INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 008, DE 10 DE JULHO DE 2007 (Publicada no Diário Oficial do Espírito Santo em 11 de julho de 2007)

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1 INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 008, DE 10 DE JULHO DE 2007 (Publicada no Diário Oficial do Espírito Santo em 11 de julho de 2007) Estabelece procedimentos administrativos e critérios técnicos referentes à Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica e Outorga de Direito Uso de Recursos Hídricos para aproveitamentos hidrelétricos em corpos de água de domínio do Estado do Espírito Santo. A DIRETORA-PRESIDENTE DO INSTITUTO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS - IEMA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 4º do Decreto nº R, de 07 de maio de 2004, e, Considerando o art. 21, parágrafo único e art. 22, 2º, da Lei Estadual nº 5.818, de 29 de dezembro de 1998, que determinam que a outorga, até a edição do Plano de Recursos Hídricos das bacias hidrográficas, far-se-á atendendo a critérios técnicos estabelecidos pelo órgão gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos, bem como que o órgão gestor da Política Estadual de Recursos Hídricos será responsável pela definição dos critérios de outorga de direito de uso de recursos hídricos, do prazo mínimo a ser outorgado, bem como da sua renovação, respectivamente; Considerando o disposto na Resolução nº 16, de 08 de maio de 2001, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH e Resolução Normativa nº 005, de 07 de julho de 2005, do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CERH, que estabelecem critérios gerais para a outorga de direito de uso de recursos hídricos no âmbito de suas competências; Considerando o art. 5º, incisos I e XX, da Lei Complementar Estadual nº 248, de 28 de junho de 2002, que determina que compete ao IEMA implantar e executar a Política Estadual de Recursos Hídricos, e os Projetos e Programas Estaduais referentes ao setor, bem como analisar as solicitações e expedir as outorgas de direito de uso de recursos hídricos, efetuando a sua fiscalização, respectivamente; Considerando o art. 33, inciso XVII, do Decreto Estadual nº R, de 07 de outubro de 2004, que determina que é competência do Diretor-Presidente do IEMA estabelecer normas que assegurem ao IEMA perfeita execução de trabalho; Considerando o art. 12 da Instrução Normativa IEMA nº 019, de 04 de outubro de 2005, que determina que os critérios técnicos e procedimentos gerais para uso de recursos hídricos para aproveitamentos hidrelétricos serão definidos em Instrução Normativa específica; RESOLVE: Art. 1º Estabelecer procedimentos administrativos e critérios técnicos a serem observados na formalização e análise dos processos de Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica DRDH e Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos para aproveitamentos hidrelétricos em corpos de água de domínio do Estado do Espírito Santo. Art. 2º Para fins desta Instrução Normativa serão adotadas as seguintes definições: 1

2 I - Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica DRDH: ato administrativo emitido pelo IEMA à Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, necessário para licitar a concessão ou autorizar o uso de potencial hidrelétrico superior a 1 MW, nos termos previstos no art. 7º da Lei Federal nº 9.984, de 17 de julho de 2000; II - Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos: ato administrativo mediante o qual o IEMA faculta ao requerente o direito de uso dos recursos hídricos, por prazo determinado, nos termos e condições expressas no respectivo ato; III - Empreendedor: entidade responsável pelo requerimento de concessão ou autorização para exploração de potencial hidráulico ou pelo registro de aproveitamento hidrelétrico menor ou igual a 1 MW junto à ANEEL; IV - Trecho de vazão reduzida: trecho do curso de água compreendido entre o barramento ou o canal de adução/tomada de água, quando o primeiro inexistir, e a seção na qual as vazões turbinadas são restituídas ao curso natural; V - Vazão residual: vazão que deve ser mantida imediatamente a jusante do barramento e/ou ao longo de todo o trecho de vazão reduzida. Art. 3º O IEMA poderá emitir DRDH à ANEEL, conforme disposto no art. 11 da Resolução CNRH nº 16, de 08 de maio de 2001, com a finalidade de declarar a disponibilidade de água para aproveitamentos hidrelétricos. 1º Para licitar a concessão ou autorizar a exploração de potencial hidráulico em corpos de água de domínio do Estado do Espírito Santo, a ANEEL deverá promover, junto ao IEMA, prévia obtenção de DRDH. 2º A DRDH não confere direito de uso dos recursos hídricos e se destina a reservar a quantidade de água a ser outorgada, possibilitando, ao empreendedor, o planejamento de seu empreendimento. Art. 4º Para formalização do pedido de DRDH, a ANEEL deverá encaminhar ao IEMA os seguintes documentos: I Ofício solicitando a abertura do processo de DRDH no IEMA para o aproveitamento hidrelétrico de interesse; II Formulário para aproveitamentos hidrelétricos devidamente preenchido, conforme modelo disponibilizado pelo IEMA; III Documentos e estudos técnicos conforme termo de referência para aproveitamentos hidrelétricos disponibilizado pelo IEMA; 1º O processo relativo à DRDH será formalizado em nome da ANEEL. 2º Cabe ao IEMA a publicação do pedido de DRDH no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo DIOES, em um prazo máximo de 30 (trinta) dias a partir da data de formalização do processo. 2

