O SURGIMENTO DA ECONOMIA DIGITAL: UMA NOVA TEORIA ECONÓMICA À VISTA? (THE EMERGENCE OF E-ECONOMICS : A NEW ECONOMICS THEORY IS UP-COMING?

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1 O SURGIMENTO DA ECONOMIA DIGITAL: UMA NOVA TEORIA ECONÓMICA À VISTA? (THE EMERGENCE OF E-ECONOMICS : A NEW ECONOMICS THEORY IS UP-COMING?) Resumo Carlos Arriaga Costa Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Campus de Gualtar 4710 Braga Portugal As novas tecnologias e o comércio electrónico obtiveram uma atenção especial nos últimos anos. Contrapôs-se à Economia Tradicional uma Nova Economia, fundamentada num crescimento económico elevado e em ganhos de produtividade significativos. Mas, afinal o que é a Nova Economia e que contribuições trouxe para a teoria económica? A Nova Economia reporta-se aos novos bens de informação e aos mercados que o sustentam ou à contribuição desses bens no desenvolvimento da informação gratuita e quase ilimitada? A nossa investigação faz uma reflexão sobre a aplicação de algums postulados da teoria económica na Nova Economia, nomeadamente sobre os problemas derivados de assimetria de informação entre os agentes. Apresenta ainda um diagnóstico da evolução do sector das tecnologias e comunicação em Portugal, analisando o potencial de desenvolvimento do comércio electrónico e das consequências desse crescimento no preço d equilíbrio dos bens. Resume The development of E-trade and the new technologies have obtained a special attention in the economic literature in the last few years. In opposition to the Traditional Economics was presented a New Economics, founded in a high economic growth and strong productivity gains. But, really, what means New Economy and what contributions to Economics Theory? Mew economics is related with the goods of information and the markets for these products or in the contribution of these goods in the almost unending possibilities for getting (free) information by all the agents? Our research pretends to make a reflection about the application of some aspects of the Economics theory to this New Economy, namely into the problems resulted from asymmetric information of the agents. It presents also the evolution of the Technology sectors in Portugal, analysing its potential in the development of the E-trade and the consequences of the growth of the E-trade in the equilibrium price of the goods. Classification JEL : C14, C42, D52, G14 Palavras-chave: Nova Economia; Economia Digital; Comércio Electrónico; Tecnologias da Informação; Economia da Informação 3

2 1. Introdução As novas tecnologias e o comércio electrónico obtiveram uma atenção especial nos últimos anos. Contrapôs-se à Economia Tradicional uma Nova Economia, fundamentada num crescimento económico elevado, ganhos de produtividade significativos, baixa inflação associada a um nível de desemprego igualmente baixo. Começaram a surgir alguns artigos na literatura económica em que se interrogava se os postulados clássicos da teoria económica estavam a ser postos em causa com esta nova realidade. Talvez tenha havido algum exagero na descrição do fenómeno, tal como mudanças tecnológicas gigantescas, alterações revolucionárias, um novo paradigma está surgindo, etc. No entanto, deveremos reflectir se alguns postulados relativos informação imperfeita ou a custos de transacção poderão ser postos em causa nesta nova realidade de aquisição de bens via net. Por outro lado, o desenvolvimento da net acompanhou a globalização das economias que se traduziu num maior fluxo de capitais entre os países. Ambos se encontram associados à evolução tecnológica e à nova economia. Mas, afinal o que é a Nova Economia? A Nova Economia procura representar as actividades de negócio com um potencial de crescimento muito elevado, associadas a meios tecnológicos inovadores e a um acesso quase ilimitado à informação (Luz, Raquel,2000). Em termos macroeconómicos é representada pela análise das causas de de existência de produtividades elevadas, nas razões de investimento em equipamento, na caracterização de um ciclo de inflação e desemprego baixos associado a um período de aparente estabilidade económica (Temple, J, 2002). Neste sentido, que alterações são colocadas à teoria económica standard entre um sistema de competição perfeita e um sistema de competição imperfeita? Associado à nova economia têm surgido alguns conceitos como e-trade, e-business e economia digital. A primeira questão nos surge : Nova economia e economia digital o que as diferencia? Ambos os conceitos exploram a introdução de novas tecnologias na produção, a importância das tecnologias de informação e do comércio electrónico. Ambas rebuscam na economia da informação os postulados necessários para explicar ao comportamento dos sectores da economia que mais se encontram envolvidos nas tecnologias de informação. Todavia, a economia da informação surgiu derivado dos problemas de assimetria de informação existentes entre os agentes e a necessidade de resolver contratos incompletos. A teoria standard da economia da informação explora os 4

