Chatterbot: uma ferramenta para motivar estudantes de cursos a distância

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1 Chatterbot: uma ferramenta para motivar estudantes de cursos a distância Sérgio Teixeira Sergio Teixeira é professor da Faculdade Salesiana de Vitória e Especialista em Redes de Computadores pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atualmente coordena o curso de capacitação profissional em redes Linux e desenvolve o projeto AmCorAbot junto ao GAIA (Grupo de Aplicação de Informática na Aprendizagem). Crediné Silva de Menezes Crediné Silva de Menezes, é professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde coordena o GAIA (Grupo de Aplicação de Informática na Aprendizagem). Fez doutorado em Inteligência Artificial. O advento da Internet trouxe oportunidades para resolver problemas antigos. Muitos conceitos e hábitos foram afetados. Com os recursos humanos e tecnológicos disponíveis, a referência de uma aula, com professor e alunos reunidos e horários definidos, começa a ceder espaço para outras formas de organização do trabalho escolar. Atualmente um curso já pode ser feito através da Internet, com local e cronograma de estudos escolhidos pelos alunos, dispersos geograficamente, tendo a interação como um dos elementos centrais. Na educação estamos vivenciando uma nova onda no ensino a distância, motivada pelas possibilidades de interação oferecidas pela Internet. No Brasil, o Ministério da Educação pretende criar 250 mil vagas em cursos on-line nos próximos quatro anos [Jornal Estado de São Paulo, 2003]. Uma forma como esses cursos estão sendo implantados é através das ferramentas de apoio às comunidades virtuais. Nos portais e-learning o estabelecimento de comunidades virtuais vem se tornando uma das questões mais importantes [Kaplan 2002]. Por mais que um ambiente virtual seja amigável e eficiente, ele não substitui a interação presencial que ainda é a forma mais natural para o ser humano. A ausência do contato direto é o principal fator de desestímulo dos alunos de cursos virtuais. Assim, o grande desafio para os pesquisadores da área é o desenvolvimento de soluções que busquem minimizar o sentimento de isolamento. Soluções preocupadas

2 apenas em transformar as situações reais em tecnologia de software pouco podem contribuir. Muitas são as inadequações encontradas em ambientes virtuais. De acordo com [Sallorenzo, 2003], a principal dificuldade dos alunos identificada pelos tutores dos cursos oferecidos pela Católica Virtual, um empreendimento da Universidade Católica de Brasília, é a baixa interatividade, principalmente via Chat, no relacionamento aluno-aluno e aluno-tutor. O rápido crescimento dos cursos e comunidades on-line requer a adoção de elementos que possam apoiar e motivar o interesse dos aprendizes. O ambiente escolar tradicional, tão rico em atividades presenciais, não pode ser abruptamente substituído por ambientes onde as atividades síncronas se reduzem a cada dia. Isso pode implicar em perdas inevitáveis. Busca-se a adoção de estratégias e ferramentas para ajudar a reduzir essas barreiras, aumentando a eficácia desses ambientes. Neste cenário tem surgido um novo tipo de programa, o Chatterbot, que pode ser uma boa forma de atenuar o problema. Chatterbot é um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder às perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outras e não com um programa de computador. Após o envio de perguntas em linguagem natural o programa consulta uma base de conhecimento e em seguida fornece uma resposta que tenta imitar a resposta de um humano. O uso dessa tecnologia está se expandindo nas aplicações para a Internet. Existe uma tendência crescente de utilização do Chatterbot como ferramenta de marketing aplicada nos sites de empresas. Os visitantes são atendidos de forma personalizada e eficiente. Esta é uma alternativa aos tradicionais FAQs (frequently askedquestions). Empresas especializadas afirmam que é possível diminuir em até 80% o número de e- mails após a instalação de Chatterbot nos seus sites. A Coca-Cola, por exemplo, mantém um Chatterbot em sua página na Internet para esclarecer dúvidas ou receber reclamações [Coca-cola, 2003]. Na educação a distância, podemos construir chatterbots que conversem com os estudantes sobre o que ocorreu no ambiente desde a sua última visita, outros podem conversar sobre o cronograma do curso, outros ainda sobre as regras do curso. Por exemplo, o Consultbot auxilia no aprendizado de tópicos estudados pelos alunos do ambiente virtual Virtusclass, um ambiente virtual utilizado em educação a distância [Laureano,1999]. A primeira geração de Chatterbots teve início com o ELIZA, desenvolvido pelo professor Joseph Weizenbaum, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts [Weizenbaum, 1966]. Nesta época, usavam-se bases de conhecimento pequenas e não haviam ainda linguagens e modelos apropriados. Na segunda geração, os Chatterbots começaram a utilizar novas técnicas de Inteligência Artificial. O destaque nesta época foi o JULIA. Além de possuir uma base de conhecimento sobre um determinado assunto, JULIA possui a capacidade de aprender durante o diálogo, gerando uma sensação de inteligência [Silva, 2002].

