QUIMIOTERÁPICOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DO CARCINOMA DE MAMA: REVISÃO DE LITERATURA

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1 QUIMIOTERÁPICOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DO CARCINOMA DE MAMA: REVISÃO DE LITERATURA OLIVEIRA, Alisson Felipe de 1 ; GARCES, Solange Beatriz Billig 2 ; HANSEN, Dinara 3 ; COSER, Janaína 3 ; LEITEMBERGER, Ana Maria 4 ; OLIVEIRA, Andrea Nunes 5 ; AGERTT, Suelen Pereira 5 ; CRESPI, Thais Debona 5 ; BAIOTTO, Cléia Rosani 6 Palavras-Chave: Câncer de Mama. Quimioterapia. Fármacos. Mecanismos. Introdução As neoplasias referem-se a massas anormais de tecido, cujo crescimento é na sua parcialidade autônomo e excede os tecidos normais, correspondem às formas de crescimento celular não controladas pelo organismo (ROBBINS, 2012). O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo, sendo o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes. Para o ano de 2012 a estimativa de novos casos foi de E no ano de 2010, número de mortes atingiu o número de , sendo 147 homens e mulheres (INCA, 2013). Os antineoplásicos utilizados no tratamento do câncer são agentes que interferem nos mecanismos de sobrevivência, proliferação e migração celular. Desse modo este trabalho tem por objetivo pesquisar o mecanismo de ação destas drogas no tratamento do câncer e de modo mais específico no câncer de mama. 1 Acadêmico do curso de Farmácia UNICRUZ, bolsista do programa PET/SAÚDE Ministério da Saúde. 2 Docente CCS - UNICRUZ, coordenadora do programa PET/SAÚDE MS. 3 Docentes do CCS - UNICRUZ, tutoras do programa PET/SAÚDE Ministério da Saúde. 4 Fisioterapeuta Secretaria Municipal de Saúde- Cruz Alta, preceptora do programa PET/SAÚDE MS. 5 Bolsistas do programa PET/SAÚDE MS UNICRUZ. 6 Docente CCS UNICRUZ.

2 Metodologia Caracteriza-se de um levantamento bibliográfico com relação às neoplasias e ênfase no câncer de mama em literatura científica constituída por livros, bancos de dados e periódicos da CAPES e SCIELO, e diretrizes do Ministério da Saúde. O período de publicação consultado foi entre e os termos utilizados na pesquisa foram: protocolo de quimioterápicos, farmacologia; mecanismo de ação, antineoplásicos. Resultados e Discussões O tratamento do câncer é realizado através da quimioterapia, radioterapia ou a cirurgia, de forma isolada ou combinada. A quimioterapia utiliza medicamentos denominados fármacos antineoplásicos que afetam o funcionamento celular, a dose é administrada de acordo com o peso e altura do paciente (ANDRADE; SILVA, 2007). Os procedimentos quimioterápicos são conduzidos em cinco categorias: paliativa, para controle temporário de doença, neoadjuvante, adjuvante e curativa. A paliativa é aplicada em pacientes em estágio mais avançado da doença tendo em vista a incurabilidade do câncer. A quimioterapia para controle temporária de doença está indicada para hemopatias malignas de evolução crônica, que permitem longa sobrevida, mas sem possibilidade de cura. A neoadjuvante é indicada antes do tratamento cirúrgico ou da radioterapia, com a finalidade de tornar os tumores ressecáveis. A quimioterapia adjuvante é utilizada no pós-operatório, com a finalidade de diminuir a disseminação do câncer evitando assim micrometástases. A curativa é aplicada para curar definitivamente neoplasias malignas (MINISTÉRIO DA SÁUDE, 2010). A maior parte dos agentes antineoplásicos atua sobre o DNA, impedindo o processo de duplicação que acontece na fase S (síntese) do ciclo celular e por consequência impede divisão celular, interrompendo a multiplicação celular descontrolada, característica de uma neoplasia. Antineoplásicos atuando em uma ou mais fases, devem, por principio, acarretar morte celular (FUCHS; WANNMACHER, 2012). Os grupos de fármacos mais utilizados para o tratamento de neoplasias incluindo o câncer de mama constituem as classes de agentes antineoplásicos a seguir e identificados da Tabela 1. Agentes alquilantes, Compostos de platina e Agentes antimicrotúbulos Os agentes alquilantes interferem na replicação e transcrição desencadeando a apoptose. São representados pelos fármacos: ciclofosfamida, ifosfamida, melfalano, entre outros (KATZUNG, 2003). Já os compostos de platina são complexos de metal pesado com atividade

