PATENTE COMO FONTE DE INFORMAÇÃO PARA A ÁREA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO: um estudo de caso

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1 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA ELISÂNGELA DE MOURA PATENTE COMO FONTE DE INFORMAÇÃO PARA A ÁREA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO: um estudo de caso CAMPINAS 2008

2 ELISÂNGELA DE MOURA PATENTE COMO FONTE DE INFORMAÇÃO PARA A ÁREA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO: um estudo de caso Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como exigência para obtenção do Título de Bacharel em Biblioteconomia, ao curso de Biblioteconomia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Orientadora: Profª Drª Vera Sílvia Marão Beraquet. PUC CAMPINAS 2008

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4 Pontifícia Universidade Católica de Campinas Centro de Ciências Sociais Aplicadas Faculdade de Biblioteconomia BANCA EXAMINADORA Orientadora Profª. Drª. Vera Sílvia Marão Beraquet 1º Examinador Profª. Drª. Mariângela Pisoni Zanaga 2º Examinador Bibliotecária Valdinéa Sonia Petinari Campinas, 01 de dezembro de 2008.

5 Dedico! Aos que confiaram em mim, que tiveram paciência e compreensão nos dias em que estive ausente para concluir este trabalho. E à minha família que sempre acredita no meu sucesso.

6 AGRADECIMENTOS trabalho. Agradeço primeiramente a Deus, por me guiar sempre e poder concluir este Ao meu pai Joaquim pelos ensinamentos, pela honestidade, a minha mãe Maria pela paciência durante esta jornada de 4 anos, principalmente pelo incentivo moral para atingir os resultados profissionais, acadêmicos e pessoais. Às minhas irmãs pela troca de experiências, aos sobrinhos pelas ausências, mas mesmo assim sempre carinhosos. Ao Cido, pelos ensinamentos durante o tempo que esteve presente, e que sempre estará em nossas vidas, pelos incentivos morais, financeiros e pela alegria de sempre. Aos colegas de classe sem exceção, pela parceria. Aos amigos conquistados nesse período: Cássia, Athais, Rosimeire, Fernanda, Paula, Sueli, Silvia e Antônia, que durante esses 4 anos proporcionaram muitas alegrias, experiências, conhecimentos, que levarei pra sempre. Aos profissionais do Centro de Engenharia Biomédica da Unicamp, pela experiência de vida durante 3 anos, pelas trocas de conhecimentos, e também pela confiança depositada. Aos professores Carlos Corrêa, Mariângela Pisoni Zanaga, Leonardo, Renata Ciol, César Pereira que sempre me motivaram a ir além daquilo que era proposto. A professora Vera Beraquet, pelos ensinamentos, oportunidades, cobranças e pela orientação. Obrigada pela confiança.

7 "A ciência está destinada a desempenhar um papel cada vez mais preponderante na produção industrial. E as nações que deixarem de entender essa lição hão inevitavelmente de ser relegadas à posição de nações escravas: cortadoras de lenha e carregadoras de água para os povos mais esclarecidos". Lord Rutherford

8 RESUMO MOURA, Elisângela de. Patente como fonte de informação para a área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico: um estudo de caso f. Monografia (Graduação) Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Curso de Biblioteconomia, Campinas, Estudo sobre o conhecimento e uso da patente como fonte de informação por parte dos pesquisadores da área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, nos quais são vinculados a uma Agência de Propriedade Intelectual de uma universidade paulista. Como objetivos específicos: verificou a utilização do documento de patente; identificou onde são recuperados esses documentos; analisou quais as dificuldades e preferências de acesso a essa fonte, por fim, identificou se existe o conhecimento e reconhecimento da função da patente como fonte de informação. Como método, aplicou-se questionário semi-estruturado com 22 questões relacionadas ao uso e conhecimento da fonte de patente, nos quais foram respondidos 8, tornando-se uma pesquisa de pequeno porte. Concluiu-se a maior parte dos pesquisadores conhece e utiliza a patente como fonte de informação no desenvolvimento de seus produtos e serviços, percebeu-se que existe o reconhecimento da patente como fonte de informação tecnológica como propulsora de novos conhecimentos e a cultura de uso dessa fonte, no âmbito da universidade foi praticada. Diante desses levantamentos, como conseqüência, foram ainda percebidas as razões que podem estar impedindo o uso da informação contida nas patentes. Palavras-chave: Patente. Fonte de informação. Informação tecnológica. Universidade.

