CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO - UNIFAE ÉDER RENATO REZENDE

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1 CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO - UNIFAE ÉDER RENATO REZENDE MÍDIA REGIONAL: O relacionamento entre as assessorias de imprensa e a EPTV Sul de Minas SÃO JOÃO DA BOA VISTA

2 ÉDER RENATO REZENDE MÍDIA REGIONAL: O relacionamento entre as assessorias de imprensa e a EPTV Sul de Minas Monografia apresentada ao Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino UNIFAE, como requisito obrigatório para obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social Jornalismo, sob orientação da professora Carmem Silvia Aliende. SÃO JOÃO DA BOA VISTA

3 ÉDER RENATO REZENDE MÍDIA REGIONAL: O relacionamento entre as assessorias de imprensa e a EPTV Sul de Minas Esta monografia apresentada como trabalho de conclusão de curso de Comunicação Social Jornalismo, do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino UNIFAE, e foi avaliada pela banca examinadora integrada pelos professores abaixo nomeados: São João da Boa Vista (SP),... de... de Prof (a). Carmem Silvia Aliende Presidente Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino... Prof (a). Camilo Antônio de Assis Barbosa Examinador Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino... Prof (a). Alice Peruchetti Orrú Examinador Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino 3

4 A Deus. A meus pais, Paula e Ivo. À minha irmã, Elaine À minha orientadora, Carmem Aliende. Aos meus verdadeiros amigos. Aos meus professores desta caminhada. 4

5 "escrevo bem tarde, quando os professores de português já estão dormindo" José Bonifácio Coutinho Nogueira 5

6 RESUMO A monografia Mídia Regional: o relacionamento entre as assessorias de imprensa e a EPTV Sul de Minas aborda a relação entre os jornalistas que atuam na redação da emissora e os jornalistas das assessorias de imprensa da mesma região. O objetivo deste trabalho consiste em compreender não só as características e dinâmica desta parceria, mas também mensurar a contribuição das assessorias na geração de pautas efetivamente produzidas pela emissora. Palavras-chave: EPTV Sul de Minas, Assessoria de Imprensa, sugestão de Pautas, Jornalismo Regional. 6

7 ABSTRACT The following research named Regional Media: the relations between the press offices and the EPTV Sul de Minas approaches the relation between journalists that works at the newspaper s office and the journalists that works at the press office of the same region. This paper aims to provide a broader perspective of the characteristics and dynamics of this association, and also measure quantitatively the contribution of the press office in the development of assignments effectively produced by the newspaper station. Key Words: EPTV Sul de Minas; Press Office; Assignment Suggestions; Regional Journalism. 7

8 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO Resumo das Seções VISÃO HISTÓRICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL História da Comunicação Empresarial Assessoria de Imprensa no Mundo Assessoria de Imprensa no Brasil EMISSORAS PIONEIRAS DE TELEVISÃO O Diário de JB História da EPTV EPTV Sul de Minas, Varginha Dados da EPTV Sul de Minas Os Formatos dos Telejornais EPTV Comunidade EPTV Cidade Jornal da EPTV Jornal Regional A RELAÇÃO DOS ASSESSORES DE IMPRENSA COM OS JORNALISTAS A relação das assessorias de imprensa com a EPTV Sul de Minas A quantidade de releases A agenda Sugestões Reunião de Pauta Produção Gravação Edição Painel

9 5. PESQUISA DE OPINIÃO Pesquisa Interna Pesquisa Externa Questionário Análises dos Dados Propostas de melhoria Perfil e necessidades da emissora Incidência da relação CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS...57 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES...61 GLOSSÁRIO ANEXOS APÊNDICES

