A TECNOLOGIA DE EDITORAÇÃO DE LEGENDA NO PROCESSO EDUCACIONAL DOS ALUNOS COM SURDEZ

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1 A TECNOLOGIA DE EDITORAÇÃO DE LEGENDA NO PROCESSO EDUCACIONAL DOS ALUNOS COM SURDEZ Resumo TSUKAMOTO, Neide Mitiyo Shimazaki Tsukamoto PUCPR TORRES, Patrícia Lupion Torres PUCPR Área Temática: Diversidade e Inclusão Agência financiadora: Não contou com financiamento Essa pesquisa apresenta os resultados de uma prática pedagógica instrumentada pelas tecnologias no processo educacional dos alunos com surdez, o recurso de editor de legenda, utilizada em uma escola especial de Curitiba-PR. Com vista na formação multidimensional do aluno, no reconhecimento como sujeito e produtor do próprio conhecimento, vivenciada na relação dialógica com o professor e os colegas, recorre-se aos recursos disponibilizados pela Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), por oferecer dispositivos que possibilitam e facilitam a interação social dos alunos com surdez, sendo o editor de legenda um desses dispositivos. O estudo vincula-se na análise das implicações da deficiência auditiva na limitação do processo educacional quando se utiliza apenas as metodologias tradicionais e no entendimento que o apoio dos recursos tecnológicos constitui uma alternativa pedagógica na educação dos alunos surdos, dentro da Escola de Educação Especial. Assim, participaram dessa pesquisa sete alunos adolescentes com surdez que possuíam dificuldades no uso funcional das linguagens resultantes de um processo inclusivo não efetivado refletido no comprometimento no processo de alfabetização. Para tanto, os resultados da pesquisa mostram avanços na apropriação da leitura, da escrita e da comunicação, amparados no editor de legendas, no âmbito da sala de aula, que evidencia a escola como legitimadora da função de ensinar e direcionar para a possibilidade de inclusão social dos alunos com surdez. Nesse viés, o uso de tecnologia em sala de aula, fundada na educação ancorada, representa uma práxis pedagógica diferenciada que auxiliam a superação de visão de incapacidade dos alunos surdos produzirem textos, dentro da perspectiva da educação especial para a educação inclusiva implementando meios e procedimentos que atendam as reais necessidades educacionais dos alunos com surdez, que denota a viabilização de uma inclusão real. Palavras-chave: Editor de legendas. Surdez. Recursos tecnológicos. Educação inclusiva. Introdução

2 1901 A educação atual explicita a perspectiva democrática na defesa do direito de todos os alunos ao acesso e permanência na escola, expressadas por inúmeros termos legais que regem o sistema educacional brasileiro, que instiga a superação da segregação para todos os que possuem alguma necessidade educacional especial. A complexidade em discutir a educação inclusiva na atualidade, urge em decorrência da necessidade de garantir a aplicação da LDB 9394/96 e o Parecer 17/2001, que prevêem ações no ensino regular fundadas nas adaptações curriculares, no que tange ao atendimento à especificidade comunicativa na provisão de ajudas técnicas, nas condições especiais de admissão; na freqüência e avaliação; na previsão de atendimento educacional especializado e no apoio pedagógico que atendam a todos os alunos com necessidades educacionais especiais, incluem-se, nesse contexto, com deficiências (BRASIL, 2001). A realidade escolar dos alunos surdos incluídos no ensino regular é abordada pelos autores como Lacerda (2007), Arcoverde (2006), Góes (2004), entre outros, que geralmente apontam que as maiores dificuldades encontram-se no interior das escolas, pela falta de adaptação arquitetônica e curricular, por problemas na formação docente, pela falta de uma cultura inclusiva nos profissionais, dentre outros. Nesse contexto são inseridos os alunos com surdez. Nesse viés, Rosa (2006, p. 3) comenta que no processo de inclusão dos alunos com surdez o professor ouvinte esforça-se na aceitação de um aluno surdo, mas desvaloriza suas contribuições e não proporcionam o desenvolvimento da autonomia, porque a maioria dos professores ouvintes não sabe muito bem LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Esse grande fracasso no ensino da escrita e da leitura dos alunos surdos é porque a maioria dos alunos surdos não tem muito interesse e gosto para aprender leitura e escrita, por que a escola não ensina e, consequentemente, o aluno não aprende. Como conseqüência, verifica-se que os alunos, participantes desse estudo, procuraram apoio educacional especializado em Escola de Educação Especial, que tem como o princípio norteador o ensino da Língua Portuguesa escrita e, inclusive, a falada.

