PROJETO TECNOLOGIAS ALTERNATIVAS

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1 PROJETO TECNOLOGIAS ALTERNATIVAS Centra to Pa"- 2 9 ABR 1986 _SETOR DE DQCUM ^çao Boletim do Projeto TA ANO II N 9 3 jan/fev/março

2 ÍNDICE Debate Significação Político-Social da Tecnologia Alternativa Centros de T.A. Os CTAs no Nordeste Reunião da Coordenação do Centro do RS Cursos sobre T.A. Curso do CET no Chile Proposta de Cursos em T.A Correspondência As eleições e o Projeto T.A Experiências em T.A. Associação de Máquina da Macalli dois Projeto Cantareira Projeto Terra de Educar A Caatinga Nordestina Encontros Estaduais de T.A. Relatório do 19 Encontro Estadual de Agricultura Alternativa no R.G.S 19 Encontro de Tecnologias Alternativas do Estado do Ceará Noticias rápidas Seminários Seminário do Mirade sobre Política de Assentamentos da Reforma Agrária Organização e participação dos Beneficiários da Reforma Agrária.. Grupo de trabalho da Embrapa sobre Agricultura Alternativa Agricultura Brasileira e Francesa em debate O Projeto São Vicente / PROJETO TECNOLOGIAS ALTERNATIVAS 3 Boletim do Projeto TA «NO II II' 3 Jan/fev/março Coordenação do Projeto: Jean Marc von der Weid Sílvio Gomes de Almeida Paulo Marcos de Barros NE Luiz Fernando Fleck Sul Responsável pelo Boletim: Lourdes Maria Grzybowski Edição de arte: Gerardo Hanna Arte: Marcelo Riani Marques Fotos: Lourdes Maria Grzybowski

3 DEBATE Acampamento de Marmeleiro, Paraná. Foto de Henri Poizazt, 1985 No número anterior do Boletim do Projeto T.A., Nelson Giordano Delgado escreveu um artigo enfatizando o caráter irreversível do modelo atual, imposto pela dinâmica do setor industrial quer a indústria de insumos, num primeiro momento, quer a de transformação, atualmente. E propõe um duplo movimento que vise otimizar as potencialidades do "saber popular" gerado pela prática empírica dos produtores, mas também busque socializar as vantagens das tecnologias de ponta (engenharia genética, notadamente). Continuando o "Debate", trazemos a opinião de Manuel Baltazar Batista da Costa.* * Manoel Baltasar Baptista da Costa é técnico do IAPAR Instituto Agronômico do Paraní a Assessor do Gabinete da Secretaria de Agricultura do Paraná.

4 SIGNIFICAÇÃO POLÍTICO-SOCIAL DA TECNOLOGIA ALTERNATIVA Teoricamente, a tecnologia se constitui em um bem criado, que deve contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, e conseqüentemente, para a promoção do desenvolvimento econòmico-social das nações. Existem distintas alternativas tecnológicas para a superação de um mesmo problema, qualquer que seja seu âmbito ou origem, e a definição da alternativa mais adequada deve-se dar à luz de uma série de variáveis objetivas e subjetivas, de ordem econômica, financeira, política, social, cultural e ambiental. Os benefícios efetivamente alcançados por determinada alteração tecnológica em um dado sistema de produção serão diretamente proporcionais à compatibilidade e coerência da alternativa proposta com a realidade que se deseja modificar, segundo objetivos de distintas ordens. Isso porque a tecnologia pode influir na determinação da forma, tipo e escala de produção, em sua produtividade física e financeira, na proporção e intensidade de uso de fatores de produção, na geração, distribuição e apropriação da renda gerada no processo produtivo, dentre outros determinantes; a tecnologia pode, em última instância, ser entendida como um dos agentes indutores das relações sociais de produção. No plano concreto, contudo, a evolução tecnológica nem sempre obedece aos critérios da lógica e da racionalidade, uma vez que sua definição nas sociedades capitalistas se dá precipuamente no âmbito dos grupos econômicos e classes sociais hegemônicas destas sociedades, para quem o luvro, e não os reais requerimentos econômicos-sociais da po pulação, se constitui no único parâmetro de decisão. Os determinantes do progresso técnico extrapolam, inclusive, as instâncias de decisão de política interna dos povos e nações, uma vez que a tecnologia se constitui em um dos instrumentos fundamentais, utilizados pelos países desenvolvidos, para a manutenção dos esquemas de subordinação econômica das nações periféricas aos seus interesses. A alteração do modelo tecnológico agrícola brasileiro, gestada no pós-guerra e iniciada nos anos 50, é uma prova concreta e bastante ilustrativa deste esquema de atrelamento, exemplo esse que pode ser extrapolado a quase todos os setores da economia. Como o fim da segunda guerra mundial e indícios do fim da guerra da Coréia, as indústrias internacionais produtores de equipamentos mecânicos e produtores petroquímicos acusavam um grande excedente e ociosidade de produção, e careciam de novos mercados para a colocação desse excedente. O Brasil, por sua vez, estava com sua produção agrícola estagnada.

