SERÁ ENCAMINHADO AO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO O NOVO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM MATERIAIS, COM INÍCIO PREVISTO PARA 2008

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1 SERÁ ENCAMINHADO AO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO O NOVO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM MATERIAIS, COM INÍCIO PREVISTO PARA 2008 CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM MATERIAIS PROJETO PEDAGÓGICO I OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS O papel desempenhado pelos materiais tem sido notadamente de grande importância para o avanço das novas tecnologias e da própria economia globalizada atual. A tecnologia de novos materiais tem aplicações em várias áreas produtivas, entre as quais as mais importantes são: construção civil, mecânica, medicina, eletro eletrônica, telecomunicações, aeroespacial e automobilística. O domínio e a gestão responsável desta tecnologia tem sido, muitas vezes, causa de aumento na balança comercial de países desenvolvidos e em desenvolvimento trazendo, por conseqüência, melhorias na qualidade de vida dessas sociedades. O Brasil tem grande variedade e concentração de matérias primas, existindo um pólo industrial já estabelecido no Estado de São Paulo onde a demanda de consumo também é alta. Portanto, para que a cidade e o estado possam manter e desenvolver as potencialidades deste pólo faz se necessária a criação de profissionais capacitados a atender as exigências dos diferentes setores industriais. Tabela I: Participação da indústria paulista de materiais no cenário nacional * DIVISÃO Valor (em milhões de US$) SP / Brasil (% ) Refino de petróleo e álcool ,4 Produtos químicos ,4 Borracha e plástico ,4 Minerais não metálicos ,2 Metalurgia básica ,1 Produtos metálicos ,7

2 Materiais elétricos ,6 Material eletrônico e comunicações ,8 Equipamentos médicos e ópticos ,3 Máquinas e equipamentos ,6 Automobilística ,9 Equipamentos de transporte ,5 Reciclagem 40 36,3 * FONTE: Fundação SEADE / IBGE 2004 Tomando como base os dados fornecidos pelo governo estadual paulista e a Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados) [1], a quantidade de empregos oferecidos por indústrias de plásticos, borracha, material eletrônico e metálico, no ano de 2001, foi em torno de A comprovação da importância do pólo industrial paulista na área de materiais é reforçada pela sua proporção com relação ao cenário nacional, conforme a Tabela I. Pode ser verificado que algumas divisões da indústria paulista consolidam sua posição de liderança nacional como as de borracha e plásticos, materiais elétricos, médicos e automobilística. Os dados revelam, ainda, que outros setores necessitam de maior desenvolvimento para alcançar uma posição de destaque como os de refino de petróleo e álcool, metalurgia básica e de reciclagem. Deve ser ressaltado que fatores de natureza político econômica, geográfica, entre outros, contribuem para o desenvolvimento de um determinado setor industrial. Já com relação às atividades desempenhadas pelas indústria identificadas anteriormente, verificam se baixos índices de inovação, como exibido pela Tabela II. Tabela II: Índice de inovação da indústria paulista de materiais * DIVISÃO Qte. de empresas Taxa de inovação (% ) Refino de petróleo e álcool 3 4,0 Produtos químicos ,0 Borracha e plástico ,2 Minerais não metálicos 122 4,3 Metalurgia básica 81 6,7 Produtos metálicos 322 6,5 Materiais elétricos ,8 Material eletrônico e comunicações ,4

