Uma reflexão teórica acerca das mudanças no mundo do trabalho e os impactos sobre o mercado de trabalho dos assistentes aociais no Brasil

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1 Uma reflexão teórica acerca das mudanças no mundo do trabalho e os impactos sobre o mercado de trabalho dos assistentes aociais no Brasil Vania Maria Manfroi 1 1. Introdução Apresenta-se nesse artigo uma revisão teórica acerca do tema do trabalho do assistente social perante as mudanças societárias. Essa revisão teórica faz parte do projeto mercado de trabalho dos assistentes sociais em Santa Catarina. O projeto foi aprovado pelo CNPq (Conselho nacional de Pesquisa) e pretende mapear o mercado de trabalho dos assistentes sociais no estado. Porém, nesse artigo será apresentada apenas a revisão bibliográfica e apresentação de resultados de algumas pesquisas feitas sobre o tema no Brasil. A discussão acerca da relação entre Serviço Social e trabalho emerge no Brasil nos anos 1980, com destaque para a produção de Marilda Villela Iamamoto e Raul de Carvalho de Tal trabalho demarca uma nova compreensão da profissão, pois segundo Iamomoto a profissão situa-se como um dos elementos que participa da reprodução das relações classes e do relacionamento contraditório entre elas. Assim, o livro de 1982 tem como objetivo compreender a profissão historicamente situada, configurada como um tipo de especialização do trabalho coletivo dentro da divisão social do trabalho peculiar à sociedade industrial.(iamamoto, 1995, p. 71). As alterações na questão social, bem como nas políticas sociais repercutem sobre o exercício profissional do assistente social, segundo Iamamoto (2004), o trabalho é um elemento indissociável da questão social, assim a sua compreensão implica do processo de trabalho na contemporaneidade, num processo de disputas entre projetos societários, informados por distintos interesses de classe, acerca de concepções e propostas para a condução das políticas econômicas e sociais (IAMAMOTO, 2004, p. 10). 1 Mestre e doutora em Serviço Social pela Pontíficia Universidade Católica de São Paulo e Professora Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Catarina. Ponencia presentada en el XIX Seminario Latinoamericano de Escuelas de Trabajo Social. El Trabajo Social en la coyuntura latinoamericana: desafíos para su formación, articulación y acción profesional. Universidad Católica Santiago de Guayaquil. Guayaquil, Ecuador. 4-8 de octubre

2 Mais recentemente, Iamamoto (2008, p. 415) retoma o debate acerca do trabalho do assistente social. A autora considera no estudo a dupla dimensão do trabalho, no sentido marxiano. Para ela há uma dupla determinação do trabalho do assistente social como trabalho útil e abstrato, dimensões indissociáveis para se pensar o trabalho na sociedade burguesa. Lembra que na sociedade burguesa o trabalho tem a dimensão mercantil fundada na propriedade privada. Porém, ressalta a autora que o caráter social do trabalho do assistente social assume a dupla dimensão: (a) enquanto trabalho útil atende a necessidades sociais (que justificam a reprodução da própria profissão) e efetiva-se através de relações com outros homens, incorporando o legado material e intelectual de gerações passadas, ao mesmo tempo em que se beneficia das conquistas atuais das ciências sociais e humanas; (b) mas só pode atender às necessidades sociais se seu trabalho puder ser igualado a qualquer outro trabalho enquanto trabalho abstrato -, mero coágulo de tempo de trabalho social médio -, possibilitando que esse trabalho privado adquira um caráter social (Iamamoto, 2008, p.421). Nesse processo é central compreender como as medidas de reestruturação do trabalho afetam a ação profissional. Em princípio afetam diretamente, pois o assistente social é um trabalhador assalariado. Mas também atingem indiretamente à medida que essas mudanças implicam na ampliação da desigualdade social. Nesse processo há o que Iamamoto chama de radicalização da questão social, pois ampliam-se as demandas para o Serviço Social, o que requer respostas mais complexas. Concomitantemente, as mudanças nas políticas sociais interferem nas respostas das instituições sociais, em que atuam os assistentes sociais: E o assistente social, que é chamado a implementar e viabilizar direitos sociais e os meios de exercê-los, vê-se tolhido em suas ações, que dependem de recursos, condições e meios de trabalho cada vez mais escassos para operar as políticas sociais (Iamamoto, 2008, p. 149). Segundo Netto (1996, p.105), no Brasil as transformações societárias em curso no capitalismo tardio que se flexibiliza vão se processar combinando as suas seqüelas específicas com a cronificação daquelas que marcaram a modernização conservadora operada pela ditadura do grande capital e não foram senão agravadas (Netto, 1996, p.105). 2

