Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração SFG MANUAL DE FISCALIZAÇÃO DA GERAÇÃO

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1 Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração SFG MANUAL DE FISCALIZAÇÃO DA GERAÇÃO 2004

2 MISSÃO Educar e orientar dos agentes do setor de energia elétrica, prevenindo e, se necessário, punindo as condutas violadoras da lei, visando garantir o atendimento aos requisitos de qualidade, quantidade, adequação e finalidade dos serviços e instalações.

3 SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 5 GLOSSÁRIO 7 APRESENTAÇÃO DO MANUAL 12 CONTEXTUALIZAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO 12 O MANUAL DOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO AS PRINCIPAIS AÇÕES DA FISCALIZAÇÃO MONITORAMENTO DA GERAÇÃO À DISTÂNCIA VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS CONTRATOS DE CONCESSÃO E ATOS DE AUTORIZAÇÃO FISCALIZAÇÃO DE ADEQUAÇÃO ACOMPANHAMENTO DAS CONDIÇÕES DE CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA DIAGNÓSTICO DOS PROCEDIMENTOS DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO ACOMPANHAMENTO DE OBRAS FISCALIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA O PLANEJAMENTO DA ÁREA DE FISCALIZAÇÃO O PLANO PLURIANUAL E A PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA A ELABORAÇÃO DO PLANO DE VISITAS O PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA SEDE O DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS A DESCENTRALIZAÇÃO PLANO DE ATIVIDADES E METAS PAM METAS E PRODUTOS ESPECÍFICOS DO PAM O PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES TERCEIRIZADAS PROCEDIMENTOS GERAIS PARA A FISCALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA O PLANEJAMENTO DA FISCALIZAÇÃO ENVIO DE OFÍCIO AO AGENTE FISCALIZADO DADOS E DOCUMENTOS SOLICITADOS AO AGENTE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NA AGÊNCIA E EM OUTROS AGENTES ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO O PLANEJAMENTO DA VIAGEM RECURSOS DE APOIO EXECUÇÃO DA FISCALIZAÇÃO CONDUTA DA EQUIPE DE FISCALIZAÇÃO APRESENTAÇÃO DA EQUIPE DE FISCALIZAÇÃO APRESENTAÇÃO DO AGENTE CONFIRMAÇÃO DA AGENDA ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO DA USINA A FISCALIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES OU DAS OBRAS REGISTRO FOTOGRÁFICO ENCERRAMENTO DA FISCALIZAÇÃO: REUNIÃO DA EQUIPE ENCERRAMENTO DA FISCALIZAÇÃO: REUNIÃO COM O AGENTE 32

4 3.3 - ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO INTERNO E ORGANIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INTERNOS ELABORAÇÃO E ENCAMINHAMENTO DO RELATÓRIO AO AGENTE ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE DA MANIFESTAÇÃO DO AGENTE CONCLUSÃO DO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS DE FISCALIZAÇÃO DE PROGRAMAS E AGENTES ESPECIAIS CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS CCC AS SUBCONTAS DA CCC A FISCALIZAÇÃO DO REEMBOLSO DE COMBUSTÍVEIS PELA CCC A FISCALIZAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS SUB-ROGADOS NA CCC OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO ONS PROGRAMA DE INCENTIVO ÀS FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA ELÉTRICA PROINFA PROGRAMA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO P&D PROGRAMA PRIORITÁRIO DE TERMELETRICIDADE PPT A CONTRATAÇÃO DO FORNECIMENTO DE GÁS NATURAL USINAS TERMELÉTRICAS EMERGENCIAIS E COMERCIALIZADORA BRASILEIRA DE ENERGIA EMERGENCIAL CBEE UTES EMERGENCIAIS NO SISTEMA ISOLADO 43 ANEXOS 45 ANEXO I CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE GERAÇÃO 46 ANEXO II MODELO DE OFÍCIO DE COMUNICAÇÃO AO AGENTE 47 ANEXO III PROGRAMA DE FISCALIZAÇÃO (ANEXO 1 DO OFÍCIO AO AGENTE) 48 ANEXO IV RELAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS AO AGENTE (ANEXO 2 DO OFÍCIO AO AGENTE) 49 ANEXO V FICHA TÉCNICA CENTRAL COGERADORA 50 ANEXO VI FICHA TÉCNICA CENTRAL GERADORA EOLIOELÉTRICA 51 ANEXO VII FICHA TÉCNICA CENTRAL GERADORA SOLAR FOTOVOLTAICA 52 ANEXO VIII FICHA TÉCNICA (AHE COM POTÊNCIA KW) 53 ANEXO IX FICHA TÉCNICA USINA HIDRELÉTRICA / PCH 54 ANEXO X FICHA TÉCNICA USINA TERMELÉTRICA 55 ANEXO XI MODELO DE RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO 56 ANEXO XII ORGANIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INTERNOS 63 ANEXO XIII MODELO DE TERMO DE NOTIFICAÇÃO TN 65 ANEXO XIV MODELO DE AUTO DE INFRAÇÃO AI 66 ANEXO XV MODELO DE TERMO DE ARQUIVAMENTO TA 67 ANEXO XVI MODELO DE TERMO DE ENCERRAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO PUNITIVO TE 68 ANEXO XVII FLUXOGRAMA DOS PROCEDIMENTOS GERAIS PARA IMPOSIÇÃO DE PENALIDADES AOS AGENTES (RESOLUÇÃO ANEEL Nº 63/2004) 69 ANEXO XVIII LEGISLAÇÃO BÁSICA DO SETOR ELÉTRICO 75 ANEXO XIX EXEMPLOS DE DESCRIÇÃO DE NÃO CONFORMIDADES 82 ANEXO XX QUADRO DE PESSOAL E ORGANOGRAMA FUNCIONAL - SUPERINTENDÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE GERAÇÃO (SFG) 89

