CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO PARÁ. artigo aborda os cem anos de vida de Ruy Ferreira dos Santos, festejados este ano

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1 JORNAL Impresso Especial /04/BR/PA CORREIOS CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO PARÁ ANO IX Nº 87 / janeiro e fevereiro de 2011 o Secretário de Saúde do Pará, Helio Franco, fala sobre ações da Sespa Atenção básica é prioridade Páginas 6 e 7 memória artigo aborda os cem anos de vida de Ruy Ferreira dos Santos, festejados este ano Página 5 entrevista Maria do Carmo Lobato, atual presidente da Santa Casa, diz quais serão suas ações prioritárias Página 3

2 EDITORIAL É preciso mudar a saúde A saúde não é prioridade no Brasil e exercer a profissão se torna mais cada vez mais difícil na área da saúde, convivemos diversos problemas que quase se tornaram crônicos como recursos insuficientes e, muitas vezes, mal aplicados, baixa remuneração, longas filas nas emergências, consultas e exames que demoram meses para serem realizados. Os gestores precisam tomar uma atitude para tentar, se não acabar com o caos, minimizar esse estado de coisas. Há muito tempo observamos um crescimento gradativo das dificuldades para o exercício da Medicina. Uma situação que assumiu ritmo mais acelerado nos últimos anos e que vem se agravando de modo alarmante. As razões para isso são muitas. A começar pelo fato de que a saúde não é prioridade neste país, a não ser durante as campanhas eleitorais, quando surgem promessas que nunca são cumpridas. Os resultados são vistos diariamente na imprensa. Na área da saúde, convivemos com recursos insuficientes e, na maioria das vezes, mal aplicados E os resultados são fechamento de hospitais, redução de leitos, falta de médicos no sistema público de saúde - principalmente de especialistas-, baixa remuneração, longas filas nas emergências, consultas e exames que demoram meses para serem realizados, etc. Durante a entrega de carteiras aos novos médicos enfatizamos que a profissão que escolhemos não é nada fácil. Passamos por um sistema de saúde falho. Levamos a culpa por algo que não Há médicos que trabalham em péssimas condições, ganhando pouco. nos cabe: a gestão. A eles, sim, cabem nos proporcionar condições de trabalho e assistência dignas. Atualmente vemos médicos trabalhando em estabelecimentos com péssimas condições, ganhando pouco. Um aviltamento salarial inaceitável. O médico mal remunerado não consegue se atualizar. E isso acaba se refletindo em seu trabalho. É preciso lutar com todas as forças para que a relação médico-paciente, fundamento sagrado de nossa atividade, seja fortalecida. Mas essa é uma luta que deve ser de todos os médicos, não apenas das entidades de classe. Se existe alguma chance de mudarmos esse quadro desolador da saúde pública e do trabalho médico, é com união, é com a participação firme e determinada de todos os médicos e da sociedade. É preciso fazer prevalecer o artigo 196 da Constituição Federal de 1988: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação. Esperamos que os novos governantes reflitam sobre suas responsabilidades e assumam seu papel de fato e de direito, para que este preceito constitucional não se torne letra morta. Neste número do Jornal CRM- -PA entrevistamos com exclusividade o atual secretário de Saúde do Estado, Helio Franco. Ele fala, entre outros assuntos sobre suas ações e planos à frente da Sespa, e aborda temas como os serviços de saúde no Pará e as prioridades da gestão atual. Em sua opinião,os serviços deixam muito a desejar, é preciso controlar melhor o diabetes a hipertensão. Ele afirmou que o Hospital Abelardo Santos vai continuar sob a tutela do Estado e na Unidade de Saúde da Pedreira, o serviço de diagnóstico de meningite será transferido para o Hospital Barros Barreto. De acordo com Helio Franco também será prioridade o combate a dengue em parceira com as entidades médicas, qualificar os 76 hospitais municipais e a descentralização do tratamento do câncer no Estado. A íntegra dessa entrevista pode ser encontrada às páginas 6 e 7. À página 3 a conselheira Maria do Carmo Lobato fala sobre sua gestão à frente da Santa Casa de Misericórdia do Pará. Maria do Carmo Lobato propõe um choque de gestão para que os serviços sejam mais organizados e o atendimento ao paciente funcione melhor. À página 4 temos as novas normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre fertilização in vitro e o artigo O carimbo médico uma reflexão, do representante do Pará no CFM, Antonio Gonçalves Pinheiro. Na seção Memória, à página 5, José Maria de Castro Abreu Junior fala sobre a carreira e a vida do Dr. Ruy Ferreira dos Santos que, às vésperas de completar cem anos de idade, continua lúcido e cheio de ensinamentos. À página 11 trazemos uma matéria com as normas éticas que os médicos devem seguir acerca da publicidade médica. A comunicação assume relevância cada vez maior na promoção da saúde. Os veículos de comunicação de massa assumem um papel fundamental para informar a população sobre a prevenção de certas enfermidades e problemas de saúde. Embora os esclarecimentos sejam importantes, alguns profissionais têm se destacado mais do que o assunto. O Código de Ética Médica impõe que a divulgação de assuntos médicos seja exclusivamente utilizada para esclarecimento e educação da coletividade. Nessa matéria, há várias outras orientações para que os profissionais da medicina saibam como devem anunciar seus serviços sem cometer erros. Neste primeiro número do ano de 2011, apresentamos ainda a nova logomarca do que passa a fazer parte da identidade visual de nosso veículo de comunicação e trazemos notícias de interesse da categoria médica às páginas 10 e 12. Boa leitura.. Maria de Fátima Guimarães Couceiro Presidente do CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO PARÁ CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO PARÁ Endereço: Avenida Generalíssimo Deodoro, 223. Fone: (091) Fax (091) CEP Belém - Pará Maria de Fátima Guimarães Couceiro Presidente; Joaquim Pereira Ramos Vice-presidente; Terezinha de Jesus de Oliveira Carvalho 1º secretário; Paulo Sérgio Guzzo 2º secretário; José Antonio Cordero da Silva 1º Tesoureiro Jorge Wilson Tuma 2º Tesoureiro Aristoteles Guilliod de Miranda Corregedor Tereza Cristina de Brito Azevedo Vice-corregedor Conselheiros: EFETIVOS: Altino Mendes de Nóvoa Neto, Antonio Gonçalves Pinheiro, Antonio Jorge Ferreira da Silva, Amaury Braga Dantas, Aristoteles Guilliod de Miranda, Arthur da Costa Santos, Benedito Pedro Resque de Oliveira, Edson Yuzur Yasojima, Francisco Ferreira de Souza Filho, Joaquim Pereira Ramos, José Antonio Cordero da Silva, Jorge Wilson Tuma, Marcus Vinícius Henriques Brito, Maria do Carmo Lima de Mendes Lobato, Maria de Fátima Guimarães Couceiro, Maria de Nazaré Paes Loureiro, Oscar Pereira Júnior, Paulo Sérgio Guzzo, Rosângela Brandão Monteiro, Terezinha de Jesus de Oliveira Carvalho SUPLENTES: Adelso Aparecido Pedrosa, Antonio Carlos Alves da Silva, Antonio Cerejo Ribeiro de Almeida, Benedito Paulo Bezerra, Carlos Alberto Vaz Conceição, Emanoel Conceição Resque de Oliveira, Fernando Augusto Fonseca Monteiro, Frederico José Correa Lobato, Ilcioni Gomes Pereira, José Roberto Tuma da Ponte, Lúcio Izan Puget Botelho, Maria Cristina Vilhena C. Mendonça Rocha, Maria da Conceição Ferreira Pinto, Robson Tadachi Moraes de Oliveira, Rosa Maria Mesquita Milhomen da Costa, Rui Sérgio Monteiro de Barros, Teiichi Oikawa, Tereza Cristina de Brito Azevedo, Wilson Niwa. Assessoria de Imprensa: Rodrigo Monteiro DRT-PA 1768 Fone: Jornal Jornalista responsável: Ailson Braga Textos e reportagens: Ailson Braga Projeto gráfico e editoração eletrônica: Soraya Pessoa e Hamilton Braga Conselho editorial: Maria de Fátima Guimarães Couceiro, Aristoteles Guilliod de Miranda e Amaury Braga Dantas Publicidade: ; Periodicidade: bimestral; Tiragem: exemplares; Distribuição: gratuita 2

