PORTUGUÊS BRASILEIRO NO FIM DO SÉCULO XIX E NA VIRADA DO MILÊNIO

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1 Versão final publicada em: Kato, M.; S. Duarte, M.E.; Cyrino, S. & Berlinck, R. Português brasileiro no fim do século XIX e na virada do milênio In Suzana Cardoso, Jacyra Mota e Rosa Virgínia Matto e Silva (orgs.) Quinhentos anos de história lingüística no Brasil. Salvador, Empresa Gráfica da Bahia/Funcultura/Governo da Bahia. Pp (2006). ISBN: PORTUGUÊS BRASILEIRO NO FIM DO SÉCULO XIX E NA VIRADA DO MILÊNIO Mary A. KATO (UNICAMP) Maria Eugenia L. DUARTE (UFRJ) Sonia CYRINO (UEL, Londrina) Rosane de ANDRADE BERLINCK (UNESP, Araraquara) 1. Introdução Segundo Tarallo (1993) 1, mudanças sintáticas dramáticas no português brasileiro do final do século XIX estabeleceram uma nova gramática distinta da de Portugal. O autor admite, contudo, que essas mudanças vinham se processando há mais tempo, mas que as circunstâncias sociais podem não ter sido suficientemente satisfatórias para que a pena brasileira começasse a escorrer sua própria tinta (op. cit: 99). No presente trabalho, mostraremos, a partir de resultados posteriores ao do autor, o quanto seu diagnóstico foi acertado. Os fenômenos examinados são os mesmos, exceto o da relativização, tópico não incluído neste trabalho, mas apresentaremos dados diacrônicos e sincrônicos adicionais e uma parte interpretativa que responde a questões não levantadas pelo autor naquela ocasião. Os fenômenos estudados são os seguintes: a) perda seletiva do sujeito nulo, b) aparecimento do objeto nulo referencial, c) perda da inversão verbo-sujeito em 1 Tradução em português do original em inglês apresentado no colóquio La Citoyenneté au XIX e Siècle au Brésil et en France, Paris, 1991.

2 interrogativas-q e d) perda da inversão não-acusativa. O exame da representação do sujeito pronominal e da ordem VS em interrogativas-q se baseia num corpus diacrônico constituído de peças de teatro popular, escritas ao longo dos séculos XIX e XX no Rio de Janeiro. Para a análise sobre o objeto nulo, o corpus também foi constituído por peças, tendo sido utilizadas para o século XIX as comédias de Martins Pena, Arthur Azevedo e José de Alencar, e para o século XX comédias dramáticas, que retratam o cotidiano, de Miguel Falabella, Marques Rebelo, Gianfrancesco Guarnieri e Dias Gomes. O estudo da ordem VS em declarativas examina, além de peças, um corpus de cartas pessoais escritas no mesmo período. A seleção e o processamento dos dados utiliza o pacote de programas VARBRUL (Mollica 1992). Na segunda seção, mostraremos comparativamente os tipos de sujeito nulo, de objeto nulo, de inversão em declarativas e de inversão em interrogativas-q que ocorriam no século XIX e os tipos de padrão que ocorrem no final do século XX. Nas seções seguintes faremos um estudo das correlações encontradas na literatura, a saber: a) a correlação entre o decréscimo do sujeito nulo e o aumento do objeto nulo (seção 3); b) a correlação entre perda de inversão em interrogativas-q e sujeito nulo (seção 4); c) a correlação entre sujeito nulo e inversão românica (seção 5); d) a correlação entre perda de clítico e a restrição de monoargumentalidade na inversão VS (seção 6). Na conclusão, teceremos algumas considerações sobre mudança em vista do que foi apresentado neste artigo sobre o PB. 2. Mudanças atestadas 2.1. Perda seletiva do sujeito nulo Durante todo o século XIX, os sujeitos referenciais de primeira, segunda e terceira pessoas são preferencialmente nulos (cf. Duarte 1993), como ilustram os exemplos em [1], estando seu preenchimento condicionado por ênfase ou contraste e pela existência de um referente 2