3 1902 Esse cenário é também descrito por Barbosa e Amorin (2008, p. 32) que relatam que a inclusão não vem ocorrendo adequadamente, dada às condições de implementação, à falta de preparo docente e às concepções acerca da surdez, a maioria dos professores prefere a prática da linguagem oral e o paradigma do ouvintivismo 1 prevalece nas escolas regulares, sendo os alunos surdos obrigados a adequar-se a essa situação. Por outro lado, o Decreto 5626/05 assegura a figura do intérprete no ensino regular para os alunos surdos. No entanto, uma pesquisa interna feita pela Escola de Educação Especial, no ano de 2008, revela que dos cento e cinquenta alunos incluídos no ensino regular, somente 30% possuem intérprete, pela falta de profissional com certificação para essa função, também, fato confirmada pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, atuante como órgão regulador da profissão de intérprete (FENEIS, 2006). Vale destacar que os resultados revelam a data tardia da promulgação desse direito, uma vez que os alunos surdos já estavam incluídos no ensino regular desde a oficialização da LDB nº em 1996 (BRASIL, 1996). Dos sete alunos com surdez, público-alvo desse estudo, dois tiveram apoio de intérpretes. Todos os sete alunos envolvidos neste estudo apresentaram dificuldades no processo educacional, pois, embora tenha havido uma aceitação da importância da condição bilíngüe do aluno a escola não [fez] as adaptações metodológicas e curriculares às suas necessidades e [acabou] criando dois espaços paralelos no mesmo espaço, quando se transferia o trabalho pedagógico para o intérprete (LACERDA, 2000, p.72). Fagundes et al. (2005), também relatam que o intérprete traduzia as aulas praticamente pré-estabelecidas, com a repetição oral do saber acumulado do professor, restrito para as possíveis interações. Aulas que não podiam gerar dúvidas sobre o que está sendo ensinadas, aulas destinadas aos alunos homogêneos e com informações uniformes. Considerando as dificuldades educacionais e de adaptações apresentadas pelos alunos surdos no processo de inclusão no ensino regular juntos aos ouvintes, a pesquisa usou dos recursos tecnológicos e os seus dispositivos digitais. Fundamentada no conceito de instrução ancorada, que remete ao uso de vídeo para introduzir informações relevantes aos estudantes nas soluções de situações problemas, estudadas pelos autores Bransford et al. (1990) e Alcântara e Behrens (2001), a pesquisa objetivou investigar o uso dos recursos das Tecnologias da Informação e da Comunicação, 1 Termo descrito por Skliar (1998, p.15) como um conjunto de representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e a narrar-se como se fosse ouvinte,

4 1903 especificamente o editor de legenda, como uma prática para efetivar as habilidades da leitura e escrita, dos alunos com surdez, de forma interativa e dentro dos paradigmas inovadores solicitadas pela sociedade do conhecimento. Valente (2001) ressalta a importância de criar ambientes de aprendizagem com uso do computador, para propiciar aos alunos com necessidades educacionais especiais, a oportunidade de desenvolverem atividades desafiantes com propósitos educacionais. Assim, as experiências e as expectativas em torno da utilização de uma tecnologia, antes só utilizadas nos meios cinematográficos, configuram como uma possibilidade de ancorar o processo de ensino-aprendizagem e efetivar as interações sociais comunicativas, que requer as apresentações dos editores de legendas nos próximos parágrafos. Editores de legendas A escola deve possibilitar o acesso a todos os recursos tecnológicos que podem minimizar as representações segregadoras. A utilização dos editores de legendas nos meios educacionais constitui uma ferramenta tecnológica que apóia o desenvolvimento das habilidades da linguagem escrita e falada para os alunos surdos. Alba (2006) comenta que entender a educação como um direito de todos significa necessariamente contar com todos e cada um dos componentes da sociedade, com suas formas variadas de ser, aprender, mover-se ou de socializar. As tecnologias podem contribuir para tornar efetivo o direito de participar nos contextos sociais e culturais, escolares e profissionais, especialmente quando são utilizados para dar respostas à diversidade (ALBA, 2006, p ). Lévy (1999) comenta que o mundo digital, seja qual for o grau de acesso e utilização, acarreta na universalização da comunicação por meio da linguagem escrita. A esse respeito, Arcoverde (2006) afirma que a tecnologia permite ressignificar a escrita fazendo ou uso social de linguagem, fazer o uso da linguagem escrita para o surdos significa apropriar-se de um conhecimento social e cultural de grande amplitude. A apropriação se dá pelo