10 1 INTRODUÇÃO Não é possível pensar a sociedade contemporânea sem considerar a relevância dos meios de comunicação de massa. E, dentro deste contexto, a televisão ocupa um lugar privilegiado, tanto por sua popularidade quanto pela valorização que lhe é atribuída. Para a maioria da população brasileira, o que é noticiado pela TV torna-se imediatamente importante. Assim, antes de considerar a relevância da EPTV no contexto dos veículos de comunicação, é necessário levantarmos os dados sobre a televisão no Brasil e no sul de Minas Gerais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 95,1% das casas no país possuem um aparelho de TV e, se restringir a pesquisa somente à região sudeste, este índice atinge 97,6% das residências. Os dados são referentes a 2008 e fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Outra pesquisa realizada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Hábitos de Informações e Formação de Opinião da População Brasileira SECOM março/2010) mostrou que o meio mais utilizado pela população para se informar é a televisão (96,6%). Além disso, os canais do sistema de televisão aberta são os mais assistidos (83,5%). Outros 10,4% assistem também canais de TV por assinatura. No total, os canais abertos são assistidos por 93,9% dos entrevistados. Apenas 2,7% afirmaram que assistem somente canais por assinatura. O canal de televisão preferido pela maior parte dos entrevistados que assistem televisão é a Rede Globo (69,8%). A Rede Record apresentou o segundo percentual de preferência (13,0%). O SBT é preferido por 4,7% e, a TV Bandeirantes, por 2,9%. Considerado como a programação televisiva mais relevante (64,6%), os telejornais mais assistidos são o Jornal Nacional (56,4%) e os Jornais Locais, que representam 13,8% da preferência da população. No sul de Minas Gerais, a afiliada responsável pela transmissão do sinal da Rede Globo e pela produção dos Jornais locais é a EPTV Sul de Minas, que atua na região há 22 anos e cobre 142 cidades, atendendo milhões de pessoas. (Fonte: Atlas de Cobertura Rede Globo março/2010). A programação jornalística produzida pela EPTV Sul de Minas é composta pelo EPTV Notícia, EPTV Cidade, Jornal da EPTV, Jornal Regional e EPTV Comunidade. Inserido na produção regional da EPTV está o Jornal da EPTV, parte do objeto desta monografia, que vai ao ar de segunda a sábado, às 12h15 e possui cerca de 25 minutos de duração. O intuito da 9

11 EPTV Sul de Minas é transmitir informações aos telespectadores, criando vínculos com as comunidades, através da regionalização da programação, que entende como um mecanismo para reforçar a identidade com o público local: Retratar os assuntos locais, proporcionando aos telespectadores acompanhar também o que ocorre no país e no mundo, é a possibilidade que a EPTV fornece ao seu público por intermédio da união das programações regional e nacional. Se uma pessoa desejar assistir às cores locais, basta sintonizar aos programas gerados pela EPTV; se optar por saber o que acontece em outro lugar, assiste aos programas da Rede Globo. (FABBRI JR, 2006, p.15) E, para obter informações para a produção de notícias regionais para os telejornais, uma das ferramentas de que a EPTV se utiliza são as assessorias de imprensa da região. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas são 80 mil jornalistas em todo país, destes 25 mil são filiados e a estimativa é que 10 mil profissionais atuem em assessoria de imprensa. Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, ao todo, profissionais são filiados ao órgão no Estado. No sul de Minas Gerais, a estimativa é de 100 jornalistas atuando em veículos de comunicação e assessorias de imprensa, atividade definida pela Federação Nacional dos Jornalistas como: Serviço prestado a instituições públicas e privadas, que se concentra no envio frequente de informações jornalísticas, dessas organizações, para os veículos de comunicação em geral. Esses veículos são os jornais diários; revistas semanais, revistas mensais, revistas especializadas, emissoras de rádio, agências de notícias, sites, portais de notícias e emissoras de tevê. Um trabalho continuado de Assessoria de Imprensa permitirá à empresa criar um vínculo de confiança com os veículos de comunicação e sedimentar sua imagem de forma positiva na sociedade. (FENAJ, 2007, p.7). Hoje, as assessorias de imprensa estão presentes em empresas, escolas, sindicatos, ong s, hospitais, no poder público, em empresas públicas e privadas, além de assessorar pessoas físicas, como políticos, atletas e artistas. Ao detectar o que é de interesse público, o assessor de imprensa pode transformar esta informação em material jornalístico, através de releases, press-kitts, sugestões de pautas, boletins, jornais, revistas etc. Evidentemente, os assessores de imprensa se diferenciam pela competência em propor pautas mais ou menos adequadas tanto em relação ao conteúdo quanto à mídia em questão e trabalham para conquistar para seus clientes o maior espaço possível dentro dos meios de comunicação, agregando reconhecimento e valor social à empresa, produto ou atividade. Muitas vezes, porém, uma pauta adequada para um jornal ou revista não é interessante para a televisão, que 10