3 conceitos de risco moral e selecção adversa para justificar o comportamento dos agentes quando estabelecem contratos entre si. Qual a contribuição da tecnologia na resolução dos contratos, tendo em conta a facilidade de acesso à informação, as possibilidades infinitas de acesso e de custos muito baixos. A negociação via net evita os problemas de agência na resolução dos contratos? Aproxima a economia dos postulados da economia perfeita ou as distorções, na realidade,não se atenuam com a inovação tecnológica? Para procurar responder ou reflectir sobre estas questões, o artigo encontra-se dividido em três partes. Na primeira, reflectimos sobre os postulados da economia da informação e da teoria de agência num ambiente de uso de tecnologias de informação avançadas. Na segunda, reflectimos sobre a eventual expansão do comércio electrónico face ao comércio tradicional. Interrogamo-nos se as expectativas de crescimento do comércio passam pelo facto do comércio electrónico ser alternativo ou complementar ao tradicional. Analisamos alguns dados de crescimento de bens associados à informação (computadores, ligações à internet, vendas por computador, etc). Na última parte tecemos algumas conclusões em que contrapomos alguns aspectos das economias imperfeitas e incompletas com uma Nova Economia fundamentada num acesso mais fácil à informação. Interrogamo-nos se devemos falar de economia de bens de informação ou de uma economia da informação baseada na obtenção facilitada e ilimitada de informação. Indicamos igualmente os caminhos da investigação que nos propomos seguir. 2. A Economia digital e a Economia de informação A nova economia veio contribuir para uma reflexão relativa à economia da informação ou devemos focar a reflexão na economia de bens de informação? Temple (2002) cita o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para definir a nova economia aquela em que tecnologias e os investimentos em tecnologia conduziram a elevadas taxas de produtividade. Parece assim dar-se relevo à difusão de bens de informação (computadores, ligações à internet etc...) que, por sua vez contribuiram para a expansão outros sectores da economia. No entanto, o acesso facilitado à informção a custo baixo parece conduzir de novo a um sistema de competição perfeita. O que parece comprovar-se é que é que os crescimentos de produtividade nas economias Americana e posteriormente na Europeia foi acompanhada por um elevado crescimento do investimento em equipamento. 5

4 A teses neoclássicas postulam que os agentes dispõem de toda a informação necessária à tomada de decisão (Cobbaut, 1992). Todavia, na realidade, a informação apresenta-se imperfeita e incompleta. É imperfeita porque não divulga senão parcialmente as características dos agentes ou dos projectos. É incompleta porque as acções empreendidas pelos agentes não são sempre observáveis ou, se o são, apresentam-se difíceis de divulgar ou comportam um custo elevado de confirmação. As assimetrias de informação sobre os mercados financeiros foram estudados por Ross (1977), Leland e Lyle (1977), Battacharya (1979), Vermaelen (1981). Estes autores utilizam o sinal como processo de resolução dos problemas de assimetria de informação entre os participantes no mercado. Neste contexto, os sinais apreendidos pelo mercado financeiro são a estrutura financeira da empresa (Ross) e que é observável, a compra de acções por parte da empresa (Vermaelen), a fracção de fundos próprios detidos pelos gestores que à partida têm aversão ao risco (Leland et Pyle) e a distribuição de dividendos (Battacharya). O periodo de reconhecimento da Nova Economia foi acompanhada por um perido de volatilidade baixa dos mercados financeiros. Essa estabilidade contribuiu para os elevados crescimentos das acções das empresas ligadas às novas tecnologias, fundamentadas no valor dos activos não tangíveis, ou seja a potencialidade que as mesmas representariam nos anos seguintes. Parecia funcionar um sistema de valores baseados numa reputação da expectativa do que essas empresas iriam valer no futuro.o colapso de empresas ligadas à tecnologia como a Enron nos EUA veio culminar com o volt-face das expectativas criadas. Outros estudos, relativos à informação privilegiada detida por alguns agentes, foram propostos por Grossman e Stiglitz (1976 e 1980). Estes autores analisaram as condições de equilíbrio em função do tipo de informação detida pelos agentes. Uma das conclusões a que chegaram é que a informação tem um custo e, como tal, deveria ser incorporada na remuneração da acção possuida pelos agentes informados. Em equilíbrio, cada agente encontrar-se-á indiferente entre ser informado ou não o ser. Assim, o preço de mercado em equilíbrio deverá ser tal que os ganhos dos agentes informados devem ser iguais aos ganhos dos agentes não informados mais o custo de obtenção da informação. Mas, neste caso, o preço de equilíbrio reflectirá apenas imperfeitamente a informação privada dos agentes informados. Para cada informação obtida, ver-se-á um preço de equilíbrio diferente. O agente não informado terá uma percepção ao longo do tempo da associação entre a informação e o preço. Se, pelo 6