5 1904 diálogo entre diferentes linguagens sociais, diferentes discursos, na pluralidade de enunciados e na multiplicidade de vozes (ARCOVERDE, 2006, p.257). Nesse quadro, no Brasil existe um movimento Legenda Nacional para quem não ouve, mas emociona que constitui uma campanha para acesso aos deficientes auditivos aos produtos culturais nacionais, uma vez que os filmes brasileiros não possuem legendas. Assim, as pessoas surdas são excluídas do acesso à informação em alguns espaços, como as redes de bibliotecas públicas e nos meios de comunicação de massa. Em sua maioria as necessidades especiais de comunicação (o uso da língua de sinais e de legendas em closed-caption 2 ) são ignoradas, e existem pouquíssimos materiais educacionais e culturais de qualidade acessíveis especificamente para essa população (PEDROSA, 2008). A educação ancorada nas práticas autênticas suportadas em interação social na sala de aula e vivenciada em outros espaços. Tais práticas, de forma geral, mobilizam as interações verbais e a apropriação da linguagem, privilegiando a interdiscursividade, o que implica tornar os alunos surdos participantes ativos de uma rede enunciativos e discursivos, ao abrirem possibilidades de novas construções (BRANSFORD et al., 1990). Nessa perspectiva, os recursos de editores de legendas correspondem ao conceito de Tecnologia Assistiva [...] um termo utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover vida independente e inclusão (BERSCH, 2008, p.1). O recurso de editor de legenda constitui um dispositivo conhecido e de ampla utilização na indústria cinematográfica. Com a propagação e avanços das tecnologias digitais, o editor de legenda passou a constituir como um dos dispositivos do computador pessoal, sendo uns dos componentes do programa conhecido: o Movie Maker 3. Outro recurso de editor de legenda, de livre acesso, é o tutorial 4 Subtitle Workshop processados por meio de tecnológicos digitais com a inserção de legendas sobre as 2 Função criada para os deficientes auditivos, apresenta na tela as legendas correspondentes aos diálogos do filme (Fonte: Acesso: ). 3 O Windows Movie Maker possui uma interface de usuário baseada em tarefas e assistentes que o ajudam a publicar e capturar vídeos, com um opção de inserir legenda sobre as imagens. (Fonte: Acesso: ). 4 Tutoriais: Um tutorial é um programa ou texto, contendo ou não imagens, que ensina passo a passo, didaticamente, como algo funciona (Fonte: br.answers.yahoo.com/question/index?qid= aahqnud - 46k. Acesso: 07/05/09)

