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1 FORMAÇÃO CONTINUADA: ESPAÇO DE PROVOCAÇÕES, REFLEXÕES E CONSTRUÇÃO DE SABERES Lúcia Regina Silva de OLIVEIRA SESC DEPARTAMENTO NACIONAL RESUMO O texto trata a perspectiva da Formação Continuada como espaço de troca de saberes, olhares, experiências, e de muitas provocações que levam à reflexão e o repensar do fazer pedagógico. Será que estamos garantindo neste espaço o pensar reflexivo, a fala dos educadores e um momento real de aprendizagem? Cada sujeito tem uma história que precisa ser ouvida, valorizada e compartilhada. Os momentos de encontro para estudo precisam constituir-se em uma troca real de conhecimento e construção de saberes. Quando Telma Weisz aponta que os educadores por vezes atuam, sem que tenham real consciência das concepções teóricas que embasam sua ação, faz-se premente que os espaços formativos possam aproximá-los de uma reflexão entre o saber fazer e o campo teórico. Será isto possível na realidade atual das escolas? Nos encontros de formação das escolas do Sesc busca-se uma mediação que permita ir além do olhar que acompanha e possibilite a construção de saberes em parceria. Aponta-se que o ancoradouro para o educador será os estudos teóricos, provocadores da reflexão sobre a ação, na busca de reconhecer os referenciais que fundamentam a prática. É fazer a história de sua autoria nesse contexto diverso, e também ser protagonista no meio da polifonia. PALAVRAS-CHAVE: Formação continuada - Escola - Projeto político-pedagógico. 1

2 INTRODUÇÃO Cada educador tem uma história para contar que representa suas trocas, suas certezas e inquietações. É no diálogo com seus pares, revelando os percursos cotidianos do que acontece em sala de aula e em outros espaços da escola, que irá tecendo ou não a construção de uma equipe. Os momentos de estudo em grupo proporcionados aos educadores são relevantes para provocar essa construção. Sair do individual e pensar também no coletivo. Eis um desafio. E quem será o mediador desse grupo? Quem poderá fomentar e provocar que os relatos apareçam em meio às discussões teóricas e práticas? A escola possui diferentes atores com responsabilidades bem distintas. O gestor escolar, a coordenação pedagógica, os profissionais de apoio, os educadores entre outros. No contexto da formação continuada a ênfase estará na equipe gestora, direção escolar e coordenação pedagógica, e educadores. Serão eles os atores que poderão, a partir dos estudos coletivos, repensar conceitos e mudar as práticas estabelecidas? A ação reflexiva terá direcionamento apenas para os educadores, ou todos estarão envolvidos nesse processo? Podemos perceber uma rotina prevista na organização do ano letivo, sendo possível que uma primeira provocação aos educadores seja evitar que ela caia na repetição sem reflexão. Ou seja, utilizar cada momento na escola para pensar e instigar o pensar sobre cada ato. Talvez, esta poderá ser uma postura que enriquecerá os estudos da equipe. É permitir a si e ao outro, os desvelar das práticas, reconhecendo com quem se dialoga no campo teórico. Telma Weisz (2002) afirma que todo professor tem concepções teóricas que embasam sua prática, mesmo que não as reconheça. Propiciar esse conhecimento por meio dos estudos, debates e reflexões, utilizando-se dos momentos de formação continuada, poderá permitir no universo da sala de aula um educador revigorado e cônscio de sua responsabilidade e potencialidade no processo de ensino e de aprendizagem. Para tal, a organização dos encontros de estudo da equipe docente precisa estar garantida em sua carga horária, bem delineada no calendário escolar para que todos estejam cientes da proposta em termos de cronograma e ações. Neste quesito o papel do gestor escolar e da equipe de coordenação em propiciar as condições necessárias à formação da equipe poderá ser determinante. Pois, ter um plano de ação com as etapas do estudo planejado permitirá que haja um caminho traçado e as modificações de percurso serão feitas em acordo com as demandas do grupo. A premissa desses encontros será o diálogo, com respeito às singularidades dos sujeitos e à diversidade que faz parte do cotidiano escolar. Há uma polifonia circulante nesse espaço. Faz-se história em seu cotidiano. Estar inserida em um contexto social e cultural exige que sua proposta educativa dialogue com seu entorno, e a família será um dos elos dessa conversa. Todos podem ser atuantes e conhecerem os encaminhamentos/investimentos pensados para a formação dos educadores. Para tal, o que poderá nortear o caminho desses sujeitos na escola? A perspectiva de ter um projeto político-pedagógico poderá ser um deles. Se possível, elaborado a partir de discussões coletivas com a comunidade escolar, de foram que possa representar os anseios e desejos, senão de todos, pelo menos da maioria. 2