5 com uma significativa extensão de terras agriculturáveis inaproveitadas, com um elevado contingente de mão-de-obra carente de emprego e renda, conjuntura essa que redundou na grande pressão popular da época em prol da reforma agrária. 0 capital internacional, visualizando a agricultura brasileira como um mercado potencial para a colocação de seus excedentes, alia-se àquela parcela da burguesia nacional interessada na industrialização do Pafs e aos grandes latifundiários, temerosos de perder seu poder polftico e econômico com a reforma agrária, e este bloco é quem vai determinar a política de modernização da agricultura. ^ - r 1 s/s i 'íiiiirimiiiifitririiitiiiifr* PlantaçâTo de Soja, Rio Grande do Sul, 1984 A modernização se contrapunha à reforma agrária e introduzia no Pafs os fertilizantes químicos industriais, os agrotóxicos, a mecanização automotiva e as sementes híbridas, essas altamente dependentes daqueles insumos para viabilizar seu potencial produtivo. Tratava-se de um modelo tecnológico poupador de terra e mão-deobra e demandador de capital e petróleo, completamente inadequado à disponibilidade dos fatores de produção a nível nacional. A tecnologia agroquímica possuía ainda o agravante de ter sido gerada para as regiões temperadas e frias, cujas características físicoambientais são totalmente distintas de nossa realidade tropical e subtropical, além de sua manifesta contradição de ordem político-cultural. Mesmo assim as estruturas oficiais são reorientadas para o fomento, assistência técnica, ensino e pesquisa do "novo" modelo. Os recursos da poupança interna são carreados para financiar a implantação, no País, das indústrias multinacionais produtoras dos insumos "modernos" e equipamentos mecânicos; e a garantia de colocação dessa produção junto ao setor produtivo é assegurada pela política de crédito rural com juros subsidiados. É nesse contexto que, entende-se, deve ser analisada a tecnologia

6 alternativa, conquanto ser uma opção concreta, exeqüível e viável, que se apresenta principalmente aos pafses do terceiro mundo, para a superação dos esquemas de jugo estabelecidos pelo capital transnacional a nível mundial, em seu contínuo processo de acumulação e reprodução. Em todas as suas vertentes, onde observam-se algumas nuances de ordem conceituai e/ou objetivas, as tecnologias alternativas buscam, basicamente: 0 atendimento dos requerimentos econòmicos-sociais de forma igualitária, tendo como agente central o indivíduo, entendido como o indutor e beneficiário do processo de desenvolvimento. A observância da realidade concreta que circunscreve o indivíduo e sua comunidade, a utilização racional dos recursos e fatores disponíveis localmente e o aproveitamento do potencial humano individual e coletivo na busca de sua independência e auto-suficiência. A descentralização das estruturas e instâncias de poder político e econômico, o respeito às diversidades étnicas, culturais, regionais, etc, e o fomento de processos participativos, associativos e autogestionários nos distintos segmentos sociais. Na área agrícola, por exemplo, a proposta da Agricultura Alternativa pressupõe o resgate dos sistemas de produção autóctones, desenvolvidos pelos agricultores para as diferentes realidades, e a utilização do instrumental técnico-científico em seu contínuo aperfeiçoamento, O agricultor deve se constituir no agente central do processo, e a pro priedade rural a unidade básica de ação. A agricultura é entendida como uma atividade biológica, que deve estar compatibilizada com a utilização autosustentada dos recursos naturais, e sob este enfoque devem ser priorizados os processos biológicos vegetativos, em substituição às técnicas químico-mecânicas induzidas pelo capital. O enfoque sistêmico e abrangente da tecnologia alternativa na agricultura supera a ótica reducionista do modelo atual, uma vez que se constitui objeto de sua análise e ação, além das questões de ordem tecnológica, aquelas de âmbito político, social, econômico, cultural, ecológico, etc. A consolidação da tecnologia alternativa na agricultura redundará em sua maior intependência e autonomia em relação ao exterior e ao grande capital monopolista multinacional, na viabilização das pequenas propriedades, em uma melhor distribuição das terras e demais meios de produção, na melhoria qualitativa e quantitativa da produção de alimentos e fibras para consumo interno, na descentralização do poder político e econômico dada a maior autonomia dos agricultores e suas organizações, e no desenvolvimento de modos de produção na agricultura compatíveis com as máximas ecológicas e autosustentáveis a médio e longo prazo.