6 1905 informações de imagens e diálogos projetados na tela de computador. A legenda para a finalidade de legenda estática usa-se os recursos de legenda do Movie Maker e / ou o editor Subtitle Workshop, que é um programa de legendas destinadas a filmes, que permite inserir imagens com transcrições textuais, em tempo real, dos conteúdos que está sendo expressas oralmente pelo interlocutor. Esse último, criado por uma empresa de origem uruguaio, a URUSOFT que dispõe de componentes referentes a edição de legendas em filmes (URUSOFT, 2007). Assim, pressupõe-se que os alunos tenham acesso e a utilização dos editores de textos para articular as experiências lingüísticas com os propósitos do uso de tecnologias que aproximem à educação no contexto adaptado às necessidades dos alunos com surdez, que serão descritas a seguir. Desenvolvimento A pesquisa foi realizada em Escola de Educação Especial que atende cento e sessenta alunos surdos, sendo que cento e cinquenta estão incluídos no sistema regular de ensino, no município de Curitiba PR. Na característica atual de Atendimento Educacional Especializado, oficializada pelo Plano Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008 (Brasília, 2008), a escola possui metodologia própria que desenvolve em dois eixos: a audição, voz e fala e a produção, leitura e análise lingüística como recursos para a sua inserção social (METODOLOGIA EPHETA, 2000). Os alunos participantes, de acordo com Korn et al. (2002), possuem perda auditiva de severa a profunda. Na faixa etária de quinze a dezessete anos, todos freqüentam o ensino regular, entre 6ª a 8ª séries, do Ensino Fundamental, perto das suas residências e no período contrário frequentam a Escola de Educação Especial. Os relatórios da equipe multidisciplinar constam que os alunos procuraram a escola especial, por apresentarem dificuldades nas habilidades de leitura e escrita. A forma utilizada na comunicação é a bimodal (língua de sinais associados à fala) com os professores e pessoas do ambiente escolar. Todos os alunos utilizam o Aparelho de Amplificação Sonora Individual (A.A.S.I), fazendo o uso da audição funcional para orientar-se e interagir. Como programa de apoio, a Escola de Educação Especial desenvolve o programa de informática pedagógica que consiste em apoiar o desenvolvimento da linguagem e na

7 1906 apreensão da habilidade de digitação. Assim, os alunos participantes da investigação, aprenderam a digitar e a executar tarefas básicas no computador de forma independente. Para o desenvolvimento da proposta contou com os recursos culturais de consulta, associados aos recursos específicos de informática e, praticamente dependeu da câmera digital para a captação de imagens e de sete computadores, com dispositivos de multimídia. De acordo com Thiollent (2007, p. 17), este estudo se caracteriza como uma pesquisaação quando os pesquisadores desempenham um papel ativo no equacionamento dos problemas encontrados, no acompanhamento e na avaliação das ações desencadeadas em função dos problemas pela aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos, sobretudo a aquisição da leitura e escrita pelos surdos. A primeira autora é também professora dos alunos investigados da Escola de Educação Especial Em relação à análise de resultados, consideram-se os procedimentos da escola especial onde ocorreu a pesquisa, que possui as características diagnóstica, qualitativa e descritiva, porém para simplificar a visualização dos resultados nesta pesquisa, avaliam-se os itens: comportamento; a expressão oral e na expressão escrita, na escola de valores numéricos de zero (0) a cem (100) pontos para cada item. O uso de editor de legenda vinculou-se a análise de imagens gravadas, leitura e a escrita dos conteúdos dos vídeos, elaboração de produções escritas dentro das diversidades textuais (texto narrativos, de instruções, não verbais; publicitários) considerando o programa que os alunos estão envolvidos, transformando o ensino em algo dinâmico e funcional (ILARI, 1992). Dessa forma, foram aplicados em cinco diferentes contextos de comunicação, adaptando o currículo com a utilização de diferentes contextos de tipologia textual. Em todas as aplicações e intervenções da pesquisa feita com os alunos, foram registrados nos relatórios de atividades, resultando em cinco planejamentos constituídos de conteúdos, a tipologia textual, os objetivos, os materiais utilizados, os procedimentos pedagógicos, que serão descritos a seguir. Procedimentos e resultados A primeira Aplicabilidade foi utilizada o editor Movie Maker Leitura e produção de texto descritivo sobre um (a) amigo (a), em que os alunos participaram dentro da seguinte

