A PRODUÇÃO DE VIDEO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM: UMA EXPERIENCIA NO COLEGIO GRÊMIO ESCOLAR SERRANO, ITABAIANINHA-SE

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1 A PRODUÇÃO DE VIDEO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM: UMA EXPERIENCIA NO COLEGIO GRÊMIO ESCOLAR SERRANO, ITABAIANINHA-SE GT5 EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E TECNOLOGIAS Kaio Eduardo de Jesus Oliveira RESUMO Nos últimos anos temos vivenciando de um modo geral, um fácil e rápido acesso às tecnologias, tanto pelos alunos como também pelos professores, diante disso é necessário refletir sobre o uso desses artefatos em benefícios dos processos educativos. Hoje sabemos que o uso do celular, da filmadora, dos computadores, enfim de aparelhos eletrônicos em geral, estão presentes no dia a dia dos educandos e passam a exercer um papel fundamental no cotidiano de todos. Os meios de comunicação audiovisuais desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante. Passam-nos continuamente informações, interpretadas; mostram-nos modelos de comportamento, ensinam-nos linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em detrimento de outros. Diante desta realidade o presente trabalho tem como objetivo geral, analisar a produção de vídeo na escola, em foco a produção de vídeo dos alunos do ensino básico do colégio Grêmio Escolar Serrano, Itabaianinha-SE. Esta pesquisa foi desenvolvida através dos seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica e documental objetivando aprofundar o conteúdo sobre a temática central deste projeto; pesquisa empírica, com análise direta dos vídeos produzidos pelos alunos, buscando compreender a relevância do mesmo no processo de ensino-aprendizagem. PALAVRAS-CHAVE: Vídeo. Tecnologias da informação e comunicação. Grêmio Escolar Serrano. ABSTRACT

2 KEY WORDS: Movie. Technology of information and comunication. Grêmio Escolar Serrano. 1 INTRODUÇÃO Diante desta sociedade contemporânea marcada pelas inovações tecnológicas, que provocam mudanças no comportamento dos sujeitos, faz-se necessário que a escola reflita sobre como devem ser utilizados os recursos tecnológicos, no processo de aprendizagem dos aluno 2 TECNOLOGIAS E EDUCAÇÃO A partir do momento em que o homem começou a caminhar sobre a face da terra, começou a desenvolver aparatos que fossem necessários à sua sobrevivência. Conforme suas experiências cotidianas foi possível estabelecer uma relação entre o que era conhecido e o que acabara de ser descoberto, através do aprimoramento, favorecendo assim o surgimento de novos instrumentos e artefatos que seriam mais úteis ao seu próprio desenvolvimento. A agilidade no conhecimento e a troca de experiências fizeram com que o homem mudasse o panorama pré-histórico, a exemplo, a Revolução Agrícola, o deslocamento humano por longas distâncias. E assim, começa-se a observar de fato que os conhecimentos e informações começavam a mudar o cenário do crescimento humano no mundo. Em seguida, com a Revolução Industrial surgem às máquinas a vapor, os trens e os automóveis, o que acaba consolidando as conquistas do homem ligadas ao desenvolvimento das tecnologias. Posteriormente, surgem os computadores que mudam a dinâmica e o cotidiano do ser humano, daí novidades como redes de comunicações globais como a internet, vêm colocar a humanidade a viver uma nova era, pois: O uso do raciocínio tem garantido ao homem um processo crescente de informações. Os conhecimentos daí derivados, quando colocados em prática, dão origem a diferentes equipamentos, instrumentos,

