ESCOLA SECUNDÁRIA DA RAMADA

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1 ESCOLA SECUNDÁRIA DA RAMADA MANIPULAÇÃO GENÉTICA Aluna n.º 10, Nádia Leonardo, do 11º H Disciplina de Filosofia Professor Dr. António Trindade. Data de Entrega: Março de

2 ÍNDICE Índice Introdução Desenvolvimento A ciência O poder e os riscos da ciência A bioética O que é a bioética? Origem e evolução Os progressos da bioética e os problemas éticos Princípios da bioética O direito na bioética Eutanásia O que é a eutanásia? Os novos valores morais e os avanços da medicina Um olhar sobre a eutanásia Algumas questões relativas à eutanásia Os que defendem e os que contestam a eutanásia Inseminação artificial Clonagem Os clones humanos A ética e a clonagem A ética da clonagem segundo Harris Conclusão Bibliografia

3 INTRODUÇÃO As sociedades contemporâneas herdaram e criaram novos problemas de natureza ética que não nos podem deixar indiferentes. Uns dos grandes problemas são os relacionados com as actividades técnico-científicas. A ciência, o poder e os riscos a ela associados são os temas que vou desenvolver neste trabalho. Na realização deste trabalho tenho como objectivo demonstrar o seguinte: - A ciência e a tecnologia mudaram o mundo. - A ciência tem coisas boas e coisas menos boas. Um aspecto positivo da ciência foi o facto de possibilitar uma melhoria muito significativa da vida da grande parte da humanidade. Porém, não parecem existir limites para o desenvolvimento da ciência e da técnica. Aquilo que era antes impensável tornou-se hoje banal: manipulações genéticas, clonagem de seres, inseminação artificial, morte assistida, etc. Valores tidos como sagrados são agora quotidianamente esmagados por experiências científicas. A importância deste tema para a disciplina na actualidade é fulcral no sentido em que estimula a discussão sobre os desafios que a ciência propõe à ética. Esta discussão é fundamental uma vez que permite tomar consciência do vertiginoso avanço da ciência e da técnica, o que remete, necessariamente, para a questão dos limites éticos da ciência. Neste trabalho vou começar por falar sobre a ciência com o propósito do leitor localizar-se no contexto do tema. De seguida falarei sobre o trabalho propriamente dito, o poder e os riscos da ciência, que é a essência do trabalho. Depois vou explicar a grande importância da bioética, a qual não podia deixar de referir pela sua característica reguladora da ciência. Para melhor compreender o tema da bioética explicarei o que é a bioética, a sua origem e evolução, progressos, problemas, princípios e por fim, o direito na bioética. Como temas exemplificativos da bioética vou falar da eutanásia, da inseminação artificial e da clonagem. Relativamente à eutanásia, tenho como sub temas: o que é a eutanásia, os novos valores morais e os avanços da medicina, um olhar sobre a eutanásia, algumas questões relativas à eutanásia, e os que defendem e contestam a eutanásia. Quanto à clonagem vou falar dos clones humanos e das questões éticas levantadas pela clonagem. Com a clonagem dou como terminado o desenvolvimento do trabalho. 3

4 A ciência A ciência está tão fortemente implementada nas nossas vidas que dificilmente nos conseguimos imaginar viver sem ela. Quase tudo o que nos rodeia actualmente é fruto da investigação cientifica. Fazemos uso do resultado prático da ciência sem que para isso tenhamos conhecimento dos princípios que estão por detrás dela. Mas o que é realmente a ciência? O que faz uma descoberta ou um estudo ser considerado de carácter cientifico? A ciência é algo que se atinge através da teorização de problemas e da experimentação, mas apenas a experimentação pode validar um facto como sendo cientificamente correcto, este facto permanece válido até que outro experimento prove/demonstre o contrário. O grande desenvolvimento da ciência começou na Europa nos séculos XIX e XX. Actualmente é universal e está ao alcance para todas as culturas. Para a cultura grega a ciência tinha um significado diferente do da actualidade. Houve uma evolução da concepção saber pelo saber para saber pelo poder, a ciência é agora encarada como um negócio e a sua evolução está condicionada pelos interesses imediatos do homem. 1 1 Fátima Aleixo; José Cruz, Introdução à Filosofia. Conhecimento científico/realidade e verdade/o sentido da existência. Mem Martins, Edições Sebenta, 7 pp. 4

