Legislação, Doutrina e Jurisprudência

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1 Legislação, Doutrina e Jurisprudência ÚLTIMO DIÁRIO PESQUISADO 09/10/2014 ANO: FECHAMENTO: 09/10/2014 EXPEDIÇÃO: 12/10/2014 PÁGINAS: 464/451 FASCÍCULO Nº: 41 Sumário PREVIDÊNCIA SOCIAL APOSENTADORIA ESPECIAL Exposição a Agentes Cancerígenos Portaria Interministerial 9 MTE-MS-MPS CERTIDÃO CONJUNTA Emissão Portaria Conjunta RFB-PGFN COBRANÇA ADMINISTRATIVA Valores Instrução Normativa 74 INSS DARF Código Ato Declaratório Executivo 33 Codac DEFICIENTE FÍSICO Contratação Orientação MORATÓRIA Débitos Previdenciários Portaria Conjunta 18 PGFN RFB REABILITAÇÃO PROFISSIONAL Contratação Orientação REGULARIDADE FISCAL Prova Portaria Conjunta RFB-PGFN TRABALHO CUSTAS PROCESSUAIS Recolhimento Ato 510 TST DÉBITO TRABALHISTA Atualização Outubro/2014 Tabela Prática DEPÓSITO RECURSAL Recolhimento Ato 510 TST ESTRANGEIROS Autorização de Trabalho Norma Operacional 3 SPPE FOLHA DE PAGAMENTO Empréstimos, Financiamentos e Arrendamento Mercantil Medida Provisória SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO Lista de Agentes Cancerígenos Portaria Interministerial 9 MTE-MS-MPS OUTROS ASSUNTOS FEDERAIS DCTF Normas para Apresentação Instrução Normativa RFB FGTS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Moratória Portaria Conjunta 18 PGFN RFB SALDO DAS CONTAS Atualização Outubro/2014 Comunicado S/N Caixa JURISPRUDÊNCIA JORNADA DE TRABALHO A cumulação dos regimes de compensação semanal e banco de horas deve necessariamente atender aos requisitos legais para validade de cada uma das modalidades VALE-TRANSPORTE É do empregador o ônus da prova acerca do não cumprimento pelo empregado dos requisitos necessários ao recebimento do vale-transporte PIS/PASEP CERTIDÃO CONJUNTA Emissão Portaria Conjunta RFB-PGFN DÉBITOS Moratória Portaria Conjunta 18 PGFN RFB REGULARIDADE FISCAL Prova Portaria Conjunta RFB-PGFN LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 464

2 PREVIDÊNCIA SOCIAL FASCÍCULO 41/2014 COAD PREVIDÊNCIA SOCIAL ORIENTAÇÃO DEFICIENTE FÍSICO Contratação Saiba quais empresas estão obrigadas a reservar cargos para pessoas com deficiência ou reabilitadas A Constituição Federal proíbe qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com deficiência. Como é difícil o acesso das pessoas portadoras de deficiência ao mercado de trabalho, a Lei 8.213/91 garante a reserva de vagas junto às empresas para o beneficiário reabilitado ou pessoa portadora de deficiência habilitada. Neste Comentário, estamos analisando as normas sobre a obrigatoriedade da contratação de beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiências habilitadas. 1. OBRIGAÇÃO DAS EMPRESAS As empresas com 100 ou mais empregados, independentemente da atividade econômica que exerçam, estão obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência habilitadas, na seguinte proporção: NÚMERO DE EMPREGADOS DA EMPRESA PROPORÇÃO DE PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA OU REABILITADAS SEREM CONTRATADAS de 100 a 200 2% de 201 a 500 3% de 501 a % mais de % Para efeito de aferição dos referidos percentuais será considerado o número de empregados da totalidade dos estabelecimentos da empresa. As frações de unidade no cálculo darão lugar à contratação de mais um trabalhador. A proporção de vagas exclui o segurado acidentado, tendo em vista que o mesmo tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa BENEFICIÁRIOS REABILITADOS Consideram-se beneficiários reabilitados todos os segurados e dependentes vinculados ao RGPS Regime Geral de Previdência Social, submetidos a processo de reabilitação profissional desenvolvido ou homologado pelo INSS Instituto Nacional do Seguro Social PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA Pessoas portadoras de deficiência habilitadas são aquelas não vinculadas ao RGPS, que se tenham submetido a processo de habilitação profissional desenvolvido pelo INSS ou por entidades reconhecidas legalmente para este fim. 2. DEFICIÊNCIA Deficiência é toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. A pessoa portadora de deficiência enquadra-se nas seguintes categorias: a) deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; b) deficiência auditiva perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (db) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; c) deficiência visual cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; d) deficiência mental funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação; cuidado pessoal; habilidades sociais; utilização dos recursos da comunidade; saúde e segurança; habilidades acadêmicas; lazer; e trabalho; e) deficiência múltipla associação de duas ou mais deficiências REQUISITOS PARA ENQUADRAMENTO COMO