X CONGRESSO DA GEOGRAFIA PORTUGUESA Os Valores da Geografia Lisboa, 9 a 12 de setembro de 2015

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1 X CONGRESSO DA GEOGRAFIA PORTUGUESA Os Valores da Geografia Lisboa, 9 a 12 de setembro de 2015 Modelo conceptual de análise do crescimento urbano vertical M. Magarotto (a) (b),m. Costa (b), A. Rodrigues (a), J. Tenedório (a), C. Silva (a) (a) CICS.NOVA Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, (b) LEGECE Laboratório de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos, Departamento de Oceanografia, Universidade Federal de Pernambuco, Resumo Os modelos urbanos em terceira dimensão (3D) são instrumentos de análise do crescimento urbano vertical e acrescentam valor à informação para planeamento e urbanismo. A versatilidade destes modelos, em diferentes escalas, facilita a visualização e possibilita a medição de parâmetros urbanos do crescimento ocorrido. Estes modelos 3D resultam da evolução da representação de espaços urbanos em maquetes para o software de modelação de dados em Sistemas de Informação Geográfica (SIG). O enriquecimento dos algoritmos implementados em plataformas SIG 3D revela-se, para além das possibilidades de visualização, na quantificação de parâmetros como a área do imóvel, a altura, o número de pisos, o perímetro, o volume, a área mínima de análise, entre outros. Neste contexto, a comunicação tem como objetivo realizar uma análise conceptual do desenvolvimento dos modelos urbanos em SIG 3D orientados para a análise do crescimento urbano vertical em zonas costeiras. Palavras chave: modelo urbano, ordenamento do litoral, SIG 3D 1. Introdução Os modelos urbanos em mapas ou em maquetes representam o espaço em duas ou três dimensões e são necessários aos planejadores urbanistas para entender e distribuir o edificado que compõem a arquitetura das cidades (Ranzinger & Gleixner 1997). Este complexo emaranhado de interesses políticos, sociais, económicos e humano forma o espaço onde o homem instituiu como morada (Adolphe 2001; Lal & Pawar 2011; Harvey 2011). As cidades são cada vez mais habitadas e seu entendimento de autogestão ou de planeamento deve ser entendido o que exige meios sistemáticos que possam gerir o espaço urbano (Lemmen & van Oosterom 2003; Benhamu & Doytsher 2003; Ying et al. 2014). No intuito de melhor planejar e administrar o espaço urbano existem iniciativas e uma verdadeira transformação para os modelos computacionais dos planos em duas dimensões (2D) para três dimensões (3D) (Chen et al. 2011; Ding 2013). Este esforço pode dar uma diferente forma de medir e entender o espaço urbano e assim melhor administra-lo (Encarnação et al. 2010; Santos et al. 2013). Existe iniciativas de rever estes conceitos, mas ainda há uma relutância pelos planejadores urbanos (Chen 2011). Contudo, o processo

2 de mudança esta em curso e cada vez mais os urbanistas utilizam os modelos em 3D para a representação dos espaços urbanos. Assim como, as empresas do ramo imobiliário começam a fazer seus anúncios com imoveis representados em modelos 3D de alta definição e com alta-fidelidade e realismo (Salvati et al. 2013; Ding 2013; Peng 2015). Neste sentido, entender a evolução urbana em um determinado período de tempo através da análise de trabalhos científicos ajuda no entendimento do crescimento e desenvolvimento local. Assim como, gera a possibilidade de melhor gerenciar o espaço urbano e construir críticas necessárias para uma melhor gestão do território. Sendo assim, o modelo conceptual aqui proposto visa a entender o processo do crescimento urbano do Bairro da Boa Viagem (Figura 1). Este modelo analisa uma seleção de trabalhos realizados a partir da segunda metade da década passada e busca o entendimento da transformação da paisagem urbana da Praia da Boa Viagem em 2D e 3D. Figura 1 Área de estudo, Bairro da Boa Viagem localizado na área costeira da Cidade do Recife, Pernambuco, Brasil. 2. Metodologia Como processo metodológico foi analisado os principais trabalhos científicos desenvolvidos no bairro da Boa Viagem, Recife, Pernambuco, Brasil nos últimos anos. O foco foram os trabalho desenvolvidos por Araújo, 2007, Costa, Araújo, Cavalcanti, 2008, Alves, 2009, Magarotto, 2012 e Magarotto, Tenedório, Costa, Silva Estes trabalhos podem construir um mosaico deste crescimento urbano e a modificação