5 O poder e os riscos da ciência «De entre a reflexão sobre a ciência e a técnica avulta naturalmente a discussão sobre o poder e os riscos da tecnociência.» A sociedade contemporânea pode caracterizar-se pelo seu avanço tecnológicocientífico, presente nas mais insignificantes actividades do dia-a-dia. Porém, os riscos do progresso científico são inúmeros. As profundas transformações sociais, culturais e científicas das nossas sociedades colocaram novos problemas éticos, o que «levou a que se colocasse a questão de saber "se tudo o que tecnicamente se pode fazer, se deve eticamente realizar"; isto é, até que limites deverá avançar o conhecimento e as aplicações tecnológicas?» Contudo, não nos podemos esquecer que as vantagens da ciência são imensas. O poder que a ciência e a técnica puseram nas nossas mãos permite-nos realizar muitos dos nossos sonhos. Hoje o avanço científico alcançou um nível que nos permite resolver problemas que a humanidade tem vindo a sofrer ao longo de muitos anos, como por exemplo, a eliminação da pobreza e da miséria assim como a cura de doenças e da morte prematura. E, da mesma forma que podemos mudar a nossa realidade presente, podemos também projectar e construir o nosso futuro. Não parecem existir limites para o desenvolvimento da ciência e da técnica. Aquilo que era antes impensável tornou-se hoje banal: manipulações genéticas, clonagem de seres, inseminação artificial, morte assistida, etc. É importante «alertar para a responsabilidade dos cientistas e para os limites da sua actividade». Hoje, podemos comprovar que a ciência pode dar-nos bem-estar, mas também pode trazer consigo violência, destruição, morte, etc. Exemplo disto, são as duas grandes guerras mundiais. O imenso poder alcançado pelo homem através da ciência pode levá-lo ao triunfo ou á sua destruição. Outras consequências negativas do enorme poder da ciência são: a degradação do ambiente e a produção industrial desenfreada. «A produção industrial levou a tais excessos que hoje várias espécies estão extintas e o equilíbrio global do planeta azul está posto em causa pela intervenção desenfreada do homem.» «A reflexão critica sobre a orientação e controle ético da ciência e da técnica é hoje uma necessidade reconhecida. Exige-se uma reflexão urgente que determine códigos de moral da ciência e que oriente o desenvolvimento tecnológico para metas socialmente aceites, e que a sociedade considere prioritárias. Esta reflexão não poderá ser no sentido de limitar o direito ao conhecimento e à pesquisa científica, mas não poderá deixar de apelar à necessidade da existência de códigos éticos que garantam o respeito pelo ser humano, a vida e a diversidade de espécies do planeta.» Há uma forte ligação da ciência e da tecnologia com a política e a economia. O grau de desenvolvimento tecnológico de uma sociedade depende do grau de riqueza dessa sociedade. A evolução da ciência obedece a estratégias de ordem política e social. É o Estado, em última análise, que incentiva ou impede o trabalho do cientista, que estabelece um plano prioritário de investigação científica 5

6 «Os maus usos da ciência e os perigos dalgumas aplicações trouxeram para a ordem do dia um ar de desconfiança e um certo receio alarmista quanto ao papel da ciência. A consciência dos riscos e dos perigos das más aplicações tecnológicas não pode, porém, levar a uma posição irracionalista e anticientífica, que não avalia o papel fundamental da ciência nos nossos dias.» 2 «Ciência e consciência, ou técnica e ética têm de estar de mãos dadas.» 3 2 Fátima Aleixo; José Cruz, Introdução à Filosofia. Conhecimento científico/realidade e verdade/o sentido da existência. Mem Martins, Edições Sebenta, 54 pp. 3 Ibidem. 6

7 A Bioética O que é a bioética? Etimologicamente, a palavra biótica deriva dos termos bios (vida) e ethos (costumes, hábito). «Estudo dos problemas éticos colocados perante as intervenções da medicina; estudo sistemático das dimensões morais, das ciências da vida e atenção à saúde, utilizando uma variedade de metodologias éticas num cenário interdisciplinar.» «No aspecto sócio cultural, nasce da sensibilidade moral crítica dos movimentos sociais dos anos 60, que questionam as normas e valores absolutos, herdados da tradição, em nome de princípios dependentes do contexto da vida concreta e adaptados ao pluralismo das sociedades secularizadas. No aspecto epistemológico-metodológico, constitui-se como "diálogo" entre várias competências disciplinares, capaz de enfrentar criticamente os conflitos que surgem, nas sociedades secularizadas contemporâneas, entre os processos do saber-fazer tecnocientífico (em particular o biomédico) e a sensibilidade ética.» 4 4 Lexicon Dicionário de filosofia (http://ocanto.webcindario.com/lexb.htm#bioetica), consulta em

