Andressa Corrêa da Silva REPRODUÇÃO ASSISTIDA: DA REALIZAÇÃO DO PROJETO PARENTAL AO RISCO DA MERCANTILIZAÇÃO DO SER HUMANO

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1 Andressa Corrêa da Silva REPRODUÇÃO ASSISTIDA: DA REALIZAÇÃO DO PROJETO PARENTAL AO RISCO DA MERCANTILIZAÇÃO DO SER HUMANO Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Direito Mestrado, Área de Concentração em Direitos Sociais e Políticas Públicas, Universidade de Santa Cruz do Sul UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Direito. Orientador: Prof. Dr. Luiz Ernani Bonesso de Araújo Santa Cruz do Sul, dezembro de 2007.

2 AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Luiz Ernani Bonesso de Araujo pelo auxílio e orientação deste trabalho, sempre observando com olhar atento as dúvidas suscitadas, fazendo sugestões que enriqueceram o estudo. Agradeço aos demais professores do Mestrado, aos meus colegas e amigos que fiz neste período. E o meu muito obrigada a minha família, pelo apoio, pela confiança, pela paciência e pelo amor que sempre me deram.

3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO AVANÇOS BIOTECNOLÓGICOS NA REPRODUÇÃO HUMANA E O IMINENTE RISCO DA MERCANTILIZAÇÃO DO SER HUMANO O desejo de ser mãe: o papel do filho A maternidade nos séculos XVII e XVIII O mito da maternidade Psicanálise e sua contribuição Evolução feminina e os avanços técnico-científicos auxiliares das mulheres As técnicas de reprodução assistida: auxílio na realização do projeto parental Conceituação de reprodução medicamente assistida Infertilidade: causas e conseqüências Técnicas de Reprodução Medicamente Assistida Inseminação Artificial Transferência intratubária de gametas GIFT Fertilização in vitro Transferência intratubária de zigotos Micromanipulação Incertezas geradas pelo emprego dos procedimentos de procriação assistida e o risco da mercantilização do ser humano Questionamentos advindos com as técnicas de reprodução assistida O risco da mercantilização do ser humano A INDIVIDUALIDADE DO SER HUMANO E O PROBLEMA DOS EMBRIÕES PRODUTOS DAS TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA A proteção jurídica conferida à pessoa no ordenamento jurídico atual Os princípios constitucionais...54

4 2.1.2 Na legislação infraconstitucional Proteção especial e o melhor interesse da criança Quando inicia a individualização do ser humano Os embriões excedentários criopreservados Técnicas de criopreservação Problemas surgidos diante da criação dos embriões excedentário Diagnóstico genético pré-implantação Escolha de características da futura prole Tempo de criopreservação e a destinação dos embriões excedentes REFLEXÕES BIOÉTICA E JURÍDICAS: CONTRIBUIÇÕES PARA A REGULAMENTAÇÃO DA REPRODUÇÃO ASSISTIDA A contribuição dos princípios bioéticos Bioética e seu significado Os princípios bioéticos e sua contribuição para a reprodução assistida Princípio da dignidade da pessoa humana: importância na proteção integral do ser humano Bioética e Direito Bioética, Constituição e princípio da dignidade da pessoa humana Bioética e Constituição Princípio da dignidade da pessoa humana É possível regulamentar as técnicas de reprodução assistida? Reprodução Assistida no Brasil Proteção jurídica do embrião in vitro CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS GLOSSÁRIO...152

5 RESUMO A Bioética surgiu na segunda metade do século XX, devido à problemática instaurada em torno dos avanços da tecnologia biomédica e sua utilização na prática da Medicina. Esses progressos tecnocientíficos proporcionaram ao homem interferir e manipular processos até então considerados naturais, como é o caso da reprodução humana. As técnicas de reprodução medicamente assistida objeto central da presente pesquisa foram desenvolvidas com o objetivo de solucionar o problema de infertilidade de muitos casais, proporcionando a gestação de filhos biológicos. Não obstante, para a obtenção de sucesso por parte das referidas técnicas se mostrou necessário a produção de embriões in vitro em número maior do que poderiam ser utilizados. Assim esses embriões passaram a ter dois destinos, a implantação no corpo da mulher e a conseqüente transformação em bebês, ou a criopreservação e a possibilidade de serem usados como instrumento de pesquisa. Por esses motivos, reacenderam as discussões acerca do início da vida humana, a partir de qual instante esta merece a tutela jurídica e sobre o risco de uma mercantilização do próprio ser humano. Diante desse complexo contexto, deve o Direito discutir acerca da necessidade de uma normatização sobre a utilização da reprodução assistida, tomando por base os princípios bioéticos e o respeito ao princípio da dignidade humana previsto na Constituição Federal de Palavras-chave: reprodução assistida mercantilização do ser humano dignidade da pessoa humana.

