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1 1. O Novo Plano Nacional de Educação ( ) O antigo Plano Nacional de Educação terminou sua vigência em 2010 e o Novo Plano encontra-se em discussão na Câmara dos Deputados (PL 8.035/2010). Até o dia 08/06, foram cadastradas emendas apresentadas ao PL 8035/2010. A proposição com as emendas recebidas será apreciada por uma Comissão Especial, cuja relatoria está a cargo do Deputado Angelo Vanhoni (PT/PR). O novo Plano define 20 metas para a educação (básica e superior) no período de 10 anos (2011 a 2020). Em resumo, as metas estão relacionadas à: Melhoria de taxas educacionais, por meio do atingimento das médias do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica Ideb, da elevação da escolaridade média da população adulta, da erradicação do analfabetismo e da redução do analfabetismo funcional; Atendimento escolar aos estudantes com deficiência; Universalização da educação obrigatória de 4 a 17 anos, e ampliação da oferta de creches com atendimento de 50% da população de 0 a 3 anos; Universalização do ensino fundamental de 9 anos; Oferta da educação em tempo integral em 50% das escolas públicas; Ampliação da oferta da educação superior em 50%, assegurando sua qualidade e a formação dos professores; Valorização dos profissionais da educação, por meio da elevação da formação em nível superior, inclusive em pós-graduação, e da elaboração ou adequação de planos de carreira do magistério; Ampliação do investimento público em educação, até atingir, no mínimo, 7% do PIB. No PL é previsto o acompanhamento e avaliação da execução do PNE, com a realização de duas conferências nacionais de educação, promovidas pela União e pelo Fórum Nacional de Educação, a ser instituído no âmbito do Ministério da Educação. A partir das diretrizes, metas e estratégias do PNE, de caráter nacional, Estados e Municípios deverão elaborar ou adequar seus planos decenais de educação, de forma a alcançar os resultados previstos. IMPORTANTE: No processo de elaboração ou adequação dos planos municipais ou estaduais de educação, Estados e Municípios devem observar suas capacidades educacionais e de investimento para definirem suas próprias metas, com base no diagnóstico de sua realidade. 1

2 2. Análise da CNM Para a Confederação Nacional de Municípios (CNM), é importante que o Brasil defina suas metas e estratégias educacionais num Plano Nacional de Educação, pois permite a ação planejada do poder público para garantir a melhoria da qualidade do ensino ofertado. Porém, é preciso assegurar na execução do Plano o respeito ao Pacto Federativo e a divisão de responsabilidades entre os entes federados, com a garantia da cooperação técnica e financeira da União de forma a diminuir as desigualdades regionais. O novo Plano Nacional de Educação, ao definir a ampliação da oferta e da qualidade do ensino nas diversas etapas (o que é necessário), também deve garantir que as metas sejam acompanhadas do financiamento, para que os entes, sem distinção, disponham de iguais condições orçamentárias para assumir suas responsabilidades. Além disso, é preciso que a União participe efetivamente do financiamento da educação básica, tendo em vista a extinção da Desvinculação de Recursos da União (DRU) na área da educação a partir de Por fim, é necessária a realização de estudos sobre o custo-aluno pela União, para que as transferências a Estados e Municípios tenham como base critérios transparentes e objetivos, e mais próximos da necessidade e realidade vivenciada por esses entes. Além da assistência financeira, é importante que as metas do PNE sejam condizentes com as condições de atendimento das mesmas, pois, mesmo com o crescimento das matrículas em creche nos últimos 10 anos, as metas previstas no último plano, de atendimento de 50% da população de 0 a 3 anos em creches, não foram alcançadas. As matrículas em creche passaram de 653 mil em 2001 para 1,3 milhão em A taxa de atendimento da população de 0 a 3 anos cresceu 11 pontos percentuais em 10 anos, passando de 8,3% em 2001 para 19,3% em Na pré-escola, os Municípios alcançaram as metas do antigo PNE, pois, em 2001, 60,6% da população de 4 e 5 anos estavam matriculadas, passando para 81% em Isto é, a meta do antigo plano, de atender 80% da população de 4 e 5 anos foi cumprida. No entanto, a ampliação das creches continua sendo o grande desafio dos Municípios. Desde a criação do, os gestores municipais contam com menos recursos para aumentar a oferta dessa etapa de ensino. Desde 2007, em média 34,8% dos Municípios têm tido perdas no, em relação ao que contribuem com seus impostos. 2