3 da paisagem da Praia da Boa Viagem nos últimos 70 anos. O estudo abordará as diferentes fases do conhecimento sobre a área de estudo. O interesse está na busca de respostas das questões formuladas no quadro conceptual (Figura 2). Estas questões foram formuladas pelos autores supracitados. Figura 2 Modelo conceptual das fases do conhecimento do desenvolvimento urbano na área de estudo no bairro da Boa Viagem. Neste esquema falta acrescentar e responder a questão volumétrica dos modelos 3D, o impacto, segundo a tipologia do edificado e a diversidade quanto ao uso. Assim como, se o crescimento urbano volumétrico tem relação quanto ao aquecimento urbano local, causando ilhas de calor ou ainda problemas socioambientais incidentes sobre a população local. 3. Resultado Os resultados sobre o desenvolvimento urbano no bairro da Boa Viagem pode ser descrito segundo o conhecimento alcançado em cada estudo realizado. Está área foi protagonista de um abrupto e pouco planeamento do crescimento urbano apoiado pela demanda populacional e, sobretudo, pela especulação imobiliária. Todos os trabalhos mostram que uma praia junto a um grande centro urbano necessita de leis para regular o crescimento dos edifícios e urbanizações, a fim de melhor gerir o espaço e atender as necessidades de planeamento futuro. Neste aspeto, nota-se a praia da Boa Viagem constituída em um local com um complexo arranjo residencial e comercial, com falta de planos urbanos destinados a mudança de perfil tanto a nível de uma praia urbana com bons indicadores de qualidade de uso quanto as condições de vida residencial. Na análise bibliográfica também buscou entender como o planeamento do bairro foi desestimulado e deu lugar a uma complexa forma baseada nas leis sancionadas sempre beneficiadoras de um grupo de interesse (setor imobiliário) transformando, assim, paisagem aprazível da praia. Em uma constatação temporal

4 observa-se que no início da década de 1950, segundo (Araújo, 2007) o bairro foi local de grande interesse para uma população que desfrutava de lindas vistas e de uma praia fabulosa para o banho de mar. Com a entrada na década de 1980 até a década de 1990 a troca do mobiliário urbano passa de moradias de segunda residência à edifícios voltados a residência fixa tornado um padrão vigente no bairro (Costa et al. 2008; Dantas et al. 2007; Alves 2009; Magarotto 2012). Este processo de crescimento vertical tende a se intensificar no período de 2000 até a atualidade com novos edifícios (Magarotto et al. 2014). Esta transformação do mobiliário urbano pode ser representada segundo a Figura 3.

5 Figura 3. Planos urbanos. (a) Representação do bairro da Boa Viagem (b) Projeto Cura Setúbal para o desenvolvimento do bairro, (c) representação parcial em SIG 3D do Bairro da Boa Viagem ano de Nesta representação verifica-se que o processo de desenvolvimento dos planos de desenvolvimento urbano que podem passar de um modelo em 2D para 3D. Neste caso a representação dos dados urbanos podem serem melhores compreendidos e além das medidas tradicionais de extensão em área também pode ser produzidos mapas e gráficos com as medidas de volume. 4. Conclusões Os resultados formam um mosaico e a atualização do modelo SIG 2D para o modelo SIG 3D para melhor entender o espaço urbano. Este método de geração de plano de identificação do edificado em 2D é proposto para gerar dados SIG 3D e modelos urbanos. Esta modificação é amplamente acessível e o exemplo aqui apresentado, indica uma escala linear do método proposto, permitindo novos cenários urbanos em várias escalas de observação. Usando o modelo SIG 3D urbano pode-se demonstrar o crescimento do Bairro da Boa Viagem num período de 70 anos como base os trabalhos desenvolvidos neste bairro e a geração de um modelos em SIG 3D. Estes modelos podem simular a área urbana em expansão em área e densidade em volume, baseada no método de visualização em alta-fidelidade para representar o cenário para além dos modelos em SIG 2D. Estas técnicas são as novas gerações de planos urbanísticos que muitas entidades administrativas em diversos países estão usando. Os dados podem ser atualizados do cadastro urbano existente gerando baixos custos e de fácil interpretação. Neste caso os planos têm bons resultados de resposta para visualização. No geral, o método proposto é significativamente mais realista comparado com os modelos em 2D.

