APLICAÇÃO DO FATOR PREVIDENCIÁRIO NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL.

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1 APLICAÇÃO DO FATOR PREVIDENCIÁRIO NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Prof. Fernando Cruz de Assumpção Em primeiro lugar vamos entender o que é Previdência Social. É o seguro social para quem contribui pecúnia (dinheiro). A Previdência Social é a instituição pública que tem como objetivo reconhecer e conceder direitos a seus segurados. A Previdência Social juntamente com a Saúde e a Assistência Social compõe a Seguridade Social que é a política pública de proteção integrada da cidadania. A Previdência social em síntese tem como objetivo substituir a renda do segurado-contribuinte quando da perda de sua capacidade de trabalho. Esta perda é atingida quando chamamos RISCOS SOCIAIS: DOENÇA, INVALIDEZ, IDADE AVANÇADA, MORTE E DESEMPREGO-INVOLUNTÁRIO, ocorrendo, também, A MATERNIDADE E A RECLUSÃO (segurado detido/preso por cometer algum delito benefício estendido à família do segurado dependente). Existindo, assim, os segurados que são amparados por esta nossa Previdência Social que são: EMPREGADOS; EMPREGADOS DOMÉSTICOS; TRABALHADORES AVULSOS; CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS; SEGURADOS ESPECIAIS E FACULTATIVOS. Nesta nossa pequena análise não vamos comentar sobre os tipos de segurados, mas já identificamos que existem os segurados OBRIGATÓRIOS e os FACULTATIVOS. Mas queremos enfocar os benefícios da Previdência Social que, hoje, apresentam-se elencados com a seguinte nomenclatura:

2 APOSENTADORIA POR IDADE; APOSENTADORIA POR INVALIDEZ; APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO; APOSENTADORIA ESPECIAL; AUXÍLIO-DOENÇA; AUXÍLIO-ACIDENTE. AUXÍLIO-RECLUSÃO; PENSÃO POR MORTE; SALÁRIO-MATERNIDADE; e SALÁRIO-FAMÍLIA. E os serviços da Previdência Social são de grande importância para garantir o bem maior, que é o SOCIAL, sendo eles: SERVIÇO SOCIAL; PERÍCIA-MÉDICA; e REABILITAÇÃO PROFISSIONAL. A aplicação do Fator Previdenciário quando da concessão da APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. A aposentadoria por tempo de Contribuição é uma espécie de benefício previdenciário de pagamento continuado, de duração indefinida, não reeditável, substituidor dos salários, de caráter irreversível e que não impede a volta ao trabalho. Foi instituído pela Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998, em substituição à APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO, sendo devida ao segurado que completar 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se homem, e 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher. Este tempo de contribuição será reduzido em 5 (cinco) anos para os PROFESSORES que comprovem exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério (considera-se função de magistério a atividade docente do professor exercida exclusivamente em sala de aula ( 2º, do artigo 56 Regulamento Decreto 3.048/99) na educação infantil e no ensino fundamental e médio ( 8, do artigo 201, da Constituição Federal de 1988). Portanto, 30 (trinta) anos de contribuição, se homem, e 25 (vinte e cinco) anos se mulher, sendo proibido a conversão do tempo de serviço de magistério, exercido em qualquer época, em

3 tempo de serviço comum. Veja que a regra em questão não contempla os professores universitários. Além deste pré-requisito há necessidade para a concessão deste benefício à observância da carência exigida, ou seja, 180 (cento e oitenta) contribuições mensais. Ainda pode ser concedida a APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL, que foi extinta com a EMENDA CONSTITUCUIONAL N. 20 de 15/12/1998, ficando para os filiados ao REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL, anterior à data de publicação da citada EMENDA, o direito adquirido, desde que cumpram cumulativamente: a)idade: 53 (cinquenta e três) anos para o homem; 48 (quarenta e oito) anos para a mulher; b)tempo de contribuição: 30 (trinta) anos, se homem, e 25 (vinte e cinco) anos de contribuição, se mulher; e c)um período adicional de 40% (quarenta por cento) do tempo que faltava no dia 16/12/1998 para completar o tempo de contribuição, descrito no item b. Todos os segurados têm direito a esta espécie de benefício, desde que obedecidas às regras, sendo eles: SEGURADO EMPREGADO;SEGURADO DOMÉSTICO; CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; TRABALHADOR AVULSO; FACULTATIVO e O SEGURADO ESPECIAL QUANDO CONTRIBUI FACULTATIVAMENTE. Com o advento da Lei n /2003, artigo 3º trouxe, também, uma inovação com relação à PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO que ocorrem 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, assim, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social, após ter cumprido o tempo de contribuição poderá requerer a qualquer tempo sua aposentadoria. A renda mensal do benefício será 100% (cem por cento) do saláriode-benefício, ratificando que o SB salário-de-benefício é calculado na média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição correspondente a 80% (oitenta por cento) de todo período contributivo. Seguindo a mesma regra da aposentadoria por idade temos que o segurado empregado, inclusive o doméstico, terá a data de início do benefício a contar a partir do desligamento do emprego, quando requerida até 90 (noventa) dias