6 ABSTRACT Bioethics appeared in the second half of the XX th century, due to problems established around the progresses of the biomedical technology and its use in Medicine. These technoscientific progresses provided man the interference and the manipulation of processes so far considered natural, as it is the case of human reproduction. As the main object of the present work, the techniques of reproduction assisted by Medicine were developed with the purpose of solving many couples infertility problem, providing the biological children's gestation. Despite this, for the obtention of success by such techniques, it was needed the production of in vitro embryos in an amount larger than what could be really necessary. This way, these embryos gained two different destinies: the implantation in the woman's body and the consequent transformation into babies, or the cryopreservation and the possibility of being used as research instruments. For these reasons, discussions concerning the beginning of human life, from which moment it deserves juridical protection on the risk of a buying and selling process involving human beings were some of the relighted questions. Considered this complex context, Law should discuss the need of a standardization regarding the use of the assisted reproduction, taking into account bioethical principles and the respect to the principles of the human dignity foreseen in the 1988 Federal Constitution.

7 INTRODUÇÃO A reprodução assistida surgiu com o intuito de realizar os sonhos e os desejos de milhares de casais que sofrem com o problema da infertilidade, bem como evitar a ocorrência de doenças hereditariamente transmissíveis, capazes de inviabilizar a vida humana. Se, de um lado, o desenvolvimento de tais técnicas trouxe inúmeros benefícios aos casais considerados inférteis, tornando possível o nascimento do filho desejado, de outro lado, fez emergir inúmeras outras preocupações e incertezas para toda a sociedade. Esses progressos colocaram em discussão assuntos relativos ao início e ao valor da vida humana, bem como acerca do poder do homem através da ciência de intervir na mesma, sendo que tais questionamentos precisam ser debatidos de forma ética e ampla pela sociedade e limitados pelo Direito. A reprodução humana passa a ser assistida. A procriação passa a sofrer a intervenção de uma equipe médica, sendo assim, o nascimento de uma criança, o que ocorria de forma aleatória, isto é, conforme a vontade divina, começa a ser rigorosamente planejado pela medicina. Dessa forma, colocam-se em questionamento inúmeros conceitos e situações que antes gozavam de certo grau de certeza por parte da sociedade. A reprodução assistida trata-se de uma temática de extrema relevância, atual e controversa, com implicações imediatas tanto para o Direito como para toda a sociedade, já que traz à reflexão novamente questões éticas sobre a vida humana, seja sobre seu início, seu conceito ou a sua necessária proteção. O objeto deste estudo se coaduna com a linha de pesquisa Constitucionalismo Contemporâneo do Curso de Mestrado em Direito, tendo em

8 vista que, para regulamentar a procriação assistida, é mister buscar fundamentos junto à Constituição Federal de 1988, principalmente ao princípio da dignidade da pessoa humana e aos demais direitos fundamentais. Isso porque também se estará tutelando sobre a pessoa e a família, referenciais relevantes para o texto constitucional. Esta pesquisa apresenta-se relevante para a sociedade, posto que constituirá mais um meio para discussão e reflexão acerca de assuntos que afetam toda a estrutura social em que estamos inseridos. É, para tanto, preciso um amplo debate e a religação dos saberes de diversas ciências para a obtenção de, pelo menos, direções, a fim de que a regulamentação dos procedimentos de procriação assistida ocorra conforme a ética e o texto constitucional, evitando-se a possibilidade de uma mercantilização do ser humano. Com relação à ciência jurídica, da mesma forma, o presente estudo é importante, já que inexiste legislação específica sobre o assunto e o Poder Judiciário já vem enfrentando questionamentos ligados à aplicação da reprodução assistida. Ademais, a bibliografia encontrada na área jurídica, além de não ser muito extensa, é ainda controversa, sendo que a maioria das publicações sobre a medicalização da reprodução humana está direcionada às áreas da Medicina, Biologia e Bioética. A metodologia adotada foi o método indutivo, amparado na teoria sistêmica. O indutivo foi utilizado porque se parte da observação de problemas surgidos ou potencializados pela aplicação das técnicas de reprodução assistida, para, posteriormente, proceder-se à generalização e, dessa forma, propor uma maneira de regulamentar tais procedimentos, atendendo ao projeto parental e aos avanços científicos, mas, ao mesmo tempo, protegendo integralmente o ser humano. A teoria sistêmica se torna importante, posto que as questões trazidas à discussão pela medicalização da reprodução precisam ser pensadas por diversas áreas do conhecimento, incluindo o Direito, bem como por toda a sociedade. Desse modo, é imprescindível que ocorra a comunicação entre as áreas do Direito, da Biologia, da Medicina, da Bioética, da Psicologia e da Filosofia, para poder chegarse a essa regulamentação.