3 Equipamentos médicos e ópticos ,4 Máquinas e equipamentos ,6 Automobilística 112 9,8 Equipamentos de transporte 29 13,4 Reciclagem ND ** ND ** * FONTE: Fundação SEADE ** ND = Dados não disponíveis. Cabe enfatizar que a taxa de inovação destas indústrias é igualmente influenciada por fatores de natureza político econômica, geográfica, entre outros. No entanto, o fator mão de obra especializada deve ser incluído como elemento competitivo e decisivo para a consolidação da posição de liderança das indústrias da área de materiais. Neste contexto, pode se estabelecer uma demanda por um profissional devidamente qualificado para atender as exigências deste setor industrial. Com relação à questão geopolítica, o município de São Paulo apresenta um elevado número de jovens residentes entre 20 e 29 anos, onde a maioria deles está procurando um curso que, no mínimo, seja profissionalizante e terminal [1]. No entanto a quantidade de vagas de cursos profissionalizantes oferecidos a estes jovens é escassa. Ciente desta defasagem e da importância da ciência e tecnologia dos materiais, o Departamento de Ensino Geral da FATEC SP tomou a iniciativa de compor uma comissão formada por professores com experiência nas mais diversas áreas para estudar a implantação de um curso superior de Tecnologia em Materiais (com as ênfases em materiais poliméricos, cerâmicos e metálicos, suas propriedades e a tecnologia de sua produção), o que permite uma visão abrangente das necessidades do curso. Devido à formação com característica interdisciplinar que este profissional irá receber, no final de seu curso estará capacitado a exercer uma ampla variedade de funções profissionais, bem como atuar em equipes multidisciplinares e estar em sintonia com as atuais necessidades de controle ambiental. Outra característica deste curso é que ele fornece uma constante inovação tecnológica, onde o profissional formado poderá trabalhar rotineiramente com os materiais já conhecidos, bem como ser capaz de inovar, pois terá em seu currículo a base científica necessária para concepção e caracterização dos materiais.

4 A implantação do curso em epígrafe, além de atender à uma demanda de mercado, vem complementar as modalidades dos cursos tecnológicos da FATEC SP. Neste contexto, a FATEC SP, pioneira no ensino tecnológico, tem a correspondência de todas as modalidades da engenharia, com exceção da engenharia de materiais, tão importante na condução dos projetos, processos de produção e caracterização de materiais em nosso parque industrial. Apresentado na Congregação da FATEC SP, o projeto foi aprovado numa sessão onde foram esclarecidas todas as dúvidas apresentadas por seus membros. Deve ser ressaltado ainda, que no campus da FATEC SP há espaço físico suficiente para receber a instalação dos equipamentos necessários para o andamento do curso. Além disso, a localização geográfica da FATEC SP, com condução fácil e variada (ônibus e metrô) para todos os pontos da Grande São Paulo, faz dela uma instituição ideal para o ensino, e criar o curso de Tecnologia de Materiais seria maximizar a utilização de seu espaço útil. II PERFIL PROFISSIONAL O tecnólogo em Materiais é o profissional que projeta estruturas, propriedades e processos envolvendo materiais e, para tanto, seleciona materiais e processos, planeja e supervisiona testes e equipamentos e caracteriza produtos, processos e aplicações. Assessora na transformação de matérias primas em produtos, desenvolve produtos, processos e aplicações, gerencia qualidade de matérias primas, produtos e serviços e elabora documentação técnica. Participa de sistemas de gestão ambiental e de qualidade de produção e da interação com a comunidade. Desenvolve e aplica soluções, inovações e pesquisas de caráter científico e tecnológico em áreas que necessitem o emprego dos mais variados tipos de materiais. Trabalha seguindo normas de segurança, higiene e proteção ao meio ambiente. Pode participar da qualificação, certificação e homologação de laboratórios e produtos. Pode, ainda, prestar serviços de consultoria técnica, bem como ministrar aulas. A FATEC SP, ao propor a criação do curso superior em Tecnologia de Materiais, sugere também uma importante mudança na sua estrutura de formação tecnológica. Em função de suas diversidades curriculares, abrangendo conhecimentos técnicos e organizacionais, bem como da carga horária proposta para o curso, o tecnólogo em