5 contrário, o preço de equilíbrio reflectir perfeitamente o valor da empresa, os agentes não informados poderão observar imediatamente a relação entre o preço e a informação dos agentes informados. Todavia, segundo Grossman e Stiglitz, se esta situação se verificar, os agentes informados não poderão receber uma remuneração mais alta pelos activos possuidos. Se o lucro for o mesmo entre os agentes informados e não informados não existe uma justificação convincente para que os agentes informados tenham de suportar um custo de aquisição da informação. A partir de 2001 os mercados bolsistas começaram a registar enormes perdas. Com efeito, os lucros esperados das empresas ligadas às tecnologias de informação não apresentaram os lucros esperados. No entanto, o crescimento parecia encontrar-se sustentado pelo facto de serem novas empresas e cujo impacto da inovação tecnológica seria maior que nas já instaladas há muito tempo. Com as perdas bolsistas, parece de novo que os agentes informados obtiveram menores prejuizos ou menores lucros, enquanto que os não informados foram os agentes que mais sofreram as perdas em bolsa. Num outro aspecto, os custos de transacção causam distorções ao preço de equilíbrio formado no mercado. A teoria de agência tenta explicar as limitações da observãncia dos contratos e das consequências das assimetrias de informação existentes na resolução dos contratos. Esta teoria, iniciada na área financeira por Jensen e Meckling (1976), considera a existência de uma multiplicidade de categorias de participantes no mercado,com diferentes posições e que podem engendrar divergências de interesse. Esta divergência de interesses são transpostas na análise de um contrato estabelecido entre as partes do contrato. Por exemplo, uma empresa que solicita um empréstimo pretende limitar as possibilidades da entidade que empresta em controlar as decisões tomadas pela empresa. A entidade que empresta (os bancos) monitorizam as acções da empresa que solicitou empréstimo e utilizam garantias afim de contornar dificuldades de monitorização. No entanto, algumas acções seguidas pela empresa não são observáveis, para além de que a monitorização tem um custo não negligenciável. Um contrato é um acordo de compromisso realizado entre os agentes, nas quais são estabelecidas as obrigações de cada parte em todas as contigencias da natureza conhecidas. A teoria de agência considera que o contrato é redigido por uma das partes e apresentado à outra, que por sua vez, o aceita ou não. Não obstante um contrato ser efectuado, em princípio entre dois agentes, o mesmo pode traduzir uma multiplicidade de relações (existência de sub contratos complementares,por exemplo) e o risco de não 7

