AULA 01 O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública

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1 AULA 01 O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública

2 Sumário TUAPRESENTAÇÃO AULA 1UT TUNIDADE 1UT TUO SABER RACIONALUT...5 TUNIDADE 2UT...6 TUPOSITIVISMO E CIÊNCIAS HUMANASUT...6 TUNIDADE 3UT...10 TUCONSOLIDAÇÃO DO USO DA ESTATÍSTICA COMO INSTRUMENTO PARA GESTÃO PÚBLICAUT...10 TUNIDADE 4UT...14 TUGESTÃO PÚBLICA FUNDAMENTADA NO SABER CIENTÍFICOUT...14 TUFECHAMENTO DA AULAUT...17 TUATIVIDADES DE CONCLUSÃO DA AULAUT...18 TUREFERÊNCIAS DA AULAUT...19

3 T Unidade AULA 01 - O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública 3 APRESENTAÇÃO AULA 1 O SABER CIENTÍFICO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO PÚBLICA Boas Vindas! Você está na aula 1 Uso de Informações na Gestão das Ações de Segurança Pública. Nesta primeira aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades: TUnidade 1: O Saber RacionalT TUnidade 2: Positivismo e Ciências Humanas TUnidade 3: Consolidação do Uso da Estatística como Instrumento para Gestão 4: Gestão Pública Fundamentada no Saber CientíficoT PúblicaT A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de: Objetivos da aula - Identificar as características do pensamento científico. - Reconhecer a importância do saber científico como ferramenta de investigação de fenômenos sociais e gestão pública. Aproveite bem esta aula. Realize as atividades, interaja com os demais participantes do curso. Discuta os conceitos com o tutor.

4 4 Antes de iniciarmos a primeira unidade desta aula vamos refletir um pouco sobre a trajetória da busca do saber exercida pelo ser humano. Esta busca passou por diferentes etapas até a consolidação de uma perspectiva de conhecimento acerca da realidade cientificamente fundamentado. Veja, em estágios históricos anteriores, o desenvolvimento e acúmulo do saber eram gerados unicamente das experiências e observações pessoais, a partir do uso de Usaberes espontâneos e intuitivosu e do respeito aos elementos da tradição e da São saberes de senso comum que não foram testados e comprovados cientificamente autoridade. Porém, com o advento do saber filosófico e especulativo começa a consolidação de uma forma de conhecer racionalmente fundamentada. Assim, o saber científico e sua utilização na produção e utilização de estatísticas na área de segurança pública, são os temas que orientaram o estudo desta aula.

5 5 UNIDADE 1 O SABER RACIONAL Com a filosofia grega, inaugura-se a sistematização do uso da lógica e das ciências matemáticas para abordagem e interpretação das indagações sobre os problemas da condição do homem no convívio em sociedade. No século XVII, o pensamento científico moderno passa a se consolidar na medida em que a legitimidade dos saberes construídos vincula-se à observação da realidade (empirismo), colocando tal explicação à prova (experimentação). Assim inicia o Uraciocínio hipotético-dedutivou que, associado às ciências matemáticas, utiliza-se da construção de novos instrumentos de medida (tempo, distância, calor, peso etc.) para a apreensão dos fenômenos. É o raciocínio que implica deduzir conclusões de premissas que são hipóteses, em vez de deduzir de fatos que o sujeito tenha realmente verificado. A partir de então, o saber não repousa mais somente na especulação, ou seja, no simples exercício do pensamento. Baseia-se igualmente na observação, experimentação e mensuração, fundamentos do método científico em sua forma experimental. Assim, poderse-ia dizer que o método científico nasce do encontro da especulação com o empirismo. (LAVILLE & DIONE, 1999, p.23). LAVILLE, Christian & DIONNE, Jean. A Construção do Saber. Manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: ARTMED, Belo Horizonte: UFMG, A seguir, vamos estudar o positivismo e as ciências humanas.

