Embriões Excedentários O Destino do Excesso

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1 Embriões Excedentários O Destino do Excesso Ana Catarina Guise Estudante de Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica, Universidade do Minho RESUMO Com o avanço da ciência, novas técnicas de reprodução medicamente assistida vão surgindo. Mas, e porque em tudo o que surge na tecnologia com a modernidade há sempre uma barreira, há sempre um mas, estas melhorias levam a uma produção maior de embriões, conhecidos como embriões excedentários. Estes embriões são criopreservados com o intuito de serem utilizados futuramente pelos casais inférteis que todos os dias recorrem a técnicas de procriação com o desejo de serem pais. O dilema surge quando o casal já tem o número de filhos pretendido ou quando este decide desfazer-se dos embriões. Por isso, que destino eticamente correcto deverá ter este excesso de embriões que poderia dar origem a mais um ser humano? Palavras-chave: criopreservação, destino, embriões excedentários ÍNDICE INTRODUÇÃO...1 EMBRIÕES EXCEDENTÁRIOS...3 O Destino do Excesso...4 (In) discutíveis Pontos de Vista...7 CONCLUSÃO...9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...9 INTRODUÇÃO Em 1940 um ejaculado de esperma continha 113 milhões de espermatozóides e hoje em dia, no mundo industrializado é normal que essa quantidade seja apenas de 66 milhões. 1 A prevalência da infertilidade 2 está a aumentar nos países desenvolvidos, devido a 1 Niels Skakkebaek, director de investigação no Hospital Universitário de Copenhaga (fonte: Evidence for Increasing Incidence of Abnormalities of the Human Testis: A Review ) 2 Segundo a European Society of Human Reproduction and Embriology, a definição geral de infertilidade é a diminuição da capacidade de conceber em relação à população geral. factores como gravidezes tardias 3, o que poderá contribuir para o envelhecimento do ovário, conduzindo, consequentemente, à infertilidade. Mudanças no estilo de vida como o aumento do consumo de álcool, tabaco, estupefacientes e fármacos podem ajudar às inúmeras explicações de infertilidade. [1-3] A infertilidade, apesar de não comprometer a integridade física, influencia negativamente o desenvolvimento 3 Na última década do século XX, em Portugal, aumentou o número de mulheres a optar pela maternidade depois dos trinta anos. O pico da fertilidade feminina (20-25 anos) foi posto de parte o que levou à crescente procura de bebés-provetas (fonte: revista Visão, nº460, ) 1 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

2 psíquico da pessoa, do casal e da própria família, produzindo frustração e desmotivação que podem ter prolongado efeito prejudicial. [1] Segundo Sandra Moutinho, no livro Tudo por um filho, A infertilidade vive-se assim: numa casa sossegada e arrumada, onde não há chuchas ao pé de grelhadores, bibes junto a camisas de seda, perfumes da Barbie ao lado do Chanel nº5, nem botas do Action Man na impressora. Não há, lamentavelmente. Os casais inférteis dividem-se naqueles que não conseguem a gravidez sem tratamento, caso da azoospermia (ausência de espermatozóides), da obstrução tubar bilateral e da anovulação (ausência de ovulação), e os que são subférteis ou hipoférteis, que, com o tempo, poderão vir a conceber sem tratamento. [4] Já lá vão os tempos em que citações como Que caiba a culpa ao rei, nem pensar. Primeiro porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres sim. (José Saramago in Memorial do Convento) tinham todo o sentido sendo consideradas puramente verdadeiras pela população; hoje em dia a infertilidade é encarada de outra forma, sendo que a taxa de infertilidade masculina é similar à taxa de infertilidade feminina. Em média, 80% dos casos apresentam infertilidade nos dois membros do casal, geralmente, um mais grave do que o outro. Em 10% dos casos de infertilidade existe uma inexplicável razão da parte médica. [5] Dados estatísticos da Organização Mundial de Saúde mostram que a infertilidade atinge entre 15 a 20% dos casais em idade