Reflexão sobre interação da Embrapa com a sociedade

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1 Reflexão sobre interação da Embrapa com a sociedade

2 Porque falar de Interação: Desgaste dos conceitos, confusão, polissemia; Recuperar os sentidos voltados para a ação: Valorizar as trocas de conhecimentos; Escutar a voz do outro (parceiros); Agir com, mais do que fazer para; Observar as mudanças do entorno; Incluir atores, mesmo os imprevisíveis; Qualificar, focar, fazer melhor, ser consequente; A medida de sucesso é o desenvolvimento.

3 Alguns esclarecimentos Interagir é diferente de usar dados e informações da cadeia produtiva. Sintonizar com as demandas é condicionante para a qualidade das ofertas. Comunicar a ciência é tão importante quanto produzila. A comunicação da ciência não está apartada de todo o seu processo produtivo. A interação pressupõe contratos simbólicos e relação de confiança.l para trocas positivas entre sujeitos

4 Que tipo de interação? A que soma para todos: Fortalece um clima favorável para trocas de saberes; O nós cooperativo supera o egoísmo do eu ; Trabalha com as pessoas e não apenas para elas; Conhece-se a realidade, antes de qualquer ação; Adaptativa, atendendo cenários e mudanças; A comunicação é meio e não fim; Quanto é um compromisso de todos.

5 Qualidades da interação com foco no desenvolvimento Interesses comuns e compromissos entre as partes, que serão parceiras; O receptor, em re-ação, é quem abre as portas da ação comunicativa; Requer novas habilidades dos emissores; A mensagem não está pronta, é do processo, e sempre adaptativa; Mídias e ferramentas (meios)chegam sempre depois; A informação técnica é uma das variáveis, nem sempre a mais importante.

6 De qual desenvolvimento estamos falando Trata-se do desenvolvimento equitativo da sociedade; As agências são fontes e avaliadoras do intercâmbio; Os agentes de interação são mediadores desse processo; Cabe-lhes fomentar o protagonismo social; Ouvir mais do que apenas "informar" o que se faz; Os indicadores são as mudanças sociais ocorridas; Supera-se interesses particulares das agências e dos seus servidores.

7 Pensando com J.D. Bordenave No quadro atual, é evidente que a comunicação está longe de contribuir para a construção de um novo modelo civilizatório mais equitativo e humano. Em primeiro lugar, é um processo que deveria ser equivalente ao diálogo, a participação e o enriquecimento cultural de todos, mas funciona a serviço do poder e da dominação de uns poucos sobre a sociedade inteira (BORDENAVE, 2012, p.8). BORDENAVE, J.D. Comunicação e desenvolvimento na América Latina: conquistas e tendências. Rio de Janeiro:Texto avulso, tradução de Antonio Heberlê, 2012.

8 A epistemologia do desenvolvimento A sociologia moderna mostra que é da organização social que se pode chegar às mudanças mais significativas (Bourdieu); Modelos positivistas, de estimulo-resposta, tendem a não funcionar a longo prazo (Rogers se revê); Nem sempre captamos exatamente o que precisa ser feito; Nem sempre as pessoas sabem dizer o que querem (Morin); A sociologia recorre à antropologia social (Garfinkel) para captar a realidade; A psicologia mostra que há forte tendência para a estabilização comportamental e a inevitabilidade dos cortes (Festinger)

9 Os sinais de mudança Os campos dos estudos das ciências naturais e das ciências sociais se aproximam na modernidade (KUNH); A teorização essencialista, funcionalista e estruturalista da ciência clássica dá lugar a uma visão mais sutil, humanística e integrada (MORIN); As respostas tecnológicas tendem a explicar o que acontece na natureza tanto no esfera dos macro quanto dos microprocessos; A interação dos resultados técnicos com a realidade das pessoas e das implicações (cultural, econômico, social, etc) ajudam a compreender os porquês (WEBER).

