A REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA E O DIREITO: EM BUSCA DE DEFINIÇÕES JURÍDICAS PARA O NASCITURO E PARA O EMBRIÃO HUMANO CONGELADO

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1 A REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA E O DIREITO: EM BUSCA DE DEFINIÇÕES JURÍDICAS PARA O NASCITURO E PARA O EMBRIÃO HUMANO CONGELADO HUMAN ASSISTED REPRODUCTION AND THE LAW: IN SEARCH OF LEGAL DEFINITIONS FOR THE UNBORN AND FOR THE HUMAN FROZEN EMBRYO Caroline Sátiro de Holanda RESUMO Com a medicalização da procriação, tornou-se possível a criação e o congelamento de embriões humanos em laboratório. Um dos problemas jurídicos ocasionados pela reprodução assistida e pela consequente possibilidade de crioconservar embriões humanos consiste em estabelecer um conceito jurídico para o nascituro e para o próprio embrião congelado. O artigo 2º, do Código Civil brasileiro, dispõe que a personalidade inicia-se com o nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Diante da nova realidade científica, surgem, então, algumas dúvidas: em consiste a expressão desde a concepção utilizada pelo código civil, para fins a proteger os direitos do nascituro? Em outras palavras, o conceito de nascituro abrange o embrião humano in vitro? Em que consiste o embrião humano congelado para o Direito? Os embriões humanos congelados têm resguardado o direito fundamental à vida? Há vida no embrião congelado? O objetivo do presente trabalho consistiu em buscar delimitar um conceito jurídico para o nascituro, bem como procurar definir a natureza jurídica do embrião humano in vitro. O estudo demonstrou que Embrião congelado, nascituro e pessoa são conceitos e categorias jurídicos distintas, com regimes jurídicos distintos. O embrião crioconservado ainda não possui uma definição jurídica pelo Ordenamento Jurídico brasileiro. Instado a se manifestar sobre o início da vida humana, o Supremo Tribunal Federal entendeu, por maioria, que não há vida humana no embrião crioconservado, motivo pelo qual liberou as pesquisas com células-tronco embrionárias, na forma como colocada pelo artigo 5º, da Lei /2005. Nascituro é aquele ser concebido e ainda não nascido a quem a lei resguarda direitos, tendo em vista a possibilidade de nascer com vida. O conceito de nascituro não deve abranger o embrião congelado, pois a lei protegeu os direitos do nascituro ante a perspectiva latente de ele vir a nascer com vida, o que não ocorre enquanto o embrião estiver congelado em laboratório. Hoje, é possível afirmar que, para o Supremo Tribunal Federal, o conceito de nascituro não abrange o embrião in vitro, do contrário, as pesquisas com células-tronco teriam sido proibidas. Pessoa, por sua vez, é aquele que pode ser sujeito de direito, ou seja, é aquele que tem personalidade jurídica. Para o Direito brasileiro, tem personalidade jurídica aquele que já nasceu e que se encontra vivo. Assim, se nem o nascituro tem personalidade jurídica, que dirá o embrião congelado. PALAVRAS-CHAVES: NASCITURO; EMBRIÃO CRIOCONSERVADO; INÍCIO DA VIDA; INÍCIO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. ABSTRACT With the medicalization of procreation, it became possible to create and freezing of human embryos in the laboratory. One of the legal problems caused by assisted reproduction and the consequent possibility of cryopreserved human embryos is to establish a legal concept to the unborn baby and the embryo frozen. Article 2 of the Brazilian Civil Code, provides that personality begins at birth with life, but the law puts the saved, from conception, the rights of the unborn. Facing the new scientific reality, there are some questions: what does the expression from conception used by the Civil Code mean? In other words, does the term include the human embryo in vitro? What is the human embryo frozen for the Low? Do the Frozen human embryos have safeguarded the fundamental right to life? Is there life in the frozen embryo? The aim of this study was to seek to define a legal concept for the unborn, and seek to define the legal nature of the human embryo in vitro. The study showed that "frozen embryo", "unborn child" and "person" are distinct legal concepts and categories, with different legal systems. The "cryopreserved embryo" does not have a legal definition by the Brazilian legal system. Asked to speak about the beginning of human life, the Supreme Court held, by majority, that there is no human life in the cryopreserved embryo. So, because of the research with embryonic stem cells was allowed as the way by Article 5 of Law /2005. "Unborn" is that being conceived and unborn whom the law protects rights, in view of the possibility of being born alive. The concept of the unborn should not cover the frozen embryo, because the law protected the rights of the unborn at the prospect of imaging him being born alive, which does not occur while the embryo is frozen in the laboratory. Today we can affirm that, to the Supreme Court, the term does not include the embryo "in vitro", otherwise the stem cell research would have been prohibited. "Person" one that has legal personality. For the Brazilian law, have legal personality who was born and is alive. Thus, the unborn child and the frozen embryo have no legal personality. KEYWORDS: KEY WORDS: UNBORN; CRYOPRESERVED EMBRYO; START OF LIFE, BEGINNING OF LEGAL PERSONALITY. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento da ciência, surgiram técnicas de reprodução assistida que há vinte ou trinta anos se imaginavam impossíveis. Hodiernamente, homens e mulheres já podem se valer das mais variadas técnicas de procriação artificial (inseminação artificial, reprodução in vitro, gestação de substituição, dentre outras) para viabilizar a procriação, constituindo essas técnicas, portanto, em um meio legítimo e constitucionalmente garantido (art. 226, 7º[1]) de auxiliar as pessoas na realização de seus projetos parentais. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

2 Assim, com a medicalização da procriação, tornou-se possível a criação e o congelamento de embriões humanos em laboratório. Essa realidade científica tem interferido diretamente no Direito, levantando diversos questionamentos que ainda se encontram sem respostas e sem soluções. Um dos problemas jurídicos ocasionados pela reprodução assistida e pela consequente possibilidade de crioconservar embriões humanos consiste em estabelecer um conceito jurídico para o nascituro e para o próprio embrião congelado. O artigo 2º, do Código Civil brasileiro, dispõe que a personalidade inicia-se com o nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Diante da nova realidade científica, surgem, então, algumas dúvidas: em consiste a expressão desde a concepção utilizada pelo código civil, para fins a proteger os direitos do nascituro? Em outras palavras, o conceito de nascituro abrange o embrião humano in vitro? Em que consiste o embrião humano congelado para o Direito? Os embriões humanos congelados têm resguardado o direito fundamental à vida? Há vida no embrião congelado? O objetivo do presente trabalho consiste em buscar delimitar um conceito jurídico para o nascituro, bem como procurar definir a natureza jurídica do embrião humano in vitro. Para atingir a finalidade do presente trabalho, realizou-se uma pesquisa bibliográfica. Foram analisados livros e artigos sobre o assunto, bem como foi feita uma análise crítica da legislação e de alguns julgados. Em um primeiro momento, foram analisados os conceitos de pessoa e de personalidade jurídica. Em um segundo momento, foram analisadas as teorias sobre o início da personalidade jurídica. Posteriormente, foram abordadas as teorias sobre início da vida, diferenciando-as das teorias sobre o início da personalidade jurídica. Em seguida, perquiriu-se estabelecer a natureza jurídica do embrião congelado, através de uma análise da lei de biossegurança, Lei n /2005, e da Ação Direita de Inconstitucionalidade nº 3510 (ADI nº 3510), que tratou das pesquisas com células-tronco embrionárias. Por derradeiro, foi analisada a definição jurídica de nascituro, chegando-se, ao final, a uma conclusão de tudo o que foi exposto. 1. O CONCEITO DE PESSOA E DE PERSONALIDADE JURÍDICA O conceito de pessoa pode ser extraído do artigo 1º, do Código Civil que dispõe: Art. 1º. Toda pessoa é capaz de direito e deveres na ordem civil[2]. Pessoa é no ordenamento jurídico brasileiro aquele que pode exercer direitos e obrigações, ou seja, é aquele que pode ser parte de uma relação jurídica. Maria Helena Diniz conceitua pessoa da seguinte forma: Para a doutrina tradicional pessoa é o ente físico ou coletivo suscetível de direitos e obrigações, sendo sinônimo de sujeito de direito. Sujeito de direito é aquele que é sujeito de um dever jurídico, de uma pretensão ou titularidade jurídica, que é o poder de fazer valer, através de uma ação, o não-cumprimento do dever jurídico, ou melhor, o poder de intervir na produção da decisão judicial[3]. No Direito brasileiro, a pessoa pode ser natural ou jurídica. Pessoa natural é, segundo a mesma autora, o ser humano considerado como sujeito de direito e obrigações [4]; enquanto que a pessoa jurídica consiste em um conjunto de pessoas naturais ou de bens com um objetivo lícito, a quem a ordem jurídica reconhece como sujeito de direito e obrigações. Observe, portanto, de acordo com o supracitado artigo, que tanto a pessoa natural como a pessoa jurídica pode ser parte de uma relação jurídica, isto é, pode ser titular de direitos e obrigações. Já a personalidade jurídica consiste na aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. Em outros termos, a personalidade jurídica vem a ser a possibilidade de ser sujeito de uma relação jurídica. Mas quem é o sujeito de uma relação jurídica? Como visto, é a pessoa natural ou a jurídica. Dessa forma, personalidade jurídica nada mais é do que a aptidão para ser pessoa. Toda pessoa natural ou jurídica (esta desde que regularmente constituída) tem personalidade jurídica. Assim, pode-se afirmar que a personalidade jurídica é um atributo da pessoa. Carlos Roberto Gonçalves afirma que o conceito de personalidade está umbilicalmente ligado ao de pessoa. Todo aquele que nasce com vida, torna-se pessoa, ou seja, adquire personalidade [5]. Ainda, qualquer pessoa natural, independentemente da idade, sanidade mental, sexo, cor ou outra qualidade, pode ser sujeito de direito, isto é, tem personalidade jurídica. Esta constitui um atributo inseparável da pessoa natural. Entretanto, reconhecendo que determinadas pessoas não tem o necessário discernimento para prática dos atos da vida civil, por si mesmas, a ordem jurídica tratou de limitar o exercício da personalidade jurídica, criando, portando, o conceito de incapacidade que, por sua vez, pode ser absoluta ou relativa conforme maior ou menor o grau de autodeterminação do indivíduo. A incapacidade não limita a personalidade em si, mas apenas o seu exercício. Assim, um incapaz, desde que devidamente representado, pode praticar atos e negócios jurídicos. 2. O INÍCIO DA PERSONALIDADE JURÍDICA No Direito brasileiro, a personalidade da pessoa jurídica de direito privado inicia-se com a inscrição do * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

