O ANGLO RESOLVE A PROVA DA PUC-SP DO 2º DIA

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1 O ANGLO RESOLVE A PROVA DA PUC-SP DO 2º DIA É trabalho pioneiro. Prestação de serviços com tradição de confiabilidade. Construtivo, procura colaborar com as Bancas Examinadoras em sua tarefa árdua de não cometer injustiças. Didático, mais do que um simples gabarito, auxilia o estudante em seu processo de aprendizagem. O Concurso Vestibular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo seleciona candidatos para os cursos de diversas instituições: PUC-SP, Faculdade de Medicina do ABC, Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, Faculdade de Medicina de Marília (estadual) e Faculdades SENAC. É realizado em uma única fase, que se divide em dois dias. A prova do 1º dia consta de 81 testes de múltipla escolha, valendo 10 pontos cada, sendo nove de cada disciplina: Língua Portuguesa, Literatura, Biologia, Língua Estrangeira (Inglês ou Francês), História, Geografia, Física, Matemática e Química. A prova do 2º dia é constituída de 4 questões analítico- -expositivas interdisciplinares: uma de Redação (150 pontos), uma de História e Geografia (80 pontos), uma de Matemática e Física (80 pontos) e uma de Biologia e Química (80 pontos). As provas e disciplinas não têm peso, e a pontuação final é a soma das notas obtidas.

2 H O 2 A água é fundamental para os seres vivos, por isso resolvemos abordar alguns aspectos desse tema para poder dialogar com você.

3 Biologia e Química A água é fundamental para a existência dos seres vivos e eles apresentam diversas estratégias para obtê-la do meio em que vivem. Por exemplo, a maioria das plantas absorve a água que está disponível no solo. Para o desenvolvimento da agricultura em regiões áridas, torna-se necessário disponibilizar água no solo, o que é feito por meio de técnicas de irrigação. Entretanto, em certas regiões extensivamente irrigadas, pode ocorrer a salinização do solo, tornando-o infértil, pois, à medida que a água evapora, os sais se acumulam no solo e, quando isso acontece, as células das raízes das plantas passam a perder água ao invés de absorvê-la. 4 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

4 Um experimento realizado em laboratório, a 27 C, ilustra o processo de passagem da água pelas membranas celulares. No caso, foi utilizado uma membrana semipermeável, cuja característica é permitir a passagem do solvente e não do soluto. EXPERIMENTO 1 Líquido A: 500 ml de água. Líquido B: 500 ml de solução aquosa contendo 11,7 g de cloreto de sódio (NaCl). INÍCIO APÓS O EQUILÍBRIO 500 ml A B MEMBRANA SEMI-PERMEÁVEL EXPERIMENTO 2 Líquido B: 500 ml de solução aquosa contendo 11,7 g de cloreto de sódio (NaCl). Líquido C: 500 ml de solução aquosa contendo 23,4 g de cloreto de sódio. INÍCIO APÓS O EQUILÍBRIO 500 ml B C MEMBRANA SEMI-PERMEÁVEL Com base nas informações apresentadas e em seus conhecimentos de Biologia e Química, elabore um texto sucinto que contemple as seguintes questões: explique o ocorrido nos experimentos 1 e 2, indicando o nome desse fenômeno. Relacione esses experimentos com o fato de as raízes das plantas absorverem a água fornecida pela irrigação ou perderem água quando o solo está salinizado. determine a concentração em mol/l e a pressão osmótica da solução B, considerando a dissociação total do cloreto de sódio. Indique os cálculos. apresente o procedimento para a preparação de 500mL de uma solução de glicose (C 6 H 12 O 6 ) isotônica (mesma pressão osmótica) da solução B. Indique o cálculo para determinar a concentração dessa solução de glicose, bem como o procedimento para prepará-la, citando a aparelhagem necessária. tanto nas células animais quanto nas células vegetais ocorre entrada e saída de moléculas de água. Observou-se que uma célula animal colocada em um recipiente contendo água pura aumentou seu volume até estourar; entretanto, em uma célula vegetal, houve a entrada de um certo volume de água, mas não houve o rompimento da célula. Explique essas observações, relacionando os diferentes efeitos observados com a estrutura dos dois tipos de células e com o conceito de pressão osmótica. Dados: P osmótica = CRTi, onde C é a concentração em mol/l, R é a constante dos gases perfeitos (R = 0,082atm L/mol K) T é a temperatura em Kelvin i é o fator de van t Hoff massa molar do NaCl = 58,5g/mol massa molar da glicose = 180g/mol PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES 5