9 Além disso, utilizam-se dados bibliográficos e de mídia, tais como livros e artigos de revistas especializadas, notícias de jornais e outros meios de informação digitalizados e virtualizados, nacionais e internacionais. Para uma melhor compreensão do assunto, dividiu-se em três capítulos este trabalho. Na primeira parte, aborda-se o desejo da mulher de ter filhos e o sofrimento daquelas que convivem com o problema da infertilidade. Também são apresentadas as técnicas de procriação assistida, que vieram a auxiliar a realização do projeto parental, bem como a invasão das técnicas, tanto físico quanto psicologicamente para o casal que se submete a esse tratamento. Há ainda uma preocupação muito grande com a gigantesca indústria de centros de reprodução humana que se formou e o perigo da coisificação do ser humano, tanto dos embriões quanto do casal, que procura a clínica no momento em que se encontra mais fragilizado emocionalmente, em decorrência dos sentimentos de fracasso, causados pela descoberta da infertilidade. No segundo capítulo, tratar-se-á da problemática do embrião excedentário, do questionamento acerca das diversas teorias sobre o início da vida humana, do problema do congelamento de embriões e das possíveis formas de intervenção e manipulação a que ficam submetidos até que se decida pela sua implantação no organismo feminino. No último capítulo, discute-se a forma de compatibilizar interesses conexos como o de formar uma família, e, ao mesmo tempo, que podem se contrapor em determinadas situações, quando o embrião é utilizado como objeto para o desejo de seus genitores de obterem o seu filho biológico. Para tanto, é preciso refletir sobre a necessidade e a importância de uma futura legislação brasileira normatizando essas técnicas de reprodução assistida, tendo como contribuição os princípios bioéticos e como base constitucional o princípio da dignidade da pessoa humana. Esta pesquisa tem o intuito de proporcionar elementos e discussões que colaborem no desenvolvimento deste debate, envolvendo a sociedade em geral e proporcionando também para a adoção de condutas racionais e capazes de ser

10 aceitas pelos diferentes setores diretamente implicados, assim como para a maioria dos indivíduos. Não há aqui o objetivo de fornecer respostas para essas complexas questões sobre a reprodução assistida, mas que possa servir como um estímulo para a reflexão. 1 AVANÇOS BIOTECNOLÓGICOS NA REPRODUÇÃO HUMANA E O IMINENTE RISCO DA MERCANTILIZAÇÃO DO SER HUMANO Os avanços biotecnológicos alcançados no campo da reprodução humana são cada vez mais inacreditáveis, pois vão desde o aperfeiçoamento de medicamentos, ora para evitar a gravidez, ora para auxiliar as mulheres que possuem alguma dificuldade para engravidar; os exames mais modernos que contribuem para diagnósticos mais rápidos e precisos; e, principalmente, o surgimento das técnicas de reprodução assistida que possibilitam que casais inférteis consigam gerar seus próprios filhos. No entanto, essas técnicas também tornaram possível que o ato de procriar, antes atribuído a uma vontade da natureza ou divina, possa ser rigorosamente planejado por uma equipe médica de acordo com a vontade do casal. Além disso, transformou-se em uma área da saúde extremamente lucrativa onde o ser humano tem status de principal objeto. Para trazer à discussão com maior propriedade, importa neste primeiro momento tratar sobre o papel da maternidade para a mulher e o significado que o filho pode ter para ela, bem como conhecer como são as técnicas de reprodução assistida e a que mercado estar-se-ia referindo. 1.1 O desejo de ser mãe: o papel do filho Os conceitos de maternidade, de ser mãe, de ser pai e de ser filho não se restringiram a um único significado, ao contrário, esses conceitos variaram e continuam modificando-se segundo a época e a sociedade em que se está inserido.