6 cumprimento pode encontrar-se acrescido. A teoria das assimetrias de informação revelam-nos dois tipos de problemas: Um problema de risco moral e um problema de selecção adversa. As acções empreendidas por um dos agentes não são totalmente observáveis pelo outro agente. Após a assinatura de um contrato poderá existir um risco moral ex-ante na medida em que a empresa poderá utilizar os benefícios do contrato (por exemplo um empréstimo, um pagamento adiantado etc) num outro projecto não consignado no contrato ou em seu benefício pessoal. Existirá um risco moral ex-post na medida em que a empresa que assinou o contrato proposto pelo Principal pode escolher a resolução antecipada do contrato (por exemplo uma liquidação antecipada, desistir das obrigações do contrato etc) quando o Principal pretende levar o contrato ao período final consignado. Esta possibilidade daria ao agente (não principal) a possibilidade de renegociação do contrato. Assim, mesmo que o Principal possa monitorizar as acções do outro agente, o problema de risco moral ex-post não ficará totalmente resolvido através dessa monitorização. A literatura económica analisa o problema de risco moral considerando vários periodos onde a memória dos acontecimentos anteriores condiciona a relação. Os modelos de Hart e Moore (1989), assim como o de Petersen e Rajan (1993), consideram dois períodos t 0 e t 1. Ao fim do periodo t 0 o Principal utiliza as informações obtidas (Petersen et Rajan) ou o agente os resultados esperados (Hart et Moore), para atomada de decisão no período t 1. Hart e Moore analisam a eficiência dos contratos financeiros e consideram o problema de risco moral ex-post, segundo as quais o Agente terá interesse em liquidar o projecto no final do período t 0 e, deste modo, forçar o Principal a renegociar a dívida no periodo t 1.O problema de risco moral ex ante é analisado, entre outros autores, por Harris e Raviv (1978), Bester e Helwig (1987) e Rajan e Petersen (1993). Num problema de risco moral, pouco importa que a informação seja simétrica ou não. A dificuldade é proveniente de um controle insuficiente do projecto por parte do Principal.O problema de anti selecção resulta directamente de um problema de assimetria de informação ex ante. Esta assimetria influencia os termos do contrato, na medida que o Agente possui mais informações sobre ele próprio que o Principal. Esta situação de privilégio permite ao Agente impor algums termos do contrato de uma maior que lhe traga mais vantagens caso o Principal tenha conhecimento antecipado dessa informação.segundo Stadler e Castrillo (1997), um problema de antiselecção caracteriza não apenas a vantagem do Agente conhecer melhor as suas características individuais mas também a assimetria de informação existente em relação às variáveis do contrato. Se, por exemplo, o Agente sabe a priori 8

7 que que o projecto se encontra com probabilidade de cair em alguns estados da natureza que o Principal não conhece, a empresa (Agente) poderá ter interesse em esconder essa informação. Racionalmente, o Agente revelará essa informação se e sòmente se ele obter um benefício na divulgação dessa informação. Se o Agente não tiver interesse em revelar essa informação o Principal deverá procurar os meios de reduzir os efeitos da falta de informação. Segundo Langlais (1999), mesmo se o Agente tenha interesse em revelar essa informação, ele não dará mais do que uma avaliação das hipóteses de sucesso do projecto que apresentou ao Principal. Não obstante o acesso à informação se encontrar agora facilitada, a informação privilegiada parece continuar a existir pois há valores internos da empresa que nunca serão conhecidos exteriormente. Com as novas tecnologias é possível que a monitorização se encontre facilitada embora nunca eliminada. As assimetrias de informação poderão na mesma condicionar a elaboração dos contratos. Todavia, o problema de risco moral encontra-se substancialmente reduzido. O problema de selecção adversa parece todavia permanecer na relação contratual dos agentes, mesmo por via electrónica. 3. Evolução do Comércio Electrónico em Portugal e das empresas de Tecnologia de Informação e Comunicação Em primeiro lugar, procedemos a um diagnóstico da situação em Portugal, pelo que utilizámos os resultados do Inquérito à utilização de tecnologias de informação e comunicação pelas empresas e agregados familiares (2001) lançado pelo INE. Segundo esses resultados, 89% das empresas situadas em Portugal possuiam computador e 75% encontravam-se ligadas à internet (82% e 55% respectivamente, no ano anterior). Por outro lado, um em quatro agregados familiares residentes em Portugal detinham computador em casa (24%), muito embora apenas 13% se encontre ligada à internet. Na região de Lisboa e Vale do Tejo essas percentagens elevam-se a 30% e a 17% respectivamente. A reforçar o empenhamento das empresas no domínio da internet, segundo o mesmo estudo do INE, as empresas com acesso WEB que realizam aquisições e vendas por comércio electrónico em 2001 situava-se em 17% das empresas que se encontram ligadas à internet no que respeita à aquisição de bens ou serviços, mas apenas de 9% no que respeita a vendas. Todavia, se considerarmos apenas as 9