3 ato constitutivo no respectivo registro (art. 45, do Código Civil). Já a personalidade da pessoa jurídica de direito público inicia-se: se autarquia for, com a lei que a criou (art. 37, XIX, da Constituição Federal 1988); se fundação pública for, faz-se necessária uma lei autorizando sua criação, devendo o seu ato constitutivo ser arquivado no respectivo registro para se ter início a sua personalidade jurídica. Por sua vez, a personalidade jurídica da pessoa natural inicia-se com o nascimento com vida, conforme o artigo 2º, do Código Civil: Art. 2º. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção dos direitos do nascituro[6]. (grifo nosso) Sobre o nascimento, Carlos Roberto Gonçalves leciona: Ocorre o nascimento quando a criança é separada do ventre materno, não importando tenha o parto sido natural, feito com auxílio de recursos obstétricos ou mediante intervenção cirúrgica. O essencial é que se desfaça a unidade biológica, de forma a constituírem mãe e filho dois corpos, com vida orgânica própria, mesmo que não tenha sido cortado o cordão umbilical. Para dizer que nasceu com vida, todavia, é necessário que haja respirado. Se respirou, viveu, ainda que tenha perecido logo em seguida. Lavrandose, neste caso, dois assentos, o de nascimento e o de óbito (LRP, art. 53, 2º). Não importa, também, tenha o nascimento sido a termo ou antecipado[7]. Observe que, não obstante a personalidade jurídica da pessoa natural tenha início com o nascimento com vida, a lei põe salvo os direitos do nascituro, desde a concepção. O que isso significa dizer? Significa que, embora não possa ser pessoa (titular de direito e obrigações), o nascituro tem potencialidade de vir a ser e, por isso, lhe devem ser resguardados determinados direitos. É por este motivo que a legislação protege os direitos do nascituro até o momento de seu nascimento, quando será possível averiguar se haverá ou não a implementação de seus direitos. Tendo em vista a probabilidade de o nascituro nascer com vida, existe um regime jurídico de proteção ao nascituro. Assim, enquanto não nasce, o Ordenamento cria mecanismos de proteção a eventuais direitos do nascituro, tais como: a) curatela em nome do nascituro para resguardar direitos sucessórios ou outros direitos patrimoniais; b) possibilidade de ajuizamento de ação de alimentos para resguardar o direito à vida, conforme previsão legal para os alimentos gravídicos (Lei nº /2008); c) preservação da vida, através da tipificação do crime de aborto etc. Embora, textualmente, o nascituro não tenha personalidade civil, uma vez que ainda não nasceu, existe uma discussão doutrinária sobre o início da personalidade jurídica, justamente pelo fato de a lei ter resguardado direitos a ele. Ora, como resguardar direitos àquele que não tem personalidade jurídica? Colocando a questão de outro modo: como pode o nascituro ser titular de direitos se, pela letra da lei, ele não tem personalidade jurídica? Assim, diante da previsão legal de proteção aos direitos do nascituro, existem algumas teorias sobre o início da personalidade jurídica. Tais teorias não fazem uma discussão filosófica ou antropológica do que vem a ser pessoa ; buscam apenas demarcar juridicamente o início da personalidade jurídica. Vale esclarecer, ainda, que essas teorias não discutem o início da vida, mas apenas a partir de quando alguém poderia ser titular de direitos e obrigações, ou seja, a partir de quando alguém pode ser sujeito de direito. O conceito jurídico de pessoa natural não se confunde com o conceito científico de ser humano vivo. Vida e personalidade jurídica são conceitos distintos e um não está necessariamente atrelado ao outro. Não restam dúvidas, nem jurídica nem científica, de que o nascituro é um ser humano vivo, tanto que o Direito pátrio tipifica o aborto como crime contra a vida. Contudo, ainda não é consenso de que o nascituro é pessoa. Neste sentido, para discutir o início da personalidade jurídica, três teorias foram criadas, a saber: 1) Teoria Natalista: de acordo com a teoria natalista, o início da personalidade jurídica se dá efetivamente a partir do nascimento com vida. Por esta teoria, o nascituro não tem personalidade jurídica. Não pode ser sujeito de relações jurídicas. Entretanto, embora não possa ser sujeito de direito, se nascer com vida, o nascituro pode vir a sê-lo e, por tal motivo, a lei resguarda seus direitos. Essa teoria teria sido a adotada pelo artigo 2º, do Código Civil. Então, pela teoria natalista, o nascituro possui apenas mera expectativa de direitos, mas nunca personalidade jurídica. Adepto da teoria natalista, Pontes de Miranda, leciona: No útero, a criança não é pessoa. Se não nasce com vida, nunca adquiriu direitos, nunca foi sujeito de direito, nem pôde ter sido sujeito de direito (= nunca foi pessoa). Todavia, entre a concepção e o nascimento, o ser vivo pode achar-se em situação tal que se tenha de esperar o nascimento para saber se algum direito, pretensão, ação ou exceção lhe deveria ter ido. Quando o nascimento se consuma, a personalidade começa[8]. De igual forma, o Supremo Tribunal Federal que já teve oportunidade de se pronunciar sobre o assunto, no julgamento do Recurso Extraordinário , em 18 de outubro de 1993, adotou a teoria natalista, a saber: * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

