O OFICIAL DO QUADRO COMPLEMENTAR SOB A ÓTICA DOS OFICIAS DOS DEMAIS QUADROS, ARMAS E SERVIÇOS DO EXÉRCITO BRASILEIRO, NA GUARNIÇÃO DE SALVADOR.

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1 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP - DEE - DEPA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO E COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR 1º Ten Al Patricia de Lima O OFICIAL DO QUADRO COMPLEMENTAR SOB A ÓTICA DOS OFICIAS DOS DEMAIS QUADROS, ARMAS E SERVIÇOS DO EXÉRCITO BRASILEIRO, NA GUARNIÇÃO DE SALVADOR. Salvador 2008

2 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP - DEE - DEPA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO E COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR 1º Ten Al Patricia de Lima O OFICIAL DO QUADRO COMPLEMENTAR SOB A ÓTICA DOS OFICIAS DOS DEMAIS QUADROS, ARMAS E SERVIÇOS DO EXÉRCITO BRASILEIRO, NA GUARNIÇÃO DE SALVADOR. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Comissão de Avaliação da Divisão de Ensino da Escola de Administração do Exército, como exigência para obtenção do título de Especialização em Aplicações Complementares às Ciências Militares. Orientador: Cap QCO Nadja de Assis Mendonça. Salvador 2008

3 BANCA EXAMINADORA Oficial Orientador Oficial Examinador Oficial Examinador

4 Dedico este trabalho ao meu marido Fernando e a minha filha Larissa. Fernando por me acompanhar, ajudar e compreender a importância da minha ausência neste momento, e Larissa, por ser o grande motivo de todo meu esforço e sacrifício, pois, tudo é por ela e para ela. A todos oficiais do Quadro Complementar do Exército Brasileiro, por fazerem parte deste Quadro, que ainda tem muito potencial a ser empregado em prol do desenvolvimento eficaz e eficiente da Força Terrestre.

5 AGRADECIMENTOS Sempre a Deus, por ter me concedido o direito à vida e à maternidade, me dando saúde, paz e capacidade física e intelectual para seguir sempre em frente. À minha orientadora, Capitão Nadja, que me deu todo apoio e incentivo para seguir a carreira de oficial do Exército, iniciando com a experiência de ser Oficial Técnico Temporário. À minha amiga Ten Silvana, Oficial Técnico Temporário de Informática, servindo atualmente no 6 Centro de Telemática de Área, que me incentivou sobremaneira tanto para fazer o concurso, quanto para me manter firme e focada no objetivo que é ser Oficial do Quadro Complementar. Mesmo de longe, esteve sempre comigo a sua imagem de mulher determinada, confiante e apaixonada pela farda Verde-Oliva. Aos instrutores do Corpo de Alunos, Tenente-Coronel França, Comandante do Corpo de Alunos, Major Moraes Ramos, Comandante da Companhia de Alunos, e Tenente Felipe, Comandante do Primeiro Pelotão, por não somente permitirem como também proporcionarem meios para que eu pudesse amamentar minha filha e tê-la a meu lado em todos os momentos que mais precisamos, tanto ela, quanto eu. Ao Major Milton e ao Sargento Rodrigues, que me apresentaram o LimeSurvey, proporcionando agilidade e eficiência na aplicação do questionário no âmbito da 6ª Região Militar, através do portal disponível na EBNet/Internet. Às Capitães Selma Gonzales e Ana Nantua que, com muita propriedade e domínio, me orientaram quanto aos procedimentos e normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sempre de maneira gentil e solícita, para a conclusão deste trabalho. E ao Exército Brasileiro por proporcionar a chance de a mulher contribuir para engrandecimento e manutenção da Força, atuando através do Quadro Complementar de Oficiais.