5 RESOLUÇÃO: Nos experimentos 1 e 2, a água atravessou a membrana semipermeável da solução de menor concentração para a solução mais concentrada. Esse fenômeno é chamado de osmose. Na irrigação, as raízes absorvem, por osmose, água da solução do solo, por ser esta menos concentrada do que a solução interna dos vacúolos celulares. Em solos salinos, ao contrário, a concentração da solução do solo é maior do que a da solução celular, ocorrendo saída de água das raízes por osmose. Volume da solução = 500mL = 0,5L = V(L) massa do soluto (NaCl) = 11,7g = m 1 Massa Molar NaCl = 58,5g mol 1 = M 1 Molaridade ou concentração em mol/l m C = ηη = 1 M1 V( L) 11, 7g = 04, mol / L 1 58, 5g mol 0, 5L NaCl Na + + Cl 1 mol mol 1 mol i = 2 T = 27 C = 300K R = 0,082 atm L mol 1 K 1 P osmótica = C R T i 0, 4 mol 0, 082 atm L 300 K P osmótica = L mol K P osmótica = 19,68atm 2 Como as soluções de NaCl e de glicose são isotônicas, teremos: P osmótica (sol. Glicose) = P osmótica (sol. NaCl) ou CRT = C RTi onde C = concentração em mol/l i = fator de van t Hoff do NaCl. Admitindo-se α = 100%, vem que i = 2 CRT = C RT2 Mantendo-se a temperatura constante, pode-se cancelar o produto RT: C = 2C Como C = 0,4 mol/l de NaCl, calcula-se: C = 2(0,4 mol/l) = 0,8 mol/l de glicose. Cálculo da concentração em g/l: 1 mol (glicose) 180g m = 144 g 0,8 mol m Como o volume desejado de solução é 500mL, a massa necessária de glicose será igual a 72 g. O procedimento para preparar tal solução será, por exemplo, pesar 72g de glicose e dissolver essa massa em água suficiente para 500mL de solução, utilizando-se um balão volumétrico aferido para esse volume. 123 Em qualquer célula, seja ela animal ou vegetal, as soluções internas são mais concentradas do que a água pura. Ambas têm, portanto, uma pressão osmótica maior do que a do meio em que estão mergulhadas e, devido a isso, absorvem água. No caso da célula animal, a absorção ultrapassa o limite de resistência da membrana plasmática, que acaba por se romper. Na célula vegetal, a presença de uma membrana celulósica externa à membrana plasmática, de elasticidade limitada porém de grande resistência, permite a entrada de água até o estado de turgescência máxima, não ocorrendo ruptura celular. 6 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