3 não acessível sintaticamente, um procedimento comum nas línguas de sujeito nulo por razões funcionais (cf. Calabrese 1986), como se vê em [2]: [1] a. Quando (cv) i te vi pela primeira vez, (cv) i não sabia que (cv) j eras viúva e rica. (1845) b. Tua filha i lamentar-se-á, (cv) i chorará desesperada, não importa (...) Depois que (cv) i estiver no convento e acalmar-se esse primeiro fogo, (cv) i abençoará o teu nome e, junto ao altar, no êxtase de sua tranqüilidade e verdadeira felicidade, (cv) i rogará a Deus por ti. (1845) [2] Falei ontem com seu tenente-coroné i e ele i disse-me que (cv) i havia de vir com sinhá Dona Perpétua e com sinhá moça Rosinha. (1882) Mesmo que o referente não esteja sintaticamente acessível, o sujeito nulo será preferido se não houver ambigüidade na sua interpretação, como ilustra [3]: [3] Se o i encontrarem, dêem-lhe i uma boa arrochada e levem-no i preso. (cv) i Há de me pagar. (1845) O mesmo procedimento se observa em relação aos sujeitos de referência arbitrária, preferencialmente nulos: [4] No fundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. (cv) Pintam-na cega... Que simplicidade! (1845) [5] Como (cv) se está bem aqui! (1882) Vê-se, portanto, que o PB do século XIX e princípios do século XX apresenta um comportamento compatível com o das línguas românicas de sujeito nulo, como o italiano, o espanhol e o português europeu, às quais subjaz um princípio a que Chomsky (1981) se refere como Evite Pronome. Tal situação, entretanto, muda radicalmente na segunda metade do século XX, quando passam a predominar os sujeitos referenciais (definidos e 3

4 indeterminados) foneticamente representados, como ilustram os exemplos da peça de 1992 a seguir: [6] a. Se eu ficasse aqui eu ia querer ser a madrinha. b. Você não entende meu coração porque você tá sempre olhando pro céu e procurando chuva. c. Agora ele não vai mais poder dizer as coisas que ele queria dizer. [7] a. A gente tem que aprender a esperar pelo futuro. b. E esse chá, se você toma bem quente, é batata! c. Eles deveriam ensinar amor às crianças. d. Mas nós temos que nos virar. Trata-se, como mostram os exemplos em [6], de contextos que exibem um referente sintaticamente e discursivamente acessível e que levam obrigatoriamente ao sujeito nulo numa autêntica língua pro-drop, excetuando-se, naturalmente, os casos marcados. O predomínio de casos de preenchimento sobre os de sujeito vazio nesses contextos de referência definida e nos de referência arbitrária exibidos em [7] permitiu a Duarte (1995 e 2000) postular a perda do princípio Evite Pronome e considerar o uso do pronome pleno em contexto não-marcado no PB como uma etapa no processo de mudança em direção a uma língua que não aceita o sujeito foneticamente nulo A expansão do objeto nulo Na história do PB, podemos observar que o objeto nulo sempre foi possível. (cf. Cyrino 1993, 1997). Porém, no decorrer dos séculos temos um aumento significativo em sua ocorrência. Essa mudança atinge primeiramente a posição nula cujo antecedente é proposicional, como no exemplo [8], seguindo-se a posição nula com antecedente predicativo, como no exemplo [9] e, finalmente, o objeto nulo com um NP [-específico] como antecedente, exemplo [10]: [8] Também satirizaras, se souberas (cv) ( ) (cf. se o souberas) 4

5 [9] Eu inda agora não creio Que he verdade este amor Mas praza a Deos, se assim for (cv) (157?) (cf. se assim o for) [10] Um retrato i pedi da vossa cara Porém é para mim coisa mui rara Que logo ao prometer (cv) i me propusestes Condições que observei como quisestes ( ) No século XIX, podemos observar o objeto nulo já com as características que apresenta no século XX. Em outras palavras, entre os diferentes tipos de objeto nulo segundo as diferentes possibilidades de antecedente, temos uma maior ocorrência daquele que se apresenta como o objeto nulo característico do PB 2. A mudança se apresenta, nos dados, na passagem do século XVIII para o século XIX; isto é, a partir do século XIX o objeto nulo com antecedente [+específico, -humano], como podemos ver nos exemplos em [11], é o tipo que mais ocorre nos dados: [11] a. Uma agência me indicou um sobrado i na Praia Fermosa, por cima de um açougue, mas o dono não quis alugá (cv) i ( 1891) b. - Ela já está lá dentro preparando a jacuba i. - Diga a ela que traga (cv) i, pois estou com muito calor. (1837) O século XX apresenta uma alta incidência de objetos nulos, sendo a maior ocorrência de objetos nulos com antecedente [-humano], como nos exemplos abaixo: [12] a. Já viu que o nosso cinema virou clube i... E o burro... que limpe (cv) i depois! (1992) b.... quando eu fui no curral, peguei um bocado de bosta i de vaca e taquei (cv) i em cima do ferimento... (1960) Quando o antecedente é [+humano], temos a ocorrência do pronome tônico "ele" (cf. 2 O primeiro trabalho que mostra o objeto nulo peculiar do PB é o de Galves (1984). 5

6 também Duarte, 1986), que substitui o clítico em desuso: [13] E tu aceitou ele de volta? (1992) O gráfico a seguir, mostra a mudança do objeto nulo quanto a antecedentes no século XIX e XX: Gráfico 1. Objetos nulos quanto aos antecedentes 100% 90% 80% 93% 87% 70% 60% 50% 40% 30% 49% 57% 20% 10% 2% 8% 0% 0% XIX XX 0% [+esp.+hum] [-esp.-hum] [-esp.+hum] [+esp.-hum] Conforme veremos na seção 3, a mudança se inicia com a perda do clítico cuja referência se encontra no nível mais baixo de uma hierarquia referencial, ou seja, o clítico cujo antecedente é [-humano] A perda do sujeito posposto em interrogativas-q. Nas interrogativas-q, os dados diacrônicos analisados em Duarte (1992) revelam a ordem 6