3 OBJETIVOS 1. A INTENCIONALIDADE DE DIÁLOGO COM A PRÁTICA: UMA CONSTRUÇÃO COTIDIANA Em alguns estudos coletivos temos algumas colocações recorrentes dos educadores. São elas: o distanciamento da teoria e o fazer pedagógico, o lugar da queixa no cotidiano escolar, a restrição de recursos materiais e humanos, a ausência de compromisso das famílias, as dificuldades de aprendizagem do educando, a não preparação dos educadores para atuar com alunos em situação de deficiência, entre outros. Todas são fatores intervenientes e que podem comprometer o desenvolvimento das atividades e as metas definidas pelo grupo para cada ano letivo. O que fazer? Como atuar num contexto tão diverso e repleto de questões complexas, em que algumas são de caráter administrativo, e outras pedagógicas. E de quem será a responsabilidade? Constituir o espaço de formação para os educadores é definir as intenções desta proposta, como ela será realizada e quem serão os atores responsáveis. De preferência, envolvendo os educadores nesta discussão para que os objetivos sejam alcançados. Há que pensar os limites desta proposta, delineando bem a temática a ser objeto de estudo, o espaço adequado para acomodar a equipe, quais serão as atividades desenvolvidas, qual a participação de cada sujeito e suas responsabilidades, como será avaliada a ação e que resultados são esperados a partir do debate coletivo. Há um grande desafio. Ir além da subjetividade das ideias, e viabilizar ações concretas no cotidiano escolar. Como realizar a transposição dos estudos para uma ação reflexiva sobre os processos de ensino e de aprendizagem? Como olhar para o educando como um sujeito também protagonista e repleto de saberes? Como construir parcerias com outros educadores e com a família? Não há um caminho pronto e estabelecido a ser entregue a cada um no grupo de estudo. O que se pretende buscar com essas provocações? Será possível instigar nos educadores o reconhecimento do seu saber fazer em diálogo com diferentes atores/teóricos? Isabel Alarcão (1996) aposta nas possibilidades de um professor que pensa sua prática na ação, e também pensa sobre a ação, respaldada nos estudos de Donald Schon. Os encontros de formação continuada poderão constituir-se em momentos de vislumbres provocados pelas vozes dos educadores, a voz da sala de aula em diálogo com diferentes autores/teóricos que podem permitir ressignificar ou ratificar suas práticas. O mediador desses encontros tem um papel fundamental de instigar, provocar e refletir junto em uma perspectiva de construção dialógica. A mediação da coordenação pedagógica neste contexto exige o conhecimento do grupo que atua, reconhecendo suas potencialidades e possíveis limitações. Será neste cenário conhecido, que organizará sua atuação e intervenção para que o grupo avance em seus conhecimentos. É um fazer coletivo e individual. Individual porque cada sujeito, educador ou coordenador, está em formação. Nesta troca consensual, ambos traçam novos percursos, de ensino e de aprendizagem. Reconhecer-se reflexivo neste processo é aproveitar os estudos para colocar as ideias, os desejos e as práticas na roda. Ninguém do grupo sairá o mesmo desses encontros, desde que todos sejam partícipes das propostas e se constituam autores do 3