3 Segundo Mota e Amaral (2000, p. 25), o processo de produção e reprodução da força de trabalho exige uma refuncionalização das competências profissionais e se desenvolve em dois planos. Um imediato que relaciona-se com questões que afetam diretamente o exercício profissional, como é o caso das alterações do mercado de trabalho e nas condições de trabalho profissional. Outro amplo e complexo, pois refere-se ao surgimento de novas problemáticas que podem ser mobilizadoras de competências profissionais estratégicas, como a elaboração de proposições teóricas, políticas, éticas e técnicas que se apresentem como respostas qualificadas ao enfrentamento das questões que lhe são postas. No entanto, segundo Netto (1996, p.89) há que se considerar também a cultura profissional, pois elas não são apenas resultados de processos sociais macroscópicos devem também ser tratadas cada qual com seu corpus teóricos e práticos que, condensando projetos sociais (donde as suas inelimináveis dimensões ídeopolíticas), articulam respostas (teleológicas) aos mesmos processos sociais (Netto, 1996, p.89). Nessa linha de raciocínio esse trabalho, mesmo que de forma sintética, tenta demonstrar que as transformações porque passam o capitalismo repercutem sobre o trabalho profissional, porém, os profissionais podem articular respostas coletivas de enfrentamento a essa conjuntura. Mudanças no capitalismo, no Mundo do Trabalho e nas Políticas Sociais Chesnais (1999, p. 79) utiliza o termo mundialização do capital para definir o atual momento do capitalismo. Segundo o autor, esse termo define a forma como o capitalismo vem se desenvolvendo desde os anos 1980 em decorrência das políticas de liberalização e de desregulamentação das trocas, do trabalho e das finanças, adotadas pelos governos dos países industriais, encabeçados pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. O autor afirma, no decorrer do texto, que o significado desse processo de mundialização do capital, é mais do que uma discussão econômica, ele diz respeito às formas do domínio social próprio de uma fase histórica, da qual não podemos saber nem quanto tempo durará nem por qual caminho a humanidade dela sairá (CHESNAIS, 1999, p. 86). 3

4 Um aspecto central desse processo é a financeirização da economia, que segundo o autor, baseia-se na política monetária norte-americana combinado de fatores de hierarquização próprios do período da mundialização do capital, da interconexão dos mercados de obrigações e do lugar ocupado pelos déficits públicos (CHESNAIS, 1999, 98). Esse processo, segundo o mesmo autor, vem pesando cada vez mais na transformação da relação salarial (flexibilidade, precariedade, redução do nível médio dos salários reais (CHESNAIS, 1999, p. 99). Mészáros (2002) analisa a ordem da reprodução sociometabólica do capital, assim entende que o capital é em última análise, uma forma incontrolável de controle sociometabólico (2002, p. 96, grifos do autor), pois é uma estrutura totalizadora de controle à qual tudo o mais, inclusive seres humanos, deve se ajustar, e assim provar sua viabilidade produtiva, ou parecer, caso não consiga se adaptar. Em artigo em que analisa o desemprego, a precarização e as alternativas para a esquerda, o autor afirma que atualmente mesmo os países de capitalismo desenvolvido estão enfrentando o desemprego e o trabalho temporário (Mézáros, 2006, 27). Ele afirma que a flexibilidade é um mito, pois vive-se uma grande tendência socioeconômica de equalização da taxa de exploração diferencial (idem). Aprofundando mais sua análise, ele afirma que é a primeira vez na história que a dinâmica_ e, em suas implicações finais, dinamicamente destrutivas_ do controle social metabólico auto-expansivo do sistema expele, brutalmente se necessário, uma maioria esmagadora de seres humanos do processo de trabalho (Mézáros, 2006, 33). Noutra linha, Castel (1997), analisando as metamorfoses da questão social, afirma que estamos vivendo uma nova questão social em conseqüência do enfraquecimento da relação salarial, decorrente do processo de precarização do trabalho. Assim, a exclusão social afeta principalmente os trabalhadores, e dentre eles os pouco qualificados, mais do que os executivos, por exemplo, mas é preciso dizer que há também um desemprego para os quadros superiores, quer dizer, que ninguém escapa a essa reestabilização das situações de trabalho (1996, p. 9). Usando como exemplo a França, o autor levanta três tendências relativas ao trabalho, que assim classifica: desestabilização dos estáveis, ou seja, trabalhadores que ocupavam uma posição sólida na divisão do trabalho clássica e que se encontram ejetados dos circuitos produtivos; instalação na precariedade, isto é, 4