6 RESUMO O presente trabalho destina-se a fazer o levantamento de como os oficiais dos demais Quadros, Armas e Serviços do Exército Brasileiro percebem os oficiais do Quadro Complementar, na cidade de Salvador. Neste contexto, desenvolveu-se um questionário, que foi aplicado aos militares que compõem o universo selecionado. Parte destes questionários foi impressa e entregue em mãos aos oficiais da Escola de Administração do Exército, e parte restante foi aplicada com o auxílio de um programa de computador chamado LimeSurvey. Este programa foi disponibilizado na página do Comando da 6ª Região Militar, na EBNet (Rede de Computadores do Exército Brasileiro), para que os oficiais de todas as outras Organizações Militares da guarnição de Salvador-BA tivessem acesso ao mesmo, e pudessem respondê-lo. Também, foi lançado mão de pesquisa bibliográfica e documental a respeito da Escola de Administração do Exército (EsAEx), do Quadro Complementar de Oficiais (QCO), e Maria Quitéria de Jesus, patrono do QCO. Com base nos dados colhidos dos questionários, fez-se a análise dos mesmos, sempre buscando informações que pudessem corroborar com o objetivo deste trabalho que é o de buscar subsídios para a discussão a respeito da relação do oficial do Quadro Complementar e os oficiais dos demais Quadros, Armas e Serviços, principalmente os oriundos da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). De maneira geral, depreendeu-se que tanto a carreira do Quadro Complementar de Oficiais, quanto o Curso de Formação devem ser reformulados, a fim de preparar melhor o oficial do QCO para assumir as atribuições de um militar. Quanto ao questionamento que deu origem a este trabalho, pôde-se concluir que existem arestas a serem aparadas, há indícios de resistência por parte dos oficiais dos demais Quadros, Armas e Serviços em relação ao oficial do Quadro Complementar. Palavras-Chave: Escola de Administração do Exército. Quadro Complementar de Oficiais. Oficiais. Quadros, Armas e Serviços. Questionário. Percepção em relação ao QCO.

7 ABSTRACT This work is intended to perform a study on how officers from Quadros, Armas e Serviços in the Brazilian Army see the officers from Quadro Complementar (QCO) in the city of Salvador. In this context, a questionnaire has been developed and applied to troops from the universe selected. Part of these questionnaires have been printed and handed in to officers in Escola de Administração do Exército and the remainder was applied with the aid of a computer program called LimeSurvey. This program was available on site of Command of Military Region in EBNet (Computer Networking of the Brazilian Army), so that the officers of all other organizations of Military garrison of Salvador-BA had access to it, and could answer it. Also, it was made a literature and documentary study about Escola de Administração do Exército and Maria Quitéria de Jesus, patron of QCO. Based on data collected in the questionnaires, they were analyzed in order to corroborate with the objective of this work that is to seek subsidies for the discussion about the the officers from Quadros, Armas e Serviços, particularly those from the graduated from Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). In general, it appears that both the career of Quadro Complementar Officers, as the Training Course ( Curso de Formação de Oficiais - CFO ) should be reformulated so as to better prepare the officer QCO to assume the duties of a military. As for the questioning that led to this work, we could conclude that there are edges to be trimmed, there are signs of resistance on the part of officers of other Quadros, Armas e Serviços in relation to the officer's Quadro Complementar. Key-word: Army School of Administration. Table Supplemental Official. Official. Tables, and Weapons, and Services. Questionnaire. Perception in relation to QCO.

8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO O QUADRO COMPLEMENTAR DE OFICIAIS POSTOS E PROMOÇÕES O SÍMBOLO E A PATRONO DO QCO O Símbolo A Patrono A ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO - ESAEX O CURSO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS DO QUADRO COMPLEMENTAR CFO/QC METODOLOGIA TIPO DE PESQUISA POPULAÇÃO INSTRUMENTO DE PESQUISA PROCEDIMENTOS DE PESQUISA RESULTADOS E DISCUSSÃO DEVERES E DIREITOS, MISSÃO, FUNÇÃO, FORMAÇÃO DOS OFICIAIS DO QUADRO COMPLEMENTAR A CARREIRA DOS OFICIAIS DO QUADRO COMPLEMENTAR O QUADRO COMPLEMENTAR DE OFICIAIS HÁ DISCRIMINAÇÃO EM RELAÇÃO AO QUADRO COMPLEMENTAR? ATRIBUTOS DA ÁREA AFETIVA SOB VÁRIOS ASPECTOS CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICES... 47