8 Origem e evolução A evolução científica colocou o Homem perante grandes dilemas, o que se pode e o que se deve fazer tornou-se a questão imperativa. Quando esta questão é levantada, certos valores morais, éticos e religiosos são postos em causa. «Em decorrência dessa problemática a Bioética surge como um ramo da filosofia que trata as questões referentes à vida do homem. É a ética da vida, reflectindo sobre questões surgidas com o progresso científico.» São exemplos de temas bioéticos: o aborto, a eutanásia, etc. No tema do aborto levantam-se questões como a de saber se o embrião é ou não um indivíduo estando em jogo o direito à vida e o direito de autodeterminação sobre o próprio corpo. Na eutanásia, que princípios legitimam a sua proibição por via legal e a sua identificação com o homicídio? Em todos os casos, está presente a escolha entre o bem e o mal (as implicações morais). 5 5 António Soares Carneiro, et al., Eutanásia e distanásia. A problemática da Bioética (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1862), consulta em

9 Os progressos da bioética e os problemas éticos O biólogo norte-americano Renselaer Potter foi quem utilizou pela primeira vez o termo bioético, em Este termo foi utilizado para abordar as questões éticas levantadas em torno das ciências biológicas. É notório o crescimento da bioética ao longo dos tempos, este crescimento é acentuado com o rápido desenvolvimento das pesquisas da genética na actualidade. Na década de 90 destaca-se a discussão ética dirigida às manipulações genéticas, apesar do estudo da bioética ser mais amplo. É no século XXI que se verifica este contexto amplo da bioética. A bioética obriga-nos a repensar nas questões relacionadas com a vida, coloca-nos sobre uma importante decisão entre as escolhas boas e as más. 6 Até ao século XX as experiências médicas eram muito limitadas, foi neste século que começaram a surgir os problemas éticos com grande intensidade. O século XX foi marcado por enormes progressos ao nível das ciências médicas, estes progressos só foram possíveis devido ao crescente interesse económico. Na primeira metade deste século, milhares de seres humanos foram mortos em experiências médicas na Alemanha durante o domínio nazi. Na segunda metade do século XX, os avanços da ciência fizeram com que alguns seres humanos fossem usados como cobaias. O extraordinário progresso da ciência fez com que, por exemplo, muitas indústrias ligadas às áreas da saúde tivessem um enorme crescimento, e consequentemente obtinha-se bastante dinheiro. Devido à ânsia pelo dinheiro, muitas experiências passaram a ser feitas com a única finalidade de obter fama e lucros. «As "doenças" passaram a ser um dos negócios mais lucrativos do mundo, facto que só por si alterou radicalmente as relações entre o médico e o doente.» Verifica-se então uma alteração da prática da medicina, assim como a própria relação do homem com a ciência. Tornou-se difícil conciliar a evolução da ciência com o respeito pela vida humana. A bioética debruça-se sobre os problemas gerados desta difícil relação. 7 6 Manuella Bassetti Fracaro, Genética. Engenharia Genética (http://orbita.starmedia.com/~rhg72/2d32.htm), consulta em Carlos Fontes, Bioética. Navegando na Filosofia. (http://afilosofia.no.sapo.pt/10nprobleticosbio.htm), consulta em