7 CENTROS DE T.A. OS CTAs DO NORDESTE Reunião dos Acampados de Ronda Alta, RS, 1983 Os Centros de Tecnologia Alternativa encontram-se, no Nordeste, atravessando diferenciadas fa^es de sua implantação. Provavelmente o Centro de Feira de Santana é o que está num estágio mais avançado, em função de ter se localizado em área onde já existia boa parte da infra-estrutura necessária. Parte dos recursos para o seu funcionamento já foi liberada pelo PRODECOR (Minagri), esperando-se, para breve, o restante dos recursos, que deverá vir de fonte externa (MISEREOR e/ou CEBEMO). Em Feira de Santana, atualmen- te, dois problemas se apresentam como preocupantes: um deles é a dificuldade de montar integralmente a equipe técnica que se encarregará da parte mais importante do trabalho do Centro; outro se localiza no relacionamento inter-institucional entre as entidades co-participantes do projeto e o PTA da FASE. As divergências se situam no plano da polftica salarial para os quadros do CTA, na participação da equipe técnica com direito a voz (não voto) no Conselho do do CTA, na participação da FASE- PTA no Conselho, nas discussões

8 que toquem as orientações técnicas do trabalho, no orçamento do CTA no que tange os gastos com infra-estruturas. Infelizmente, o período em que a Sílvia Picchioni* emprestou sua eficiente colaboração às organizações do Centro, foi muito curto e sua volta parece depender de muitas negociações, envolvendo muitos interlocutores. Em compensação, o Isaac Almeida Filho (MOC) tem se desdobrado para, nesses primeiros momentos, dar conta das demandas acumuladas. Nos dias 5, 6 e 7 de março Jean Marc e Paulo Marcos* estarão em Feira de Santana para reuniões com o MOC, SIM, STR de Feira de Santana, STR de Santa Bárbara, CE- DITER e APAEB, principais interessados no trabalho, para a solução e encaminhamento do Centro. Não é preciso mencionar que o estágio dos trabalhos em Feira se deve ao incansável trabalho de Te resa D. de Menezes*, que sem gran des alardes carrega o enorme piano que é o relacionamento inter-institucional em Feira e o trabalho da Rede na Bahia. O Centro Ouricuri, Pernambuco, recebeu o financiamento da NOVIB para sua criação. Muito auspiciosa para Ouricuri parece ser a perspectiva que se vai concretizando na montagem da equipe técnica. Maurício Aroucha* assumirá a coordenação do Centro, juntamente com mais 4 experientes técnicos. Tanto pelo caráter de integração desta equipe * Projeto T.A./NE como pela firme disposição de transformar o Centro no projeto político e científico de suas vidas, só podemos esperar dedicação e êxito no trabalho que começa a ser desenvolvido. Provavelmente, em março, teremos a localização do Centro já definida. Na Paraíba, o trabalho conduzido pelo Eduardo Jordão (assessor do PATAC), só agora começa a ser retomado. Outros contatos (FE- TAG, SEDUP), estabelecidos em João Pessoa e Guarabira, permitem antever um número maior de interessados e aliados no projeto do Centro paraibano. A eventual participação da Diocese de João Pessoa poderá eliminar uma série de problemas logísticos e de infra-estrutura, sendo, por isso, possível esperar um avanço mais rápido do trabalho. No Ceará, para o Centro de Quixeramobim parte dos recursos conseguidos fora do país, através do Church World Service, já está em mãos do ESPLAR. Outros recursos, também externos, do GATE - Ministério de Cooperação RFA, estão virtualmente garantidos, dependendo apenas de aspectos burocráticos. A área de instalação do Centro,originalmente pensada numa propriedade de terceiros, sob forma de cessão, mudou para outra, adquirida especialmente para o Centro, no mesmo município de Quixeramobim. Esse problema vencido, persiste, no Ceará, alguma dificuldade na constituição da equipe do Centro. As pessoas melhor capacitadas para