5 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACL Ambiente de Contratação Livre ACR Ambiente de Contratação Regulada AHE Aproveitamento Hidrelétrico AI Auto de Infração APE Autoprodutor de Energia Elétrica BIG Banco de Informações de Geração CCEAR Contrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (sucessora do MAE 1 ) CBEE Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial CCC Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCD Contrato de Conexão ao Sistema de Distribuição CCT Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão CDE Conta de Desenvolvimento Energético CGH Central Geradora Hidrelétrica CMSE Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico CNPE Conselho Nacional de Política Energética COG Central Cogeradora de Energia CUSD Contrato de Uso do Sistema de Distribuição CUST Contrato de Uso do Sistema de Transmissão Eletrobrás Centrais Elétricas Brasileiras S.A. EOL Central Geradora Eolioelétrica EPE Empresa de Pesquisa Energética GCE Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (extinta 2 ) LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias LOA Lei Orçamentária Anual MAE Mercado Atacadista de Energia Elétrica (sucedido pela CCEE 1 ) MME Ministério de Minas e Energia ONS Operador Nacional do Sistema Elétrico PAC Plano Anual de Combustíveis PAM Plano de Atividades e Metas PCH Pequena Central Hidrelétrica P&D Pesquisa e Desenvolvimento 1 Lei nº /04, art. 5º. 2 Decreto nº 4.261/02, art. 4º.

6 PIA PIE PMO PPA PPT PROINFA RGR SAF SIN SOL SP SPG TA TE TI TN UBP UHE UTE UTN Produtor Independente Autônomo Produtor Independente de Energia Elétrica Programa Mensal da Operação Plano Plurianual Programa Prioritário de Termeletricidade Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica Reserva Global de Reversão Superintendência de Administração e Finanças (da ANEEL) Sistema Elétrico Interligado Nacional Central Geradora Solar Fotovoltaica Serviço Público Superintendência de Planejamento da Gestão (da ANEEL) Termo de Arquivamento Termo de Encerramento Termo de Intimação Termo de Notificação Uso de Bem Público Usina Hidrelétrica Usina Termelétrica Usina Termonuclear

7 GLOSSÁRIO Visando uniformizar e facilitar o entendimento do usuário, a seguir são apresentadas definições de termos que constam neste manual, os quais são empregados no âmbito da ANEEL, relacionados com as características do parque gerador brasileiro. Agente de geração: agente titular de concessão, permissão ou autorização, outorgada pelo Poder Concedente, para fins de geração de energia elétrica. Agente Registrado: agente proprietário de aproveitamento de potencial hidráulico, igual ou inferior a kw, ou de usina termelétrica de potência igual ou inferior a kw, que está dispensado, por lei 3, de concessão, permissão ou autorização, e que deve apenas comunicar os dados técnicos e características do respectivo empreendimento ao poder concedente. Aproveitamento Hidrelétrico (AHE): empreendimento para exploração de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica 4 ; ou, também, aproveitamento energético de curso d água 5. Auto de Infração (AI): é o termo lavrado pela autoridade responsável pela ação fiscalizatória, para evidência ou comprovação material da infração, nele se indicando a transgressão praticada contra a legislação setorial ou cláusulas contratuais 6. O AI é lavrado nos casos de: comprovação de não conformidade; ausência de manifestação tempestiva do agente ao TN; quando consideradas insatisfatórias as alegações apresentadas pelo agente em sua manifestação; e quando não forem atendidas, no prazo, as determinações da agência 7. O AI é instruído com o TN, salvo na hipótese do embargo de obras e da interdição de instalações, e a respectiva manifestação da notificada, se houver, bem assim com a exposição de motivos da autuação e outros documentos a esta relacionados, sendo uma via remetida ou entregue ao representante legal da autuada, ou ao seu procurador habilitado 8. Autoprodutor de Energia Elétrica (APE): pessoa física ou jurídica ou empresas reunidas em consórcio que recebam concessão ou autorização para produzir energia elétrica destinada ao seu uso exclusivo 9. Central Cogeradora de Energia (COG): usina baseada em processo de produção combinada de calor útil e energia mecânica, geralmente convertida total ou parcialmente em energia elétrica, por meio do processo de geração termelétrica (ver Usina Termelétrica), a partir da energia química disponibilizada por um ou mais combustíveis Lei nº 9.074/95, art. 8º. 4 Constituição Federal 1988, art. 20, 1º. 5 Constituição Federal 1988, art. 21, XII, b. 6 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Ed. Forense, Rio de Janeiro: (p.173). 7 Resolução nº 63/04, arts. 20, 2º. 8 Resolução nº 63/04, arts. 22 a Decreto nº 2.003/96, art. 2º, II. 10 Resolução ANEEL nº 21, art. 3º.