4 ou a partir do requerimento administrativo (DER data de entrada do requerimento) quando não houver desligamento do emprego ou quando for requerida após o prazo descrito. Para os demais segurados, será considerada a data da entrada do requerimento. A CESSAÇÃO DESTE BENEFÍCIO ocorre com o falecimento do segurado. Por fim, esclarecemos que é acrescido ao cálculo do SB - salário-debenefício o FATOR PREVIDENCIÁRIO, veja o Decreto n , de , que será calculado considerando-se a idade, a expectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar, mediante fórmula descrita no artigo Decreto 3.048/99. A título de clareza na informação, deste artigo, vamos repetir a exemplificação da fórmula vista quando abordamos a APOSENTADORIA POR IDADE. CÁLCULO DO FATOR PREVIDENCIÁRIO Tc x a x [ 1 + (Id + Tc x a) ] f = Es 100 Onde: f = fator previdenciário. Es = expectativa de sobrevida no momento da aposentadoria. Tc = tempo de contribuição até o momento da aposentadoria. Id idade no momento da aposentadoria. a = alíquota de contribuição correspondente a 0,31 Sabendo que para efeito da aplicação do fator previdenciário ao tempo de contribuição do segurado, serão adicionados 5 (cinco) anos para a mulher, 5 (cinco) anos, se professor e 10 (dez) anos, se professora, que exclusivamente comprove tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou médio. Com relação a TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO temos a mencionar que para efeito de contagem incluem-se os períodos discriminados no artigo 60 do Decreto 3.048/99, sabendo que não será computado como tempo de contribuição o já considerado para concessão de qualquer aposentadoria prevista no REGIME

5 GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ou por outro REGIME DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ( 1º, do artigo 60 do citado Decreto). O Fator Previdenciário foi criado pela Lei nº 9.876/99, sob a mesma argumentação de sempre, a de acabar com o déficit previdenciário. O fator previdenciário foi inserido na fórmula de cálculo da renda mensal inicial das aposentadorias por idade e por tempo de contribuição. Na verdade, o fator previdenciário foi uma forma que o Governo encontrou de, indiretamente, impor limite de idade mínima aos trabalhadores da iniciativa privada para fins de concessão de aposentadoria por tempo de contribuição, uma vez que a exigência de idade mínima não foi aprovada pelo Congresso. O cálculo do fator previdenciário leva em consideração a idade do segurado na data da aposentadoria, o tempo de contribuição e a expectativa de sobrevida. Sendo que quanto maior a expectativa de sobrevida menor será o fator previdenciário, e consequentemente, menor será o valor da renda mensal inicial. Assim, com a criação do fator previdenciário o Salário de Benefício passou a ser calculado pela média dos 80% dos maiores salários de contribuição do segurado de todo o período contributivo multiplicado pelo fator previdenciário. E a fórmula de cálculo do fator previdenciário é a seguinte: F = Tc x a X [1 + id + Tc x a)] Es 100 No qual: F = fator previdenciário Tc = tempo de contribuição a = alíquota de contribuição correspondente a 0,31% id = idade do segurado Es = expectativa de sobrevida (tabela IBGE) Para melhor ilustrar a drástica redução do valor da aposentadoria trazida pelo fator previdenciário, vamos elaborar os cálculos de um suposto segurado que tenha atingido os 35 anos de contribuição e tenha como média salarial, o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais). Hipoteticamente vamos dar a ele, os

6 seguintes valores: a) média salarial = R$ 1.000,00; b) tempo de contribuição = 35 anos; c) Idade = 52 anos; d) Sobrevida = 27 anos (conforme tabela utilizada nos benefícios concedidos a partir de 03 de dezembro de 2007). Cálculos: F = Tc x a X [1 + (id + Tc x a)] Es 100 F = 35 x 0,31 X [1 + ( x 0,31)] F = 0,40185 X 1,6285 Fator Previdenciário = 0,65441 Salário de Benefício = R$1.000,00 (média salarial) X 0,65441 (fator previdenciário) = R$654,41 (salário de benefício) RMI (renda mensal inicial) = R$654,41 X 100% (coeficiente de cálculo para aposentadoria por tempo de contribuição) = R$654,41 O valor da aposentadoria para esse segurado será de R$ 654,41 por mês. Considerando-se as mesmas condições de idade, tempo de contribuição e média salarial, esse segurado, pelas regras anteriores à entrada em vigor do fator previdenciário deveria receber sua aposentadoria em valor inicial de R$ 1.000,00. A perda nesse caso foi de R$345,59 mensais, ou seja, o equivalente a 34,59%. Com o exemplo acima se verifica que esse critério de cálculo impõe ao segurado que se aposentar por tempo de contribuição, antes de atingir 60 anos de idade, uma redução significativa no valor do seu benefício de aposentadoria, podendo chegar a aproximadamente 40% para aqueles que se aposentarem com 50 anos de idade. Importa observar que essa fórmula de cálculo do salário de benefício aplica-se integralmente aos segurados inscritos na Previdência Social a partir de 29/11/99 e aos segurados filiados anteriormente a esta data a nova regra será