9 o trabalho estão tendo dificuldades em deslocar-se para morar em Quixeramobim. Outras sondagens têm sido feitas e espera-se encontrar uma solução para o problema a curto prazo. Comum ao planejamento de todos os Centros tem sido a forma diferenciada de como as pessoas ligadas ao projeto a percebem. É de se pensar no quão seria salutar se mais pessoas sobre isto se pronunciassem. Particularmente, no que respeita aos Centros do Nordeste, é de interesse ouvir outros companheiros e repassar para os coordenadores dos Centros as contribuições enviadas. Para aprofundar a discussão e troca de experiências entre as equipes, decidiu-se realizar, em abril, uma reunião dos quadros vinculados aos CTAs, abordando a metodologia de operacionalização dos Centros. Paulo Marcos Souza REUNIÃO DA COORDENAÇÃO DO CENTRO RS Foi realizada a reunião r',o dia 28 de fevereiro, no STR de Sarandi, para o encaminhamento das resoluções tomadas no Encontro Estadual de Tecnologias Alternavias-RS. Estiveram presentes à reunião 8 representantes do Movimento Sindi cal. Assentados, Barrageiros, Sem Terra, Indfgenas e mais 3 técnicos do Projeto T.A. Região Sul. Nesta reunião foram tomadas as seguintes resoluções: 1. Após a avaliação da situação com relação às áreas para implantação do Centro de Tecnologias, optouse por 4 frentes: a) Busca de recursos suplementares para compra de área de 35 ha em Palmeira das Missões, junto com os franciscanos. b) Vistoria de novas áreas na região de Palmeira das Missões para compra. c) Vistoria e gestões para implantação do Centro em 2 áreas no municfpio de Sarandi, pertencente ao Estado e município. d) Ver outras possibilidades com INCRA/RS e Secretaria da Agricultura/RS. 2. Em relação à forma de atuação do Centro, foram levantadas algumas considerações iniciais que pudessem orientar um primeiro projeto a ser eleborado. Verificou-se que deve ser uma área em torno de 40 ha, onde mais ou menos ha seriam destinados à pesquisa e experimentação de técnicas, produtos, etc, e mais ou menos 25 ha reproduziram uma propriedade "básica"da região, atendo-se para os processos e integrações possíveis, e com tentativa de ganhar mais (Cz$) na mesma. Os trabalhos do Centro articula-se-ão com outros semelhantes, sugeridos durante o Encontro Estadual, pertencente à FAPES (Erexim) e ao CAPA (Arroio do Tigre). Estão sendo encaminhados sub-projetos para as respectivas áreas. Além destes, os experimentos e trabalhos devem ser realizados também em propriedades

10 de agriculturoes e áreas de assentados. 0 Centro trabalharia em 3 dimensões articuladas: pesquisa, experimentação (e coleta); difusão (das técnicas) e assessoria aos movimentos e associações e formação. Foi considerada como prioridade a manutenção da rede de articulação para o desenvolvimento dos trabalhos. 3. Em relação ao Conselho Técnico: Optou-se por este ser constitui'- do de entidades de assessoria (CAMP, GEA, CAP, etc.) e pessoas isoladas. Foram listados, neste 19 momento, 8 técnicos e 4 agricultores a serem contados. Esta decisão é preliminar e depende dos contatos feitos e uma nova discussão a respeito. 4. Para a continuidade dos trabalhos deve-se ativar: a procura das áreas para o Centro; a elaboração da proposta de funcionamento do Centro; o levantamento preciso das dificuldades e necessidades dos movimentos e entidades com relação ao Centro. o projeto complementar das áreas da FAPES e CAPA. a continuidade do acompanhamento das experiências e da articulação da rede. término do material do Encontro Estadual. fazer material de apoio à formação (2 audiovisuais): um sobre o microfúndio e outro sobre a horta biológica. os contatos para constituição do Conselho Técnico. Ficou marcada nova reunião da coordenação política para 08/05 em Sarandi/RS para avaliação e reprogramação dos trabalhos. Após esta reunião, em data não prevista ainda, será feito um encontro com o Conselho Técnico.