3 A terceira geração teve seu início marcado pelos Chatterbots que utilizam tecnologia desenvolvida com o propósito específico de conversação baseada em XML (Extensible Markup Language). O precursor desta geração é o ALICE [Alice, 2003]. ALICE implementa o modelo de aprendizagem supervisionado, no qual o papel do botmaster (pessoa que administra a base de conhecimento do Chatterbot), é fundamental. O botmaster analisa os diálogos, identifica as melhorias necessárias e cria novos conteúdos ou conhecimentos na forma de arquivos para que as próximas respostas sejam mais apropriadas. O uso de Chatterbots precisa ser planejado para evitar reações negativas e complexas, nos humanos, provenientes da interação com esses sistemas. De acordo com Angeli [2003], é necessário compreender como as pessoas criam, mantêm e tomam consciência de experiências sócio-afetivas com entidades artificiais que reproduzem comportamento humano. Na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o Núcleo de Educação Aberta e a Distância 2003] utiliza o sistema baseado na arquitetura AmCorA (ambiente cooperativo de Aprendizagem) [Amcora, 2002]. Esta ferramenta foi desenvolvida a partir de projetos de pesquisa do Grupo de Aplicação da Informática na Aprendizagem GAIA, formado por professores e alunos dos programas de graduação e pós-graduação do Centro Tecnológico. O provê uma série de ferramentas de apoio ao trabalho em comunidades virtuais. Com o objetivo de motivar e ajudar os alunos dos cursos a distância oferecidos pelo está sendo desenvolvido um Chatterbot chamado AmCorAbot [Teixeira, 2003], que será incorporado às diversas funcionalidades já presentes no AmCorA. O AmCorAbot será um tutor virtual disponível constantemente no ambiente. Toda vez que um aluno conectado ao sistema se sentir isolado ou estiver com dificuldades no uso das ferramentas do sistema ou com dúvidas sobre os conteúdos dos cursos, ele poderá esclarecer suas dúvidas diretamente com o AmCorAbot através do encaminhamento de perguntas que serão respondidas imediatamente. A Figura 1 apresenta um exemplo de diálogo entre um estudante, buscando esclarecimentos sobre o uso do e o sistema. Estudante De que forma o pode auxiliar um grupo de estudo? AmCorAbot O apóia o debate de assuntos de interesse do grupo. Estudante De que forma? AmCorAbot Através do Fórum, da estante e etc. Todo o ambiente tem o propósito de facilitar a colaboração e a cooperação. Figura 1: Exemplo de diálogo entre um estudante e o AmCorAbot O funcionamento geral do sistema é baseado em quatro etapas, conforme os itens numerados na figura 2. A primeira etapa consiste no encaminhamento da pergunta ao processador ALICE. Na etapa seguinte é feita a busca na consciência do diálogo,