4 CIVIL. NASCITURO. PROTEÇÃO DE SEU DIREITO, NA VERDADE PROTEÇÃO DE EXPECTATIVA, QUE SE TORNARA DIREITO, SE ELE NASCER VIVO. VENDA FEITA PELOS PAIS A IRMA DO NASCITURO. AS HIPÓTESES PREVISTAS NO CÓDIGO CIVIL, RELATIVAS A DIREITOS DO NASCITURO, SÃO EXAUSTIVAS, NÃO OS EQUIPARANDO EM TUDO AO JA NASCIDO. (RE / MG - MINAS GERAIS, Relator(a): Min. FRANCISCO REZEK, Julgamento: 18/10/1983, Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA-STF)[9] (grifo nosso) 2) Teoria concepcionista: de acordo com esta teoria, a personalidade jurídica teria início com a concepção, pois a lei põe a salvo os direitos do nascituro desde a concepção. Para esta teoria, não há direitos sem sujeitos, de modo que seria forçoso reconhecer a personalidade jurídica do nascituro. Maria Helena Diniz[10] e Carlos Roberto Gonçalves[11] são exemplos de doutrinadores que se perfilham a esta teoria. Sérgio Abdalla Semião, partidário da teoria natalista, critica a teoria concepcionista com precisão: Dizer que o nascituro é pessoa apenas para aquilo que lhe é juridicamente proveitoso, porque a lei lhe confere alguns direitos, configura tese de cunho apenas acadêmico, pois, não nascendo com vida, é como se não tivesse sequer sido concebido e, assim, nenhum direito lhe será conferido. Essa corrente doutrinária, além de ferir a primeira parte do art. 4 do Código Civil, opera os mesmos efeitos da doutrina natalista, única que se coaduna com a hermenêutica de nosso sistema jurídico, e ainda sem a mesma coerência[12]. Efetivamente, o nascituro não é e nem pode ser sujeito de direitos, pois se o fosse poderia exercer sua personalidade jurídica com plenitude, inclusive transferindo direitos, o que não é possível na presente ordem jurídica. 3) Teoria da personalidade condicional: os adeptos dessa teoria, como Washington de Barros Monteiro[13], entendem que o nascituro possui direitos sob condição suspensiva. Vale dizer, o ser concebido já pode titularizar alguns direitos extrapatrimoniais, como o direito à vida, mas só adquire completa personalidade, quando implementada a condição suspensiva do seu nascimento com vida. Para a teoria da personalidade condicional, o nascituro é pessoa condicional. A aquisição da personalidade se encontra na realização de uma condição, que é o nascimento com vida. Nasceu com vida, a personalidade retroagiria ao momento da concepção. A teoria da personalidade condicional consiste, na realidade, em um aprimoramento da teoria natalista. Em verdade, a teoria adotada pelo Código Civil para o início da personalidade jurídica foi a natalista. Então o nascituro não tem direitos? Verdade. A rigor, pela literalidade da lei, por não ter personalidade jurídica, o nascituro tem apenas perspectivas de direitos. A lei apenas resguarda essa perspectiva de direitos, levando-se em consideração a probabilidade de o feto nascer com vida. O nascituro não tem personalidade jurídica, tanto é verdade que não pode comprar, nem vender. Pode até ser eventual donatário ou herdeiro testamentário, mas esta qualidade não o torna detentor de personalidade jurídica, dá a ele apenas a possibilidade de receber bens, desde que nasça com vida. Se nascer morto, o nascituro jamais recebe o bem. Ora, se o nascituro tivesse personalidade jurídica, os bens recebidos por ele em doação ou herança seriam transferidos aos seus respectivos sucessores mesmo em caso de nascimento sem vida. Os direitos do nascituro encontram-se em estado potencial, submetidos ao nascimento com vida. A personalidade jurídica do nascituro é, pela textualidade do artigo 2º, do Código Civil, depende do nascimento com vida. 2. O EMBRIÃO HUMANO CONGELADO E A POLÊMICA SOBRE O INÍCIO DA VIDA HUMANA Como dito, a criação e o congelamento de embriões humanos em laboratório é, hoje, uma realidade. O destino desses embriões é revestido de contornos éticos, sociais e jurídicos, ainda sem solução. Poderiam ser utilizados em pesquisas científicas? Poderiam ser comercializados? Na Inglaterra, alguns milhares de embriões foram descartados[14]. Em julho de 2001, uma equipe de cientistas dos Estados Unidos garantiu haver criado embriões humanos em laboratório com o único objetivo de colher suas células. Para tanto, esses embriões foram destruídos[15]. Essa situação demonstra muito bem os problemas associados à existência dos embriões excedentários. De acordo com Jussara Maria Leal de Meirelles, citando Stela Marcos de Almeida Neves Barbas: Em 1983, dados resultantes de estatística realizada pelo Queen Victoria Medical Center (Austrália) davam conta de em cada 984 embriões implantados somente nascem 95 bebês, destruindo-se, assim, 889 embriões, o que corresponde às porcentagens de 90,6% e 9,4%, respectivamente. Número que seria maior se a estatística incidisse não somente sobre embriões implantados, abrangendo dessa forma todos os embriões obtidos a partir de fertilização in vitro, que se perdem mesmo antes da transferência[16]. A mesma autora, agora citando Eugênio Carlos Callioli, faz uma observação acerca das expressões utilizadas em referência aos embriões excedentários: * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

5 Lembra o autor que os embriões humanos são congelados e conservados para, caso seja conveniente, virem a ser aproveitados em futuras gestações ou para investigações científicas; se já não forem úteis, os técnicos se desfazem deles, assim como daqueles que apresentem anomalias. O uso corrente das expressões destacadas denota a designação de coisas e não de seres humanos.[17] Atualmente, a polêmica se torna ainda maior em razão das descobertas das células-tronco[18] embrionárias, as quais prometem revolucionar a ciência com a cura de doenças e deficiências tachadas de incuráveis. Marco Segre ressalta que: A retirada de células-tronco produz a morte desse "conjunto de células": daí, fulcro das polêmicas, é quanto a podermos produzir esses pré-embriões com o fim específico, não de gerarmos novos seres humanos, mas sim de fabricarmos "remédios" contra patologias graves, como a doença de Alzheimer, o síndrome de Parkinson, leucemias etc. É sabida a capacidade das céculas-tronco desencadearem a formação de tecidos variados, sendo inestimável o valor dessa capacidade para se reporem, no "vivo" (caso dos doentes portadores das moléstias já referidas) tecidos e órgãos vitalmente prejudicados[19]. Daniel Serrão aponta que a dificuldade em definr o estatuto ético do embrião in vitro acontece porque todos nós sabemos que também fomos, um dia, embriões vivos aos quais foi assegurado o direito ao desenvolvimento. [20] Para Dietmar Mieth, os embriões em laboratório constituem vida humana, não importando em que fase se encontrem. Assim, não podem ser utilizados para pesquisa, porque estariam sendo tratados como matériaprima. O autor não concorda com a utilização de embriões em pesquisas, a fim de tratar doenças e pacientes. Segundo o autor, Embora importantes, os interesses de quem sofre de uma doença não têm de se tornar absolutos para obrigar uma sociedade que tem de estar comprometida com todos os valores morais. [21] O aspecto mais relevante que está no centro da controvérsia ética sobre os embriões em laboratório refere-se à discussão sobre o início da vida humana. Marco Segre lembra: Assim como o desenvolvimento das técnicas de transplantes de órgãos vitais, a partir de doadores "mortos", passou a exigir a redefinição do momento de morte, para que esses fossem viáveis, o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida está estimulando um questionamento do momento de início da vida, para que, pelo destino que não se sabe qual dar aos embriões excedentes, este outro avanço científico (a reprodução assistida) não seja obstaculizado[22]. O que é a vida humana? Quando começa? Inicia-se com a junção do espermatozóide e o óvulo, com a origem da formação do sistema nervoso, a partir da nidação do embrião no útero ou a partir dos batimentos cardíacos? O que diferencia um embrião em laboratório do embrião já implantado no útero? Todo o cerne dos problemas que envolvem os embriões em laboratório dizem respeito a essas perguntas, que são de respostas difíceis, pois ultrapassam a esfera do conhecimento jurídico. Estabelecer o início da vida humana é algo de grande complexidade, pois não se trata de um fato exclusivamente técnico; ao contrário, necessariamente, envolve valores, daí por que tantas divergências e teorias[23] sobre o início da vida humana. Antes de mencionar as principais teorias sobre o início da vida humana, convém fazer um corte epistemológico na discussão, para diferenciar teorias sobre o início da vida de Teorias sobre o início da personalidade jurídica. Observou-se na literatura sobre o assunto que os doutrinadores têm feito uma confusão com essas teorias. As teorias sobre o início da personalidade jurídica são teorias jurídicas que buscam demarcar a partir de quando um indivíduo pode ser sujeito de direito, isto é, pessoa. Na realidade, as teorias sobre o início da personalidade jurídica surgiram apenas com o objetivo de analisar se o nascituro possui ou não personalidade jurídica. Não se trata de uma discussão antropológica nem filosófica do conceito de pessoa. Aqui, aborda-se apenas o conceito jurídico de pessoa. Este é o cerne da discussão. Conforme estudado, as teorias sobre o início da personalidade jurídica procuram analisar se o nascituro se enquadraria no conceito jurídico de pessoa. Aqui, não existe dicussão sobre o fato de o nascituro constituir vida humana; ao contrário, é consenso de que o nascituro representa um ser humano vivo tanto que o Direito tipifica o crime de aborto[24]. Já as teorias sobre o início da vida são teorias científicas ou filosóficas que buscam demarcar o início da vida humana. Buscam demarcar a partir de que momento o ser humano passa a existir. Não há discussão jurídica, nem antropológica e nem filosófica do conceito de pessoa. E como dito, demarcar o início da vida humana é algo repleto de complexidade. E por que a doutrina confunde essas teorias? Porque algumas teorias sobre o início da vida humana e sobre o início da personalidade jurídica possuem o mesmo nome, como exemplo as teorias da natalidade e da concepção. Além disso, alguns doutrinadores (como será demonstrado adiante) consideram que o nascituro tem personalidade jurídica desde a concepção, o que abrangeria o embrião congelado. Mas, primeiramente, vale separar epistemologicamente as gategorias de embrião, nascituro e pessoa, nem que seja para depois concluir que se tratam de uma mesma coisa. A título de ilustrução da confusão feita pelos doutrinadores, convém citar um trecho de Marta Ferdinande e Nely Lopes Casali, em que as autoras parecem confundir o conceito de personalidade jurídica * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