9 ABSTRACT MOURA, Elisângela de. Patent as a source of information for the area of research and technological development: a case study. Campinas Monograph (Undergraduate) - Library Science, Applied Social Sciences Center, Pontifical Catholic University of Campinas Study on the knowledge and use of the patent as a source of information by researchers from research and technological development area, in which are linked to an Intellectual Property Agency of São Paulo University. Specific objectives: found the use of the patent document; identified where these documents are recovered; which examined the difficulties preferences and access to this source, finally, if there is identified the knowledge and recognition of the function of the patent as an information source. As a method was applied semi-structured questionnaire with 22 questions related to the use and knowledge of the source of patent, in which 8 were answered, making it a small research. Concluded most researchers know and use patents as a source of information in developing their eservices products, it was noticed that there is a recognition of the patent as a source of technological information as a driver of new knowledge and to use this source of culture within the university was committed. Given these surveys, as a consequence, were still perceived the reasons that may be preventing the use of information contained in patents. Keywords: Patent. Source of information. Technological information. University.

10 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Formação acadêmica dos sujeitos Quadro 2 - Visão quanto a função da patente Quadro 3 - Opinião sobre as condições do país em gerar tecnologias, ampliar o número de patentes registradas e transferir informações e conhecimentos... 40

11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Graduação dos pesquisadores Tabela 2 - Última atualização dos sujeitos em nível de formação acadêmica Tabela 3 - Número de patentes depositadas Tabela 4 - Área de aplicação da patente Tabela 5 - Motivo do depósito da patente Tabela 6 - Uso da fonte de patente para gerar novos conhecimentos Tabela 7 - Uso do documento de patente como fonte de informação Tabela 8 - Uso de bases de dados de P.I. para acessar o documento de patente Tabela 9 - Frequência de uso das bases de dados de P. I Tabela 10 - Fontes consultadas para acessar o documento de patente Tabela 11 - Fontes consultadas para obter o documento de patente Tabela 12 - Opinião quanto a estrutura do documento de patente Tabela 13 - Dificuldades enfrentadas na busca ao documento de patente Tabela 14 - Preferências de formatos na recuperação de informações sobre patentes Tabela 15 - Visão quanto à função da patente Tabela 16 - Forma de uso da fonte de patente Tabela 17 - Tabela 18 - Tabela 19 - Tabela 20 - Conhecimento e uso das bases de dados disponível na instituição em que trabalha Como teve conhecimento das bases de dados de Patentes de sua instituição Percepções durante a busca nas bases de dados de patentes da universidade na qual trabalha Nível de conhecimento quanto as informações e serviços disponibilizados sobre 38 patentes disponibilizados no INPI... Tabela 21 - Fontes de informações mais utilizadas... 39

12 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS P&D I.T. C&T INPI CEDIN DIDOC DIINTEC PROFINT TCIs C&E PINTEC CT&I Pesquisa e Desenvolvimento Informação Tecnológica Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Propriedade Intelectual Centro de Documentação e Informação Tecnológica Divisão de Documentação Divisão de Informação Tecnológica Programa de Fornecimento e Informação Tecnológica Tecnologias de Informação e Comunicação Cientistas e Engenheiros Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica Ciência, Tecnologia e Inovação ANPEI CPqD P.I Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Propriedade Intelectual

13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Fonte de informação Informação tecnológica Sistema Nacional de Propriedade Intelectual Patente como fonte de informação REVISÃO DE LITERATURA MÉTODO Caracterização da Instituição Sujeitos e coleta de dados Procedimentos TABULAÇÃO DOS DADOS... 5 DISCUSSÃO... 6 CONCLUSÃO... 7 REFERÊNCIAS APÊNDICES... 58

