Da Responsabilidade Civil do Profissional da Contabilidade

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1 Da Responsabilidade Civil do Profissional da Contabilidade Prof. Roberta Schneider Westphal Prof. Odair Barros

2 A responsabilização profissional surge juntamente com qualquer manifestação profissional advinda do homem.

3 Conceito - O homem é responsável pelos atos que executa, ordena ou omite, na exata proporção de sua atuação e do ato praticado.

4 A função do profissional contador deve ser agregada à responsabilidade pela lealdade, a fim de servir com dignidade à sociedade e dignificar a sua classe! Introdução responsabilidade civil X exercício da profissão

5 Profissional X Cliente - No desempenho de sua função suas informações devem propiciar aos usuários base segura de decisões.

6 Conforme define SILVA E CUNHA: A contabilidade, como uma ciência social, deve preocupar-se com os princípios de justiça e decência, procurando sempre uma finalidade social superior nos serviços que executa: logo, o contador deve ter a consciência de seu papel, o qual não se restringe exclusivamente ao registro de fatos contábeis e documentos que atendam a exigências fiscais e legais.

7 Contabilidade atua com a: Apreensão, Quantificação, Classificação, Registro, Sumarização, Demonstração, Análise

8 O objeto é relatar mutações patrimoniais; Com dados quantitativos e qualitativos

9 Código Civil, Lei nº /02, Artigos 186 e 187 c/c 927 prevê a responsabilidade civil pela prática de ato ilícito imputa ao profissional de Contabilidade, bem como o dever de reparação aos danos causados.

10 ARTIGOS ESPECÍFICOS Art Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.

11 Art Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor

12 OUTRAS NORMAS Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078/90). Normas Brasileiras de Contabilidade, Código de Ética Profissional do Contabilista (CEPC).

13 CEPC arts. 2º, I e III, de que o profissional deve exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, bem como zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos serviços a seu cargo. art. 3º, X, ainda dispõe que é vedado ao profissional prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua responsabilidade profissional.

14 E, não bastassem as disposições do CEPC e das normas supracitadas, importa ressaltar, ainda, o comando da Resolução CFC número 960/03, art. 24, I e VI, bem como o disposto no DL n º /46 art. 27, alínea e, que prevem: Art. 27 As penalidades aplicáveis por infração do exercício legal da profissão serão as seguintes: e) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de seis meses a um ano, ao profissional que demonstrar incapacidade técnica no desempenho de suas funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa por si ou pelo Sindicato a que pertencer.

15 A Responsabilização é possível quando: contrata serviços para o qual não é absolutamente capaz, vindo, desta forma, a colocar em risco o Patrimônio da empresa ou a sua imagem.

16 Responsabilidade X Omissão X Competência O profissional da área contábil, por ter responsabilidade perante o bens de terceiros, será responsabilizado caso venha a falhar na sua atuação.

17 Profissional da contabilidade Capacidade técnica Código Civil - Responsabilidade Civil Normas a serem observadas Resoluções Código de Defesa do Consumidor Código de Ética

18 A PRUDÊNCIA: contratos e outros Pedidos por escrito Termo de esclarecimento do cliente Contrato detalhado dos serviços contratados Limitação da responsabilidade

19 Nexo X Dano X Ato ilícito (dolo ou culpa)

20 Responsabilidade Subjetiva a) fato lesivo voluntário, causado pelo agente, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência; b) ocorrência de um dano patrimonial ou moral; c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente.

21 Culpa presumida (objetiva) Com isso, é imprescindível expor a teoria do dano objetivo, pelo que se ressalta o estudo de Ruy Stoco[1]: (...)desde que exista um dano, deve ser ressarcido, independentemente da idéia de culpa. O agente deve ser responsabilizado não só pelo dano causado por culpa sua como também por aquele que seja decorrência de seu simples fato; uma vez que, no exercício de sua atividade, ele acarrete prejuízo a outrem, fica obrigado a indenizá-lo.

22 Entendimento Jurisprudencial A culpa é presumida, pelo que se imputa ao réu o ônus de comprovar que realizou o serviço de forma satisfatória e que não foi o responsável pelas falhas, (...) [1]. [1] Apelação Cível Nº , Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS; Relator: Marilene Bonzanini Bernardi, Julgado em 23/04/2008.