9 8 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como tema buscar subsídios para discutir a visão que o oficial dos demais Quadros, Armas e Serviços têm a respeito do militar do Quadro Complementar de Oficiais (QCO). Para atingir este objetivo, foram aplicados questionários com uma amostra significativa de oficiais na guarnição de Salvador-BA. A princípio, pensou-se em aplicar o questionário somente no âmbito da Escola de Administração do Exército e Colégio Militar de Salvador (EsAEx/CMS), porém, para dar mais credibilidade e abrangência, estendeu-se para todos os oficiais, os quais pertençam ao universo pretendido, da guarnição de Salvador. A metodologia de pesquisa empregada foi a pesquisa bibliográfica, documental e descritiva, uma vez que houve a necessidade de buscar dados sobre o Quadro Complementar, a sua história, estruturação e situação atual, bem como, fez-se uma breve explanação sobre o Curso de Formação de Oficiais do Quadro Complementar, e a Escola de Administração do Exército. Objetivando dirimir dúvidas de como o oficial dos demais Quadros, Armas e Serviços, principalmente os oriundos da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), percebe os oficiais do QCO, elaborou-se este trabalho, e para alcançar este objetivo maior foram traçados objetivos secundários, tais como: identificar os pontos de divergência entre as diversas categorias de militares, identificar o grau de satisfação dos demais oficiais quanto ao trabalho desenvolvido pelo oficial do QCO, identificar os pontos sensíveis na relação dos oficiais do QCO e demais oficiais, identificar a percepção dos demais oficiais quanto ao militar do QCO. O Quadro Complementar de Oficiais é um Quadro jovem, quando se fala de Exército Brasileiro, e também, possui particularidades que, por vezes, causam estranheza tanto em seus integrantes, quanto nos militares que compõem os outros Quadros, Armas e Serviços. Por esta razão, sentiu-se a necessidade de pesquisar qual o sentimento que esses demais oficiais têm a respeito dos companheiros de farda do QCO. A importância deste estudo, de modo geral, é realizar um trabalho científico sobre as relações entre as diversas categorias de militares, especialmente oficiais, que compõem o Exército Brasileiro, e colher subsídios que possam ser empregados para o aprimoramento das relações e da capacidade administrativa da Força, contribuindo, também, para o crescimento do Quadro Complementar de Oficiais.

10 9 2 O QUADRO COMPLEMENTAR DE OFICIAIS O Noticiário do Exército (NE) n 7.551, de 20 de outubro de 1989 (EXÉRCITO BRASILEIRO, 1989) sob o título de Quadro Complementar de Oficiais Agora uma Realidade publica a informação de que o Presidente da República sancionou a Lei n 7.831, de 02 de outubro de 1989, que cria o Quadro Complementar de Oficiais QCO no então, Ministério do Exército. Segundo registra o Histórico ( ) pesquisado, o Ministro do Exército aprovou o Regulamento da Escola de Administração do Exército (EsAEx) (R/48), através da Portaria Ministerial n 742, de 16 de agosto de Atualmente, este regulamento está disposto na Portaria n 057, de 12 de fevereiro de 2003, revogando as Portarias Ministeriais anteriores (EXÉRCITO BRASILEIRO, 2003). Em 19 de outubro de 1989, foi sancionado, pelo Presidente da República, o Decreto n (BRASIL, 1989), transcrito no Boletim do Exército n 49, de 07 de dezembro, aprovando o Regulamento para o Quadro Complementar de Oficiais (R/41). Sendo assim, no dia 02 de maio do ano de 1990, pela primeira vez no Exército Brasileiro, foi realizada a recepção dos aprovados no concurso de admissão ao Curso de Formação de Oficiais do Quadro Complementar (CFO/QC), no Corpo da Guarda da EsAEx. O evento foi iniciado com a apresentação dos alunos. Na seqüência, realizaram a entrada na EsAEx em coluna por um, no passo ordinário, a apresentação do CFO ao comandante da Escola, o canto da Canção do Exército, e o desfile dos candidatos. A Aula Inaugural foi ministrada pelo próprio Comandante da Escola, no auditório dos Correios e Telégrafos da Pituba, bairro da cidade de Salvador onde está sediada a EsAEx. (ESAEX, ) O Quadro Complementar de Oficiais (QCO) é composto por pessoas que incorporam às fileiras do Exército, oriundas do meio civil, ou até mesmo militares de outras Forças Armadas e Auxiliares, bem como os oficiais da reserva não-remunerada de segunda classe e praças do Exército, aprovados em concurso público de âmbito nacional. Os oficiais-alunos são graduados em cursos de nível superior reconhecidos pelo Ministério da Educação e realizados nas mais diversas universidades brasileiras, em diferentes áreas do conhecimento e especializações técnicas necessárias ao Exército. A primeira turma do Curso de Formação do Quadro Complementar de Oficiais, Turma Pandiá Calógeras, com 100 (cem) oficiais-alunos somente do sexo masculino, formou-se no dia 01 de dezembro de 1990, ocasião aquela na qual realizaram o compromisso ao Primeiro

