OS TIPOS DE PLANEJAMENTO NUMA UNIDADE DE ENSINO: UMA REFLEXÃO SOBRE A GESTÃO ESCOLAR E A PRÁTICA DOCENTE

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1 OS TIPOS DE PLANEJAMENTO NUMA UNIDADE DE ENSINO: UMA REFLEXÃO SOBRE A GESTÃO ESCOLAR E A PRÁTICA DOCENTE David Christian de Oliveira Pereira¹ Josivânia Maria de Almeida² RESUMO: Planejar é preciso. O Planejamento é um processo extremamente significativo, importante e necessário, que exige paciência, cuidado e muita atenção. Ato didático e consciente em que o professor pensa e repensa os comportamentos de todos os participantes no processo de aprendizagem. Este trabalho apresenta uma discussão sobre os tipos de planos existentes numa instituição escolar a nível Macro (PPP, PDE, projetos de trabalhos ou projetos interdisciplinares) e Micro (plano de ensino ou de disciplina, planos de unidade ou bimestrais/semestrais, e os planos de aula). Objetiva ressaltar a importância desses planos para o auxílio à prática da gestão escolar e práticas docentes. Para esta pesquisa, aplicamos, a partir de um questionário estruturado, algumas questões direcionadas a dois professores/as (A;B) de uma dada escola da rede pública estadual de Alagoas, a fim de identificarmos quais os tipos de planos existentes nessa unidade de ensino. As reflexões para esta pesquisa de base qualitativa variaram entre os dados coletados por meio do questionário e as posições de alguns estudiosos a cerca da temática em foco, a exemplo de Araújo (2011), Furtado (2008), Gandin (2010), Leal (2015), Lima (2010), Resende (2010), Souza (2005), dentre outros teóricos da área educacional. Os resultados advindos da análise dos dados foram satisfatórios, visto que se verificou que os planos constituem a base para todo o direcionamento da escola e seus sujeitos constitutivos tanto em nível Macro quanto em nível Micro, proporcionando-nos uma visualização de interdependência para o alcance de objetivos e organizações do sistema educacional. PALAVRAS-CHAVE: Planejamentos; Gestão; Prática Docente.

2 2 INTRODUÇÃO O planejamento é uma tarefa pedagógica indispensável na prática de todo e qualquer profissional, sobretudo, se este vier a ser um professor. Desde o momento em que saímos de nossas casas, ou até mesmo dentro delas, planejamos diversas atividades que serão realizadas ao longo do nosso dia, no dia seguinte, semana, mês ou ano posterior, assim como afirma Leal (2005) em seu artigo intitulado Planejamento de Ensino: peculiaridades significativas : O planejamento é um processo que exige organização, sistematização, previsão, decisão e outros aspectos na pretensão de garantir a eficiência e eficácia de uma ação, quer seja em um nível micro, quer seja no nível macro. O processo de planejamento está inserido em vários setores da vida social: planejamento urbano, planejamento econômico, planejamento habitacional, planejamento familiar, entre outros. Do ponto de vista educacional, o planejamento é um ato político-pedagógico porque revela intenções e a intencionalidade, expõe o que se deseja realizar e o que se pretende atingir (p.1) Dentro dos inúmeros conteúdos do ano letivo em uma instituição de ensino, é necessário que criemos mecanismos para facilitar a abordagem de nossas aulas, com uma sequência pré-definida, que atenda à carga horária preestabelecida, o perfil do alunado, suas necessidades cidadãs etc. Muitas pessoas questionam o porquê planejar, para que construir planos. Ora, as respostas para essas perguntas são simples. Primeiramente, não chegaremos a lugar nenhum sem traçar um caminho a ser percorrido; sem direcionamento não há objetivo a ser alcançado. Sequencialmente, definido o objetivo faz-se necessário um plano para conquistá-lo, levando-se em consideração os obstáculos, que podem estar presentes interna e externamente durante o trajeto, por isso o plano precisa ser flexível, para não se desmoronar no primeiro óbice. A priori, apresentaremos os tipos de planos (Micro e Macro) e sua importância para o planejamento e para a prática educativa; em seguida mostraremos as vantagens de se fazer planos flexíveis para a gestão e a docência. Por último, justificaremos essas vantagens, mostrando as desvantagens de não possuir planos bem definidos na gestão e na docência. Algumas questões levantadas são: há um planejamento prévio por parte do professor para ministrar suas aulas? Os resultados obtidos em sala de aula são satisfatórios? Em caso de negação, o professor rever sua prática docente e procura