10 Princípios da bioética As questões éticas e morais nem sempre conseguiram acompanhar a evolução das ciências tecnológicas relativas à vida, desta forma foram criados princípios informadores da bioética. Os princípios éticos informadores da bioética são: Princípio da Autonomia; Principio da beneficência; Princípio da Justiça. Princípio da Autonomia «Também conhecido como princípio do respeito às pessoas, o qual está intimamente ligado ao conceito da dignidade humana.» Diz-se que uma pessoa é autónoma quanto esta consegue deliberar sobre os seus objectivos pessoais, o que significa ser governado por si próprio. Desde de que uma pessoa tenha pleno conhecimento da sua situação e esteja livre de qualquer influência, esta deve ser respeitada independentemente das suas crenças ou convicções a partir do momento em que as suas acções não tragam prejuízo para outrem. A autonomia está intimamente relacionada com o conceito de liberdade aliado à capacidade de agir intencionalmente. Princípio da Beneficência O princípio da beneficência visa atribuir responsabilidades éticas a todas as pessoas cujo poder lhes foi atribuído pela ciência por forma auxiliar e beneficiar todos os que precisem. A responsabilidade dos médicos para com os seus pacientes é um exemplo do exposto atrás, as suas acções procuram maximizar o bem e minimizar o mal. Princípio da Justiça Numa situação com dois pacientes e recursos limitados. Quais os critérios a usar para dividir os recursos? O princípio da justiça é aqui empregue no sentido de avaliar a forma como estes dois pacientes vão ser tratados. Este princípio contempla as pessoas segundo as suas necessidades, virtudes, méritos, esforço individual, sua contribuição à sociedade, etc. 8 8 António Soares Carneiro, et al., Eutanásia e distanásia. A problemática da Bioética. (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1862), consulta em

11 O direito na bioética A ciência parece estar sempre um passo à frente dos problemas gerados por ela própria. As mentalidades e os seus respectivos conceitos morais, parecem não evoluir ao mesmo ritmo que a ciência evolui. Este desfasamento é gerador de muitas controvérsias ao nível ético, moral, religioso e político. De todas as áreas da ciência, nenhuma é tão perturbadora quanto aquelas que tentam manipular a vida humana. Os avanços da ciência, visão sempre a melhoria da qualidade de vida do ser humano. Mas nem sempre este ponto de vista é aceite pela generalidade. Por um lado temos o avanço científico, por outro, temos a preservação do que é moralmente aceite até então. Mais do que nunca, estamos a entrar numa nova escala de valores éticos e morais versus verdades científicas que não admitem retrocessos. Exemplos são: «A inseminação artificial heteróloga (fecundação da mulher casada com sémen que não é do marido); o contrato ''barriga de aluguer; a inseminação artificial em mulheres solteiras; a aquisição de sémen em bancos de esperma com catálogos para a escolha do doador (levando-se em conta suas características físicas como a cor dos olhos, da pele, dos cabelos e até o quociente de inteligência); a fertilização in vitro; o congelamento de embriões humanos excedentes, ou seja, que sobraram quando da prática da inseminação artificial. Além dessas questões, existem as pesquisas científicas com células-tronco extraídas de embriões humanos e a técnica da reprodução.» «São relevantes as situações e as consequências jurídicas que advêm desses avanços da ciência, como a gestação de embrião de pai e mãe já falecidos. Parece existir até mesmo técnica capaz de elaborar a divisão de um embrião em dois, podendo um ser fecundado e o outro, gémeo artificial, congelado para ser posteriormente implantado e gerado ou mesmo para servir como banco de órgãos para o primeiro. E, segundo as novas técnicas, um embrião poderá chegar a ficar por mais de cem anos congelado e ser implantado quando não existirem mais parentes seus com vida. É possível ainda, seleccionar os melhores e mais qualificados embriões para descartar ou congelar os menos favorecidos; ou extrair células de um embrião para produzir um ovário capaz de ser fecundado para gerar um filho de quem, sequer, existiu. Parece inquestionável que muitos desses procedimentos ferem os princípios da ética nos campos da medicina, da moral, da filosofia e do direito.» Toda a comunidade científica e médica aguarda pela definição de regras bioéticas que lhes permitam o avanço científico e ainda assim, a preservação do referencial ético e moral existentes no estágio cultural em que nos encontramos. 9 9 Glória Queiroz, O direito na bioética. Jornal do Brasil, Novembro, (http://agenciact.mct.gov.br/index.php?action=/content/view&cod_objeto=21998), consulta em