6 com o de início da vida e de nascituro, in verbis: A importância do início da personalidade está vinculada à determinação do início da vida: em que momento se inicia a vida humana; quando começaria a vida legal do bebê de proveta, ou seja, o momento em que se deve considerar juridicamento o nascituro. Alguns autores entendem que o nascituro só é considerado pessoa, quando o ovo fecundado for implantado no útero materno. Essa corrente entende que o embrião humano não pode ser considerado como um nscituro e, por este motivo, merece proteção jurídica como uma pessoa virtual, que possui carga genética própria[25]. Outro exemplo, é encontrado no texto Daniela Braga Praiano e Maurem da Silva Rocha: A vida humana começa a partir do nascimento com vida e se encerra com a morte. Porém, a lei resguarda direito do nascituro, ou seja, do feto em gestação. Se este nascer com vida, ele adquire esses direito que lhe foram resguardados. Questão recemente posta em cheque é do início da vida, se o nascituro é ou não pessoa. Existem duas doutrinas que explicam tal fato, são elas a natalista e a concepcionista[26]. Observe que as autoras confundem o início da personalidade jurídica com o início da vida, o que, como dito, não guardam necessariamente uma relação. Feito esses esclarecimento preliminares, passa-se a estudar as teorias sobre o início da vida humana. Reinaldo Pereira e Silva destaca algumas teorias que estabelecem critérios para a definição da individualidade humana, ou seja, a vida do ser humano[27]: a) Teoria da natalidade - para esta teoria, a individualidade humana surge a partir do nascimento. O concebido dentro do útero materno não possui individualidade, sendo apenas parte da mulher. b) Teoria da gestação esta teoria assevera que a individualidade humana se firma gradualmente. Relaciona a completude da individualidade ao tempo de gestação. A proteção jurídica do feto está relacionada ao tempo de gravidez. Por esta teoria, o embrião in vitro jamais seria considerado vida humana. c) Teoria da singamia - para entender esta teoria vale esclarecer que a fertilização do óvulo e a concepção constituem momentos diferentes. A fertilização do óvulo ocorre quando apenas um, dos milhões de espermatozóides liberados, consegue penetrar o óvulo. Já a concepção ocorre aproximadamente doze horas após a fertilização e se caracteriza como sendo o momento de fusão dos pronúcleos masculino e feminino do interior do ovo. Para esta teoria, a individualização humana ocorre desde o momento da penetração do espermatozóide no óvulo, isto é, desde a fusão das membranas dos gametas masculino e feminino [28]. d) Teoria da cariogamia - para esta teoria, a individualidade humana apenas tem início com a concepção, isto é, após a fusão dos pronúcleos masculino e feminino. Aqui, há a dissolução das membranas que cobrem os pronúcleos, permitindo a interação da informação genética contida em duas parcialidade com identidades diferentes para formar um todo novo [29]. Para esta teoria, o concepto já é um ser humano e não um ser humano em potência. A potencialidade é apenas do desenvolvimento humano. A capacidade que o concebido tem em desenvolver-se e converter-se em ser humano adulto é algo que lhe é intrínseco, por isso, para esta teoria, já existe vida humana desde a concepção. e) Teoria do pré-embrião - segundo esta teoria somente a partir do 14º dia da fecundação, é que existe um indivíduo humano. O zigoto ainda não é um ser humano, mas apenas uma célula progenitora dotada de potencialidade para gerar indivíduo da espécie humana. Marilena Côrrea salienta que o critério do 14º dia foi universalmente admitido, porque apoiou-se na premissa cientificamente aceita de que até esta etapa não tem início ainda o desenvolvimento do sistema nervoso do embrião [30]. Se o critério do estabelecimento da morte é o fim da atividade cerebral, então essa teoria se utiliza do mesmo argumento para o estabelecimento do início da vida. f) Teoria da nidação - esta adota o critério da nidação, isto é, implantação do embrião do útero, para o estabelecimento do início da vida. Para esta teoria, não há viabilidade de vida para o embrião em laboratório, necessitando ser implantado no útero. Para Jussara Maria Leal de Meirelles, a nidação não acrescenta nada à nova vida que se desenvolve; fornece-lhe, isso sim, condições ambientais mais favoráveis ao seu desenvolvimento. [31] Na verdade, é possível observar que não há consenso quanto ao início da vida humana, significando dizer que a escolha do critério utilizado por essas teorias leva em consideração componentes ideológicos e axiológicos. Definir a vida humana é essencialmente uma tarefa valorativa, portanto, variável segundo o tempo e o local. No âmbito jurídico, não há nenhuma lei no Direito Brasileiro que disponha sobre o marco inicial da vida humana. A Constituição Federal de 1988, por exemplo, é silente quanto às questões que envolvem o início e o fim da vida, assegurando apenas o direito à vida, em seu artigo 5º, caput. Desse modo, cabe à legislação infraconstitucional o estabelecimento desses limites. A Carta Magna brasileira, no que diz respeito à proteção jurídica dos embriões excedentários, sequer é explícita. Mesmo assim, é possível extrair alguns dispositivos e princípios constitucionais protetores dos * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

7 embriões em laboratório. Por exemplo, o artigo 199, 4º[32], da Constituição Federal de 1988, veda a comercialização de tecidos e substâncias humanas, pelo que se pode concluir que a comercialização de embriões humanos deve ser terminantemente proibida. Percebe-se, do exposto, que a definição do início da vida, nas questões referentes à Biomedicina, possui grande repercussão prática. Se for considerado que há vida humana a partir da fertilização do óvulo (teoria da singamia) ou da concepção (teoria da cariogamia), não deve existir nenhum tipo de manipulação nesses zigotos ou embriões. Todas as questões referentes aos embriões excedentários são rodeadas de grande complexidade. O estatuto moral do embrião in vitro ainda é repleto de dúvidas e controvérsias. No entanto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a polêmica do início da vida humana, quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3510 sobre células-tronco embrionárias, como se verá a seguir. 3. A LEI DE BIOSSEGURANÇA E A ADI Nº 3510 Em 24 de março de 2005, após uma série polêmicas, foi aprovada a nova Lei de Biossegurança brasileira, a qual permitiu pesquisas em células-tronco embrionárias. Dispõe o artigo 5º, da Lei n.º /2005: Art. 5º - É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I sejam embriões inviáveis; ou II sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir do congelamento. 1º - Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores. 2º - Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa. 3º - É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. 15 da Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997[33]. Percebe-se que a nova Lei de Biossegurança, ao possibilitar as pesquisas em células-tronco embrionárias, permitiu, indiretamente, a destruição dos embriões. Para tanto, basta que o embrião esteja congelado há mais de três anos ou que seja inviável. Em caso de inviabilidade do embrião, não é necessário que ele esteja congelado pelo período mínimo de três anos. Em qualquer caso, o consentimento dos genitores é indispensável. Entende-se por genitores aqueles que recorreram à utilização da reprodução assistida. Em 30 de maio de 2005, o então Procurador Geral da República, Cláudio Fonteles, ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADI[34] contra o referido artigo 5º, da Lei /2005. Fonteles considerava que o dispositivo legal feria a proteção constitucional do direito à vida e o princípio da dignidade da pessoa humana. Para o ex-procurador Geral da República, os embriões congelados constituem vida humana, motivo pelo qual o artigo 5º, da Lei /2005 estaria afrontando a Constituição Federal, já que esta garante o direito à vida no caput do artigo 5º. A ADI recebeu o número 3510 e teve como Relator o Ministro Carlos Ayres Britto. Este julgamento consistiu um marco histórico jurídico, pois foi a primeira vez que o Judiciário brasileiro teve a oportunidade de analisar temas relacionados aos atuais avanços científicos. Além disso, percebeu-se que o Direito não basta em si mesmo e que a determinação do início da vida humana não seria encontrada no Direito. Desse modo, foram admitidos como amicus curiae[35] (amigos da Corte), a Conectas Direitos Humanos, o Centro de Direitos Humanos (CDH), o Movimento em Prol da Vida (Movitae) e o Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (ANIS), além da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em abril de 2007, foi realizada uma audiência pública[36] no Supremo Tribunal Federal, a primeira do gênero realizada pela Corte, para debater o início da vida humana. Compareceram 22 (vinte e dois) especialistas, quase todos profissionais, pesquisadores e professores na área biomédica, exceto por uma antropóloga com pós-doutorado em bioética. Os profissionais se dividiam em dois blocos: um bloco formado por 11 (onze) profissionais, indicado pela Procuradoria Geral da República e pela CNBB; e outro, também formado por 11 (onze) pessoas, sugerido pela parte requerida. Através dos debates travados no STF sobre o início da vida, ficou latente a complexidade do tema e os valores religiosos, morais e ideológicos[37] que envolvem a questão. O julgamento da ADI nº 3510 iniciou-se em 05 de março de 2008, tendo sido concluído em 29 de maio do mesmo ano. Na sessão no dia 05 de março de 2008, o Relator, Ministro Ayres Britto, proferiu seu voto, manifestando-se favoravelmente às pesquisas com células-tronco embrionárias. Fazendo um paralelo entre o artigo 5º, da Lei nº /2005 com a Lei nº 9.434/1997, que determina como o fim da vida a morte encefálica, o Ministro considerou que o embrião congelado não é vida humana, pois ainda não possui cérebro. De acordo com Ayres Britto: O paralelo com o art. 5º Lei de Biossegurança é perfeito. Respeitados que sejam os pressupostos de aplicabilidade desta última lei, o embrião ali referido não é jamais uma vida a caminho de outra vida * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

