IRRIGAÇÃO COM ÁGUA RESIDUÁRIA E DE ABASTECIMENTO SUBMETIDO À ADUBAÇÃO FOSFATADA EM PLANTAS DE PINHÃO MANSO

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1 IRRIGAÇÃO COM ÁGUA RESIDUÁRIA E DE ABASTECIMENTO SUBMETIDO À ADUBAÇÃO FOSFATADA EM PLANTAS DE PINHÃO MANSO A. S. Silva 1 ; L. T. Souto Filho 1 ; M. F. Mendonça 1 ; P. G. Leite 2 ; F. V. da Silva 3 ; R. Nascimento 4 RESUMO: São vários os motivos para se reutilizar a água na agricultura, proveniente tanto de esgotos como de drenagem, com destaques para a dificuldade crescente de identificar fontes alternativas de águas para irrigação e custos elevados dos sistemas de tratamento, necessários para descarga de efluentes em corpos receptores. Objetivou-se avaliar as variáveis de crescimento em plantas de pinhão manso em seu desenvolvimento inicial, submetidos a duas qualidades de águas e cinco doses de fósforo. O experimento foi realizado em condições de ambiente protegido da Universidade Federal de Campina Grande. O delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados em esquema de análise fatorial [4 x 5] + 1, cujos fatores foram quatro níveis de água residuária disponível no solo (50, 75, 100 e 125%) e cinco doses de fósforo (0, 100, 200, 300 e 400 kg de P 2 O 5 ha -1 ) e uma testemunha absoluta com água de abastecimento 100% com adubação exclusiva só de N e K, com 3 (três) repetições, totalizando de 63 parcelas experimentais. Para as variáveis estudadas, somente a área foliar demonstrou efeitos significativos aos tratamentos. PALAVRAS-CHAVE: efluente, altura, diâmetro. IRRIGATION WITH WASTEWATER SUBMITTED TO SUPPLY AND PHOSPHATE FERTILIZER PLANTS JATROPHA ABSTRACT: There are several reasons for water reuse in agriculture, both from sewage and drainage, with emphasis on the increasing difficulty of identifying alternative sources of water for irrigation and high costs of treatment systems required for effluent discharge into receiving bodies. The objective was to evaluate the growth parameters in plants of jatropha in its initial development, subject to two kinds of water and five levels of phosphorus. The experiment was conducted in a protected environment at the Federal University of Campina Grande. The experimental design was randomized block in factorial analysis [4 x 5] + 1, whose factors were four levels of available soil wastewater (50, 75, 100 and 125%) and five P rates (0, 100, 200, 300 and 400 kg P 2 O 5 ha -1 ) and a 1 Mestrando em Engenharia Agrícola. UAEAg/ UFCG. CEP: , Campina Grande-PB, (83) Bolsista de Iniciação Cientifica/ PIBIC CNPq, UAEAg, UFCG. Campina Grande PB; 3 Bolsista PNPD/ CNPq, UFCG. Campina Grande PB; 4 Professor Adjunto da UAEAg, UFCG. Campina Grande PB

2 control with water supply with 100% exclusive only fertilizer N and K, with 3 (three) repetitions, totaling 63 plots. For these variables, only the leaf area showed significant effects to the treatments. KEYWORDS: effluent, height, diameter INTRODUÇÃO Atualmente, o pinhão manso está sendo considerada uma opção agrícola para a região nordeste por ser uma espécie nativa, exigente em insolação e com forte resistência à seca. Essa espécie não está sendo explorada comercialmente no Brasil, mas segundo Carnielli (2003) é uma planta oleaginosa viável para a obtenção do biodiesel, pois produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare, levando de três a quatro anos para atingir a idade produtiva, que pode se estender por 40 anos, com a possibilidade do uso do óleo do pinhão manso para a produção do biodiesel, abre-se amplas perspectivas para o crescimento das áreas de plantio com esta cultura no semi-árido nordestino. Na cultura do pinhão-manso, o fósforo é extremamente importante por influenciar na formação das sementes, que é a parte da planta que mais interessa no fornecimento da matéria prima (LAVIOLA & DIAS, 2008). O fósforo é um elemento essencial no metabolismo das plantas, desempenhando papel importante na transferência de energia da célula, na respiração e na fotossíntese. É também componente estrutural dos ácidos nucléicos de cromossomos, assim como de muitas coenzimas, fosfoproteínas e fosfolipídeos. Entre os vários fatores limitantes da produção vegetal, o déficit hídrico ocupa posição de destaque, pois alem de afetar as relações hídricas nas plantas, alterando-lhes o metabolismo, e um fenômeno que ocorre em grandes extensões de áreas cultiváveis (NOGUEIRA et al., 2001). Para Hespanhol (2003), a aplicação de esgotos no solo é uma forma efetiva de controle da poluição e uma alternativa viável para aumentar a disponibilidade hídrica em regiões áridas e semi-áridas. As águas residuárias domésticas contêm aproximadamente 99,9% de água. Nos últimos anos, vários fatores contribuíram para o aumento do interesse pela irrigação com efluentes. Objetivou-se avaliar as variáveis de crescimento em plantas de pinhão manso em seu desenvolvimento inicial, submetidos a duas qualidades de águas e cinco doses de fósforo. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado utilizando as condições de ambiente protegido de casa de vegetação, da Universidade Federal de Campina Grande, UFCG, cujas coordenadas geográficas são latitude sul , longitude oeste e altitude 547,56 m. No Período de seis meses, entre maio de 2010 a novembro de Neste experimento foi usado o delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados em esquema de análise fatorial [4 x 5] + 1, cujos fatores foram quatro níveis de água residuária disponível no solo (50, 75, 100 e 125%) e cinco doses de fósforo (0, 100, 200, 300 e 400 kg de P 2 O 5 ha -1 ) e uma testemunha absoluta com água de abastecimento 100% com adubação exclusiva só de N e K, com 3 (três) repetições, perfazendo assim um total de 63 parcelas experimentais.