PESSOA COM DEFICIÊNCIA Para fins de comprovação do enquadramento do empregado como pessoa com deficiência é necessária a apresentação de laudo elaborado por profissional de saúde de nível superior, preferencialmente habilitado na área de deficiência relacionada ou em saúde do trabalho, que deve contemplar as seguintes informações e requisitos mínimos: a) identificação do trabalhador; b) referência expressa quanto ao enquadramento nos critérios estabelecidos na legislação pertinente; c) identificação do tipo de deficiência; d) descrição detalhada das alterações físicas, sensoriais, intelectuais e mentais e as interferências funcionais delas decorrentes; e) data, identificação, nº de inscrição no conselho regional de fiscalização da profissão correspondente e assinatura do profissional de saúde; e f) concordância do trabalhador para divulgação do laudo à Auditoria-Fiscal do Trabalho e ciência de seu enquadramento na reserva legal. A comprovação do enquadramento na condição de segurado reabilitado da Previdência Social será realizada com a apresentação do Certificado de Reabilitação Profissional emitido pelo INSS. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 463

3 COAD FASCÍCULO 41/2014 PREVIDÊNCIA SOCIAL 3. CONTRATAÇÃO DE PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊN- CIA A empresa, ao contratar pessoas portadoras de deficiência, está obrigada a cumprir todas as normas pertinentes à relação de emprego, previstas na CLT Consolidação das Leis do Trabalho, devendo, portanto, seguir as rotinas normais de admissão e demissão observados aos demais empregados, fazendo jus os empregados deficientes a todos os direitos, tais como: férias; 13º salário; repouso semanal remunerado; horas extras; adicional noturno; licença-maternidade; licença-paternidade, dentre outros MODALIDADES DE CONTRATAÇÃO São modalidades de inserção da pessoa portadora de deficiência no mercado de trabalho: a) colocação competitiva: processo de contratação regular, nos termos da legislação trabalhista e previdenciária, que independe da adoção de procedimentos especiais para sua concretização, não sendo excluída a possibilidade de utilização de apoios especiais; b) colocação seletiva: processo de contratação regular, nos termos da legislação trabalhista e previdenciária, que depende da adoção de procedimentos e apoios especiais para sua concretização. Procedimentos Especiais Procedimentos especiais são os meios utilizados para viabilizar a contratação e o exercício da atividade laboral da pessoa portadora de deficiência, tais como: jornada variável, horário flexível, proporcionalidade de salário, adequação das condições e do ambiente de trabalho e outros. Apoios Especiais Apoios especiais são a orientação, a supervisão e as ajudas técnicas, entre outros elementos, que auxiliem ou permitam compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa com deficiência, de modo a superar as suas limitações. 4. FALTA DE RELAÇÃO DE EMPREGO O trabalho da pessoa portadora de deficiência também não caracterizará relação de emprego com o tomador de serviços, se atendidos os seguintes requisitos: a) realizar-se com a intermediação de entidade sem fins lucrativos, de natureza filantrópica e de comprovada idoneidade, que tenha por objetivo assistir o portador de deficiência; b) a entidade assistencial intermediadora comprovar a regular contratação dos portadores de deficiência nos moldes da CLT; c) o trabalho destinar-se a fins terapêuticos, desenvolvimento da capacidade laborativa reduzida devido à deficiência, ou inserção da pessoa portadora de deficiência no mercado de trabalho; d) igualdade de condições com os demais trabalhadores, quando os portadores de deficiência estiverem inseridos no processo produtivo da empresa. O trabalho referido anteriormente poderá ser realizado na própria entidade que prestar assistência ao deficiente ou no âmbito da empresa que para o mesmo fim celebrar convênio ou contrato com a entidade assistencial. O período de treinamento visando a capacitação e inserção do portador de deficiência no mercado de trabalho não caracterizará vínculo empregatício com o tomador ou com a entidade sem fins lucrativos, de natureza filantrópica, se inferior a 6 meses. 5. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO A dispensa de empregado reabilitado ou pessoa portadora de deficiência habilitada, quando se tratar de contrato por prazo determinado superior a 90 dias e a dispensa imotivada no contrato por prazo indeterminado, somente poderá ocorrer após a contratação de substituto em condição semelhante. 