8 Central Geradora Eolioelétrica (EOL): usina que produz energia elétrica com geradores acoplados, por meio de um sistema mecânico de transmissão, a rotores que são acionados pela energia cinética do vento conjuntos chamados de aerogeradores. Central Geradora Hidrelétrica (CGH): aproveitamento de potencial hidráulico de potência igual ou inferior a kw, conforme denominação adotada pela ANEEL 11 em seus documentos e no Banco de Informações de Geração BIG. Central Geradora Solar Fotovoltaica (SOL): usina que, por meio de um sistema fotovoltaico, converte radiação solar diretamente em energia elétrica. Concessionária de serviço público (SP) de geração: agente titular de concessão federal para explorar a prestação de serviço público de geração de energia elétrica 12. Constatação: descrição de procedimento, situação ou fato relevante constatado quando da fiscalização do agente de geração pode ser um ponto notável ou uma não conformidade. Determinação: corresponde a uma ação emanada da agência reguladora e que deve ser cumprida pelo agente, no prazo especificado. Fiscalização emergencial: fiscalização motivada por conflito ou ocorrência grave na exploração do serviço de geração de energia elétrica, que tenha causado ou esteja causando degradação da qualidade e da continuidade desses serviços, ou que tenha ocasionado acidente ou esteja colocando em risco a segurança de pessoas, de instalações ou do meio ambiente. Fiscalização eventual: fiscalização não rotineira, motivada por causas outras que não a emergencial. Fiscalização periódica: fiscalização de rotina, baseada em planejamento de visitas previamente elaborado, onde é verificado, de maneira geral, o atendimento ao contrato de concessão, ou ao ato autorizativo, e à legislação do setor elétrico. Não conformidade: refere-se a um procedimento adotado pelo agente, a um fato consumado por ele, a uma inação ou ação sua em curso que, simultaneamente ou não: não obedeça à legislação 13, 14 do setor elétrico; não atenda ao contrato de concessão 1 ou ato autorizativo 2 ; encontre-se em desacordo com os dispositivos que regulamentam a exploração dos serviços 1, 2 de geração; 11 ANEEL. Guia do empreendedor de pequenas centrais hidrelétricas. Brasília: ANEEL, (p.21). 12 Definição abrangente, que contempla diferentes formas de concessão ao longo da história do Setor Elétrico. Em uma leitura contemporânea mais precisa, conjugando-se a Lei nº 8.987/95, art. 2º, II, com a Lei nº 9.074, art. 1º, V, e Capítulo II, Seção I, poder-se-ia definir concessionária de serviço público de geração como pessoa jurídica ou consórcio de empresas titular de delegação (concessão), feita pelo poder concedente da União, mediante licitação, na modalidade de concorrência, para prestação de serviço público de geração de energia elétrica, para o qual tenha demonstrado capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado. 13 Lei nº 8.987/95, art. 6º, caput. 14 Decreto nº 2.335/97, art. 16, II.

9 não observe às normas técnicas, aos procedimentos ou às instruções adotadas 1, 2 no setor ou, se permitido, pelo próprio agente; traga prejuízo ou represente risco iminente às condições 15 de regularidade, continuidade, eficiência, segurança 16, atualidade e qualidade 4 do fornecimento de energia; traga prejuízo à conservação dos bens e instalações 17, em especial daqueles que possam reverter à União ou que lhe pertençam 18, 19 ; traga prejuízo ou represente risco iminente ao meio ambiente e à sua preservação 20 ; Ao identificar uma não conformidade, é vedada aos agentes da fiscalização a renúncia total ou parcial de seus poderes ou competências, devendo fazê-la constar nos autos do respectivo processo administrativo e adotar as ações necessárias para que o agente fiscalizado proceda ao seu saneamento 21. Pequena Central Hidrelétrica (PCH): aproveitamento de potencial hidráulico de potência instalada superior a kw e igual ou inferior a kw, destinado a produção independente ou autoprodução de energia elétrica, e que atenda aos demais critérios de enquadramento estabelecidos pela ANEEL. Permissionária de serviço público (SP) de geração: agente titular de permissão federal para explorar a prestação de serviço público de geração de energia elétrica. Produtor Independente Autônomo (PIA): o produtor independente tem essa condição quando sua sociedade, não sendo ela própria concessionária de qualquer espécie, não é controlada ou coligada de concessionária de serviço público ou de uso do bem público de geração, transmissão ou distribuição de energia elétrica, nem de seus controladores ou de outra sociedade controlada ou coligada com o controlador comum 22. Produtor Independente de Energia Elétrica (PIE): pessoa jurídica ou empresas reunidas em consórcio que recebam concessão ou autorização do poder concedente, para produzir energia elétrica destinada ao comércio de toda ou parte da energia produzida, por sua conta e risco 23. Recomendação: tem caráter de educação e orientação e corresponde a uma ação ou procedimento que não se enquadra como não conformidade, cujo atendimento pelo agente é apenas desejável do ponto de vista de melhoria de seu processo ou de suas instalações. Pode ser feita pela fiscalização tão-somente quando represente melhoria inquestionável e sempre com base nas melhores práticas consagradas no 15 Lei n 8.987/95, art. 6º, 1º. 16 Decreto nº 2.335/97, art. 16, III. 17 Lei n 8.987/95, art. 6º, 2º 18 Lei nº 9.074/95, art Decreto nº 2.003/96, art Lei nº 8.987/95, art. 29, X. 21 Lei nº 9.784/99, art. 2º, parágrafo único. 22 Lei nº /02, art. 3º, 1º. 23 Lei nº 9.074/95, art. 11, e Decreto nº 2.003/96, art. 2º, I.