6 Física e Matemática Normalmente, quando andamos sob chuva, as gotas que caem não nos machucam. Isso ocorre porque as gotas d água não estão em queda livre, mas sujeitas a um movimento no qual a resistência do ar não pode ser desconsiderada. A resistência do ar é uma força cujo sentido é sempre contrário ao sentido do movimento do objeto e seu valor é tanto maior quanto maior for a velocidade do corpo em movimento. Para uma gota em queda, a velocidade aumenta até um valor máximo denominado velocidade limite. Como as gotas têm, em geral, pequena massa e baixa velocidade limite em média 18km/h o impacto, normalmente, não nos causa sensação dolorosa. Os textos abaixo se relacionam com o descrito. Leia-os com atenção e responda o que se solicita. TEXTO 1 CORTANDO O AR Vencer a resistência do ar ao deslocamento do carro é função da aerodinâmica. A forma ideal de qualquer modelo seria a criada pela natureza na gota d água, explica o chefe de Design da Volkswagen do Brasil, Luiz Alberto Veiga (que preparou para o jornal O Estado de S. Paulo os desenhos do quadro abaixo). A gota d água: aerodinamicamente perfeita EM BUSCA DO MODELO IDEAL Modelos hatch têm mais problemas de aerodinâmica, porque criam áreas de maior turbulência atrás o efeito desentupidor de pia, que dificulta o avanço. O desenho dos sedãs e cupês permite que o ar flua com mais facilidade ao longo da carroceria, reduzindo a turbulência e, portanto, o repuxo. A forma ideal de carro seria a de uma gota cortada longitudinalmente: isso não provocaria turbulência atrás, facilitando o deslocamento. TEXTO 2 CALCULANDO A FORÇA DE RESISTÊNCIA DO AR Qualquer objeto em movimento com velocidade v sujeito à resistência do ar (F res ), tem a ele associado um número chamado coeficiente de arrasto aerodinâmico, indicado por C x. Quanto menor o coeficiente, melhor a aerodinâmica. O C x é uma grandeza adimensional e seu valor para automóveis, normalmente, varia entre 0,3 e 0,9. A área (A) do objeto, voltada para o movimento, também, tem uma influência importante na resistência do ar. Para entender que área é essa, observe-a, por exemplo, na figura ao lado: Outro fator importante a considerar é a densidade do ar (d). Um mesmo objeto, movimentando-se a uma mesma velocidade, sofre menor resistência em um local em que o ar seja menos denso. Há uma fórmula que relaciona todas as grandezas que discutimos até aqui e que permite calcular o valor da força de resistência do ar que atua sobre os objetos na maioria das situações: 1 F res = d A C x v 2 2 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES 7

7 INSTRUÇÕES: Nas respostas lembre-se de deixar seus processos de resolução claramente expostos. Não basta escrever apenas o resultado final. É necessário mostrar os cálculos ou o raciocínio utilizado. Sempre que necessário, utilize g = 10m/s 2. QUESTÕES A) De acordo com as informações contidas nos textos e figuras, analise as ilustrações abaixo e identifique qual dos veículos possui o maior valor para o coeficiente de arrasto aerodinâmico. Justifique. CARRO A CARRO B B) Suponha uma gota de chuva, em queda livre, após desprender-se de uma nuvem situada a 1280m de altura. Calcule a velocidade da gota ao atingir o solo e determine quantas vezes o valor encontrado é maior do que a velocidade limite citada no texto de introdução. Considere a gota inicialmente em repouso em relação ao solo. C) O fato de as gotas de chuva atingirem a velocidade limite indica uma situação em que foi atingido o equilíbrio dinâmico. Quais forças se equilibram, a partir desse momento? Identifique o tipo de movimento que será executado pela gota a partir desse instante, justificando sua resposta. D) Considere uma gota de chuva de massa 0,2g, em situação de equilíbrio dinâmico. Para a expressão 1 dada no texto 2, assuma o produto d A como uma constante de valor (unidades do 2 Sistema Internacional). Calcule o valor de C x para a gota de chuva considerando que a velocidade limite em sua queda é de 5m/s. E) Numa boa aproximação, uma gota d água pode ser considerada como o resultado da união de dois sólidos: uma semi-esfera e um cone (veja a figura seguinte). Calcule a relação entre a altura (h) do cone e o raio (R) da semi-esfera, considerando que seus volumes são iguais. Altura (h) Raio (R) 8 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

8 RESOLUÇÃO: A) De acordo com o texto, o carro que apresenta mais problemas de aerodinâmica e, portanto, maior coeficiente de arrasto aerodinâmico é o modelo hatch, correspondendo ao carro A. B) Um corpo em queda livre, abandonado de uma altura h, atinge o solo com velocidade v = 2gh v = v = 160 m/ s Como a velocidade limite da gota, com resistência do ar, é 18km/h = 5m/s, temos que a velocidade em queda livre é 32 vezes a velocidade limite. C) Marcando-se as forças na gota e desconsiderando-se o empuxo: F res P = peso da gota F res = força de resistência do ar. P O movimento é retilíneo uniforme, pois, como indica o texto, a gota está em equilíbrio dinâmico. 1 D) F res = P d A C x v 2 = mg C x 5 2 = C x = 0,1 1 4 E) Semi-esfera: V 1 = π R Cone: V 2 = π R 2 h 3 Considerando-se V 1 = V 2 : π R 3 1 = π R 2 h h = 2 R Comentário: Segundo o enunciado, o sentido da força de resistência do ar é sempre contrário ao sentido do movimento do objeto, o que nem sempre é verdade. PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES 9