12 Eutanásia O que é a eutanásia? «Pode ser definida como um acto voluntário de uma pessoa que sofrendo de uma grave enfermidade e não vendo dignidade nem sentido para a sua vida, decide pedir a alguém que a mate. As situações mais referidas reportam-se a pacientes que estão totalmente dependentes nas suas funções mais elementares, sofrem de grandes dores ou têm a perspectiva de uma morte muito dolorosa. Este tipo de eutanásia designa-se também "eutanásia voluntária", para a distinguir de um outro tipo de eutanásia dita "involuntária". Neste caso a decisão sobre a morte de alguém é tomada pela família, um médico ou mesmo um tribunal. Tratam-se do caso de pessoas que estão internadas em hospitais ou estão imobilizadas em casa, e cuja vida é mantida apenas por processos 10 artificiais e não revelam sinais de possuírem auto-consciência.» 10 Carlos Fontes, Eutanásia. Navegando na Filosofia. (http://afilosofia.no.sapo.pt/10nprobleticoseut.htm), consulta em

13 Os novos valores morais e os avanços da medicina O olhar sobre a morte foi-se alterando ao longo do tempo. Em tempos, quando a medicina não apresentava uma solução para a vida, a morte era vista como a única solução plausível. Com o avanço da medicina, práticas antes aceites ou toleradas, como a eutanásia, são agora vistas como atentados à vida, adquirindo um carácter criminoso. O objectivo actual da medicina é prolongar a vida humana a todo custo. A desculpa de não haver tecnologia disponível não serve para por termo à vida, é necessário uma ética para preencher essa tecnologia indisponível. «A evolução das sociedades humanas tem sido feita no sentido de preservar a vida humana, independentemente das condições do seu ser. Cada pessoa é única e tem a sua própria dignidade e como tal deve ser respeitada.» Com a ideologia de uma morte digna, as famílias já admitem o direito de decidir sobre o destino de seus doentes incuráveis e torturados pelo sofrimento físico. Afirmações como incurável, proximidade de morte, perspectiva de cura, prolongamento da vida, etc., são afirmações muito relativas, cuja credibilidade depende da sua fonte e por isso não devem ser usadas como objecto de decisão por parte das famílias ou médicos Genival Veloso de França, Eutanásia: direito de matar ou direito de morrer (http://www.bioetica.ufrgs.br/eutange.htm), consulta em

14 Um olhar sobre a eutanásia O termo eutanásia vem das palavras gregas eu e thanasia, podendo ser traduzido como boa morte ou morte apropriada, é a pratica de por termo à vida sem dor ou sofrimento às pessoas que estão numa situação clínica bastante dolorosa e irreversível. «É muito fácil fazer juízos de valor sobre se a vida é ou não um bem para alguém, todavia o seu fundamento é difícil de encontrar. Com que fundamento definimos a vida como um bem ou uma dádiva?» A resposta a esta questão é simplificada se partirmos do pressuposto que não existe nada para além da morte. A questão é agora definir se a existência, o facto de estarmos vivos, constitua por si só um bem ou uma dádiva, independentemente da forma como se vive essa existência. Certamente, muitas pessoas vivem mais tempo numa experiência negativa do que positiva. Toda esta experiência de vida é individual, avaliada individualmente, tornando difícil generalizar juízos correctos sobre se a vida valeu ou não a pena para uma determinada pessoa. Este problema entra em conflito quando duvidamos dos juízos avaliados pela própria pessoa, e nessa altura achamos que devemos interceder por ela. Que critérios devem usar uma pessoa para avaliar o estado de outra? «Thomas Nagel procura contornar esta dificuldade sugerindo que a experiência é ela própria um bem que deve ser tido em consideração.» «Esta ideia não parece plausível, pois se a experiência por si só constitui um bem, é-o também quando é absolutamente má, tal como quando se é torturado até à morte. Como decidir sobre o valor a atribuir a esta experiência; e porquê considerá-la de todo?» Quando abordamos a questão da vida humana, temos que tomar sempre em consideração a visão que o próprio sujeito tem da sua vida. Será possível determinar se estamos a fazer bem ou não ao prolongar ou manter a vida a alguém que deseja a sua própria morte? «O facto de não existir uma incompatibilidade simples entre vida enquanto bem e o desejo pela morte está patente na possibilidade de alguém poder desejar a sua própria morte, não para o seu próprio bem, mas para o bem de outrem. E se tentarmos corrigir esta tese dizendo que a vida não pode ser um bem para aqueles que desejam morrer para o seu próprio bem, desviamo-nos do conceito crucial. Tal como Bishop Butler referiu há uns anos, nem todos os fins são benevolentes ou promovem o interesse do próprio. Estará uma pessoa a desejar a morte para o seu próprio bem no sentido relevante do termo, por exemplo, se desejar vingar-se de outra usando a sua própria morte? Ou e se essa pessoa é orgulhosa e se recusa a suportar a dependência ou incapacidade apesar de ainda ter muitas coisas boas pela sua frente? A verdade é que, por vezes, o desejo pela morte é compatível com o facto de a vida constituir uma bênção e outras vezes não, o que é possível, pois a expressão desejar a morte engloba estados de espírito diversos que variam entre vontade de suicídio, depressões patológicas, até ao estado daqueles que surpreendentemente encontram alívio na ideia de um acidente fatal. Por um lado, uma pessoa pode ver a sua vida como um fardo, mas prosseguir com ela de forma mais ou menos natural; por outro lado, o desejo da morte pode assumir a forma de rejeição de tudo o que existe na vida, tal como acontece nos casos de depressão profunda. Parece ser correcto dizer que a vida não é uma bênção para aqueles que se encontram permanentemente na última situação.» 14