23 Relação de Consumo Teoria do Risco A responsabilidade dos profissionais liberais, nas relações de consumo, está prevista no art. 14, 4, do Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei n /90), que assim dispõe: Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre a sua fruição e riscos. 4º. A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.

24 Inversão Aplica-se a inversão do ônus da prova, com fulcro no art. 6, VIII[1], do CDC, para que seja atribuído ao contabilista o ônus de constituir prova da eficiência dos serviços prestados, a fim de contestar a evidência dos erros de escrituração cometidos, corroborados pelos documentos acostados. [1] Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;

25 O Protetivo CDC A aplicação do CDC visa oferecer ao consumidor ferramentas que podem complicar ou criar embaraços a defesa do fornecedor (contabilista): a) A inversão do ônus da prova, (art. 6º, VIII). b) A possibilidade de utilização de todos os direitos possíveis, leis, tratados, regulamentos, princípios gerais de direito, equidade, analogia e bons costumes desde que sejam mais favoráveis ao consumidor (art. 7º, caput).

26 O Protetivo CDC c) A solidariedade entre todos os participantes dos serviços e causadores de dano, ampliando e facilitando a possibilidade de sucesso nas ações que versem sobre ressarcimentos de danos (art. 7º, 18 e 25. d) A responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços em face de acidentes consumo (art. 6º, 12, 14 e 17). de e) A expressa proibição de inserção cláusula de não indenizar (art. 25). da f) A desconsideração jurídica (art. 28). da personalidade

27 O Protetivo CDC g) A responsabilidade solidária do fornecedor por seus prepostos ou representantes autônomos, em face da teoria da aparência (art. 34). h) A interpretação das cláusulas contratuais sempre de forma mais favorável ao consumidor (art. 47). i) A facilitação da defesa do consumidor com o estabelecimento de foro privilegiado, em se tratando de ação por responsabilidade civil, visto que a demanda poderá ser proposta no foro do domicílio do autor (art. 101).

28 Da responsabilidade do escritório Não importa se a prestação do serviço foi realizada por sócio da pessoa jurídica, Contador titular ou mesmo representante.

29 Cuide de seu sócio! Art São também responsáveis pela reparação civil: III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

30 Danos materiais e morais O cliente tem direito à reparação dos danos materiais e morais, ex vi do artigo 6º do CDC, sejam estes individuais, coletivos ou difusos.

31 Resumindo: Os pressupostos da responsabilidade civil são: ação ou omissão do agente (configurada na imprudência, negligência e imperícia do contabilista quando da sua prestação de serviços); nexo de causalidade, (relacionado na questão causa e efeito, ou seja, no dano ocasionado ao cliente decorrentes do comportamento desidioso do contabilista); danos materiais e/ou morais.

32 Do dano moral O simples fato de empresa ter prestado serviço defeituoso já configura o dano moral, ante a evidência dos conseqüentes transtornos advindos! Neste sentido mister se faz destacar as palavras do Juiz Sérgio Izidoro Heil: É sabido, que a indenização por danos de ordem estritamente moral, em diversos casos, dispensa a produção de provas, por se tratarem daquelas condutas em que os danos advindos são presumíveis" (AC n ).

33 Decisões... PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE RESPONSÁVEL PELO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO AUTOR. RETENÇÃO INDEVIDA DE PARTE DOS VALORES. APOSENTADORIA REDUZIDA EM DECORRÊNCIA DO ATO ILÍCITO. DEVER DE INDENIZAR. ALEGAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA EMPREGADA NO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO AO INSS É DEVIDA PELA ESPOSA. FATO NÃO COMPROVADO (CPC, ART. 333, II). CRITÉRIO PARA O ARBITRAMENTO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EXAME DAS PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO E RAZOABILIDADE. REDUÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