3 ENTREVISTA Ailson Braga Maria do Carmo Lobato Um choque de gestão de qualidade A atual presidente da Santa Casa de Misericórdia do Pará fala ao Jornal quais serão suas ações prioritárias à frente da centenária instituição, que também é referência no atendimento materno-infantil A conselheira do Maria do Carmo Lobato assumiu a direção da Santa Casa de Misericórdia do Pará a convite do atual secretário de Saúde, Helio Franco. Nesta entrevista exclusiva ela fala sobre seus planos à frente da instituição e afirma que o foco será a valorização do servidor daquele hospital. Fale sobre sua formação e sua experiência profissional. Tenho formação médica na Universidade Federal do Pára (UFPA), residência em otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo, a USP, e uma sólida experiência em gestão hospitalar, gestão de qualidade em serviços de saúde e administração hospitalar. Sou titular pela Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia/AMB. Fiz pós-graduação lato sensu em Administração Hospitalar e Gestão de Sistema de Saúde na Fundação Getúlio Vargas. Tenho um interesse especial nas áreas de bioética e de gestão de qualidade em serviços de saúde. Fiz um curso de treinamento como bolsista da Japan International Cooperation Agency (Jica), no Japão, em Administração Hospitalar e Gestão de Sistema de Saúde por dois meses. Também dirigi o Hemopa. Fui ainda diretora de Ensino e Pesquisa do Hospital de Clínicas Gaspar Viana e, em 2007 fui diretora assistencial do CH; fui diretora clínica técnica do Hospital Metropolitano até outubro de 2009, quando fui nomeada superintendente, mas deixei o cargo em dezembro daquele ano. Também sou professora de Otorrinolaringologia da Universidade do Estado do Pará, médica aposentada do Ministério da Saúde e conselheira do Conselho Regional de Medicina do Pará desde Em 2010, coordenei o programa Viva Bem, da Unimed Belém, na área de saúde suplementar Com sua experiência em administração no Hospital de Clínicas do Pará, Hospital Metropolitano e também na iniciativa privada, qual vai ser o foco de sua administração à frente da Santa Casa? Quando fui convidada e dirigir a Santa Casa, que é um hospital de referência para todo o Estado, tem uma estrutura complexa e um papel importantíssimo na interface docente-assistencial, meu foco é a modernização gerencial para que o atendimento da... há pessoas refratárias a mudanças, mas com os resultados, a adesão vai ocorrer. É uma questão de tempo. Santa Casa seja caracterizado pela qualidade da assistência e eficiência administrativa. Claro que para isso acontecer é preciso motivar e qualificar os servidores. A Santa Casa possui profissionais experientes e capacitados e que vão ser, certamente, muito valorizados. É claro que há pessoas refratárias a mudanças, mas quando elas forem vendo que, com a organização dos processos, os resultados são melhores para todo mundo, a adesão vai ocorrer. É uma questão de tempo. Como a senhora vai pautar a sua administração? Vou pautá-la pelos princípios da ética, da legalidade e pela defesa do SUS, que considero uma conquista da população brasileira Qual a situação da Pediatria e Ginecologia na Santa Casa? Há um grande problema no nosso Estado em relação à regulação dos serviços e da atenção básica. O secretário de Saúde, Hélio Franco, e sua adjunta, Rosemary Góes, que são duas pessoas muito experientes, vão dar muita ênfase à atenção básica e à regulação na saúde pública. Com isso, os profissionais da Santa Casa deixarão de receber essa pressão de demanda tão grande, que acaba gerando insatisfação nos profissionais de saúde e sobrecarga de trabalho. A questão salarial é a principal causadora dos problemas nos setores de Pediatria e Neonatologia? Não é tanto a questão salarial. É mais uma sobrecarga de demanda excessiva. Tornaremos o trabalho muito mais eficiente e diminuiremos essa sobrecarga com o cadastramento de mais leitos para o SUS, com maior responsabilidade das secretarias municipais de saúde, que devem implantar o PSF (Programa Saúde da Família) e o pré-natal eficiente nos municípios, além de seguirem as regras de transferência dos pacientes para Belém por meio da regulação como preconizado pelo Ministério da Saúde. Como resolver a falta de leitos? Priorizando a atuação em cima dos processos de trabalho. Eles têm toda uma lógica e o foco principal tem de ser o paciente. Anuncie no Jornal Informações com Cirlene ou pelo 3

4 coluna do cfm RESOLUÇÃO CFM nº 1.957/2010 (Publicada no D.O.U. de 06 de janeiro de 2011, Seção I, p.79) A Resolução CFM nº 1.358/92, após 18 anos de vigência, recebeu modificações relativas à reprodução assistida, o que gerou a presente resolução, que a substitui in totum. O CONSELHO FEDERAL DE ME- DICINA, no uso das atribuições conferidas pela Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, alterada pela Lei nº , de 15 de dezembro de 2004, regulamentada pelo Decreto nº , de 19 de julho de 1958, e CONSIDERANDO a importância da infertilidade humana como um problema de saúde, com implicações médicas e psicológicas, e a legitimidade do anseio de superá-la; CONSIDERANDO que o avanço do conhecimento científico permite solucionar vários dos casos de reprodução humana; CONSIDERANDO que as técnicas de reprodução assistida têm possibilitado a procriação em diversas circunstâncias, o que não era possível pelos procedimentos tradicionais; CONSIDERANDO a necessidade de harmonizar o uso dessas técnicas com os princípios da ética médica; CONSIDERANDO, finalmente, o decidido na sessão plenária do Conselho Federal de Medicina realizada em 15 de dezembro de 2010, RESOLVE Art. 1º Adotar as NORMAS ÉTI- CAS PARA A UTILIZAÇÃO DAS TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO AS- SISTIDA, anexas à presente resolução, como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se a Resolução CFM nº 1.358/92, publicada no DOU, seção I, de 19 de novembro de 1992, página Brasília-DF, 15 de dezembro de ROBERTO LUIZ D AVILA Presidente Henrique Batista e Silva Secretário-geral ANEXO ÚNICO DA RESOLUÇÃO CFM nº 1.957/10 NORMAS ÉTICAS PARA A UTILI- ZAÇÃO DAS TÉCNICAS DE REPRO- DUÇÃO ASSISTIDA I - PRINCÍPIOS GERAIS 1 - As técnicas de reprodução assistida (RA) têm o papel de auxiliar na resolução dos problemas de reprodução humana, facilitando o processo de procriação quando outras terapêuticas tenham se revelado ineficazes ou consideradas inapropriadas. 2 - As técnicas de RA podem ser utilizadas desde que exista probabilidade efetiva de sucesso e não se incorra em risco grave de saúde para a paciente ou o possível descendente. 3 - O consentimento informado será obrigatório a todos os pacientes submetidos às técnicas de reprodução assistida, inclusive aos doadores. Os aspectos médicos envolvendo as circunstâncias da aplicação de uma técnica de RA serão detalhadamente expostos, assim como os resultados obtidos naquela unidade de tratamento com a técnica proposta. As informações devem também atingir dados de caráter biológico, jurídico, ético e econômico. O documento de consentimento informado será expresso em formulário especial e estará completo com a concordância, por escrito, das pessoas submetidas às técnicas de reprodução assistida. 4 - As técnicas de RA não devem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo (sexagem) ou qualquer outra característica biológica do futuro filho, exceto quando se trate de evitar doenças ligadas ao sexo do filho que venha a nascer. 5 - É proibida a fecundação de oócitos humanos com qualquer outra finalidade que não a procriação humana. 