11 Posto. Somente a partir do ano de 1992, as mulheres ingressaram no Exército, através do Quadro Complementar de Oficiais. Neste mesmo ano, e fazendo uma homenagem à Maria Quitéria de Jesus, primeira mulher que assentou praça em uma unidade militar do Brasil, a turma pioneira de oficiais, composta por homens e mulheres, foi denominada Turma Maria Quitéria. Após a conclusão do curso, o aluno é promovido, por ato normativo publicado no Diário Oficial da União, ao posto de primeiro-tenente de carreira, passando à situação de servidor público militar e sendo designado, por necessidade do serviço, para ocupar um cargo de natureza complementar, em uma das organizações militares distribuídas pelo território nacional. A criação do Quadro Complementar de Oficiais pode ser vista como uma solução institucional interna do Exército, em consonância com a política de formação de recursos humanos na Administração Pública Federal, que passou a constituir um fator importante para a Reforma Administrativa do Estado implementada no Brasil no ano de (SILVA, 2006, p. 63). Segundo Rodrigues (2008), com a intenção de profissionalizar suas atividades-meio e adequar-se aos novos paradigmas do capitalismo global em busca da excelência por meio de conhecimentos técnicos especializados, o Exército criou um novo quadro de oficiais de carreira, o Quadro Complementar de Oficiais (QCO), em Oficialmente, o QCO foi criado com a finalidade de: [...] formar para o Exército, oficiais das mais diversas áreas e especialidades para exercerem, na Força, atividades específicas - assessoramentos ao escalão superior, ensino e atividades administrativas e assim liberar os oficiais de Armas e Serviços para as atividades-fim. (EXÉRCITO BRASILEIRO, 2001 apud RODRIGUES, 2008, p.124). Rodrigues (2008) ainda diz que além de provocar um rearranjo na estrutura da oficialidade, a criação desse Quadro contribuiu para o salto de qualidade vislumbrado pelo Exército, pois: [...] ao implantar o QCO, o Exército possibilitou um avanço significativo para o cumprimento de sua missão, otimizando suas atividades administrativas com a inclusão de pessoal especializado que alia aos seus conhecimentos acadêmicos, a disciplina, o patriotismo e os valores característicos da carreira militar que são desenvolvidos na Escola de Administração do Exército. (ESAEX, 2008 apud RODRIGUES, 2008, p.124) Segundo Soriano Neto (2008), o Exército necessitava preencher com recursos humanos especializados, cargos e funções de natureza complementar e não combatente, a fim de que a Instituição pudesse melhor voltar-se para a sua atividade-fim, liberando para tal mister, um considerável número de Oficiais dos Quadros, das Armas e dos Serviços, da linha 10

12 combatente. A ocupação desses cargos e funções, em vista da evolução científico-tecnológica, que se faz, hoje, em velocidade impressionante, em vários campos do saber, teria de ser feita, obrigatoriamente, por especialistas de nível superior. De acordo com Silva (2006), o Boletim Especial n 04, de 02 de outubro de 1991, da EsAEx, afirma que a filosofia para criação do QCO está fundamentada não somente na necessidade de suprir as necessidades da Força Terrestre em pessoal de nível superior com formação específica, para a ocupação de cargos e funções na atividade-meio, mas também de conter gastos e mobiliar as organizações militares que desempenham a atividade-fim da Força Terrestre com os militares da linha combatente, os quais, muitas vezes, são desviados de função para ocuparem cargos de natureza administrativa. Ainda segundo Silva (2006), o Exército tencionou, também, minorar o problema de solução de continuidade dos trabalhos administrativos, decorrente das freqüentes movimentações impostas pela política de pessoal de proporcionar a vivência nacional aos oficiais da linha bélica (normalmente com dois anos e no máximo três num mesmo local). Assim, Rosa (1997, apud SILVA, 2006, p.64), ao analisar a necessidade de movimentação dos oficiais do QCO, afirma: A solução de continuidade, do exercício de algumas funções administrativas, seria evitada pela permanência mais prolongada do oficial do QCO na mesma OM. A necessária continuidade das rotinas burocráticas e administrativas seria garantida pelo oficial do QCO que se tornaria memória viva da OM. (ROSA, 1997, p.21). Assim sendo, o artigo primeiro, do Regulamento para o QCO (R-41), versa a respeito da finalidade do Quadro Complementar. Art. 1 º O Quadro Complementar de Oficiais (QCO), de que trata o presente Regulamento destina-se a suprir as necessidades do Exército em pessoal de nível superior para a ocupação de cargos e funções de natureza complementar. 1º São considerados de natureza complementar os cargos e funções cujas atividades não estão relacionadas diretamente com as operações militares e exijam, para o seu desempenho, pessoal com formação superior específica, não existente nos atuais Quadros, Armas e Serviços. 2º O Ministro do Exército definirá as áreas de atividades complementares de que necessita a Força Terrestre, especificando, quando necessário, as subáreas que caracterizam uma especialização dentro dessas áreas de atividade. (EXÉRCITO BRASILEIRO, 1989). Sabidamente o legislador carregou de flexibilidade a estrutura dessa carreira complementar, não definindo, em Lei Federal, os cursos superiores que seriam integrados ao Quadro Complementar. Dessa forma, as áreas de conhecimento podem ser integradas, em uma única carreira, por decisão do Exército, de acordo com suas necessidades nas áreas de pessoal, material e financeira (SILVA, 2006, p. 64). 11