6 3. Bibliografia Adolphe, L., A simplified model of urban morphology: Application to an analysis of the environmental performance of cities. Environment and Planning B: Planning and Design, 28, pp Alves, P.R.M., Valores do Recife. O valor do solo na evolução da cidade. 1st ed. Luci Artes Gráficas, ed., Recife. Araújo, R. de C.B. de, As praias e os dias : história social das praias do Recife e Olinda. 1st ed. Fundação da Cultura Cidade do Recife, ed., Recife. Benhamu, M. & Doytsher, Y., Toward a spatial 3D cadastre in Israel. Computers, Environment and Urban Systems, 27(4), pp Available at: Chen, B., Huang, F. & Fang, Y., Integrating virtual environment and GIS for 3D virtual city development and urban planning IEEE International Geoscience and Remote Sensing Symposium, pp Available at: Chen, R., The development of 3D city model and its applications in urban planning th International Conference on Geoinformatics, pp.1 5. Available at: Costa, M.F. da et al., Verticalização da Praia da Boa Viagem (Recife, Pernambuco) e suas consequências socioambientais. Revista da Gestão Costeira Integrada, 8(2), pp Available at: [Accessed March 11, 2013]. Dantas, R.A., Magalhães, A.M. & Vergolino, J.R.O., Avaliação de imóveis: a importância dos vizinhos no caso de Recife. Economia Aplicada, V. 11(N. 2), pp Available at: [Accessed September 4, 2013]. Ding, C., Building height restrictions,land development and economic costs. Land Use Policy, 30(1), pp Available at: [Accessed June 19, 2013]. Encarnação, S. et al., Cartografia de uso do solo à escala regional com recurso a análise orientada a objecto e segmentação multiresolução., (i), pp Available at: Encarna o-tenedorio- Rocha.pdf [Accessed September 19, 2013]. Harvey, D., The Enigma of capital and the crises of capitalism 1st ed. D. Harvey, ed., London, UK: Profile Books LDA. Lal, D.M. & Pawar, S.D., Effect of urbanization on lightning over four metropolitan cities of India. Atmospheric Environment, 45(1), pp Available at: [Accessed September 17, 2013]. Lemmen, C. & van Oosterom, P., D Cadastres. Computers, Environment and Urban Systems, 27(4), pp Available at: Magarotto, M.G. et al., Methodology for the development of 3D GIS models in the Coastal Zone. Journal of Coastal Research, (70), pp

7 Magarotto, M.G., Sistemas de Informação Geográfica Orientados para o Ordenamento do Litoral. O caso da Boa Viagem Recife - PE - Brasil. Universidade Nova de Lisboa. Peng, W., Application of Computer 3D Simulation in Architectural Art Effect Wei Peng., (Iccset 2014), pp Ranzinger, M. & Gleixner, G., GIS datasets for 3D urban planning. Computers, Environment and Urban Systems, 21(2), pp Salvati, L., Zitti, M. & Sateriano, A., Changes in city vertical profile as an indicator of sprawl: Evidence from a Mediterranean urban region. Habitat International, 38, pp Available at: [Accessed September 17, 2013]. Santos, T., Rodrigues, A. & Tenedório, J.A., Characterizing urban volumetry using lidar data. International Archives of the Photogrammetry, Remote Sensing and Spatial Information Sciences, XL, pp Ying, S. et al., Construction of 3D Volumetric Objects for a 3D Cadastral System. Transactions in GIS, 1, p.22.

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