8 1907 sequência: produção de uma descrição a respeito de um amigo, de forma individual e em sala de aula; reestruturação do texto orientado pela professora; filmagem com a câmera digital das leituras das produções; visualizações coletiva das filmagens na tela do computador, ocorridas na de informática; congelamento de imagens, retrocesso nas filmagens para as correções coletivas das falas; transcrições das leituras visualizadas no caderno, individualmente; digitação dos registros em um arquivo e, por fim a inserção das legendas sobre as imagens. Por ser a primeira experiência, o processo durou todo o período de aula. Os resultados das atividades certificam que os recursos de ensino/aprendizagem que valorizam o pensamento que se dão pelo aspecto visual, característicos dos sujeitos surdos, propiciam o desenvolvimento lingüístico e constituindo um apoio para a leitura, a compreensão de textos e a produção escrita (SKLIAR, 2007). A expressão oral constituiu a atividade de maior dificuldade para os três alunos com surdez profunda, como ilustra o gráfico 1. O aluno 6 atingiu 35% e o Aluno 5 atingiu 43% dos itens avaliados (participação, expressão oral e leitura e escrita). RESULTADOS - Leitura e Produção descritiva ALUNO 1 ALUNO 2 ALUNO 3 ALUNO 4 ALUNO 5 ALUNO 6 ALUNO 7 Participação Expressão oral - leitura Escrita Gráfico 1 - Leitura e Produção de Texto descritivo sobre um(a) amigo (a) Na segunda Aplicabilidade recorreu-se ao editor Subtitle Workshop articulada em uma atividade de interação social dos alunos com surdez. Os alunos participaram dos Jogos Especiais organizado pela Prefeitura do Município de Curitiba. O evento foi filmado, com a câmera digital, cenas que eles interagiram com outros alunos utilizando Libras. Na sala de informática, os alunos fizeram a transposição dos diálogos da língua de sinais para a escrita, obedecendo a seguinte sequência: visualizaram as filmagens no computador; registraram no

9 1908 caderno; digitaram as legendas individualmente e inseriram em forma de legenda alternando os autores na inserção de legendas. Na estruturação da escrita, no que concerne ao uso de alguns elementos de ligação, flexão do verbo, ao uso da letra maiúscula fora de disposição de frases e/ou parágrafos, dentre outros, apresentaram dificuldades. No entanto, verificou-se o interesse em apropriar da forma correta da escrita, de forma que se iniciou o estabelecimento da metacognição da língua portuguesa escrita. Nesta atividade, os alunos recorriam aos referenciais e os recursos de apoio linguísticos visuais existentes na sala de aula As imagens captadas em situação de interação social demonstraram que a utilização da língua de sinais pelos alunos possibilita a produção de texto de forma interativa, sem a racionalidade ou temas estanques, sobretudo para a expressão do pensamento e para a compreensão de situações. O que propicia a apropriação consciente da língua, ou seja, o aluno com surdez não age apenas como um mero repetidor da língua oficial do país, mas é capaz de colocar-se como sujeito ativo. Isso ocorre, particularmente, por mediações dialógicas que oportunizam o conhecimento das regras e conceitos da língua portuguesa, impossíveis de serem compreendidos apenas pela imposição de cópias e repetições orais (ESCOLA EPHETA, 2000). Na terceira Aplicabilidade Transposição do discurso direto para o discurso indireto com a utilização do editor de legendas do Movie Maker. Partiu do registro escrito, feito pela professora, da conversa informal sobre os feriados da Semana da Pátria na forma de discurso direto e seguiu com a transposição oral, dos alunos, para o discurso indireto, com registro escrito no caderno, individualmente. Após a reestruturação do texto, os alunos assistiram as imagens da participação dos relatos e introduziram as legendas a partir das falas ocorridas na sala de aula. Os alunos não apresentaram dificuldades na compreensão da tarefa. Realizaram as transposições discursivas com investigações e recorrendo aos apoios didáticos fornecidos pela professora, tais como: livros didáticos, listas de verbo, dicionários, entre outros. Os resultados comprovam que o recurso foi o elemento mediador e facilitador do conhecimento, dada a necessidade de instrumentalização com as tecnologias contemporâneas e a reflexão sobre prática pedagógica para o enfrentamento de imprevisto transformando o conhecimento dos alunos (BEHRENS, 2005).

