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1 EMPREENDEDORISMO WESCLEY RANGEL ROSANY SCARPATI RIGUETTI ADMINISTRAÇÃO GERAL FACULDADE NOVO MILÊNIO RESUMO: O presente artigo vem por meio de referenciais teóricos definir, caracterizar e por meio de citações demonstrar dados estatísticos que comprovem o crescimento do desenvolvimento do empreendedorismo, de modo geral no Brasil. PALAVRA CHAVE: Empreendedorismo. Características. Estatísticas. A origem do termo empreendedorismo possivelmente partiu de um navegador por nome Marco Pólo, que passou a administrar rotas marítimas com visão de lucro e sucesso, enfrentando riscos incalculáveis. Para alguns estudiosos, John Law, conhecido como um empreendedor francês na idade média conseguiu empreender um grande negócio, gerando como resultado o crescimento empresarial, levando a empresa a se tornar uma franquia com formação comercial no Novo Mundo. (HISRICH E PETERS, 2006). No Brasil, o termo empreendedorismo passou a ser utilizado, com grande ênfase, a partir da influência gerada pela criação de cursos na área de administração e da presença do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e da Sociedade Brasileira para a Exportação de Software (SOFTEX). Essas entidades passaram a utilizar práticas como palestras, cursos, investimentos, consultorias e formação de incubadora. Segundo Schumpeter, citado por Dornelas (2001, p.37), o empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais.

2 Nota-se que o empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos, tem uma visão futura da organização, aproveita as oportunidades e correm riscos calculados. Caracteriza-se como alguém disposto a criar novos contextos e formatos organizacionais na sociedade. Kirzner (DORNELAS 2001, p.37), o empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente. Portanto, se empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, esse equilíbrio quer dizer que não é só ganhar muito dinheiro, ser independente e criar algo novo, tem um custo que muitas pessoas não estão dispostas a pagar, pois ele sabe o valor do seu tempo e procura utiliza-lo de maneira que impulsione na busca de seus objetivos. Para Barreto (1998, p.75) Empreendedorismo: Habilidade de criar e constituir algo a partir de muito pouco ou do quase nada. Fundamentalmente, o empreender é um ato criativo. É a concentração de energia no iniciar e continuar um empreendimento. É o desenvolver de uma organização em oposição a observá-la, analisá-la ou descrevê-la. Mas é também a sensibilidade individual para perceber uma oportunidade quando outros enxergam caos, contradição e confusão. É o possuir de competências para descobrir e controlar recursos aplicando-os da forma produtiva. Hisrich e Peters (2006, p.9) afirmam ainda que o empreendedorismo é o processo de criar algo com valor, dedicando o tempo e esforço necessário, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação: a independência econômica e pessoal. De acordo com Santos e Pereira, (1995, p.13), o empreendedor precisa ser ético nos negócios, preocupar-se com a qualidade, buscar e dominar informações,

3 entender os anseios do cliente, preservar o meio ambiente e, para isto, é preciso capacitar-se. Conclui-se que o empreendedor deve ser receptivo a inovação e enxergar a mudança como uma oportunidade, é aquele que possui controle sobre seu negócio e busca ter um entendimento integral de todos os aspectos envolvidos. Venha para a beira, disse ele. Eles responderam: Nós estamos com medo. Venha para a beira, disse ele. Eles vieram. Ele os empurrou... e eles voaram. (Apollinaire) Os estudos científicos que analisam o comportamento empreendedor procuram as proporções dos comportamentos, ações e atitudes que o diferenciem do ser humano normal estruturando características pessoais que orientam aqueles que desejam trabalhar por conta própria. Desde que o empreendedor se tornou conhecido como agente fundamental para agilizar o processo dentro da empresa, bem como propulsor do desenvolvimento econômico, alguns estudos vêm sendo realizados com o objetivo de conhecê-lo melhor, determinar seu perfil, suas motivações e as razões de seu sucesso. Cada pesquisador usando uma lógica e um método estabelecido em seus próprios campos tem auxiliado na identificação das características empreendedoras. Farrel (1993, p. 194) diz que as empresas empreendedoras caracterizam-se por [...] uma febril combinação de urgentes necessidades com a liberdade para se tomarem atitudes a esse respeito a necessidade de inventar ligada à liberdade para agir. Para Farrel (1988) uma das principais características de empreendedorismo a capacidade inovadora, por considerar que é essa a arma que o empreendedor usa para enfrentar seus concorrentes. Para que o empreendedor tenha essa capacidade inovadora continuamente é preciso estar atento ao mercado, tentando responder a novos anseios com