14 3 1 INTRODUÇÃO A realização desse trabalho justifica-se pelo atual cenário mundial, onde a tecnologia é potencial no desenvolvimento de uma nação. Reforçou-se pelo fato de Campinas estar inserida no Pólo de Alta Tecnologia da região. Pesquisar este tema representou um desafio tanto ao fato de adquirir conhecimento aprofundado na área, quanto para ter contato com os profissionais da área pesquisada. Além de a temática ser bem diferenciada na Biblioteconomia. O estudo que se apresenta possui como panorama a questão de identificar se os pesquisadores reconhecem a patente como fonte de informação inclusive se utiliza essa fonte para o desenvolvimento de seus produtos e serviços tecnológicos. Sabe-se que a tecnologia é o mais relevante instrumento de desenvolvimento da economia atual, ela dá autonomia para os países tornarem-se sustentáveis gerando produtos e serviços para a sociedade. Entende-se por tecnologia a técnica que emprega conhecimento científico, onde os conhecimentos que foram utilizados para gerar a máquina, o processo, a planta industrial permitem sua absorção, adaptação, transferência e difusão. (JANNUZZI; MONTALLI, 2004). A condição atual de um país depende do conjunto de descobertas, aperfeiçoamentos e esforços das gerações anteriores. Pilat (2005, p. 13) afirma que o avanço tecnológico proporciona novos métodos de produção, aumento da produtividade, geração de riquezas e melhoria da qualidade de vida da população. Nesse contexto, a capacidade de inovar ganha importância preponderante na definição de quem vai prosperar ou sucumbir. O valor dos produtos e serviços depende cada vez mais da quantidade de inovação, tecnologia e inteligência neles incorporada. (BRASIL INOVADOR, 2006) A informação tem hoje, nas indústrias papel fundamental para a área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). O tipo de informação que permeia aspectos relativos à produção de conhecimento tecnológico é a Informação Tecnológica (I. T.). Ela pode ser entendida como aquela que trata da informação necessária,

15 4 utilizada e gerada, nos procedimentos de aquisição, inovação e transferência de tecnologia, nos procedimentos de metrologia, certificação de qualidade, normalização e processos de produção. (MONTALLI; CAMPELLO, 1996) O documento de patente vem cada vez mais sendo utilizado como valiosa fonte de I.T. Contribui muito para isso o fato de as patentes serem documentos uniformizados. Existem diversos códigos, adotados internacionalmente, que facilitam a recuperação de informações de interesse para empresas ou pesquisadores. (BORJA, 2005) Essa fonte de informação é o principal indicativo de desenvolvimento tecnológico, produzido pela ciência traduzida em tecnologia, recurso fundamental para competitividade em função das inovações tecnológicas que pode alavancar. É responsável pelo desenvolvimento dos países, pois gera competitividade das empresas, sendo um agente de riqueza econômica. (SANTOS; DIAS, 1996) A patente é formada por conhecimentos técnicos, sendo um instrumento legal destinado a proteger a invenção aplicável a indústria, durante um prazo de tempo definido, contra cópias e quaisquer outros usos não autorizados pelo seu possuidor de modo a permitir-lhe a exploração rentável dessa nova idéia. (FRANÇA, 2000, p. 153). O amparo jurídico da patente tem como função estimular e promover por meio do uso da informação de patente o desenvolvimento técnico, científico e industrial. (SANTOS; DIAS, 1996). Este estudo tem como escopo as informações geradas no ambiente de inovação tecnológica e a riqueza da informação de patentes, tendo como objetivo geral analisar o conhecimento e uso da patente como fonte de informação por parte dos pesquisadores doutores vinculados a uma Agência de P.I de uma universidade paulista. A pesquisa teve como objetivos específicos de verificar se há utilização do documento de patente; identificar onde são recuperados esses documentos; identificar as dificuldades e preferências de acesso a essa fonte, por fim, analisar se existe o conhecimento e reconhecimento da função da patente como fonte de informação.