4 fazer cotidiano junto ao educando. Segundo Isabel Alarcão (1996), (...) ser-se reflexivo é ter a capacidade de utilizar o pensamento como atribuidor de sentido. E qual será o sentido que é dado aos encontros de formação continuada? Será este espaço validado pelos sujeitos da escola? O aproveitamento desses estudos é primordial para que as metas estabelecidas no projeto político-pedagógico sejam realizadas. Será uma possibilidade de sair do desejo para a concretização no dia a dia da escola. Então, o mediador desses encontros precisa ter instrumentos que permitam acompanhar os resultados dos estudos realizados, e observar como se dá a transposição para as atividades com os educandos. Identificar o crescimento da equipe docente, os avanços do seu conhecimento, o crescimento da qualidade das ações educativas, as mudanças de concepções dos sujeitos, o ambiente de aprendizagem estabelecido na escola. Tudo isso faz parte de uma proposta de ação bem delineada de formação continuada, onde estarão traçados: os encaminhamentos metodológicos, as diretrizes de ação, o diagnóstico do grupo, os objetivos de curto, médio e longo prazo, o acompanhamento do educando e educadores, a observação de discrepâncias entre o proposto e o realizado, a avaliação sistemática e dialógica com os atores da ação, os resultados esperados e os alcançados. Sem deixar de esquecer as estratégias de valorização profissional dos educadores, reconhecendo a importância de seu papel para que a escola desenvolva um trabalho de referência para a comunidade do seu entorno. METODOLOGIA 2. ENTRE O INDIVIDUAL E O COLETIVO: A CONSTRUÇÃO DE UMA PRÁTICA REFLEXIVA Entre alguns desejos dos sujeitos da escola temos o pensar reflexivo e a busca da autonomia no fazer pedagógico, visando à vivência num espaço democrático, de direitos, bem como de deveres. Um desejo individual que depende do coletivo, de diferentes vozes, pensamentos e olhares. E nem sempre há o consenso. Mas, que não impede de sonhar com uma escola que pensa, reflete; e permite que o diálogo entre professores e educandos possa construir um espaço de acolhimento, principalmente, às diferenças. A partir desta premissa podemos retomar a formação continuada dos educadores como fomentadora de momentos enriquecedores para todos, pois visa a constante troca de saberes, experiências e diferentes olhares sobre o universo educativo. Tão diverso que fazem todos os atores serem importantes e responsáveis pelo pulsar da escola, o humano em prevalência. As ações se entrecruzam, e muitas são decorrentes dos estudos em grupo, rotina imprescindível para pensar as necessidades do dia a dia. E como poderiam ocorrer os encontros de formação de forma a garantir um espaço de reflexão e aprendizagem? A proposta de formação continuada pode ser realizada de diferentes modos e dependerá da organização de cada escola, ou das diretrizes estabelecidas pelo sistema na qual ela esteja vinculada, público ou privado. Pensar na formação coletiva, não prescinde pensar também em encontros individuais. Cada educador é um sujeito singular e também com 4

5 percursos de aprendizagem bem distintos. Então, será preciso prever estudo coletivo e individual. Aceita-se o sujeito em formação, quer ele seja o professor ou o aluno, como pessoa que pensa, e dá-se-lhe o direito de construir o seu saber (Alarcão: 1996, p.175) O plano de ação da formação dos educadores poderá contemplar essas especificidades de cada equipe docente. O caminho de cada educador precisa ser respeitado nesse processo, considerando sua história pessoal e profissional e de formação. Será nesse caleidoscópio de educadores que o desafio se coloca para o mediador. Cabe à equipe de coordenação pedagógica buscar a construção da identidade de sua equipe, enquanto grupo. Isto exigirá que os encontros de formação continuada contemplem diferentes momentos, que a subjetividade tenha seu espaço garantido, que as emoções possam fazer parte desse contexto, que o brincar se faça presente, que as memórias sejam compartilhadas, que a história individual contribua para a do coletivo, e que tudo isso só alimente os estudos teóricos. Afinal, ser educador é ter uma história para contar. E ao tratar da história pessoal e profissional, que seguem tão imbricadas, e se materializam nestes encontros polifônicos dos educadores; observam-se olhares distintos para a escola. É possível observar as ousadias e resistências, que nem sempre tem uma convivência harmoniosa; a ansiedade por caminhos já percorridos que possam constituir-se em mapas; o receio de expor ideias pela remota perspectiva de um juízo de valor; e o desejo nem sempre revelado que alguém valide o