Prestação de contas do Juízo comum e da Justiça Eleitoral:

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1 PRESTAÇÃO DE CONTAS Prestação de contas do Juízo comum e da Justiça Eleitoral: Conceitos: Nós juízes, em especial os que atuam na área cível, somos acostumados com a obrigação de prestação de contas de quem, por força de lei, contrato ou determinação judicial, gere e cuida do dinheiro ou patrimônio alheio. A imobiliária que se obriga a prestar contas para o proprietário quando loca o bem deste; o banco se obriga a prestar contas para o cliente/depositante; o advogado para o seu cliente; o curador pela gestão da curadoria. A prestação de contas na Justiça Eleitoral, embora com alguns contornos diversos, também tem por objetivo demonstrar a licitude e a transparência do candidato e o partido político dos bens e dinheiro que recebem e gastam durante a campanha eleitoral. P. O que são recursos estimáveis em dinheiro? R. Durante a campanha os candidatos, partidos ou coligações poderão arrecadar recursos que são utilizados para pagar as despesas de campanha. Em geral, os recursos de campanhas podem ser divididos em dois tipos: recursos financeiros e recursos estimáveis em dinheiro. Estes últimos são aqueles em que o doador não repassa valor financeiro ao beneficiário, mas doa temporariamente bens e/ou serviços. Ex. cessão de imóvel para

2 comitê de campanha; veículo de transporte de militantes; trabalho não cobrado de advogado, contabilista, motorista, dentre outros. Entrega de santinhos Vamos ver mais adiante quais as consequências que ocorrem quando as doações são em dinheiro e as doações estimáveis em dinheiro, adiantando desde já, que estas últimas independem da abertura da conta corrente, mas da comprovação documental da doação (nota fiscal, recibo, contrato) enquanto que todas as doações em dinheiro devem circular na conta específica aberta para campanha. (Portanto, há uma obrigação de demonstrar transparência e licitude do que se arrecada e o que se gasta na campanha eleitoral). 1. Advogados e Contadores P: Qual a natureza do processo de prestação de contas? R: É judicial, em decorrência do contido no art. 30, 7º da Lei das Eleições, embora enderece matéria de cunho administrativo; A Res reforça o caráter judicial, inclusive adotando regra expressa de preclusão (art. 64, 1º e 6º). P: É obrigatória a presença de Advogado e Contador?

3 R: Não há exigência expressa na Lei nº 9.504/97, embora possa ser inferida da permissão de recursos ao Tribunal Regional Eleitoral (art. 30, 5º da Lei das Eleições) e ao Tribunal Superior Eleitoral quando presentes as hipóteses do art. 121 da CF (art. 30, 6º da Lei das Eleições). No caso da Res /14 do Colendo TSE, havia exigência da presença de procuração (art. 33, 4º e no artigo 40, inciso II, alínea g ). Na Res. 2016, é obrigatória a constituição de advogado (art. 41, 6º e art. 48, II, f ) e de contador (art. 41, 4º e art. 48, inciso I, a ). P: Quando se constata a ausência de advogado e contador? R: Após a apresentação final das contas. Outras duas prestações são parciais; A Res mantém isso pq exige a procuração na apresentação das contas final (art. 50, 2º). P: É obrigatória a emissão de recibos eleitorais para a arrecadação de doação de serviço de advogado e contador, ou ainda a anotação de gastos com estes profissionais? R: Nas últimas eleições estaduais não era exigido porque o Tribunal entende que a natureza destes serviços é dissociada da obtenção de votos. A falta dos recibos eleitorais ou anotação de gastos gera anotação de ressalvas. A Res modifica este entendimento e passa a considerar estas despesas como gastos eleitorais art. 29, 1º. Os recibos passam a ser obrigatórios e a contabilização também.