8 virginalmente nova. Faltam-lhe todas as possibilidades de ganhar as primeiras terminações nervosas que são o anúncio biológico de um cérebro humano em gestação. Numa palavra, não há cérebro. Nem concluído nem em formação. Pessoa humana, por conseqüência, não existe nem mesmo como potencialidade. Pelo que não se pode sequer cogitar da distinção aristotélica entre ato e potência, porque, se o embrião in vitro é algo valioso por si mesmo, se permanecer assim inescapavelmente confinado é algo que jamais será alguém. Não tem como atrair para sua causa a essencial configuração jurídica da maternidade nem se dotar do substrato neural que, no fundo, é a razão de ser da atribuição de uma personalidade jurídica ao nativivo[38]. No mesmo dia, seguindo o entendimento do Relator, a Ministra Ellen Gracie votou pela constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias. No dia 05 de março de 2008, o julgamento da ADI nº 3510 foi interrompido por um pedido de vista, realizado pelo Ministro Menezes Direito. Em 28 de maio de 2008, foi retomado o julgamento da ADI nº 3510, com a leitura do voto-vista do Ministro Menezes Direito. Para o Ministro Direito, o embrião congelado é vida humana e merece proteção jurídica. De acordo com informações colhidas do sítio do STF, Menezes Direito considerou que a vida humana é autônoma, independente de impulsos externos e o embrião é, desde a fecundação, desde a união do núcleo do óvulo, um indivíduo humano, que será criança, adulto e velho, um indivíduo [39]. Menezes Direito fez ainda uma análise sobre a falta de controle dos trabalhos realizados nas clínicas especializadas que fazem fertilização in vitro. O Ministro lembrou que falta capacitação às agencias sanitárias para fiscalização das clínicas e dos embriões em poder dessas clínicas. É necessária uma regulamentação do setor, que ainda não existe, frisou o Ministro. Direito disse que se preocupa com o risco de que se realizem experiências genéticas e até mesmo clonagem humana, exatamente pela falta da fiscalização. Assim, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito votou pela procedência, em parte, da Ação Direta Inconstitucionalidade nº O ministro votou no sentido de que as células-tronco embrionárias constituem vida humana e que qualquer destinação delas a finalidade diversa que a reprodução humana viola o direito à vida previsto no caput do artigo 5º, da Constituição Federal. Interessante ressaltar que, em seu voto, o Ministro impôs uma série de restrições às pesquisas com células-tronco embrionárias bem como à realização da procriação artificial, coisa que a Lei nº /2005 não fez. Neste sentido, o Menezes Direito fez um verdadeiro papel de legislador, o que é proibido pela Constituição Federal de 1988[40]. No mesmo dia (28/05/2008), a Ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha afirmou que as pesquisas com células-tronco embrionárias não violam o direito à vida, muito pelo contrário, contribuem para dignificar a vida humana. A utilização de células-tronco embrionárias para pesquisa e, após o seu resultado consolidado, o seu aproveitamento em tratamentos voltados à recuperação da saúde não agridem a dignidade humana constitucionalmente assegurada [41], disse a ministra. Carmem Lúcia votou com os ministros Carlos Ayres Britto e Ellen Gracie pela total improcedência da ADI nº Em seguida, o Ministro Ricardo Lewandowski votou pela parcial procedência da ADI nº O Ministro considerou serem necessárias restrições às manipulações com células-tronco embrionárias, bem como tratou da necessidade de fiscalização das clínicas de reprodução assistida. Sobre a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias pelos Comitês de Éticas das próprias instituições responsáveis por elas, Lewandowski considerou: Não se mostra, também, segundo penso, conveniente e nem jurídico, permitir que projetos de pesquisa e de terapia com células-tronco embrionárias humanas sejam exclusivamente aprovadas pelos comitês de ética das próprias instituições e serviços de saúde responsáveis por sua realização, a teor do que sugere o 2º do art. 5º, aqui atacado[42]. O ministro entendeu que não é razoável, nem conveniente permitir que os próprios interessados nas pesquisas tomem decisões nessa importante área da ciência, segundo os seus próprios desígnios, sem a fiscalização das autoridades públicas e de representantes da comunidade [43]. Assim, como o ministro Menezes Direito, Ricardo Lewandowski impôs uma série de restrições às pesquisas com células-tronco embrionárias e às clínicas de reprodução assistida. Na mesma sessão, o Ministro Eros Grau, da mesma forma que os Ministros Eros Grau e Ricardo Lewandowski, votou a favor das pesquisas com células-tronco embrionárias com restrições. O ministro ressaltou que a fertilização in vitro referida no caput do artigo 5º correspondente à terapia da infertilidade humana adotada exclusivamente para fim de reprodução humana, admitindo-se a fertilização de um número máximo de quatro óvulos por ciclo e a transferência, para o útero, de um número máximo de quatro óvulos fecundados por ciclo. Eros Grau[44] admitiu a terapia com embriões viáveis, desde que não importe em sua destruição, ressaltando que o embrião faz parte do gênero humano, sendo assim ele tem a proteção da sua dignidade garantida pela Constituição, que lhe assegura ainda o direito à vida [45]. Ainda no dia 28 de maio de 2008, o Ministro Joaquim Barbosa acompanhou o voto do relator pela improcedência da ação. Joaquim Barbosa ressaltou que a permissão para a pesquisa com células * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

9 embrionárias não padece de inconstitucionalidade[46]. No mesmo dia, o último voto foi proferido pelo Ministro Cezar Peluso que se posicionou favoravelmente às pesquisas com células-tronco embrionárias, mas ressaltou a necessidade de um controle por um órgão externo e público que não seja o Comitê de Ética do próprio órgão responsável pela pesquisa. Tal como consta no artigo 5º, da Lei /2005, a fiscalização e o controle das pesquisas com células-tronco embrionárias estão a cargo dos comitês de ética e pesquisa das próprias instituições que fazem os estudos. Para Peluso, isso não é o bastante. A legislação vigente precisa ajustar-se, no ponto, aos ditames constitucionais, para que compreenda, no alcance de normas mais severas e peremptórias, todos os responsáveis pelo efetivo controle que pretende seja exercido [sobre as pesquisas], sobretudo pelo Estado [47]. No que diz respeito, especificamente à polêmica sobre o início da vida, o Ministro Peluso considerou que a vida é resultado de uma sucessão contínua de mudanças e, por isso, ela não existe nos embriões congelados, que têm seu processo de desenvolvimento suspenso. Os embriões congelados não são portadores de vida nem equivalem a pessoas, não vejo como, nem por onde, as pesquisas ofendem o chamado direito à vida [48], afirmou o ministro. No dia 29 de maio de 2008, o julgamento foi retomado com o voto do Ministro Marco Aurélio Mello[49] totalmente favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias. O ministro analisou que o início da vida não pressupõe só a fecundação, mas a viabilidade da gravidez, da gestação humana. Dizer que a Constituição protege a vida uterina já é discutível, quando se considera o aborto terapêutico ou o aborto de filho gerado com violência [50]. Penúltimo ministro a se pronunciar, Celso de Mello considerou plenamente constitucional a Lei de Biossegurança. O voto do ministro Celso de Mello se une ao do relator (Carlos Ayres Britto), no sentido de julgar improcedente o pedido feito na ADI. Ocorre, sim, o início da vida com a fecundação, mas o blastocisto está muito longe de ser um ser humano. Esse notável voto [do relator] representa a aurora de um novo tempo impregnado de esperança para aqueles abatidos pela angústia da incerteza [51], salientou Celso de Mello. Por fim, concluindo o julgamento, votou o Ministro Gilmar Mendes. Seguindo a linha dos ministros que mantiveram as pesquisas, mas com ressalvas, Gilmar Mendese fez críticas à Lei /2005. Segundo ele, a norma é deficiente para regular a questão das pesquisas com células-tronco embrionárias, pois um único artigo sobre o assunto em uma lei que trata de outro tema (organismos geneticamente modificados) não é suficiente[52]. Portanto, para seis ministros, a maioria da Corte, o artigo 5º da Lei de Biossegurança é constitucional e não merece reparo. Votaram nesse sentido os ministros Carlos Ayres Britto, relator da matéria, Ellen Gracie, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio e Celso de Mello. Para tais ministros, o embrião congelado não constitui vida humana, posto que inviável enquanto congelado. Observe-se, portanto, que para a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal o embrião in vitro não constitui vida humana, posto que, enquanto congelado, não tem viabilidade. Desse modo, para o STF o embrião humano não é vida. Com o fim do julgamento, é possível concluir que, para a Corte Constitucional brasileira, o embrião também não se enquadra no conceito de nascituro. Então, qual a categoria jurídica que se encontra o embrião humano crioconservado? Essa é uma pergunta que ainda não possui resposta pelo Ordenamento Jurídico pátrio. Com base no julgamento da ADI nº 3510, pode-se apenas afirmar que o embrião congelado não é vida humana e, consequentemente, não pode se enquadrar no conceito de nascituro. No entanto, não se pode menosprezar o componente humano presente nos embriões in vitro, motivo pelo qual as pesquisas com células-tronco embrionárias devem ser seriamente fiscalizadas e acompanhadas pelo Poder Público. 4. O CONCEITO DE NASCITURO ANTE O EMBRIÃO HUMANO CONGELADO Antes de conceituar nascituro, convém transcrever alguns dispositivos do Código Civil, a saber: Art. 2º. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção dos direitos do nascituro. (grifo nosso) Art Legitimam-se a suceder as pessoas já nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão. (grifo nosso) Art Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testados, desde que vidas estas ao abrirse a sucessão; (...). (grifo nosso) O artigo 1799, I, trata da chamada prole eventual e refere-se um ser ainda não concebido. Por uma análise puramente literal dos dispositivos legais citados, pode-se chegar a uma primeira conclusão: o nascituro constitui um ser concebido. Desse modo, a prole eventual não corresponde ao nascituro, posto que se trata de um ser que ainda não foi concebido. Pois bem, mas qual o conceito de concepção para fins caracterização do nascituro? Diante do surgimento das técnicas de reprodução assistida e, consequentemente, da possibilidade de se criar/ conceber * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