3 Brasil Nº de Municípios que têm perdas de receita no % Nº de Municípios que ganham receitas no ,0% ,0% ,3% ,6% ,1% ,8% Além disso, os pesos de ponderação definidos no privilegiam o ensino médio, em detrimento da educação infantil, etapa mais cara de toda a educação básica. Pesos de ponderação, valor por aluno e Custo Creche Pre-escola Fundamental Médio Peso no 0,8 parcial 1,20 integral 1,0 parcial 1,30 integral 1,0 parcial 1,3 integral 1,20 parcial 1,30 integral Custo aluno/ano CAQI Custo aluno/mês CAQI Valor aluno/ano % Valor aluno/mês 4.365,22 363, ,32 169, ,65 251, ,72 194, ,39 243, ,42 198, ,56 229, ,66 211,39 Em razão das ponderações definidas no, o montante de recursos que Estados transferiam aos Municípios vem diminuindo. BRASIL Contribuição ao Fundo Receita com o Fundo Saldo (receita - contribuição) % perda/ganho Estados ( ) -27,0% Municípios ,1% Estados ( ) -24,8% Municípios ,0% Estados ( ) -23,4% Municípios ,6% 3. Preocupações dos Municípios O PL 8035/2010 causa preocupações aos Municípios, principalmente em relação ao cumprimento das metas referentes à educação infantil e à educação integral, face ao seu financiamento. Por isso, para os Municípios é necessário discutir o financiamento das metas do PNE, pois não há como conciliar as novas responsabilidades com os recursos recebidos do. As metas que causam preocupação aos Municípios se referem ao: Investimento necessário para atender 50% da população de 0 a 3 anos; 3

4 Custo para atendimento de 100% das crianças de 4 e 5 anos; Impacto da oferta da educação integral em 50% das escolas públicas municipais. De acordo com levantamento realizado pela CNM, apenas para alcance das metas de atendimento escolar da proposta do novo PNE o custo total será na ordem de R$ 52,5 bilhões. Como o não cobre todas as despesas, o investimento adicional dos Municípios gira em torno de R$ 17,6 bilhões. Custo Brasil Metas Custo Total Cobertura Investimento adicional Municípios Creches - atendimento de 50% 18,3 bilhões 8,4 bilhões (46%) 9,9 bilhões das crianças de 0-3 anos Pré-escola atendimento de 3,3 bilhões 2,6 bilhões (79%) 700 milhões 100% das crianças de 4 e 5 anos Educação Integral atendimento 30,9 bilhões 23,9 bilhões (77%) 7,0 bilhões de 50% das escolas TOTAL DO IMPACTO 52,5 bilhões 34,9 bilhões (66%) 17,6 bilhões UF 3.1 Impacto para ampliação da creche O Brasil possui 10,8 milhões de crianças de 0 a 3 anos. A meta do PNE é atender 50% dessa população, ou seja, 5,4 milhões de crianças. Como 2,0 milhões de crianças encontram-se matriculadas em creches (39% da população), a demanda para atender à meta do PNE é de 3,3 milhões de novos alunos em todo o país. O custo aluno/ano das creches gira em torno de R$ 3.201,29 (creche parcial) e de R$ 5.529,14 (creche integral), o que implica num custo total para ampliação das matrículas em creche de cerca de R$ 18,3 bilhões. O /2011, com um valor médio de R$ 1.623,46 (creche parcial) e R$ 2.435,19 (creche integral), cobre, em média, 46% dos custos. Assim, para garantir o atendimento de 50% da demanda, os Municípios teriam um investimento adicional de R$ 9,9 bilhões em 10 anos. Custo por UF das creches para atender 50% da população de 0 a 3 anos nº de crianças de 0 a 3 anos a serem matriculadas Custo total Cobertura do % de cobertura do Adicional dos Municípios AC ,7% AL ,7%