3 recursos, produtos, processos, ferramentas, enfim, a tecnologias. Desde o início dos tempos, o domínio de determinados tipos de tecnologias, assim como o domínio de certas informações, distinguem os seres humanos. (KENSKI, 2009, p. 15). No século XXI as tecnologias são notáveis e essências em diversos segmentos da sociedade. Mas, segundo Pretto (1996) foi somente a partir da segunda metade do séc. XX que este movimento de transformações científicas e tecnológicas se manifestaram de forma mais intensa. Diversos aparelhos eletrônicos principalmente o computador invadiram os ambientes de socialização e trouxeram junto com eles uma diversidade de ferramentas de comunicação que alteraram profundamente as relações sociais e consolidaram o que Castells (1999) chama de sociedade em rede. Algumas das chamadas pelos pesquisadores de TIC s surgiram então com a finalidade de facilitar a realização de alguns serviços ao mesmo tempo em que ampliam o acesso à informação como é o caso do computador. Diante destes fatos é mais do que notório que a tecnologia tem papel primordial no fator de dominação, não que esse processo tenha surgido com essa finalidade, mas, as relações econômicas, sendo grande influenciadora no curso das sociedades mantiveram, e ainda mantém o conhecimento tecnológico como instrumental de dominação. Por isso, percebe-se, que as grandes potências econômicas mundiais [...] investem grande parte de seus orçamentos na pesquisa de inovações que garantam a manutenção desse sistema (KENSKI, 2007, p. 16). Nesse cenário de grandes mudanças, a educação que se faz presente no cotidiano e no crescimento do ser humano, não deixa de acompanhar esses grandes avanços, pois ela é uma das principais áreas propulsoras da sociedade, assim a introdução de tecnologias educacionais apresenta-se como uma nova necessidade, isto é, um novo modo de educar, que tem tornado este processo mais dinâmico e moderno. Dentro dessa revolução que pouco a pouco se faz presente no dia a dia da esfera educacional, destacam-se os computadores, sites, redes sociais entre outros. Observa-se também que os estudantes cada vez mais começam a dominar as tecnologias de forma precoce, o que de certa forma, proporciona que o mesmo venha obter informações diferenciadas proporcionando um maior conhecimento e levantando novos

4 questionamentos no ambiente escolar, posteriormente aumentando seu desempenho e almejando resultados finais satisfatórios. Para Renato (1997, p. 9): A importância da reforma dos sistemas educativos é apontada pelas organizações internacionais como uma prioridade na preparação dos cidadãos para essa sociedade pós-moderna. Não é à toa que a introdução das novas tecnologias digitais na educação apresentou mudanças para a dinâmica social, cultural e tecnológica. Essa introdução é realizada a partir das TIC Tecnologias da Informação e comunicação. Com essa nova ordem tecnológica a comunicação passa por uma transformação, na qual pode assumir, ao mesmo tempo, o papel do emissor e do receptor no processo comunicacional e na educação possibilitar maior dinamicidade no processo de ensino aprendizagem, visto que: A introdução do uso das TIC na educação encontra-se ligada aos laboratórios de informática. Assim, no cotidiano escolar, professores e alunos passam a ter mais contato com as atividades de ensino aprendizagem diferenciadas deixando de ser exclusivamente em ambientes presenciais como a sala de aula. (VASCONCELOS et al, 2010, p. 2). Assim sendo, as TIC vêm para renovar às práticas docentes, fazendo com que as aulas tornem-se ilimitadas, isto é, sejam realizadas independentemente da distância entre docentes e discentes. É por isso que as TIC vêm permitindo extrapolar as fronteiras de espaço/tempo, favorecendo, assim a velocidade do processamento das informações e também a interatividade em qualquer parte do mundo. (VASCONCELOS et al, 2010, p. 3). No entanto, o discurso da perfeição jamais deverá ser tomado como via de regra. Necessário será avaliar este processo e também apontar seus principais problemas, uma vez que novos paradigmas trazem consigo novos problemas. Para Kenski (2007, p ), os indivíduos que optam por implantar as tecnologias na educação não medem as consequências desta atitude, ou seja, não é feito nenhum tipo de problematização prévia para que se tenha a devida noção das consequências deste sistema. Segundo a autora a tecnologia por si só não resolve o