7 VS quase categórica no século XIX e inícios do século XX, quer o sujeito esteja representado por um nome quer por um pronome, seguido ou não de algum constituinte, como mostram os exemplos em [14] [14] a. O que pensa tua filha do nosso projeto? (1845) c. E por que tanto chora a menina? (1845) b. Por que desapareceu ele lá de casa? (1882) c. Mas o que tens tu? (1882) Chegamos ao final do século XX com a ordem VS restrita a verbos monoargumentais com sujeitos nominais, como em [15], tornando-se a ordem SV o padrão, não só com o elemento Q movido como também in situ, como mostram os exemplos em [16]: [15] a.onde andará a Neiva? b.como era mesmo a história? [16] a.e desde quando país tem perna? b.do que tu tá falando? c.desde quando a gente precisa saber escrever pra vender bala? d.o que é que a senhora está dizendo? e. E a senhora acha que eu devo fazer o quê? f. E a gente diz o quê? 2.4. A perda das inversões não-acusativas No que diz respeito à inversão verbo sujeito em declarativas, a análise de Andrade Berlinck (1995 e 2000) identifica três padrões principais que caracterizam o PB do século XIX. O mais freqüente deles ocorre tipicamente com verbos inacusativos - aqueles cujo único argumento é suposto como gerado internamente ao sintagma verbal. Nessa estrutura, o argumento segue imediatamente o verbo, como ilustra [17]: [17] Nesses planos estávamos, quando apareceu este homem, não sei donde, (...)(1845) 7

8 O segundo padrão se aproxima da chamada inversão germânica: o sujeito aparece imediatamente posposto ao verbo e é comum a presença de um outro elemento em posição inicial, embora essa não seja uma condição essencial no PB, como se observa em [18a-b]: [18] a. Emília, aos cinco anos estava eu órfão, e tua mãe, minha tia, foi nomeada por meu pai sua testamenteira e minha tutora. (1845) b. Tem ele nove anos e será prudente criarmo-lo desde já para frade. (1845) Ao contrário dos dois padrões anteriores, encontram-se também casos em que o sujeito não vem contíguo ao verbo 3. Essa construção, ilustrada em [19], constitui o que a literatura designa por inversão românica. Aqui, o sujeito ocupa a posição final da sentença, em adjunção ao sintagma verbal, e apresenta um nítido valor focal. [19] a. Tocou à minha cunhada, como principal bem de fortuna e fonte de renda, a conhecida fábrica de meias da rua de Santa Engrácia. (1896) b. Ora, daí em diante, começaram a chegar à minha mulher as negras notícias a meu respeito. (1896) Além de se diferenciarem segundo a posição que o sujeito pós-verbal ocupa na estrutura e seu valor discursivo, esses três padrões não estão igualmente presentes no PB do século XIX. À parte a construção VS (cf. [17]), a inversão (seja ela de tipo germânico ou românico) é uma alternativa estrutural pouco comum nos dados. Ao compararmos o quadro identificado para o século XIX com dados do fim do século XX, observamos um decréscimo de ocorrência das construções de inversão verbo-sujeito e predicado-sujeito, o que acentua seu caráter marginal. Os exemplos a seguir ilustram os 3 Além da inversão românica, também nos casos de falsa inversão ou antitópico o sujeito pós-verbal aparece linearmente distante do verbo, conforme mostram [a-b], abaixo. No entanto, aqui ele ocupa uma posição deslocada à direita, em adjunção ao sintagma flexional. A posição de sujeito de Flexão, por sua vez, contém um pronome nulo referencial com o qual o SN deslocado está co-indexado. Não se trata de uma verdadeira inversão, o que fica provado pela naturalidade da construção correspondente com o pronome expresso, sempre possível (cf. [c-d]) (Kato & Tarallo 1989; Kato 1992 e 1993). a. É bem bonita a Quinota! (1891) b. E tem um nariz eloqüente, este rapaz! (1896) c. Ela k é bem bonita, a Quinota k! d. E ele k tem um nariz eloqüente, este rapaz k! 8