4 P: Se não for constatada a presença de advogado, é possível intimar a parte para que constitua? Se a parte não o fizer? R: É possível intimar a parte para que constitua seu advogado, sendo esta, inclusive, a posição de parte do TRE. Caso a parte não o faça, seria possível a nomeação de defensor dativo desde que não haja outras irregularidades insanáveis e que causem o julgamento das contas como não prestadas (ex. falta de extratos bancários), pois o defensor nomeado não pode suprir a irregularidade. Na Res. 2016, o 3º do art. 83 resolveu a questão. A parte é intimada para constituir advogado e se não o fizer as contas são julgadas desaprovadas. P: Neste caso, a falta de instrumento de procuração tem qual consequência? R: No regime da Res /14, a conseqüência era o julgamento das contas como não prestadas, por força da leitura conjunta do art. 40, inciso II, alínea g e do art. 54, inciso IV, alínea a. Esta é a posição majoritária na Corte e que encontra eco na maioria dos outros Tribunais Regionais Eleitorais. Dentro dos parâmetros da Res A tendência é que a conseqüência seja a mesma, especialmente quando observado o 3º do art Prazos para apresentação das contas: P: Qual o prazo para apresentação das contas?

5 R: É de 30 dias após a realização das eleições (art. 29, 1º c/c inciso III da Lei das Eleições). No caso dos candidatos que participarem de segundo turno, o prazo é contado a partir dele (art. 29, 1º, c/c inciso IV da Lei das Eleições). A Res fixou as datas como sendo 1º de novembro para todos os candidatos e no caso de segundo turno 19 de novembro (art. 45 e seu 1º). que acontece? P: Se não houver a apresentação das contas neste prazo, o R: Deve ser iniciado procedimento de intimação pessoal para que as contas sejam prestadas no prazo de 72h para a apresentação das contas, sob pena de julgamento como não prestadas, na forma do inciso IV do art. 30 da Lei das Eleições. A Res regulamenta o procedimento no art. 45. P: Esse prazo é contado da intimação ou da juntada do mandado aos autos? R: A Lei Eleitoral não regula a matéria, portanto se aplica o Código de Processo Civil, de forma que o prazo se inicia da juntada aos autos do mandado cumprido (art. 231, inciso II do CPC/73 e art. 241, inciso II do CPC/15). A Res regulamenta as intimações e suas formas, embora não fale sobre a contagem do prazo, no art. 83. P: Se a parte for intimada e apresentar as contas antes das 72 horas, qual a conseqüência?

6 R: Anotação de ressalva que não impede a aprovação das contas; Apresentação extemporânea considera-se tempestiva pelo novo CPC. horas? P: Se a parte não cumprir o prazo de 72 (setenta e duas) R: Julgamento das contas como não prestadas, na forma do unívoco comando do inciso IV do art. 30 da Lei das Eleições. Comando repetido na Res. 2016, art. 45, 4º, inciso VI. 3. Conta Bancária P: É obrigatória a abertura de conta bancária? R: Sim, exceto para os candidatos aos cargos de Prefeito e Vereador nos Municípios em que não haja agência ou posto bancário (art. 22, 2º da Lei nº 9.504/97 e art. 7º, 4º da Res. 2016). Prestação de contas simplificada em cidade menos de habitantes e gastos menores de R$ ,00 (vinte mil reais). P: Qual o prazo legal para abertura da conta bancária? R: A Lei nº 9.504/97 não faz expressa menção de prazo. No caso da Res /14, o prazo era de 10 dias contados da concessão do CNPJ (art. 12, 2º, alínea a ). P: Se não abrir conta bancária, qual a consequência?

7 R: No regime da Res /14, a prestação de contas deve vir acompanhada de extratos bancários da integralidade do período eleitora. Assim, se não abrir a conta bancária não terá extratos e, portanto, o julgamento das contas é de que não foram prestadas (art. 40, inciso II, a c/c art. 54, inciso IV, alínea a ). Na Res isso sofre modificação drástica. a) o art. 45, inciso III, determina que o Cartório junte aos autos os extratos bancários eletrônicos, suprindo a omissão da parte; O problema é que os bancos devem mandar os extratos eletrônicos até o último dia útil do mês subseqüente, o que pode complicar a análise das contas dos eleitos, já que estas têm prazo para serem julgadas (art. 12, 5º); b) No art. 68, 1º, há norma que diz que a falta de documentos (no caso extratos) deve ser analisada pelo relator para verificar se é possível superar a irregularidade. Houve uma amenização do entendimento anterior, mas depende do juiz. Aqui ainda vigora a questão da fraude no único dia sem extrato, mas isso pode vir a ser suprido pelos extratos eletrônicos agora. DOAÇÃO FEITA EM DINHEIRO POR DOADOR NÃO IDENTIFICADO ATRAVÉS DO CPF R: Como a realização destes depósitos é presumida como feita pelo doador e a obrigação de exigir a identificação é da instituição financeira, entende-se que a irregularidade não pode ser imputada ao