3 3 trabalhar com outra metodologia para tornar a aula mais dinâmica e participativa? Como o professor avalia sua metodologia de ensino, nos moldes contemporâneos ou tradicionais? PLANOS (MICRO E MACRO) E SUA IMPORTÂNCIA PARA O PLANEJAMENTO E PRÁTICA EDUCATIVA Consoante Lima (2010) planejar é uma tarefa inerente à própria existência humana e, portanto, em qualquer proposta educativa. [...], Resende afirma que é (2010, p. 48) característica inerente ao trabalho do educador, pois sistematiza e organiza a ação docente, evidenciando as formas e princípios para elaboração do planejamento educacional, escolar, curricular e de ensino. Ou seja, tudo que se pensa faz-se necessário o mínimo de planejamento e cabe ao educador construir planos bem definidos. O plano Macro é composto pelo Projeto Político Pedagógico (PPP), visto como o plano de trabalho da escola que caracteriza as funções pedagógicas, administrativa e financeira, PDE, que direciona o trabalho pedagógico da escola em relação aos indicadores educacionais da escola, além de projetos de trabalho ou projetos interdisciplinares de cada instituição. No plano Micro predominam os planos resultantes do trabalho do professor: plano de ensino ou de disciplina, planos de unidade ou bimestrais/semestrais e os planos de aula. De acordo com Resende (2010, p. 90), no plano de unidade o planejamento tende a precaver eventuais erros do professor, dando maior segurança na execução dos objetivos previstos. Ou seja, ele esmiuça o planejamento de curso, ordenando-o em partes o plano de aula é um exemplo disso que segundo Furtado (2008, p. 108) o plano de aula é aquele que o professor precisa elaborar para desincumbir-se de seu trabalho cotidiano, faz parte de um conjunto - o processo de planejamento da escola. Isso significa dizer que por traz de um plano de aula (Micro) existe um plano maior (Macro) e que ambos formam o ápice do processo mental e organizacional do planejamento, cada um de acordo com suas especificidades.

4 4 Todos os níveis de planejamento existentes na escola precisam estar interligados e isso não é algo que ocorre rapidamente, pelo contrário requer tempo tanto para elaborar um plano, como para executá-lo, avaliá-lo, refazê-lo. Em se tratando de unidade de educação não cabe apenas ao gestor escolar planejar, pois todos envolvidos são peças importantes para o desenvolvimento da escola, tanto gestor, como coordenador, professor, todos são responsáveis pelo sucesso da escola e esse sucesso só ocorrerá com a participação de todos, apesar de existir inúmeros fatores que fazem com que esses profissionais não planejem suas atividades como as causas externas apresentadas por Gandin (p , 2010) Muitas causas externas contribuem para que o planejamento não mereça o cuidado sério das pessoas que julgam significativa a sua ação. Essas causas talvez apontem todas para a mesma direção: o planejamento é para a mudança, para a transformação, o que, provavelmente, não é o desejo dos donos de nenhum dos setores de atividade humana. Essas últimas frases da citação supracitada por Gandin é internalizada por muitos educadores, porém esse quadro vem mudando. Um exemplo dessa mudança ocorre na fala do professor B ao ser indagado sobre importância de conhecer a turma que irá trabalhar no início do ano letivo. Nas primeiras semanas de aula procuro fazer atividades diagnósticas, através de revisão de conteúdos de séries anteriores, análise textual e escrita e testes que acabam apontando dificuldades sentidas pela turma e, a partir disso, definir ações para o trabalho do ano letivo. O docente defende a importância de se conhecer a realidade e dificuldades da turma, pois só assim estará preparado para enfrentar os problemas de ensinoaprendizagem que surgirem ao longo do processo. Essa visão é uma visão progressista que aos poucos vem tomando forma, quebrando os paradigmas tradicionalistas que ainda persistem no contexto educacional em virtude do comodismo existente em alguns profissionais da educação, haja vista que concordamos que é muito fácil não lutar, deixar-se levar pela situação; difícil é quebrar regras, mais que isso, estabelecer novos ditames rompendo com modelos arraigados por uma sociedade tradicionalista. O PLANEJAMENTO NA ESCOLA VERIFICADA