9 casos de VSX encontrados nos dados da segunda metade do século XX. Com exceção de [20c], as sentenças soam pouco usuais para o falante do PB moderno, revelando no contexto uma opção marcada com nítidos objetivos discursivos. [20] a. Então irei eu para um campo florido, sorridente e em paz... b. Olha só! Já começa ele a chorar de barriga cheia. c. Calma, está todo mundo olhando. (1973) A construção com sujeito final (VXS) é igualmente pouco comum nesse fim de século. Vamos encontrá-la restrita quase que apenas a sentenças com verbos monoargumentais, em especial verbos copulativos, como nos exemplos abaixo: [21] a. O resfriado tem só uma grama rasteira, é nítida a mudança de aspecto da chapada para o resfriado e do resfriado para a vereda. (1967) b. Não é mais dramático um salto daqui de cima... (1973) Assim sendo, conclui-se que a inversão se limita, no momento atual, essencialmente, às construções inacusativas e copulativas. 3. A correlação entre a expansão do objeto nulo e a perda seletiva do sujeito nulo Em vários de seus estudos, Tarallo 4 enfatiza a relação entre a diminuição de categoria vazia na posição de sujeito e seu aumento na posição do objeto. Como sujeito nulo e objeto nulo não fazem parte do mesmo parâmetro de variação, esse fato intrigou os lingüistas brasileiros. Um trabalho de três das autoras do presente artigo (Cyrino, Duarte e Kato 2000) procurou resolver o enigma e sua proposta de solução é apresentada resumidamente nesta seção. Estudando o uso do pronome pessoal em várias línguas, Cyrino, Duarte e Kato (2000) concluem que a referencialidade tem uma relevância altamente translingüística na pronominalização. Para uma língua que tem uma opção interna para variantes nulas ou 4 Cf, por exemplo, Tarallo

10 não-nulas, um fator forte para a seleção de uma forma ou outra é o estatuto referencial do antecedente. Na hipótese das autoras, argumentos [+N, +humano] estão no extremo mais alto na hierarquia referencial, enquanto não-argumentos estão na posição mais baixa. Com relação aos pronomes, o falante (eu) e o interlocutor (você), sendo inerentemente humanos, primeira e segunda pessoas pronominais, estão no ponto mais alto na hierarquia, e o pronome de terceira pessoa que se refere a uma proposição está na posição mais baixa, com a entidade [-humano] entre os dois. O traço [± específico] interage com todos esses traços: I. Hierarquia Referencial não-argumento proposição [-humano] [+humano] 3 p. 3 p. 2 p. 1 p. -espec. +espec. [-ref] < > [+ref.] O estudo propõe, a partir dessa generalização, a seguinte hipótese: II. Hipótese do Mapeamento Implicacional a. quanto mais referencial, maior a possibilidade de um pronome não-nulo. b. uma variante nula em um ponto específico da escala implica uma variante nula à sua esquerda, na hierarquia referencial. O papel da hierarquia referencial proposta no curso da mudança de sujeitos nulos a pronominais plenos é mostrada no Gráfico 2 abaixo, para os dois séculos passados; o alastramento da mudança, como se pode ver, confirma nossa hipótese: os itens mais referenciais, sujeitos com o traço [+humano], determinado ou arbitrário, foram os primeiros a se tornarem foneticamente substantivos. Finalmente, os sujeitos que se referem a uma entidade não-humana ou a uma proposição são mais resistentes à mudança 5. 5 Excetuando-se referentes proposicionais, podemos dizer que esta hierarquia é mantida na fala. A análise sincrônica de Duarte (1995) revela as seguintes taxas de sujeitos pronominais plenos, de acordo com o traço 10

11 Gráfico 2. Sujeitos plenos e a hierarquia referencial 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% XIX/1 XIX/2 XX/1 XX/2 [+hum] [+arb] [-hum] [prop] O pronome expletivo que está numa posição baixa na hierarquia referencial (tanto o tipo "there" como o tipo "it") ainda são categoricamente nulos no texto escrito examinado 6. Com a perda do clítico de terceira pessoa, o PB adquiriu o objeto nulo referencial e, com o empobrecimento da morfologia de concordância, está perdendo o sujeito nulo referencial. Ainda que cada processo tenha ocorrido independentemente, eles parecem ter sido guiados pela hierarquia referencial em I e o mapeamento implicacional em II. A variação interna e a mudança seriam assim apenas reflexos daquilo que governa a variação entre as línguas (cf Tarallo & Kato 1989). Como o clítico de 3 ª pessoa não está mais no paradigma, objetos anafóricos com antecedentes [+humano] são freqüentemente expressos por pronomes fortes "ele" e "ela", o que mostra que a hierarquia de lexicalização proposta atua de novo, evitando que pronomes altamente referenciais tenham uma expressão nula, como mostrado no Gráfico 3 abaixo, para os últimos três séculos: referencial do antecedente: 68% [+humano], 65% [+arbitrário], 56% [-humano] e 44% [+hum/-espec]. 6 Note-se, entretanto, que na fala já se observam estratégias de preenchimento do expletivo (cf. Duarte 1999), entre as quais se destaca o uso do demonstrativo, como ilustra (i) a seguir: (i) a. Isso era em torno de vinte pessoas. b. Isso já faz muito tempo. 11

