VIOLÊNCIAS COMETIDAS CONTRA CRIANÇAS NOS MUNICÍPIOS DE CIANORTE,

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1 VIOLÊNCIAS COMETIDAS CONTRA CRIANÇAS NOS MUNICÍPIOS DE CIANORTE, Dr. CAMARGO, MARIALVA E OURIZONA, REGIÃO NORTE DO PARANÁ, NO PERÍODO DE NALESSO, A.P.P. 1 ; CASTILHO, C.F.V., PICOLO, C.A.D.; VOLPATO.O.A.; GONÇALVES,V.H.; ITO, C.C.; SILVA, O.L.; Desde a antiguidade a criança é tratada como ser desprovido de direitos, no Brasil é apenas em 1693, que vão surgir as primeiras ações direcionadas a crianças abandonadas, as chamadas casas dos expostos onde as crianças eram deixadas, sem identificação, preservando assim a identidade do adulto que abandonava. Desde o período colonial o Estado desenvolvia atividades assistenciais dirigidas a crianças consideradas abandonadas ou delinqüentes, o âmbito da vida privada não era considerado, ou seja, as crianças que viviam sob a guarda de adultos, não possuíam nenhum direito, ficando assegurado aos adultos o completo direito sobre os corpos e mentes das crianças, sendo então uma prática usual os castigos físicos. Entre o final do século XIX e início do século XX, 51% da população brasileira era composta por pessoas com menos de dezenove anos e a perspectiva da educação da criança para torná-la um adulto melhor estava centrada na prática de castigos e correções violentas e a Assistência à criança e adolescente era proposta a partir da visão da ordem e da higiene.é dentro destes moldes que em 1927 é aprovado o primeiro Código de Menores, conhecido como Melo Matos, que perdurou por sessenta anos, sendo reformulado em 1979, sem, no entanto 1 NALESSO, A.P.P. : Professora e pesquisadora do Curso de Serviço Social do CESUMAR Centro Universitário de Maringá. Av. Guedner,1610. Jd. Aclimação. Maringá -Pr. Cep: Fone: com : r 209/204 res:

2 modificar a concepção da criança e adolescente como menor abandonado e delinqüente, permanecendo a postura de omissão do Estado da sociedade frente aos abusos sofridos pelas crianças e adolescentes no chamado espaço familiar.desta forma é correto afirmar que a infância e a adolescência sempre foram alvo de diferentes modalidades de violência sendo que as ações da sociedade e do Estado, historicamente assumem perfil de omissão ou paliativo e com pouco impacto sobre a condição da criança e adolescente vítima de violência. O desenvolvimento econômico alcançado pelo Brasil, não se traduziu em melhorias de condições de vida para população, desta forma inúmeras crianças e adolescentes permanecem em estado de privação.a partir da Constituição Federal de 1988, a criança e o adolescente são considerados sujeito de direitos, sendo então criados diferentes dispositivos no sentido de realmente garantir a criança e ao adolescente a vivência de seus direitos temos como exemplo a regulamentação da Doutrina de Proteção Integral às crianças e adolescentes, posteriormente aprovação da lei Federal 8.069/90- Estatuto da Criança e do Adolescente e ainda temos a criação dos Conselhos de Direitos da criança e do adolescente e dos Conselhos Tutelares. A criação de todos estes mecanismos de proteção à criança e ao adolescente indicam a tentativa de realmente garantir o cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. No entanto nenhum dos elementos acima mencionado conseguiu por fim a violência cotidiana sofrida pelas crianças e adolescentes, uma vez que as diferentes políticas sociais implementadas apresentam caráter residual, seletivo e paliativo não oportunizando condições para que as famílias deixem o estado de restrição a acesso a bens e serviços, contribuindo para permanência de atos de violência contra crianças e adolescentes. Cabe neste momento pontuar que, para compreender a violência, ou atos de violência cometidos contra crianças e adolescentes é preciso compreender a complexidade de suas determinações, e de suas formas de expressões, sem dúvida a criança e o adolescente não pode ficar a mercê das vontades dos adultos tido como responsáveis, no entanto adentrar a vida privada das famílias, suas subjetividades, organizações, elementos culturais, e estabelecer categorias, rótulos