11 Biodigestor, Verê, PR,

12 ALTERNATIVAS FORTES X MINAS GERAIS wmarg Gadelha, coordenador HnProTeTo Tecnologias Alternadas do Projexo c pufór co com enquanto produtor^po^ o mode- -^^SSentoL- a desenvolver.. lm deles é João Aurélio da S.lva ^ToSidade ^e Passagen..ue Vem utilizando ^7 ^ ^ divino plantio de m.lhosuapr^ regional. Em outras comunidades co m o Gabi r oba, Passagem «Renan^^ C tdmar Gu ariento anuncia Para breve, a criação de mçen^ ^ Documentação ^Tecng^^^ ternat.vas, ^^ole^entsàos peblemas tecnológicos enr 10 % Peq Srp S roie r to d d t rt S ecn A olo% postas do Pr f Federa ção de Or- A,ternat,V Lsitênct Social e Edugãos para Ass^stenc i ^ bem CaC1 S s'conforme os depoimen- pequen0s pequenas granias niias comunitárias ^^^^ para o consumo das propn p ara J^r^.^ed S 0 P str bálkadodente do S.nd.cato dosj r ^ ^ res Rura.s de V '2 0,a o n s de altemat.vas para os a g.c^tores.^.^ significa sua prôpna piu^i-" w i reunião será rea,,za " narticlda ção de tirãoapoli'ticaagr.colaof.c.al. i "PITADO DE MINAS'

13 CURSOS SOBRE T.A. CURSO DO CET NO CHILE No período de 02 a 11 de dezembro de 1985 aconteceu, em Colina, (a 30 km de Santiago), um seminário sobre Agricultura Alternativa e Desenvolvimnto que foi ministrado pela equipe do CET - Centro de Educación y Tecnologia do Chile. A proposta do CET, através desse seminário, onde estavam presentes, pelo menos, um representante de cada pais da América Latina, era de, além das informações básicas e fundamentais sobre os trabalhos do CET no Chile, possibilitar a troca de experiências dos diferentes países ali representados e que viabilizaram, inclusive, a realização de uma análise suscinta das situações historicamente determinadas por condições semelhantes em quase toda a América Latina nas últimas décadas. Na parte de Agricultura Alternativa foram abordados temas como: conservação de solos, preparo de terreno, fertilização, biologia do solo, matéria orgânica, controle de pragas e enfermidades, rotação de culturas, manejo de animais e também transformação e manejo de alimentos. A didática adotada no seminário permitiu que os temas não se restingissem jamais à parte técnica especificamente e manteve as questões político-sociais sempre de maneira coerente dentro do contexto. Os temas de desenvolvimento social que foram abordados trataram de estratégias de subsistência camponesa, técnicas e programas de desenvolvimento, recursos locais aliados ao desenvolvimento campesino e o trabalho do técnico de campo. Três dias foram destinados à pesquisa de campo e ao final aconteceu uma avaliação. Além do CET, em Colina e em Temuco (ao sul do Chile), visitou-se também o CEAAL Consejo de Educación de Adultos de America Latina e o JUNDEP Juventudes para ei Desarrollo y ei Progresso. Foi possível se obter algum material fotográfico, informações sobre equipamentos e ainda a metodologia adotada para divulgar os trabalhos do CET. Atualmente está sendo preparada uma apostila geral sobre o seminário e que deverá conter parte desse material fotográfico juntamentecom as indicações técnicas e complementares necessárias. Sílvia Picchione - Projeto T.A./FASE PROPOSTA DE CURSOS EM T.A. Sílvio Almeida* Luis Fernando Fleck* Ary Frosa (ITC, PR) Manuel Baltazar Batista (APAR) e Reni A. Bernardi (ACARPA), reuniram-se em Curitiba, PR, nos dias 25 e 26 de fevereiro com o objetivo de organizar a proposta para cursos de Tecnologias Alternativas voltadas para a pequena propriedade, para formação de técnicos do Pro- 11