12 Gráfico 3. Objetos nulos e a hierarquia referencial 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% XIX/1 XIX/2 XX/1 XX/2 [+hum] [-hum] [prop] Objetos cujo antecedente é [-humano] ou uma proposição são hoje quase que categoricamente nulos. Por outro lado, vimos que os sujeitos que têm o traço [-humano] são resistentes à mudança para pronome pleno (cf. Gráfico 2). Até agora, vimos como a distribuição complementar de pronomes nulos e plenos ocorreu ao longo da hierarquia referencial. A hierarquia de lexicalização não exclui a possibilidade de sujeitos referenciais nulos. O que é excluído é a existência de uma língua com pronomes nulos referenciais e pronomes plenos não-referenciais. Quanto ao objeto, se o input exibe um pronome ou um clítico em posições mais baixas da hierarquia referencial, a criança vai considerá-lo um pronome fraco posicionado ou em um núcleo ou em uma posição argumental, e assumirá que todas as posições mais altas vão igualmente exibir um pronome lexical ou clítico (inglês e PE). Se a língua exibe um objeto nulo para uma entidade referencial, a criança assumirá que todas as posições mais baixas podem ser nulas (PB). Além disso, se um pronome forte está presente, a ele será atribuída uma posição deslocada. 4. A correlação entre a perda de sujeito nulo e sujeito posposto em interrogativas-q. Em um estudo clássico sobre as mudanças no francês antigo, Adams (1987) propõe que seu sujeito nulo foi perdido quando a língua deixou de ser uma língua V2. Por outro lado, 12

13 as propostas sobre o parâmetro do sujeito nulo correlacionam essa propriedade à inversão livre VOS e não a XVSY das línguas V2, tipicamente germânicas. Kato e Duarte (1998) procuram verificar se há efetivamente uma correlação entre a perda do sujeito nulo e o desaparecimento do movimento do verbo para a segunda posição nas interrogativas-q. Os resultados daquele estudo encontram-se resumidos na presente seção. Como atestam os exemplos em [14], na seção 2.3, as interrogativas-q do século XIX e inícios deste século exibem obrigatoriamente o padrão VS. Com o propósito de investigar como essa ordem foi reanalisada como SV, Kato e Duarte (1998) empreendem um reexame dos dados de Duarte (1992) relativos aos dois últimos séculos. A distribuição dos padrões VS encontrados revela que as ocorrências típicas de V2 se limitam a 23% dos dados e se referem (a) a casos de AUX S V, todos com um sujeito pronominal, como em [22]: [22] a. Sim senhor, mas que tenho eu a temer? (1845) b. Aonde teria ela ido? (1918) e (b) a casos em que o sujeito, nominal ou pronominal, é seguido por algum constituinte (VSX), como em [23]: [23] a. O que quer essa mulher comigo? (1845) b. Que te importas tu com o canudo? (1882) A maior parte dos dados porém, apresenta o sujeito em posição final (VS ou VXS). Se o sujeito é um pronome, ainda temos o padrão V2, mas, se é um SN, o que significa mais de metade dos dados, pode-se dizer que se trata de uma estrutura ambígua entre V2 e inversão estilística. Um exame da distribuição dos dados pelos dois últimos séculos revela que as sentenças que exibem um inequívoco padrão V2, já raras a partir dos anos 30, deixam de aparecer na segunda metade deste século. O que chama a atenção é o fato de que no século XIX e inícios do século XX as interrogativas com o sujeito não expresso ilustradas em [24] são muito mais freqüentes do que as com o sujeito expresso, o que é compatível com uma língua positivamente marcada em relação ao parâmetro do sujeito nulo, que era o caso do português brasileiro nesse período: 13

14 [24] a. Com quem tenho o prazer de falar? (1845) b. Mas como soube que eu estava aqui? (1845) c. Para que estudaste tanto, rapaz? (1882) d. Onde se esconderia? (1845) Observe-se que, se o sujeito é nulo, sua posição é invisível e o pronome nulo pode ser imaginado pela criança que adquire a língua como estando antes ou depois do verbo, como mostra [24]d : [24] d. Onde se esconderia? À medida que cresce o preenchimento do sujeito pronominal nas declarativas, em conseqüência da redução de nossos paradigmas flexionais verbais (cf. Duarte 1993), cresce também a preferência pela ordem SV nas interrogativas-q. Assim, enquanto na gramática do adulto a posição do sujeito ainda é abaixo do verbo, ou, em termos lineares, à sua direita, na da criança, que está refixando o parâmetro, ela está à esquerda. Em outras palavras, enquanto uma geração atribui a [24]d a representação [25], a geração seguinte pode estar atribuindo a representação [25] : [25] [ CP Onde [ se esconderia [ (ela) t v ]]] [25] [ CP Onde [ [ (ela) se esconderia ]]] Quanto aos contextos em que o sujeito é um SN, o que se observa é que a ordem VS, antes irrestrita, se não desaparece no final do século XX, limita-se a verbos monoargumentais como em [15]a aqui repetido como [26] : [26] Onde andará a Neiva? Como já foi dito, tais estruturas são ambíguas, podendo ser interpretadas com autênticas V2 (V para COMP) ou como um tipo de deslocamento à direita (inversão estilística). Assim, Kato e Duarte (1998) sugerem, seguindo Kato (1993), ser este um contexto que torna a 14