5 alternâncias de períodos de atividades, de desemprego, de trabalho temporário, de ajuda social e os sobrantes que são pessoas que não têm lugar na sociedade, que não são integrados, e talvez não sejam integráveis (1997, p. 11). Ricardo Antunes (1985), explica as mudanças no trabalho aconteceram a partir dos anos 80 e atingiram as formas de inserção na estrutura produtiva, as formas de representação política e sindical, ou seja, atingiram tanto a materialidade quanto a subjetividade da classe que vive do trabalho. As mudanças foram: a produção em série foi substituída pela flexibilização da produção; especialização flexível; novos padrões de busca de produtividade; novas formas de adequação à lógica do mercado; descontração industrial; direitos trabalhistas foram desregulamentados e flexibilizados. Houve um salto tecnológico: automação, robótica, micro eletrônica. Ocorreu, também, a especialização flexível, ou seja, uma nova forma produtiva que articula, de um lado, um significativo desenvolvimento tecnológico e, de outro, uma desconcentrarão produtiva baseada em empresas médias e pequenas (artesanais) e um novo modelo produtivo, no qual há uma recusa do padrão em massa, um processo desconcentrado; produz-se para um mercado localizado e regional e extingue a produção em série. Decorrente das mudanças que ocorreram na sociedade mundial, a partir dos anos 1970, foram anunciadas várias crises, uma delas seria a crise do trabalho. Assim, vários autores afirmaram que o trabalho não seria mais uma categoria central na contemporaneidade (Gorz, Offe, dentre outros). Mediante isso, no campo do marxismo Antunes tem feito a crítica a esses autores. No texto qual crise da sociedade salarial, o autor defende que com todas as reconfigurações, complexificação, heterogeneização, etc., não podem levar a uma idéia de crise do trabalho. Mishra (1995) analisa o Estado-providência na Europa, Estados Unidos e Austrália e relaciona o crescimento dos neoconservadores nestes países e a continuidade, ou não, do Estado-providência. Afirma que os neoconservadores não desmantelaram o Estadoprovidência. Mishra considera a história do Estado-providência em 3 fases: pré-criseantes de 1973; crise- meados a fins dos anos 70; pós-crise a partir dos anos 80. Segundo o autor, o consenso do pós-guerra sobre o Welfare State sofreu um revés a partir dos anos 70. Houve, ao mesmo tempo, inflação e recessão que não se podia mais resolver do ponto de vista do Estado-providência. O autor afirma que o mais importante na análise 5

6 que se faz no seu livro é que a doutrina keynesiana ainda não foi substituída por nenhum modelo. No livro ele analisa as diferenças presentes nas configurações dos diversos países. Para ele, perceber quais são as respostas políticas propostas por cada governo seja o neoconservadorismo, seja o social-corporativista são fundamentais para o futuro da assistência social e das democracias capitalistas. Nesse momento surge o neoliberalismo que, segundo Anderson (1995 p.9) é uma doutrina que ataca de forma apaixonada qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado, denunciadas como uma ameaça letal à liberdade, não somente econômica, mas também política. O neoliberalismo ataca, também, o igualitarismo que resulta do Estado de bem-estar, o qual, segundo os defensores do neoliberalismo destruía e limitava a liberdade dos homens e a concorrência. Um dos pontos fulcrais de defesa dos neoliberais é a redução do Estado, transformando-o em Estado mínimo com a redução gradual dos gastos sociais. Contrariamente à tese do Estado intervencionista defendida pelo keynesianismo, o neoliberalismo no questionamento do Estado de bem-estar e das propostas de pleno emprego, originando com isso o desemprego estrutural como forma de regulação social. Yasbeck afirma ainda que sob a crise do Welfare State se radica também a crise do pensamento igualitário e democrático (1995, p.11). Porém, o Brasil tem uma particularidade no que concerne às políticas sociais. Pereira (2000) afirma que a política social no Brasil teve a seguinte periodização: Período lassefariano; período populista/desenvolvimentista; período tecnocrático-militar; período da transição para a democracia liberal e período neoliberal. Nesse sentido, afirma a autora que: no Brasil, as políticas sociais tiveram a sua trajetória em grande parte influenciada pelas mudanças econômicas e políticas ocorridas no plano internacional e pelos impactos reorganizadores dessas mudanças na ordem política interna (PEREIRA, 2000, 125). Segundo a mesma autora, o caminho percorrido pelas políticas sociais no Brasil se diferenciou daquele dos países centrais, nesses elas 6