8 empresas de maior dimensão, com mais de 50 pessoas ao serviço, essas percentagens elevam-se para 20% e 14% respectivamente. Algumas das vantagens de utilizar a internet no comércio de bens e serviços parece ser a redução dos custos de transacção ou a possibilidade de acesso a um número muito maior de mercados por parte do consumidor. Por outro lado, a principal vantagem do comércio tradicional será o da estreita relação criada entre o vendedor e o comprador. O número de empresas TIC (Tecnologias de Informação) face ao total de empresas é efectivamente reduzido e não representam mais de 1,3% do total de empresas, não se tendo vindo a verificar um crescimento superior ao da totalidade das empresas: Gráfico 1 Empresas do Sector das tecnologias de Informação face ao Total de Empresas Nº Empresas Anos TIC Total Empresas Todavia, em termos de volume de negócios as empresas TIC representavam 6,29% do volume de vendas total das empresas em 1999 enquanto que em 1996 representavam apenas 5,24%: 10

9 Gráfico 2 Volume de Negócios das empresas TIC e do total de empresas Milhares de euros Anos TIC Total Empresas Relativamente vendas para exportação, as empresas TIC que têm uma componente de exportação forte relativamente às empresas exportadorasa proporção é ainda maior, atingindo 9,3% das vendas em 1999, quase 1% a mais que em 1996: Gráfico 3 Vendas para exportação no Sector TIC face ao total de vendas para exportação Milhares de euros TIC Total Empresas Anos Existem muitas entidades que fornecem acesso à internet, respectivamente as empresas de telecomunicações, empresas de tv cabo, empresas privadas, organizações governamentais, universidades, etc. Estas empresas vendem espaço em disco no seu servidor (hosting), fornecem contas de , registam novos domínios na internet e elaboram sites para a internet. Se observarmos a variação percentual das vendas entre 1996 e 1999, constatamos que são as vendas de empresas TIC que obtêm maiores variações positivas e menores 11

10 negativas. As empresas TIC, cuja vendas se destinam à exportação atingem as maiores variações relativamente ao ano anterior. Esta evolução sugere a importância que o comércio electrónico começa a ter, não obstante as empresas TIC incluirem as empresas fornecedoras de produtos e serviços informáticos e as empresas que utilizam o seu espaço de venda via internet: Gráfico 4 Evolução da variação de total de vendas das empresas, TIC e empresas TIC exportadoras 0,6 0,5 varr. % 0,4 0,3 0,2 0,1 var % Empresas TIC exportadoras Var %TIC Var % Tot 0-0, Anos Não obstante a proporção de empresas TIC relativamente ao total de empresas ter-se mantido estável, o volume de vendas destas empresas relativamente à totalidade de empresas apresenta uma proporção bastante mais significativa, nomeadamente se a comparação incidir entre o volume de exportações das empresas TIC face ao total de exportações (em valor): 12

11 Gráfico 5 Evolução da proporção de empresas TIC, Volume de negócios e vendas de exportação de empresas TIC face ao totald e empresas % 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% Anos % Vendas exportação (TIC/Total) % Volume negócios(tic/total) % Nº (TIC/Total) Finalmente, se observarmos a evolução da despesa em I&D do sector de empresas observamos taxas de crescimento muito significativas, o que pressupõe uma preocupação das empresas portuguesas em se modernizarem. Observando a evolução da despesa em I&D por ramo de actividade económica observamos que, enquanto a indústria transformadora possuia 65,9 % da despesa em 1997, passou para apenas 53,1% em 1999 enquanto que os serviços (que inclui o comércio actividades financeiras e serviços prestados às empresas, passou de 28,9% para 43,8%. Estes indicadores fazem pressupor a importância que os meios electrónicos passaram a ter nestas actividades: Quadro 1 Evolução da despesa em I&D do sector de empresas em Portugal Anos Taxas médias de crescimento a preços constantes , (a) -2, , ,6 (a) Descontinuidade na série com anos precedentes Fonte: Observatório das Ciências e das Tecnologias/Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional Não obstante a importância que a despesa em I&D das empresas, a mesma não representa mais de 0,77% do PIB em Portugal, enquanto que a média da UE em 1998 se situava em 1,81 do PIB e a Suécia se situar em 3,70%. 13