13 12 Os cargos complementares são normalmente cargos de assessoria e, quando de chefia, restringem-se à chefia de pequenas seções administrativas, sendo assim, considerados na administração militar como médios gestores (SILVA, 2006, p.65). maneira: Atualmente, o efetivo de oficiais do Quadro Complementar está dividido da seguinte Tabela 1: Total de oficiais existentes (ativos e inativos) em cada posto da carreira. Posto Efetivo Existente Major 215 Capitão 790 1º Tenente 621 Total 1679 Fonte: elaborado pela autora com base no Almanaque Online do Exército (2008) Tabela 2: Percentual comparativo de militares do QCO, por posto. Percentual por Posto Percentual de 1º Tenentes 43% 38% Percentual de Capitães 49% 49% Percentual de Majores 8% 13% Fonte: elaborado pela autora com base no Almanaque Online do Exército (2008) Segundo o Almanaque do Exército (2008), a situação do efetivo de militares do Quadro Complementar de Oficiais, por ano de formação e por situação, é demonstrado na figura a seguir. Gráfico 1: Situação do Efetivo do Quadro Complementar (2008) Fonte: elaborado pela autora com base no Almanaque Online do Exército ( 2008)

14 13 O gráfico seguinte mostra o total do efetivo recém-egresso da Escola de Administração do Exército, ao final do curso de formação, nas respectivas turmas. Gráfico 2: Efetivo recém-egresso da EsAEx, por ano de formação Fonte: elaborado pela autora com base no Almanaque do Exército ( 2008) e oficiais do QCO na ativa. Os dados publicados no sítio, na Internet, do Exército Brasileiro, no ano de 2006, mostram algumas estatísticas em relação ao QCO. Tabela 3: Dados percentuais do efetivo do QCO Dados sobre o QCO Percentual de Cargos Preenchidos 49% Percentual de Homens 70% Percentual dos que já eram militares antes de ingressarem no Quadro 37% Percentual dos que já eram ou já foram militares antes de ingressarem no Quadro 44% Fonte: Noticiário do Exército, de 02 de outubro de 2006 Dia do Quadro Complementar de Oficiais

15 14 Tabela 4: Cargos Previstos e Efetivo Existente. Código Área QCP 1 Ef E Administração Contabilidade Economia Estatística Direito Informática Assistência Social Orientação Educacional Pedagogia Psicologia Ciências Médicas Ciências Humanas Português Matemática História Geografia Biologia Química Física Inglês Espanhol Francês Alemão Russo Italiano Filosofia Ciências Biológicas Veterinária Enfermagem Comunicação Social Biblioteconomia 29 0 Total Fonte: Noticiário do Exército, de 02 de outubro de 2006 Dia do Quadro Complementar de Oficiais. 1- QCP: Quadro de Cargos Previstos 2- Ef E: Efetivo Existente