10 setor, recomendadas nas normas ou literatura especializada, ou acumuladas na experiência da ação fiscalizatória. Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta: termo que a ANEEL poderá, alternativamente à imposição de penalidade, firmar com a concessionária, permissionária ou autorizada, visando à adequação da conduta irregular às disposições regulamentares e/ou contratuais aplicáveis 24. Termo de Arquivamento (TA): termo expedido pela autoridade responsável pela ação fiscalizatória para dar ciência ao agente notificado de que o TN foi arquivado, quando não comprovada a não conformidade ou sendo consideradas procedentes as alegações deste 25. Além de dados cadastrais do processo e do agente, o TA traz a determinação expressa do arquivamento, bem como as considerações que embasaram este ato administrativo. Termo de Encerramento (TE): registro formal de encerramento do processo para arquivamento, no qual consta o número do processo, a identificação do solicitante, a data e o local do encerramento, com assinatura ou rubrica do responsável aposta sobre o nome e o cargo, digitado ou carimbado 26. É lavrado pela autoridade responsável pela ação fiscalizatória, sendo o original juntado ao final do processo administrativo que tenha sido encerrado e uma via remetida ao respectivo agente interessado, para lhe dar ciência do ato. Além dos dados supracitados, o TE traz a descrição sucinta dos fatos que motivaram o encerramento do processo. Termo de Intimação (TI): termo expedido pela autoridade responsável pela ação fiscalizatória, mediante autorização por Despacho da Diretoria da ANEEL, para cientificar o agente em cujas instalações tenham sido constatadas irregularidades que possam, de per si ou conjuntamente, levar à imposição das penalidades de: suspensão temporária de participação em licitações para obtenção de novas concessões, permissões ou autorizações, ou impedimento de receber autorização para serviços e instalações de energia elétrica; revogação de autorização; intervenção administrativa; e caducidade da concessão ou da permissão. O TI é acompanhado de exposição circunstanciada de motivos e, na hipótese de caducidade de concessão ou permissão, de relatório de comunicação de falhas e transgressões à legislação e ao contrato de concessão ou permissão, com a fixação de prazo para a sua regularização definitiva pelo agente 27. Termo de Notificação (TN): termo enviado pela área de fiscalização da agência, acompanhado do respectivo relatório de fiscalização, ao representante legal do agente fiscalizado ou ao seu procurador habilitado, para conhecimento e, se for o caso, manifestação no prazo regulamentar 28. O relatório trará: os dados básicos da ação fiscalizatória identificação, localização e características básicas do empreendimento fiscalizado, data de execução, nomes dos executores; os objetivos específicos da ação; uma síntese da situação do empreendimento (fatos relevantes que não representem irregularidades); irregularidades constatadas; determinações 24 Resolução ANEEL nº 63/04, art Resolução ANEEL nº 63/04, art. 20, 1º. 26 Portaria ANEEL nº 50/04, art. 3º, XXXII. 27 Resolução ANEEL nº 63/04, arts. 27 a Resolução ANEEL nº 63/04, arts. 18 a 20.

11 e/ou recomendações, caso necessárias; e registro fotográfico, se imprescindível para evidenciar a irregularidade. Usina Hidrelétrica (UHE): aproveitamento de potencial hidráulico de potência instalada maior do que kw. Usina Termelétrica (UTE): usina que produz energia elétrica com geradores acoplados a máquinas térmicas (motores ou turbinas), as quais, por sua vez, obtêm a energia mecânica para movimentá-los a partir da transformação da energia térmica de uma fonte de calor combustão de carvão mineral, óleo combustível, gás natural, resíduos industriais, biomassa, etc. Usina Termonuclear (UTN): usina que produz energia elétrica com geradores acoplados a máquinas térmicas (turbinas), as quais, por sua vez, obtêm a energia mecânica para movimentá-los a partir da transformação da energia térmica resultante de fissão nuclear controlada.