6 - O número máximo de oócitos e embriões a serem transferidos para a receptora não pode ser superior a quatro. Em relação ao número de embriões a serem transferidos, são feitas as seguintes determinações: a) mulheres com até 35 anos: até dois embriões); b) mulheres entre 36 e 39 anos: até três embriões; c) mulheres com 40 anos ou mais: até quatro embriões. 7 - Em caso de gravidez múltipla, decorrente do uso de técnicas de RA, é proibida a utilização de procedimentos que visem à redução embrionária. II - PACIENTES DAS TÉCNICAS DE RA 1 - Todas as pessoas capazes, que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução, podem ser receptoras das técnicas de RA desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos sobre o mesmo, de acordo com a legislação vigente. III - REFERENTE ÀS CLÍNICAS, CENTROS OU SERVIÇOS QUE APLICAM TÉCNICAS DE RA As clínicas, centros ou serviços que aplicam técnicas de RA são responsáveis pelo controle de doenças infectocontagiosas, coleta, manuseio, conservação, distribuição, transferência e descarte de material biológico humano para a paciente de técnicas de RA, devendo apresentar como requisitos mínimos: 1 - um diretor técnico responsável por todos os procedimentos médicos e laboratoriais executados, que será, obrigatoriamente, um médico registrado no Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição. 2 - um registro permanente (obtido por meio de informações observadas ou relatadas por fonte competente) das gestações, nascimentos e malformações de fetos ou recém-nascidos, provenientes das diferentes técnicas de RA aplicadas na unidade em apreço, bem como dos procedimentos laboratoriais na manipulação de gametas e embriões. 3 - um registro permanente das provas diagnósticas a que é submetido o material biológico humano que será transferido aos pacientes das técnicas de RA, com a finalidade precípua de evitar a transmissão de doenças. IV - DOAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES 1 - A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial. 2 - Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. 3 - Obrigatoriamente será mantido o sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais, as informações sobre doadores, por motivação médica, podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando- -se a identidade civil do doador. 4 - As clínicas, centros ou serviços que empregam a doação devem manter, de forma permanente, um registro de dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores. 5 - Na região de localização da unidade, o registro dos nascimentos evitará que um(a) doador(a) venha a produzir mais do que uma gestação de criança de sexo diferente numa área de um milhão de habitantes. 6 - A escolha dos doadores é de responsabilidade da unidade. Dentro do possível deverá garantir que o doador tenha a maior semelhança fenotípica e imunológica e a máxima possibilidade de compatibilidade com a receptora. 7 - Não será permitido ao médico responsável pelas clínicas, unidades ou serviços, nem aos integrantes da equipe multidisciplinar que nelas trabalham participar como doador nos programas de RA. V - CRIOPRESERVAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES 1 - As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozoides, óvulos e embriões. 2 - Do número total de embriões produzidos em laboratório, os excedentes, viáveis, serão criopreservados. 3 - No momento da criopreservação, os cônjuges ou companheiros devem expressar sua vontade, por escrito, quanto ao destino que será dado aos pré-embriões criopreservados em caso de divórcio, doenças graves ou falecimento de um deles ou de ambos, e quando desejam doá-los. VI - DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE EMBRIÕES As técnicas de RA também podem ser utilizadas na preservação e tratamento de doenças genéticas ou hereditárias, quando perfeitamente indicadas e com suficientes garantias de diagnóstico e terapêutica 1 - Toda intervenção sobre embriões in vitro, com fins diagnósticos, não poderá ter outra finalidade que não a de avaliar sua viabilidade ou detectar doenças hereditárias, sendo obrigatório o consentimento informado do casal. 2 - Toda intervenção com fins terapêuticos sobre embriões in vitro não terá outra finalidade que não a de tratar uma doença ou impedir sua transmissão, com garantias reais de sucesso, sendo obrigatório o consentimento informado do casal. 3 - O tempo máximo de desenvolvimento de embriões in vitro será de 14 dias. VII - SOBRE A GESTAÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO (DOAÇÃO TEMPORÁRIA DO ÚTERO) As clínicas, centros ou serviços de reprodução humana podem usar técnicas de RA para criarem a situação identificada como gestação de substituição, desde que exista um problema médico que impeça ou contraindique a gestação na doadora genética. 1 - As doadoras temporárias do útero devem pertencer à família da doadora genética, num parentesco até o segundo grau, sendo os demais casos sujeitos à autorização do Conselho Regional de Medicina. 2 - A doação temporária do útero não poderá ter caráter lucrativo ou comercial. VIII REPRODUÇÃO ASSISTIDA POST MORTEM Não constitui ilícito ético a reprodução assistida post mortem desde que haja autorização prévia específica do(a) falecido(a) para o uso do material biológico criopreservado, de acordo com a legislação vigente. 4

5 O DECANO memória Um mestre da medicina faz cem anos José Maria de Castro Abreu Jr.* D a janela de seu apartamento, às vésperas de completar cem anos de idade, o Dr. Ruy Ferreira dos Santos vê uma Belém que não para de crescer com prédios tornando o horizonte cada vez menos familiar, a não ser nas áreas onde a baía do Guajará ainda aparece. O rio de águas barrentas lhe traz recordações imediatas de sua infância em Ponta de Pedras, na ilha do Marajó. Ali nasceu, crescendo no engenho de cana-de-açúcar do pai, Bernardino Ferreira dos Santos, imigrante português que abastecia com álcool toda região. Mesmo sendo um homem de poucos estudos, seu pai valorizava a leitura, e com o apoio de sua mãe, Ester Tavares dos Santos, logo perceberam que os horizontes do menino Ruy eram maiores que a ilha, decidindo enviá-lo para estudar em Belém. Na capital, após o ginásio, como era conhecido o ensino médio na época, decidiu ser médico ingressando na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, na época uma instituição particular, que mesmo sendo paga era uma escola muito pobre, mas com grandes professores, informa. Dos seus dias de acadêmico recorda nomes como do então diretor, Dr. Camilo Salgado ( ), cuja figura ressalta: todos os médicos queriam ser Camilo Salgado, era um homem de muita clientela ; Orlando Lima ( ), catedrático de Obstetrícia de grande prestígio: todas as gestantes queriam que ele fizesse o parto ; Jayme Aben-Athar ( ) de Anatomia Patológica: com seus vastos conhecimentos adquiridos no exterior ; Oscar Miranda ( ), então docente livre de clínica propedêutica: homem muito estudioso ; e do cirurgião e político de destaque Prisco dos Santos ( ). De todos seus professores, um dos que mais o marcou foi Acylino de Leão ( ), catedrático de propedêutica, o qual define como um mestre muito culto e não era qualquer estudante que tinha nível para conversar com ele. A cerimônia de formatura foi no tradicional 8 de dezembro, o ano era Às 20 horas, no salão nobre da Faculdade de Medicina colaram grau os seguintes doutorandos: Tarquinio José Lopes, Antônio Souza de Oliveira, Maria de Nazareth Salles, José Roberto da Silva Lima Jr, Renato Borralho de Medeiros, Orlando da Costa Tavares Videira, Manoel Marinho Monte (orador), Ruy Ferreira dos Santos, Luizileno Brasil, Miguel Lupi Martins, João Ferro Costa e Maria Luiza Monteiro de Menezes (juramentista). O paraninfo foi o catedrático de Anatomia José Alves Dias Jr ( ). Da ata :...o senhor Presidente deu a palavra ao venerado professor Dr. Antonio Marçal, homenageado no quadro de formatura dos novos médicos, que proferiu formoso e emocionante