reprodutiva. [6] Em Portugal, entre 9 e 10% dos casais portugueses são inférteis. Destes, 116 a 121 mil está na faixa etária da fertilidade, o que faz com que mais de 100 mil casais possam resolver esta situação através de tratamento médico. [7] Foi em 1978, no Reino Unido, que nasceu o primeiro bebé-proveta, Louise Brown, mudando-se, assim, o destino de milhares de casais em todo o mundo. Já em Portugal, foi em 1986 que nasceu o primeiro bebé através de tratamentos, o jogador de futebol Carlos Miguel cujo responsável foi o obstetra Pereira Coelho. [8] As técnicas de tratamento de situações de infertilidade conjugal com apoio laboratorial são designadas por Procriação (ou Reprodução) Medicamente Assistida PMA. [9] A presente Lei 32/2006, de 26 de Julho, aplica-se às seguintes técnicas de PMA (artigo 2º): Inseminação artificial; Fertilização in vitro (FIV); Injecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI); Transferência de embriões, gâmetas ou zigotos; Diagnóstico genético préimplantação; outras técnicas laboratoriais de manipulação gamética ou embrionárias equivalentes ou subsidiárias. [10] Pela inseminação artificial, considerado um tratamento leve de PMA, dá-se a transferência mecânica de espermatozóides, previamente recolhidos, tratados e seleccionados para o interior da cavidade uterina, na altura da fecundação. Já por outro lado, na FIV a fecundação ocorre fora do corpo. Os zigotos continuam a ser incubados in vitro no mesmo meio em que ocorreu a fecundação, até que se segmentem para posterior transferência de embriões (FIVTE). Isto conduz à produção de embriões excedentários, que numa primeira fase não são transferidos. A ICSI é adequada em casos onde existem alterações graves no espermograma ou história de falha de fecundação em FIV convencional. A injecção de espermatozóides ou espermatídeos nos ovócitos levam à formação de embriões que são cultivados numa camada de células endometriais extraídas do aparelho reprodutor feminino. Aqui, também, os embriões que não são usados na fecundação artificial são congelados através dum processo de criopreservação. Por sua vez, na transferência intrafalopiana de gâmetas (GIFT), a fertilização do óvulo da mulher com o espermatozóide do homem ocorre no interior da trompa de Falópio. Por outro lado, na transferência intrafalopiana de 2 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

3 zigotos o que é introduzido nas trompas são os zigotos. Estas duas técnicas são cada vez menos um recurso para a resolução de casos de infertilidade. [1-2,11-14] No nosso país, a produção de tratamento de FIV e ICSI é inferior aos níveis recomendados internacionalmente. A European Society for Human Reproduction and Embryology (ESHRE), relativamente a estes dois tipos de tratamento, recomenda uma produção de 1500 ciclos por milhão de habitantes. Dados disponíveis em Portugal permitem estimar a realização anual de 2500 ciclos de FIV e ICSI, 250 ciclos por milhão de habitantes apenas. Em 2004, no conjunto de países europeus que têm registo nacional de PMA completo, a média de produção foi de 1166 ciclos de FIV/ICSI por milhão de habitantes/por ano, o que faz com que as recomendações desta sociedade sejam muito ambiciosas. [14] Tudo tem um preço, e este tipo de tratamento não é excepção. Dados do primeiro estudo epidemiológico sobre infertilidade em Portugal revelam que 58% dos sujeitos interrogados pagariam mais do que a actual média de quatro mil euros por tratamento. [7] A 9 de Fevereiro de 2009, criou-se um Projecto de Incentivos à procriação medicamente assistida, com o objectivo de regular, incentivar e melhorar a acessibilidade e equidade aos tratamentos de infertilidade dos casais, determinando igualmente o ajustamento dos preços a praticar pelas instituições do Serviço Nacional de Saúde nos termos dos tratamentos de PMA. [15] O comércio de fertilidade pode, assim, comparar-se aos mercados de computadores pessoais, que se impuseram em massa no mercado, mesmo que inicialmente fossem considerados itens de luxo. [16] Para evitar menos encargos financeiros