12 depende essencialmente da possibilidade de geração de imagem, sendo esta uma das variáveis que esta monografia se propõe a checar. É imprescindível esclarecer que, a afiliada à Rede Globo de Televisão, a EPTV possui três emissoras no interior do estado de São Paulo em Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos e, uma no Sul de Minas Gerais em Varginha. Vale ressaltar que esta praça possui uma sucursal localizada na cidade de Poços de Caldas, objeto desta pesquisa. Justificativa O interesse por esta pesquisa foi motivado por dois aspectos. Primeiro, conhecer melhor como se dá a relação entre a EPTV Sul de Minas e as assessorias de imprensa, a partir da minha experiência como estagiário da EPTV, na sucursal em Poços de Caldas, e como futuro profissional na área do jornalismo. E, segundo, contribuir com os estudos do jornalismo regional praticado pela EPTV Sul de Minas, tema que apresenta carência de dados e informações e, em virtude da importância da emissora, merece um estudo mais aprofundado. Hipóteses Buscando compreender este cenário, foram estabelecidas as questões centrais que norteiam esta pesquisa científica: Como é a relação das assessorias de imprensa da região com a EPTV Sul de Minas? Qual a quantidade de reportagens veiculadas na emissora que foram oferecidas/ sugeridas pelas assessorias de imprensa da região? A partir destas indagações foram estabelecidas as seguintes hipóteses: a. Pelo alcance que possui, as assessorias de imprensa priorizam a mídia EPTV Sul de Minas e se preocupam em criar pautas especialmente adaptadas às características do veículo televisão. b. A relação entre as assessorias de imprensa que atuam na região e os jornalistas da EPTV Sul de Minas é bastante intensa, sendo estas responsáveis por grande parte das sugestões de pauta que resultam na produção das matérias jornalísticas. Metodologia Na tentativa de comprovar estas hipóteses, foi definida a realização de uma pesquisa descritiva, adotando duas técnicas de coletas de dados, sendo a primeira a pesquisa de opinião, como método quantitativo que, segundo Novelli (2009, p.164), [...]possibilita a 11

13 coleta de vasta quantidade de dados originados de grande número de entrevistados[...] ; e, como método qualitativo, a técnica do estudo de caso, que se configura como uma inquirição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente. (DUARTE 2009, p. 215). A revisão bibliográfica deste trabalho é baseada em estudo jornalístico de autores como Manuel Carlos Chaparro, Francisco Gaudêncio Torquato do Rego, Duílio Fabbri Júnior e Rogério Eduardo Rodrigues Bazi. 1.1 Resumo das Seções A primeira seção apresenta um histórico da assessoria de imprensa no mundo até chegar ao Brasil. São expostos conceitos que ressaltam a importância da atividade e o papel que a assessoria de imprensa possui dentro da sociedade e das instituições na atualidade. Na segunda seção é apresentada a história de José Bonifácio Nogueira Coutinho, fundador das Emissoras Pioneiras de Televisão (EPTV), e a instalação da praça da emissora na cidade de Varginha (MG). Confere-se também a evolução da estrutura e o perfil dos telejornais produzidos. A terceira sessão traz os elementos da pesquisa, apresentando como se estabelece a relação entre os jornalistas que atuam na EPTV Sul de Minas e os assessores de imprensa que atuam na região. Além disso, toda a dinâmica do processo é detalhada. A quarta seção traz os subsídios necessários para compreender como é este relacionamento, apresentando os problemas e sugerindo melhorias. A última seção da pesquisa faz as considerações finais, a partir de evidências que apontam para uma necessária reflexão e um novo direcionamento. 12