10 um embrião humano em laboratório e mantê-lo congelado, o conceito de nascituro teria evoluído com fins a abranger também esses embriões in vitro? Tradicionalmente, o conceito de nascituro relaciona-se com o ser que se encontra em ventre materno, ou seja, quando há a gestação, a gravidez[53]. Neste sentido, De Plácido e Silva: NASCITURO. Derivado do latim nasciturus, particípio passado de nasci, quer precisamente indicar aquela que há de nascer. Designa, assim, o ente que está gerado ou concebido, tem existência no ventre materno: está em vida intra-uterina. Mas não nasceu ainda, não ocorreu o nascimento dele, pelo que não se iniciou sua vida como pessoa[54]. É bem verdade que a proteção ao nascituro, no Direito brasileiro, remonta ao Código Civil de 1916, quando a reprodução assistida e o congelamento de embriões ainda era uma realidade distante[55]. Por conseguinte, o conceito de nascituro efetivamente só poderia abranger aquele que se encontrava no útero. Giselda Hironaka entende que o conceito tradicional de nascituro ampliou-se para além dos limites da concepção in vivo (no ventre feminino), compreendendo também a concepção in vitro (ou crioconservação) [56]. Para a autora, o lucus da concepção não deve influenciar no conceito de nascituro. Continua: O conceito de nascituro abarca, portanto, o conceito de embrião, sendo desastrosa a separação jurídica ou legislada dos termos, pois que pode trazer mais confusão do que solução, pela interpretação (errada) de que sejam diferentes casos. Embrião, afinal, é singularmente um dos estágios de evolução do ovo, que se fará nascituro. Ainda que não implantado, o embrião está concebido e, desde que identificado como os doadores de gametas, a ele será possível conferir herança, assim, como ao nascituro, eis que o art do Código Civil admite estarem legitimados a suceder não apenas as pessoas nascidas, mas também aquelas concebidas ao tempo da abertura da sucessão[57]. De igual modo, para Maria Helena Diniz, o conceito de nascituro abrange o embrião congelado[58]. A autora vai ainda mais além, para ela, a personalidade civil se inicia com a concepção, que corresponde, segundo ela, ao momento da penetração do espermatozóide no óvulo, mesmo fora do corpo da mulher[59]. A mestra chega, inclusive, a considerar inconstitucional, por violar o direito à vida e o princípio da dignidade humana, as pesquisas com células-tronco embrionárias previstas na Lei /2005 (lei de biossegurança)[60]. Como visto, sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já permitiu as pesquisas com células-tronco embrionárias, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº Em que pese o respeitável entendimento das doutrinadoras, do qual se ousa a discordar, o conceito de nascituro, efetivamente, não deve nem pode ser outro a não ser aquele que se encontra no ventre materno, de modo que não deveria englobar o embrião in vitro. Por que? Ora, a lei só põe a salvo os direitos do nascituro ante a possibilidade de ele vir a nascer com vida e não há viabilidade de vida no embrião congelado. O embrião congelado só tem viabilidade/ potencialidade de se tornar vida humana se houver a nidação, isto é, a implantação no útero. Não há como negar que existe, sim, diferença entre o embrião intra-uterino e o extra-uterino. Em um caso a vida é viável, no outro não é. Ainda que o componente genético do embrião seja idêntico em ambas as situações, tratam-se de circunstâncias diferentes. Mesmo na reprodução natural, mediante o ato sexual, praticamente inexiste viabilidade de vida, antes da nidação, isto é, a gravidez só passa a ser viável quando o embrião se implanta no útero. Vale lembrar que a fecundação e a concepção ocorrem nas trompas de falópio e após, aproximadamente, quatorze dias, o embrião migra e se implanta no útero (nidação), onde irá se desenvolver até o nascimento. Se após, aproximadamente, o décimo quarto dia da concepção, não ocorrer a nidação, estar-se diante de uma gravidez tubária, que deve ser imediatamente interrompida, por ser inviável e por trazer risco de morte para a mulher. Assim, mesmo em condições naturais não há como falar em vida humana antes da nidação. Desse modo, a palavra concepção utilizada para definição do nascituro não deve ser interpretada de forma a ser equivalente ao seu conceito científico. Concepção, aqui, deve ser interpretada como equivalente ao conceito de nidação; primeiro, porque não há viabilidade de vida para o embrião congelado/ extra-uterino e, segundo, por uma questão de segurança jurídica. Entender de modo diverso, isto é, entender que a palavra concepção prevista no Código Civil equivale ao seu conceito científico (momento em que há fusão dos pró-núcleos do espermatozóide com o óvulo), significa que o conceito de nascituro abrange, inclusive, os embriões congelados, o que seria um absurdo. Se o embrião congelado for considerado nascituro, expressa dizer que ele terá resguardados os mesmos deste, tais como: direito à vida, direitos sucessórios etc. Há ainda de se levar em consideração que a realidade científica e social encontra-se em constantes mudanças, de modo que os institutos jurídicos tradicionais merecem revisão. Não é possível tão-somente apropriar-se de um conceito tradicional, como o de nascituro, e transmudá-lo para uma realidade totalmente diversa. Jussara Maria Leal de Meirelles considera que não é possível fazer uma sinonímia entre o nascituro e o * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

11 embrião congelado[61]. Dispõe a autora: (...) ao se estabelecer a referida sinonímia, estar-se-ia atribuindo aos embriões de laboratório todos os direitos estabelecidos por lei aos nascituros. Assim, não somente os direitos relativos à personalidade, como: direito à vida, à saúde, à imagem, permitindo-se, portanto, a adoção, a curatela, o reconhecimento filial. Mas também no tocante aos direito patrimoniais, tais como a doação e a herança, que dependem do nascimento com vida para aperfeiçoar-se; e se desde a concepção, o representante legal do nascituro pode ingressar na posse dos bens doados ou herdados (arts. 877 e 878 do Código de Processo Civil), como ficariam esses direito na hipóteses de se tratar de embriões congelados? Seguindo a orientação tradicional, ao se outorgar personalidade jurídica ao embrião in vitro, estar-seia pretendendo caracterizá-lo como sujeito de direito, apto a se posicionar nas diferentes relações jurídicas, adquirindo direito e contraindo obrigações. Sendo assim, em um raciocínio inicial, tal qual o nascituro, seria o embrião pré-implantatório titular de direito subordinados a condição. E tal condição seria suspensiva (implantação no útero) ou resolutiva (não implantação), dependendo do posicionamento adotado frente à subjetividade do novo ser[62]. Se o embrião congelado integrar a definição jurídica de nascituro, como se faria, então, para efetivar seus direitos? Proteger-se-ia o embrião congelado por meio das curatelas em favor do nascituro até o dia em que alguém decidisse transferi-lo ao útero? Então a curatela ficaria condiciona à vontade humana? E se o responsável pelo embrião congelado decidir que não haverá a nidação? Até quando se permaneceria com as devidas curatelas para proteção do nascituro? Por isso é que se afirmou alhures que, até por uma questão de segurança jurídica, o conceito de nascituro não poderia englobar o embrião in vitro. Jussara Maria Leal de Meirelles alerta para o fato de que ao se subordinar a aquisição de direitos pelo embrião pré-implantatório à condição representada pela sua transferência ao útero seguida de nidação, seja sob o caráter suspensivo seja pelo resolutivo, estar-se-ia reduzindo a referida titularidade à vontade de outrem [63]. Em outros termos, a titularidade de direitos e obrigações por parte do embrião congelado não estaria a depender de um fato natural, mas sim da vontade humana em transferi-lo ou não para o útero. Neste sentido, a doutrinadora complementa: Não se trata, então, de sujeitar a personalidade jurídica a acontecimentos naturais, como o nascimento com vida, a morte, ou até mesmo a nidação. A transferência ao útero dependeria, além dos fatores biológicos, da intenção de quem a realizasse e de quem se submetesse a tal intervenção médica[64]. O Direito tem por função precípua garantir a paz e a segurança social. Por isso, seus institutos, suas regras e seus princípios têm uma razão de ser. Considerar que o embrião congelado integra o conceito de embrião não traz a segurança almejada pela sociedade; ao contrário, desperta ainda mais aflições, pois submete toda órbita jurídica ao arbítrio de uma pessoa. Melhor explicando, a realização do Direito ficaria subjugada a vontade de uma pessoa em transferir ou não o embrião para o seu útero, o que seria um absurdo. Não devem prosperar os entendimentos de que o embrião congelado se enquadra no conceito de nascituro, pois isso atingiria a segurança jurídica. Quem os representaria? E se o embrião estiver abandonado por seus genitores? No julgamento, por maioria, da ADI nº 3510, o STF considerou que o embrião congelado sequer constitui vida humana. Assim, indireta ou implicitamente, o STF não deu ao embrião crioconservado o status jurídico de nascituro, pois se o tivesse feito não teria permitido as pesquisas com células-tronco embrionárias. Ora, se o conceito de nascituro abrangesse o embrião in vitro, como consequência lógica, as pesquisas com células-tronco teriam sido proibidas pelo STF. Mas o que se viu, foi exatamente outra solução. Para a Corte Constitucional brasileira o embrião crioconservado sequer representa um ser humano vivo, que dirá um nascituro. Em suma, o conceito de nascituro deve se referir apenas ao ser que se encontra no útero materno. Em se tratando de embrião congelado, este somente deve adquirir o status jurídico de nascituro com a nidação. CONCLUSÃO Embrião congelado, nascituro e pessoa são conceitos e categorias jurídicos distintas, com regimes jurídicos distintos. O embrião crioconservado ainda não possui uma definição jurídica pelo Ordenamento Jurídico brasileiro. No Brasil, a definição da categoria jurídica do embrião congelado é ainda muito polêmica entre os doutrinadores. Instado a se manifestar sobre o início da vida humana na ADI nº 3510, o Supremo Tribunal Federal entendeu, por maioria, que não há vida humana no embrião crioconservado, motivo pelo qual liberou as pesquisas com células-tronco embrionárias, na forma como colocada pelo artigo 5º, da Lei /2005. Nascituro é aquele ler concebido e ainda não nascido a quem a lei resguarda direitos, tendo em vista a possibilidade de nascer com vida. Para alguns doutrinadores, o conceito de nascituro abarca o embrião in vitro ; mas tal entendimento não se coaduna com o sentido e com a finalidade da norma jurídica. Ora, a lei protegeu os direitos do nascituro ante a perspectiva latente de ele vir a nascer com vida, o que não ocorre enquanto o embrião estiver congelado em laboratório. Desse modo, o conceito de nascituro deve se restringir apenas àquele que já se encontra no útero materno. Além disso, ao enquadrar o embrião congelado no conceito de nascituro ter-se-ia que conferir a ele os mesmos direitos, o que ficaria inviável e acabaria por afrontar a segurança jurídica. Por fim, após o julgamento da ADI nº 3510, em 29 de maio de 2008, * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