e um menor sofrimento psicológico e mesmo físico, os médicos optam, várias vezes, por produzir um excesso de embriões, tentando garantir uma maior eficácia nos tratamentos. [17] Há, assim, uma necessidade cada vez maior de actualização e introdução de regras e políticas institucionais que levantam questões sociais, médicas e éticas devido ao progresso da ciência. EMBRIÕES EXCEDENTÁRIOS No decurso de um ciclo de tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) ou de Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) existe a possibilidade de se obterem mais embriões do que aqueles que são necessários para realizar a transferência para o útero, já que o número de ovócitos fecundados e o número de embriões obtidos podem ser diferentes dos previstos ( ). [18] É desta forma que os casais que recorrem às técnicas de PMA tomam conhecimento legal que terão que escolher um destino para os seus embriões a mais. Alguns destes embriões são congelados em processos de criopreservação. 60% têm anomalias genéticas, sofrendo uma selecção natural de bloqueio no desenvolvimento embrionário o que leva à fragmentação. Isto permite que sejam seleccionados os embriões bons que poderão passar por processos de congelação e descongelação. [19], [20] Pode acontecer não existirem embriões para congelar, como é o caso de um casal português que já recorreu a tratamentos de FIV por várias vezes, não conseguindo concretizar o sonho de serem pais: Infelizmente o nosso caso é muito grave, e nunca obtivemos mais que dois embriões. Quando fiz o primeiro tratamento no Hospital São João no Porto, fiquei muito triste quando me disseram que só tinham dois para transferir. A criopreservação ocorre no interior de palhetas especiais onde se guardam os embriões e, depois estas são colocadas em contentores de azoto líquido, a uma temperatura de -196 ºC. Para que o processo 3 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

4 possa acontecer, os embriões são guardados no interior de um líquido crioprotector especial, que os protege contra eventuais danos que o processo de criopreservação possa provocar. [2] A implementação de um bom programa de criopreservação aumentará as percentagens cumulativas de nados vivos e tornará os tratamentos de transferência de um único embrião numa opção cada vez mais eficiente. [2],[19] Muitos países europeus recorrem a esta técnica variando entre eles o tempo máximo que a lei permite criopreservar os embriões. Estima-se que o período máximo de conservação de um embrião seja de cinquenta anos. França, Inglaterra e Espanha fixaram o período de cinco anos. Já na Áustria, o limite é de um ano. E, por outro lado, na Finlândia, os embriões podem ser criopreservados até quinze anos. [21] Em Portugal, a legislação estabelece um período de três anos: Os embriões que, nos termos do artigo anterior, não tiverem de ser transferidos, devem ser criopreservados, comprometendo-se os beneficiários a utilizálos em novo processo de transferência embrionária no prazo máximo de três anos (nº 1 do artigo 25.º) 4. Permite-se, assim, criar os destinos necessários aos embriões excedentários, que representa uma discussão ética, política, económica e social e nos termos do nº 1 do Artigo 18º da Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e da Dignidade do Ser Humano Face às Aplicações da Biologia e da Medicina: Quando a pesquisa em embriões in vitro é admitida por lei, esta garantirá uma protecção adequada do embrião. 5 Por vezes, mesmo com todos os cuidados de segurança, há embriões que não sobrevivem ao processo de criopreservação 4 Todas as referências a artigos legislativos, entre parêntesis, pertencem à Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho. 5 Retirado da Resolução da Assembleia da República n.