15 Também a doença pode privar a condição humana de bem-estar. Quando um doente está profundamente afectado pela dor ou náusea, deixa de usufruir de uma condição humana normal. «Um acto de eutanásia é atribuído a um agente que opta pela morte de outro uma vez que, nestas circunstâncias, a vida parece constituir mais um mal do que um bem. A questão a ser levantada é se os actos de eutanásia são justificáveis. Existem duas questões nesta matéria e não apenas uma. Uma coisa será dizermos que alguns actos de eutanásia, considerados em si e pelos seus resultados, são moralmente aceitáveis, outra será dizermos que seria aceitável legalizá-los. Talvez a prática legal da eutanásia levasse a muitos abusos e talvez conduzisse a muitos erros. Além disso, esta prática poderia ser acrescida de efeitos secundários importantes altamente indesejáveis, uma vez que seria muito difícil alterar os nossos princípios sobre o tratamento dos idosos e doentes sem alterarmos também as nossas atitudes emocionais fundamentais e as nossas relações sociais. Estas questões devem, pois, ser analisadas separadamente.» Ao se aceitar a eutanásia como acto médico, os médicos e outros profissionais terão também a tarefa de causar a morte. «O que pretendemos averiguar é se actos de eutanásia, nos termos em que os temos vindo a abordar, podem, alguma vez, ser moralmente aceitáveis. Para sermos mais precisos, queremos saber se a morte entendida como mais um bem do que um mal é razão suficiente e válida para a escolha da prática da eutanásia.» «Debrucemo-nos agora sobre o modo como o direito à vida afecta a questão da moralidade dos actos de eutanásia. Serão tais actos sempre ou só às vezes determinados pelo direito à vida? É certamente uma possibilidade; pois embora um acto de eutanásia seja, por definição, uma maneira de optar pela morte para o bem daquele que está para morrer, não há, como referimos anteriormente, uma ligação direita entre aquilo a que uma pessoa tem direito e aquilo que é feito para o seu próprio bem. Sem dúvida que as pessoas têm direito apenas àquilo que é, em geral, bom.» Philippa Foot. Eutanásia. (http://www.criticanarede.com/eutanasia.html), consulta em

16 Algumas questões relativas à eutanásia «Um dos problemas de difícil resolução consiste na definição de um critério para a própria morte. Quando é que poderemos dizer que alguém está morto e que são irrecuperáveis as suas funções básicas?» Os constantes avanços da medicina têm descoberto novas técnicas que permitem, se não a cura, o prolongamento indefinido da vida de portadores de determinadas doenças, até há bem pouco tempo, tidas como uma incontestável condenação à morte. Veja-se o exemplo da AIDS. Medicamentos, recentemente descobertos, têm melhorado a qualidade de vida dos portadores da doença, aumentando as expectativas de se encontrar a sua cura definitiva. Merece algumas considerações, também, a questão da angústia sentida pelo paciente. A angústia mental provocada pelas dores e pela aproximação da morte se sobrepõem, frequentemente, à própria doença terminal. Este estado força o paciente a procurar a eutanásia. «Outra questão importante é a comunicação ao doente. Muitos doentes são mantidos na mais completa ignorância sobre o seu real estado de saúde pelos médicos. Deve ou não o médico comunicar a verdade aos doentes, qualquer que seja o diagnóstico?» Carlos Fontes, Eutanásia. Navegando na Filosofia. (http://afilosofia.no.sapo.pt/10nprobleticoseut.htm), consulta em