10 A corrida de bastão Instituições de P&D são estimuladas a gerar conhecimento: São medidas pelo volume de nova informação cientifica gerada. Pesquisadores são avaliados pelo impacto na comunidade cientítica; A transferência entra em cena para a difusão dos resultados; Comunicadores são avaliados pela eficiência em ampliar o espectro dessas novas informações e, técnicos da transferência, pela capacidade mobilizadora, Será que as medidas estão corretas nesta corrida?

11 Novos papeis das agências de Estado O que a sociedade espera de nós? O papel das agências do Estado é o mesmo da primeira fase, demarcada pela demanda? Qual é o capital simbólico das instituições? Quais os recados das ruas para as instituições do Estado, Universidades, Agências, etc? Com novos ativos de protagonismo social, como as instituições vão se reorganizar?

12 Quem é o homem do campo As pessoas tem mais acessos e recebem mais informações do que pensamos; O homem do campo acessa o mundo no campo; Os jovens gestam a sua informação, estão nas redes. Como utilizar isso? As regras de consumo definem mudanças radicais nas formas de produção; A ciência não pode ficar alheia a tudo isso.

13 O campo midiatizado Mesmo as zonas rurais mais pobres não dispensam a ligação com o mundo, passando de imediato pelo local em acesso direto com o global. A informatização no campo e o acesso às redes já fazem parte de um contingente significativo de pessoas que residem em áreas remotas.

14 Algumas razões para essas dificuldades Não se trabalha com um produto qualquer ou objeto para ser colocado no balcão; As técnicas do velho marketing não ajudam, as novas muito; Saber o porquê das perguntas é mais importante do que saber as respostas; Para operar a esfera da emissão é preciso sintonizar com a recepção; Não há caminho pronto, a sociedade é diversa, com ela se aprende a andar, andando.

15 Fundamentos A interação e a comunicação são estratégicas para empresas do conhecimento; Toda ação estratégica numa organização estará representada no topo das decisões; A comunicação será estratégica se a gestão for estratégica; A interação com a sociedade é um fator comportamental.

16 Questões de comportamento Despojar-se dos pré-conceitos; Ir a campo e conhecer o contexto; Colocar-se como fonte articuladora; Ouvir atentamente as pessoas em seus locais; Descobrir juntos os fluxos de interação; Incluir outros atores de acordo com a necessidade; Respeitar a cultura do lugar e articular saberes; Pensar o que pode ser feito, com as pessoas.

17 Os valores desse tipo de relação interação (diálogo) alteridade (colocar-se no lugar do outro) proatividade (agir ativamente em todo o fluxo) criatividade (inventar, estar aberto ao novo) objetividade (ser prático nas ações) atualidade (manter-se conectado ) simplicidade (descobrir o caminho mais curto) profissionalismo (seriedade e responsabilidade) reciprocidade (valorizar as parcerias)

18 Exemplo de tipologias de comunicação Organizacional / P. Desenvolvimento Administrativa Interna Institucional Social Política Prospectiva Editorial Promocional Interacional Mercadológica

19 Conceito central do M.R. A interação com a sociedade Proposta inicial: Marco Referencial de Transferência de Tecnologia, Intercâmbio e Construção de Conhecimento Proposta em discussão: M. R sobre a interação da Embrapa com a sociedade

20 Elementos do M.R. A interação define o tipo de relação, no sentido das alianças e vínculos com os parceiros; São tipos de contratos formais e simbólicos que se estabelecem com a sociedade; Trata-se de estabelecer confiança, credibilidade; Foram as mudanças paradigmáticas, das regras da oferta para as de consumo que definiram esses novos desafios. A sociedade mudou e as instituições também precisam mudar.

21 Definições Comunicação é processo social de interação; Comunicador é todo ser social que comunica; Especialista em comunicação é quem estuda esta habilidade ou faz disso a sua profissão; Comunicação é troca, fluxo, inter-relação; Informação é o insumo da comunicação; O destino da informação adequada e da comunicação eficiente é o conhecimento; A mudança de atitudes é variável independente, pois a percepção é livre. Não se leva os sentidos.