12 Quadro 2 Evolução da despesa em I&D no sector de empresas (% do total de I&D) Anos Indústria transformadora Serviços Outras act Total Ind Química Fab de equipamento Outras Total Comércio Act Financeiras Serviços Outras , ,6 9,3 28,9 3,7 1,8 13,3 10,1 5, ,1 10,6 30,3 12,2 43,8 3,7 12,5 25 2,6 3,1 Fonte: INE Efectuado o diagnóstico da situação em que constatamos a importância das empresas TIC e a sua evolução entre questionamos se será mais fácil ou mais difícil estabelecer uma relação com base na confiança e na reputação do vendedor ou do comprador num comércio onde o conhecimento do vendedor é efectuada essencialmente de uma forma virtual. À primeira vista, parece-nos haver potencial para a viabilidade do comércio electrónico em alternativa ao comércio tradicional. No entanto e segundo alguns estudos de marketing entretanto surgidos, parece haver algumas resistências do consumidor ao comércio electrónico derivado da falta de confiança no meio de pagamento e da boa recepção do bem solicitado. Os consumidores têm efectivamente a possibilidade de aceder a um manancialde informação através da internet que de outra forma seria mais difícil e custoso obter. Pode conhecer melhor o potencial de negócio e a reputação da empresa que vende os produtos. Pode conhecer facilmente os concorrentes e o preço poderá traduzir melhor o ajustamento entre a procura e a oferta. No entanto, o processo não elimina as externalidades provocadas pelo processo de pagamento, a certificação de que o pagamento não é utilizado para fins diversos (risco moral) e que o bem não tenha as acaracterísticas que o consumidor julga ter (problema de selecção adversa). Com efeito, a garantia de segredo e dos perigos de revelação do cartão de crédito de pagamento parece ser um obstáculo ao desenvolvimento desta forma de comércio. Outro dos obstáculos prende-se com o processo de devolução de artigos que não tenham a qualidade necessária, a rapidez de envio de um pedido efectuado, a garantia da qualidade do produto e a perda do efeito de marca como produto diferenciado na óptica do consumidor. Garantidas a solução desta dificuldade, parece-nos com efeito que o desenvolvimento do comércio electrónico poderá reduzir muitas das imperfeições do mercado e da competição entre as empresas. 14

13 4. Conclusão A primeira dificuldade surgida no nosso trabalho colocou-se ao nível do produto que estavamos a analisar: se desejamos investigar os novos bens de informação e os mercados que o sustentam ou se estamos a falar da contribuição desses bens e da tecnologia que os sustenta, para uma modificação dos postulados clássicos na economia. A maior parte da informação existente respeita à informação e aos meios tecnológicos como bens de informação e que tiveram um desenvolvimento muito grande nos últimos 12 anos. Estas empresas actuam num ambiente mais competitivo ou, pelo contrário possuem um comportamento oligopolista? Neste aspecto, interrogamo-nos sobre qual a eficiência do comércio electrónico. Se a maximização do lucro se verifica numa base monopolista em que o produtor pretende extrair o excedente dos vários extratos de consumidores de acordo com o seu rendimento, ou se, pelo contrário, o seu poder de monopólio encontra-se efectivamente diminuido pela facilidade de acesso do consumidor a vários vendedores cujo preço se torna informativo por fácil comparação? Este último aspecto aplica-se todavia a todo o comércio, quer de bens de informação quer a outro bens. A informação a custos baixos vai permitir que o preço se torne mais revelador da eficiência das empresas. No entanto, aonde reside a eficiencia, se nas empresas fornecedoras de serviços electrónicos ou nas empresas que utilizam estes serviços? Se se verificar um aumento de vendas através do Comércio electrónico esperam-se provavelmente retornos crescentes à escala em virtude da diminuição de custos unitários com o aumento das vendas. No entanto, situações de monopólios consolidados podem efectivamente diminuir em virtude das possibilidades fornecidas pela tecnologia. O conceito de tempo passa a ser relativizado na análise económica. Os consumidores são capazes de efectuar compras no momento numa multiplicidade de lojas, consultando as que vendem igual produto. A possibilidade de realização de leilões através da internet vai permitir que o preço se aproxime do custo marginal. Todavia, se o leilão permite colocar o preço de monopólio abaixo do preço limite para as restantes pode tornar-se um factor de discriminação e de barreira á valores relativos á confiança e reputação, importantes na resolução dos contratos e dos problemas de selecção adversa. Será que estes valores deixam de ser importantes no comércio electrónico? Ou mesmo que a confiança e a reputação deixem mesmo de ser valores importantes numa relação entre vendedor e comprador? A Internet permite uma maior disponibilidade de 15