º 1/2001, de 03 de Janeiro de 2001 e descongelação, o que faz com que seja necessário descongelar mais embriões do que aqueles que se está a pensar transferir nos ciclos de tratamento com transferência de embriões criopreservados. Caso ocorra uma gravidez falhada, a transferência pode dar-se nos seis meses seguintes ou nos três anos, caso haja gravidez. Informação publicada em 2006 da ESHRE referente ao ano de 2002 mostra que as taxas de sucesso para os ciclos com transferência de embriões criopreservados foram de cerca de 18% para embriões provenientes de FIV ou ICSI. [19], [22] A sociedade médica, de forma a tentar prevenir um número excessivo de embriões, tenta melhorar as técnicas de PMA com o intuito de restringir o número de embriões ao mínimo necessário ao êxito da procriação. Na Alemanha a lei limita o número de 3 embriões e nos EUA, os médicos aplicam, como boa prática clínica, o princípio da limitação de embriões, da mesma forma em Portugal como refere o nº1 do 24º artigo da lei 32/2006 Na fertilização in vitro apenas deve haver lugar à criação dos embriões em número considerado necessário para o êxito do processo, de acordo com a boa prática clínica ( ) Claro que a idade da paciente e o seu historial clínico vão influenciar a quantidade de embriões necessários no tratamento. [23] Mas, apesar do consenso de limitar o número de embriões, o número de excedentários continua a ser mais elevado que o desejado. Em França sobram por ano mais de 30 mil embriões. Na Austrália, uma pesquisa de 1983, retratou que de cada 984 embriões implantados, só nasceram 95 bebés. [24] Então o que fazer com estes embriões que sobram? O Destino do Excesso Já diziam os nossos avós que O seu a seu dono e, tal como o algodão, o provérbio não engana. A legislação 4 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

5 portuguesa deixa bem claro que os casais decidirão sobre o destino dos seus embriões (nº 3 do artigo 25º). Estes embriões devem ser usados em novo processo de transferência embrionária no prazo máximo de três anos (nº1 do artigo 25º). Caso o prazo de três anos seja ultrapassado, os embriões podem ser doados a outro casal (nº2 do artigo 25º). Por sua vez, aos embriões que não tiverem possibilidade de ser envolvidos num projecto parental, estes podem fazer parte de projectos de investigação (nº4 do artigo 9º). Desta forma, passados, então, três anos de criopreservação, os casais podem decidir usar os seus embriões para nova gravidez, doação a outro casal e/ou doação à investigação cientifica. Vendo estas opções, qualquer pessoa deve questionar-se E se não houver em vista nenhum projecto parental ou de investigação científica findo os três anos, caso o casal envolvido não queira ou não possa ter outro bebé?. Segundo palavras do Drº Alberto Barros, há um vazio no que toca à possibilidade dos embriões serem destruídos. [25] O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), criado para se pronunciar sobre as questões éticas, sociais e legais da PMA (artigo 30º) sugere que os embriões que, mesmo após autorização dos pais para doação, não tenham nenhum casal e/ou projecto de investigação científica, possam ser descongelados e eliminados de forma a não prolongar indefinida e injustificadamente a sua criopreservação, obviamente segundo determinação do director do centro clínico. Também propõe que desde que fundamentado, o prazo de criopreservação seja alargado por mais três anos. Nos casos em que o casal, ou algum dos seus membros, não consinta a doação de embriões excedentários para terceiros, nem a sua utilização para fins científicos, findo o período máximo de três anos previsto na Lei, os embriões serão descongelados e eliminados, defende o CNPMA. [26], [27] Em 2007, no Encontro Anual da ESHRE, foi mostrado que num estudo realizado em França, a maior parte dos 1338 casais inquiridos escolheu guardar os embriões para futuras gravidezes. Dos 321 que não os usou com este objectivo, 57% decidiu destruí-los e 29,5% escolheu doar para investigação. Só 13,5% dos casais inquiridos decidiu doar os seus embriões a outro casal com problemas de fertilidade. [25] A história foi uma cegonha que te trouxe no biquinho, que tantas vezes ouvimos quando criança é, assim, substituída pelos serviços de estafetas, igualando-se um futuro bebé a uma encomenda. Títulos como Embriões excedentários