4 inovações ainda melhores que as primeiras. Algo que não seria tão fácil quando se passa a ter que ficar atento também a diversas outras questões. Robbins (2000, p. 129) define [...] espírito empreendedor como um processo pelo qual indivíduos procuram oportunidades, satisfazendo necessidades por meio de inovação, sem levar em conta os recursos que controlam no momento. O espírito empreendedor é, portanto, uma característica distinta, seja de um indivíduo, seja de uma instituição. De acordo com McClelland (1972), a motivação de realização e características comportamentais são os fatores essenciais para o crescimento econômico dos indivíduos e são a explicação para a aparente indiferença de muitos e a sensibilidade de poucos para oportunidades econômicas do ambiente. McCelland (1972) concluiu em suas pesquisas que o empreendedor de sucesso possuía algumas necessidades, a saber: Conjunto de realização, conjunto de planejamento e conjunto de poder, que contemplam a presença de alguns comportamentos e competências para o sucesso empreendedor. As dez mais freqüentes e consagradas são: Persistência Age diante de um obstáculo; Age repetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar um desafio ou superar um obstáculo; Assume responsabilidade pessoal pelo desempenho necessário para atingir metas e objetivos. Estabelecimento de metas Estabelece metas e objetivos que são desafiantes e que têm significado pessoal; Define metas de longo prazo, claras e específicas; Estabelece objetivos de curto prazo, mensuráveis.

5 Exigência de qualidade e eficiência Encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápido ou mais barato; Age de maneira a fazer coisas que satisfazem ou excedem padrões de excelência; Desenvolve ou utiliza procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que o trabalho atenda a padrões de qualidade previamente combinados. Correr riscos calculados Avalia alternativas e calcula riscos deliberadamente; Age para reduzir os riscos ou controlar os resultados; Coloca-se em situações que implicam desafios ou riscos moderados. Busca de informações Dedica-se pessoalmente a obter informações de clientes, fornecedores e concorrentes; Investiga pessoalmente como fabricar um produto ou fornecer um serviço; Consulta especialistas para obter assessoria técnica ou comercial. Planejamento e monitoramento sistemáticos Planeja dividindo tarefas de grande porte em subtarefas com prazos definidos; Revisa seus planos constantemente, levando em conta os resultados obtidos e as mudanças circunstanciais; Mantém registros financeiros e utiliza-os para tomar decisões.

6 Comprometimento Faz sacrifícios pessoais ou despende esforços extraordinários para completar uma tarefa; Colabora com os empregados, colaboradores e parceiros ou se coloca no lugar deles, se necessário, para terminar um trabalho; Esmera-se em manter os clientes satisfeitos e coloca em primeiro lugar a boa vontade em longo prazo, acima do lucro em curto prazo. Independência e autoconfiança Busca autonomia em relação a normas e controles de outros; Mantém seu ponto de vista, mesmo diante da oposição ou de resultados inicialmente desanimadores; Expressa confiança na sua própria capacidade de complementar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio. Persuasão e rede de contatos Utiliza estratégias deliberadas para influenciar ou persuadir os outros; Utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus próprios objetivos; Age para desenvolver e manter relações comerciais. Não se pode garantir que o comportamento empreendedor será decisivo para o sucesso desses empreendedores na condução de seus negócios, porém, podemos antecipadamente dizer e classificar quais características do comportamento empreendedor são importantes neste processo. [...] os empreendedores são pessoas motivadas pela busca da realização pessoal e por isso, procuram agir frente às dificuldades, não ficando satisfeitas em manter o