8 prestador das contas (art. 16, parágrafo único da Res /14 do TSE). O art. 26 da Res modificou o sistema e agora exige que os candidatos e os partidos não façam uso do recurso de origem não identificada ( nem no extrato nem no recibo as doações superiores a R$ 1.064,00 (em dinheiro) exigem a transferência por TED Transferência Eletrônica de Dinheiro valores inferiores a estes valores se não aparecerem no extrato nem no recibo se afigura fonte não identificada) e determina que ocorra a devolução dos valores ao Tesouro Nacional. Transparência e licitude. Se não sabe quem depositou deve devolver. 4. Fundo de Caixa P: O que é Fundo de Caixa? R: A Lei Eleitoral não define o que seja Fundo de Caixa, mas a Res /14 estabelece que é uma reserva de dinheiro que pode ser criada pelo candidato para o pagamento de despesas de pequeno valor (em 2014 o valor era de até R$ 400,00), em pecúnia. (art. 35, caput). Em 2016 o valor do pagamento de pequeno valor é R$ 300, ? P: Quais os limites do Fundo de Caixa para a Eleição de R: O primeiro é a própria idéia de pequena despesa que pode ser paga em dinheiro e não em cheque ou por meio de transferência

9 eletrônica. O segundo é limite de 2% do total da despesa realizada ou o valor de R$ 5.000,00 (partidos políticos) ou R$ 2.000,00 (candidato), o que for menor (arts. 33 e 34 da Res. 2016). Este segundo limite não é para uma única despesa, é para todas as despesas realizadas com o Fundo de Caixa. Para o Fundo de Caixa dos partidos há disposição no inciso I do art. 33 que permite que o saldo seja reposto a cada mês. Não se sabe se isso se aplica aos candidatos também. P: O dinheiro do Fundo de Caixa deve tramitar pela conta bancária de campanha? R: Sim, sob pena de desaprovação das contas, eis que não deixa de ser recurso de campanha e de ter curso forçado pela conta bancária específica (art. 22, 3º da Lei das Eleições). Mantido na Res. 2016, arts. 33 e 34. limite legal? P: E se as despesas com o Fundo de Caixa superarem o R: O Tribunal aplicou o princípio da proporcionalidade para os casos, usando como parâmetro o total da despesa. Se superado o limite da proporcionalidade, as contas são desaprovadas. Se não for superado o limite, as contas são aprovadas com ressalvas. P: Se houver o pagamento em dinheiro de despesa de valor superior a R$ 300,00?

10 R: A irregularidade deve ser vista pelo prisma da proporcionalidade. 5. Fontes Vedadas P: Qual a consequência de ocorrer a arrecadação de valores, em pecúnia ou estimados em dinheiro, ocorrida junto às fontes vedadas? Q: A desaprovação das contas. A Res modificou este entendimento, na forma do art. 25, 5º, que permite aquele raciocínio de que se a parte demonstrar que não usou o recurso de fonte vedada e demonstrar a devolução do valor, isso seria uma irregularidade que permitiria a aprovação com ressalvas. Isso ainda está para ser discutido. P: O que acontece se forem detectadas arrecadações junto a fontes vedadas? Q: O prestador das contas deve restituir a quantia ao Tesouro Nacional (art. 24, 4º da Lei das Eleições). Mantido em P: E os recursos de fontes não identificadas? Q: São entendidos como de fonte vedada porque a falta de identificação pode servir, justamente, para escamoteamento desta

11 vedação. As consequências são as mesmas, inclusive com a obrigação de devolução dos valores ao Tesouro Nacional (art. 24, 4º da Lei das Eleições). Mantido em Arrecadações e Gastos P: Nas doações estimadas em dinheiro é preciso que a parte apresente os termos de cessão e documentos de propriedade do bem? R: A Res /14 do TSE assim o exigia em seu art. 45. Contudo, a Lei /13 (princípio da anualidade) trouxe duas exceções que devem ser observadas na próxima eleição: 6º Ficam também dispensadas de comprovação na prestação de contas: I - a cessão de bens móveis, limitada ao valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) por pessoa cedente; II - doações estimáveis em dinheiro entre candidatos ou partidos, decorrentes do uso comum tanto de sedes quanto de materiais de propaganda eleitoral, cujo gasto deverá ser registrado na prestação de contas do responsável pelo pagamento da despesa. A Res adotou as exceções (art. 55, 3º). consequência? P: Se não forem apresentados os documentos, qual a R: A gradação da irregularidade se dará pela aplicação do princípio da proporcionalidade, podendo gerar a aprovação com ressalvas ou a desaprovação.