16 POSTOS E PROMOÇÕES O Quadro Complementar de Oficiais está estruturado nos seguintes postos hierárquicos: Primeiro-Tenente, Capitão, Major, e Tenente-Coronel. De acordo com o Artigo 27, do Decreto , os oficiais do QCO têm as mesmas honras, direitos, prerrogativas, deveres, responsabilidades e vencimentos previstos em leis e regulamentos para os demais oficiais de carreira. O interstício, tempo mínimo de permanência no mesmo posto, da carreira do Quadro Complementar é superior ao das demais carreiras do Exército. O gráfico 3, a seguir, mostra os interstícios, em meses, dos diversos Quadros, Armas e Serviços do Exército para ingresso no Quadro de Acesso (QA), que é a relação de militares, no caso oficiais, habilitados a promoção ao posto acima. Neste gráfico não está contemplado o Quadro Auxiliar de Oficiais (QAO), uma vez que difere dos demais por ser um quadro que não alcança os postos de oficiais superiores. Gráfico 3: Interstícios para ingresso no Quadro de Acesso dos Quadros, Armas e Serviços do Exército Fonte: elaborado pela autora com base na Portaria n 659, de 14 de novembro de 2002.

17 O oficial da linha combatente quando se forma na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) é promovido ao posto de Aspirante-a-Oficial, e cumpre interstícios que totalizam 54 (cinqüenta e quatro) meses para alcançar o posto de Primeiro-Tenente, enquanto que os Capelães Militares, após o curso de formação, o alcançam em 50 (cinqüenta) meses. A partir do posto de Primeiro-Tenente, os Quadros, Armas e Serviços, considerados neste contexto, se igualam, e então, paradoxalmente, fica evidente a diferença entre cada um desses, como pode ser observado no gráfico acima. Essa diferença se dá pelo fato de o oficial do QCO atingir o topo da carreira no posto de Tenente-Coronel, ou seja, existe uma baixa amplitude entre o primeiro e último posto da carreira. A carreira prevê o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, realizado no posto de capitão, ministrado pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), em regime de Ensino à Distância, curso este que é requisito para a promoção aos postos subseqüentes. Com o tempo regulamentar em cada posto, os oficiais do QCO são promovidos, por merecimento ou antigüidade, aos postos de capitão, major e tenente-coronel, este último somente por merecimento, segundo legislação vigente O SÍMBOLO E A PATRONO DO QCO Uma das formas de reforçar valores nas organizações diz respeito aos símbolos e mitos criados (BERGER e LUCKMANN, 2003 apud SILVA, 2006, p.69). Na vida militar, o respeito e culto às tradições é bastante forte, fazendo parte de toda rotina da caserna. Os símbolos, as vestes, bandeiras e cerimônias são revestidos com o manto histórico que corrobora para que a Instituição Militar seja uma das de maior credibilidade diante a população civil brasileira. (ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS BRASILEIROS, 2007) O Símbolo No Exército, o símbolo tem por finalidade representar a especialidade das Armas, Quadros e Serviços, bem como brevemente identificar sua finalidade. Segundo Regulamento de Uniformes do Exército (RUE), o símbolo do QCO está representado na figura de um

18 triângulo isósceles vazado representando o conhecimento civil, e um sabre sobreposto, relativo ao conhecimento militar. A interseção dessas figuras corresponde à integração desses dois conhecimentos. 17 Figura 1 Símbolo do QCO Em janeiro de 2007, a frase Nem cora o livro de ombrear co o sabre...nem cora o sabre de chamá-lo irmão... (CASTRO ALVES) foi estampada no Pavilhão do Curso de Formação de Oficiais, voltada para o Pátio Maria Quitéria, por retratar a essência da missão da Escola de Administração do Exército, responsável pela formação dos Oficiais do Quadro Complementar, cujo saber, aprendido em bancos acadêmicos, é direcionado para o desempenho e cargos e funções de interesse do Exército. Tal frase nos leva ao entendimento de que o saber e as armas não devem se envergonhar de juntos defender os valores e interesses da nação brasileira.(esaex, ) A Patrono Patrono, ou ainda, Chefe militar ou personalidade civil escolhida como figura tutelar de uma força armada, de uma arma ou unidade (AURÉLIO, 2000 apud SILVA, 2006, p.70) mantém vivas as tradições militares e o culto dos heróis. Pela análise documental realizada por Silva (2006), foi verificado que cada Arma ou Quadro do Exército tem o seu patrono como tradição a ser cultuada. As qualidades e habilidades deste são associadas às peculiaridades de cada arma ou quadro que são cultuados internamente, para reforçar valores e impregnar a tropa pelo exemplo, distinguindo-se, assim, a identidade de cada segmento. Segundo Soriano Neto (2008), nossos principais dicionários distinguem bem os dois vocábulos: patrona é cartucheira e também padroeira, protetora (no sentido religioso); patrono é protetor, defensor. Assim, as duas palavras apresentam denotações semelhantes sob o