10 1909 Quarta Aplicabilidade utilização do editor Subtitle Workoshop Fórum de Discussão: a Importância da comunicação oral, com base no Decreto nº de 2005 (BRASIL, 2005), que institui a Língua de Sinais Brasileira (Libras). As interações foram previamente planejadas, com perguntas e procedimentos selecionados. As imagens do fórum de discussões foram gravadas na biblioteca da escola. Na sala de informática, os alunos visualizaram as imagens. As editorações de legendas foram feitas coletivamente, para não perder a seqüência de falas e opiniões, em forma de rodízio entre os alunos na digitação da legenda. Na busca das concepções e/ou filosofias que respondam as reais necessidades dos alunos, os elaboradores de leis e alguns pesquisadores interpretam as posições dos alunos surdos de forma unilateral. Os depoimentos revelam algumas particularidades da surdez, pouco investigados na educação, sobretudo no ensino regular, os preconceitos e anseios na sua convivência social. O resultado requer reflexões de temas complexos, sobre o determinismo das leis e a discussão unilateral de uma ou outra metodologia, principalmente, quando os alunos surdos relatam favorável aquisição da linguagem oral, considerando que é a forma mais aceitável, consciente e transformadora para eles. Contribuições que causam reflexões nos referenciais sobre a sociedade escrita e falada pelos ouvintes. Os resultados demonstraram uma grande evolução nos três itens avaliados (Gráfico 2). Tanto o registro oral como o de legendas constitui uma fonte de esclarecimentos a cerca dos alunos pesquisados. RESULTADOS - DEBATE SOBRE A COMUNICAÇÃO ALUNO 1 ALUNO 2 ALUNO 3 ALUNO 4 ALUNO 5 ALUNO 6 ALUNO 7 Participação Expressão oral - leitura Escrita Gráfico 2 Fórum de Discussão: a Importância da Comunicação Oral

11 1910 Quinta Aplicabilidade Opiniões sobre ética e cidadania A Importância das Eleições. Essa proposição obedeceu a seguintes fases: os alunos participaram da pesquisa sobre os candidatos a eleições municipais, reuniram panfletos, confeccionaram um mural informativo, organizaram uma simulação de eleição com desempenho de função para o processamento, votaram; na sala de aula produziram texto sobre Qual é a importância das eleições ; foi realizado leitura das produções e as imagens foram gravadas; fizeram a editoração das legendas a partir da reunião dos textos individuais; inseriram as legendas sobre as leituras realizadas, selecionando as imagens correspondentes à participação de cada um. A última atividade registrada demonstra avanços nas áreas avaliadas, no entanto, mereceu detalhamento e cuidado por constituir uma atividade de opinião, depoimentos e o voto consciente nas eleições de 2006, portanto as médias foram altas, variando de 80% a 100% nos resultados, conforme mostra o gráfico a seguir. RESULTADOS - A IMPORTÂNCIA DAS ELEIÇÕES ALUNO 1 ALUNO 2 ALUNO 3 ALUNO 4 ALUNO 5 ALUNO 6 ALUNO 7 Participação Expressão Oral - leitura Escrita Gráfico 3 Opiniões sobre ética e cidadania A Importância das Eleições. As adaptações tecnológicas existentes na sociedade abrem possibilidades para gerar novas formas de comunicação, interação com a informação e socialização em contextos educativos (ALBA, 2006, P. 144), reafirmada nos cinco procedimentos pedagógicos vivenciados pelos alunos surdos envolvidos na pesquisa, a partir de um fato cultural real e visualizado, transpostas para expressões lingüísticas (oral, escrita, não verbal) com o uso da metacognição para a formação do pensamento formal. Conclusão