14 2 VISÃO HISTÓRICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL É impossível não se comunicar. O ato faz parte do homem assim como seus sentimentos, necessidades e instintos. Hoje, comunicar é um dos fenômenos sociais mais importantes para a sobrevivência, desenvolvimento e prosperidade de organizações e pessoas. As funções comunicativas e o intercâmbio de informações somaram-se à estrutura de pequenas, grandes e médias empresas. Auxiliados pela democracia e globalização, os processos e meios de comunicação foram impulsionados em consequência da competição capitalista. Ser parte da notícia passou a ser uma necessidade de todos. Desta forma, os jornalistas assumiram cargos dentro de empresas e estas viram surgir a necessidade de incorporar as técnicas de comunicação ao seu cotidiano. A partir daí, surge a comunicação empresarial. Não existe uma data de início e uma descrição exata sobre o escopo desta atividade. Autores como Chaparro, Torquato e Cândido Teobaldo utilizam diversas citações para delimitar o início desta profissão. Os primeiros relatos são do ano de 202 a.c, na China, através das cartas circulares das cortes da dinastia Han, extremamente militarizada, fundada por Liu Pang. Época marcada pelo progresso na cultura, economia, setor agrícola, comércio, educação e ciência. Outros autores apontam grandes pensadores como Homero, Xenofonte e Sócrates como os precursores deste ramo jornalístico. Mais referências existem do início desta prática: são os primeiros documentos do Governo Romano, que divulgava suas ações, como a Acta Diurna, do fórum romano (século VII ac). Existem outras evidências, como descrito por Chaparro: No estudo, também é qualificada como obra de relações públicas de primeira ordem a Guerra das Gálias, graças à qual o Sr. César teve êxito na eleição. Na mesma linha, se encontram ensinamentos de relações públicas em Virgílio, de quem as Geórgias, para os autores, constituem notável programa do tipo checklist para o retorno à terra, realizando, deste modo, as relações públicas da agricultura, no século I antes de Cristo!. Nesse percurso pela pré-história das relações públicas, os dois franceses chegam a Luís XIV, a quem apelidam de precursor de Ivy Lee -, este, sim, na unanimidade dos que estudaram o assunto, o verdadeiro fundador das relações públicas. (CHAPARRO, 2003, p.34) Já o verdadeiro modelo de jornalismo empresarial só passa a existir, de fato, na passagem do século XIX para o XX, com o nascimento do capitalismo e uma grande transformação social e econômica: a Revolução Industrial, nome criado por Arnold Toynbee, um historiador britânico, ao referenciar as grandes mudanças na sociedade em 13

15 detrimento do rápido desenvolvimento econômico que ocorria na Europa no século XVII (REGO, 1987, p.17). Com isso, a economia, que antes era constituída pela agricultura, artesanato e manufatura doméstica e rural, desaparece. As indústrias começam a se instalar e grandes centros comerciais são fundados. A relação próxima entre empregador e empregado fica mais distante e, exatamente neste período, tem início o jornalismo empresarial. Algumas pessoas começaram a imaginar que uma das maneiras de solucionar essas contradições internas surgidas no meio empresarial seria a publicação de jornais ou revistas para os funcionários, com o objetivo de familiarizá-los com o ambiente e a própria política da organização e de diminuir as distâncias físicas entre a administração central e a base operária (REGO, 1987,p.18) Era necessário que os diretores de empresas se comunicassem com os operários. Que as informações sobre a empresa em que eles trabalhavam fossem divulgadas de modo correto, e que os operários compreendessem sua posição nesta nova configuração das empresas no cenário mundial. Para enfrentar a concorrência, as empresas tiveram de multiplicar seus mecanismos de comunicação, a fim de se tornarem mais conhecidas e ganharem a preferência do público. Assim, as empresas conseguiam lidar com as informações que eram divulgadas e informar aos funcionários o que acontecia na empresa. Torquato (REGO, 1987, p.20) destaca que os jornais empresariais informavam de modo correto, promovendo uma comunicação mais adequada no ambiente de trabalho, resultando em maior integração. Até os anos 60, as empresas, organizações e instituições do governo mantinham uma relação afastada da imprensa, sempre se defendendo. Entretanto, a partir da década de 70, frente ao início da globalização, a relação com a imprensa começou a mudar. Nos rumos da democracia e da globalização, o mundo mudou, institucionalizou-se, bem como os interesses, as ações, as próprias pessoas. Globalizaram-se os processos, as emoções e sobretudo, os fluxos e circuitos da informação. E, nesse novo mundo, as instituições, incluindo-se as empresas, agem pelo que dizem, em especial pelos acontecimentos significantes que produzem, com os quais interferem na realidade, ao usarem uma eficácia difusora do jornalismo (CHAPARRO, 2003, p.34). Democracia, mercado e tecnologia tornaram-se o tripé, dando início à lógica da competição sustentada na informação, adotada por empresas e governos (CHAPARRO, 2003, p.33). Como resultado deste desenvolvimento industrial começam a se formar os primeiros grupos de trabalhadores, criando sindicatos e associações com ideais anarquistas, comunistas 14