3 Art. 5º Para emissão da DRDH, o IEMA considerará em sua avaliação: 1º A disponibilidade hídrica do corpo de água e da bacia hidrográfica, observando: I - As demandas hídricas atuais e planejadas para cenários futuros a montante e a jusante do aproveitamento hidrelétrico; II - Outros parâmetros, desde que devidamente justificados tecnicamente. 2º As alterações na qualidade das águas e no regime de sedimentos do curso de água ocasionadas pelo aproveitamento hidrelétrico e os efeitos das mesmas sobre outros usuários de água instalados ou planejados na bacia hidrográfica. 3º O potencial benefício do aproveitamento hidrelétrico. Art. 6º Para a definição da vazão residual mínima, o IEMA levará em consideração as demandas hídricas atuais e planejadas para cenários futuros ao longo do trecho de vazão reduzida, incluindo aquelas destinadas à diluição de efluentes e a manutenção de níveis mínimos associados a usos não consuntivos. Parágrafo único - A vazão residual poderá ser alterada a critério do órgão ambiental competente quando da emissão da licença ambiental, desde que respeitadas as condições mínimas expressas no caput deste artigo. Art. 7º O IEMA deverá concluir a análise do processo em até 120 (cento e vinte) dias, a contar da data de formalização, ressalvadas as necessidades de formulação de exigências complementares. Art. 8º Em caso de deferimento do pedido de DRDH, o IEMA publicará extrato da Portaria no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo DIOES. Art. 9º A DRDH tem prazo de vigência de 3 (três) anos, podendo ser prorrogada por igual período, a critério do IEMA, mediante solicitação da ANEEL. 1º A prorrogação da DRDH deverá ser requerida com antecedência mínima de 90 (noventa) dias da expiração de seu prazo de vigência, sob pena de indeferimento do pedido de prorrogação. 2º Em caso de deferimento do pedido de prorrogação, o IEMA dará publicidade ao mesmo por meio de publicação no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo DIOES. Art. 10 Para solicitação de alteração da Portaria referente à DRDH, a ANEEL deverá encaminhar ao IEMA o requerimento de alteração devidamente preenchido e assinado. 1º Quando, a critério do IEMA, a alteração pleiteada for considerada significativa do ponto de vista da análise técnica, deverá ser solicitada uma nova DRDH. 2º Em caso de deferimento do pedido de alteração, o IEMA dará publicidade ao mesmo por meio de publicação no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo DIOES. 3

4 Art. 11 A defesa, o pedido de reconsideração e o recurso do ato de indeferimento do processo referente à DRDH seguem os procedimentos descritos no art. 16 da Instrução Normativa IEMA nº 019, de 04 de outubro de 2005, para a outorga de direito de uso de recursos hídricos. Art. 12 Para a transformação da DRDH em outorga de direito de uso de recursos hídricos, o empreendedor deverá formalizar um novo processo junto ao IEMA, mediante a apresentação dos seguintes documentos: I - Requerimento de transformação da DRDH em outorga de direito de uso de recursos hídricos devidamente preenchido e assinado, conforme modelo disponibilizado pelo IEMA; II - Cópia autenticada do CPF e RG do requerente ou representante legal. Quando o requerente for pessoa jurídica, deverá apresentar também CNPJ e cópia autenticada da documentação que associa o representante legal à empresa ou instituição; III - Cópia do contrato de concessão ou do ato administrativo de autorização para exploração de potencial hidráulico emitido pela ANEEL; IV - Comprovante de pagamento dos custos de análise do pedido de DRDH e da sua respectiva transformação em outorga, sendo os valores definidos em Lei específica. 1º O processo relativo à outorga de direito de uso de recursos hídricos será formalizado em nome do empreendedor. 2º A transformação da DRDH em outorga de direito de uso de recursos hídricos deverá ser requerida com antecedência mínima de 30 (trinta) dias da expiração de seu prazo de vigência, sob pena de cancelamento da Portaria. Art. 13 Os aproveitamentos hidrelétricos que pleiteiam renovação do contrato de concessão ou do ato administrativo de autorização para exploração de potencial hidráulico junto à ANEEL deverão requerer, ao IEMA, outorga de direito de uso de recursos hídricos. Parágrafo único Para a formalização do pedido de outorga de direito de uso de recursos hídricos para aproveitamentos hidrelétricos na situação descrita no caput deste artigo, deverão ser obrigatoriamente apresentados, pelo empreendedor, os seguintes documentos: I - Requerimento de outorga de direito de uso de recursos hídricos devidamente preenchido e assinado, conforme modelo disponibilizado pelo IEMA; II - Cópia autenticada do CPF e RG do requerente ou representante legal. Quando o requerente for pessoa jurídica deverá apresentar também CNPJ e cópia autenticada da documentação que associa o representante legal à empresa ou instituição; III - Documentos e estudos técnicos conforme termo de referência para aproveitamentos hidrelétricos disponibilizado pelo IEMA; IV - Formulário para aproveitamentos hidrelétricos devidamente preenchido, conforme modelo disponibilizado pelo IEMA; 4

