, políticas, padrões e boas práticas de supervisão Princípios de Supervisão da Previdência Privada e 2010 África do Sul Albânia Alemanha Armênia Austrália Áustria Bélgica Botsuana Brasil Bulgária Cazaquistão Chile China Colômbia Coréia do Sul Costa Rica Egito Eslováquia Espanha França Gana Gibraltar Holanda Hong Kong Honduras Hungria Islândia Índia Indonésia Ilha dos Homens Ilhas Cayman Ilhas Maldivas Ilhas Maurício Irlanda Israel Itália Jamaica Jordânia Kosovo Lesoto Liechtenstein Luxemburgo Malaui Malta México Namíbia Nigéria Noruega Palestina Papua Nova Guiné Paquistão Peru Polônia Portugal Quênia Romênia Ruanda Sérvia Suriname Suazilândia Suíça Tanzânia Tailândia Trinidad e Tobago Turquia Uganda Reino Unido República Dominicana República Tcheca Zâmbia

9 Os 10 Princípios de supervisão da IOPS 1. Objetivos A legislação deve estabelecer objetivos claros e explícitos para as autoridades de supervisão de fundos de pensão 2. Independência As agências de supervisão devem possuir independência operacional 3. Recursos adequados As autoridades de supervisão demandam recursos humanos e financeiros adequados 4. Poderes adequados As autoridades de supervisão devem ter poderes de investigação e de aplicação da lei (compliance) condizentes com suas funções e objetivos 5. Orientação a riscos A supervisão deve buscar a mitigação dos maiores riscos em potencial ao sistema previdenciário

10 Os 10 Princípios de supervisão da IOPS 6. Proporcionalidade e coerência Os supervisores previdenciários devem garantir que seus poderes de investigação e compliance sejam proporcionais aos riscos mitigados. As ações da fiscalização devem ser coerentes 7. Consultas e cooperação As autoridades de supervisão devem manter o diálogo com os entes supervisionados, além de cooperar com outras autoridades fiscalizatórias 8. Confidencialidade As autoridades de supervisão devem preservar a confidencialidade das informações 9. Transparência As autoridades de supervisão devem operar de forma transparente 10. Governança A autoridade de supervisão deve estar aderente a boas práticas de governança e sujeita à prestação de contas

11 Princípios observância Maioria das autoridades está aderente Governança varia conforme tamanho, estrutura e contexto normativo Independência maior fortalecimento Maior compromisso fonte de recursos Transparência salários Processos de gestão de riscos insuficientes

12 Medidas de desempenho Measuring the Performance of Government Departments (2001) Um bom sistema de mensuração de desempenho deve ser: Focado nas metas e objetivos da organização; Apropriado e útil aos stakeholders; Equilibrado: visão abrangente de tudo que vem sendo feito; Robusto: inalterado perante mudanças na estrutura ou corpo de funcionários; Integrado à organização, planejamento estratégico e processos gerenciais; Eficiente sob o ponto de vista de custos.

13 Tipos de medidas Medidas de eficácia - como as ações da organização levam ao alcance dos resultados desejados Medidas de eficiência - melhores resultados possíveis tendo em vista as ações adotadas Medidas de economia - custos envolvidos nas operações da autoridade Enfoque medidas de eficácia (fatores internos e externos)

14 Medidas de desempenho - dificuldades IOPS: dificuldade para discernir a eficácia das ações do volume de atividades (relatórios anuais) As autoridades são forçadas a medir o invisível Cuidado com o efeito dos benchmarks sobre o comportamento Penalidades versus eficiência O aconselhamento e o provimento de informações podem ser - e frequentemente o são - mais úteis do que a aplicação de multas e penalidades. Recomendações: - Cautela na atribuição de responsabilidades - Flexibilidade para acomodar mudanças - Reformulação de objetivos para que sejam mensuráveis

15 Práticas mais comuns

16 Medidas de desempenho Revisão anual das atividades em relação aos objetivos Estatísticas sobre os entes supervisionados, investigações realizadas, reclamações tratadas Mudanças entre as categorias de classificação de risco Pesquisas junto aos entes supervisionados As medidas de performance ainda são raras

17 Medidas de desempenho - Austrália Duas fontes de referência quantitativa: - Matrizes de transição (movimento entre as 4 categorias do SOARS) - Prejuízos financeiros aos beneficiários 1. Nível de desempenho das entidades (Performance Entity Ratio PER): número de instituições fiscalizadas que cumpriram suas obrigações dividido pelo número total de entidades reguladas 2. Nível de proteção financeira (Money Protection Ratio MPR): valor monetário dos passivos em níveis seguros dividido pelo valor monetário dos passivos das instituições reguladas PER anual médio = 99,91%; MPR anual = 99,96% Pesquisas de opinião - bianual (75% ou mais de respostas positivas)

18 Transparência Todas as agências prestam contas à autoridade governamental relevante e ao público em geral Auditorias por parte dos órgãos governamentais Processos internos e externos avaliar performance financeira e não financeira Fiscalização pelo Ministério da Fazenda e/ou Poder Judiciário Às vezes, Legislativo, o chefe do Executivo ou Ministério do Trabalho/Previdência

19 Transparência Relatórios anuais Missão, objetivos estratégicos, atribuições, principais atividades Contexto macroeconômico, evolução da indústria, expectativas Estatísticas do setor, informações contábeis e financeiras Relatórios adicionais, notas oficiais e comunicados à imprensa Publicação de estudos técnicos Informações sobre fundos com mais risco (confidencialidade) Participação em conferências, seminários e mesas-redondas Páginas eletrônicas - principal ferramenta de comunicação

20 Relação com stakeholders Ações da fiscalização e serviços prestados Reuniões formais trimestrais ou semestrais Órgãos governamentais - formal e informal Processos de consulta pública (APRA) Representantes da indústria possuem assentos em comitês consultivos (Reino Unido e República Tcheca) Associações da indústria e academia - consultas sobre políticas; Austrália, HK, Irlanda, RU - mais abertas à interação

21 Financiamento Orçamento: governo ou ministério/autoridade responsável e legislativo Planejamento financeiro (horizonte de longo prazo) Não há um padrão específico (taxas de fiscalização, Tesouro ou ambos) Taxas: revisão a cada um ou dois anos, após consulta com a indústria Participantes, ativos sob gestão ou esforços de supervisão; cobrança por serviços Terceirização (apoio, treinamento e TI) ou RH e fiscalização

22 Austrália - financiamento Custos da agência para cada AU$ 1000 fiscalizados (- 2,6% em 2012/2013) Após consultas, o governo determina as taxas de cada indústria Ativos, limites mínimos e máximos por entidade (AU$ mil) A taxa possui dois componentes: - custo da supervisão (componente restrito) - 67% - impacto sistêmico (componente irrestrito) - 33% Cada componente é rateado pelas diferentes indústrias com base no total de recursos que a APRA dedica a cada uma delas Redução da volatilidade das taxas - média móvel de quatro anos

23 Reino Unido financiamento Taxas e aportes do governo Dois orçamentos distintos: taxas (levy budget) e orçamento da inscrição automática (automatic enrolment budget) Controles impedem o subsídio cruzado Levy budget de = 37,4 milhões Automatic enrolment budget = 40,4 milhões Faixa Número de participantes Taxa Pagamento mínimo por plano Valor fixo ,88 por participante Não há. Pagamento por participante ,08 por participante ,62 por participante ,23 por participante Acima de ,86 por participante

24 OBRIGADA!

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