deverão ser eliminados se não forem doados [27] ou Casais portugueses terão de escolher destino dos embriões [25] atormentam os casais que, diariamente, recorrem a tratamentos de fertilidade. Daí, é necessária uma explicação por parte dos médicos sobre esta gigantesca questão que os tratamentos de fertilidade envolvem. A lei portuguesa proclama como um dos direitos dos beneficiários ser correctamente informados sobre as implicações médicas, sociais e jurídicas prováveis dos tratamentos propostos (al. c do artigo 12º), exigindo que estes sejam previamente informados, por escrito, de todos os benefícios e riscos conhecidos resultantes da utilização das técnicas de procriação medicamente assistida, bem como das suas implicações éticas, sociais e jurídicas (nº 2 do artigo 14º). Desta forma, tenta-se que os progenitores prestem um consentimento livre, esclarecido, de forma expressa e por escrito, perante o médico responsável (nº 1 do artigo 14º), o conhecido consentimento informado (CI). Tal como já foi referido, em Portugal a legislação só existe desde 2006 mas o 5 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

6 primeiro bebé in vitro nasceu em Desde aí, até 2006 cada instituição tomava as suas decisões relativamente aos embriões excedentários. Madalena Barata, responsável do Centro de Medicina da Reprodução do British Hospital, em Lisboa, afirma que muitas das clínicas têm mais de dez anos de existência e não sabiam o que lhes fazer". [25] Segundo o Professor Drº Calhaz Jorge, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Antes da legislação cada centro teria a sua metodologia de lidar com o tema. No centro que dirijo (Hospital de Santa Maria, Lisboa) e no centro privado onde prestava assistência antes da publicação da legislação era estabelecido um compromisso com os casais que assinavam um consentimento informado ( ), isto é, seguiam um procedimento semelhante ao que, agora, é válido pela legislação. A versão deste CI foi criado pelo CNPMA em 2008 e engloba uma breve explicação dos pontos mais importantes sobre a questão dos embriões excedentários, como Alguns ou mesmo a totalidade dos embriões excedentários podem não apresentar as características necessárias para serem criopreservados ou Acidentes imprevistos, como incêndios ou outro tipo de calamidades, podem, apesar dos cuidados de segurança adoptados, levar à perda ou destruição dos embriões criopreservados entre outros. Os progenitores dos embriões, após uma leitura atenta, assinalarão na opção que pretendem: Consentimos no uso dos nossos embriões para doação a outros casais inférteis ou Consentimos no uso dos nossos embriões em projectos de investigação científica. [28] Assim, é importante salientar que o facto de haver um papel que prove ser X ou Y a decisão dos progenitores face aos seus embriões excedentários, tal não pode substituir o diálogo e interacção dos médicos com os pacientes. Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, este documento de CI é ( ) uma decisão abstracta, já que muitos casais usam os seus embriões para transferências futuras para si mesmo e todas as implicações dos tratamentos têm que ser conversadas antes de eles se iniciarem. A decisão de assinalar a opção no documento de CI não é, então, assim tão simples como jogar o totoloto, apesar de ambos se marcarem com um X. Mas a este simples X, quando se acrescenta uma possível futura vida, acrescentam-se milhares de pontos de interrogação na cabeça dos progenitores. Os sentimentos pessoais e atitudes podem mudar ao longo do tratamento de fertilização [29], fazendo com que o que hoje é certo, amanhã é incerto. O processo de explicação sobre este assunto não deve ser feito só ao longo dos tratamentos de fertilização, mas também após conclusão destes, quando chega a hora de uma decisão por parte dos progenitores relativamente aos seus embriões. Segundo a Drº Kristina Hug, do departamento de Ética Médica da Universidade de Lund, na Suécia o consentimento informado, no caso de doação de embriões, não deve ser um evento concluído em algum