16 5 Para isso, foram aplicados questionários aos 51 pesquisadores vinculados a Agência de Propriedade Intelectual, visando identificar a relevância atribuída à fonte de patente, descrevendo as possíveis dificuldades encontradas pelos pesquisadores na obtenção e uso da patente como fonte de informação. Este estudo foi desenvolvido numa agência de Propriedade Intelectual situada numa universidade estadual paulista. Esta agência possui uma estrutura direcionada ao desenvolvimento e proteção de novas tecnologias, com a finalidade de resguardar a propriedade intelectual das tecnologias, marcas, produtos, ou processos eventualmente desenvolvidos na universidade. A agência auxilia os pesquisadores nos procedimentos de registro de propriedade intelectual das invenções, nos processos de licenciamento das inovações, na redação e no depósito de patente, no registro de software, na identificação de produtos ou processos patenteáveis e licenciáveis. A escolha do local se deu pelo fato de as atividades de pesquisa científica e tecnológica no Brasil serem desenvolvidas em sua grande parte no universo acadêmico. No país a quase totalidade da atividade de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ocorre em ambiente acadêmico ou instituições governamentais e não na indústria. (CRUZ, 1999) As universidades empreenderam grandes esforços para construção da capacitação própria para o fomento de novas tecnologias. As estruturas organizacionais criadas pelas universidades são capazes de atender as novas demandas tecnológicas, e assim estão consolidando agências de inovação tecnológica, que promovem a área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico no universo acadêmico. No âmbito da Biblioteconomia, esta pesquisa pretende disseminar esse tipo de fonte de informação, inclusive os resultados visam promover a atuação do bibliotecário em centros de pesquisa científica e tecnológica, atuando como mediador para acesso a informações tecnológicas de qualidade.

17 6 Diante do quadro apresentado, partiu-se das questões: Os pesquisadores conhecem e utilizam a patente como fonte de informação durante o desenvolvimento de seus produtos e serviços? A informação contida nos documentos de patentes, provoca um questionamento relevante quanto ao uso e motivo aos quais os pesquisadores fazem ou não o uso desta informação tecnológica. Diante desses levantamentos, como conseqüência, foram ainda percebidas as razões que podem estar impedindo algumas empresas de utilizarem a informação contida nas patentes, como ferramenta no desenvolvimento de novos produtos. O desenvolvimento deste trabalho teve como ponto principal, a realização de um estudo exploratório no que tange em atrair, auxiliar e divulgar os resultados aos profissionais da área, pesquisadores, agências e aos órgãos do sistema de propriedade intelectual quanto ao uso e conhecimento de patentes como fonte de informação tecnológica. Desta forma, analisar os fatores positivos e negativos e ter um referencial para evolução da melhoria contínua da disponibilização dessa fonte, promovendo o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Assim, estimular e promover maiores discussões sobre o assunto, no seu uso de forma qualitativa, que pode significar maior competitividade para o país, geração de empregos e renda para a sociedade. O capítulo 1 está dividido em subtópicos, no qual abrange os seguintes conceitos básicos: Fontes de Informação; Informação Tecnológica; Sistema Nacional de Propriedade Intelectual e por último a Patente como fonte de informação. No capítulo 2, trata do levantamento da literatura científica pertinente, com trabalhos relacionados a patente como fonte de informação. No capítulo 3 apresenta-se o método utilizado, caracterizando a instituição e os sujeitos da pesquisa, bem como os procedimentos e os instrumentos para coleta de dados. No capítulo 4, encontrase a tabulação dos dados, com tabelas e quadros, mostrando todos os dados da pesquisa. O capítulo 5 trata da discussão dos principais dados apresentados. O capítulo 6 apresenta as conclusões e sugestões sobre o uso e conhecimento da patente como fonte de informação tecnológica.

18 7 1.1 Fontes de informação O interesse pelo conhecimento sempre fez parte da história da humanidade e com o resultado da revolução social, econômica e tecnológica, o desejo de se compreender suas formas de aquisição se reforçaram. O interesse pelas informações disponíveis também se estenderam, pois por meio dela que se pode alcançar mais resultados, isso porque sua busca amplia a bagagem de conhecimentos. Castro (2006) afirma que a produção do conhecimento ocorre no indivíduo, fruto da informação recebida. Assim sendo, para que a informação seja recebida, assimilada e gerada em conhecimento, esta informação deve estar disponível em alguma fonte de informação. Cunha (2001) apud Borja (2005, p. 26) citou que as fontes de informação cientítica e tecnológica possuem várias características em comum: a) Formato: aparecem em diferentes formatos, incluindo periódicos, relatórios técnicos, manuais e patentes. Alguns, como as patentes, são mais comuns nas áreas tecnológicas; b) Universalidade: cientistas e engenheiros, dispersos pelas várias regiões do globo, utilizam em seus trabalhos as mesmas fórmulas, tabelas e medidas. Essa característica faz com que a metodologia e os resultados de determinada pesquisa sejam compreendidos por especialistas de todos os países; c) Acumulação de conhecimentos: diferentemente de outras disciplinas, a ciência e tecnologia são construídas com informações coletadas ao longo do tempo; assim, o cientista ou engenheiro não precisa reinventar uma informação básica que já se encontra disponível nas diversas fontes de informação. (CUNHA, 2001 apud BORJA, 2005, p. 26) Dentre as fontes de informações citadas acima, o Manual de Oslo traz definições e orientações metodológicas para coleta e análise de informações para a área de inovação tecnológica. Dentre as fontes de informações citadas, apontou a patente como fonte de informação propulsora para inovação. Essas fontes de informação desenvolvem capacidades de absorção de conhecimentos, o que pode se tornar uma poderosa ferramenta para o crescimento econômico. Isto porque, as fontes de informação são documentos provenientes das