11 Com isso, faz-se interessante entender o que representava a maternidade nos séculos XVII e XVIII e a sua evolução até os dias atuais para uma melhor compreensão do que é ser mãe e o papel que o filho desempenha na vida familiar A maternidade nos séculos XVII e XVIII A maternidade, como conceituada hoje, foi proposta em No século XVII e no século XVIII, as crianças viviam, no máximo, em média, cinco ou seis anos sob o teto paterno, sendo que isso não significava o mesmo que sob os cuidados dos pais. Os filhos das classes burguesas e aristocratas sofriam freqüentemente uma falta de cuidados, um abandono moral e afetivo. As mães eram totalmente indiferentes aos filhos e dificilmente ficavam abaladas com o falecimento de algum deles. Constantemente, o destino dessas crianças já estava traçado em três fases distintas. A primeira fase era a colocação na casa de uma ama; a segunda, o retorno ao lar; e, a última, a partida para o convento ou o internato. Logo após o parto, o bebê era entregue à ama-de-leite, geralmente mulheres muito pobres, doentes e mal nutridas. Essas amas percebiam valores baixos para cuidar dessas crianças, então elas eram alimentadas quando convinha à ama, sem horário, bem como sem um mínimo de higiene 192. Pelo prazo médio de quatro anos, as crianças ficavam sob a guarda das amas. Transcorrido esse período, as crianças retornavam à casa de seus pais e eram entregues imediatamente aos cuidados de uma governanta 193 se fossem meninas, e a um preceptor 194, se meninos. O relacionamento entre mãe e filha era distante, 192 BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p A governanta procurava tornar a menina uma pessoa, lisonjeando-a e mimando-a, ensinava-lhe a ler e escrever. A menina ficava sob seus cuidados até aproximadamente os sete anos. Ibidem, p O preceptor substituía a governanta. Ensinava o menino a ler e escrever, bem como algumas palavras em latim, um pouco de história e geografia. Ibidem, p.130. Em outras palavras, os meninos tinham um ensino um pouco diferenciado das meninas, lhes eram repassados mais conhecimento e informação sobre o mundo exterior.

12 podendo ser denominado como uma visita filial de conveniência 195, iniciada e encerrada por um beijo. Para aperfeiçoar a educação, as crianças, em torno dos oito anos de idade, eram colocadas em colégios com internatos para os meninos e os conventos para as meninas. Às meninas, depois que entravam para o convento, só lhe restavam duas alternativas, ou seja, o casamento ou a vida como freiras 196. Nessa época, não havia como falar em amor materno nas classes abastadas. Os pais, no máximo, cumpriam seu dever conforme os valores dominantes da sociedade. No século XVIII, o envio de crianças para a casa de amas de leite se estendeu a todas as camadas urbanas. Da classe mais pobre à mais rica, seja nas pequenas ou grandes cidades, a entrega dos filhos aos cuidados de uma ama foi um fenômeno generalizado. É claro que, diferentemente do ocorrido nas classes ricas, conforme explicitado acima, as mulheres mais humildes, que precisavam trabalhar em fábricas para auxiliar no sustento da família, colocavam os filhos em casa de amas durante o dia, mas iam buscá-los à noite 197. Outro fato que merece ser ressaltado é o alto índice de mortalidade infantil durante esse período, situação que fez com que o Estado passasse a se preocupar com as crianças e a incutir mudanças nos valores e comportamentos da sociedade O mito da maternidade A maternidade, como conhecida atualmente a família fundada no amor materno, foi formulada por Jean-Jacques Rousseau e lançada na obra Emílio ou Da Educação, no ano de Elisabeth Badinter utiliza a expressão visita filial de conveniência. Ibidem, p BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p Ibidem, p As camponesas mais pobres e necessitadas eram obrigadas a abandonar as próprias crianças para amamentar as da cidade. Apesar disso, o mundo camponês representa uma exceção importante, pois prefere conservar os filhos em casa a livrar-se deles.