12 permitindo as pesquisas com células-tronco embrionárias, é possível afirmar que, para o Supremo Tribunal Federal, o conceito de nascituro não abrange o embrião in vitro, do contrário, as pesquisas com célulastronco teriam sido proibidas. Pessoa, por sua vez, é aquele que pode ser sujeito de direito, ou seja, é aquele que tem personalidade jurídica. Para o Direito brasileiro, tem personalidade jurídica aquele que já nasceu e que se encontra vivo. Assim, se nem o nascituro tem personalidade jurídica, que dirá o embrião congelado. A questão colocada no presente artigo não de fácil solução, pois é possível que um doutrinador entenda que a personalidade civil existe desde que a concepção (teoria concepcionista sobre o início da personalidade civil) e que o conceito de nascituro abrange o conceito de embrião congelado, posto que concebido. Então, o embrião congelado seria um nascituro e ainda teria personalidade jurídica. Mas indagase como viabilizar no mundo prático esse entendimento? Esse entendimento realmente atinge a finalidade da Lei? Esse entendimento resguarda a segurança jurídica? Percebe-se, portanto, que o conceito de nascituro não deve incluir o embrião congelado, sob pena de afronta à segurança jurídica. Poder-se-ia indagar: e onde estaria o princípio da dignidade humana do embrião? Realmente, não dá para negar que o embrião congelado, independentemente, da teoria adotada para caracterização ou definição do início da vida, tem potencialidade de se desenvolver, desde que em um ambiente propício, e se tornar viável. Essa qualidade, não deve ser menosprezada; pelo contrário, deve ser protegida. Mas daí, proteger o embrião ao ponto de considerá-lo sujeito de direito pode colocar em risco a segurança e a dignidade de pessoas que já nasceram e que estão a espera da realização e da efetivação de seus direitos. Vale, aqui, fazer uso de outro princípio constitucional para solucionar a discórdia, qual seja, o princípio da proporcionalidade. Não é proporcional enquadrar o embrião in vitro no conceito de nascituro nem muito menos atribuir-lhe personalidade jurídica. Proteger os embriões congelados não significa atribuir-lhes personalidade jurídica ou denominá-los de nascituro, significa criar uma regulamentação forte, a fim de controlar as clínicas de reprodução assistida e as entidades que venham a realizar pesquisas com células-tronco embrionárias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição, Constituição da República Federativa do Brasil. BRASIL. Lei n.º , de 24 de março de BRASIL. Lei , de 10 de janeiro de Código Civil. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Disponível em: Recurso Extraordinário nº Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. PETIÇÕES ADI, ADC e ADPF. Disponível em:. Acesso em: 13 out BRASIL. Supremo Tribunal Federal. NOTÍCIAS STF, referentes ao dia 20 de abril de Disponível em:. Acesso em: 13 out BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto do ministro Carlos Ayres Britto na ADI sobre a Lei de Biossegurança. Disponível em:. Acesso em: 14 out BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Ministro Menezes Direito salienta que pesquisa com células-tronco embrionárias ainda não apresentam resultados concreto. Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Ministro Menezes Direito vota a favor de pesquisas com células-tronco embrionárias, mas impõe restrições. Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto da ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha sobre pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em: < >. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Lewandowski: pesquisas com células-tronco devem ser realizadas, mas com limitações. Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Eros Grau apontou o direito à vida e à dignidade humana como determinantes no seu voto. Disponível em:. Acesso em: 10 abr * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto do Ministro Eros Grau disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de STF libera pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de Marco Aurélio é o sexto ministro a votar sem restrições a favor das pesquisas. Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Íntegra do voto do ministro Marco Aurélio está disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de Direto do Plenário: Ministro Celso de Mello é favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de Gilmar Mendes vota favoravelmente às pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr CASALI, Nely Lopes; Marta Beatriz T. Ferdinandi. A personalidade do embrião e do nascituro e as implicações jurídicas de reprodução humana assistida no Direito brasileiro. Revista Jurídica Cesumar, v.7, n.1, p , CIÊNCIA VIVA Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Embriões humanos criados apenas para investigação. Polêmica nos Estados Unidos. Disponível em:. Acesso em: 22 nov CÔRREA, Marilena C. D. V. Bioética e Reprodução Humana. In: LOYOLA, Maria Andréa (org.) Bioética, reprodução e gênero na sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP); Brasília: Letras Livres, 2005, p DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Volume 1: Teoria Geral do Direito Civil. 25. ed. São Paulo: Saraiva, FIGUEIREDO, Antônio Macena. Células-tronco: a ciência, a ética e os direitos do nascituro. Revista Jurídica Unijus, v. 12, n. 16, p , Uberaba-MG, maio, FRANCO, Fábrio Luis; OLIVEIRA, José Sebastião de. O nascituro e o início da vida. Revista Jurídica Cesumar, v. 7, n. 1, p , jan./jun FRAZÃO, Alexandre Gonçalves. A fertilização in vitro: uma nova problemática jurídica. Disponível em:. Acesso em: 11 set GARRAFA, Volnei; PESSINI, Leo. Bioética: poder e injustiça. São Paulo: Edições Loyola, [s.d.]. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Volume 1: Parte Geral. 5. ed. São Paulo: Saraiva, HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes. As inovações biotecnológicas e o direito das sucessões. Direitos Culturais, v.2, n.3, p , LUNA, Naara. Embriões no Supremo: ética, religião e ciência no poder público. 31º Encontro Anual da ANPOCS. Caxambu, MG, 22 a 25 out Disponível em:. Acesso em: 20 mar MEIRELLES, Jussara Maria Leal de. A vida humana embrionária e sua proteção jurídica. São Paulo: Renovar, MEIRELLES, Jussara Maria Leal de. Os embriões mantidos em laboratório e a proteção da pessoa: o novo Código Civil brasileiro e o Texto Constitucional. In: BARBOZA, Heloisa Helena; BARRETO, Vicente de Paulo; MEIRELLES, Jussara Maria Leal de (orgs.) Novos temas de Biodireito e Bioética. Rio de Janeiro: Renovar, MIRANDA, Pontes de. Tratado de Direito Privado. Volume 1. Campinas: Bookseller, MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Volume 1: Parte Geral. 40. ed. São Paulo: Saraiva, PAIANO, Daniela Braga; ROCHA, Maurem da Silva. Biodireito e o início da vida: crise de paradigmas no Ordenamento Jurídico brasileiro. Revistas Internas. Toledo. Disponível em:. Acesso em: 10 abr PROJETO GHENTE. Disponível em:. Acesso em: 13 jan RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Volume 1: Parte Geral. 34. ed. São Paulo: Saraiva, * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