discurso, sendo delirantemente palmeado pela assistência ao terminar. A turma teve um racha, coisa comum já naquela época, tendo uma parte dos colegas optado por colar grau no dia 11 de dezembro, os quais foram: Cláudio de Mendonça Dias, Cláudio Pastor Dacier Lobato, Maria José von Poumgartten, Maria do Carmo Sarmento, Carlos de Sousa Vasconcelos, Pedro Vallinoto, Nilson de Carvalho da Silva, Orlando Rodrigues da Costa, Rubens Bezerra Valente e Hugo Craveiro Durand. Com muitas pessoas de sua família sofrendo de surdez, a escolha pela Otorrinolaringologia como especialidade foi um caminho óbvio. Iniciada a guerra, refere ter tido que trabalhar no interior do Amazonas, em lugares que nem sonhava que existiam. Finda a guerra, iniciou o aprendizado de Otorrino tendo operado muito com Celso Malcher, catedrático desta disciplina que chegaria a prefeitura de Belém: era um homem muito sofisticado e culto, acordávamos muito cedo e íamos operar na Santa Casa, conta. Atuou ainda na Beneficente Portuguesa. Em 1950 ingressou na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará como livre docente após concurso onde defendeu tese Contribuição ao Tratamento Cirúrgico da Tonsilite Crônica. A Folha do Norte de 4 de fevereiro daquele ano definiu sua defesa como um atestado eloquente de sua capacidade, do seu amor pelo trabalho e da fascinação que os livros exercem sobre seu espírito considerando seu autor como um exemplo digno de imitação,...que venceu pelo estudo perseverante, colocando acima dos arroubos da juventude a compreensão de seus deveres para com o resto da humanidade. Sua atuação como professor foi marcante, sendo até hoje lembrado por ex-alunos. Por volta de 1960 transferiu-se para o Rio de Janeiro tendo trabalhado em Dr. Ruy Ferreira: Não me sinto com a idade que tenho. Faço tudo sozinho diversos lugares, entre os quais a Clínica Kós, referência em sua área, fundada pelo major médico paraense José Kós, em Ali aprimorou-se e acompanhou a evolução de sua especialidade. Operação de amídala era algo muito rústico, evoluiu muito; depois surgiram as cirurgias de seios da face, para os casos complicados de sinusites, e por fim as cirurgias que resolviam alguns casos de surdez. Gostava de praticar todas, ressalta. Deste período recorda com carinho a intervenção em um paciente que não ouvia há quarenta anos, quando terminei a cirurgia perguntei seu nome, ele respondeu em voz alta, jamais esqueci afirma. Residindo novamente em Belém desde 2005, o Dr. Ruy Santos que completará um século de vida em 19 de julho, brinca deve haver algo errado com minha certidão de nascimento, no meu tempo um homem de 70 anos era considerado velho, eu não me sinto com a idade que tenho. Faço tudo sozinho. Respondendo a tradicional pergunta sobre segredos de longevidade finaliza: nunca bebi, nunca fumei e tive uma mulher só. Quem disse que longevidade é algo ao alcance de todos? * Patologista 5

6 Helio Franco diz que prioridade deve ser a atenção básica e ajuda aos municípios Em entrevista exclusiva ao Jornal, o secretário de Saúde do Estado, Helio Franco, fala sobre suas ações e planos à frente da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), de temas como os serviços de saúde no Pará e as prioridades da gestão atual Sespa quer buscar parcerias em sua opinião,os serviços de saúde no Pará deixam muito a desejar e é preciso controlar melhor o diabetes a hipertensão. Ele afirmou que o Hospital Abelardo Santos vai continuar sob a tutela do Estado e na Unidade de Saúde da Pedreira, o serviço de diagnóstico de meningite será transferido para o Hospital Barros Barreto. De acordo com Helio Franco sua gestão priorizará o combate à dengue em parceira com as entidades médicas, qualificar os 76 hospitais municipais, a descentralização do tratamento do câncer no Estado, a atenção primária, a área materno-infantil e o setor de urgência e emergência. Helio Franco de Macedo Junior se formou em 1975 pela Faculdade de Medicina da UFPA, é especialista em Clínica Médica. Foi o primeiro médico a trabalhar na Transamazônica, no período de 1977 a 1983 no Projeto Pacal. De 1995 a 2002, Helio Franco foi presidente da Fundação Santa Casa de Misericórdia. Ele também é médico concursado do Ministério da Saúde, desde 1983 e da Secretaria Estadual de Saúde do Pará, desde Segundo Helio Franco, apesar de a atenção primária ser responsabilidade dos municípios, é importante que a Sespa faça a sua parte não apenas repassando recursos financeiros, mas, principalmente, contribuindo com a gestão e capacitando recursos humanos. Ele citou como exemplo o programa Hiperdia, que atua no controle do diabetes e hipertensão arterial e precisa funcionar bem, para que as doenças não se agravem e levem milhares de pessoas aos hospitais com AVC ou insuficiência renal. Hoje, o diabetes e a hipertensão são as doenças que mais matam no Brasil, em função da falta de controle, pois não basta apenas medicamentos, é preciso acompanhamento nutricional e outros fatores, como prática de atividade física, explicou o secretário. No que tange aos hospitais municipais, Helio Franco disse que eles também precisam funcionar bem, para que menos pessoas precisem vir a Belém em busca de atendimento. O hospital municipal tem que ter capacidade, pelo menos, de fazer o diagnóstico. Para isso, o governo do Estado vai auxiliar os municípios a equipá-los. Sobre a área materno-infantil, o secretário de Saúde disse que é fundamental para tudo, porque inclui pré-natal, parto, aleitamento materno e estímulo à afetividade entre a mãe e o bebê, importantes para a toda a vida do ser humano, contribuindo, também, para redução da violência, que leva muitos indivíduos a necessitar de atendimento de urgência e emergência. Em relação ao câncer, Helio Franco disse que já conversou com o reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Carlos Maneschy, e com o diretor do Hospital Universitário João de Barros (HUJBB), Eduardo Leitão, para acelerar o funcionamento da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), que vai aliviar um pouco da demanda por tratamento de câncer no Estado. Deverá entrar em funcionamento também no HUJBB, o mais rápido possível, a Unidade de Diagnóstico de Meningite (UDM), que deixará de funcionar na Unidade da Pedreira. Na ocasião, ele lembrou que das sete milhões de pessoas que moram no Pará, 2,5 milhões vivem com apenas R$ 4 por dia, ou seja, R$ 120 por mês. E é, principalmente, para essas pessoas que temos que trabalhar, observou.(*) Tendo em vista sua experiência com as entidades médicas, como o senhor analisa a situação da saúde no Estado? Em geral, quando se fala nas condições de saúde, como está implícito na pergunta, está se referindo aos serviços de saúde, em como as pessoas estão sendo atendidas e a qualidade deste atendimento. Até porque saúde é algo bem mais abrangente e tem uma série de condicionantes e determinantes. Se mais de dois milhões de pessoas no Estado vivem com cerca de quatro reais por dia é absolutamente impossível admitir que possam estar sadias. Quanto aos serviços, também se torna evidente que deixam muito a desejar. São muitas pessoas aguardando exames, consultas e outros procedimentos por longo tempo. Um grande entrave na qualidade da atenção à saúde está na precariedade da atenção básica, que é uma responsabilidade dos municípios. Muito da demanda por procedimentos de média e alta complexidade decorre desta baixa qualidade da atenção primária. Como exemplo disso temos o caso emblemático do câncer do colo do útero, que continua sendo a maior causa de morte de mulheres por neoplasia no Estado e que, na 6