13 Esse livro é um relato fictício da educação de um menino, o qual projetava uma nova visão da infância e da criança propriamente dita. As crianças eram naturalmente boas, sendo o fator mais importante, levantado por Rousseau, a recomendação para que as próprias mães amamentassem e criassem seus filhos, por isso recriminava aquelas as quais davam preferência a outros interesses. Foi Rousseau quem criou e desenvolveu a noção de um laço vital entre a maternidade e a moralidade, que desde então se tornou a pedra angular da ideologia materna 198. Entretanto, a difusão do mito da mãe perfeita, ressaltado por Rousseau, especialmente no final do século XVIII, aconteceu também em decorrência da criança ter despertado um interesse mercantil perante o Estado. A alta taxa de mortalidade infantil preocupava o governo, haja vista que o nível demográfico da Europa foi considerado em queda por muitos filósofos e fisiocratas, ensejando um medo no desaparecimento da população européia. O ser humano tornou-se elemento central para o Estado tanto por produzir riquezas quanto por ser uma garantia de poder militar 199. Esse mito da maternidade consiste na completa devoção aos filhos e ao papel de mãe. A mãe perfeita é aquela que compreende os filhos, que presta amor incondicional e se entrega totalmente, fazendo todos os sacrifícios necessários. Além disso, deve ser fértil e ter instinto maternal, sendo ela a única pessoa capaz de cuidar corretamente de seus filhos. Essa mãe incorpora todas as qualidades associadas à feminilidade, por exemplo, o acolhimento, a ternura e a intimidade 200. Nesse conceito abordado de mãe perfeita, interessa mais detalhadamente explicitar dois aspectos de suma importância, quais sejam, o primeiro relacionado à questão da (in)fertilidade, e o segundo concernente ao instinto maternal. 198 FORNA, Aminatta. Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães. Tradução de Ângela Lobo de Andrade. Rio de Janeiro: Ediouro, p BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p FORNA, op.cit., p. 11.

14 Desde as épocas mais remotas, a infertilidade foi considerada um fator negativo, ligada, portanto, à noção de mal, sendo a mulher infértil 201 vista como um ser maldito, a qual deveria ser afastada do convívio social. Em posição oposta, a fertilidade estava vinculada à noção de bem e apreciada com intensa benevolência. O nascimento dos filhos sempre trouxe consigo noções de fortuna, prazer, alegria, privilégio e dádiva divina 202. A influência de diversas religiões, principalmente da Igreja Católica 203, contribuiu para o caráter de divindade à reprodução humana. A fertilidade era uma manifestação da vontade de Deus, sendo que não era permitido ao homem contestá-la. Até o final do século XV, a responsabilidade com relação à concepção sempre coube a mulher, a infertilidade feminina era tida como uma grave deformidade biológica, bem como uma repreensão divina, já que a mulher não era merecedora da benção de procriar. Essa infertilidade, da mesma forma, colocou a mulher em uma posição de inferioridade, sofrendo forte discriminação 204. No que tange à infertilidade masculina ou mesmo à do casal, essa só passou a ser admitida no século XVII. Em 1677, Johann Ham afirmou que a infertilidade, muitas vezes, ocorria devido a ausência ou escassez de espermatozóides 205. Para os homens, a infertilidade é assunto difícil de ser aceito, pois, mesmo diante dos 201 Eduardo de Oliveira Leite utiliza o termo esterilidade ao invés de infertilidade em sua obra Procriações artificiais e o direito: aspectos médicos, religiosos, psicológicos, éticos e jurídicos, sendo que a diferença apresentada pelo autor será vista no subcapítulo 1.2 do presente trabalho. Entretanto, optou-se por utilizar a expressão infertilidade, conforme conceituada pela Organização Mundial da Saúde, a fim de manter uma uniformidade no corpo dessa pesquisa. A Organização Mundial da Saúde define a infertilidade como a ausência de concepção natural depois de pelo menos um ano de encontros sexuais periódicos sem proteção anticoncepcional. 202 LEITE, Eduardo de Oliveira. Procriações artificiais e o direito: aspectos médicos, religiosos, psicológicos, éticos e jurídicos. São Paulo: Revista dos Tribunais, p O documento mais antigo sobre a atitude da Igreja face à inseminação artificial homóloga data de 24 de março de 1897, tendo a Sagrada Congregação do Santo Ofício se manifestado contrária ao referido procedimento. Em outras ocasiões, a Igreja se posicionou a respeito da matéria sempre negando a possibilidade, entretanto as declarações mais importantes foram aquelas realizadas pelo Papa Pio XII, especialmente em 1949, 1951, 1956 e Em 1949, o Papa Pio XII afirmou ser essa fecundação imoral, devendo a prole concebida nestas condições ser considerada ilegítima. Ibidem, p PEDROSA NETO, A. H.; FRANCO JÚNIOR, J. G.. Reprodução Assistida. In: COSTA, S. I. F.; OSELKA, G.; GARRAFA, V. (Coords.). Iniciação à bioética. Brasília: Conselho Federal de Medicina, p p LEITE, op.cit., p. 18.