7 nasceram livres da dependência econômica e do domínio colonialista, o sistema de bem-estar brasileiro sempre expressou as limitações decorrentes dessas injunções. Assim, a proteção social no Brasil não se apoiou firmemente nas pilastras do pleno emprego, dos serviços sociais universais, nem armou, até hoje, uma rede de proteção impeditiva da queda e da reprodução de estratos sociais majoritários da população na pobreza extrema. (Pereira, 2000, p. 125) Ademais, devido à fragilidade das instituições democráticas nacionais, a política social brasileira teve seus momentos de expansão justamente nos períodos mais avessos à instituição da cidadania: durante os regimes autoritários sob o governo de coalizão conservadoras (PEREIRA, 2000, 125). Para a autora o padrão nacional de proteção social brasileiro teve as seguintes características: ingerência imperativa do poder executivo; seletividade dos gastos sociais e da oferta de benefícios e serviços públicos; heterogeneidade e superposição de ações; desarticulação institucional; intermitência da provisão; restrição e incerteza financeira. Nesse sentido cabe ressaltar que o neoliberalismo teve conseqüências no Brasil, mas de uma forma diferenciada dos países centrais que haviam desenvolvido o Welfare State. São características da política social no modelo neoliberal: função meramente compensatória e focalizada para atendimento apenas da pobreza extrema; a seletividade que tem uma função regressiva de desmantelamento dos serviços sociais que produzem redução dos gastos sociais. A pobreza é considerada de forma absoluta e não relativa atendida através de políticas emergenciais, o Estado passa a ter 3. Repercussão das Mudanças no Mercado de Trabalho para os Assistentes Sociais Brasileiros Recuperamos alguns estudos feitos no Brasil acerca do mercado de trabalho. É uma pesquisa bibliográfica, cujo objetivo é mostrar tendências do mercado de trabalho dos assistentes sociais nos últimos anos. Começamos apresentando sucintamente os dados de uma pesquisa que coordenamos no Espírito Santo (Manfroi, et al 2007). A pesquisa levantou os seguintes dados do perfil 7

8 profissional: Predominância feminina; concentração na Grande Vitória, especialmente no município de Vitória (49,5% moram e 52,97% trabalham); há uma presença considerável de novos profissionais se inserindo no mercado de trabalho; expressivo número de especialistas (57,92%); prevalência, ainda de formação por uma universidade pública. Quanto às condições de trabalho levantou-se como principais problemas citados pelos profissionais: falta de recursos; estrutura física inadequada; falta de profissionais; falta de autonomia, reconhecimento; questões salariais. Pode-se, ainda, afirmar que há um índice alto de desemprego: 43% dos profissionais já ficaram desempregados; há uma expressiva presença de problemas de saúde (70%), especialmente as doenças psicossomáticas (110 casos citados). Há uma prevalência de contratação no setor público; ampliação do espaço nas prefeituras municipais, decorrente do processo de municipalização. As áreas de atuação mais citadas foram saúde com maior percentual 35,64%, seguido de família e assistência e a pulverização e fragmentação das áreas. No que se refere à participação política concluiu-se que há pouca participação dos assistentes sociais em movimentos sociais, embora 57,92 % afirme que participa, mas há uma predominância de participação em movimentos religiosos e pequena participação nos conselhos, sendo que a maior participação se dá nos conselhos de assistência e criança e adolescente. O estudo realizado por Serra (2000) enfoca o estado do Rio de Janeiro no qual a autora mostra que houve no período de 1991 a 1997 houve uma maior absorção de assistentes sociais no nível municipal. Outro fenômeno apontado pela autora foi o processo de terceirização que ocorreu no setor público, destacando-se a ocorrência desse fenômeno no nível municipal. Prédes (2007) realizou estudo no estado de Alagoas e mostra, também que no ano de 2004 existiam 29,65% de assistentes sociais no nível municipal, 26,42 % no nível estadual e que há predominância da inserção dos assistentes sociais em políticas sociais estatais., pois somando-se o percentual de profissionais que atuam na iniciativa privada, no terceiro setor e em economia mista o total é de 11,32%. No que se refere aos vínculos, a pesquisadora ressalta a predominância do vínculo efetivo com um percentual de 43,52%. No entanto, há uma diversificação nas formas e tempos de vinculação do assistente social (Prédes, 2007, p. 27). Num outro estudo realizado no estado do Rio Grande do Sul por Guimarães e Rocha (2008) que descreve a inserção dos assistentes sociais no campo da assistência social 8