6. FISCALIZAÇÃO DO TRABALHO O AFT Auditor-Fiscal do Trabalho deve verificar, na Rais Relação Anual de Informações Sociais e no Caged Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, a exatidão das informações prestadas referentes aos empregados com deficiência e reabilitados, inclusive quanto ao tipo de deficiência, e ainda a eventual condição de aprendiz e exigirá a regularização, caso identificado erro ou omissão quanto a essas informações. Na hipótese de o empregado adquirir a deficiência ou a condição de reabilitado no curso do contrato de trabalho, o AFT deve orientar o empregador para fazer constar essa informação na Rais, a partir do ano da ocorrência, e no Caged, no caso de transferência ou desligamento do empregado. No intuito de coibir práticas discriminatórias, o AFT deve verificar se está sendo garantido o direito ao trabalho das pessoas com deficiência ou reabilitadas, em condições de igualdade de oportunidades com as demais pessoas, com respeito a todas as questões relacionadas ao emprego, observando, dentre outros aspectos: a) garantia de acesso às etapas de recrutamento, seleção, contratação e admissão, capacitação e ascensão profissional, sem ocorrência de exclusões de pessoas com base, a priori, na deficiência ou na condição de reabilitado; b) distribuição, pela empresa, dos empregados com deficiência ou reabilitados nos diversos cargos, funções, postos de trabalho, setores e estabelecimentos, preferencialmente de forma proporcional, tendo como parâmetro as reais potencialidades individuais e as habilidades requeridas para a atividade; c) manutenção no emprego; d) jornada de trabalho não diferenciada, salvo exceção prevista no subitem 3.1; e) remuneração equitativa; f) acessibilidade ampla; e g) condições de saúde e segurança adaptadas às necessidades dos empregados PPRA, PCMSO E CIPA Quando do exame dos programas relativos à saúde e segurança, tais como o PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e o PCMSO Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, o AFT deve verificar se foram contempladas as medidas necessárias para garantir aos trabalhadores com deficiência e reabilitados condições de trabalho seguras e saudáveis e, da mesma maneira, verificar se a Cipa Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, quando obrigatória, acompanha a inclusão desses trabalhadores, inclusive documentando em ata esse acompanhamento ADAPTAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO Caberá ao AFT verificar se no processo de inclusão da pessoa com deficiência ou reabilitada a empresa promoveu as modificações dos postos de trabalho, da organização do trabalho e as condições ambientais, em conformidade com as necessidades do trabalhador, com garantia desde a acessibilidade arquitetônica até adaptações específicas de mobiliários, máquinas e equipamentos, dispositivos de segurança, utilização de tecnologias assistivas, ajudas técnicas, facilitação de comunicação, apoios e capacitação específica, dentre outros, de modo a eliminar as barreiras porventura existentes. O AFT deve verificar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente, conforme estabelece a Norma Regulamentadora 17 Ergonomia. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 462

4 PREVIDÊNCIA SOCIAL FASCÍCULO 41/2014 COAD 6.3. AUTO DE INFRAÇÃO Havendo lavratura de autos de infração por desrespeito às normas protetivas do trabalho das pessoas com deficiência ou reabilitadas, o AFT deve: a) consignar no histórico do auto de infração, na hipótese de não preenchimento integral da reserva legal prevista no item 1 deste Comentário, o montante de pessoas com deficiência ou reabilitadas que deixaram de ser contratadas e o número de empregados que serviu de base para a aplicação do percentual legal; b) consignar no histórico do auto de infração, na hipótese de dispensa de empregado com deficiência ou reabilitado sem a antecedente contratação de substituto de condição semelhante, por término de contrato por prazo determinado superior a 90 dias, ou por dispensa imotivada, relativamente a contrato por prazo indeterminado, os nomes daqueles empregados dispensados e o número total de trabalhadores da empresa fiscalizada; c) fundamentar o auto de infração, na hipótese de caracterização de prática discriminatória. 