5 AM ,4% AP ,1% BA ,0% CE ,0% DF ,3% ES ,0% GO ,6% MA ,9% MG ,9% MS ,6% MT ,8% PA ,5% PB ,1% PE ,8% PI ,0% PR ,4% RJ ,0% RN ,1% RO ,2% RR ,5% RS ,9% SC ,3% SE ,2% SP ,1% TO ,5% Para atendimento dessa demanda 1, seria necessária a construção de 195 mil salas de atividade, com a contratação de 484,5 mil novos profissionais para atuar em creches (média de dois profissionais por turma, sendo um professor com 1/3 de horas-atividade decorrentes da Lei do Piso, e um assistente), sem contar com o pessoal técnico-administrativo. Com o piso salarial em torno de R$ 1.187,02 (acrescido 20% de vantagens, em média) em 2011, e o salário-mínimo de R$ 545,00, e considerando que pelo menos um profissional em cada sala de creche é professor, os investimentos nesses novos profissionais representariam um adicional na folha de pagamento em torno de R$ 8,2 bilhões ao ano. Desse total, R$ 6,5 bilhões se referem apenas ao pagamento dos professores. Em 2012, considerando o crescimento estimado do piso de 22,2%, o impacto para pagamento apenas dos novos professores será na ordem de R$ 8,1 bilhões (considerando o piso de R$ 1.450,86 acrescido de 20% de 1 Esse investimento leva em consideração a manutenção dos 43,0 mil estabelecimentos de creche e 121,7mil turmas existentes no país, que atenderam 2,0 milhões de alunos da creche, uma média de 17 alunos por turma. 5

6 vantagens). Com o pagamento do salário-mínimo aos assistentes, o impacto aumenta para R$ 10,0 bilhões. Pelo Proinfância foram atendidos, de 2007 a 2010, Municípios, com recursos para construção ou reforma de escolas de educação infantil. As escolas podem ser construídas para atender 120 ou 240 alunos, dependendo da jornada escolar e da demanda no Município. Nos últimos 4 anos, 74% dos Municípios que foram atendidos são de pequeno porte, com até habitantes. 3.2 Impacto para universalização da pré-escola O Brasil possui 5,8 milhões de crianças de 4 e 5 anos e a meta do novo PNE é atender 100% dessa população na pré-escola até Do total de crianças nessa faixa etária, 4,7 milhões encontram-se matriculadas (81% de atendimento), e a demanda a ser atendida é de 1,1 milhão de novos alunos. Como o custo aluno/ano da pré-escola gira em torno de R$ 2.389,28 (parcial) e de R$ 3.638,02 (integral), para atendimento da demanda da pré-escola será necessário um investimento total na ordem de R$ 3,3 bilhões. O /2011, com um valor médio de R$ 2.029,32 (pré-escola parcial) e R$ 2.639,12 (pré-escola integral), cobre, em média, os custos em 79%. Dessa forma, para garantir o atendimento de 100% da demanda em 5 anos, os Municípios teriam um investimento adicional de R$ 700 milhões. Custo por UF da Pré-escola para atender 100% da população de 4 e 5 anos nº de crianças de 4 a 5 anos a serem matriculadas Custo total Cobertura do % de cobertura do Adicional dos Municípios AC % AL % AM % AP % ( ) BA % CE % DF % ES % (66.112) GO % MA (7.621) ( ) ( ) 72% ( ) MG % MS % MT %