9 Geografia e História Os rios brasileiros tiveram grande importância ao longo da história e em várias partes do país: facilitaram a penetração para o interior, serviram de apoio para as formas de exploração e colonização do território, articularam e integraram regiões distantes. Com corredeiras fortes, encachoeirados e, sobretudo, porque desciam para o interior do planalto, os rios pouco serviam àquela sociedade que só queria correr para o mar. A economia brasileira se constitui olhando sempre para o exterior: este foi o sentido da colonização moderna. Mesmo quando penetrou fundo nas Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, no século XVIII, o objetivo do colono era trazer o ouro e as pedras para o litoral e, de lá exportar para a Europa. Os rios paulistas serviam para integração com outras regiões, mas não com a metrópole. (Dora Shellard CORRÊA. A água no olhar da história.são Paulo, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, 1999) As oito grandes bacias hidrográficas brasileiras segundo classificação proposta pela Aneel e a rede hidrometeorológica controlada pelos satélites Argos e SCD1 Fonte: Atlas Hidrológico do Brasil ANEEL SRH/MMA IBAMA Numa região como a Amazônia, o transporte hidroviário é, para a maior parte da população, a base de seu diálogo com o país, uma vez que os vínculos aéreos permanecem restritos a uma pequena camada da sociedade. Além de Belém e Manaus, destacam-se os portos de Munguba, Santarém e, certamente, Porto Velho. (Milton SANTOS e Maria Laura SILVEIRA. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro, Record, 2001) CONSIDERANDO AS INFORMAÇÕES, REDIJA UMA DISSERTAÇÃO CONTENDO análise comparativa da forma como os rios da região Amazônica, do Nordeste e do Sul-Sudeste foram utilizados na exploração e formação do território brasileiro tendo como referência os contextos históricos pré e pós-independência política; avaliação da situação atual desses rios e de sua importância para os sistemas de transporte, de energia e de abastecimento; citação e análise de alguns exemplos da condição ambiental apresentada atualmente pelos rios. IMPORTANTE Não reproduza os textos utilizados no enunciado ou nas citações feitas nesta prova; A avaliação levará em consideração a clareza e a objetividade na exposição, a capacidade argumentativa e a profundidade na abordagem do tema. 10 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