5 5 No que concerne à pesquisa realizada, pôde-se observar que o planejamento é feito de forma isolada, apenas com algumas informações, exigências ou necessidades da escola. Cada professor realiza seu planejamento de acordo com o seu compromisso e consciência pedagógica. Quando questionada sobre a necessidade de se fazer um diagnóstico prévio da turma para então proceder a seleção dos objetivos e definir os conteúdos com os quais trabalhará durante o ano Letivo, a colaboradora B nos informou que É fundamental conhecer o aluno para a partir de então selecionar os objetivos e definir os conteúdos que serão necessários para a construção do conhecimento. Uma autobiografia no início do ano permitirá ao professor não apenas conhecer o aluno, quanto ao que o cerca, mas os conteúdos e habilidades linguísticas competentes. Dentre os tipos de planos feitos pela profissional estão o plano de curso, o planejamento anual, semestral, da unidade ou bimestre, o semanal e o plano de aula. No que se refere à importância da criação de planos, observamos que planejar é importante e necessário, pois sem organização e pensar não tem como formar cidadãos conscientes e críticos na sociedade. Os planos organizados pela docente são repensados quando há necessidades explícitas pelos alunos de formas direta e indireta ou pela própria sensibilidade em reconhecer as necessidades do aluno ou faixa-etária em que eles se encontram. Indagada se os planos elaborados pelos professores eram entregues à direção, a professora informou que Não. a gestão toma conhecimento desses planos por meio de conversas praticamente informais. não que não haja interesse por parte da mesma, mas a sobrecarga imposta a elas pelo sistema educacional geral suplanta esse interesse. Avisou-nos, ainda, que não tem conhecimento do Projeto Político Pedagógico (PPP) e o Plano de Desenvolvimento da Escola PDE, e que também nunca procurou ter conhecimento sobre tais documentos. Tal afirmação nos causou bastante inquietação, uma vez que

6 6 Na definição do Projeto Político-Pedagógico, materializam-se os diferentes momentos do planejamento: a definição de um marco referencial, a elaboração de um diagnóstico e a proposição de uma programação com vistas à implementação das ações necessárias à realização de uma prática pedagógica crítica e reflexiva (SOUZA, p.3). Relativo ao processo de avaliação dos alunos, notamos que estes, por sua vez, são avaliados por meio de atividades orais, escritas, em dupla, em grupo e individuais, como projetos, seminários, confecção de cartazes, provas escritas, pesquisas, reflexões, discussões, etc. A proposta de avaliação é apresentada de forma consciente para que o aluno compreenda que esse processo é importante para o processo ensinoaprendizagem. AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DE FAZER PLANOS FLEXÍVEIS E BEM DEFINIDOS PARA A GESTÃO E A DOCÊNCIA Uma escola terá sucesso se houver um planejamento eficaz que preveja imprevistos, pois se houver imprevisto e ele foi pensado anteriormente. A vantagem de ter planos flexíveis faz com que a escola seja ativa no processo educacional, aberta às transformações que ocorrem dentro e fora dela. Desse modo, um possível problema terá soluções rápidas e eficazes porque a escola não está presa em ditames rígidos, pelo contrário, está aberta a novos direcionamentos. Consoante Araujo (2011, p. 37), a [...] perspectiva de análise sobre a função social da escola na sociedade contemporânea, compete às Instituições de Ensino a responsabilidade de apresentar à sociedade um Currículo para a Educação Básica que demonstre o equilíbrio entre o desenvolvimento da capacidade intelectual, afetiva, técnica e profissional, efetivando uma educação unitária e homogênea, capaz de considerar os princípios da Autonomia, Qualidade e Participação como eixos organizadores da sociedade democrática. As Instituições de Ensino exercem um poder muito forte na sociedade, elas sofrem influências dela e dão um retorno a ela, por meio da transformação do indivíduo, e isso não é tarefa fácil, porém essa transformação traz um ganho inigualável para a sociedade: as escolas deixam de criar robôs para criar seres pensantes, mais que isso,