12 APRESENTAÇÃO DO MANUAL Contextualização da Fiscalização A energia elétrica é insumo fundamental para a economia de qualquer país. Não há crescimento econômico ou melhoria das condições sociais sem energia. A responsabilidade de planejar a expansão da geração de energia elétrica é tarefa do Governo Federal, mas a fiscalização da operação e do andamento das obras de novas usinas, a serem inseridas no parque gerador nacional, é atribuição da ANEEL. Essa competência é desempenhada pela Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração SFG, por meio do monitoramento contínuo das usinas em operação e do acompanhamento das obras de empreendimentos concedidos, autorizados ou registrados pelo Poder Concedente. Apesar do pouco tempo de existência, a SFG implantou e promoveu uma profunda mudança nos métodos de fiscalização dos empreendimentos de geração de todo o país. Hoje, pela primeira vez em sua história, o Brasil tem a totalidade de suas usinas geradoras fiscalizadas pelo poder público. Esse trabalho começou em 1998, com o início das atividades da Agência, quando foram cadastradas as usinas geradoras em funcionamento no país, com ênfase nas concessionárias de serviço público. A iniciativa pavimentou o caminho para a consolidação do acompanhamento da operação das usinas já existentes. Após a conclusão do cadastramento das usinas, o foco da fiscalização passou para os autoprodutores e os produtores independentes de energia. A partir de 1999, priorizou-se o acompanhamento da implantação de novas usinas que tiveram suas outorgas expedidas. O objetivo desse trabalho, uma das principais atividades da SFG, é verificar o cumprimento dos cronogramas das obras de novas usinas e atuar, quando necessário, por meio de seu poder de polícia, no sentido de orientar, notificar ou autuar os agentes para que corrijam desvios. Com o auxílio das agências estaduais conveniadas, de consultorias e universidades, a SFG realiza acompanhamento contínuo e rigoroso do andamento das obras de construção de novas geradoras. Hoje, por meio de relatórios mensais disponíveis no sítio da Agência na Internet, a sociedade tem condições de conhecer a situação de cada empreendimento de geração outorgado no país. Esse trabalho funciona como importante instrumento de auxílio ao planejamento setorial, uma vez que permite o conhecimento da real evolução da oferta de energia para atendimento ao mercado. A preocupação da fiscalização da geração não se restringe, no entanto, apenas às usinas que ainda vão entrar em operação. Em 2000, a Agência iniciou uma nova etapa de sua atividade de fiscalização, desenvolvendo o Diagnóstico dos Procedimentos de Operação e Manutenção em Centrais de Geração de Energia Elétrica. Trabalho pioneiro no país. Esse diagnóstico visa constatar as condições físicas e de operação e operação das usinas em funcionamento. Essa tem sido a rotina da área de fiscalização. Aprimorar-se cada vez mais no nível de exigências técnicas sobre a operação e conservação, contribuído assim para a detecção, prevenção e correção de problemas no Sistema Elétrico, levando ao incremento da confiabilidade e disponibilidade energética e ao aperfeiçoamento constante dos procedimentos operacionais e de manutenção das geradoras. 12

13 Nesse contexto, a SFG adotou sete ações principais de fiscalização, como é descrito mais adiante neste manual, estabelecidos e em execução, a saber: monitoramento da geração à distancia; verificação do cumprimento dos contratos de concessão e atos de autorizações; fiscalização de adequação; acompanhamento das condições de conservação e segurança; diagnóstico dos procedimentos de operação e manutenção; acompanhamento de obras; e fiscalização de emergência. O Manual dos Procedimentos de Fiscalização Este Manual apresenta, de maneira sucinta e progressiva, todas as etapas que integram o processo de fiscalização, organizado de tal forma a atender às sete principais ações de fiscalização, descritas no Capítulo 1, as quais foram concebidas no intuito de cumprir as obrigações legais atribuídas à fiscalização dos serviços de geração. Para a fase de planejamento, constante do Capítulo 2, está contemplado desde a inserção da área de fiscalização no Plano Plurianual PPA da agência, que abrange um período de quatro anos, cuja meta principal é o monitoramento de todo o parque gerador, seja à distância ou por meio de visita in loco, até a elaboração do planejamento anual, que inclui o planejamento individual, de cada técnico, em conformidade com as metas de longo prazo do PPA. Esse planejamento contempla, além das atividades específicas de cada técnico na fiscalização de agentes e empreendimentos, aquelas de caráter geral, necessárias ao funcionamento da área, tais como a gestão de contratos de consultoria especializada e do Plano de Atividades e Metas PAM, firmado junto às agências estaduais conveniadas. Para as visitas de fiscalização in loco é apresentado, no Capítulo 3, todo o procedimento para a sua execução, incluindo as fases de planejamento, execução, elaboração do relatório de fiscalização, acompanhamento e análise da manifestação do agente, que traz em seu bojo o acatamento e as ações que serão por ele implementadas no sentido de sanar ou regularizar as constatações listadas no relatório, as quais, ao serem cumpridas, estarão contribuindo para a melhoria das condições de atendimento ao sistema elétrico como um todo e, em última análise, ao consumidor final. Dentro desse procedimento estão inclusas, também, orientações quanto à conduta da equipe de fiscalização frente ao agente fiscalizado, em consonância com os princípios do serviço público e o Código de Ética da Agência. O Capítulo 4 é dedicado aos procedimentos específicos adotados para o acompanhamento e a fiscalização de programas e agentes especiais, tais como a Conta de Consumo de Combustíveis CCC, o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS e o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento P&D. Nos anexos integrantes deste Manual são apresentados modelos de ofício e de fax, rol de documentos básicos a serem solicitados aos agentes, previamente às fiscalizações, e modelos de fichas técnicas para os diferentes tipos de usinas de geração de energia elétrica que integram o parque gerador brasileiro. 13