7 verdade, é uma DST, que pode ser prevenível, tratável e curável quando diagnosticado no início e a um custo baixíssimo. Outro exemplo claro da ineficiência da atenção básica está na má qualidade do pré-natal, que nos leva a ter cerca de 2% de nascimentos com sífilis congênita, que ser for diagnosticada no durante a gravidez poderemos curar a mãe, a criança e o parceiro por apenas 15 reais, incluindo aí exames e medicamentos. No entanto, quando a criança nasce com a doença ela fica internada em berçário pelo menos dez dias a um custo médio de mil reais por dia. Outro problema é a falta de melhor controle do diabetes (8% da população) e da hipertensão, uma doença silenciosa e que atinge mais de 20% da população acima de 40 anos. Estas duas doenças são responsáveis por significativo número de internamentos de mais de 90% de pessoas na hemodiálise, assim como é responsável pelo maior número de mortes no país e não é diferente aqui no Estado. Como ajudar os municípios a fazer uma boa prevenção de doenças, a fazer boa proteção a saúde, a fazer promoção adequada e a tratar aquilo que lhes cabe? Este será nosso grande desafio, até porque não basta injetar recursos financeiros. Já vimos que fazer um bom pré-natal e a evitar que o câncer do colo do útero que mata nossas mulheres não depende de grandes somas de dinheiro. Muito pelo contrário: temos que ter estratégias inovadoras para convencer os Municípios e aí não só os gestores, mas toda a comunidade local a dar importância devida à atenção primária à saúde. A saúde é um direito de todos, mas também é dever de todos trabalhar por ela e não só um dever do Estado como diz o artigo 196 da nossa Constituição dita cidadã. Quais são as medidas ou planos da sua administração acurto, médio e longo prazo? As medidas já estão sendo tomadas desde os primeiros dias de governo. Sabemos que quando se trata de saúde praticamente tudo é prioridade. Mas temos que eleger as prioridades das prioridades. Assim elencamos que ajudar os municípios a fazer uma atenção básica resolutiva é prioridade, assim como dentro da atenção básica priorizarmos a atenção materno-infantil e o programa que cuida do diabetes e da hipertensão e também dar uma atenção grande à urgência e emergência. Também será prioridade qualificar os 76 hospitais municipais, pois com isto diminuiremos as transferências sem aviso prévio para cidades pólos e para Belém. Outra prioridade que já está sendo tocada será nossa maior preocupação, e queremos dividi-la com as entidades médicas, é a dengue. Além da prevenção, ainda estamos tendo problemas sérios com o manejo a descentralização do tratamento do câncer. Já estamos agilizando o funcionamento da unidade de tratamento de câncer do hospital Barros Barreto. Outra área em que estamos tomando providências é a nefrológica. Para tanto estamos trabalhando o Plano Estadual de Nefrologia, que abrange a prevenção, o diagnóstico precoce da insuficiência renal e expandindo os serviços de hemodiálise em todo o Estado. Qual a parcela de participação da Sespa na saúde de Belém, considerando o processo de municipalização? Como fica o repasse de unidades (Abelardo Santos, Pedreira etc) para o município? O hospital Abelardo Santos continuará com o Estado e nele será implementado o serviço materno- -infantil, além da urgência e emergência e um serviço especializado de saúde bucal. Para o local também está sendo estudada a possibilidade de ser uma retaguarda para a traumato- ortopedia. Quanto à Unidade da Pedreira estamos retirando o serviço de diagnóstico de meningite, que está sendo transferido para a Unidade de clínico dos pacientes. Diagnóstico de Meningite do hospital Barros Barreto, onde tal serviço funcionará com ótima estrutura e retaguarda do próprio hospital. A dificuldade que estamos enfrentando é que nossos doutores que estão na Pedreira estão resistindo a trabalhar na nova e bem montada e equipada Unidade de Diagnóstico de Meningite do Estado. Contamos que eles revejam tal posição para o bem de todos. Qual a importância dos hospitais regionais e a participação deles no organograma da saúde no Pará? Os hospitais regionais são extremamente importantes dentro da rede de atendimento hospitalar, pois com eles o Estado leva a média e alta complexidade para cinco grandes regiões do Pará. Basta visitar qualquer um deles (Marabá, Santarém, Altamira, Redenção, Metropolitano de Ananindeua e Breves) para verificar que estão sempre lotados. Estes pacientes teriam que vir para Belém caso estes hospitais não existissem. São milhares de pessoas bem atendidas mais próximo de onde residem. O que precisamos é ter um acompanhamento bem de perto do cumprimento das metas acordadas com cada um deles assim como verificar indicadores de qualidade dos atendimentos. Este acompanhamento deixou de ser feito há pelo menos um ano e meio e agora estamos retomando. Como funciona a Central de Regulação do Estado? Ainda não temos uma central de regulação. Existe uma regulação ainda precária para a neonatologia. A questão da regulação é também uma dos preocupações e necessita implementação. Vamos também trabalhar nesse sentido. Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, vai continuar sob tutela da Sespa Quais os projetos de qualificação profissional na Sespa? Vamos dar muita atenção para a Escola Técnica do SUS. Ela terá todas as condições necessárias para treinar e capacitar pessoal de nível médio para todos os municípios. Como o senhor pretende resolver o Plano de Cargos, Carreira e Salário no Estado, já que o Pará é um dos poucos Estados que não possuem tal plano? A questão do plano de cargos, carreiras e salários certamente não será implementado este ano. A comissão que trata do assunto será reativada para dar andamento nas discussões. Consideramos que o plano é importantíssimo para qualidade maior nos serviços de saúde do Estado. Neste momento nossa maior preocupação, e queremos dividi- -la com as entidades médicas, é o problema da dengue. Estamos com uma epidemia em curso, com óbitos inclusive e muitas internações devido às complicações. Além da prevenção, como eliminar criadouros do mosquito transmissor (responsabilidade de todo mundo), ainda estamos tendo problemas sérios com o manejo clínico dos pacientes. Há pacientes complicando e necessitando de cuidados terciários devido ao manejo inadequado em alguns serviços. Esperamos grande engajamento das entidades médicas para que consigamos enfrentar com qualidade este problema. A dengue vai sempre estar entre nós e produzindo vítimas principalmente entre crianças. Ressalte-se que a dengue é bem democrática, pois não escolhe condição social para causar vítimas como outras mazelas. (*Fonte Assessoria de Comunicação Sespa) 7

8 QUALIDADE DE VIDA Colecionador apaixonado O médico José Maria Abreu fala da paz obtida com o hábito de colecionar antiguidades Quando o médico ginecologista e obstetra aposentado José Maria Abreu tinha entre seis e sete anos e morava na cidade de Pinheiro, interior do Estado do Maranhão, viu uma peça clássica de porcelana francesa de Limoges ser iluminada. Como era uma peça que representava um pequeno chalé de porcelana vazado, uma típica casa europeia, própria para ser iluminada por dentro, o então garoto José Maria Abreu se encantou com a luz que a mãe fazia brilhar com velas ou chumaços de pano ou barbantes embebidos em óleo. A peça em questão fazia parte de uma infinidade de outros objetos de arte que um ancestral de José Maria Abreu havia trazido da Europa no início do Século XX. Aquela luz do pequeno chalé de porcelana vazado acompanhou o médico e ficou gravada em sua retina e memória, fazendo surgir o interesse de colecionador. Coleciono peças principalmente da Belle Epóque ou nesse estilo. Gosto de peças de bronze, de louça, porcelana e cristais. Quando vim a Belém para estudar não tinha condições financeiras, conta o médico aposentado. Após a formatura, ele deu impulso ao desejo de colecionar. Passou a frequentar leilões, a adquirir peças, a viajar e comprar o que lhe chamava a atenção. Mas a