3 citotóxica. Induzem ligações entre as duas hélices de DNA e dentro da própria hélice, de maneira similar a agentes aquilantes. Os representantes dessa categoria são cisplatina, carboplatina e oxaliplatina (FUCHS; WANNMACHER, 2012). Por outro lado, os agentes antimicrotúbulos aão agentes naturais, derivados de plantas. Compreendem alcaloides da vinca e taxanos. Atuam por interferência no fuso mitótico. Bleomicina, L-asparaginase, talidomida entre outros (FUCHS; WANNMACHER, 2012). Antimetabólicos, Inibidores da Topoisomerase e Agentes Intercaladores Os antimetabólitos apresentam estrutura similar a compostos existentes na natureza, como aminoácidos e nucleosídeos. São dependentes do ciclo celular e atuam em fase especifica (fase S), interferindo em diferentes rotas metabólicas por meio de alguns mecanismos. São representados pelos fármacos: metotrexato, 5-fluoruracila, mercaptopurina (FUCHS; WANNMACHER, 2012). Os inibidores de topisomerases são produtos naturais que compreendem inibidores da topoisomerase I (análogos de camptotecina) e inibidores da topoisomerase II (epipodofilotoxinas) (KATZUNG, 2003). Já os agentes intercaladores, são medicamentos naturais, semissintéticos (oriundos de micro-organismos) ou sintéticos cujos, representantes são daunorbicina, doxorrubicina, idarrubicina, valrubicina e epirrubicina. Intercalam-se entre pares de bases da hélice do DNA, induzindo seu desenrolamento (FUCHS; WANNMACHER, 2012). Anticorpos Monoclonais e Fármacos com alvos Moleculares No câncer, há proteínas expressas na superfície das células tumorais, com função conhecida ou não, que podem ser atacadas por anticorpos monoclonais. Como terapia antineoplásica existem anticorpos puros e conjugados com outros citotóxicos ou radioisótopos. Em muitas circunstâncias, anticorpos monoclonais podem ser também associados à quimioterapia convencional, melhorando os resultados obtidos. Sendo representados por: rituximabe, cetuximabe, trastuzumabe (FUCHS; WANNMACHER, 2012). Além disso, a atuação de fármacos com alvos moleculares como proteínas específicas únicas para determinadas neoplasias, ou naquelas hiper- ou hipoexpressas em outros tumores, permite tratamento mais direcionado e racional, minimizando os efeitos sobre as células normais e maximizando a citotoxicidade dos medicamentos. São representados pelos fármacos: bexaroteno, imatinibe, malato de sunitinibe, tosilato de sorafenibe (FUCHS; WANNMACHER, 2012).

4 Neoplasia Protocolo Siglas Tratamento Doxorrubicina AC-D neoadjuvante Docetaxel Doxorrubicina AC adjuvante 5-fluoruracila FAC adjuvante Carcinoma de Doxorrubicina 5-fluoruracila FEC adjuvante Mama Epirrubicina CMF adjuvante Metotrexato 5-fluoruracila Doxorrubicina AC-T adjuvante Paclitaxel Trastuzumabe adjuvante concominante ou sequencial a QT, tratamento paliativo para HER2 positivo Tabela 1 - Tratamentos quimioterápicos mais frequentemente utilizados em neoplasias no Carcinoma de Mama (Adaptado de FUCHS; WANNMACHER, 2012). Conclusão A partir dessa revisão de literatura abordando as drogas antineoplásicas foi possível identificar o processo de ação desses agentes no ciclo celular das células neoplásicas, como também verificar quais quimioterápicos são frequentemente administrados nos pacientes acometidos com carcinoma de mama. Porém diante da realização desta pesquisa verificou-se escassez de materiais sobre este assunto demonstrando a necessidade da realização de maior número de pesquisas acerca do tema. Referências FUCHS, Flávio Danni; WANNMACHER, Lenita. Farmacologia Clínica: Fundamentos da Terapêutica Racional. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, ROBBINS, S.L.; CONTRAN, R.S.; MITCHEL, R.N. Fundamentos de patologia: bases patológicas das doenças. Rio de Janeiro: Elsevier, KATZUNG, Bertram G. Farmacologia Básica & Clínica. 8.ed. Belo Horizonte: Guanabara Koogan, INCA, Instituto Nacional de Câncer. Tipos de Câncer: Mama. Disponível em: < >. Acesso em: 09 de outubro de MINISTÉRIO DA SÁUDE. Manual de bases técnicas da oncologia. 12.ed. Brasília, 2010.

5 ANDRADE, Marceila de; SILVA, Sueli Ruil da. Administração de quimioterápicos: uma proposta de protocolo de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem. Minas Gerais, SAWADA, Namie O.; NICOLUSSI, Adriana C.; OKINO, Liyoko; CARDOZO, Fernanda M.C.; ZAGO, Marcia M.F. Avaliação da qualidade de vida de pacientes com câncer submetidos à quimioterapia. Rev Esc Enferm. USP, 2008.

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