14 jeto T.A. e pessoas ligadas aos movimentos populares. Além disto foi elaborada uma proposta de cursos de formação em T.A. destinadas à preparação, informação e formação na área de T.A. para recém-formados e para estudantes das áreas de agronomia, economia, saúde e técnicos agrícolas. Os cursos de técnicos serão realizados em 4 ou 5 módulos, enfocando os seguintes temas: Situação atual e formação da agricultura brasileira; Pequena propriedade e a questão tecnológica; Princípios de ecologia: Ecossistemas e sistemas de produção agrícola; Manejo do solo; Manejo integrado de doenças; Pragas e invasoras; Criação animal; Engenharia agrícola; Organização social dos pequenos produtores e Questão da comercialização. *Projeto T.A./Nacional Horta Intensiva Familiar - Composteira Fazendinha, Campo Alegre, RJ,

15 CORRESPONDÊNCIA As eleições e o Projeto Tecnologias Alternativas Todos que militamos na proposta de Tecnologia Alternativa para a pequena produção temos também, talvez até decorrentemente, uma militância poirtico-partidária. Em alguns casos esta militância é bem clara e assumida, noutras ela é mal disfarçada e em alguns poucos ela é pouco explicitada. Assim sendo, é certo que desde agora já estamos todos investindo parte importante de nossas energias e de nossas expectativas na campanha eleitoral que se avizinha. é sabido e aceito também, que, embora militando em partidos dife rentes, o perfil dos candidatos pelos quais trabalharemos deverão ter muitos pontos de identidade. Em alguns Estados a escolha de candidatos que assumam nossas preocupações e aspirações talvez não seja fácil; noutros, contido, a dificuldade estará exatamente em definir o melhor. De minha parte, em Recife, imagino que terei esse problema bastante diminutdo em função da perspectiva de Arraes vir a ser candidato a governador do Estado e de existir uma chapa (Euclides, para Federal e Reginaldo, para Estadual) apresentada pela FETAPE. Acredito, porém, que a diversidade de candidatos que iremos apoiar em todo o Brasil poderia passar por um filtro identificador que nós de- vemos assumir a responsabilidade de construir. Quero lançar, através deste boletim, a idéia da elaboração de um programa mínimo baseado fundamentalmente nas preocupações dentro do Projeto TA que os candidatos que apoiássemos deveriam se comprometer em defender. Considerando-se diversidade de nossos interesses, alguém poderia por exemplo, decidir a trabalhar por um candidato cuja plataforma principal fosse o feminismo, ao lado dessa plataforma, porém, deveria mos solicitar do candidato o seu empenho e voto pelo programa que, espero, comece a pintar a partir desse boletim. O que poderia ser esse programa mmimo? Todos poderiam contribuir. Seguramente deveria constar nosso desejo de uma Reforma Agrária autêntica. De igual modo o problema da tecnificação da pequena produção seria outro ponto, a ecologia de uma forma mais abrangente, os agrotóxicos e uma legislação que os discipline melhor, e tantos mais temas que são as nossas lutas em comum. Será que posso aguardar as sugestões? Será que conseguiremos elaborar essa carta de princípios pela qual nossos parlamentares deverão lutar? Acredito que sim. Está lançada a idéia e desde já proponho que mandemos para a Lourdes*as nos- i3

16 sas contribuições. Estas contribuições serão ordenadas e reescritas na forma como deve ser um manifesto polftico: nacional, convicente e com alguma emoção. Paulo Marcos Coordenador Ha Região Nordestedo Projeto T.A. *Proieto T.A./Nacional XII Seminário Rural, Palmada, Ceará 14