paixão também se tornou um benefício à vida dele. José Maria explica: É uma terapia. Fico horas admirando os detalhes, aprendendo sobre determinada peça, fazendo a manutenção e limpeza, pesquisando sobre estilos e autores. Isso me ajudou muito em minha profissão, me relaxava. Colecionar e fruir esse material artístico influi positivamente na melhoria da minha qualidade Para José Maria Abreu a paixão por antiguidades começou com a peça à direita de vida. Ele disse ainda que o ato de simplesmente admirar as peças traz muita paz e tranquilidade. Uma das peças é de especial predileção do colecionador: uma estatueta de bronze de Auguste Moreau, premiada em Paris, na França, em Essa peça é de grande importância para quem coleciona pelo valor histórico e origem. Também tenho carinho por uma peça chamada Prelúdio, que é uma estatueta em mármore de Carrara, feita em um bloco único, explica o José Maria Abreu. A coleção do médico aposentado possui ainda faiança, xícaras de porcelana casa de ovo- em sua maioria vindas dos países orientais. Dizem que não é a gente que coleciona as peças, mas que elas nos colecionam; colecionam seus donos, já que elas atravessam gerações, filosofa. 8

9 espaço do conselheiro A bioética e a religião Arthur da Costa Santos Conselheiro Bioética compre- o envolvimento Aende em situações em que as técnicas biomédicas se defrontam com as grandes e eternas questões metafísicas. Qual é o início da existência, o sentido da doença, do sofrimento, da cura? E o término da vida? Deus é necessário para um questionamento bioético? Nesse caso, de que Deus se quer falar? Que imagem de Deus seria convocada? A questão não é simples, pois os termos se opõem: de um lado, a Bioética dependeria da norma, pouco compatível com um horizonte de interioridade onde a questão Deus poderia surgir; do outro, como falar de espiritualidade quando se trata de confrontá-la com a secularização, com questões éticas que surgem a cada dia no exercício profissional? O sentido da Bioética é, pois, a tentativa de instituir parâmetros para lidar com os conflitos de nossa subjetividade. Por exemplo, entre o impedimento da criação de clones humanos e o uso terapêutico de células-tronco de embriões clonados. Quem acreditaria, há vinte anos, que um ser humano pudesse ser concebido fora do corpo de uma mulher? Ou que duas mulheres reclamassem o direito sobre o mesmo bebê por participarem, uma e outra, da fecundação e gestação daquele? Que alguém pudesse ser mantido em estado vegetativo irreversível por vários anos? Ou que um casal gerasse um filho com a finalidade precípua de ser doador de medula para filha com leucemia? Como conciliar essas posições díspares frente a procedimentos técnicos similares, senão reconhecendo que evidenciam o conflito entre as emoções em cada um de nós? Relativamente recente, a Bioética se reveste de múltiplas faces e diferentes formalizações. Por ela constatamos que a busca ética se tornou inevitável; não é mais possível pensar numa situação ou acontecimento sem evocar sua dimensão ética. Entretanto, embora o recurso à ética esteja mais presente do que nunca, é preciso reconhecer que a sociedade e as instituições lhe oferecem bem poucas estruturas, mesmo porque uma visão lúcida do que é vivido implicaria em excessivos questionamentos, para os quais ainda não estamos preparados. Embora seja inegável a existência de um anseio ético, isso não quer dizer que Pode-se ver na reserva da Igreja o que ocorre com toda pessoa ou instituição diante de uma novidade: a dificuldade de compreender as pessoas estejam dispostas a levantar todas as indagações e deixá-las viver em sua total radicalidade. A evidência está, principalmente, no nível da real percepção de que algo não vai bem, de que é preciso colocar ordem na casa : a Ética como slogan aparecendo em todos os discursos mobilizadores do tipo a ética é necessária, é preciso uma medicina mais humana, e outros tantos que por vezes funcionam como simples ideologias sem conteúdo, não se transformando em ação, pois não é a ética em si que está sendo visada, mas sua finalidade instrumental. Encarada de início como uma norma exterior o que permitido fazer ou não fazer, a Bioética passou a ser considerada como um caminho possibilitando uma auto-avaliação de sua prática e do que está em jogo quanto à determinada imagem do homem. Assim, inicialmente encarada como restrição, transforma-se em reflexão. A Bioética lida com problemas novíssimos, e todo juízo rápido é suspeitoso, principalmente por que ela é a parte da Ética que lida com questões relativas ao que seria o bem ou o mal. Surge com Potter, em 1971, diante de uma situação concreta: o número de pacientes que fazia uso de hemodiálise crescera. Sem máquinas suficientes, o que fazer diante de uma demanda maior que a oferta? O médico tinha de decidir quem iria receber o tratamento e quem não (esses morreriam). Que critérios usar para questões que podem decidir a vida ou a morte de uma pessoa, sem esquecer os aspectos religiosos ou espirituais, preservando-se o caráter plural da discussão e não posições sectárias? O desenvolvimento das ciências e das técnicas biomédicas nas áreas da neurociência, da genética, por exemplo, traz interrogações ainda não analisadas em profundidade, especialmente do ponto de vista teológico. Mas há também questões teológicas ainda consideradas isoladamente, desligadas do espaço em que estão enraizadas. Para responder a essas questões novas é grande a tentação de se recorrer a categorias morais ou teológicas antigas, utilizando conclusões já conhecidas (por exemplo, pensar a questão da fecundação in vitro a partir de uma compreensão do embrião, ligada a uma reflexão sobre o aborto). Deste modo, a Bioética tenta mostrar que é preciso refletir a cada questão com perspectivas novas, sem posições definidas, mas acolhendo as perguntas tais como elas se apresentam, tentando atingir o núcleo do desconforto, da dificuldade aquilo que causa o problema. Tal abordagem evidencia a dinâmica do provisório, reconhecendo um espaço para o conceito de incerteza; espaço que não implica necessariamente a ideia de um relativismo, de um aleatório na pesquisa, mas que nenhuma situação particular avaliada por si mesma poderá circunscrever- -se em princípios, conclusões definitivas que formariam jurisprudência para outros casos semelhantes. É a ideia de que a vida é mais forte que a racionalidade e a ética, pois as conduz a questionar-se e a aceitar, como um postulado, o fato de que tudo se modifica continuamente, de que temos um domínio apenas relativo sobre os acontecimentos, sobre o que se pode decidir e viver. Mas aceitar o conceito de incerteza dentro da Bioética não ofereceria o risco de orientá-la para um probabilismo no sentido de que, em situação de urgência, seria escolhida a solução mais provável, o maior denominador comum como conclusão de uma discussão racional dos diversos atores envolvidos? Tal abordagem pode ocorrer em determinado uso da Bioética como instância de regulação, embora sua compreensão como campo interdisciplinar permita escapar desse simplismo. A Bioética não se propõe a elaborar normas para as pessoas em condições de decidir, mas sim a considerar, da melhor forma possível, uma questão particular em toda sua complexidade. Isso faz com que as pessoas em tais condições, sempre envolvidas pelas próprias responsabilidades, possam tomá-la com a máxima lucidez em relação às consequências que tal decisão acarretará. Vemos ai, que estamos longe de uma casuística probabilística que ofereceria os motivos suficientes de ação, pois a Bioética visa, acima de tudo a formação de um sujeito ético. Entendendo o probabilismo como renúncia à crença de que é possível mover- -se continuamente numa verdade, ele tem seu espaço na investigação bioética, não como uma incapacidade do