5 problema das distrações, conversas paralelas etc., tem seus efeitos positivos, porém não são eficazes como um todo. É necessário que se tenha um controle sobre essa transformação, para que ao invés de solução venha se tornar um problema educacional, e que não venha se construir uma imagem distorcida quanto essa nova perspectiva das tecnologias no âmbito escolar. Além disso, é necessário que haja principalmente um preparo adequado com os docentes nesse processo de implantação das tecnologias na aprendizagem, afinal é preciso que se tenha uma mediação com qualidade entre professor e aluno. Hoje em dia é notável a entrada das tecnologias por meio de computadores nas salas de aula. De acordo com Tajra (2004, p ), o computador é definido dentro do ambiente escolar como uma ferramenta pedagógica capaz de potencializar a aprendizagem de campos conceituais nas diferentes áreas de conhecimento. Para Moran (2000, p.24), a escola assim como outros setores da sociedade precisa compreender e incorporar as novas linguagens tecnológicas, da mesma maneira que deve [...] desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. Portanto a escola ao inserir o computador no cotidiano do aluno faz com que este não fique alheio à nova ordem tecnológica. Nesse sentido, as Tecnologias da Comunicação e Informação, especialmente o computador, ao passarem a mediar às relações sociais entre os indivíduos criam, contudo maiores possibilidades de interação e acesso à informação. Assim, a utilização do computador traz para dentro da sala de aula a necessidade de desenvolvimento de outras habilidades além das mínimas exigidas, como por exemplo, saber ler e escrever. Ou seja, a presença do computador faz com que alunos e professores necessitem do domínio dos recursos que a máquina oferece para que assim ela seja uma facilitadora nas relações que serão construídas dentro da sala de aula. Nesse contexto das tecnologias no ambiente educacional é importante discutir a formação dos profissionais envolvidos, principalmente os professores. Posto que se faz necessário prepará-los para lidar com as diversas situações, pois por mais que o professor tenha domínio instrumental do computador e da rede é necessário que saiba

6 discutir os propósitos e as condições fundamentais da sua plena integração na escola e na própria atividade humana. Nesse sentido concorda-se com Lévy (1999, p. 171) quando ressalta que nesse processo educacional com a inserção tecnológica, os professores aprendem ao mesmo tempo em que os estudantes e atualizam continuamente tanto seus saberes disciplinares quanto suas competências pedagógicas. 2 O VIDEO COMO FERRAMENTA PEDAGOGICA O uso do vídeo não pode ser resumido no sentido de proporcionar novidades e diversidades nas aulas. Sua utilização e estruturação devem ser pensadas como uma ferramenta para uso didático. Isto implica em situações em que o profissional deve sempre ir à busca de conhecimento que o ajudará a adaptar-se às novas exigências. Para Ferréz (1996, p. 20) Sob o enfoque didático, apenas se tem começado a explorar e a experimentar suas múltiplas possibilidades de aplicação em aula. Assim, pode-se dizer que esse recurso ainda apresenta pontos a serem descobertos e a serem explorados de forma significativa. Nesse sentido, para acontecer esse uso didático levando em consideração suas especificidades, a participação do professor é essencial. Ainda segundo o Autor (1996, p. 34). O futuro está em uma nova interação aluno- máquina- professor. O trabalho do professor começa onde acabam os meios. O professor informador e o aluno-ouvinte terão que ser substituídos pelo professoranimador e pelo aluno-pesquisador. A partir dessa perspectiva é relevante enfatizarmos que o vídeo está ligado à televisão e a um contexto de lazer. Sua utilização quando bem planejada pelo professor pode ser um poderosíssimo instrumento no processo ensino e aprendizagem. Nessa perspectiva os educadores têm um papel fundamental, que é tornar o processo ensino-aprendizagem mais instigante e eficaz através de práticas inovadoras que proporcionem mais qualidade na educação e uma delas é o vídeo. (LIMA, 1981 p. 8). Sendo assim, a utilização desse recurso pode possibilitar ao aluno fugir do abstrato, chegando mais perto do real, fazendo-o relacionar o conteúdo apresentado com seu cotidiano.