17 Os que defendem e os que contestam a eutanásia Os que defendem a eutanásia, acham que é uma ofensa à dignidade humana tentar prolongar a vida a um ser humano que só lhe reste sofrimento e dependência de outrem. Os que condenam a eutanásia, colocam acima de tudo a vida humana, acham que esta nunca deve ser posta em causa sob circunstância alguma. Segundo esta perspectiva quem está a praticar eutanásia está a cometer um crime, pois está a tirar a vida a outra pessoa ainda que por vontade da mesma. As pessoas que recusam a eutanásia vêm-se confrontadas com aqueles que a querem banalizar. A táctica consiste em banaliza-la primeiro, por exemplo, em doentes vegetativos, uma vez banalizada avança-se para outros casos conforme as necessidades do momento. Uma das situações defendidas pelos que contestam a eutanásia vai no sentido de acharem que o fundamental não é ajudar uma pessoa a morrer, mas perceber os motivos que a levaram a desejar tal coisa. Desta compreensão devem surgir acções que ajudem tais pessoas a superar os seus medos e as razões que os levaram a desejar a sua própria morte Carlos Fontes, Eutanásia. Navegando na Filosofia. (http://afilosofia.no.sapo.pt/10nprobleticoseut.htm), consulta em

18 Inseminação artificial A Inseminação artificial e a clonagem fazem parte da Reprodução Assistida. Técnicas Existem várias técnicas de reprodução assistida, as quais podemos dividir em dois grandes grupos: 1.A fecundação é feita no interior da mulher Inseminação artificial. 2.A fecundação é feita no exterior do corpo da mulher, ou seja, em condições laboratoriais. A técnica mais conhecida deste grupo é a fertilização in vitro. Entre outras variantes desta técnica temos: «(GIFT - Transferência de gâmetas para as trompas, ICSI - Injecção Intracitoplasmática do Espermatozóide, ROSNI - Injecção Nuclear da Espermátide, etc.)» Problemas Morais A inseminação artificial tornou-se algo possível e sustentável graças ao avanço do congelamento do esperma, dos óvulos e dos embriões. Em consequência deste progresso foram criados bancos de esperma, óvulos e embriões. A partir deste momento estavam criadas todas condições que tornaram possíveis que os pais pudessem ser uns, mas as mães onde o embrião se desenvolve serem outras. Com efeito, assistimos assim a dois tipos de paternidade/maternidade diferentes: a paternidade biológica e a maternidade efectiva. «Em Maio de 1984 nasce na Austrália a primeira criança, a menina Zeus, cujo embrião foi mantido durante algum tempo congelado.» Listagem das principais questões morais: «É legítimo manipular formas de vida humana ainda que estas não tenham nascido? Deve realizar-se uma fecundação estritamente "artificial" quando a natureza não o permitiu? No caso de uma inseminação com esperma de um dador anónimo: o dador não tem nenhuma responsabilidade sobre o seu filho genético? Não tem o direito de reclamar os seus direitos de paternidade? Um filho não tem o direito de saber quem é o seu pai e herdar do seu progenitor? É legitimo que uma mulher leve dentro da sua barriga o filho de outras pessoas? Tem o direito que o ter quando o filho não é seu? 18

19 Que pensar quando os embriões congelados são destruídos após a fecundação? Não se está a destruir um potencial ser humano? O que se deve fazer com os que ficam congelados? É legitimo fazer experiências com embriões humanos?» Carlos Fontes, Inseminação Artificial. Navegando na Filosofia. (http://afilosofia.no.sapo.pt/10insem.htm), consulta em

20 Clonagem O tema clonagem era um tema de ficção cientifica algo assustador para quem o tentava transpor para a realidade. A partir do nascimento da ovelha Dolly, em Março de 1997, a ficção estava a tornar-se realidade. Estavamos cada vez mais próximos da clonagem humana. Esta proximidade disputou uma grande polémica ética em torno da questão. Apesar das vantagens económicas e na área da saúde, os riscos envolventes desta técnica colocam-nos a questão se vale a pena seguir este caminho. Com o objectivo de por alguma ordem, o governo Britânico criou uma nova legislação que proibia experiências que resultassem na reprodução humana através da clonagem S.a. Clones, a ciência no limite da ética (http://www.pfilosofia.pop.com.br/04_miscelanea/04_03_barsa/barsa_05.htm), consulta em

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