7 status atual [...] definem novos padrões de serviços, implementam novas organizações, oferecem novos produtos[...] (McClelland, 1972 e Schumpeter, 1959). De acordo com pesquisa desenvolvida em 2008 pelo projeto GEM (Global Entrepreneurship Monitor), maior projeto de pesquisa sobre a atividade empreendedora, o Brasil ocupou a 13º posição no ranking mundial. A Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) brasileira foi de 12%. Isso demonstra que o Brasil continua com uma TEA superior a média dos países observados pela pesquisa, o que significa que o Brasil é um país de alta capacidade empreendedora. GEM (2008) Tal resultado deve-se a estabilidade de algumas variáveis da economia brasileira, tais como: a produção nacional, renda, desemprego, balança de pagamentos, taxas de inflação, política fiscal entre outras. Podemos associar esta estabilidade à participação dos empreendimentos que se encontram em implantação, buscando seu espaço, os chamados nascentes. Segundo o Projeto GEM (2008) Os países considerados mais desenvolvidos obtiveram taxas de empreendedorismo mais baixas que os países do grupo com desenvolvimento relativamente menor. Podemos evidenciar que os motivos pelos quais os países do grupo com desenvolvimento menor as taxas de empreendedorismo são mais altas, devido início de suas atividades para melhorar sua condição de vida ao observar uma oportunidade para empreender ou também quando empreende diante de uma necessidade. Com a grande evolução do termo empreendedorismo, têm crescido o interesse pelo assunto, em uma entrevista publicada pela HSM Management, o neurocientista Gregory Berns revela alguns tipos especiais de pensadores criativos, que ao terem idéias novas, passam pelo medo de tais idéias serem rejeitadas e conseguem vendê-las para os outros, os chamados iconoclastas.

8 Segundo Gregory Berns (2009) Iconoclasta é quem faz o que dizem ser impossível fazer, desafiando e destruindo as idéias estabelecidas de modo geral. Para ele, portanto, todo inovador é essencialmente um iconoclasta. Podemos dizer que os iconoclastas são pessoas que gostam de desafios, que não param diante de situações difíceis, eles buscam a inovação em todo momento, gostam de criar novas formas, por esse motivo Gregory Berns afirma que todo inovador é essencialmente um iconoclasta. Na entrevista, o neurocientista coloca que existem basicamente três barreiras que a mente impõe ao pensamento inovador, a percepção que é o processo pelo qual o cérebro capta o que surge pelos sentidos, a segunda tem relação com a resposta humana ao medo, que age como inibidor da inovação por meio do medo de fracassar, e a terceira envolve as habilidades sociais, o encontro de formas de convencer outras pessoas dos méritos de sua proposta, a chamada persuasão, que requer um bom grau de inteligência social, pois a maioria das pessoas reagirá com resistência a qualquer coisa que seja diferente. De acordo com Gregory Berns (2009) o iconoclasta não vê, literalmente, as coisas de maneira diferente das outras pessoas; mais precisamente, ele percebe as coisas de maneira diferente. Esse é o diferencial dos iconoclastas, eles vêem as mesmas coisas que todos, simplesmente desenvolveram uma capacidade de perceber as coisas de maneira diferente, o que os tornam verdadeiros inovadores. REFERÊNCIAS DORNELAS, José Carlos Assis. EMPREENDEDORISMO: Transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, HISRICH E PETERS, Robert D. & Michel P. EMPREENDEDORISMO. Porto Alegre: Ed. Bookman, 2006.

9 SANTOS & PEREIRA, Heitor Jose. Criando seu próprio negócio: como desenvolver o potencial empreendedor. Brasília: Ed. Sebrae, BARRETO, L. P. Educação para o Empreendedorismo. Salvador: Escola de Administração de Empresa da Universidade Católica de Salvador, GEM Global Entrepreneurship Monitor Empreendedorismo no Brasil, relatório executivo Curitiba Revista HSMMANAGEMENT. Iconoclatas e as três diferenças

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