4 para verificar se a pergunta já foi elaborada na sessão corrente ou em diálogos anteriores. Na etapa três é feita a busca nas bases de conhecimento, conforme a ordem estabelecida no momento de carga do programa e na definição do conteúdo dos arquivos. Na etapa final a resposta encontrada é apresentada ao usuário. A Figura 2 mostra uma visão geral da arquitetura do AmCorAbot. As bases implementadas estão distribuídas de acordo com seus respectivos assuntos. Uma das bases tem o objetivo específico de guardar o diálogo com o usuário. aprendiz 4 1 Encaminha pergunta Resposta AmCorAbot (ALICE) 2 3 Pattern matching Base conceitual Outros arquivos consciência do diálogo Figura 2. Visão geral do funcionamento do AmCorAbot A geração de uma resposta segue uma seqüência de passos de busca e transformação da pergunta encaminhada para o AmCorAbot, no qual o primeiro deles é realizado na base que contém a consciência do diálogo. O projeto do AmCorAbot vai além do desenvolvimento do Chatterbot, a proposta é desenvolver uma metodologia para a construção de Chatterbots mais inteligentes. O projeto proposto inclui: - O desenvolvimento de uma ferramenta de varredura de documentos sobre um determinado assunto de interesse com o objetivo de identificar os padrões mais freqüentes. Em síntese, os padrões irão representar o conhecimento mais freqüente que ocorre nos documentos, é uma espécie de resumo dos documentos, esses padrões serão transformados no conhecimento do AmCorAbot, que se traduz em perguntas e respostas. - O desenvolvimento de um programa que irá extrair as proposições de mapas conceituais sobre assuntos de interesse e transformá-las em conhecimento do AmCorAbot. - Estender a tecnologia ALICE, agregando a um componente para realizar a busca na Consciência do Diálogo, esta busca se trata da capacidade de analisar se uma determinada pergunta do usuário está relacionada com outra sentença elaborada por ele desde o início do diálogo ou em conversas anteriores.

5 Referências Bibliográficas Alice, Alice Artificial Intelligence Foundation. Disponível em: Acesso em: 02.Mar Amcora, Ambiente Cooperativo de Aprendizagem. Disponível em: Acesso em: 10.Abr Angeli, A. D.; Johnson, G. I.; Coventry, L. The unfriendly user: exploring social reactions to chatterbots. International Conference on Affective Human Factors Design Disponível em: Acesso em: 02.mar Coca-cola, The Coca-cola Company. Disponível em: Acesso em: 10.Set O Estado de São Paulo, Ministério de Educação e Cultura aposta na educação superior a distância, São Paulo, SP, Brasil, 04/05/2003. Kaplan, S., Desenvolver Comunidades, uma estratégia para o Aprendizado Colaborativo. Ano 2, No. 18, Setembro de 2002, São Caetano do Sul: E-learning Brasil News, Acesso em: 29 out Laureano, E. A. G. C. ConsultBot - Um Chatterbot Consultor para Ambientes Virtuais de Estudo na Internet. Recife, PE, Brasil, Agosto de Disponível em: Acesso em: 14 Jun Núcleo de Educação Aberta e a Distância. Disponível em: Acesso em: 16.Set Sallorenzo, L. H. Motivação em cursos virtuais. Mensagem recebida por em 13 de mar Silva, A. B.; Um Chatterbot em Plus que conversa sobre horóscopo. Recife, PE, Brasil, 30 Setembro de Teixeira, S.; Menezes, C. S. Facilitando o uso de Ambientes Virtuais através de Agentes de Conversação. XIV Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - SBIE , Rio de Janeiro, RJ, Brasil, p , 12 de Novembro de Weizenbaum, J. ELIZA - A Computer Program For the Study of Natural Language Communication Between Man and Machine. Communications of the ACM Volume 9, Number 1 (January 1966): Disponível em: Acesso em: 24.fev

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