3 As irrigações foram feitas obedecendo a um turno de rega de três dias, foi utilizada água residuária de esgoto bruto proveniente do Riacho Bodocongó, que circula ao longo da área experimental (UFCG), Campina Grande-PB e também de água de abastecimento para os tratamento testemunhas. Obedecendo ao intervalo de 30 dias, foi determinado as variáveis de crescimento (altura, diâmetro caulinar e área foliar) de cada tratamento. A altura foi determinada com fita métrica (cm), adotando-se como critério de determinação a distância entre o colo da planta e a extremidade do broto terminal do ramo principal. O diâmetro caulinar foi determinado através das leituras (mm) realizadas no colo da planta a uma altura aproximada de 5 cm, utilizando um paquímetro digital. A área foliar foi determinada pela medição da nervura principal (cm) em folhas completamente abertas com pelo menos 5 (cinco) centímetros de comprimento, onde foi feita por amostragem onde um galho foi escolhido e todas as suas folhas serão aferidas. A área foliar individual foi estimada com base na Equação descrita a seguir, proposta por Vale e Beltrão, (2006). AF=0,89*P 2 Em que, AF = área foliar (cm 2 ); P = Comprimento da nervura principal (cm). As variáveis respostas foram submetidas à análise de variância para verificar a significância das doses de P, utilizando o procedimento Anava do Sisvar. Posteriormente, foi realizada à análise de regressão. O modelo de regressão foi escolhido com base no valor do coeficiente de determinação (R 2 ), na significância dos parâmetros da regressão, testados pelo teste F a 1 e 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a tabela 1, para a variável de crescimento altura de planta e diâmetro caulinar os resultados tiveram efeitos não significativos, sendo assim não diferenciaram estatisticamente. Segundo Pires et al. (2001), relataram que a falta ou o excesso de água afeta o crescimento da planta. Analisando a época de avaliação para o período estudado, observa-se que houve efeito significativo ao nível de 0,01 de probabilidade para o fator doses de fósforo e para o outro fator de níveis de água, ocorreu significância de 0,01 de probabilidade aos 30 DAT. Conforme os estudos de regressão apresentaram-se os modelos lineares e quadráticos, sendo que o segundo obteve os melhores ajustes. Em ambos os fatores ocorreram os desvios de regressão significativa aos 30 DAT para o primeiro fator (doses de fósforos) ao nível de 1 % de probabilidade e para o segundo fator (níveis de água) ocorreu ao nível de 5 %. Sabendo-se que existem outros modelos que podem se ajustar melhor aos dados desta variável. Analisando e comparando todas as interações significativas, em relação às doses de fósforo dentro dos níveis de água, conclui-se com a figura 1A, que a área foliar máxima observada durante o período avaliado, segundo destaca a equação de regressão polinomial, foi de ,17 cm 2 aos 30 DAT, com a dose de fósforo contendo 400 Kg.Ha -1, ao nível de água disponível no solo de 50%. Através da figura 1B, comparando os diferentes níveis de água dentro de cada dose de fósforo ao longo do período estudado, constatou que aos 30 DAT, a área foliar média mais evidente foi de 9.361,91 cm 2, com o nível de água mínimo (50%) e com a dose máxima de fósforo de 400 Kg.Ha -1. Segundo Bergamashi (1999), a pouca demanda hídrica no solo pode trazer sérias conseqüências e diretamente reduzir a área foliar, pois a planta administra a água disponível