15 reanálise possível. Enquanto a geração mais velha pode estar atribuindo a [26] acima a estrutura [27], a criança, já num contexto de mudança, pode estar interpretando-a como [27], um caso de deslocamento à direita: [27] [ CP Onde qu [ C andará v [ IP a Neiva t v t qu ]]] [27] [ CP Onde qu [ C [ IP (ela i ) andará t qu ] a Neiva i ]] Se a estrutura é [27], o sujeito pós-verbal pode ser um pronome e a mesma gramática que o produz contém sentenças como [22-23]; se a estrutura é [27], o pronome pós-verbal é impossível, como revelam os dados do português brasileiro contemporâneo. Em resumo, as estruturas com um sujeito nominal do século XIX são ou casos de V2 ou casos de deslocamento com o pronome resumptivo sempre nulo, consoante o princípio Evite Pronome. Quando se comparam os resultados obtidos para o aumento de sujeitos pronominais preenchidos e de ocorrência de VS em interrogativas-q, com base no mesmo corpus, podese dizer que os dois fenômenos são paralelos. Observe-se o gráfico 4: 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Gráfico 4: Sujeitos Plenos vs Sujeitos Nulos Ordem SV vs Ordem VS em Interrogativas-Q 20% 3% 23% 16% 25% 14% 57% 46% 77% 50% 95% 67% 87% 73% Sujeitos Plenos Ordem SV O período de tempo foi o primeiro grupo de fatores selecionado pelo programa de regra 15

16 variável VARBRUL para ambos os fenômenos analisados e o exame dos pesos relativos obtidos para cada período mostra que a pressão sobre o preenchimento do sujeito precede a pressão sobre a ordem SV. Observem-se os pesos relativos na tabela a seguir: Período Sujeito Pleno Ordem SV Tabela 1. Sujeitos pronominais plenos e ordem SV em interrogativas-q 5. A correlação entre sujeito nulo e inversão livre, ou românica Na seção anterior, ficou clara a relação entre sujeito nulo e XVOS, mais do que com XVSO. O que nunca ficou muito claro na teoria é por que a propriedade de sujeito nulo vem associada com a de inversão livre, ou românica. Nesta seção iremos apresentar a teoria sobre sujeito nulo e inversão proposta em Kato (1999 e 2000a), que mostra como essas propriedades podem ser derivadas de uma mesma propriedade. Para Kato (1999) o que ocorreu no PB em comparação ao português clássico e ao PE se deve ao fato de nossa língua ter perdido o caráter pronominal de seu afixo de concordância e, como conseqüência, este aparecer afixado ao verbo desde o léxico, não podendo ser inserido como um elemento independente, pronominal, na posição de argumento, conforme a análise minimalista em Chomsky (1995). O argumento pronominal de um verbo pode ser um pronome livre como I no inglês, um clítico como je do francês e um afixo de concordância como -o do espanhol. Somente o pronome livre exige que o Spec de TP seja projetado para a checagem dos traços-d de T. O clítico e o afixo se adjungem ao T e checam igualmente os traços de T nessa posição, não exigindo a projeção do Spec de T. Quando aparece um pronome, este é o pronome forte, que corresponde aos pronomes fortes como o me no inglês e o moi do francês, ocupando, como estes, a posição deslocada. O caso dos pronomes fortes e dos elementos deslocados é o caso default : acusativo no inglês, o oblíquo no francês e nominativo no espanhol e em outras línguas românicas, incluindo o português (PB e PE) 7. 7 Kato mostra que o caso default é aquele que se manifesta no contexto de predicativo enquanto Caso 16