17 EXPERIÊNCIAS EM T.A. ASSOCIAÇÃO DE MÁQUINAS DAMACALLI DOIS 1 Histórico As 40 (quarenta) famílias que constituem a chamada Macalli 11 são parte de um todo de mais de duzentas famílias assentadas nas fazendas Macalli e Brilhante, ambas de propriedade do Estado, que estavam arrendadas à família Dalmolin e a uma madeireira do município de Carazinho, no Rio Grande do Sul, até Neste mesmo ano, houve um despejo de aproximadamente duas mil famílias de pequenos agricultores da reserva indígena dos municípios de Nonoai e Planalto. Das duas mil famílias, 50% foram levadas pelo Governo para o projeto de colonização Terra Nova, no Mato Grosso. Outras famílias, aproximadamente 25%, dispersaram-se com parentes, amigos e familiares. Porém, um grupo de aproximadamente quatrocentas famílias não aceitou ser deslocada e decidiu finalmente dividir as duas áreas e assentar os agricultores. Em princípio, formaram-se apenas duas comunidades: uma na fazenda Macalli e outra na Brilhante. Com o passar do tempo, surgiram conflitos ideológicos e de interesses que culminaram com a criação da nova comunidade chamada Macalli Dois. 2 - Características dos Produtores São pequenos proprietários, porém só possuem a carta de anuência fornecida pelo Estado. Cada família possui, em média, 14 ha de terra. Quanto ao sistema de produção, predomina ainda a soja, porém já se deu início à diversificação com milho, que serve para alimentar vacas de leite, animais de tração, suínos, aves e também para o consumo humano. O feijão, arroz, batata, mandioca e outras culturas são cultivadas apenas para subsistência. Entretanto, a soja é a principal fonte de renda até agora. A diversificação surge, basicamente, pelo seu menor custo de produção e por não necessitar de financiamentos para o seu cultivo, o que não acontece com a soja. À medida em que os agricultores vão melhorando sua situação econômica, lentamente afastam-se do sistema financeiro (bancos e cooperativas), pois identificam nas elevadas taxas de juros o principal fator de pauperização dos pequenos agricultores. Nas relações de produção predomina a moto-mecanização para o preparo do solo, plantio e colheita da cultura da soja. Os tratos culturais da soja são feitos todos em mutirão, enquanto que em todas as atividades relacionadas às demais culturas predomina o trabalho familiar (com alguns mutirões). A base técnica primária é oriunda da família. As relações comerciais se eqüivalem entre cooperativas e atravessadores 15

18 3 Características das Propriedades Relevo ondulado, com declivi dade máxima de 20%. Em termos de cobertura vegetal, predominam as culturas anuais em solos de matas que foram completamente devastadas. Solos argilosos, vermelhos, profundos, de alto potencial de produção, de boa fertilidade, com problemas de compactação e acidez. Clima subtropical, com insolação de 357 cal/cm 2 /dia, como média anual. Temperaturas: média da máxima anual = 27,5 0 C e média da mínima anua^ 12,6 0 C. Recursos Hídricos: pequenas sangas e a barragem do rio Passo Fundo, que banha praticamente toda a área. Pluviosidade: em média, mm ano, com pequeno déficit hí- drico durante os meses de dezembro e janeiro. 4 Tecnologia Apropriada Utilizada A partir da criação da Mecalli II, os problemas foram discutidos e, dentre outros, o que mais preocupava eram os altos preços cobrados pelo aluguel de um trator para levantar terraços, fazer subsolagem e até mesmo lavrar e plantar. Nasce, então, a idéia de uma associação de máquinas da qual participam 20 (vinte) famílias; foi comprado um trator com todos seus equipamentos. Os recursos financeiros disponíveis por família eram poucos. Através de um projeto enviado a algumas entidades foi possível pe quena ajuda, sendo o restante fi nanciado junto ao Banco do Brasil por três anos, a juros de 45% ao ano. 16 Hegiâo das Barragens, Erexim, RS, 1983