15 conhecimentos científicos, ainda persiste no inconsciente ou, às vezes, no consciente masculino a confusão entre a virilidade e a fertilidade estarem atreladas, ou seja, em várias oportunidades, o homem, quando é diagnosticado como infértil, começa a questionar e a colocar em dúvida a sua virilidade. No momento em que o casal decide ter filhos e esse desejo não é preenchido, inicia um processo de diversos sentimentos, como angústia, fracasso, culpa, raiva, obsessão, dentre outros, dependendo de cada casal a intensidade com que esses sentimentos são vivenciados e tratados. A infertilidade, seja feminina, seja masculina, afeta a estrutura psíquica do casal e não apenas daquele que é diagnosticado com a dificuldade para conceber o filho, sendo importante a forma como os dois lidam com a situação, a qual pode ser agravada muito por fatores emocionais. Nesse mesmo sentido está o pensamento de Cabau e Senarclens, conforme preleciona Pedrosa Neto e Franco Júnior [...] é grande o número de fatores subconscientes que determina o desejo por um filho. O filho sempre existiu, de forma ou de outra, nas fantasias do homem e da mulher. Por isso mesmo torna-se insignificante determinar se a infertilidade é causada pela mulher, a descoberta atinge a ambos e afeta o equilíbrio do casal 206. De outra parte, não se pode esquecer de que tais sentimentos não permanecem restritos ao casal, mas envolvem seus familiares e a própria sociedade, que é a grande fixadora de papéis, a qual continua impondo padrões de comportamentos a serem cumpridos, tanto dentro quanto fora das relações familiares e conjugais 207. Seguindo esse raciocínio relativo ao desejo de ter filhos, acrescemos o fator natural, o denominado instinto materno, referido por Leite com muita propriedade 206 CABAU A.; SENARCLENS M. apud PEDROSA NETO, A. H.; FRANCO JÚNIOR, J. G.. Reprodução Assistida. In: COSTA, S. I. F.; OSELKA, G.; GARRAFA, V. (coord.). Iniciação à bioética. Brasília: Conselho Federal de Medicina, p p LEITE, Eduardo de Oliveira. Procriações artificiais e o direito: aspectos médicos, religiosos, psicológicos, éticos e jurídicos. São Paulo: Revista dos Tribunais, p

16 O desejo de filiação é inato à natureza humana. Desde a infância até a velhice o homem espera perpetuar sua espécie através dos filhos. O fantasma mais profundo da criança, qualquer que seja seu sexo (menino ou menina) é obter o poder de ter um filho, isto é, de possuir o poder do casal e, em todo caso, da mãe. Trata-se, pois, nem tanto de ter uma criança real, mas o de possuir o poder de gerá-la e, então, de se identificar à mãe na plenitude do seu absoluto 208. Desse modo, primeiramente é preciso esclarecer o conceito de instinto. Para tanto, deve-se citar a definição do dicionário Michaelis: Estímulo ou impulso natural, involuntário, pelo qual homens e animais executam certos atos sem conhecer o fim ou o porquê desses atos. Outra definição de suma importância é a do Larousse, do século XX (edição de 1971) citado por Badinter, o qual descreve o instinto materno como uma tendência primordial que cria em toda mulher normal um desejo de maternidade e que, uma vez satisfeito esse desejo, incita a mulher a zelar pela proteção física e moral dos filhos 209. Ou seja, pelos conceitos explicitados, o desejo de poder ter filhos, de exercer a maternidade, faz parte da natureza de toda mulher, é instintual. Poder-se-ia dizer também que é natural pelo próprio corpo, organismo feminino, aquele preparado anatomicamente para a geração de outro ser. Observando o defendido por Leite anteriormente, quanto ao instinto materno, não se pode deixar de notar que o autor insere, de certa forma, o contexto cultural, quando afirma que desde a infância até a velhice o homem espera perpetuar sua espécie através dos filhos. Dessa maneira, relembra o autor outras afirmações feitas na mesma obra, sobre como desde criança de tenra idade se é doutrinado para a necessidade e a importância de ser mãe, pois somente respeitando esse modelo a família estaria completa. Ademais, diz Leite que não se trata de ter a criança, mas é muito mais uma necessidade de dispor do poder de ter o filho, portanto, atendendo também aos preceitos religiosos de Crescei-vos e multiplicaivos. 208 Ibidem, p BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p