4 dela, onde muitas folhas representam um gasto maior com a hidratação e com isso ela começa a perder suas folhas para manter sua sobrevivência, aumentando assim a eficiência do uso da mesma. Isso resulta na queda fotossintética e diretamente minimiza seu crescimento e produção. CONCLUSÃO Considerando os resultados obtidos, para as variáveis de crescimento altura de planta e diâmetro caulinar não obteve resposta significativa aos tratamentos; A área foliar apresentou efeitos significativos aos tratamentos com o nível mino de água. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGAMASCHI, H. Desenvolvimento de déficit hídrico em culturas. In: BERGAMASCHI, H. et al. (Ed.). Agrometeorologia aplicada a irrigação: Porto Alegre: Editora da Universidade, cap. 2, p CARNIELLI, F. O combustível do futuro disponível em: ; LAVIOLA, B. G.; DIAS, A. S., Teor e acúmulo de nutrientes em folhas e frutos de pinhão manso, Revista Brasileira de Ciência do Solo v. 32 nº 5, Viçosa, 2008; HESPANHOL, I. Potencial de reúso de água no Brasil - agricultura, indústria, municípios e recarga de aqüíferos. In: MANCUSO, P. C. S.; SANTOS, H. F. (eds). Reúso de água. Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública, Núcleo de Informações em Saúde Ambiental. SP: Manole, cap.3, p.37-95; NOGUEIRA, R. J. M. C., MORAES, J. A. P. V., BURITY, H. A., Alterações na resistência a difusão de vapor das folhas e relações hídricas em aceroleira submetidas a déficit de água. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, 13, n.1, p ; PIRES, R. C. M.; SAKAI, E.; ARRUDA, F. B.; FOLEGATTI, M. V. Necessidades hídricas das culturas e manejo da irrigação. In: MIRANDA, J. H.; PIRES, R. C. M. Irrigação. v.1. Piracicaba: FUNEP, p Tabela 1 - Variável de crescimento, altura de planta e diâmetro caulinar Fonte de Variação GL Quadrados Médios Altura Diâmetro Área Foliar Doses de Fósforos (P) 4 45,378 ns 6,0939 ns ,4 ** Regressão Linear ,7 * Regressão Quadrática ,2 ns Desvio de regressão ,9 ** Níveis de Água (N) 3 42,149 ns 18,1217 ns ,3 ** Regressão Linear ,2 ** Regressão Quadrática ,1 ns Desvio de regressão ,6 * P x N 12 65,508 ns 13,1674 ns ,3 ** Blocos 2 148,202 ns 81,5504 ** ,1 ns Resíduo 38 79,222 11, ,5 CV (%) 15,31 12,89 19,84 GL grau de liberdade; CV coeficiente de variância; ns não significativo; * - significativo a nível de 5% de probabilidade no teste F; ** - significativo ao nível de 1% de probabilidade no teste F.

5 Área Foliar (cm 2 ) Área Foliar (cm 2 ) Doses dentro dos níveis: A. S. Silva et al. Níveis dentro das doses: ,00 A , , , , ,00 0, L 1 L 2 L 3 L 4 Polinômio (L 1) Polinômio (L 2) Polinômio (L 3) Polinômio (L 4) B , , , , ,00 0, D 1 D 2 D 3 D 4 D 5 Polinômio (D 1) Polinômio (D 2) Polinômio (D 3) Polinômio (D 4) Polinômio (D 5) Doses de P (Kg.Ha -1 ) Níveis de água (%) N1 = 6555,15-11,75 ns x + 0,0046 * x 2 R 2 = 27,06% N2 = 3876, ,60 ** x - 0,034 ns x 2 R 2 = 39,22% N3 = 6435, ,189 ns x - 0,0433 ns* x 2 R 2 = 43,60% N4 = 4925,20-3,215 ns x + 0,0114 ns x 2 R 2 = 84,19% D1 = 11285,91-158,91 ns x + 0,889 ns x 2 R 2 = 23,54% D2 = -843, ,05 ** x - 2,385 ** x 2 R 2 = 87,67% D3 = 11933,68-118,45 ns x + 0,517 ns x 2 R 2 = 46,43% D4 = -4689, ,71 ** x - 1,493 ** x 2 R 2 = 77,07% D5 = 22493,81-317,105 ** x + 1,452 ** x 2 R 2 = 99,99% Figura 1a - Área foliar máxima observada Figura 1b - Diferentes níveis de água

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