6 6 UNIDADE 2 POSITIVISMO E CIÊNCIAS HUMANAS Relembrando... Na unidade anterior você fez uma reflexão sobre o saber racional. Nesta unidade você vai estudar o positivismo e as ciências humanas. 1. Positivismo No século XVIII, surgem as denominadas UCiências HumanasU, com o objetivo de trazer para as investigações sobre a condição do homem em sociedade, até então objeto restrito às especulações filosóficas, os mesmos preceitos e modelos aplicados nas UCiências da NaturezaU. Nesse sentido, o desenvolvimento inicial da área partiu dos preceitos de construção de um saber científico amparado no modelo positivista e que apresenta, segundo Laville & Dione, as seguintes características principais que você pode ver no livro a seguir. (LAVILLE, Christian & DIONNE, Jean. A Construção do Saber. Manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: ARTMED, Belo Horizonte: UFMG, 1999) Agora conheça, no livro a seguir, as características do modelo positivista. As Ciências Humanas referem-se àquelas que têm o próprio ser humano como objeto de estudo. Ciências da Natureza estudam duas ordens de fenômenos: os físicos e os vitais, ou as coisas e organismos vivos.

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9 9 A seguir, vamos estudar a consolidação do uso da estatística como instrumento para gestão pública.

10 10 UNIDADE 3 CONSOLIDAÇÃO DO USO DA ESTATÍSTICA COMO INSTRUMENTO PARA GESTÃO PÚBLICA Relembrando... Na unidade anterior você estudou sobre o positivismo e as ciências humanas. Nesta unidade você conhecerá a consolidação do uso da estatística como instrumento para a gestão pública. Atividade Realize a atividade, a seguir, no ambiente virtual! 1. Você conhece algo da história da estatística como instrumento para gestão pública? Você pode ter respondido com muita segurança ou com dúvidas, ou até mesmo pode ser que sua resposta não faça sentido. De qualquer forma, você vai descobrir isso no seu estudo a seguir. Veja, agora, alguns pontos importantes da construção histórica da estatística, como instrumento para gestão pública, defendidos na tese de Lima: LIMA, Renato Sérgio de. Contando Crimes e Criminosos em São Paulo: uma sociologia das estatísticas produzidas e utilizadas entre 1871 e

11 11 Foi no contexto de desenvolvimento de um saber científico de cunho positivista que o conhecimento estatístico foi assumido como uma ferramenta para a construção da objetividade na investigação dos fenômenos sociais e na gestão pública em muitos países. Sua aplicação tradicional remonta aos anos de 5000 a 2000 a.c. e já se apresentava, em civilizações antigas do Egito, da Mesopotâmia e da China, como instrumento para gestão e administração do Estado, com ênfase nos negócios fiscais, militares e policiais. A partir do século XIX, o uso de registros estatísticos passa a servir a uma série de levantamentos e pesquisas sobre os mais diferenciados assuntos. A difusão do uso da estatística surge como representação de um período em que a possibilidade de quantificação e controle da realidade constituía-se em pensamento reinante entre analistas sociais e dirigentes. Saiba Mais Se você deseja ler a tese de Lima, acesse o site, a seguir: A seguir você continua seu estudo sobre este assunto. Países como Alemanha, Inglaterra e França prenunciaram algumas possibilidades de uso de dados quantificados. Veja no fichário o enfoque dado em cada um desses países.

12 12 Se no período inicial predominava a visão positivista o desenvolvimento posterior das reflexões e parâmetros metodológicos a serem seguidos pelas ciências da sociedade demonstraram que o real não se configura como um ente dado e pronto à percepção a partir do emprego dos instrumentos adequados de quantificação. O próprio processo de consolidação de informações e dados para aferição de uma dada realidade partem de percepções, construções, escolhas e limitações, bem como, encontram-se submetidos, muitas vezes, ao sabor das disputas e conflitos de interesses de toda ordem. Neste sentido, é interessante ressaltar a reflexão que pauta o estudo de Lima. Veja a seguir. Lima quando apresenta seu estudo sobre o uso de estatísticas para a análise criminal em São Paulo, defende que: [...] mais do que isentos, os números e as formas como eles estão organizados respondem às dinâmicas das disputas de poder em torno das regras sobre como e quem governa: eles são instrumentos de construção de discursos de verdade, que almejam a objetividade e a legitimidade enquanto pressupostos; são resultado de múltiplos processos sociais de contagem, medição e interpretação de fatos e, portanto, dependem da circulação do poder para se reproduzirem. (LIMA, 2005, p. 27).