19 8 atividades de pesquisa, nas quais são definidas em três tipos. Como fonte primária, contém informações originais ou novas interpretações de fatos ou idéias já conhecidas, nos quais têm interferência direta do autor da pesquisa. Neste caso, estão inseridos relatórios técnicos, artigos de periódicos, trabalhos apresentados em congressos, teses e dissertações, patentes e outros. As fontes secundárias visam facilitar o uso e consulta de determinada informação que estão dispersas nas fontes primárias. Neste caso, estão incluídas as enciclopédias, dicionários, manuais, dentre outros. As fontes terciárias também denominadas como obras de referências, são aquelas que remetem e guiam o usuário para as fontes primárias e secundárias, neste incluem bibliografias, catálogos, bases de dados entre outros. A principal finalidade da obra de referência é facilitar a localização da informação que se procura. (SISTEMAS DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP 1 ) Para se alcançar o sucesso na P&D, Cunha (2001) apud Borja (2005, p. 26) afirma que o uso regular e efetivo das fontes apropriadas, impressas e eletrônicas, é a chave para se alcançar este sucesso, como também sucesso em quaisquer atividades ligadas à ciência e tecnologia. Percebe-se que a fonte de informação tecnológica para a área de P&D é fator determinante para o progresso tecnológico. Para que isto aconteça, elas devem ser coletadas e disponibilizadas em fontes acessíveis, além de ser em divulgadas para o uso efetivo da comunidade de pesquisadores, visando melhoria no progresso científico e tecnológico do país. 1.2 Informação Tecnológica Dos diferentes tipos de informações geradas pela sociedade, destaca-se a informação tecnológica, devido ao seu importante papel no desenvolvimento de uma nação. O conhecimento produzido neste ambiente é denominado informação tecnológica, no qual trata da informação necessária, utilizada e da informação 1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS; SISTEMAS DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP. Programa de capacitação de usuários em informação científica: módulo 1 fontes de informação. Campinas: UNICAMP, 2005.

20 9 gerada nos procedimentos de aquisição, inovação e transferência de tecnologia, aplicados nos processos de produção. (MONTALLI; CAMPELLO, 1996). Este tipo de informação é utilizada como fonte necessária para produção do conhecimento científico, e é definida como todo tipo de conhecimento sobre tecnologias de processo, de produto e de produção, que favoreça a melhoria contínua da qualidade e a inovação do setor produtivo. (ALVARES, 1998 apud MOURA, 2005, p. 5) Castro (2006) afirma que ela é diferenciada pelo seu importante papel no desenvolvimento de uma nação, sendo responsável, por exemplo, pela inovação e, consequentemente, pela competitividade das empresas, agentes de riqueza econômica de um país. Com a renovação constante de produtos e serviços fez a informação atrelada com área de Ciência e Tecnologia (C&T) tornar-se um recurso primordial nos processos inovativos. Isto fez com que todos os olhares voltassem para esse setor, criando um processo contínuo de inovação, que se estendeu até os dias atuais. Castro (2006) afirma que a informação produzida pela ciência traduzida em tecnologia é recurso fundamental para a competitividade em função da inovação que pode alavancar. Para o autor, o processo de criar o novo, de inovar, depende inequivocamente de quanta informação se dispõe e o processo de produção e captação de informação para geração de novos conhecimentos para aplicação em novos produtos e processos é recurso estratégico para uma nação. A inovação tecnológica assumiu um grande papel frente ao desenvolvimento econômico, político e social das nações. Isto porque a inovação segundo Viotti (2001) apud Pereira (2005, p. 35) [...] é a chave para o crescimento, competitividade, e o desenvolvimento de empresas, indústrias regiões e países. Também tem importância fundamental na determinação do estilo de desenvolvimento das regiões ou nações e na forma como afeta no presente, e afetará no futuro, a qualidade de vida da população em geral e de seus segmentos.