14 No que diz respeito aos aspectos formais dos processos de fiscalização, nos anexos também são apresentados modelos de Relatório de Fiscalização, de Temo de Notificação TN, de Termo de Arquivamento TA de notificação, de Auto de Infração AI, bem como modelo de Termo de Encerramento TE de Processo Administrativo Punitivo, além de um fluxograma que sintetiza os procedimentos gerais para imposição de penalidades, conforme estabelecido na Resolução ANEEL n 63/2004. Desses anexos, os dois últimos merecem especial destaque por tratarem, respectivamente, do arcabouço legal do Setor Elétrico e da descrição das principais constatações, que são usualmente identificadas nas ações de fiscalização dos serviços de geração. Por fim, vale destacar que o processo de fiscalização tem-se mostrado bastante dinâmico e desafiador, como o próprio universo das agências reguladoras, sublinhando com isso a necessidade da busca contínua da melhoria de métodos e procedimentos empregados nas atuais ações de fiscalização e, também, de subsídios para a concepção de novos tipos de ações no futuro. 14

15 1 - AS PRINCIPAIS AÇÕES DA FISCALIZAÇÃO A ação fiscalizadora da agência reguladora, no que tange à exploração dos serviços de geração de energia elétrica, visa, primordialmente, à educação e orientação dos agentes deste segmento, à prevenção de condutas violadoras da lei e dos contratos e à descentralização de atividades complementares aos Estados, com os propósitos de 29 : instruir os agentes de geração quanto ao cumprimento de suas obrigações contratuais e regulamentares; fazer cumprir os contratos, as normas e os regulamentos da exploração dos serviços e instalações de energia elétrica; garantir o atendimento aos padrões de qualidade, custo, prazo e segurança compatíveis com as necessidades regionais e específicas dos agentes de geração; garantir o atendimento aos requisitos de quantidade, adequação e finalidade dos serviços e instalações de energia elétrica; e subsidiar, com informações e dados necessários, a ação regulatória, visando à modernização do ambiente institucional de atuação da agência reguladora. As ações de fiscalização, no âmbito das atividades realizadas pelos agentes do setor, em conformidade com as normas regulamentares e os respectivos contratos de concessão e atos autorizativos, poderão levar às seguintes penalidades: advertência escrita, por inobservância a determinações da agência reguladora ou de normas legais; multas em valores atualizados, nos casos previstos nos regulamentos ou nos contratos de concessão, ou pela reincidência em fato que tenha gerado advertência escrita; embargo de obras ou interdição das instalações, respectivamente, nos casos de realização de obras ou a posse de instalações, sem a necessária autorização ou concessão ou que ponham em risco a integridade física ou patrimonial de terceiros; suspensão temporária de participação em licitações para obtenção de novas concessões, permissões ou autorizações, bem como de impedimento de contratar com a ANEEL e de receber autorização para serviços e instalações de energia elétrica, em caso de não execução total ou parcial de obrigações definidas em lei, em contrato de concessão ou em ato autorizativo; revogação da autorização, nos termos da legislação vigente ou do ato autorizativo; intervenção administrativa, nos casos previstos em lei, no contrato de concessão, ou em ato autorizativo, em caso de sistemática reincidência em infrações já punidas por multas; e caducidade da concessão ou permissão, na forma da lei e do respectivo contrato. 29 Decreto nº 2.335/97, art