3 definitivos, não é tarefa fácil, nem ao menos possui precisão assertiva. Os avanços na defesa dos direitos podem se traduzir em melhora nas condições de vida das crianças, adolescentes e suas famílias, mas a individualização dos casos de violência domestica pode acabar por culpabilizar sem resolver a questão. Entendemos que uma dos caminhos para o desenvolvimento de ações efetivas no combate a violência contra crianças e adolescentes é conhecer detalhadamente, quais são as violências sofridas pelas crianças e adolescentes, e quem são seus agressores, identificando possíveis fatores de unificação entre as agressões, para então indicar a forma de não só de punir os agressores como buscar uma ação mais voltada para o âmbito coletivo. A partir destas reflexões o presente estudo teve como objetivo estabelecer a prevalência da violência cometida contra a criança (0-12 anos), e estabelecer as relações cabíveis, para tanto a metodologia utilizada foi um estudo transversal de fonte secundária, onde se levantou a totalidade dos registros dos casos nos Conselhos Tutelares de quatro municípios paranaenses: Cianorte; Ourizona; Doutor Camargo e Marialva no período de junho de 1999 a junho de A escolha desses municípios se deu segundo a classificação de municípios do plano Estadual de Assistência Social , - Paraná, realizada fundamentalmente segundo número de habitantes, foram escolhidos um município de cada classificação, sendo que para assegurar mais rigor à amostra foram escolhidos dois municípios com populações menores. Desta forma os municípios de Ourizona Dr. Camargo, são identificados como municípios de Pequeno Porte 1; Marialva município de Pequeno Porte 2, e o município de Cianorte município de Médio Porte. Depois de identificados os municípios, foram colhidos os dados junto aos conselhos tutelares que depois de tabulados foram analisados. OS registros de violência realizados pelos conselhos tutelares desses municípios foram distribuídos da seguinte forma: violência Física, Violação sexual, Violência psicológica e Negligencia. Os resultados obtidos demonstram que no que se refere a sexo, há uma simetria na prevalência da violência, ou seja, na totalidade dos município não há diferença significativa na prevalência de violência no se refere a gênero, sendo que 51% vítimas são do sexo masculino e 49%

4 são do sexo feminino, no que se refere à prevalência da violência no município de Cianorte, classificado como de médio porte, a violência mais prevalente é a negligência com 61% dos casos de violência registrados, seguido pela violência física 28%, no município de Marialva, porte pequeno 2 não há uma diferença relevante entre violência física e negligência 52% violência Física e 46%de negligência, já nos municípios de porte pequeno 1 podemos notar a prevalência da violência física Dr. Camargo 48% e Ourizona 46% sendo os registros de negligência de 23% e 24% respectivamente. Os dados nos indicam que há uma tendência de aumento da prevalência de negligência nos municípios de porte maior sendo que se considerarmos que o município de Cianorte se caracteriza por ser um pólo industrial de facção, havendo inúmeros postos de trabalhos fixos e sazonais, conforme as mudanças de estações podemos inferir que tais resultados podem indicar que a haja uma relação entre necessidade/possibilidade de trabalho e a negligência, constituindo se assim em nosso estudo a negligência em um fenômeno mais prevalente em município de porte maior, uma vez que nos municípios menores a maior prevalência é a violência física nos demais municípios a violência mais prevalente é a violência física. No que se refere ao agente violador, na totalidade dos registros de negligência nos quatro municípios estudados, a mãe é identificada como agente violador 98% e na violência física o agente violador mais prevalente é o pai. A partir dos dados apresentados no que se refere ao agente violador podemos realizar diversas inferências, partindo de diferentes pontos, desde a concepção que socialmente é a mãe a figura identificada como responsável pelo cuidado dos filhos e o pai o provedor, até a consideração que as famílias só possuam a figura materna, mas a confirmação dessas inferências só seria possível através de um estudo que procurasse conhecer as causas da violência, no que se refere ao objetivo de nosso estudo, podemos concluir que, a prevalência do tipo de violência contra a criança assume diferentes contornos conforme o porte do município, indicando que estratégias de combate à violência contra a criança precisam ser diferenciadas nestes municípios, tais estratégias, portanto devem partir das condições de vida das vítimas e considerar a circunstância da ocorrência da

5 agressão, não se trata apenas de culpabilizar o agressor, mas de gerar condições para que a criança não esteja sujeita a violência para sempre. O Estado precisa criar estratégias que permitam a família desempenhar suas funções de cuidadora, orientadora e protetora. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FERRARI, D.C.A. e VECINA, T.C.C. O fim do silêncio na violência familiar: teoria e prática. São Paulo: Ed.Ágora, AZEVEDO, M.A., GUERRA, V.N.A. Crianças vitimizadas: a síndrome do pequeno poder. 2. ed.. São Paulo: Ed. Iglu, LOPES, C.L.S. e CARVALHO, E.C.A. Violência contra a criança e o adolescente: subsídio técnicos para interpretação dos conceitos. Curitiba: Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado do Paraná

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