21 10 A atual preocupação dos países em se manterem sustentáveis e independentes, deve-se ao fator econômico e para que este desejo seja efetivado, o desenvolvimento científico e tecnológico é essencial. A tecnologia é o mais relevante instrumento de desenvolvimento da economia atual, ela dá autonomia para os países tornarem-se sustentáveis gerando produtos e serviços para a sociedade. Pilat (2005, p. 13) afirma que o avanço tecnológico proporciona novos métodos de produção, aumento da produtividade, geração de riquezas e melhoria da qualidade de vida da população. No campo da pesquisa e desenvolvimento, a produção renovada do conhecimento é fator primordial para o desenvolvimento tecnológico. A informação tecnológica é o insumo básico na produção do conhecimento, ela que serve como base e é indispensável no desenvolvimento de novas tecnologias. Os autores Sanchez e Paula (2001, p. 42) afirmam que a sobrevivência da informação tecnológica obriga o setor de ciência e tecnologia, à renovação contínua dos processos tecnológicos para manter a competitividade. A relevância da área científica e tecnológica se reforçou após a II Guerra Mundial, quando os países desenvolvidos investiram abundantemente na produção contínua de novos produtos e serviços para nação de forma a manter o desenvolvimento sustentável. (PEREIRA, 2005) No Brasil e no mundo existem políticas na área tecnológica e científica, que são denominadas Ciência e Tecnologia (C&T) e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A área de C&T no país é considerada bem mais ampla do que a categoria de P&D, mas a excede. Atribui-se à categoria P&D as atividades criativas relativas à C&T: o investimento para criar conhecimento e tecnologia pertence à categoria P&D e também à categoria C&T, enquanto que o investimento para comprar tecnologia pronta pertence à categoria C&T. (CRUZ, 1999). Pode-se inferir que a informação tecnológica serve, acima de tudo, para fomentar a indústria e servir como ferramenta maior no progresso de inovação tecnológica para o avanço da ciência e da indústria. (BORJA, 2005)

22 Sistema Nacional de Propriedade Intelectual Neste contexto de conhecimento, informação e tecnologia, a propriedade industrial se constituiu como instrumento de proteção à tecnologia que é desenvolvida, evitando que seja apropriada indevidamente. O Sistema Internacional de Propriedade Intelectual é um conjunto de leis e tratados que tem como objetivo de proteger todos os ativos intangíveis da indústria, representada por valores voláteis, tais como a tecnologia utilizada, a marca como proteção de um produto, dentre outros. (FRANÇA, 2000) O sistema de Propriedade Intelectual teve seus princípios básicos estabelecidos na Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial. No Brasil, a Lei 9.279/1996, que trata da propriedade industrial, estabelece também o que pode e não pode ser patenteável, pois a patente deve representar uma invenção e deve ter aplicação industrial. Os objetivos do sistema patentário visam em primeiro lugar, de recompensar o inventor de uma novidade técnica que tenha necessariamente uma aplicação industrial. Isto é feito através da concessão do estado para a exploração da invenção por um prazo determinado. O segundo refere-se a plena e universal divulgação das inovações tecnológicas geradas pelas invenções, de forma a possibilitar seu uso no benefício geral da humanidade, desenvolvendo as artes e a indústria. (FRANÇA, 2000) O órgão responsável pela concessão de patentes e registro de marcas no Brasil é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que é autarquia ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com sede no Rio de Janeiro, criado pela Lei 5.648/1970. O Instituto foi criado no dia 11 de dezembro de 1970, pela Lei n.º em uma época marcada pelo esforço de industrialização do país, o INPI pautava sua atuação por uma postura cartorial que se limitava à concessão de marcas e patentes e pelo controle da importação de novas tecnologias. (FRANÇA, 2000)