7 PA % PB % PE % PI % PR % RJ % RN % RO % RR % ( ) RS % SC % SE % SP % ( ) TO % BR % Impacto para oferta da educação integral em 50% das escolas públicas O Brasil possui 126,1 mil escolas municipais de educação básica, com um total de 21,9 milhões de alunos, e a meta do PNE é ofertar o ensino em tempo integral em 50% desses estabelecimentos (63 mil escolas). Considerando que mais de 8 mil escolas municipais já ofertam a educação integral, e que as creches já atingiram as metas do PNE (64% das matrículas já são na jornada integral), a demanda de atendimento é de 54,4 mil escolas, e um total de 9,1 milhões de alunos. Como o custo aluno/ano do ensino em tempo integral é em média R$ 3.388,82 (pré-escola, ensino fundamental e médio), o custo total para garantir a ampliação da jornada de ensino em 50% das escolas municipais é de R$ 30,9 bilhões. O /2011 cobre, em média, 77% desse custo, com um valor médio por aluno/ano de R$ 2.638,10 (pré-escola e ensino fundamental). Dessa forma, o investimento adicional dos Municípios necessário para atendimento das metas do PNE é na ordem de R$ 7 bilhões. Custo por UF para oferta de educação integral em 50% escolas públicas municipais UF Alunos a serem atendidos em tempo integral Custo total atendimento demanda Total recebido % cobertura Custo adicional Municípios AC % AL % AM %

8 AP % BA % CE % ES % GO % MA % MG % MS % MT % PA % PB % PE % PI % PR % RJ % RN % RO % RR % ( ) RS % SC % SE % SP % TO % Total % Reivindicações dos Municípios para atendimento das metas do PNE Para alcance das metas do PNE é preciso assegurar a articulação entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios por meio do efetivo regime de colaboração. Algumas das metas requerem grande investimento financeiro, e além de ampliar os desafios já enfrentados atualmente, geram impactos para a administração municipal. Portanto, é essencial a participação da União no financiamento da educação básica. Cabe à União prestar assistência técnica e financeira a todos os entes, em sua função supletiva, especialmente aos Municípios, quando no artigo 30 o mandamento constitucional assegura esse apoio na implantação de programas de educação infantil e de ensino fundamental. No entanto, o que se vê, na prática, é o aumento das responsabilidades dos entes municipais sem a devida correspondência de recursos para assumir tais encargos. No, por exemplo, a participação da União no Fundo é de apenas 10% da contribuição de Estados e Municípios. Assim, em 2011, enquanto a previsão é que os Estados coloquem no Fundo R$ 59,2 bilhões, Municípios R$ 28,8 8

9 bilhões, os recursos federais são na ordem de R$ 8,8 bilhões, montante bem inferior à contribuição dos outros entes. De acordo com a Constituição, Estados, DF e Municípios devem destinar 25% de suas receitas ações de manutenção e desenvolvimento do ensino, enquanto a União deve destinar 18%. Como a vinculação de recursos da União se dá principalmente para o ensino superior, o que tem acontecido é que os Municípios estão se esforçando cada vez mais, sozinhos, para atender a demanda de creches, pré-escolas e ensino fundamental. Por este motivo, o investimento dos Municípios na educação está bem acima do determinado constitucionalmente. Em 2009 a média do porcentual da receita municipal vinculada à educação foi de 29,1%. Diante desse contexto, a CNM apresentou 12 emendas ao projeto do novo PNE, subscritas pelo Deputado Federal Manoel Junior, que se referem à: Aumento da participação da União no financiamento da educação básica; Participação das entidades de representação dos Municípios no Fórum Nacional de Educação; Elaboração e adequação dos Planos de educação a partir das demandas específicas da população, da realidade local e da capacidade financeira para atendimento dos objetivos do Plano; Incentivo a oferta de vagas em creches filantrópicas, sem distinção dos pesos de ponderação; Incentivo a oferta de vagas em creches públicas, com a definição de pesos de ponderação baseados em estudos de custo-aluno; Assegurar o equilíbrio entre as etapas de ensino com a definição de pesos de ponderação que tenham como base estudos sobre o custoaluno; Participação das entidades de representação dos Municípios no Fórum de acompanhamento da atualização do piso do magistério; Ampliação do apoio federal para cumprimento da Lei do Piso do Magistério; Cumprimento pelos Estados da Lei /2003 referente à responsabilidade com o transporte escolar; Realização de estudos sobre o custo aluno do transporte escolar; Definição em lei da atualização anual dos valores per capita dos programas federais de educação. CNM Junho/2011 9

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