5 Materiais da FATEC SP, teria como característica marcante de sua formação a mentalidade inovadora. Atuando em projetos, nos processos de produção, no produto acabado e na assistência técnica pró ativa, voltada tanto para fornecedores de matérias primas como para o mercado, esse tecnólogo estaria vislumbrando permanentemente as possibilidades de inovação tecnológica em sua área de atuação. A mentalidade inovadora no perfil profissional do tecnólogo em Materiais seria introduzida na FATEC SP através do que denominamos de estágios temáticos, obrigatórios. Estes, cujos conhecimentos adquiridos seriam organizados conforme metodologia científica exigida em monografias, resultariam em trabalhos de conclusão de curso (TCC) dos alunos. Para a realização deste estágio, o aluno selecionaria o tema de sua vontade, preferência ou vocação numa das três grandes áreas oferecidas pelo curso, a saber, materiais metálicos, materiais poliméricos e materiais cerâmicos. No decorrer do estágio temático, o aluno estaria preocupado, no seu desempenho, com inovações visando fundamentalmente a melhoria da produtividade, da qualidade e com a redução dos custos operacionais. E a área de materiais é rica em atividades que possam comportar projetos dessa natureza, tanto no âmbito da FATEC SP, como no dos institutos de pesquisa e, principalmente no âmbito empresarial, com foco mais intenso nas indústrias. Apenas à guisa de exemplificação, podemos mencionar as seguintes atividades possíveis para alocação de alunos para estágios temáticos: na FATEC SP, em laboratórios de disciplinas que envolvam a inovação e caracterização de materiais; nos diversos institutos de pesquisa estabelecidos na Grande São Paulo (como IPT, IPEN, entre outros), aprimorando as tecnologias de obtenção de matériasprimas e o seu correspondente processamento e caracterização; nas indústrias, em setores como o de recebimento de matérias primas e insumos utilizados na produção, laboratórios de materiais, processos de produção envolvendo transformações de materiais, análise de falhas, além de tantas outras atividades.

6 Uma vez selecionado o tema, a coordenadoria do curso, através dos setores de Relações Empresariais e de Estágios, entraria em contacto com a empresa ou instituição escolhida, acompanhada do aluno interessado e de um professor designado para orientá lo durante o estágio. Na empresa, o aluno seria orientado pelo seu superior hierárquico que, ao final do curso, seria convidado para assistir à apresentação do TCC do estagiário, com espaço para as suas considerações sobre a condução do estágio e conclusões do trabalho. Deste modo, o curso de Tecnologia em Materiais da FATEC SP estaria proporcionando amplas possibilidades de integração com as empresas e institutos de pesquisa, promovendo a formação integrada do aluno em ciência e tecnologia de materiais, onde os conhecimentos acadêmicos seriam necessariamente aplicados nos processos operacionais, possibilitando uma experiência real de aplicação dos conhecimentos na formação de uma mentalidade inovadora, incutida no perfil profissional do tecnólogo em Materiais da FATEC SP. Seria, também, uma forma de estabelecer uma relação sólida entre a instituição (com seus profissionais) e a indústria, possibilitando outros níveis de interação como parcerias, desenvolvimento conjunto de tecnologias, treinamentos técnicos, etc. As interações desenvolvidas fora dos estágios temáticos ocorreriam por meio de um núcleo estabelecido com o objetivo de atender as necessidades técnicas das indústrias. Tal órgão possibilitaria, por conseqüência, a criação de cursos de pós graduação e de especialização.

7 III ATRIBUIÇÕES COMPETÊNCIAS A partir da relação das atividades dos profissionais da área, descritas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a seguir, estão detalhadas as atividades profissionais atribuíveis ao Tecnólogo em Materiais e que complementam o seu perfil. Vale ressaltar que tais atividades foram baseadas em profissões equivalentes e correlatas como as do engenheiro metalurgista (classificação CBO n ), de materiais (classificação CBO n ), de minas (classificação CBO n. 2147), pesquisadores de engenharia e tecnologia (classificação CBO n. 2032): 1 PROJETAR ESTRUTURAS, PROPRIEDADES E PROCESSOS DE MATERIAIS Selecionar matérias primas, materiais e processos; Caracterizar matérias primas, produtos, processos e aplicações; Analisar a correlação entre a estrutura de um material e as suas propriedades; Planejar testes e experimentos e analisar os resultados; Elaborar estudos, pesquisas e desenvolvimento de novos materiais. Analisar viabilidade de aproveitamento de resíduos; 2 ASSESSORAR PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS EM PRODUTOS Assessorar extração de matérias primas de suas fontes de ocorrência; Comprar matérias primas, insumos e equipamentos; Assessorar beneficiamento de matérias primas; Assessorar processos de transformação metalúrgicos, poliméricos, cerâmicos e materiais compósitos; Assessorar processos de transformação; Administrar processos de produção;