10 RESOLUÇÃO: Considerando as informações apresentadas, os candidatos devem ter redigido uma dissertação em que foram desenvolvidos alguns dos itens históricos e geográficos apresentados abaixo. Sobre a exploração e a formação do território brasileiro, tendo como referência os contextos históricos pré e pós-independência política: 1. Região Amazônica: No Período Colonial os rios constituíram estradas naturais da floresta para a penetração, o reconhecimento e a ocupação do território. O mito do Eldorado, que moveu os pioneiros rumo ao interior, e as chamadas drogas do sertão impulsionaram o movimento de ocupação facilitado pela rede fluvial, que serviu ao escoamento dos produtos extraídos. No período pós-independência o extrativismo e os transportes prosseguiram como atividades básicas, e o látex dos seringais veio enriquecer produtores e cidades especializados na produção da borracha, entre a última década do século XIX e as duas primeiras do XX. 2. Região Nordeste: No Período Colonial a Bacia do Rio São Francisco serviu à expansão territorial, junto com outros rios, como base dos transportes e das atividades pecuárias. Nesse quadro, a ocupação se deu por populações ralas e dispersas. No período pós-independência, a pecuária continuou vinculada à vida ribeirinha, que passou também a se desenvolver com base na agricultura irrigada. Nas últimas décadas do século XX, a importância dos rios na região foi significativamente aumentada pelas hidrelétricas construídas. 3. Região Sul-Sudeste: No Período Colonial o rio Tietê serviu à penetração bandeirante, celebrizando as monções que levaram os paulistas aos sertões do Centro-Oeste. Os rios Paraná e Uruguai foram rotas para o transporte do couro produzido pelas fazendas pecuaristas e também para o abastecimento das zonas mineradoras do Mato Grosso. No período pós-independência a bacia Platina serviu à rede de comunicações e de transportes para o interior de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, além de Mato Grosso e Goiás. Sua importância provocou focos de tensão traduzidos nas várias e sangrentas guerras platinas do Império. No século XX a rede fluvial viveu o renascimento do transporte hidroviário e tornou-se rico manancial gerador de energia, com a construção das hidrelétricas que alimentam amplos mercados do Sul-Sudeste. Na atualidade, a situação dos rios quanto a transporte, energia, abastecimento e condição ambiental é a seguinte: 1. Região Amazônica (Bacias do Amazonas e do Araguaia-Tocantins) Rios são essenciais para as populações ribeirinhas, que os utilizam para o transporte, o abastecimento de água e a produção de alimentos (pescado). Servem ainda para o escoamento das produções agrominerais desenvolvidas na região nas últimas décadas e para a entrada de bens industriais, matérias-primas e outras mercadorias para atender a população e os mercados produtivos locais. Maior potencial hidrelétrico disponível no país, embora pouco aproveitado devido ao baixo consumo regional de energia, às dificuldades naturais e à grande distância dos mercados consumidores mais desenvolvidos. O maior aproveitamento ocorre no rio Tocantins, graças à construção da hidrelétrica de Tucuruí, uma das maiores do país. Não há problemas de falta de água para abastecimento da população e da indústria em toda a região. Inúmeros problemas ambientais atingem os rios das bacias dessa região, com destaque para os seguintes: * contaminação das águas pelo mercúrio utilizado no garimpo de ouro; * intensificação do assoreamento dos rios pelo desmatamento de áreas próximas às margens; * contaminação das águas dos rios que cortam as cidades, devido ao lançamento de esgoto e efluentes industriais. 2. Região Nordeste (Bacias do Nordeste, do São Francisco e do Leste) A navegação é hoje pouco utilizada nessa região, destacando-se trechos dos rios Parnaíba e São Francisco, por onde se deslocam passageiros e mercadorias de importância restrita à região. Há um intenso aproveitamento hidrelétrico do rio São Francisco, onde se destacam as usinas de Sobradinho e Paulo Afonso. PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES 11

11 O abastecimento de água em algumas grandes cidades, como Salvador e Vitória, por exemplo, depende dos rios da Bacia do Leste. Nas margens do São Francisco encontram-se fazendas que utilizam suas águas para abastecer os maiores projetos de irrigação do país. Há grave problema de abastecimento de água para uma grande parte da população que vive no Polígono das Secas, pois nessa área os rios são temporários. Ocorre grave problema de assoreamento no rio São Francisco, devido ao desmatamento de suas cabeceiras. Muitos rios da Bacia do Leste estão poluídos por esgotos e efluentes industriais. 3. Região Sul-Sudeste (Bacias do Paraná-Paraguai, do Uruguai e do Sudeste) Graças à ação humana, houve uma intensificação do uso dos rios da Bacia do Paraná-Paraguai para o transporte de carga, com destaque para a hidrovia Tietê-Paraná e trechos do rio Paraguai. Os rios da Bacia do Paraná têm a maior potência hidrelétrica instalada do Brasil, graças à presença de rios de planalto e à proximidade de grandes mercados consumidores. É a região onde se encontram as bacias mais utilizadas para o abastecimento de água de uso urbano, industrial e agrícola, como resultado do desenvolvimento econômico e da concentração humana. Graves problemas ambientais atingem os rios das bacias do Sul-Sudeste, dificultando e encarecendo o tratamento de suas águas, com destaque para os seguintes: * excesso de desmatamento causado pelo rápido crescimento urbano e pela expansão agrícola; * crescente poluição por lançamento de esgotos, efluentes industriais e agrotóxicos; * poluição com resíduos provenientes da exploração mineral, em especial do carvão e do ferro. 12 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