7 Contudo os professores precisam aproveitar essa vantagem provocando no aluno um maior envolvimento com o conteúdo escolar. Pois concorda-se com Moran (1995, p. 27) quando pondera que, O vídeo mexe com o corpo, com a pele nos toca e tocamos os outros, estão a nosso alcance através dos recortes visuais, do close, do som estéreo envolvente. Pelo vídeo sentimos, experimentamos sensorialmente o outro, o mundo e nós mesmos [...] O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras realidades (no imaginário) em outros tempos e realidades. Ele combina a comunicação sensorial sinestésica, com a audiovisual a intuição com a lógica, o emocional com a razão. Combina, mas começa pelo sensorial, pelo emocional e pelo intuitivo, para atingir posteriormente o racional. Portanto o modo de utilização dessa tecnologia depende da intenção do profissional, uma vez que existem aqueles que objetivam inovar, desafiando e provocando seus alunos a novos conhecimentos, ou também pode ser utilizado, porá aqueles profissionais que apenas buscam utilizar esse suporte tecnológico para resolver algum imprevisto de última hora, sem nenhuma intencionalidade pedagógica. Vale a pena ressaltar que o uso da tecnologia na educação baseada numa concepção de ensino, na qual o professor vem a ser o detentor do saber e o aluno como um simples receptor passivo diante do processo, certamente não contribuirá em bons resultados. Nesse contexto é que o profissional deve estar preparado, pois o uso do vídeo em sala de aula pode contribuir para que ele possa explorar, durante suas aulas, uma diversidade de conteúdos de forma que esses possam ser contextualizados de diferentes maneiras. Assim, o professor pode tornar sua aula mais criativa despertando em seus alunos a sensibilidade, emoção e a criatividade resultando em condições favoráveis para a aprendizagem. 3 A PRODUÇÃO DE VIDEO NO ENSINO FUNDAMENTAL DO GRÊMIO ESCOLAR SERRANO O Grêmio Escolar Serrano é uma escola particular do município de Itabaianinha-SE, uma das mais tradicionais do município e região e oferta todo o ensino básico e possui em torno de 450 alunos com faixa etária de 3 a 18 anos. O objetivo inicial deste trabalho foi propiciar um processo de ensinoaprendizagem mais interativo, onde os alunos pudessem aprender de forma mais atrativa

8 e prazerosa. Nessa perspectiva foi proposta a turma do 9º do ensino fundamental (uma turma de 13 alunos), na disciplina de geografia (onde sou professor), que se produzisse um vídeo amador (vídeo documentário) com câmeras digitais, celulares com duração mínima de 8 minutos e máxima de 15, referente ao conteúdo abordado na disciplina, que era Questões ambientais no século XXI. Assim, foi proposto também que a partir da temática estudada em sala, fossem escolhidos alguns temas pertinentes à questão ambiental no município de cada um e a partir daquela temática elaborassem um roteiro de pesquisa (em internet, revistas, etc..) e um roteiro de execução do trabalho. A partir dos pré-requisitos prévios, a turma foi dividida em quatro turmas, que optaram pelas temáticas: O tratamento do lixo em Itabaianinha; O lixão de Itabaianinha; A escassez de água na cidade de Itabaianinha; A poluição do ar em Itabaianinha. A partir da delimitação da temática, a primeira etapa foi explicar o conceito de sinopse e pedir que os grupos elaborassem entre si a sinopse do vídeo que consistiu em um breve e conciso resumo contendo a ideia geral do vídeo. A segunda etapa consistiu na elaboração de um roteiro, inicialmente foi apresentado aos alunos o conceito de roteiro, a partir daí os alunos desenvolveram o roteiro de seus vídeos. A etapa de filmagem foi feita extraclasse, onde cada grupo definiu a data e o horário de execução da atividade em campo. As filmagens foram feitas pelos próprios alunos atuando e operando a câmera. Na etapa de montagem e apresentação as equipes realizaram a montagem do seu vídeo utilizando as filmagens gravadas, alguns utilizaram-se softwares simples como o Windows Movie Maker e fizeram uma brevê montagem. Cada arquivo em forma de documentário possuía uma cena ou trecho de cena inicial com uma breve introdução do conteúdo, abordando a problemática local escolhida, com as quais os alunos montaram a sequencia que compunha o vídeo. Terminada essa etapa utilizamos um projetor para que os alunos apresentassem para o restante do grupo o resultado de sua produção.

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