7 7 que manifestem seus desejos e anseios de forma consistente, não se deixando levar pela situação vigorante. Uma escola sem planos definidos tanto na gestão quanto na docência tenderá ao fracasso, ao fracasso educacional, pois os gestores não dialogaram com a comunidade escolar, o plano macro da escola será unicamente de quem o elaborou, com isso, o professor se perderá em sua prática docente e os alunos não terão uma sequência lógica de aprendizado, tornando-se, assim, insatisfatório. Esses planos não diretivos farão com que cada membro da comunidade escolar fale uma língua diferente, dificultando a comunicação entre os membros escola. Daí a desvantagem da ausência de planos bem definidos; sem eles realmente não há direcionamentos, estratégias, caminhos a serem percorridos, assim como a avaliação e os resultados satisfatórios não ocorrerão. CONCLUSÃO O processo ensino-aprendizagem é uma troca constante de conhecimento entre aluno e professor. Levando-se em consideração toda a problemática e os desafios existentes na elaboração do planejamento escolar, seu funcionamento deve, portanto, basear-se em instrumentos adequados que levem ao real aprendizado do aluno, levando o professor a reconhecer se as relações pedagógicas adotadas irão contribuir para a construção de um conhecimento efetivo do alunado, partindo de uma realidade concreta voltada às necessidades da escola e aos sujeitos integrantes. Reafirmamos, pois, que sem o planejamento não há como organizar nem dar forma ao conhecimento. Fazendo uma breve retomada aos tipos de planejamento numa unidade de ensino, vimos que eles se apresentam em nível Macro e Micro, e que ambos são importantes para o funcionamento da escola. Vimos também as vantagens de se fazer planos flexíveis para a gestão e para a docência (levando em consideração as constantes mudanças da sociedade) e as desvantagens de não os fazer. Constatou-se que na escola pesquisada o planejamento é realizado de forma individual por meio do professor e que não há coletividade no processo de tomada de decisões acerca dos conteúdos anuais, semestrais, bimestrais e/ou até mesmo diários,

8 8 sustentando a forte tendência tradicionalista antirreflexiva-pedagógica, que se estende até hoje (séc. XXI) em muitas de nossas escolas. Diante de tudo o que aqui expomos, destacamos a importância do planejamento em uma unidade escolar, mencionado por todos os autores pesquisados, bem como por todos os entrevistados como um recurso fundamental para produção deste trabalho, e defendemos o planejamento participativo para todos os envolvidos no processo educacional. NOTAS ¹David Christian de Oliveira Pereira é graduando em Letras (Português-Literatura) Pelo Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Campus Maceió. Pesquisador bolsista PIBIC/CNPq ( ). Seu foco de interesse se concentra no ensino de língua portuguesa, com ênfase em abordagens gramaticais (Linguística Aplicada). Possui artigos publicados em eventos acadêmicos nacionais e internacionais. Integra o Colegiado e o Centro Acadêmico do Curso de Licenciatura em Letras. Membro do grupo de pesquisa Múltiplos Olhares Sobre a Linguagem (LA). ²Josivânia Maria de Almeida é graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Graduanda em Letras (Português-Literatura) pelo Instituto Federal de Alagoas, Campus Maceió. Pós-Graduanda em Novas Tecnologias da Educação pela ESAB. REFERÊNCIAS ARAUJO, Maria José de Azevedo. Ensino e pesquisa: organização de projetos. Aracajú: UNIT, FURTADO, Ana Maria. Planejamento educacional. Espírito Santo: ESAB, GANDIN, Danilo. Planejamento como a prática educativa. [s.l.]: Loyola, LEAL, Regina Barros. Planejamento de ensino: peculiaridades significativas. Revista Iberoamericana de educación. V.37.n.5. España: LIMA, Divanir. Fundamentos, princípios e concepções do planejamento educacional. Maceió: UAB, 2010.

9 9 RESENDE, Suzi Silva. Planejamento educacional. Aracaju: UNIT, Didática. Aracaju: UNIT, SOUZA, Ângelo Ricardo de [et all.]. Planejamento e trabalho coletivo. Universidade Federal do Paraná, Pró-Reitoria de Graduação e Ensino Profissionalizante, Centro Interdisciplinar de Formação Continuada de Professores; Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Curitiba : Ed. da UFPR, 2005, p

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