12 Redação LEIA COM ATENÇÃO Observe com cuidado cada uma das imagens, verifique as possíveis relações entre elas e extraia delas o seu tema. Redija, em prosa, um texto dissertativo procurando responder a questão formulada pelo filósofo Jostein Gaarder em um de seus livros. Crie um título coerente com seu texto. ATÉ QUE PONTO VOCÊ CONSIDERA O FUTURO DESTE RARO PLANETA RESPONSABILIDADE SUA? ALDEIA NAZARÉ (AM) ONDE OS ÍNDIOS AINDA CONSEGUEM VIVER COMO SEUS ANTEPASSADOS (VEJA 24/12/1997) ESGOTO A CÉU ABERTO NO IGARAPÉ DOS FRANCESES, REGIÃO CENTRO-OESTE DE MANAUS (FOLHA DE S. PAULO 03/11/2001) Oceanos 97% Toda a água Calota de gelo 79% e geleiras Água doce 3% Água doce Água subterrânea 20% Lagos 52% Água no interior dos organismos vivos...1% Rios...1% Vapor d água Atmosférica... 8% Água doce superficial de fácil acesso 1% Umidade do solo 38% SECA NA REPRESA DE LOS LAURELES EM TEGUCIGALPA HONDURAS (FOLHA DE S. PAULO 25/07/2001) PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES 13

13 SUJEIRA ACUMULADA NA SUPERFÍCIE DO RIO TIETÊ, EM PIRAPORA DO BOM JESUS (SP) (FOLHA DE S. PAULO 24/06/2001) AMAZÔNIA RIO ENVENENADO PELO MERCÚRIO DOS GARIMPOS (VEJA 24/12/1999) GENÁRIO ROCHA DA SILVA, DESEMPREGADO, TENTA PESCAR TILÁPIAS EM UMA LAGOA DA VÁRZEA DO RIO TIETÊ NO ITAIM PAULISTA (FOLHA DE S. PAULO 06/05/2001) Passe a limpo, a tinta, sua redação, no espaço a ela reservado. O rascunho não será considerado. Seu trabalho será avaliado de acordo com os seguintes critérios: espírito crítico; adequação do título/texto ao desenvolvimento do tema; padrão culto da língua; estrutura textual compatível com o tipo de texto proposto. Baptistão (pesquisa Fapesp 1/12/2000) 14 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