16 e socialistas. Surgem os conflitos, cada vez mais fortes, entre as diversas classes sociais, tornando a comunicação um imperativo para a solução de impasses. E, como estratégia para aumentar a produtividade das empresas, elas começam a trazer para mais perto de si os funcionários. Este maior envolvimento favorece a motivação do empregado, que se sente mais motivado a cooperar. 2.1 História da Comunicação Empresarial Torquato (REGO, 1987, p.18) relembra que, em 1834, Friedrich List ( ), um economista alemão, escreve para Georg V. Cotta, empresário, o orientando a criar um jornal para informar os operários sobre seus direitos. Já no ano de 1840, a Sociedade para Promoção e Estímulo do Bem Público, na Suíça, realizou um concurso com o seguinte tema: Progresso e divertimento para a classe operária. O professor Peter Schitlin, da cidade de Saint Gall, ganhou o prêmio com a ideia de se criar um jornal voltado aos industriários. Entretanto, não podemos dizer que este é o primeiro jornal empresarial que conhecemos nos moldes atuais. Nesta época, difundia-se a produção em larga escala, em massa, instalando maior competitividade no mercado. E, para lidar com a concorrência, as empresas começaram a adotar novos meios de comunicação, com o intuito de conquistar a preferência do público e tornarem-se mais populares. Neste período, no final do século XIX, nasce também o jornalismo sensacionalista, segundo Torquato. Assim, se estabelece uma maior concorrência entre os meios de comunicação e a informação, que antes era feita de modo disperso e, muitas vezes, contraditório. Com isso, as publicações divulgadas pelas empresas tornam-se uma forma de controlar informações que pudessem prejudicar a imagem da empresa. Vale ressaltar que este período é mercado pelos grandes avanços tecnológicos da indústria da comunicação, criando novas formas de impressão mais rápidas que a inventada em 1440 por Gutemberg. Nasce a imprensa a vapor, tornado a impressão mais barata. Entretanto, este não foi um marco tão importante quanto o início das impressoras rotativas, que em seguida foram substituídas pelas máquinas de composição controladas por teclados e, depois, pela chegada das linotipos. Torquato se utiliza de Lorde Francis Willians para descrever a importância da revolução industrial. a imprensa levou mais tempo para ser afetada pela revolução industrial 15

17 do que outros setores, mas quando as inovações mecânicas surgiram, as transformações foram rápidas (REGO, 1987, p.19) Pode-se considerar como um precursores do jornal empresarial, o Lloyd s Lis, que surgiu na Inglaterra em 1869, assim como as cartas que o empresário alemão Friedrich Harkart destinava aos funcionários da fábrica, entre os anos de 1848 e O primeiro jornal voltado aos funcionários e que possui os parâmetros do jornalismo empresarial é o norte-americano The Triphammer, lançado no ano de 1885, pela empresa Massey Harris Cox. Já no setor governamental, o presidente norte-americano Andrew Jackson foi o precursor dos house organs, ao lançar em 1829, o The Globe. Mas tudo começou realmente a mudar com a atuação de um jornalista norteamericano: Ivy Lee, que, em 1906, deu início ao que chamamos hoje de assessoria de imprensa ou assessoria de comunicação. Ivy Ledbetter Lee abandonou o jornalismo e criou o primeiro escritório de relações públicas do mundo, em New York. 2.2 Assessoria de Imprensa no Mundo A assessoria de imprensa trata do relacionamento de uma empresa ou pessoa física com a imprensa. Ela conquista cobertura editorial em jornais, revistas, tevês, sites, colunas, com apelo noticioso gerado a partir de informações de interesse público. Assessoria de Imprensa é a prática do Jornalismo no ambiente e no agir da fonte, para assegurar aos meios de comunicação informações de boa qualidade, sob o ponto de vista da técnica jornalística e da relevância social. Por esse entendimento, a Assessoria de Imprensa deve existir somente em instituições que, por dever e/ou competência, geram atos e fatos de interesse público. (CHAPARRO, 2003, p. 57) O início da Assessoria de Imprensa se estabelece entre os anos de 1875 a 1900, quando os EUA passaram por um período de prosperidade, no momento que o poder passava das mãos da aristocracia dos plantadores do sul do país para o controle dos grandes fazendeiros e empresários do leste e oeste. Estes queriam o lucro fácil, o enriquecimento através de ambiciosos empreendimentos como especulação da terra, construção de estradas de ferro, exploração dos recursos minerais, tudo isso controlando o governo e passando por cima da lei. 16