12 P: É possível emitir recibos eleitorais após as eleições? R: Como a legislação permite que se arrecade recursos para pagar dívidas de campanha, é possível. P: É possível realizar despesas após o pleito? R: Em princípio não, pois encerrado o pleito não há mais justificativa para a realização de despesas. É de se lembrar, porém, que o pagamento de despesa contraída antes do pleito é lícito, mas é dever do prestador das contas demonstrar que a despesa foi contraída antes das eleições. Essa situação é corriqueira com postos de combustíveis. A melhor forma de demonstrar é a apresentação de contrato de fornecimento de combustíveis para pagamento posterior. Se não houver a demonstração, a irregularidade deve ser analisada sob o prisma da proporcionalidade. Mantido o entendimento na Res. 2016, art. 27 e. P: É permitido pagar diversas despesas com um mesmo cheque? R: Não, a Res /14 traz dispositivo que obriga ao pagamento individualizado das despesas, por meio de cheque ou transferência eletrônica (art. 31, 3º). O mesmo dispositivo é encontrado no art. 32 da Res

13 7. Sobras e Dívidas de Campanha P: O que deve ser feito com as sobras de campanha? R: Devem ser declaradas na prestação de contas e, após julgados todos os recursos, transferida ao partido, mais especificamente para o órgão diretivo municipal do partido na cidade onde ocorreu a eleição, conforme a nova redação do inciso I do art. 31 da Lei das Eleições. P: O que ocorre se houverem dívidas de campanha? R: Pode ocorrer a assunção da dívida de campanha pelos partidos políticos, obedecidos os critérios legais ( 3º e 4º do art. 29 da Lei das Eleições). O Partido Político passa a responder solidariamente pela dívida por todas as dívidas. O mesmo raciocínio foi mantido em 2016, seguindo agora a disciplina do art. 27 e. 8. Consequências das Decisões no Julgamento das Prestações de Contas 1. Aprovação sem consequências; 2. Aprovação com ressalvas sem consequências:

14 3. Desaprovação envio de cópia dos autos ao Ministério Público para os fins do art. 22 da Lei Complementar nº 64/90 e também de eventual descumprimento do art. 30-A da Lei das Eleições; 4. Julgamento como não prestadas o prestador das contas ficará sem quitação eleitoral pelo período do mandato que disputou e a sanção continuará a existir até que sejam apresentadas as contas. Não haverá novo julgamento das contas, mas simples análise técnica sobre a existência de recursos de fontes vedadas, de origem não identificada ou ausência de regularidade no uso de recursos do Fundo Partidário. Inexistentes as irregularidades, a limitação para obtenção da quitação eleitoral será restrita ao período do mandato disputado. Sem quitação eleitoral o prestador das contas sofrerá as conseqüências do art. 7º do Código Eleitoral: Art. 7º O eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral até 30 (trinta) dias após a realização da eleição, incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o salário-mínimo da região, imposta pelo juiz eleitoral e cobrada na forma prevista no art (Redação dada pela Lei nº 4.961, de 1966) 1º Sem a prova de que votou na última eleição, pagou a respectiva multa ou de que se justificou devidamente, não poderá o eleitor: I - inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-se ou empossar-se neles; II - receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou para estatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição;

15 III - participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos Estados, dos Territórios, do Distrito Federal ou dos Municípios, ou das respectivas autarquias; IV - obter empréstimos nas autarquias, sociedades de economia mista, caixas econômicas federais ou estaduais, nos institutos e caixas de previdência social, bem como em qualquer estabelecimento de crédito mantido pelo governo, ou de cuja administração este participe, e com essas entidades celebrar contratos; V - obter passaporte ou carteira de identidade; VI - renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo; VII - praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda.

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