19 aspecto de religiosidade, mas apenas "patrono" possui a semântica castrense, pois também significa "defensor". Maria Quitéria de Jesus é a Patrono do Quadro Complementar de Oficiais (QCO) e teve participação destacada nas lutas pela Independência da Bahia e do Brasil, combatendo bravamente em muitas frentes de batalha. Muitos são os sinônimos de Quitéria: Heroína da Independência, "Cadete da Independência, "A Joana D Arc Brasileira", e "A Mulhersoldado do Brasil. A patrono do QCO foi instituída pelo Decreto Presidencial assinado em 28 de junho de 1996, publicado no Diário Oficial da União, em 1 de julho do mesmo ano. Acrescenta-se, ainda, que o Decreto Presidencial, de 28 Jun 96, foi propositadamente publicado no DOU, de 1º de julho daquele ano, no dia anterior ao da maior e mais tradicional festa baiana, o "Dois de Julho", para que se desse o máximo de destaque ao importante marco histórico em que os baianos comemoram a "Independência da Bahia", porquanto, naquela data, em 1823, o "Exército Libertador", do qual Maria Quitéria fazia parte, entrou vitoriosamente em Salvador, abandonada, de véspera, pelos portugueses derrotados (SORIANO NETO, 2008). De acordo com a pesquisa de Silva (2006), uma das possíveis causas que levaram a escolha de Maria Quitéria como patrona do QCO foi o reforço à imagem da mulher, que ingressa pela primeira vez na administração militar, por meio do QCO, na turma de 1992, denominada de Turma Maria Quitéria. 18

20 19 3 A ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO - EsAEx O cenário da administração pública brasileira na época de criação da Escola de Administração do Exército (EsAEx) pode ser caracterizado pela Reforma do Estado iniciada nos anos de 1980, a qual buscava um modelo de administração gerencial para responder a crise do Estado, de forma a reduzir custos e aumentar a eficiência estatal para melhor atender às demandas sociais por meio da prestação dos serviços públicos (MACHADO DA SILVA, 2003 apud SILVA, 2006, p.65). A Escola de Administração do Exército (EsAEx) foi criada em 1988, na cidade de Salvador (BA), sendo um dos quatro Estabelecimentos de Ensino que formam os oficiais de carreira do Exército Brasileiro. A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) é responsável pela formação dos oficiais da linha bélica, a Escola de Saúde do Exército (EsSEx) se encarrega da formação do oficial do Serviço de Saúde, o Instituto Militar de Engenharia (IME) forma oficiais engenheiros militares e a EsAEx forma os oficiais do Quadro Complementar, dentro de diversas áreas de interesse da Força Terrestre, como Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Comunicação Social, Direito, Economia, Enfermagem, Estatística, Informática, Magistério, Pedagogia, Psicologia e Veterinária. O Regulamento da EsAEx (R-48) diz: Art. 2 A EsAEx é um estabelecimento de ensino (EE) de formação, de grau superior, da Linha do Ensino Militar Complementar, diretamente subordinado à Diretoria de Especialização e Extensão (DEE), destinado a: I - formar oficiais para o Quadro Complementar de Oficiais (QCO) habilitando-os para o exercício de cargos e funções de natureza complementar, cujas áreas e subáreas são definidas pelo Estado- Maior do Exército (EME); II - realizar os concursos para ingresso no QCO; III - ministrar estágios sobre assuntos peculiares à EsAEx; e IV - realizar pesquisas na área de sua competência, inclusive, se necessário, com a participação de instituições congêneres. (EXÉRCITO BRASILEIRO, 2003). Desde do ano de 1993, a Escola de Administração do Exército compartilha a área e instalações com o Colégio Militar de Salvador (CMS). Os dois estabelecimentos funcionam de forma independente, porém é nomeado um único comandante para o período de 2 (dois) anos de comando, com possibilidade de recondução.

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