18 Hebe Wey registra que até o conceito de moral mudou. A pobreza tornou-se sinônimo de inépcia, e a riqueza, de virtude. Triunfar na competição econômica era sinal de aptidão biológica no plano da existência e da sobrevivência. E por essa norma ética, quanto mais implacável a competição, melhor seria, pois assim eram eliminados com mais rapidez os fracos e os incompetentes (CHAPARRO, 2003, p. 35). O mais conhecido empresário das ferrovias americanas, William H. Vanderbilt, é o autor da frase: The public be damned (O público que se dane), dirigida aos jornalistas que lhe pediam explicações sobre o fim de um ramal da ferrovia, que era útil para a população. A expressão ficou marcada na história ao mostrar a péssima relação que os empresários tinham com a sociedade. Um modelo de capitalismo que era descompromissado com as necessidades e os direitos dos trabalhadores. Outros empresários, vistos como sujos e inescrupulosos pela população norte americana, fizeram com que o jornalismo ganhasse um campo de atuação dentro das empresas, com o intuito de melhorar suas imagens públicas. Apontado com monopolista, ao fazer quartel às pequenas empresas e negociar sem escrúpulos, John Rockefeller contratou Ivy Lee para transformar sua imagem de capitalista selvagem e torná-lo respeitado pela população norte-americana. Ele realizava assessoria de imprensa, divulgando informações favoráveis às empresas, através de notícias a serem divulgadas jornalisticamente, e não como espaço comprado nos jornais. Informações de interesse público, que informavam a atuação das empresas, com o objetivo de evitar possíveis denúncias. Um serviço inédito de informações da própria empresa, que eram autorizadas por ela, antes da sua publicação, com o objetivo de influenciar positivamente a opinião da população. Para isso, Ivy Lee elaborou uma declaração de princípios que foi enviada a todos os editores dos jornais na época: Este não é um serviço de imprensa secreto. Todo nosso trabalho é feito às claras. Pretendemos divulgar notícias, e não distribuir anúncios. Se acharem que o nosso assunto ficaria melhor como matéria paga, não o publiquem. Nossa informação é exata. Maiores detalhes sobre qualquer questão serão dados prontamente e qualquer redator e diretor de jornal interessado será auxiliado, com o máximo prazer, na verificação direta de qualquer declaração de fato. Em resumo, nossos planos, com absoluta franqueza, para o bem das empresas e das instituições públicas, é divulgar à imprensa e ao público dos Estados Unidos, pronta e exatamente informações relativas a assuntos com valor e interesse para o público. Uma das primeiras medidas que Lee tomou, ao prestar serviços para Rockfeller, foi durante uma greve de operários dispensar os guarda-costas que acompanhavam John D. Rockfeller, pai. Ao eliminar qualquer barreira existente entre a família e a população, 17