14 SANTOS, Maria Celeste Cordeiro Leite. A arte do possível: sobre a reprodução humana assistida. In: SILVA, Reinaldo Pereira e; LAPA, Fernanda Brandão. (orgs.) Bioética e direitos humanos. Florianópolis: OAB/SC Editora, SEGRE, Marco. A propósito da utilização de células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 20 nov SEMIÃO, Sérgio Abdalla. Os Direitos do Nascituro. Belo Horizonte: Del Rey, SERRÃO, Daniel. Estatuto do embrião. Bioética, v. 11, n. 2, p , SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. v. 3, 12. ed., Rio de Janeiro: Forense, SILVA, Reinaldo Pereira e. Introdução ao biodireito: investigações político-jurídicas sobre o estatuto da concepção humana. São Paulo: Ltr, [1] Art º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. BRASIL. Constituição, Constituição da República Federativa do Brasil. [2] BRASIL. Lei , de 10 de janeiro de Código Civil. [3] DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Volume 1: Teoria Geral do Direito Civil. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 113 e 114. [4] Id., ibid., 2008, p [5] GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Volume 1: Parte Geral. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 70. [6] BRASIL. Lei , de 10 de janeiro de Código Civil. [7] GONÇALVES, Carlos Roberto. op. cit., 2007, p. 76. [8] MIRANDA, Pontes de. Tratado de Direito Privado. Volume 1. Campinas: Bookseller, 1999, p [9] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº Disponível em:. Acesso em: 10 abr [10] DINIZ, Maria Helena. op. cit., 2008, p [11] GONÇALVES, Carlos Roberto. op. cit., 2007, p. 82. [12] SEMIÃO, Sérgio Abdalla. Os Direitos do Nascituro. Belo Horizonte: Del Rey, 1998, p [13] MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Volume 1: Parte Geral. 40. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 66. [14] FRAZÃO, Alexandre Gonçalves. A fertilização in vitro: uma nova problemática jurídica. Disponível em:. Acesso em: 11 set [15] CIÊNCIA VIVA Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Embriões humanos criados apenas para investigação. Polêmica nos Estados Unidos. Disponível em:. Acesso em: 22 nov [16] BARBAS, Stela Marcos de Almeida Neves. Direito ao patrimônio genético. Coimbra: Almedina, Apud MEIRELLES, Jussara Maria Leal de. A vida humana embrionária e sua proteção jurídica. São Paulo: Renovar, 2000, p [17] CALLIOLI, Eugênio Carlos. Aspectos da fecundação artificial in vitro. Revista de Direito Civil, Agrário e Empresarial, São Paulo, v. 12, n. 44, p , abr./jun apud MEIRELLES, Jussara Maria Leal de. A vida humana embrionária e sua proteção jurídica. São Paulo: Renovar, 2000, p [18] Células-tronco são as células com capacidade de auto-replicação, isto é, com capacidade de gerar uma cópia idêntica a si mesma e com potencial de diferenciar-se em vários tecidos. PROJETO GHENTE. Disponível em:. Acesso em: 13 jan [19] SEGRE, Marco. A propósito da utilização de células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 20 nov [20] SERRÃO, Daniel. Estatuto do embrião. Bioética, v. 11, n. 2, p , 2003, p [21] MIETH, Dietmar. Os problemas éticos do uso de embriões para pesquisa. apud. GARRAFA, Volnei; PESSINI, Leo. Bioética: poder e injustiça. São Paulo: Edições Loyola, [s.d.].p [22] SEGRE, Marco. op. cit., (on line). Acesso em: 20 nov [23] Sobre as teorias acerca do início da vida ver também: SANTOS, Maria Celeste Cordeiro Leite. A arte do possível: sobre a reprodução humana assistida. In: SILVA, Reinaldo Pereira e; LAPA, Fernanda Brandão. (orgs.) Bioética e direitos humanos. Florianópolis: OAB/SC Editora, 2002, p [24] Vale mencionar que a vida do nascituro não constitui um valor absoluto, pois o próprio Código Penal admite o aborto legal em caso de estupro ou de risco de morte para a gestante. [25] CASALI, Nely Lopes; Marta Beatriz T. Ferdinandi. A personalidade do embrião e do nascituro e as implicações jurídicas de reprodução humana assistida no Direito brasileiro. Revista Jurídica Cesumar, v.7, n.1, p , 2007, p [26] PAIANO, Daniela Braga; ROCHA, Maurem da Silva. Biodireito e o início da vida: crise de paradigmas no Ordenamento Jurídico brasileiro. Revistas Internas. Toledo. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [27] SILVA, Reinaldo Pereira e. Introdução ao biodireito: investigações político-jurídicas sobre o estatuto da concepção humana. São Paulo: Ltr, 2002, p [28] Id., ibid., 2002, p. 85. [29] Id., ibid., 2002, p. 85. [30] CÔRREA, Marilena C. D. V. Bioética e Reprodução Humana. In: LOYOLA, Maria Andréa (org.) Bioética, reprodução e gênero na sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP); Brasília: Letras Livres, 2005, p , p. 66. [31] MEIRELLES, Jussara Maria Leal de. op. cit., 2000, p [32] Art [...] 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos ou substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. [33] BRASIL. Lei n.º , de 24 de março de [34] A petição inicial da ADI nº 3510 encontra-se disponível no sítio do STF: BRASIL. Supremo Tribunal Federal. PETIÇÕES ADI, ADC e ADPF. Disponível em:. Acesso em: 13 out [35] A figura do amicus curiae (amigo da Corte) é permitida pela Lei 9.868/99 e significa a intervenção de terceiros no processo, na qualidade de informantes, permitindo que o Supremo viesse a dispor de todos os elementos informativos possíveis e necessários à solução da controvérsia, além de ser um fator de legitimação social das decisões da Corte Constitucional. [36] A audiência pública sobre a Lei de Biossegurança ouviu 22 profissionais, dentre médicos, geneticistas, advogados etc., que se manifestaram acerca do início da vida humana, com opiniões divergentes. Para saber mais sobre a referida audiência ver: BRASIL. Supremo Tribunal Federal. NOTÍCIAS STF, referentes ao dia 20 de abril de Disponível em:. Acesso em: 13 out [37] Naara Luna tem um artigo muito interessante, em que analisa cada um dos discursos dos profissionais que se apresentaram na audiência pública sobre células-tronco, no STF. A autora explana que definir o início da vida humana não é uma tarefa científica, mas puramente ideológica. A autora conclui que o caráter religioso presente nos debates encontra-se no conceito de vida. Segundo ela, conceituar vida remete a valores transcendentes e não a um mero processo físico e biológico. LUNA, Naara. Embriões no Supremo: ética, religião e ciência no poder público. 31º Encontro Anual da ANPOCS. Caxambu, MG, 22 a 25 out Disponível em:. Acesso em: 20 mar [38] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto do ministro Carlos Ayres Britto na ADI sobre a Lei de Biossegurança. Disponível em:. Acesso em: 14 out * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

15 [39] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Ministro Menezes Direito salienta que pesquisa com células-tronco embrionárias ainda não apresentam resultados concreto. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [40] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Ministro Menezes Direito vota a favor de pesquisas com células-tronco embrionárias, mas impõe restrições. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [41] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto da ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha sobre pesquisas com célulastronco embrionárias. Disponível em: < >. Acesso em: 10 abr [42] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Lewandowski: pesquisas com célulastronco devem ser realizadas, mas com limitações. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [43] Id., ibid., (on line), [44] Para íntegra do voto do Ministro Eros Grau: BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto do Ministro Eros Grau. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [45] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Eros Grau apontou o direito à vida e à dignidade humana como determinantes no seu voto. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [46] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de STF libera pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [47] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quarta-feira, 28 de Maio de Ministro Cezar Peluso é favorável a pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [48] Id., ibid., (on line), [49] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Íntegra do voto do ministro Marco Aurélio está disponível em:. Acesso em: 10 abr [50] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de Marco Aurélio é o sexto ministro a votar sem restrições a favor das pesquisas. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [51] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de Direto do Plenário: Ministro Celso de Mello é favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [52] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícias STF. Quinta-feira, 29 de Maio de Gilmar Mendes vota favoravelmente às pesquisas com células-tronco embrionárias. Disponível em:. Acesso em: 10 abr [53] Neste sentido: RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Volume 1: Parte Geral. 34. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 36. [54] SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. v. 3, 12. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 228 [55] O primeiro bebê advindo da fertilização in vitro nasceu em 1978, na Inglaterra, chamando-se Louise Brown. [56] HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes. As inovações biotecnológicas e o direito das sucessões. Direitos Culturais, v.2, n.3, p , 2007, p. 70. [57] Id., ibid., 2007, p. 70. [58] DINIZ, Maria Helena. op. cit., 2008, p [59] Id., ibid., 2008, p. 199 (nota de roda-pé). [60] De igual forma, considerando que o conceito de nascituro abrange o embrião congelado e, portanto, contrários às pesquisas com células-tronco embrionárias ver: FRANCO, Fábrio Luis; OLIVEIRA, José Sebastião de. O nascituro e o início da vida. Revista Jurídica Cesumar, v. 7, n. 1, p , jan./jun FIGUEIREDO, Antônio Macena. Células-tronco: a ciência, a ética e os direitos do nascituro. Revista Jurídica Unijus, v. 12, n. 16, p , Uberaba-MG, maio, [61] MEIRELLES, Jussara Maria Leal de. Os embriões mantidos em laboratório e a proteção da pessoa: o novo Código Civil brasileiro e o Texto Constitucional. In: BARBOZA, Heloisa Helena; BARRETO, Vicente de Paulo; MEIRELLES, Jussara Maria Leal de (orgs.) Novos temas de Biodireito e Bioética. Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p. 85. [62] Id., ibid., 2003, p. 86 e 87. [63] Id., ibid., 2003, p. 88. [64] Id., ibid., 2003, p. 89. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

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