ponto do tempo, mas sim um processo que consiste de vários eventos, a fim de ser actualizado após o aconselhamento apropriado recebido em ocasiões apropriadas no processo de tratamento de fertilização in vitro e após o processo de procriação do casal ser concluído. [30] A Organização Mundial da Saúde sugere que os médicos avaliem a forma como os pacientes compreendem a informação que lhes é facultada, pedindolhes, por exemplo, para descrever os objectivos, limitações e benefícios dos procedimentos associados às tecnologias de reprodução assistida por palavras deles e averiguando os respectivos conhecimentos acerca das alternativas disponíveis, incluindo a alternativa de não se submeterem a determinados procedimentos. [31] O contacto com a instituição onde se realizaram os tratamentos de fertilidade deve ser mantido, os dados relativos à PMA são conservados nos centros de PMA por um período de 30 anos após o final da sua 6 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

7 utilização clínica. 6 Qualquer alteração na morada deve ser informada pelos progenitores [19], tudo isto com o intuito de os embriões não serem esquecidos, como quem se esquece de manhã do leite a aquecer, acabando por entornar. Mas, este leite derramado tem solução: é limpo. Agora, a perspectiva é incomparavelmente diferente quando se trata de limpar o que poderá vir a ser um futuro bebé. (In) discutíveis Pontos de Vista Consoante a área envolvida, várias posições são tomadas relativamente a esta questão. Futuros pais, médicos, políticos, cientistas e padres entram em conflito diariamente ao darem a conhecer a sua opinião: 1) Pais: Por mais que se discuta sobre este assunto, afirmar que os embriões pertencem a quem os formou é uma verdade indubitável. A decisão dos casais, directa ou indirectamente, é afectada por vários factores que, vão desde a própria equipa médica até à sociedade que os rodeia. Muitos pacientes deixam tudo nas mãos dos profissionais quando chega a hora da decisão e, estes podem induzi-los em erro, obrigando-os a tomar uma decisão que mais tarde se poderão arrepender. Segundo depoimento de um provável futuro pai [31], as equipas médicas podem fazer pressão para que os futuros pais olhem para a existência de embriões excedentários como uma obrigatória consequência das aplicações de tecnologias de PMA, com o objectivo de aumentar a probabilidade de sucesso (saliente-se a palavra comummente usada pelos médicos como sinónimo de gravidez) através da selecção dos embriões bons : Nós perguntamos e eles disseram: Nós não podemos implantar mais de três. ( ) E nós dissemos: Está bem; então nós não queremos que fecundem mais de três. Aí houve um bocadinho de pressão 6 Nº1 do artigo 10º do Decreto Regulamentar n.º5/2008 de 11 de Fevereiro para que não fosse assim. ( ) E eles depois respeitaram isso, mas houve ali um bocadinho a tentativa de Ah, mas já que vai estimular, porque é que não estimula mais, depois tem mais, escolhem-se os melhores e a probabilidade aumenta. ( ) Percebemos que o médico que nos estava a acompanhar queria ter sucesso. Por outro lado, desconfiança por parte dos progenitores em relação aos profissionais que os acompanham pode influenciar a decisão de doar os embriões para pesquisa, na medida em que os pais receiam o tipo de pesquisa que os seus embriões serão alvo. Preocupações sobre o desenvolvimento do embrião sem o conhecimento dos progenitores, como doação para outro casal ou mesmo para investigação científica fazem parte da responsabilidade moral de qualquer progenitor. [32], [33] Quando o tipo de investigação é em benefício da sociedade, muitos progenitores escolhem esta opção defendendo que se tornam mais confortáveis ao pensar que o embrião, que por eles foi criado, pode tornar este mundo mais saudável. [17], [32] Outra questão que afecta fortemente os pais é a possibilidade de ocorrer erros médicos, como num caso que ocorreu nos Estados Unidos, relatado pelo canal CNN no ano passado, onde houve troca de embriões por parte da clínica. Uma mulher, após decidir usar os seus embriões excedentários, engravidou de outros embriões lá armazenados. [34] Quanto à informação dada por parte das instituições relativamente à questão dos embriões excedentários, de forma a estabelecerem, então, o CI, alguns casais são da opinião que Logo no início há demasiada informação sobre a questão dos embriões excedentários ( ) quando estamos apenas a tentar conseguir um ovo, a última coisa que queremos ouvir é que se devemos destruílo. 