8 Vender produtos, processos e serviços. 3 GERENCIAR QUALIDADE DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS E SERVIÇOS Determinar objetivos e metas de qualidade; Avaliar desempenho e resultados da qualidade; Detectar desvios da especificação e propor medidas para correção dos desvios; Corrigir variações de processo; Reclassificar produtos não conformes; Realizar auditorias em sistemas de qualidade; Liberar produtos e serviços. 4 DESENVOLVER PRODUTOS, PROCESSOS E APLICAÇÕES Analisar características de materiais e parâmetros de processo; Especificar materiais, protótipos e equipamentos para produção; Analisar projetos de máquinas e equipamentos; Desenvolver estudos de viabilidade técnica e econômica; Identificar tecnologias; Participar da construção de protótipos, testar equipamentos, protótipos, materiais, processos e métodos; Interpretar padrões, normas e especificações externas; Detectar novos negócios e oportunidades; Implantar novos processos produtivos; Analisar a concorrência; Contratar consultoria técnica. 5 ELABORAR DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA

9 Preparar material didático; Produzir artigos técnico científicos e elaborar relatórios de atividade; Elaborar projetos e inventário de recursos disponíveis (naturais, máquinas, equipamentos, etc.) Elaborar procedimentos técnicos e operacionais; Elaborar material de divulgação de produtos, serviços e equipamentos; Criar padrões, normas e especificações internas; Revisar padrões, normas e especificações internas; Emitir laudos, pareceres técnicos, emitir certificado de qualidade do produto e serviços; Auxiliar na elaboração de relatório de meio ambiente; 6 MONITORAR ATIVIDADES DE SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE DO TRABALHO Exigir o cumprimento de normas regulamentadas; Analisar estatísticas de acidentes e incidentes de trabalho; Analisar ocorrências de doenças ocupacionais; Monitorar atividades dos profissionais de segurança e medicina do trabalho; Apoiar a atuação da CIPA; Orientar os trabalhadores sobre higiene pessoal; Promover melhorias no ambiente de trabalho, implementar programas de segurança e saúde do trabalhador e sua família fora da empresa. 7 PARTICIPAR DO SISTEMA DE GESTÃO E CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL E QUALIDADE DA PRODUÇÃO Gerenciar programas de controle ambiental e monitorar legislações ambientais, relativos a área de atuação; Identificar impactos ambientais e elaborar procedimentos e instruções técnicas visando minimizar impacto ambiental; Ter contato com novas tecnologias (limpas) e definir ações corretivas;

10 Elaborar procedimentos e instruções de trabalho; Colaborar na elaboração e revisão de normas de qualidade; Participar de auditorias internas e externas. 8 GERENCIAR INFORMAÇÕES DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA Elaborar revisão bibliográfica; Selecionar, interpretar e analisar informações científicas e tecnológicas; Divulgar informações de ciência e tecnologia. 9 PRESTAR SUPORTE TÉCNICO Avaliar necessidade do cliente, avaliando solicitação de pedidos de produtos, processos e serviços; Avaliar projetos de pesquisa e desenvolvimento; Subsidiar informações para tomada de decisões; Realizar perícias e propor soluções e melhorias técnicas; Ministrar treinamentos de clientes e equipes de trabalho; Tratar reclamações técnicas do cliente; Desenvolver aplicações para o produto. 10 DESENVOLVER AÇÕES EDUCATIVAS Capacitar usuários; Capacitar recursos humanos; Orientar estágios; Ministrar palestras; Realizar atividades de ensino e de bancas acadêmicas; 11 INTERAGIR POLÍTICA E SOCIALMENTE COM A COMUNIDADE Zelar pela imagem da organização ou instituição;

11 Discutir ações e parcerias com órgãos públicos e outras empresas; Divulgar atividades da empresa junto à população local ou em meios de comunicação; Promover atividades de educação ambiental, implementar atividades sociais junto à comunidades. 12 DEMONSTRAR COMPETÊNCIAS PESSOAIS Manter se atualizado; Liderar equipes; Trabalhar em equipe e em rede; Demonstrar capacidade de análise e síntese; Demonstrar conhecimento em outros idiomas e capacidade de comunicação; Demonstrar capacidade de negociação; Agir com ética; Demonstrar senso de organização e demonstrar capacidade empreendedora; Demonstrar raciocínio lógico e capacidade de concentração; Demonstrar pró atividade e criatividade.

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