16 Os procedimentos para regular a imposição de penalidades aos agentes delegados de instalações e serviços de energia elétrica, referentes às infrações apuradas, estão estabelecidos na Resolução da ANEEL nº 63, de 12 de maio de 2004, inclusive no que diz respeito à cumulatividade, ao agravo ou atenuação delas. Para fins de organização e planejamento da área de fiscalização dos serviços de geração, essa ação pode ser desdobrada em sete principais, como mostra a Figura 1, as quais são descritas sob cada um dos subtítulos seguintes. Além dessas, poderão existir outras, de caráter permanente ou não, decorrentes de novos tipos de agentes, modalidades de exploração dos serviços de geração e programas setoriais. FISCALIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA MONITORAMENTO DA GERAÇÃO À DISTÂNCIA ACOMPANHAMENTO DE OBRAS DIAGNÓSTICO DOS PROCEDIMENTOS DE OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS CONTRATOS E ATOS AUTORIZATIVOS FISCALIZAÇÃO DE ADEQUAÇÃO ACOMPANHAMENTO DAS CONDIÇÕES DE CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA Figura 1 As sete principais ações da fiscalização dos serviços de geração Monitoramento da Geração à Distância É uma ação conduzida a partir da sede da agência reguladora, que pode ser tanto de caráter periódico quanto eventual ou emergencial, de acordo com sua motivação. No monitoramento à distância dos serviços de geração, para o Sistema Elétrico Interligado Nacional SIN, são utilizados indicadores e outras informações constantes dos relatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS. Para o Sistema Isolado, o monitoramento à distância é feito com base nos relatórios do Grupo Técnico Operacional da Região Norte GTON e naqueles enviados periodicamente para a agência reguladora. Também são usadas, como fonte subsidiária de informações, as matérias veiculadas pela mídia, principalmente pelos veículos de comunicação locais. 16

17 Essas informações são empregadas, dentre outras, com a finalidade de: identificar interrupções ou desativações não autorizadas; detectar repotenciações não autorizadas; tomar conhecimento de ocorrências e problemas pontuais que motivem ações fiscalizatórias específicas; e comprovar a energia efetivamente gerada pelos agentes Verificação do Cumprimento dos Contratos de Concessão e Atos de Autorização É usualmente uma ação de caráter periódico a menos quando decorrente de denúncia ou demanda emergencial, que pode ser conduzida isolada ou conjuntamente com outras ações, e visa verificar o cumprimento dos compromissos estabelecidos nos contratos de concessão. Para verificação do cumprimento desses compromissos são observadas as obrigações: constantes nos editais de licitação da concessão; constantes nos editais de privatização das empresas; estabelecidas nos contratos de concessão e eventuais aditivos, tais como as enumeradas abaixo, com especial atenção para datas e prazos de cumprimento: o condições e níveis de qualidade exigidos para a prestação do serviço; o conservação de bens e instalações; o investimentos em programas de pesquisa e desenvolvimento; e o aumento da capacidade instalada e, conseqüentemente, da oferta de energia ao mercado atendido Fiscalização de Adequação A fiscalização de adequação, quando prevista no plano de visitas da área, é de caráter periódico e tem como principal objetivo o cadastramento e a regularização de usinas geradoras de energia elétrica. Será de caráter eventual quando visa atender demandas de outras superintendências não previstas no plano, tais como: confirmação de dados técnicos para fins de análise de projetos, autorização, registro ou renovação de concessões, cobrança de encargos setoriais; verificação da situação dos empreendimentos (em operação, parcialmente operando, desativados, etc); e obtenção de subsídios para a mediação de conflitos. Nesta ação fiscalizadora são verificados basicamente os seguintes itens, aplicáveis conforme o tipo de usina: potência instalada: conformidade com aquela que consta no contrato de concessão, ato autorizativo ou nos registros da agência; 17

18 legalidade: cumprimento de normas, regulamentos setoriais e, quando aplicáveis, procedimentos de operação do próprio agente; licença ambiental: existência, validade e conformidade com as características do empreendimento e atividades desenvolvidas; e outorga de direito de uso de recursos hídricos: existência, validade e conformidade com as características do empreendimento Acompanhamento das Condições de Conservação e Segurança Esse tipo de acompanhamento visa verificar as condições de conservação e segurança dos bens e instalações das usinas geradoras. É uma ação usualmente de caráter periódico, mas poderá ser eventual ou emergencial conforme sua motivação. A agência reguladora poderá, em conformidade com a legislação, as normas e os contratos de concessão, exigir relatórios ou laudos que atestem as condições de conservação e de segurança (p.ex.: laudo de avaliação das condições de segurança das estruturas civis), bem como deverá fazê-lo sempre que houver indícios do comprometimento dessas condições (p.ex.: fissuras na estruturas civis, danos na isolação de equipamentos elétricos, etc) Diagnóstico dos Procedimentos de Operação e Manutenção Uma vez que deve estar prevista no plano de visitas da área, esta ação possui caráter periódico. O diagnóstico tem como objetivo identificar não conformidades nos procedimentos de operação e manutenção das usinas geradoras, avaliar suas conseqüências, determinar aos agentes medidas corretivas e, quando aplicável, recomendar melhorias em seus processos e instalações, com vistas a garantir as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade e qualidade do fornecimento de energia. Este trabalho visa analisar os procedimentos de operação e manutenção das empresas de geração de energia elétrica no Brasil, de forma clara e objetiva e apontar suas deficiências e potencialidades. Essa metodologia está sistematizada em um manual e formulário específico desenvolvido para aquisição de dados (questionário) e que contém todos os itens a serem analisados. O formulário foi estruturado contemplando oito áreas fundamentais, com desdobramentos diversos, perfazendo um total de até 280 registros relacionados com operação e manutenção. A metodologia aplica-se a usinas hidrelétricas, termelétricas e termonucleares, visando garantir o bom desempenho técnico destas, atuando-se preventivamente no sentido de evitar a ocorrência de falhas e mitigar a indisponibilidade de geração. Este processo, embora restrito às usinas de geração de energia, particularmente voltado para os procedimentos de operação e manutenção, acaba refletindo na melhor utilização dos recursos hídricos e térmicos e produzindo benefícios tanto para os agentes como para o conjunto dos consumidores. Considerando a interdependência operativa de usinas situadas em seqüência de rios, a interconexão dos sistemas de transmissão e a integração da geração e transmissão no atendimento ao mercado, uma exploração coordenada de tais recursos deverá garantir maior disponibilidade e confiabilidade no suprimento da eletricidade com redução de custos para os consumidores. 18