7 No momento da congelação dos 7 Opiniões retiradas do Fórum da Associação Portuguesa de Fertilidade. [22] 7 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

8 embriões, a intenção da maioria dos casais é usar todos os embriões para futuras tentativas de gravidez e eles só consideram seriamente outras escolhas quando a gravidez já não é o desejado. Segundo opinião dada por um membro de um casal que realizou tratamentos de fertilidade e conseguiu engravidar: Quando estava nos tratamentos de FIV, nem sequer pensava que os embriões realmente podem tornar-se numa vida. Pensava mais cientificamente, só como simples células que potencialmente poderiam desenvolver-se, mas agora grávida vi que um belo ser humano pode ser criado através do que eu antes achava que não passava de um conjunto de células. Investigadores relatam, também, que o custo para se manterem os embriões criopreservados pode ser um factor importante na opção da destruição dos embriões. Especialistas através de estudos realizados chegaram à conclusão que muitas mulheres não estão satisfeitas com as opções que lhes são dadas. A realização de uma cerimónia que permitiria sentir que o fim chegou é desejada por vários casais. [32] Controvérsias também são criadas entre os próprios membros do casal. Caso que apoia tal afirmação, aconteceu em 2002, em Inglaterra, onde surgiu um desacordo judicial entre mulheres que pretendiam a manutenção desses embriões contra os seus ex-companheiros que os pretendiam destruir. [35] 2) Politica: Na União Europeia há uma acentuada diferença entre os vários Estados- Membros, diferença já notada anteriormente quando referido o número de anos que os embriões podem ser criopreservados. Na Irlanda, a Oitava Emenda Constitucional, a 7 de Outubro de 1983, proíbe em absoluto a investigação em embriões. Já na Alemanha, a legislação em matéria de investigação em embriões permite só aquelas que efectivamente beneficia o embrião e que tem por objectivo a gravidez. Por outro lado, países como Finlândia, Grécia, Espanha e Suécia, durante os primeiros 14 dias de desenvolvimento embrionário é permitido realizarem alguns tipos de investigação em embriões. [3] Em Portugal, segundo o artigo 9º da lei 32/2006 é proibida a criação de embriões através da PMA com o objectivo deliberado da sua utilização na investigação científica. O recurso a embriões para investigação científica só pode ser permitido desde que seja razoável esperar que daí possa resultar benefício para a humanidade, dependendo cada projecto científico de apreciação e decisão do CNPMA. 3) Comunidade científica (investigadores e médicos): Os cientistas defendem que, uma vez que os embriões excedentários que serão destruídos ou congelados indeterminadamente, poderão ser utilizados em projectos de investigação científica que trarão benefícios para toda a sociedade. Também afirmam que a investigação nestes embriões suscita menos problemas éticos do que a investigação que utiliza tecido de fetos mortos, uma vez que o desenvolvimento embrionário não terá ainda ultrapassado a fase de oito células. [36] Tanto Wilmut, criador da ovelha Dolly, como Rita Levi Montalcini, Prémio Nobel da Medicina em 1986, afirmam que destruir embriões humanos excedentários é um desperdício imoral, pois podem ser benéficos para os trabalhos com células estaminais. Em contrapartida, Daniel Serrão, médico e especialista em Ética da vida, defende que o embrião deve ser protegido como uma pessoa para evitar o risco de o discriminar ao admitir a sua destruição para o benefício de outras pessoas. [37] 4) Religião: D. José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa, considerou que o processo técnico-científico devia evitar a existência de embriões excedentários. [38] Assim, toda a comunidade religiosa enfatiza 8 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