12 1911 A investigação sobre o uso da tecnologia de editoração de legenda no processo educacional dos alunos com surdez objetivou a efetivação do processo de aprendizagem da leitura e escrita para os sete alunos surdos adolescentes, por meio de utilização de um recurso das Tecnologias da Informação e da Comunicação como uma das alternativas para suprir essas necessidades. Foi possível concluir que os editores de legendas, Subtitle Workshop e a legenda do Movie Maker, organizam as experiências de linguagens, em relação à unidade de sentido do texto nas produções sistemáticas e assistemáticas, com adequação os sistemas fonéticos (ponto e modo de articulação) e sintáticos. Verificadas quando os textos foram transpostos da oralidade para a escrita, sendo que esta consolidou as habilidades da escrita digitalizadas, com as legendas inseridas simultâneas ao texto falado. Tais resultados amparam-se nos dispositivos de interfaces visuais, tanto na identificação de fala como da escrita e em conformidade aos preceitos desenvolver pesquisa de produtos que beneficiam e facilitam a todos, com e sem necessidades educacionais especiais, dentro da perspectiva da Tecnologia Assistiva. Entende-se que a aprendizagem decorre das interações, ou seja, das relações estabelecidas em ações do pensamento humano acompanhadas de reflexões sobre resultados e produção de significados. Assim, os resultados do uso dos editores de legendas deram origem a outros projetos envolvendo o uso das tecnologias para o resgate educacional dos alunos prejudicados pela falta de recursos na inclusão, que, infelizmente, não cessaram, mas duplicaram desde o ano de 2006, data que iniciou essa pesquisa. Os alunos resultantes de uma inclusão que careciam de recursos e adaptações para a melhoria do processo de aprendizagem da língua portuguesa, na habilidade da leitura e escrita, apresentaram os resultados evolutivos com o apoio dos editores de legendas, que atenderam às reais necessidades educacionais dos sete alunos já adolescentes. Os resultados positivos remetem a análise vinculada à vontade política, quando as reflexões sobre as ações levam a concluir que faltam recursos em pesquisa e investimentos tecnológicos nos instrumentos que apóiam visualmente os alunos com surdez no processo de apropriação da leitura e escrita, ao invés de sentenciá-los como limitados nesses conhecimentos e / ou até mesmo encaixá-los numa metodologia unilateral. Portanto, as melhores condições para a aprendizagem são aquelas que proporcionam ao aprendiz tanto a possibilidade de interagir com objetos de aprendizagem quanto à

13 1912 convivência com a diversidade cultural e de idéias que possibilitam colocar a sua expressão de pensamento. REFERÊNCIAS ALBA, Carmem. Uma educação sem barreiras tecnológicas. TIC e a educação inclusiva. SANCHO, Juan Maria (org.). Tecnologias para transformar a educação. Tradução Valério Campos. Porto Alegre: Artmed, 2006, p ALCÂNTARA, Paulo R., BEHRENS, Marilda A., CARVALHO, Ronaldo G. CD ROM do Projeto Pacto: Pesquisa em aprendizagem colaborativa com tecnologias interativas ( ). Curitiba, PR: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, ARCOVERDE, Rossana Delmar de Lima. Tecnologias digitais: novo espaço interaivo na produção escrita dos surdos. In: Cadernos CEDES, 69, Educação, surdez e inclusão social. 1ª Edição, maio/ago. 2006, p BARBOSA, Shirley Teles; AMORIM, Kátia de Souza. Revisão da literatura sobre a educação de deficientes auditivos e surdos: o Antagonismo de perspectivas / práticas persiste. In: MENDES, Enicéia G.; ALMEIDA, Maria Amélia; HAYASHI, Maria Cristina P.I (Orgs.). Temas em educação especial: conhecimentos para fundamentar a prática. Araraquara, SP: Juqueira&Marin: Brasília, DF: CAPES PROESP, p.27-35, BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. 2 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, BERSCH, Rita. Introdução a Tecnologia Assistiva. CEDI, Centro Especializado em Desenvolvimento Infantil. Porto Alegre, Disponível em: Acesso em: BRANSFORD, John D. et al. Anchored instruction: why we need it and how technology can help. In D. Nix & R. Spiro (Eds.), Cognition, education, and multimedia: Exploring ideas in high technology (p ). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, Publishers BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nº 1/92 a 38/2002 e pelas Emendas Constitucionais de revisão nº 1 a 6/94. Brasília, Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/20/12/1996. Disponível em: >http://www.presidencia.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 10 set

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