19 A associação tem uma diretoria administrativa composta pelo Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro. Todos os membros da associação têm partes iguais. No entanto, a participação no pagamento das prestações, despesas de conservação e manutenção é pago proporcional às horas de trabalho prestadas a cada família. Ou seja, é estabelecido um valor por hora de serviço, pago ao caixa da associação, constituindo um fundo para despesas. 0 que sobra é poupado para novos investimentos. As atividades das máquinas nas diferentes propriedades são feitas conforme as culturas, época do plantio das diferentes variedades e por sorteio, quando o período de trabalho é o mesmo para várias famílias. Com o pleno funcionamento da associação, foi conseguido: a) diminuir o custo da produção; b) eliminar a insegurança gerada pela falta de máquina; c) eliminar a exploração que os granjeiros mantinham sobre os pequenos agricultores, através do elevado preço cobrado por hora de serviço de uma máquina; d) preparar o solo e plantar na época certa; e) fortalecer o espírito comunitário, propiciando o ambiente para a introdução de técnicas alternativas como: controle biológico das pragas da soja e adubação orgânica em substituição à química; A adubação orgânica consiste na utilização do estéreo de aviário triturado e colocado na plantadeira por ocasião do plantio. As necessidades de mão-de-obra, nesses casos, são as mesmas requeridas para as atividades convencionais, com tendência à redução. Com relação ao controle biológico, os agricultores necessitam armazenar de um ano para outro o Baculovírus sob congelamento. O problema maior parece estar na adubação orgânica, pois dependem da compra do estéreo em outras regiões distantes. Com as máquinas coletivas diminuíram os custos operacionais com preparo do solo e plantio. Através do controle biológico eliminou-se tudo e qualquer gasto com venenos no combate às pragas da soja, sem entrarmos no mérito da questão saúde. A adubação orgânica exige recursos para sua obtenção, mesmo assim, se comparada à adubação química, continua sendo mais barata. Quanto aos resultados, o aumento da produtividade por hectare em função da sistematização do plantio, adubação orgânica, controle biológico de pragas e do trabalho em mutirões, tem sido observado ano após ano. Além disso, a adubação orgânica tem garantido, principalmente à cultura do milho, uma maior resistência às pequenas estiagens que ocorrem na região. Com a adubação química, ao contrário, aumentariam os efeitos da seca sobre a cultura. A adoção de novas técnicas é lenta devido à resistência que os agricultores, de forma geral, opõem às inovações. A associação de máquinas funciona já há quatro anos, enquanto que /7

20 a adubação orgânica iniciou-se há três anos e o controle biológico há dois anos. 5 Amplitude do Emprego da Tecnologia na Região A associação de máquinas deu origem a mais duas: uma na fazenda Brilhante, que posteriormente faliu, e a segunda na Nova Ronda Alta, que está funcionando muito bem. O controle biológico e a adubação orgânica difundem-se rapidamente a nn/el individual em toda a região. A discussão destas questões tem permitido um aumento do nível de consciência e uma visão crítica sobre o modelo agrícola dominante. Endereço da Associação de Máquinas Macalli II: Caixa Postal Ronda Alta - RS PROJETO CANTAREIRA* Em abril de 1983, os trabalhadores Luís Soares Filho, Juvenal da Silva Pontes, Francisco Soares Moreira e Alexandre Santana da Silva ocuparam uma área às margens do rio Pindaré, de 200 ha - entre os municípios de Santa Luzia e Açailândia (próxima ao km 203, e da BR 222). No primeiro momento de trabalho do Grupo hoje composto por 32 pessoas o objetivo era a melhoria de vida dos associados (trabalhando coletivamente), fazendo a integração dos animais com as plantas, criando abelhas e cabras, introduzindo novas culturas, tipo 18 graviola, caju, abacate, maracujá e pupunha,além da descoberta de novas técnicas com a fabricação de açúcar mascavo. Depois de experimentar essa forma coletiva de organizar produção garantindo a participação dos membros da comunidade no movimento político sindical o Grupo decidiu dividir a experiência com outros trabalhadores da Região. E, de 22 a 25 de junho de 1985 a Associação Cantareira promoveu um ciclo de debates. No temário Realidade Política Brasileira, o Trabalho na Realidade Política, debate sobre a Associação hoje e uma série de atividades de lazer. A Associação Cantareira colocou à disposição de outros trabalhadores a área de trabalho para a realização de encontros, estudos e passeios, contribuindo pela resistência na terra ou para produzir melhor. Marluze Santos Projeto T.A./MA * Artigo compilado do Jornal "Violência na Terra", órgão de divulgação da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos. PROJETO TERRA DE EDUCAR Prefeitura Municipal de Paracambi O Projeto T.A./FASE prestou uma consulta à Prefeitura Municipal de Paracambi durante o final do ano de 1985 e o início de O "Projeto Terra de Educar" é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Paracambi e visa a construção de uma escola que proporciona-

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