9 que a destruição do embrião é implicada pela derivação de células estaminais embrionárias de blastocistos, considerando impensável qualquer tipo de uso em embriões excedentários. [17] Esta dificuldade em alcançar um consenso relativamente ao destino dos embriões excedentários criopreservados entre as várias posições, tanto a nível nacional como internacional, vai continuar visto que na própria lei há várias brancas no que toca a este assunto. Os próprios países que fazem parte da Convenção Europeia sobre os Direitos do Homem e a Biomedicina diferem muito entre eles: nuns a investigação com recurso a embriões excedentários é absolutamente proibida, enquanto noutros pode haver tolerância da criação de embriões exclusivamente para fins de investigação. CONCLUSÃO Tanto a ética como a moral estão nitidamente em jogo quando se fala em embriões excedentários, já que estão envolvidos um turbilhão de emoções numa realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações colectivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem. Poder-se-á afirmar que todos os discursos tomados relativamente a este assunto tendem a ser suportados por argumentos naturalistas e essencialistas de forma a camuflar a ausência de explicação científica para os insucessos de diversas experiências vividas por mulheres, homens e médicos. Agradecimentos: Ao Professor Doutor Calhaz Jorge, Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e Doutor Vladimiro Silva, responsável pelo laboratório de PMA da Ferticentro, pela disponibilidade em me esclarecerem sobre diversas questões. Ao Doutor Marinho dos Santos, ginecologista obstetra, pelos contactos que me forneceu do Sector de Medicina de Reprodução do Centro Hospitalar do Alto Ave. Ao Professor Manuel Curado pelo incentivo que me deu em comunicar com diversas entidades relacionadas com o tema deste trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] Remoaldo, P. et al; A infertilidade no concelho de Guimarães contributos para o bem-estar familiar ; inserido no projecto em curso intitulado A caracterização da infertilidade no concelho de Guimarães (Noroeste de Portugal), aprovado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (F.C.T.), POCTI/DEM/44483/2002; Outubro de 2004; [2] ASSISTED REPRODUCTIVE TECHNOLOGIES A Guide for Patients by the American Society for Reproductive Medicine; 2008; [3] Kääriäinen, H. et al; Medically assisted reproduction and ethical challenges ; Elsevier, Toxicology and Applied Pharmacology 207; 2005; [4] Pinto, J.; Questões actuais de ética médica, 4ª edição; Editorial A.O Braga; 1996; [5] Associação Portuguesa de Infertilidade (API) ; APIFARMA / Associações de doentes notas de uma parceria; [6] Coelho, C.; Bioética em reprodução medicamente assistida Nascer e crescer Revista do Hospital de Criancas Maria Pia, Volume XV, Número 01; Ano 2006; [7] Freitas, A.; Estudo revela que há dez por cento de casais inférteis e muito desconhecimento; Jornal Público, ; [8] Machado, A.; Louise Brown, o Primeiro Bebéproveta Faz Hoje 25 Anos ; 25 de Julho de 2003; (acedido on-line a 3 de Janeiro de 2010); [9] Conselho NACIONAL DE Procriação Medicamente Assistida; (acedido on-line a 3 de Janeiro de 2010); [10] Curado, M.; Direito Biomédico Colectânea de legislação e outros documentos ; Quid Juris Sociedade Editora; 2008; [11] Neves, C.; Bioética temas elementares ; Fim do Século Edições; 2001; [12] Vayena, E. et al; Current Practices and Controversies in Assisted Reproduction ; World Health Organization Geneva; 2002; 9 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

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11 [38] D. José Policarpo contra investigação em embriões excedentários ; fonte: Lusa; ; 11 - Jornal de Ciências Cognitivas Fevereiro de 2011

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