14 informação que parece, à partida, favorecer o comércio electrónico. Continuam a existir problemas de assimetria de informação no comércio electrónico? A resposta a estas questões pressupõem um observatório do comportamento do consumidor de bens via electrónica. Para tal, a análise pressupõe a elaboração de questionários a serem lançado peródicamente junto de vendedores e compradores, sobre as expectativas do consumidor ao recorrer a este processo de comércio. O nosso estudo pretende prosseguir pela análise dos benefícios do comércio electrónico face ao comércio tradicional. Uma outra abordagem possível e mais fácil de concretizar fundamenta-se pela análise de um indicador proxy da evolução do comércio electrónico, na anáise do comportamento das empresas da chamada Nova Economia registadas em bolsa. Qual a razão da volatilidade registada e da queda abrupta nos últimos anos? Será que o consumidor reagiu muito aquém das expectativas criadas com o potencial do comércio electrónico? ou apenas as expectativas se encontram desfasadas em alguns anos relativamente ao movimento que se espera vir a registar? Referências bibliográficas Battacharya. S.(1979), Imperfect Information, Dividend Policy and the Bird in the Hand Fallacy, Bell Journal of Economics, vol. 95, pp Bester e Helwig, (1987), Moral Hazard and Equilibrium Credit Rationning : an overview of the issues, discusion paper A-125, Universitat Bonn pp 34. Cobbaut, R.(1992), Théorie financière, Economica,. 2 éme ed., Paris. Harris e Raviv (1978), Some Results on Incentive Contrats with Applications to Education and Employment, Health Insurance and Law Enforcement, American Economic Review, 68 (1), pp Hart O. e J. Moore (1989), 'Default and Renegotiation: a Dynamic Model of Debt' Working Paper 520, MIT, pp 57. Grossman S. et S. Stiglitz (1976), Information and Competitive Price System, American Economic Review, vol 66 pp INE (2001), Sociedade da Informação Agregados Domésticos e Indivíduos Sociedade da Informação e do Conhecimento INE (2001), Sociedade da Informação Empresas Sociedade da Informação e do Conhecimento.. 16

15 Jensen et Meckling (1976), Theory of the Firm :Managerial Behaviour, Agency Costs and Capital Structure, Journal of Financial Economics nº 3, pp Langlais E. (1999) Les effets d antisélection lorsque le Principal et les agents ont des croyances différentes Révue d économie politique, 109(4), pp Leland H. et D. Pyle (1977) 'Informational asymetries, Financial Structure and Financial Intermediation' Journal of Finance, vol 32(2), pp Luz, Raquel (2000), Comércio Electrónico tese de mestrado defendida na Universidade do Minho. Petersen M. et R. Rajan (1995), The effet of credit Market Competition on Firm- Creditor Relationships, Quaterly Journal of Economics, nº 110, pp Ross S; (1977), 'The Determination of Financial structure: the Incentive-Signalling Approach' Bell Journal of Economics vol 8(1), pp Stadler et Castrillo (1997), An introduction to the economics of information incentives and contracts, Oxford University press, New York. Tapscott, Don (1996), The Digital Economy, Mcgraw-Hill, New York Temple J, (2002), An Assessment of the New Economy, Discussion Paper Series nº 3597, Centre for Economic Policy Research, UK Vermaelen T. (1981), Common Stock Repurchase and Market Signalling : an empirical study, Journal of Financial Economics, vol 9 nº 2 pp

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