17 [28] a. Me [ TP I like beer] b. Moi[ TP j aime la bière]. c. Yo [ TP am-o la cerveza ]. A análise de Kato elimina pro como categoria descritiva. O sujeito é a própria concordância, que pode desempenhar a função de resumptivo quando o pronome forte está presente. Notese que a posição do pronome forte é a dos DPs deslocados como em: [29] a. John, [ TP he likes beer]. b. Jean [ TP il aime la bière]. c. Juan [ TP ama- la cerveza]. Lembrando que movimentos só são possíveis com núcleos e projeções máximas, fica claro que somente com o espanhol podemos obter a ordem VOS, movimentando-se o TP por cima do DP "Juan" 8. Com o inglês e o francês obtemos uma construção de deslocamento à direita: [30] a. [ TP he likes beer] John. b. [ TP il aime la bière] Jean. c. [ TP ama- la cerveza ] Juan. O movimento do V+O no inglês e no francês é agramatical porque teríamos que mover T, uma projeção não-máxima. Kato propõe ainda que o paradigma de concordância do PB foi substituído pelo paradigma de pronomes fracos livres quase homófonos com os pronomes fortes, e os afixos deixam de ter autonomia, aparecendo já afixados ao verbo desde o léxico. Requer-se, então, que pronomes livres ou sintagmas apareçam na derivação para checar o nominativo e os traços de T. O padrão VOS deixa de ser possível uma vez que o Spec de T aparece preenchido como no inglês. Movendo TP, o que se obtém é uma estrutura de deslocamento à direita. estrutural é requerido por argumentos. (i) It is me. (ii) C est moi. (iii) Soy yo. 8 Esse movimento é considerado prosódico por Zubizarreta (1998). Ele ocorre para conciliar o traço [+F] (= foco ) de um constituinte com o lugar do acento nuclear. 17

18 [31] a. O João [ TP ele comeu a torta] b. [ TP ele comeu a torta] o João. Já no PE não temos pronomes fracos, que podem ocorrer dentro de TP. Quando o pronome ou um DP aparece, ele é externo. Daí ser possível a ordem VOS, que resulta do movimento de TP. [32] a. O João [ TP come-u a torta] b. [ TP Come-u a torta] o João. No exemplo abaixo, enquanto o pronome eles é um pronome forte no PE, no PB eles é também um pronome fraco, admitindo ser duplicado com um pronome forte quasi-homófono (cf. Duarte 1995 e Britto 1998): [33] a. Eles [ TP cantam ] PE b. [ TP Cantam eles] PE [34] a. Eles, [ TP eles cantam]. PB b. [ TP Eles cantam ]. PB O movimento do TP nas inversões livres de línguas de sujeito nulo é prosodicamente motivado, para conciliar o traço [+F] de um constituinte com o lugar do acento nuclear na sentença.(zubizarreta 1998, cf. nota 8). Segundo a autora, esse tipo de movimento é sensível a peso, postulação que será usada na correlação a ser estudada na seção seguinte. 6. A correlação entre perda de clíticos e a restrição de monoargumentalidade na ordem VS Os estudos empíricos de Andrade Berlinck (1989, 1995 e 2000) e Kato et alii (1996) atestam que o único tipo de verbo ainda produtivo na ordem VS no PB é o inacusativo, que parece aceitar essa ordem de forma irrestrita: 18

19 [35] a. Chegou o trem. b.?telefonou o cliente 9. c. *Assinou uma carta o chefe do departamento. d. **Enviou uma carta a todos o presidente da associação. A situação atual resulta de um processo de mudança por que passou o PB ao longo de pelo menos dois séculos. Andrade Berlinck mostra que construções como as exemplificadas em [35c-d] eram possíveis e relativamente comuns na língua utilizada em terras brasileiras no século XVIII, tornando-se residuais nos dados mais recentes. O gráfico 5 ilustra esse percurso. Gráfico 5: Posição do sujeito em orações declarativas 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% XVIII/1 XVIII/2 XIX/1 XIX/2 XX/1 XX/2 SV VSX VXS Por outro lado, as construções inacusativas com SN posposto mantiveram um padrão de uso bastante regular nesse mesmo intervalo de tempo, como mostra o gráfico 6. 9 Embora os dados mostrem apenas uma ocorrência residual de VS com verbos inergativos, o falante não a rejeita como os padrões VOS. 19

20 Gráfico 6: Freqüência de VS no PB. 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 40% 33% 30% 30% 29% 26% XVIII/1 XVIII/2 XIX/1 XIX/2 XX/1 XX/2 VS Estudando o comportamento da inversão no PB, Kato e Tarallo (1988) deram à generalização descritiva encontrada nos estudos anteriores o rótulo de restrição de monoargumentalidade. Nesta seção tentaremos verificar de que forma a perda dos clíticos pode estar relacionada à perda da inversão. Vimos na seção anterior que o movimento-p que produz a ordem VOS é sensível a peso. Essa restrição no PB parece ser mais radical do que nas demais línguas românicas. Podemos sugerir que isso se deve ao fato de o PB ter perdido seu clítico de terceira pessoa, que abrange hoje a segunda e a terceira pessoas do discurso. Como o clítico de primeira pessoa ainda é preservado, esperaríamos que com ele tivéssemos a possibilidade de inversão. E de fato é possível termos [36]a, mas não [36]b e c: o primeiro porque o clítico de terceira pessoa desapareceu e o segundo porque o TP com um DP pleno como objeto é excessivamente pesado para a aplicação do movimento-p. [36] a. Me surpreendeu o filme. b * O surpreendeu o filme. c. * Surpreendeu meu filho o filme. O clítico dativo diferencia te de lhe, este último caindo em desuso na região centro-leste do Brasil. Temos então o seguinte contraste: 20