5 V - Cópia do contrato de concessão ou do ato administrativo de autorização para exploração de potencial hidráulico vigente; VI - Cópia de documento que comprove o pedido de renovação do contrato de concessão ou do ato administrativo de autorização para exploração de potencial hidráulico junto à ANEEL; VII - Comprovante de pagamento dos custos de análise, sendo os valores definidos em Lei específica; VIII - Cópia da publicação do pedido de outorga de direito de uso de recursos hídricos no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo DIOES, conforme modelo disponibilizado pelo IEMA. Art. 14 Quando do deferimento da outorga de direito de uso de recursos hídricos, o empreendedor deverá publicar extrato, conforme modelo disponibilizado pelo IEMA, no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo DIOES, devendo o pedido ser encaminhado à Imprensa Oficial em até 30 (trinta) dias subseqüentes à data de comunicação pelo IEMA, conforme Aviso de Recebimento AR dos Correios, sob pena de cancelamento da Portaria. Art. 15 A outorga de direito de uso de recursos hídricos para aproveitamentos hidrelétricos terá prazo de vigência coincidente com o do correspondente contrato de concessão ou ato administrativo de autorização, não superior a 35 (trinta e cinco) anos. Art. 16 A renovação, a alteração e a transferência da Portaria referente à outorga de direito de uso de recursos hídricos para aproveitamentos hidrelétricos seguem os procedimentos descritos na Instrução Normativa IEMA nº 019, de 04 de outubro de Parágrafo único Quando do requerimento de renovação, alteração ou transferência da Portaria referente à outorga de direito de uso de recursos hídricos, o empreendedor deverá apresentar ao IEMA cópia de documento que comprove que a ANEEL está de acordo com o pleito. Art. 17 O IEMA poderá solicitar, ao empreendedor, estudos complementares para a análise dos pleitos tratados nesta Instrução Normativa, conforme termo de referência disponibilizado pelo Instituto. Parágrafo único O IEMA poderá arquivar o processo caso os estudos complementares não sejam apresentados em até 60 (sessenta) dias, subseqüentes à data de comunicação pelo IEMA ao empreendedor, conforme Aviso de Recebimento AR dos Correios, sem devolução dos emolumentos relativos aos custos de análise e publicação do mesmo. Art. 18 Os procedimentos administrativos e os critérios técnicos referentes à outorga de direito de uso de recursos hídricos para aproveitamentos hidrelétricos com potência instalada igual ou inferior a 1 MW (um megawatt) seguem o disposto na Instrução Normativa IEMA nº 019, de 04 de outubro de Parágrafo único Para a formalização do processo de outorga, o empreendedor deverá apresentar, obrigatoriamente, documento que comprove o registro do aproveitamento hidrelétrico na ANEEL, 5

6 além dos demais documentos de que trata o art. 4º da Instrução Normativa IEMA nº 019, de 04 de outubro de Art. 19 Os titulares de concessão ou de autorização para exploração de potencial hidráulico expedidas até a data desta Instrução Normativa ficam dispensados da solicitação de DRDH e de outorga de direito de uso dos recursos hídricos, até a data de vencimento do contrato de concessão ou do ato administrativo de autorização, consideradas suas prorrogações. Parágrafo único Os titulares de que trata o caput deste artigo deverão apresentar ao IEMA o formulário para aproveitamentos hidrelétricos devidamente preenchido, quando solicitado por este Instituto. Art. 20 Os atos administrativos de DRDH e de outorga de direito de uso de recursos hídricos para aproveitamentos hidrelétricos não dispensam o outorgado do cumprimento da legislação ambiental pertinente ou das exigências de outros órgãos e entidades competentes. Art. 21 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Cariacica, 10 de julho de MARIA DA GLÓRIA BRITO ABAURRE Diretora-Presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos 6

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