sujeito de ver claramente por si mesmo, mas como testemunho dos limites existenciais inerentes à condição do sujeito e à decisão moral que aceita a complexidade de toda situação. Podemos entender que a Bioética como caminho de humanização, via de interioridade e caminho de espiritualidade representa uma chance real para a Igreja, por sua afinidade com as dimensões evangélicas da existência e da espiritualidade cristã. Portanto, por que a Igreja deveria temê-la, considerá-la como uma trajetória autônoma secular? Há sempre receio diante dos novos desafios com os quais a Bioética se defronta. Realmente, determinados experimentos podem levar, senão a uma modificação, pelo menos a uma redefinição dos elementos constitutivos do ser humano. Dessa forma, compreende-se certas reservas da Igreja. Porém, atrás de tal prudência esboça-se, às vezes, uma desconfiança quase instintiva diante da novidade que não se encaixa nas antigas e seguras categorias teológicas e morais. Pode-se ver na reserva da Igreja o que ocorre com toda pessoa ou instituição diante de uma novidade: a dificuldade de compreender o que apresenta um questionamento e deveria levar a uma nova forma de auto-apreensão. Trata-se da novidade das situações, mas, sobretudo da novidade no que diz respeito à reflexão e às problemáticas que tratam do ser humano: O que define a pessoa? Onde começa a vida? Qual é o lugar legítimo da intervenção humana no domínio da vida, reconhecida como um valor sagrado e inviolável? E se a Bioética deve se posicionar, muitas vezes de maneira provisória em todas essas indagações, pode-se compreender a dificuldade ou a relativa lentidão da Igreja em lhe seguir os passos. A Bioética abre caminhos comuns de humanidade e constitui um espaço em que o ser humano tem a chance de preservar suas dimensões constitutivas graças à instauração do questionamento, de um caminho do perceber pela razão. Representa uma real oportunidade de respeitar a espiritualidade ética, e a Igreja deveria alegrar-se em ver o homem contemporâneo não se deixar fechar na objetivação, no materialismo, na horizontalidade, ou seja, na ausência de finalidades teóricas e práticas. 9

10 comunicados e notificações Atenção, médicos do Estado do Pará! Abaixo reproduzimos o edital de Aplicação de Penalidade, com as penas publicadas no Diário Oficial do Estado e no jornal Diário do Pará. Edital de Aplicação de Penalidade O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará, no uso das atribuições legais que lhe confere a Lei n.3.268/57, e na conformidade do Acórdão exarado pelo Conselho Federal de Medicina nos autos do Processo Ético Profissional CFM Nº /2009 (Processo Ético Profissional CRM/PA nº52/2005), vem aplicar a pena prevista na alínea C do artigo 22 da Lei n.3268/57 CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFI- CIAL ao médico LUIZ OTAVIO DE SOUZA OLIVEIRA (CRM/PA 2355), por infração ao artigo 98 do Código de Ética Médica(Resolução CFM Nº1.246/1988), cujos fatos também estão previstos no art.68 do Código de Ética Médica (Resolução CFM Nº1931/2009), nos termos do voto do Conselheiro Relator. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará, no uso das atribuições legais que lhe confere a Lei n.3.268/57, e na conformidade do Acórdão modificado e exarado pelo Conselho Federal de Medicina nos autos do Processo Ético Profissional CFM Nº /2009 (Processo Ético Profissional CRM/ PA nº44//2006), vem aplicar a pena prevista na alínea C do artigo 22 da Lei n.3268/57 CENSURA PÚ- BLICA EM PUBLICAÇÃO OFI- CIAL ao médico DR. JOSE GUA- RANY MEDEIROS (CRM/PA 741), por infração ao artigo 29 do Código de Ética Médica(Resolução CFM Nº1.246/1988), cujos fatos também estão previstos no art.1º do Código de Ética Médica (Resolução CFM Nº1931/2009), nos termos do voto do Conselheiro Relator. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará, no uso das atribuições legais que lhe confere a Lei n.3.268/57, e na conformidade do Acórdão exarado pelo Conselho Federal de Medicina nos autos do Processo Ético Profissional CFM Nº //2008 (Processo Ético Profissional CRM/PA nº43/2005), vem aplicar a pena prevista na alínea C do artigo 22 da Lei n.3268/57 CENSURA PÚBLICA EM PU- BLICAÇÃO OFICIAL ao médico SÉRGIO FLEXA RIBEIRO PRO- ENÇA (CRM/PA 2568), por infração aos artigos 29,33 e 38 do Código de Ética Médica(Resolução CFM Nº1.246/1988), cujos fatos também estão previstos nos arts.1º, 5º e 10 do Código de Ética Médica (Resolução CFM Nº1931/2009), nos termos do voto do Conselheiro Relator. CONVOCAÇÃO O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará convoca o médico Marcelo Luiz Miranda Chaves a comparecer em sua sede, no prazo de 10 (dez) dias, a fim de tratar de assuntos de seu interesse. Termina prazo para recadastramento on-line O recadastramento on-line terminou. Veja o que fazer. O Conselho Federal de Medicina (CFM) informa que não há mais possibilidade de preencher via online o formulário de recadastramento dos médicos. No entanto o profissional ainda pode atualizar seus dados diretamente na sede do Conselho Regional de Medicina do seu estado. O formulário eletrônico esteve disponível por dois anos no site do CFM. O médico recadastrado está apto a receber a nova Carteira de Identidade Médica, mais segura contra fraudes. A atualização permitirá também definir o perfil do médico brasileiro, indicando suas características (idade, gênero, local de trabalho, qualificações e área de atuação, entre outras), importantes dados para auxiliar pesquisas e estudos estatísticos para traçar as necessidades da categoria e desenvolver estratégias para enfrentar os principais desafios. Tire suas dúvidas Não fez o recadastramento? O médico deve procurar a sede do Conselho Regional de Medicina ou delegacia do CRM mais próxima. Informe-se sobre a necessidade de agendamento junto ao seu Conselho e compareça portando os seguintes documentos (originais e cópias): carteira de identidade (RG); título de eleitor; CPF; comprovante de residência (recente); diploma; títulos de especialista; carteira profissional; comprovante de sociedade em empresa de serviços médicos, se for o caso; se médico estrangeiro, apresentar, também, comprovante de legalidade de permanência no país; foto colorida. Concluiu a etapa online? O médico deverá se dirigir ao CRM de seu estado portando os documentos acima relacionados para assinar a solicitação da sua nova carteira de identidade médica. Quem já preencheu o formulário e entregou os documentos? Em alguns dias receberá um aviso para retirar a nova carteira de identidade médica. Fonte CFM 10

11 noticiário médico entrega carteiras no dia 27 de agosto, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará realizou a solenidade de entrega da carteira aos novos médicos que chegam ao mercado de trabalho. Quarenta e seis profissionais recém- -formados pela Universidade Federal do Pará receberam as boas vindas da presidente do Conselho, Dra. Fátima Couceiro. A partir de hoje vocês são médicos de fato e de direito. Participaram da cerimônia também o vice-presidente do CRM Dr. Joaquim Pereira Ramos e os diretores Dra. Tereza Cristina e Dr. Jorge Tuma, além do Dr. João Gouveia, representando o Sindmepa. Durante a cerimônia, a presidente do, discursou aos colegas de profissão sobre a realidade e os planos de ações do Conselho para a classe médica. Somos uma autarquia federal que fiscaliza, legisla e cumpre as normas do Conselho Federal de Medicina, disse. Além disso, Fátima Couceiro destacou a importância da profissão por meio de uma apresentação institucional. Neste momento, vocês médicos estão aptos a exercer a profissão com responsabilidade. Ela destacou ainda Que a relação médico-paciente é, antes de tudo, uma relação de confiança, que deve ser buscada a todo custo. A construção de um novo olhar sobre a medicina exige, entre