9 constatou que 76% dos assistentes sociais do estado estão inseridos nas instituições públicas municipais. Os dados mostram que 46% dos profissionais possuem vínculo estatutário e 31% celetista. Outro dado é a rotatividade do assistente social no mercado de trabalho. Já Pires et al (2006) realizaram pesquisa na Região Metropolitana de Londrina, composta por seis municípios. Na pesquisa também constatou-se a prevalência dos assistentes sociais inseridos no setor público, seguido do chamado terceiro setor e do setor privado. Considerações Finais O que se pode observar, a partir das pesquisas apresentadas e que Netto (1996) já previa é que não há tendência de contração do mercado de trabalho profissional, porém, se a categoria não for capaz de dar respostas qualificadas tenderá a tornar-se um exercício profissional residual. As tendências do mercado profissional anunciadas por Netto (1996, p.210 eram a crescente segmentação das atividades profissionais, requerendo uma definida especialização dos profissionais e a diferenciação progressiva das condições de trabalho nas instituições estatais e na iniciativa privada, estas com esquemas de controle e aferição mais estritos do desempenho profissional. Uma tendência clara nas pesquisas é a permanência do setor público como maior empregador de assistentes sociais no Brasil. Há uma diversificação de atividades dos profissionais no setor público. Houve uma ampliação da inserção dos profissionais nos municípios, devido ao processo de municipalização, o que não tem acarretado em políticas sociais qualitativas e nem não precarização da força de trabalho dos assistentes sociais. É no setor público municipal que há a maior precarização da força de trabalho dos assistentes sociais. Há a necessidade da intensificação de estudos para melhor conhecimento do mercado de trabalho dos assistentes sociais brasileiros. 9

10 Bibliografia: CASTEL, Robert. As transformações da questão social. In: BELFIORE- WANDERLEY, M. (org.); BÓGUS, L.; YAZBEK, M. C. Desigualdade e a questão social. São Paulo, EDUC, CHESNAIS, François. Um programa de ruptura com o neoliberalismo. In: A crise dos paradigmas em ciências sociais e os desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: Contraponto, GUIMARÃES, Gleny Terezinha Duro e ROCHA,Maria Aparecida Marques de. Transformações no mundo do trabalho: repercussões no mercado de trabalho do assistente social a partir da criação da LOAS. In: Revista Textos & Contextos. Porto Alegre v. 7 n. 1 p jan./jun IAMAMOTO, Marilda Villela. Projeto Profissional, Espaços Ocupacionais e Trabalho do Assistente Social Na Atualidade. In: Em questão. Brasília: CFESS, IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação Profissional. 6. ed. São Paulo: Cortez, IAMAMOTO, M. "A Questão social no capitalismo". In: Revista Temporalis, n0 03, ABEPSS, Brasília, 2001 ( 09 a 32). IAMAMOTO, Marilda. A questão social no Brasil. In: Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social. São Paulo, Cortez, MANFROI, Vania Maria. (org). Relatório de Pesquisa: mercado de trabalho dos assistentes sociais no Espírito Santo. Vitória: CRES MÉZÁROS, István. Desemprego e precatização: um grande desafio para a esquerda. In: Antunes, Ricardo (org.). Riqueza e miséria do trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, MISHRA, Ramesh. O Estado-Providência na Sociedade Capitalista. Tradução Ana Barradas. Celta Editora, Oeiras, Portugal, MOTA, Ana Elisabete. (Org.). A Nova Fábrica de Consensos: Ensaios sobre a reestruturação empresarial, o trabalho e as demandas ao Serviço Social. 2 ed. São Paulo: Cortez, NETTO, José Paulo. Transformações societárias e serviço social: notas para uma análise prospectiva da profissão no Brasil. In: Serviço Social e Sociedade, 50 São Paulo: Cortez, 1996, p

11 PEREIRA, Potyara. (2000) As necessidades humanas: subsídios à crítica dos mínimos sociais. São Paulo: Cortez. PREDES, Rosa Maria. Serviço Social e políticas sociais: articulação histórica e necessária para compreender a profissão. In: Serviço Social, políticas públicas e mercado de trabalho em Alagoas. Maceió: UFAL PIRES, Sandra Regina de Abreu Volume 8 - Número 2 Jan/Jun Serviço Social em Revista Universidade Estadual de Londrina. In: ttp://revistaseletronicas. pucrs.br/ojs/ index.php/fass/article/ viewfile/3936/3200http://www.ssrevista.uel.br. SERRA, Rose M. S. Crise da materialidade no Serviço Social: repercussões no mercado de trabalho. São Paulo: Cortez TELLES, Vera da Silva - Sociedade Civil e a construção de espaços públicos. In: Anos 90: política e sociedade. São Paulo. Brasiliense, YAZBEK, Maria Carmelita - A Política Social Brasileira nos anos 90: A Refilantropização da Questão Social. In Subsídios à Conferência Nacional de Assistência Social. ABONG, CNAS, 1995.a **** 11

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