17 Diante disso, resta indagar se a maternidade seria só instinto, só a natureza exigindo-a da mulher? Ou seria apenas aspectos culturais de uma sociedade com determinados padrões pré-estabelecidos e que devem ser obedecidos? Ou, por último, seria a maternidade instinto e cultura, agindo concomitantemente dentro de determinado contexto social, conforme os padrões estabelecidos? Psicanálise e sua contribuição A mãe do século XX, além de desempenhar todas as tarefas consideradas para ser uma boa mãe tempo integral dedicado à criança, amor incondicional, ternura, educação, saúde, arcaria com mais uma responsabilidade, qual seja, o inconsciente 210 e os desejos do filho. Com o advento da Psicanálise, a mãe também será a pessoa responsável pela felicidade de seus filhos, assim como se torna a personagem central da família. A descoberta do inconsciente mostra que ele era formado durante a infância. Os psicanalistas foram levados a pensar, durante muito tempo, que uma criança afetivamente infeliz seria filho ou filha de uma mãe má. Idéia rechaçada atualmente pela maioria dos psicanalistas. Do ponto de vista da Psicanálise, para que uma mulher possa ser chamada de boa mãe, é preferível que ela tenha experimentado, em sua infância uma evolução sexual e psicológica satisfatória, junto de uma mãe também relativamente equilibrada 211. Cento e cinqüenta anos depois da publicação da obra Émile, escrita por Rousseau, Freud não só tornou maior a essencialidade atribuída à mãe, como medicalizou o problema da mãe má. Segundo Badinter, os dois discursos se 210 Inconsciente é o adjetivo utilizado por vezes para exprimir o conjunto dos conteúdos não presentes no campo efetivo da consciência. No quadro da primeira teoria do aparelho psíquico de Freud, este define o inconsciente como sendo constituído por conteúdos recalcados aos quais foi recusado o acesso ao sistema pré-consciente-consciente pela ação do recalque. LAPLANCHE, Jean. Vocabulário de psicanálise. Laplanche e Pontalis: sob a direção de Daniel Lagache; tradução Pedro Tamen. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, p BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 295.

18 superpõem tão bem que a angústia e a culpa materna nunca foram tão grandes como no século XX 212. Sigmund Freud descreve a imagem da mulher normal e, em contrapartida, uma representação da anormal a partir da evolução sexual e psicológica. De acordo com o renomado psicanalista, a criança transforma-se em mulher a partir de dois grandes períodos, isto é, o primeiro caracterizado pela bissexualidade, em que a menina partilha com o menino; e, o segundo, relacionado com a evolução própria do seu sexo 213. Resumidamente, a teoria freudiana defende que o menino possui inicialmente um grande amor pela mãe, sendo que ela continuará sendo o objeto de amor até o momento em que ele a substitui por alguém que se lhe assemelhe ou dela se derive. Esse amor sentido pela mãe logo será acompanhado de um sentimento de ciúmes e rivalidade com o pai. Dessa forma, organiza-se a relação triangular, denominada Complexo de Édipo 214. Quando o menino descobre o órgão feminino, ocorre o medo da castração. Essa angústia da castração promove o desaparecimento do Complexo de Édipo e incita a criação do superego. O menino se aproxima do pai que representa a lei e o mundo exterior, assim encerrando uma das fases essenciais à formação do adulto masculino 215. A evolução da menina é mais complexa. Ela conhece uma fase pré-edipiana, experimenta como o menino os sentimentos libidinosos pela mãe. A mãe é igualmente o seu primeiro objeto. A figura paterna também é considerada por ela 212 Ibidem, p FREUD, Sigmund. Obras Completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Rio de Janeiro: Imago, 1996 ( ), v. XXI, p No desenvolvimento feminino, ocorre um processo de transição de uma fase para a outra, não existente de forma análoga no homem. 214 Consultar obras: Ibidem, p Idem. Obras Completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Rio de Janeiro: Imago, 1996 ( ), v. XXII. p Ibidem, p.159.