outros quesitos, a reflexão sobre a formação médica. A medicina atual, pressionada pelo volume de informações científicas e recursos tecnológicos, tem se voltado para a especialização, na tentativa do alcance de todas as possibilidades de ação. A novidade deste ano foi que o ultrapassou a marca dos dez mil médicos registrados. A médica Graciele Pamela Spolti recebeu o CRM de nº 10 mil e foi a primeira a receber a carteira do Conselho, além de prestar o juramento. Os novos médicos (foto superior) e conselheiros do e o representante do Sindmepa durante cerimônia de entrega de carteiras profissionais Alerta sobre publicidade médica A presença do médico nos meios de comunicação tem se tornado cada vez mais comum. A comunicação assume relevância cada vez maior na promoção da saúde. Os veículos de comunicação de massa assumem um papel fundamental para informar a população sobre a prevenção de certas enfermidades e problemas de saúde. Embora os esclarecimentos sejam importantes, alguns profissionais têm se destacado mais do que o assunto. O Código de Ética Médica impõe que a divulgação de assuntos médicos seja exclusivamente utilizada para esclarecimento e educação da coletividade. O Conselho Federal de Medicina, ao emitir a Resolução n.º 1785/2006 (que regula a publicidade médica), estabelece os critérios norteadores da propaganda em medicina, conceitua os anúncios, a divulgação de assuntos médicos, o sensacionalismo, a autopromoção e as proibições referentes à matéria. O que muitos médicos não sabem é o que os excessos cometidos na mídia podem implicar em processos ético-profissionais. De acordo com o coordenador do Codame (Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos), Dr. Joaquim Ramos, Acompanhamos à exposição dos médicos na mídia e todas as situações quem chegam ao são avaliadas pela comissão. O objetivo desta matéria e alertar os médicos para os excessos cometidos com a publicidade médica. Veja agora o que pode e o que não pode. (Texto: Rodrigo Monteiro) O que pode Anunciar serviços de maneira sóbria, informando nome, especialidade e número de registro em CRM. Títulos científicos comprováveis e meios de contato também podem ser informados; Em anúncios de pessoas jurídicas, incluir o nome do diretor técnico da instituição, com a respectiva inscrição no CRM local; Conceder entrevistas a veículo de comunicação para esclarecer a sociedade; Usar imagens de tratamento em eventos científicos, quando imprescindível, mediante autorização expressa do paciente; Receber títulos ou homenagens de entidades reconhecidas pela sociedade, como universidades, instituições públicas, sociedades médicas, entre outras. O que não pode Conceder entrevista para se autopromover No contato com a imprensa, fornecer endereço e telefone de consultório para angariar clientela; Participar de anúncios comerciais; Divulgar tratamento não reconhecido pela comunidade científica; Anunciar títulos científicos sem a devida comprovação; Apresentar como originais descobertas que não o sejam; Abordar tema médico de modo sensacionalista; Não incluir em anúncios seu registro em CRM; Prometer, garantir ou insinuar resultados; Fazer consulta pela mídia; Afirmar possuir aparelhos que lhe atribuem capacidade privilegiada; Expor imagens de paciente para divulgar técnica, método ou resultado de tratamento; Oferecer serviços por meio de consórcios ou similares; Participar de concursos ou premiações para escolha do médico destaque ou melhor médico ; Dar ao paciente cupons de desconto; Manter vínculo de dependência com indústria de produtos de prescrição médica; Deixar de declarar conflitos de interesse, ainda que potenciais, relativos à sua atuação como docente ou pesquisador Textos: Rodrigo Monteiro 11

12 raios x Livro atrai por sua linguagem acessível Após mais de quatro anos - entre pesquisas e a publicação -, os médicos e escritores Aristoteles Guilliod de Miranda e José Maria Abreu Junior lançaram em novembro do ano passado, no auditório do Conselho Regional de Medina do Estado do Pará (), o livro Memória histórica da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará 1919/ da fundação à federalização. Trata-se de uma publicação de importância histórica, que serve de fonte de pesquisa, mas, acima de tudo, é escrito de maneira leve e com uma linguagem acessível para todos os públicos. Não se trata de um livro apenas para médicos ou profissionais de saúde e chama a atençlão do leitor por sua linguagem atraente e pela bela diagramação. A história da primeira Faculdade de Medicina do Pará é o tema da obra, que recebeu uma edição bem cuidada graficamente e com um trabalho impressionante de pesquisa por parte dos dois autores A obra é fruto de um levantamento histórico dos médicos Aristoteles Guilliod de Miranda e José Maria Abreu Junior. O trabalho de pesquisa durou cerca de dois anos. O livro traz informações de documentos oficiais e entrevistas de personalidades da história da medicina no Pará. Para a presidente do Conselho Regional de Medicina do Pará, Fátima Couceiro, o livro é o esforço de um trabalho árduo dos autores para resgatar a história da Faculdade de Medicina. O livro traz informações de documentos oficiais e entrevistas de personalidades da história da medicina no Pará. O livro é composto por 29 capítulos, distribuídos em 520 páginas e mais de 77 fotografias em preto e branco. Segundo os autores, o conteúdo da obra é bastante abrangente. A obra faz um passeio histórico desde a época em que a Faculdade era uma instituição privada até a luta para que ela virasse uma instituição pública federal. Resgatamos nomes esquecidos dos primórdios da Faculdade, como o Barão de Anajás; trazemos dados novos de personagens, como o doutor Camilo Salgado; ainda esclarecemos muitos fatos que ficaram obscuros na historiografia oficial, garante José Maria de Abreu. Para Aristoteles Guilliod, o livro prenderá a atenção do leitor independentemente de este ser médico, pois os fatos relatados ajudam a traçar um painel de época, servindo como fonte de consulta para historiadores, não havendo obra similar no mercado. O livro pode ser adquirido na sede do Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará e com os autores nos respectivos s: e yahoo.com.br. O livro tem patrocínio da Fundação de Apoio de Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp). As três esferas na nova logomarca do A partir de janeiro de 2011, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará passa a ter nova logomarca. A peça foi produzida para todos os Conselhos Regionais e foi elaborada pelo Conselho Federal de Medicina, em Brasília. Neste número do Jornal passamos a adotar a nova logo. Com linhas mais suaves e modernas, a nova identidade visual, em vigor no Portal Médico e nos outros veículos de comunicação do CFM, foi definida após criterioso processo de desenvolvimento da marca e é adotada gradualmente pelos conselhos regionais de medicina. Segundo o presidente do CFM, Roberto Luiz d Avila, o novo signo representa bem mais que a adoção de um desenho. A logomarca traz uma história rica, de compromisso com as boas práticas da classe médica, base para a melhoria constante da saúde e do bem-estar da nossa sociedade. A logomarca carrega em seus traços a proposta de inovação promovida pelo CFM, que visa maior interação da entidade com os médicos, pacientes e a sociedade em geral. A logomarca do CFM proposta aos conselhos regionais de medicina incorpora elementos gráficos que dão forma a uma esfera composta pela superposição de outras figuras geométricas, onde no centro se encontram o caduceu e a serpente, símbolos da medicina. PARA USO DOS CORREIOS - Motivo da devolução Mudou-se Desconhecido Ausente Endereço insuficiente Recusado Falecido Não existe o nº indicado Não Procurado Outro

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