13 13 Dessa forma, para além da divulgação de qualquer fonte de medição de um objeto social e de indicadores, aspecto fundamental na construção de um sistema de informações, conforme veremos mais à frente, é, como garantia de isenção política, a explicitação de todas as etapas e procedimentos percorridos para se alcançar tais resultados. A seguir, realize a atividade proposta. Atividade Realize a atividade, a seguir, no ambiente virtual! Analise atentamente as afirmativas a seguir e descubra quais estão corretas. a) 5000 a 2000 a.c. o conhecimento estatístico já se apresentava, em civilizações antigas do Egito, da Mesopotâmia e da China, como instrumento para gestão e administração do Estado, com ênfase nos negócios fiscais, militares e policiais. b) A difusão do uso da estatística surge como representação de um período em que a possibilidade de quantificação e controle da realidade constituía-se em pensamento reinante entre analistas sociais e dirigentes. c) Na Alemanha buscava a instrumentalização da gestão pública, por intermédio de uma sistematização das informações sobre saúde, demografia e uso do espaço. d) Na Inglaterra, o modelo aritmético inicialmente adotado priorizava as questões da mortalidade e os aspectos demográficos. e) Na França, houve grande incremento de parâmetros técnicos e metodológicos para o desenvolvimento dos recenseamentos. Assinale a alternativa correta. Estão corretas as letras: ( ) a,b,c,d ( ) a,b,d,e ( ) a,b,c,d,e ( ) b, c,d,e A seguir, você inicia seu estudo sobre gestão pública fundamentada no saber científico.

14 14 UNIDADE 4 GESTÃO PÚBLICA FUNDAMENTADA NO SABER CIENTÍFICO Relembrando... Na unidade anterior você estudou o uso da estatística como instrumento para a gestão pública. Nesta unidade discutiremos a gestão pública fundamentada no saber científico. Ao se fundamentar em uma visão científica da realidade, a gestão pública incorpora uma série de características do saber científico: A necessidade de adquirir os conhecimentos por meio da experiência sensível; O fato de buscar controlar ao máximo os preconceitos que deturpam a visão da realidade; A fundamentação do conhecimento em experiências empíricas rigorosamente determinadas em termos metodológicos; A busca pelo estabelecimento de previsões. Veja, a seguir, um exemplo. Exemplo Um bom exemplo da aplicação dos princípios científicos à gestão de políticas públicas foi um estudo realizado pela Rand Corporation, em 1998, onde se avaliou os resultados de cinco ações diferentes realizadas nos Estados Unidos para retirar crianças do mundo dos crimes, em termos dos seus custos e benefícios. Este relatório fundamentou uma mudança significativa na ação do governo dos Estados Unidos em termos da gestão de políticas de segurança pública. A seguir conheça o resultado deste estudo.

15 15 Avaliação de Custos e Benefícios de Programas Visando a Retirada de Crianças da Vida Criminosa Custo/Efetividade Período: 30 anos Visitas a Famílias em Situação de Risco Capacitação de Pais cujos Filhos Apresentam Problemas Programa nas Escolas de Incentivo à Entrada na Universidade Supervisão de Delinqüentes Fora da Prisão Encarceramento Custo por Participante $29,400 $3,000 $12,520 $10,000 $16,000 Dólares gastos por Crime $89,035 $6,531 $3,881 $13,899 $12,000 Prevenido Crimes Prevenidos por Milhão de Dólares Gastos 1. Visitas a Famílias em Situação de Risco 2. Capacitação de Pais cujos Filhos Apresentam Problemas 3. Programas nas Escolas de Incentivo à Entrada na Universidade 4. Supervisão de Delinqüentes Fora da Prisão 5. Encarceramento Fonte: RAND Diverging Children From a Life of Crime (1998) A ação do gestor público se fundamentou, portanto, em uma avaliação empírica e objetiva dos resultados de diferentes opções de respostas para um mesmo problema que possibilitaram que se construísse uma projeção dos resultados futuros destas ações. Assim, a Gestão de Resultados deve ser entendida da seguinte forma: Por meio da experiência empírica, estabelece-se um conhecimento sobre quais são as ações que levam ao alcance do melhor resultado possível e, partir daí, a gestão passa a ser orientada por este conhecimento. Cabe destacar que essa classificação das ações em função dos seus resultados previstos sempre deverá ser contextualizada, levando em conta as características de inúmeros fatores externos intervenientes no processo da relação entre ação e resultado.