34 Mais decisões... APELAÇÃO CÍVEL - ERRO PROFISSIONAL - NEGLIGÊNCIA DO CONTADOR - PREJUÍZO CARACTERIZADO - CONDENAÇÃO MANTIDA. RECURSO DA AUTORA - AGRAVO RETIDO - REVOGAÇÃO DE DESPACHO QUE DECRETA NULIDADE DE CITAÇÃO - CITAÇÃO IRREGULAR MANIFESTA - REJEIÇÃO. "Feita a citação em pessoa que para isso não se achava habilitada, o ato é nulo, independentemente das circunstâncias de fato que tenham conduzido o oficial de justiça a equívoco" (STJ - 4ª Turma, Resp MG, rel. min. Barros Monteiro, j ) RECURSO DA RÉ - PRELIMINARES - NULIDADE DE SENTENÇA - NULIDADE DO PROCESSO - REJEIÇÃO - MÉRITO - NEXO CAUSAL CONFIGURADO - ERRO NA APLICAÇÃO DO PERCENTUAL CORRETO NA ELABORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO - NÃO ADEQUAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS NA LEGISLAÇÃO - PREJUÍZO CARACTERIZADO - SENTENÇA CONFIRMADA - APELO DESPROVIDO. Provada a existência de nexo causal entre a conduta e o resultado danoso, tem a pessoa o direito de ser indenizada pelo prejuízo sofrido em razão de erro profissional[1]. (Destacamos) [1] Apelação Cível n , Brusque; Relator: Wilson Augusto do Nascimento; Primeira Câmara de Direito Civil; Data: WESTPHAL 23/10/ Advocacia & Consultoria

35 Apelação cível Relator: Sérgio Roberto Baasch Luz O valor da indenização do dano moral deve ser arbitrado pelo juiz de maneira a servir, por um lado, de lenitivo para a dor psíquica sofrida pelo lesado, sem importar a ele enriquecimento sem causa ou estímulo ao abalo suportado; e, de outra parte, deve desempenhar uma função pedagógica e uma séria reprimenda ao ofensor, a fim de evitar a recidiva.

36 $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ DA FINALIDADE DA INDENIZAÇÃO RESSARCIR PENALIZAR COMPENSAR

37 Danos materiais Mera liquidação dos danos materiais causados (mediatos ou previstos). Lucros cessantes e Perda de uma Chance (ex: documentos de uma licitação)

38 O profissional zeloso... As possibilidades de exclusão de penalização decorre do trabalho zeloso, operoso e exemplar exercido pelo profissional de contabilidade e, que por esta razão, são isentos de culpa.

39 As excludentes responsabilidade tem o condão de impedir a concretização do nexo de causalidade, excluindo, por conseguinte, a responsabilidade civil do agente.

40 Das Excludentes e busca de soluções. Excludentes Culpa da Vítima Culpa de Terceiro Caso fortuito e Força Maior Culpa do cliente Culpa de outrem estranho a relação Fato humano e da natureza inesperados

41 Culpa exclusiva da vítima As ações do agente e da vítima concorreram, ao mesmo tempo, para o desfecho danoso. A valoração do grau de responsabilidade na hipótese de culpa concorrente dependerá de cada caso em concreto. No entanto, se não for possível tal constatação, será de 50% para cada um - vítima e agente.

42 Caso fortuito e Força maior O caso fortuito é o fato humano estranho à vontade das partes e que venha causar dano a terceiro, a exemplo de greve, motim e guerra. Já a força maior, deriva de eventos da natureza, como raios, ventanias, inundações. Para a sua caracterização, o fato deve ser: imprevisível, inevitável, superveniente, irresistível e estranho à vontade do agente, rompendo o nexo de causalidade entre a ação do mesmo e o dano. Se o caso fortuito/força maior derivar da culpa do devedor, deixa de ser excludente de responsabilidade, passando o mesmo a figurar como devedor, obrigado a indenizar os danos causados pela sua ação/omissão.

43 A culpa do outro Tratando-se de excludente que é, o fato de terceiro somente exonera a responsabilidade do agente quando a sua ação provocou exclusivamente o dano sobre a vítima, sem que, portanto, o agente tenha concorrido para o evento. Neste caso, o fato de terceiro equivale à força maior por eliminar o nexo causal, cabendo ao agente provar que a ação do terceiro era imprevisível, inevitável e de tamanha intensidade e força que excluiu a sua liberdade de ação.

44 Prevenção... Seguro Procedimentos burocráticos administrativos observados...

45 Responsabilidade Social e Profissional Obrigado! WESTPHAL Advocacia & Consultoria Conheça outros cursos e treinamentos.

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