19 1.6 - Acompanhamento de Obras O acompanhamento de obras é uma fiscalização de caráter periódico e tem como principal objetivo verificar e avaliar a evolução das obras de usinas concedidas ou autorizadas, para a tomada de ações por parte da agência reguladora, quando necessário, no sentido de fazer o agente cumprir os compromissos de entrada em operação comercial nas datas previstas no contrato de concessão ou no ato autorizativo. Esse acompanhamento dar-se-á in loco e mediante relatórios periódicos enviados pelo agente. Durante o período de construção, as obras serão visitadas periodicamente pela agência reguladora. As empresas titulares e responsáveis pelos empreendimentos devem enviar periodicamente, por solicitação da agência ou por obrigação constituída no contrato ou na autorização, relatório de progresso que contemple um cronograma com os principais marcos e quantitativos realizados no período de referência, incluindo fotografias que evidenciem o andamento das obras Fiscalização de Emergência A fiscalização de emergência é aquela que não está prevista no plano de visitas da área, sendo motivada por conflito ou ocorrência grave na exploração do serviço de geração de energia elétrica, que tenha causado ou esteja causando degradação da qualidade e da continuidade desses serviços, ou que tenha ocasionado acidente ou esteja colocando em risco a segurança de pessoas, de instalações ou do meio ambiente. 19

20 2 - O PLANEJAMENTO DA ÁREA DE FISCALIZAÇÃO É desejável que a monitoração seja executada na totalidade dos serviços de geração do Setor Elétrico, em cada exercício anual. Entretanto, levando-se em conta as prioridades de atuação sobre agentes e empreendimentos específicos, os limites de recursos disponíveis, em cada exercício, para as atividades de fiscalização, bem como o seu uso eficiente, as seguintes diretrizes devem ser consideradas para planejamento da área de fiscalização, em suas atividades-fim e de apoio: o monitoramento à distância é de central importância e deve ser executado de maneira a tentar cobrir, de acordo com os meios e tecnologias disponíveis, a totalidade do setor e para servir de base na definição e priorização das fiscalizações in loco; as fiscalizações in loco devem ser definidas, principalmente, em função dos resultados da monitoração à distância, de modo a otimizar o uso dos recursos da agência, atuando-se sobre os agentes e empreendimentos que tenham ou possam ter impactos significativos no sistema elétrico seja sob o aspecto técnico ou econômico; e a descentralização das atividades de fiscalização deve ser maximizada, observando-se a conveniência para a administração, assim como os limites e condições impostos pelas normas legais. Ressalta-se que essas diretrizes nortearão as metas de fiscalização que deverão constar do Plano Plurianual PPA da agência, que abrange um horizonte de quatro anos, as quais, por sua vez, deverão ser observadas quando da elaboração do planejamento anual O Plano Plurianual e a Previsão Orçamentária A Constituição Federal de 1988, no seu art. 165, definiu a forma de integração entre plano e orçamento por meio da criação de três instrumentos: Plano Plurianual PPA Lei de Diretrizes Orçamentárias LDO Lei Orçamentária Anual LOA Nesse processo, a área de fiscalização será responsável pela elaboração da parte do plano e do orçamento no que diz respeito às suas atividades. Estes estarão inseridos no plano e no orçamento da ANEEL, os quais, por sua vez comporão o PPA, a LDO e a LOA da esfera federal, inserindo-se setorialmente na área de Minas e Energia. As agências estaduais serão incluídas sob a rubrica relativa à verba alocada à descentralização, a qual, por sua vez, se materializa por meio da celebração dos convênios de cooperação e respectivos Planos de Atividades e Metas PAM, entre a ANEEL e as agências, a afetiva transferência de recursos e a execução das atividades planejadas por estas (descritos sob o título específico deste capítulo). Não obstante, as agências deverão, além de cumprir com as obrigações estabelecidas com a ANEEL, atender às formalidades relativas aos planos e 20

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