16 16 Ao discutir o processo de evolução das ciências, Popper (1973) nos aponta outra questão importante a ser observada. Veja o que ele nos diz: Você pode concluir que o estado atual da ciência é sempre provisório. Esta evolução se caracteriza principalmente pela constante incerteza sobre o que é e pela certeza sobre o que não é. Assim, grandes achados científicos que durante décadas foram considerados como a verdade absoluta, podem vir a ser manipulados no futuro. Por esta razão, a gestão pública tem que submeter suas ações a testes contínuos, pois a constante mudança da realidade vivida pode trazer surpresas em relação aos resultados previstos para as ações executadas. Fechamos aqui a última unidade da aula 1.

17 saber AULA 01 - O Saber Científico como Ferramenta de Gestão Pública 17 FECHAMENTO DA AULA Fechamos aqui o conteúdo da aula 1. A seguir, realize as atividades de auto avaliação desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos. Nesta aula você estudou sobre ot racional, o positivismo e as ciências humanas. Pôde conhecer a consolidação do uso da estatística como instrumento para gestão pública e também como se estrutura a gestão pública fundamentada no saber científico.t Dica Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não vá em frente se algo não foi compreendido!

18 18 ATIVIDADES DE CONCLUSÃO DA AULA Atividade Realize a atividade, a seguir, no ambiente virtual! 1 Após seu estudo, como você explica a Gestão Pública Fundamentada no Saber Científico? 2 Reflita sobre a afirmativa de Lima, a seguir, e socialize com os demais alunos sua análise. [...] mais do que isentos, os números e as formas como eles estão organizados respondem às dinâmicas das disputas de poder em torno das regras sobre como e quem governa: eles são instrumentos de construção de discursos de verdade, que almejam a objetividade e a legitimidade enquanto pressupostos; são resultado de múltiplos processos sociais de contagem, medição e interpretação de fatos e, portanto, dependem da circulação do poder para se reproduzirem. (LIMA, 2005, p. 27) 3. Relacione cada termo ao seu significado correto: 1. Conhecimento adquirido pelos sentidos, pela experiência sensível. Qualquer conhecimento produzido por outros tipos de experiência. 2. Atitude intelectual que visa considerar a realidade do objeto controlando ao máximo os preconceitos do pesquisador. O sujeito conhecedor não deve influenciar esse objeto de modo algum; deve intervir o menos possível e dotar-se de procedimentos que eliminem ou reduzam, ao mínimo, os efeitos não controlados dessas intervenções. 3. Este modelo de saber supõe que se pode estabelecer, no domínio do ser humano, as leis que determinam o domínio físico. Essas leis, estima-se, estão inscritas na natureza; portanto, os seres humanos estão, inevitavelmente, submetidos.. 4. Somente o teste dos fatos, a experimentação, pode demonstrar a precisão da hipótese. 5. A experimentação é rigorosamente controlada, graças às mensurações precisas dos fenômenos, para afastar os elementos que poderiam perturbá-la e seus resultados. A ciência positiva é, portanto, quantificativa. 6. Conhecimento adquirido pelos sentidos, pela experiência sensível. Qualquer conhecimento produzido por outros tipos de experiência. ( ) Experimentação ( ) Leis e previsão ( ) Validade ( ) Empirismo ( ) Objetividade ( ) Experimentação

19 19 REFERÊNCIAS DA AULA LAVILLE, Christian & DIONNE, Jean. A Construção do Saber. Manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: ARTMED, Belo Horizonte: UFMG, LIMA, Renato Sérgio de. Contando Crimes e Criminosos em São Paulo: uma sociologia das estatísticas produzidas e utilizadas entre 1871 e Disponível em: HTwww.crisp.ufmg.br/tese_RenatoSergioLima.pdfTH. POPPER, Karl, La Logica de la Investigación Científica, Trad. de V. Sanchez de Zavala, Madrid, Tecnos, RAND CORPORATION. (1998) Diverting Children from a Life of Crime: measuring costs and benefits.

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