7. PENALIDADES A empresa que descumprir com a obrigação de preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência habilitadas, ficará sujeita à multa administrativa variável. Desde , o parâmetro para gradação da multa, corresponde ao mínimo de R$ 1.812,87 e ao máximo de R$ ,63, pelo descumprimento das empresas no preenchimento de cargos com pessoas portadoras de deficiência ou beneficiários reabilitados, conforme percentual citado no item 1. A multa será calculada na seguinte proporção: a) para empresas com 100 a 200 empregados, multiplica-se o número de trabalhadores portadores de deficiência ou beneficiários reabilitados que deixaram de ser contratados pelo valor mínimo legal, acrescido de 0 a 20%; b) para empresas com 201 a 500 empregados, multiplica-se o número de trabalhadores portadores de deficiência ou beneficiários reabilitados que deixaram de ser contratados pelo valor mínimo legal, acrescido de 20 a 30%; c) para empresas com 501 a empregados, multiplica-se o número de trabalhadores portadores de deficiência ou beneficiários reabilitados que deixaram de ser contratados pelo valor mínimo legal, acrescido de 30 a 40%; d) para empresas com mais de empregados, multiplica-se o número de trabalhadores portadores de deficiência ou beneficiários reabilitados que deixaram de ser contratados pelo valor mínimo legal, acrescido de 40 a 50%. Assim, por exemplo, uma empresa com 300 empregados teria que preencher com 9 empregados portadores de deficiência ou reabilitados (300 empregados x 3%). Nesse caso, a multa corresponderia a 9 empregados multiplicada por R$ 1.812,87 (valor mínimo legal atual), acrescido de 20 a 30%. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL: Constituição Federal de 1988 artigos 3º e 5º (Portal COAD); Lei 8.213, de artigo 93 (Portal COAD); Decreto 3.048, de RPS Regulamento da Previdência Social artigo 141 (Portal COAD); Decreto 3.298, de (Informativo 51/99); Portaria Interministerial 19 MPS-MF, de (Fascículo 03/2014); Portaria 772 MTE, de (Informativo 34/99); Portaria MTE, de (Informativo 44/2003); Portaria MPAS-SE, de (Informativo 30/98); Resolução 630 INSS, de (Informativo 43/98); Instrução Normativa 98 SIT, de (Fascículos 33 e 34/2012). INSTRUÇÃO NORMATIVA 74 INSS, DE (DO-U DE ) COBRANÇA ADMINISTRATIVA Valores Disciplinado procedimento de apuração e cobrança administrativa de valores devidos ao INSS O referido Ato, cuja íntegra encontra-se disponível no Portal COAD, estabelece que constatados indícios da prática de Ato omissivo ou comissivo, de agente público ou de terceiro, que resulte dano ao erário, será instaurado processo administrativo de apuração e cobrança, assegurados a ampla defesa e o contraditório. A notificação deverá conter a descrição do indício de irregularidade detectado, a quantificação do valor devido e o número do PAAC Processo Administrativo de Apuração e Cobrança. O pagamento dos valores devidos à Previdência Social poderá ser feito à vista, de forma parcelada, mediante consignação em benefício ou em folha de pagamento de empregado ou por meio de encontro de contas. Caso não ocorra a quitação integral do débito, concessão de parcelamento, consignação ou encontro de contas será observado: a) existindo benefício previdenciário em manutenção, o débito poderá ser consignado no referido benefício; b) o valor a ser descontado mensalmente não poderá ser superior a 30% da Renda Mensal do Beneficio; c) nos casos de fraude a consignação dos valores recebidos indevidamente deve sempre ser fixada em 30% da Renda Mensal do Beneficio; e d) não existindo benefício previdenciário em manutenção, cópia do processo de cobrança, devidamente instruído, deverá ser encaminhada à unidade da Procuradoria-Geral Federal, para providências cabíveis. Os valores deverão sofrer a incidência dos seguintes acréscimos legais: a) até , correção monetária; e b) a partir de , serão acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Selic, contados da data do pagamento indevido até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês do pagamento. O vencimento do débito ocorre no primeiro dia subsequente ao término do prazo para o pagamento. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 461

5 COAD FASCÍCULO 41/2014 PREVIDÊNCIA SOCIAL Os valores relativos ao recebimento indevido de benefícios, durante a fase de cobrança administrativa, poderão ser objeto de acordo para descontos em folha de pagamento de empregado, observados os seguintes critérios: a) a autorização poderá ser formalizada por meio do documento de Autorização para Consignação em Folha de Pagamento de empregado; b) o valor a ser descontado mensalmente não poderá ser superior a 30% da remuneração mensal do empregado; e d) nos casos de fraude o valor a ser descontado mensalmente deve sempre ser fixado em 30% da remuneração mensal do empregado. Os valores de cada prestação mensal decorrentes de desconto em folha de pagamento serão acrescidos, por ocasião do pagamento, de juros equivalentes à taxa Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês da concessão do parcelamento até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% relativamente ao mês do pagamento. PORTARIA CONJUNTA 18 PGFN-RFB, DE (DO-U DE ) MORATÓRIA Débitos Previdenciários Alterado ato que regulamenta a moratória e a remissão de débitos com a Fazenda Nacional O ato em referência altera a Portaria Conjunta 3 PGFN-RFB, de (Fascículo 