14 RESOLUÇÃO: ANÁLISE DA PROVA Para se iniciar a abordagem da prova de redação, cabe observar que a PUC/SP, desta vez, explicitou uma questão para orientar o posicionamento (o ponto de vista) do enunciador: Até que ponto você considera o futuro deste raro planeta responsabilidade sua? O principal pressuposto da pergunta de Jostein Gaarder é que os indivíduos têm a responsabilidade sobre o futuro do planeta, diante da evidência da deterioração de recursos naturais, conseqüentemente de recursos humanos. O candidato deveria deter-se no grupo nominal raro planeta : o planeta é raro porque possui água (ironicamente, em maior quantidade do que terra, que lhe empresta o nome), da qual depende a vida; a questão temática focaliza, portanto, um grande paradoxo: a água, essencial para a vida, é destruída pelo homem. Uma possível abordagem Aparecem na proposta três imagens da Amazônia, que podem ser lidas em progressão. A primeira, retratando índios da Aldeia Nazaré, apresenta a natureza em estado selvagem, em que a água é abundante e limpa. A legenda esclarece que esse é um quadro raro nos dias de hoje, correndo risco de desaparecer, conforme se depreende do trecho: os índios ainda conseguem viver como seus antepassados. Na segunda imagem, nota-se a ocupação desordenada do espaço: sem a devida infra-estrutura, que inclui também rede de esgoto, os habitantes acabam por poluí-lo, como mostra a foto do esgoto a céu aberto na região centro-oeste de Manaus. A terceira imagem se refere ao envenenamento de um rio caudaloso pelo mercúrio dos garimpos, revelando o resultado danoso da ação irresponsável do homem no meio ambiente. Supondo-se as três imagens dispostas em progressão, enquanto a primeira focaliza homem e natureza em relação de cumplicidade, em harmonia, as outras duas denunciam uma relação de polêmica, de desarmonia entre ambos. É possível inferir, portanto, que o futuro do planeta, associado à imagem ideal dos índios da Aldeia Nazaré,só será possível se o homem se compatibilizar com a natureza, fonte de vida, e criar soluções políticas para que ela seja preservada. Além das imagens da Amazônia, há duas de São Paulo. Na primeira, destaca-se a sujeira acumulada na superfície do rio Tietê na região de Pirapora do Bom Jesus, tornando a água imprópria para o aproveitamento. As casas comerciais e os prédios, ao fundo, de um colorido artificial, remetem ao problema do desenvolvimento desregrado, que desconsidera o meio ambiente. Na segunda imagem do mesmo rio, agora no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, um desempregado tenta pescar em uma lagoa visivelmente poluída. Traduzindo: ações irresponsáveis tornaram uma fonte de subsistência num depósito de lixo. Como final da progressão de imagens iniciada com a Aldeia Nazaré, a foto da seca em Honduras ilustra uma das conseqüências mais nocivas da interferência inconseqüente do homem no meio: a total ausência de água. Ressalta-se, ainda, que o problema não é pontualmente brasileiro, mas faz parte da falta de consciência generalizada, mundial. Os gráficos de setores a respeito da Distribuição da água no planeta constituem argumentos de prova concreta sobre o problema da escassez de água na Terra. Considerando-se a premissa de que a água doce é vital para a sobrevivência humana, é estarrecedor constatar que, de todas as águas do planeta, só 3% são doces. Além disso, há um complicador: apenas 1% da água doce (0,03% da água do planeta) é superficial, de fácil acesso. Por fim, segundo o último gráfico, uma parte da água doce existente é de difícil aproveitamento, como a que se encontra no interior dos organismos vivos e na umidade do solo. Na charge de Baptistão, um sujeito bebe distraído (ou cínico ou inconsciente) um copo de água, enquanto, a seu lado, a água de um bebedouro (cujo galão é ironicamente um globo terrestre) é desperdiçada. A idéia da charge é clara: a água do planeta não é infinita, mas os homens, que precisam dela, não se percebem responsáveis por sua preservação. PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES 15

15 Comentários Química e Biologia A questão foi bem escolhida, pois abordou um assunto importante em um grau de dificuldade adequado. Física e Matemática Questões bem propostas, avaliando as habilidades e competências do candidato em estabelecer relações, ler um texto e contextualizar a matéria com o cotidiano. Geografia e História Prova bastante abrangente, que exigiu dos candidatos a capacidade de relacionar dados de caráter histórico e geográfico da realidade regional brasileira. Redação Além de propor um tema transversal, que encontra ressonâncias em várias disciplinas, permitindo um amplo diálogo entre elas, a versão 2002 da PUC/SP inova no plano formal e no conteudístico, se é que é possível separá-los. Quanto ao primeiro, seleciona imagens belíssimas, convincentes, atuais, que, por si sós, criam uma polêmica de que o candidato é convidado a participar. Em relação ao segundo, o tema, que em outras provas se distanciava do universo de questionamento e informações do vestibulando, nesta remete a referências e debates do cotidiano de qualquer estudante. Outra inovação é bem-vinda: a delimitação do tipo de texto, isto é, dissertativo, com que se pode avaliar a capacidade de expor um ponto de vista e defendê-lo com argumentação eficiente, vazada numa linguagem correta. A prova, em sintonia com o mundo atual da multimídia, é um convite para que o jovem possa ler textos visuais explorando-os além da realidade opaca, que os impermeabiliza pela repetição intensa. 16 PUC-SP/2002 ANGLO VESTIBULARES

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