7 aplicada gradualmente. Ou seja, o fator previdenciário será aplicado gradativamente nos primeiros 5 anos de vigência da Lei que o instituiu. Assim, o segurado que cumpriu os requisitos para se aposentar por tempo de contribuição no primeiro mês após a entrada em vigor da Lei nº 9.876/99, o fator previdenciário incidirá somente sobre 1/60 da média dos salários de contribuição, e assim sucessivamente. Sendo que os segurados que adquirirem o direito de aposentarem-se por tempo de contribuição depois de decorridos os 5 anos de vigência da Lei nº 9.876/99 terá o fator previdenciário aplicado integralmente. É importante observar ainda que é garantido aos segurados que tenham cumprido os requisitos para a concessão da aposentadoria até o dia anterior à data da publicação da Lei nº 9.876/99 o cálculo conforme as regras anteriormente vigentes, em respeito ao direito adquirido. Podendo esses segurados, inclusive optar entre o critério antigo e o atual. Importa observar também que a referida lei criou o bônus de 5 anos para o cálculo do fator previdenciário para as mulheres e professores e de 10 anos para as professoras. É o que dispõe o 9º do art.29: 9 o Para efeito da aplicação do fator previdenciário, ao tempo de contribuição do segurado serão adicionados: I - cinco anos, quando se tratar de mulher; II - cinco anos, quando se tratar de professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio; III - dez anos, quando se tratar de professora que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. É importante lembrar que o fator previdenciário se aplica apenas às aposentadorias por tempo de contribuição e por idade, sendo esta última facultativamente, sendo que somente a primeira pode sofrer redução significativa nos valores dos salários de benefícios. Assim, diante das condições descritas acima, posso concluir que o fator previdenciário é um critério de cálculo justo, criado para não mascarar o limite de idade mínima para a concessão das aposentadorias por tempo de contribuição aos segurados da previdência social do setor privado. E sim, para incentivar o trabalhador a continuar sua vida laboral por um tempo maior de contribuição não castigando os segurados que começaram a trabalhar mais cedo, e sim o

8 incentivando no mercado de trabalho com idade inferior a 60 anos. Mostramos no exemplo acima que o leitor deve ter consciência que em nenhum país de 1º mundo é possível um trabalhador com idade menor de 60 anos aposentar. É possível ver hoje, no Brasil, que no Regime Próprio de Previdência Social, dos servidores públicos efetivos, só é possível aposentar com a idade mínima homem 60 anos e, se mulher 55 anos mesmo com tempo de contribuição superior a 35 anos de contribuição, se homem e 30 anos de contribuição, se mulher. Lembrando que em nenhum país de 1º mundo este esta espécie de aposentadoria é concedida, somente aposentadoria por idade. Portanto, o presente artigo não se apresenta com a finalidade de defender ou não o Fator Previdenciário e sim entendermos que este pode ser benéfico caso contribuinte permaneça em atividade com uma idade mais avançada e com tempo de contribuição além do já anteriormente mencionados. E, também, não venha a população tão sofrida com a problemática de a ordem econômica perder este tipo de benefício, e tão pouco vir a ter a obrigatoriedade de aposentar com a idade pré-estabelecida. Para finalizar destaco que o regime de aposentadoria na Itália é de 67 anos de idade, somente aposentadoria por idade, para o homem e para a mulher, somado ao tempo mínimo de contribuição; mesmo já gozando do tempo de contribuição terá que continuar trabalhando aguardando a idade. BIBLIOGRAFIA: =SANTOS, Marisa Ferreira dos Direito Previdenciário Esquematizado Coordenador Pedro Lenza. ED. Saraiva 2014/2015. =MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. 11. ed.,são Paulo: Atlas, 2014/2015. =IBRAHIM, Fábio Zambitte - Curso de Direito Previdenciário - Editora Impetus 2014/2015. =GOMES, Elizeu Domingues Rotinas Trabalhistas e Previdenciárias Editora LIDER 2014/2015. =LEITÃO, André Studart e MEIRINHO, Augusto Grieco Sant Anna Manual de Direito Previdenciário. Ed. SARAIVA 2014/2015. =SETTE, André Luiz Menezes Azevedo. Direito Previdenciário Avançado. BELO HORIZONTE: Mandamentos, 2014/2015.

9 =CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de Direito Previdenciário. 6.ed. São Paulo : LTR, 2014/2015. =TSUTIYA, Augusto Massayuki Curso de Direito da Seguridade Social Editora Saraiva 2014/2015.

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