21 [37] a. Me telefonou o Pedro. b. Te telefonou a Maria? c. * Lhe telefonou o Pedro. d.??telefonou pra mim o Pedro. e.??telefonou pra Maria o Pedro. Já o PE conta com o paradigma de clíticos plenos e conta ainda com a ênclise, o que vai permitir uma possibilidade generalizada de inversão: [38] a. Surpreendeu-me o filme. b. Surpreendeu-o o filme. c.?surpreendeu o meu filho o filme. (Ao meu filho surpreendeu o filme) 10 [39] a. Telefonou-me o Pedro. b. Telefonou-te a Maria? c. Telefonou-lhe o Pedro. d.?telefonou ao Pedro a Maria. (Ao Pedro telefonou a Maria) Veremos, a seguir, como os dados quantitativos da perda da inversão e da perda do clítico podem ser relacionados. O gráfico 7 apresenta os percentuais de freqüência da ordem VOS com verbos transitivos diretos nos corpora analisados, do início do século XVIII ao fim do século XX. A curva decrescente formada por esses índices reproduz os resultados gerais já apresentados no gráfico 5, embora se observe aqui percentuais de ocorrência de VOS em geral mais baixos. 10 As construções do tipo V2, produtivas no PE, parecem ser um recurso para evitar excesso de peso no movimento-p. 21

22 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% Gráfico 7: VOS em orações declarativas com verbos transitivos diretos 13% 7% 4% XVIII/1 XVIII/2 XIX/1 XIX/2 XX/1 XX/2 2% 2% 1% Segundo a idéia de que o movimento que gera VOS é sensível a peso, deveríamos esperar que essa ordem ocorresse com mais freqüência quando o complemento do verbo se realizasse como um pronome clítico ou como um objeto nulo. De fato é o que se constata quando os resultados apresentados acima são reanalisados segundo essas distinções, como nos mostra o gráfico 8: VOS Gráfico 8: VOS segundo a forma do objeto direto 35% 30% 25% 31% 24% 20% 15% 10% 5% 0% 17% 13% 11% 5% 5% 5% 4% 4% 2% 1% 0% 2% 0% 0% XVIII/1 XVIII/2 XIX/1 XIX/2 XX/1 XX/2 objeto nulo pronome clítico DP pleno 7. Conclusões Os estudos de mudança aqui relatados e as correlações feitas sobre elas deixam claro que o PB se caracteriza, após 500 anos de descoberta, com uma gramática própria, bem distante das demais línguas românicas de sujeito nulo. 22

23 Roberts (1993) interpretou as mudanças ocorridas no PB como paralelas às que ocorreram no francês antigo, língua de sujeito nulo. Analisando as ainda produtivas inversões inacusativas e existenciais, Kato (2000b) mostra que tais inversões se distanciam do padrão italiano e português europeu e se aproximam mais das inversões do francês. Outros estudos mostram o PB como uma língua orientada para o discurso (Pontes 1987, Galves 1993, Negrão 1999). Como essas duas tendências podem ser conciliadas em um único sistema? Há muito ainda a se pesquisar no milênio que se inicia, mas podemos dizer que muito se descobriu no final deste que passou. Referências ADAMS, Marianne. (1987). Old French, Null Subjects and Verb-second Phenomena. UCLA: PHD Dissertation. ANDRADE BERLINCK, Rosane de (1989) A construção V SN no português do Brasil: uma visão diacrônica do fenômeno da ordem. In F. Tarallo (org.) Fotografias Sociolingüísticas. Campinas,SP: Pontes, Editora da UNICAMP (1995) La position du sujet en portugais: étude diachronique des variétés brésilienne et européenne. Tese de Doutorado, Katholieke Universiteit Leuven, Leuven, Bélgica.. (2000) Brazilian Portuguese VS Order: a diachronic analysis. In M.A.Kato & E.V.Negrão (orgs) BRITTO, Helena de Souza (1998) Deslocamento à Esquerda, Resumptivo sujeito, Ordem SV e a Codificação Sintática de Juízos Categórico e Tético no Português do Brasil. Tese de Doutorado, UNICAMP, Campinas, SP. CALABRESE, Andrea. (1986). Pronomina: some properties of the Italian pronominal system. In N. Fukui, T. Rapoport & E. Sagey (eds.) MIT Working Papers in Linguistics, CHOMSKY, Noam. (1981) Lectures on Government and Binding.Dordrecht: Foris.. (1995) The Minimalist Program. Cambridge, Mass: The MIT Press. CYRINO, Sônia M.L. (1993) Observações sobre a mudança diacrônica no português do Brasil: objeto nulo e clíticos. In I.Roberts & M.A.Kato (orgs) :

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