19 como um rival constrangedor, embora a hostilidade que sente seja menor que a do menino 216. No momento em que a menina descobre a castração, relativamente, dos órgãos genitais do outro sexo, e ela percebe a diferença, reconhecendo toda a sua importância, ela vivencia essa diferença como um sinal de inferioridade. As meninas costumam culpar a mãe pela falta do pênis nelas e não as perdoam por terem sofrido essa desvantagem. Ainda, conforme Freud, mesmo depois que a menina perde toda a esperança de ter um pênis, esse desejo persiste por muito tempo em seu inconsciente 217. O amor da menina dirigia-se a uma mãe fálica e não a uma mãe castrada. Ao descobrir a castração, a menina afasta-se da mãe e aproxima-se do pai. Explica Freud que essa aproximação com o pai tem a ver com o antigo desejo de possuir o falo. Em outras palavras, como a mãe lhe recusou essa satisfação ela espera obtê-la através do pai. Mas o processo da menina para tornar-se mulher somente se conclui quando o desejo do pênis é substituído pelo desejo de ter um filho 218. Com isso, a teoria freudiana contribuiu expressivamente com a teoria desenvolvida por Rousseau, quando confirma que o processo de passagem de menina para mulher normal somente se completa no momento em que ela substitui a busca do falo pelo desejo de ter um filho. Dessa forma, a mulher considerada normal é aquela que possui a necessidade de ser mãe, ela se completa através do filho. Influenciado pelas idéias freudianas, o também renomado psicanalista Winnicott enfatizava a ternura e o amor em vez de regras, horários e racionamentos. Para ele não existe um bebê, mas uma unidade mãe-bebê. Winnicott foi, do mesmo 216 FREUD, Sigmund. Obras Completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Rio de Janeiro: Imago, 1996 ( ), v. XXII. p ; FREUD, Sigmund. Obras Completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Rio de Janeiro: Imago, 1996 ( ), v. XXI. p FREUD, Sigmund. Obras Completas de Sigmund Freud. Ed. Standard Rio de Janeiro: Imago, 1996 ( ), v. XXII. p Ibidem, p Com a transferência, para o pai, do desejo de um pênis-bebê, a menina inicia a situação do Complexo de Édipo.

20 modo, quem cunhou a expressão mãe suficientemente boa, sendo que, para atender a todas as exigências trazidas por esse conceito, não é nada fácil, A mãe precisa ter uma paciência de santa, abnegação, auto-sacrifício e capacidade para encontrar satisfação nas tarefas mais prosaicas da maternidade. Tem que ficar encantada com cada fralda cheia, cada arroto ou pum, cada vez que acorda no meio da noite. O amor é tudo [...] e não seria pedir muito porque, para ele, as mulheres são assim mesmo, isso é simplesmente parte da natureza feminina 219. Todavia, apesar de todas as mudanças sofridas pela sociedade desde as teorias freudianas e da apresentação de outras diversas teorias criticando Freud, a maternidade continua sendo vendida para as futuras mães da mesma maneira. Além disso, as mães de hoje ainda arcam com uma lista de deveres crescente, cada vez mais exigente de comportamentos, atitudes e cuidados que devem despender com seus filhos. De outro lado, deve-se ter presente a díade originária mãe/filho, a qual pode se tornar patogênica após certo período. O bebê tem necessidade biológica da mãe no início da vida, mas seu prolongamento indevido é um obstáculo ao desenvolvimento da criança. Uma vez que a mãe, sendo patogênica ou não, o pai deve interferir em determinado momento nessa relação e substituir a díade original pela relação triangular. A criança precisa interiorizar a lei paterna para poder ter um eu autônomo e tornar-se um sujeito independente para enfrentar o mundo exterior 220. A mãe, a partir do sexto mês de gestação, já marca as primeiras impressões sensoriais no bebê, por sua vez, o pai o ingressará no registro paterno depois de apresentado pela mãe, em torno do sexto mês após o nascimento. Essa representação paterna permite o acesso ao simbólico, à lei. A criança precisa dessa 219 FORNA, Aminatta. Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães. Tradução de Ângela Lobo de Andrade. Rio de Janeiro: Ediouro, p BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 319.

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