19 procurando angariar simpatia. Dentro da história do jornalismo, porém, Lee não é visto exatamente como um exemplo a seguir. Chaparro, ao citar Teobaldo de Andrade, lembra a operação fecha-boca, os altos benefícios, pagamentos e bons empregos que eram dados aos jornalistas na época [...] para que não atacassem as empresas e, ao mesmo tempo, as defendessem...os amigos de Ivy Lee diziam que o pai das Relações Públicas fazia alarde de que as entrevistas de seus clientes com a imprensa era feitas com inteira liberdade para qualquer pergunta. Mas os inimigos acrescentavam: os canais competentes dos jornais já estavam controlados e os repórteres nada podiam escrever que contrariasse os interesses dos clientes de Lee. Ainda desse homem de relações públicas dizem que, em 1934, prestou serviços ao truste alemão Dye, para corrigir as reações dos americanos a respeito dos acontecimentos na Alemanha de Hitler...As informações eram interessadas e pagas (CHAPARRO. 2003, p.38) Lee, além de cuidar do relacionamento da empresa com os meios de comunicação, criava fatos noticiáveis de grande repercussão. Ele tinha total conhecimento da atuação da empresa e produzia informações jornalísticas competentes, não só como fonte de informações e de elucidações. Neste trajeto tornou-se um especialista jornalístico para as empresas, prestando serviços para as principais corporações norte-americanas. Em 1916, ocorre a abertura da Lee & Harris & Lee, empresa de consultoria de relações públicas, administrada por ele. Como se pode observar, o surgimento da comunicação empresarial está contextualizado num período de efervescência política, ligado aos movimentos sindicais americanos. As reivindicações dos trabalhadores só poderiam ser controladas através de estratégias que mobilizassem a opinião pública, tarefa que também foi desempenhada pela classe patronal, que via a necessidade de também organizar-se a fim de divulgar opiniões positivas para a população. Com a profissionalização da divulgação de notícias oficiais de empresas e empresários, trabalhadores e sindicatos, nasce a Assessoria de Imprensa. 2.3 Assessoria de Imprensa no Brasil Os primeiros registros da atividade de assessoria de imprensa no país são do início do século XX, durante o governo de Nilo Peçanha ( ), que lançou o serviço de informação Secção de Publicações e Bibliotheca, através do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. O objetivo era integrar serviços de atendimento, publicações, 18

20 informações e propaganda, reunindo informações através de notas ou notícias que seriam oferecidas à imprensa. Após desenvolverem as técnicas, o setor passa a se chamar Serviço de Informações e Bibliotheca e Serviços de Informações e Divulgação, responsável pelo atendimento e requisição de informações sobre todos os assuntos do ministério e pela produção de um boletim de notícias, conforme Duarte (2003, p.82): Synopse de todos os actos do Governo [...] notícias e informações sobre agricultura, indústria e comércio [...] de modo a construir uma fonte, a mais completa possível, de consulta e divulgação dos conhecimentos úteis aos lavradores, industriaes e commerciantes Paralelamente, o primeiro jornal empresarial brasileiro é o Boletim Light, com início em 1925, elaborado pelos funcionários da indústria Light. Outro destaque foi a revista General Motors, editada pela empresa que se instalou no país, em Com a Revolução de 30, durante o Governo de Getúlio Vargas, a comunicação ganha mais destaque no Brasil. Na época, o objetivo era melhorar a imagem de Vargas, através da assessoria de imprensa. Neste período, o Governo Federal adota o controle e a disseminação de informações e organiza um sistema articulado diretamente ligado aos meios de comunicação. Com a instituição do Governo Provisório, em 1931, é fundado o Departamento Oficial de Publicidade, que anos depois passa a se chamar Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC) e o Departamento Nacional de Propaganda (DNP). É nesta época que surge também o programa de rádio A Voz do Brasil, que conhecemos até hoje. Criado em 1934, tinha como objetivo de reforçar a imagem de Vargas, disseminando as estratégias de governo para a população. O DNP, além de utilizar o rádio, adota toda a imprensa e seus diversos tipos de veículos de comunicação como um meio para a informação governamental. Já no início do Estado Novo, com o golpe de Getúlio Vargas, é criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), no qual as funções de divulgação e censura se uniram, sendo criados os Departamentos Estaduais de Imprensa e Propaganda (Deips). Era preciso coordenar a imprensa com o Estado, a fim de que a primeira cooperasse eficazmente com o segundo, tornando-se um instrumento poderoso de defesa do bem público e de propulsão do progresso nacional. (...) Redundará em uma harmonia das atividades jornalísticas com as finalidades do governo nacional. (AMARAL, 1940, p. 12: apud DUARTE) 19

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