certo e o errado. No entanto, trocar conhecimentos é apenas um dos momentos vivenciados nos encontros de formação. Há uma troca de histórias, de trajetórias, de desejos, de dúvidas, de (in)certezas que (re)configuram o percurso do planejado no coletivo. É a construção também da história da escola, que envolve os diferentes sujeitos que nela atuam e dialogam. O que permite refletir sobre a importância do seu Projeto Político-Pedagógico. Pois, pensar na ação pedagógica é ter um projeto educativo que permita, ressalvadas as limitações, a valorização dos educadores; a organização de espaços adequados para o docente, o educando e a família; a disponibilização de recursos materiais para o desenvolvimento das atividades entre outros. Considerar que a escola está inserida numa localidade e sua presença está comprometida com a história deste lugar. E o que o sucesso de sua proposta educativa está relacionado com a valorização do seu contexto, e de cada um que chega para ocupar um espaço legítimo, um espaço de aprendiz. Sem esquecer que aquele que aprende também ensina, e faz história, como tão bem nos sinaliza Paulo Freire. Podemos ratificar o pensamento de Freire (1989), a leitura de mundo precede a leitura da palavra. E ao pensar nas pessoas que transitam cotidianamente pela escola, imaginamos quantos olhares não são desvelados quando se trata de perceber o contexto social, cultural, econômico e histórico que permeia esta instituição. Há um mundo há ser explorado e (re)conhecido pelos sujeitos que se encontram, se entreolham, cooptando-se parcerias de estudos, de vivências, alegrias e também desapontamentos. Assim é a escola, um mundo cheio de palavras ditas e não ditas. Será possível apontar toda esta responsabilidade para os encontros de formação continuada? O que irá advir dos estudos e dos avanços da equipe poderá contribuir para ter a 5

6 escola almejada? Talvez, a resposta não esteja dada. No entanto, a escola é um espaço social que sofre interferências de cunho social, econômico, político e outros. Porém, o diálogo e as reflexões provocadas pelos encontros de estudo serão marcas significativas para repensar ações e atuações dos educadores, apesar das possíveis limitações do contexto. A construção da identidade de grupo e de uma postura reflexiva requer tempo UMA PROPOSTA INSTITUCIONAL DE FORMAÇÃO CONTINUADA É a partir deste universo escolar, e como componente da Equipe do Ensino Fundamental do Departamento Nacional do Sesc, que são propostas ações sistemáticas, presenciais ou à distância, de formação continuada para os professores do ensino fundamental das escolas do Sesc, em diferentes recantos do país. Constitui uma realidade diversa e enriquecedora, principalmente, quando possibilita que o diálogo ultrapasse as fronteiras, tanto locais quanto nacionais. São momentos em que os educadores, mesmo em ações à distância, por videoconferência, se colocam juntos e separados, mas todos imbricados no desejo de cooperar, compartilhar saberes e histórias. É a possibilidade de reconhecer sua escola e a de todos como singulares, apesar de comporem uma rede, seja em nível regional ou nacional. A partir do diálogo com os educadores que atuam nos anos iniciais do ensino fundamental, elabora-se uma proposta institucional de formação, presencial ou por videoconferência, que em sua gênese é fruto de diferentes interlocuções e olhares: os assessores técnicos do Sesc, os assessores externos especialistas, e as indicações/considerações da equipe gestora e docente nas escolas. Sempre tendo como premissa atender as necessidades de estudo, que foram identificadas nas trocas com cada equipe. A proposta institucional é mais uma a ser agregada nas ações locais organizadas por cada equipe (semana pedagógica, grupo de estudo, aula-passeio, participação em seminários, congressos etc.). A intenção é contribuir com os estudos locais, possibilitando o diálogo com especialistas, em diversas áreas de conhecimento, de diferentes localidades/instituições, ampliando esta polifonia, marca característica de uma rede composta de diferentes sotaques, dizeres e saberes. É importante ressaltar que no acompanhamento das equipes, gestora e docente, as proposições de caráter institucional primam pela autonomia das equipes, e