22 Definições Comunicação é processo social de interação; Comunicador é todo ser social que comunica; Especialista em comunicação é quem estuda esta habilidade ou faz disso a sua profissão; Comunicação é troca, fluxo, inter-relação; Informação é o insumo da comunicação; O destino da informação adequada e da comunicação eficiente é o conhecimento; A mudança de atitudes é variável independente, pois a percepção é livre. Não se leva os sentidos.

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27 Como atingir este desenvolvimento? Será preciso pensar a comunicação como interação, desde os interesses das pessoas, Pensar a interação com base nas culturas locais específicas (do consumo), ao contrário de pensar como uma problemática de uso de meios, instrumentos e tecnologias(da oferta), Será necessário projetar a interação social como estratégica nos institutos; Estruturar a interação social alinhada com projetos objetivos de pesquisa técnica, com o fim no desenvolvimento.

28 O intercâmbio Muitas agências, como o INTA, na Argentina, trabalham com uma visão transversal; O reconhecimento de um processo complexo e retroalimentado é um princípio; Não se trataria de levar conhecimentos, mas de trocar experiências; A comunicação passa a ser estudada como estratégica, pela Universidade, e seu papel é de encontrar caminhos; Evita-se a intervenção ou dizer como fazer a priori.

29 Modelo da ação-experiência No modelo de ação-experiência de Checkland & Scholes, 1993, os autores descrevem o circuito da inovação como ciclos, sugerindo continuidade no sistema que passa pela experiência, segue para a percepção da realidade de uma situação e assim se reproduz continuamente (Fig 1).

30 Modelo do arco (Bordenave)

31 O exemplo de Sobral Pesquisa inclui a comunicação para o desenvolvimento como um plano de ação; (projeto Sustentare) Os comunicadores estão no projeto liderado por Jorge Farias (Adriana e Adilson (Sobral) e Heberlê (DTT); As comunidades são motivadas a identificar os seus problemas e ajudar na solução; Os pesquisadores são agentes, trocam conhecimentos; Multiplica-se as boas práticas e nem sempre a tecnologia Embrapa é a mais importante; O fim é o desenvolvimento das pessoas e de suas comunidades (o que está acontecendo).

32 Acompanhamento do Projeto Melhoramento de Batata da Embrapa É possível perceber que a comunicação está presente em todo o processo de desenvolvimento da pesquisa agropecuária, de forma dinâmica e recíproca Permite observar, com exemplos práticos, a atitude do pesquisador que acessa aos sistemas dos agricultores, dos empresários e dos demais membros da cadeia a todo tempo

33 Entrevista com Arione Pereira

34 O paradigma do modelo proposto Permanente contato da pesquisa com a realidade; Ler corretamente as necessidades das cadeias produtivas; Perceber os atores num mesmo patamar; Pesquisador como astuto observador; Processar informações e perceber os sinais relevantes, reprocessando sempre.

35 O modelo do modelo A hélice do DNA tem de ser 'dupla' de maneira a conseguir replicar-se e, estando entrelaçada, é mais forte que duas cadeias paralelas porque puxando em uma direção qualquer a cadeia não se desfaz. James Watson e Francis Crick

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38 Observações finais É possível maior efetividade nos projetos e a variável comunicação é estratégica; será preciso superar o modelo tradicional, tipo "corrida de bastão", A Pesquisa e sua comunicação operam atividades indissociáveis e para isso: Cientistas terão que entender mais de sociologia do desenvolvimento e; Comunicadores terão que entender de ciência e desenvolvimento

39 Proposta Capacitação dos comunicadores agente de interação em sociologia do desenvolvimento; Capacitação dos pesquisadores em epistemologia do desenvolvimento; Mapear estudos sobre sociologia e antropologia do desenvolvimento rural; Incentivar novas pesquisas no setor.

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