23 12 Hoje, com a modernização do país, o INPI concentra esforços para utilizar o sistema de propriedade industrial não somente em sua função de proteção intelectual. Todo o trabalho de reestruturação, empreendido, sobretudo a partir de 2004, tem como objetivo utilizar este sistema como instrumento de capacitação e competitividade, condições fundamentais para alavancar o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. A reestruturação atendeu à necessidade de modernizar tanto os processos administrativos quanto as áreas fins, em especial as relacionadas às marcas e patentes. Os novos rumos da administração podem ser representados também pela criação, em 2004, da Ouvidoria e da Diretoria de Articulação e Informação Tecnológica. Os dois órgãos passaram a fortalecer os elos do Instituto com a sociedade, facilitando o acesso às informações tecnológicas disponíveis no INPI e disseminando a cultura da propriedade intelectual. (INPI, 2008) No que se refere à cooperação institucional, o INPI procura consolidar seus laços com as principais instituições do Sistema Nacional de Inovação - associações empresariais, federações, universidades, agências de desenvolvimento. Com a Confederação Nacional da Indústria, o INPI busca a efetiva participação das empresas brasileiras nos programas de capacitação relacionados à propriedade intelectual. Voltada à micro e pequenas empresas, a parceria com o Sebrae tem se mostrado o melhor caminho para o incentivo às produções locais. (INPI, 2008) O setor responsável pelos documentos de patentes no INPI é o Centro de Documentação e Informação Tecnológica (CEDIN) que é encarregado de proporcionar os serviços e programas para facilitar o acesso a informação especializada, sendo sua estrutura composta pela Divisão de Documentação (DIDOC) e pela Divisão de Informação Tecnológica (DINTEC). (INPI, 2008) O CEDIN administra um acervo extraordinário de informações sobre o desenvolvimento de tecnologias para as quais se requer a patente. No acervo, o banco de patentes possui mais de 25 milhões de referências de documentos de patentes, originados dos principais países industrializados, alem da documentação brasileira. Seus serviços permitem acesso a diversas fontes de informação no exterior, ampliando capacidade de pesquisa, com economia de recursos. O centro

24 13 presta informações para empresas, pesquisadores e áreas de governo sobre o desenvolvimento de tecnologias para as quais se requer a patente. (FRANÇA, 2000) O instituto tem se posicionado de forma atuante no país e criou programas eficientes e de alto padrão para o uso da informação tecnológica, um dos programas é o Programa de Fornecimento Automático de Informação Tecnológica (PROFINT). Este programa trata da informação seletiva da informação tecnológica, contida nos documentos de patente nacionais e estrangeiros. Uma das normas criadas referiu-se a padronização do documento de patente, sendo como exigência para sua concessão as seguintes partes: folha de rosto onde contém dados bibliográficos essenciais, tais como nome do inventor, título da invenção; relatório descritivo descrição pormenorizada do invento, o problema a ser resolvido e como resolvê-lo, contendo esquemas, diagramas, desenhos; reivindicações delimitam aquilo que vai ser protegido; resumo da patente descrição sucinta do invento. Além disso, tomando providências quanto ao acesso e uso da fonte de informação de patentes foram criados bancos de dados informatizados de patentes, de forma que a informação contida dentro do documento de patente seja recuperada, analisada e disseminada para os pesquisadores. Desta forma, o INPI promove o progresso de técnica por dois motivos: porque constitui-se como um incentivo e proteção ao investimento realizado, e segundo por motivar concorrentes a buscarem alternativas tecnológicas na disputa pelo mercado. Criando assim novos investimentos na área de P&D. 1.4 Patente como fonte de informação A importância dada a informação, as fontes e recursos de informação disponíveis atualmente não nos faz pensar que antigamente o homem produzia algum tipo de conhecimento (material, escultural, pinturas, etc) sem acesso aos estoques de informação. As atividades inventivas, como forma de lazer, ou para melhoria da qualidade de vida eram expressões do conhecimento. Isto porque na Idade Média os homens começaram a preocupar-se em registrar suas obras, principalmente os artesãos que formaram suas corporações de ofício, que

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