valorizam a troca, possibilitando a interlocução para melhor atender a todos, sem desconsiderar as especificidades de cada escola. Para tal, sinaliza-se a importância da escola ter sua proposta pedagógica para melhor dialogar com as famílias acerca de sua prática. Este percurso de formação com as equipes do Sesc permite obter diferentes contribuições e olhares, de especialistas, referenciados num fazer pedagógico ou em estudos teóricos, e possibilita ampliar e aprofundar conhecimentos do cotidiano escolar. Quando tratamos da prática pedagógica, consideramos premente pensar em diferentes aspectos que possam subsidiar o educador, e dar condições para que exerça uma ação reflexiva. Sendo uma das propostas o encaminhamento de estudos acerca de: gestão escolar; planejamento no cotidiano escolar, alfabetização, avaliação, projetos didáticos, inclusão, registro, entre outros. É possível observar o quanto os encontros foram tecendo uma narrativa, na qual diferentes atores entraram e saíram, mas a tessitura se manteve com cada novo ator que 6

7 assumiu o compromisso de construir uma escola de qualidade, embasada em referenciais teóricos e metodológicos, objeto de estudo e reflexão constante. Cada um foi protagonista de sua trajetória, com um fazer pedagógico individual e/ou coletivo, utilizando diferentes possibilidades de registros que ratificaram o desejo do grupo. Tais registros exibem imagens de uma escola viva. O exercício da autoria não tem caminho de volta. Cada educador escolhe o seu caminho na escola, e como constitui o seu pertencimento no grupo. Cada sujeito é parte integrante e atuante, sujeito de ação e reflexão, que faz história na relação/interlocução consigo e com o(s) outro(s). DISCUSSÃO TEÓRICA 3. FORMAÇÃO CONTINUADA: UM ESPAÇO DE DIÁLOGO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA A intenção de que cada educador possa ser protagonista do seu fazer, crítico, autônomo, reflexivo em suas ações, traz uma concepção de um sujeito que é autor de sua prática e se autoriza na construção de diferentes caminhos na ação pedagógica. Consciente que neste fazer não está só, e há um embasamento para suas ações serem traçadas de um jeito ou de outro. Existe um diálogo entre a sua prática pedagógica e as concepções que a fundamenta, decorrente de sua formação inicial e em serviço. Bem como do seu percurso profissional como educador e na troca com seus pares. Como bem diz Weisz (2002, p.118), (...) começamos a conceber a profissão de professor como uma profissão que pressupõe uma prática de reflexão e atualização constante. Neste ir e vir dos encontros de formação continuada vislumbra-se a busca incessante. Parece que nunca há as respostas que se procura. É preciso repensar este olhar! Reconhecer os conflitos de ordem teórica e metodológica que instigam à reflexão e ter um posicionamento, que irá delinear as escolhas em sala de aula. Há que se ter segurança das concepções, de aluno, escola, ensino, aprendizagem, avaliação e tantas outras. Pois serão elas que irão subsidiar cada ato, cada intencionalidade do educador com seu grupo. Este é um dos desafios da formação continuada, contribuir para que o educador possa aproximar-se cada vez mais dos autores/teóricos que embasam sua prática. E o mediador precisará também identificar se os pressupostos teóricos e metodológicos da prática de sua equipe estão em consonância com a proposta educativa da escola. Os encontros de formação desvelam os conhecimentos, as concepções dos educadores pelas palavras, posicionamentos, os olhares de dúvidas, inquietações e certezas que demonstram como cada um está dialogando com o estudo em foco. Comunicar sua prática à luz dos referenciais teóricos e metodológicos permite um exercício de reconhecer-se coerente com sua prática e seu discurso. (...) Valoriza-se a experiência como fonte de aprendizagem, a metacognição como processo de conhecer o próprio modo de conhecer e a metacomunicação como processo de avaliar a capacidade de interagir. Reconhece-se a capacidade de tomar em mãos a própria gestão da aprendizagem. (Alarcão: 1996, p.175) 7

8 A reflexão cotidiana, o olhar atento às necessidades do educando, o diálogo com a família entre outras ações poderá permitir ao educador subsídios diários para alterar ou não o caminho delineado. E com o apoio da equipe gestora, em encontros dialogados, seja individual ou coletivo, há a possibilidade de consolidar seus encaminhamentos metodológicos. Gerir sua aprendizagem, como aponta Alarcão, é tomar para si a responsabilidade de construir um caminho profissional, reconhecendo que não está sozinho, e que seus saberes dialogam com seus pares (educadores, coordenadores e diretores). Ter um plano de formação construído a partir das falas e olhares das equipes é permitir que as possibilidades substituam o discurso das impossibilidades, tão presente no cotidiano de algumas escolas e no discurso de alguns profissionais, que insistem em ficar no lugar da queixa. Atualmente, sabemos que este lugar é transitório, e cabe à equipe gestora contribuir para que os educadores saiam dessa prática. Criar momentos de estudo para ir além desse lugar, ir ao encontro das oportunidades possíveis nos grupos de estudo, na sala de aula, na interlocução com a família e a comunidade. RESULTADO 4. O EXERCÍCIO DE AUTORIA NOS ESPAÇOS DE FORMAÇÃO O protagonismo dos educadores no cotidiano escolar destaca a importância de sua participação no projeto educativo da escola em diálogo com os demais atores. Nesse documento os princípios serão delineados e a proposta de formação da equipe docente também será contemplada. Em um realidade com rotatividade de educadores faz-se imprescindível garantir a proposta de formação continuada pensada para a escola. Mudam-se os atores, mas atualizam-se os desejos, as utopias, as ações possíveis de concretização. Para isto, cada um precisa reconhecer o seu papel, compromisso e responsabilidade neste espaço educativo. Todas as ações com os educadores precisam ser previstas nos planos de formação continuada e contidas no calendário da escola. A ideia de pertencimento no grupo é a ideia de construção coletiva. A utopia de uma proposta educativa construída no coletivo como possibilidade de mudança, requer uma dose de ousadia. Contribuir com a formação do educando é ousar construir um caminho, que exige o empenho e compromisso dos educadores. Investir no estudo, na troca entre pares e na continuidade de sua formação acadêmica. Afinal, ousar é uma das formas de abrir espaços de mudanças significativas na ação pedagógica, já que exige o repensar de práticas consolidadas, sair da zona de conforto. Olhar adiante e além, valorizando os passos dados. A proposta viável e possível poderá ser delinear um caminho de formação em parceria com os educadores, acreditando que reconhecer a diversidade, é saber da impossibilidade de atender a todos em suas necessidades de estudo, porém, os olhares trocados, as pequenas redes que vão se constituindo, demonstram que o caminho não é dado, ele é feito a cada passo e permeado por respostas, perguntas, conflitos, avanços, recuos, acertos, equívocos, certezas e incertezas... Mas, e os limites neste olhar para/com a escola? Nenhuma escola está pronta, mas o diálogo com os teóricos e os autores da área de educação poderá viabilizar o repensar das 8

9 práticas. Nos encontros de estudo entre os professores, na mediação das atividades em sala de aula, na autonomia do fazer pedagógico, na coerência da ação educativa com os referenciais teóricos e metodológicos da proposta pedagógica, no compromisso com a aprendizagem de todos os educandos, poderá ter possibilidades/oportunidades de fazer uma história diferente. A autoria dessa história será dos sujeitos. É imprescindível ressoar as vozes e ampliar o olhar nos encontros de formação. Investir na formação continuada é fomentar o reconhecimento de que não estamos sós, que falamos e entendemos de diferentes jeitos, mas que isto não impede o diálogo. Os educadores precisam assumir o seu protagonismo para mudar, ousar, ou melhor, acreditar que fazem diferença, no dia a dia, deste universo intitulado escola. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALARCÃO, Isabel, Formação reflexiva de professores Estratégias de supervisão. Porto- Portugal: Porto Editora, FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Editora Cortez, WEISZ, Telma & SANCHEZ, Ana, O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Editora Ática,

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