10/2014), que regulamenta a moratória e a remissão de débitos para com a Fazenda Nacional no âmbito do Prosus Programa de Fortalecimento das Entidades Privadas Filantrópicas e das Entidades sem Fins Lucrativos que Atuam na Área da Saúde e que Participam de Forma Complementar do Sistema Único de Saúde, de que trata a Lei , de (Fascículo 44/2013). A seguir destacamos as alterações: A moratória alcança as dívidas tributárias e não tributárias, inclusive com exigibilidade suspensa, vencidas até , administradas pela RFB Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela PGFN Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, das entidades de saúde privadas filantrópicas e das entidades de saúde sem fins lucrativos na condição de contribuinte ou responsável. A concessão da moratória está sujeita à regularidade fiscal da entidade no período compreendido entre abril de 2014 e o mês do requerimento. Não serão objeto da moratória as dívidas vencidas antes de : a) não confessadas até a data do pedido de adesão à moratória; b) objeto de processos administrativos ou judiciais para os quais não houve desistência; c) apuradas em lançamento de ofício pela RFB após a concessão da moratória; d) objeto de declaração de compensação não homologada após a concessão da moratória; e e) objeto de parcelamento para o qual não houve desistência. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO 33 CODAC, DE (DO-U DE ) DARF Código Codac institui código de receita para pagamento de multa por atraso na entrega de declarações A Codac Coordenação-Geral de Arrecadação e Cobrança, por meio do referido ato, instituiu o código de receita 4834, relativo à R D Ativa Maed Multa por Atraso na Entrega de Declaração, para ser utilizado no preenchimento de Darf Documento de Arrecadação de Receitas Federais. Dentre outras declarações sujeitas ao recolhimento de penalidade motivada por atraso, destacamos: DASN Declaração Anual do Simples Nacional, Defis Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais, GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, DIPJ Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, Dirf Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte e Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 460

6 PREVIDÊNCIA SOCIAL FASCÍCULO 41/2014 COAD PORTARIA CONJUNTA RFB-PGFN, DE (DO-U DE ) c/retificação no DO-U de REGULARIDADE FISCAL Prova Disciplinada a prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional O ato em referência, que entra em vigor a partir do dia , cuja íntegra encontra-se disponível no Portal COAD, disciplina que a prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de certidão expedida conjuntamente pela RFB Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela PGFN Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, referente a todos os créditos tributários federais e à DAU Dívida Ativa da União por elas administrados. A certidão abrange inclusive os créditos tributários relativos às contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, dos empregadores domésticos, dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, às contribuições instituídas a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive inscritas em DAU. A prova de regularidade de inscrição e de recolhimento das contribuições do Contribuinte Individual para com a Previdência Social, efetuada mediante a apresentação da DRS-CI Declaração de Regularidade de Situação do Contribuinte Individual, será fornecida exclusivamente pelo INSS Instituto Nacional do Seguro Social. O direito de obter certidão é assegurado ao contribuinte, devidamente inscrito no CNPJ Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou no CPF Cadastro Nacional de Pessoas Física, independentemente do pagamento de taxa. Para o produtor rural pessoa física e para o segurado especial que possuir matrícula atribuída pela RFB e não estiver inscrito no CNPJ, a regularidade fiscal da matrícula será comprovada por meio de certidão emitida no CPF do sujeito passivo. A certidão emitida para pessoa jurídica é válida para o estabelecimento matriz e suas filiais. A CND Certidão Negativa de Débitos relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União será emitida quando não existirem pendências em nome do sujeito passivo: a) perante a RFB, relativas a débitos, a dados cadastrais e a apresentação de declarações; e b) perante a PGFN, relativas a inscrições em DAU. A CPEND Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União será emitida quando, em relação ao contribuinte, constar débito administrado pela RFB ou inscrição em DAU. A CPEND também será emitida quando, em relação ao contribuinte, existir débito: a) inscrito em DAU, garantido mediante bens ou direitos, na forma da legislação, cuja avaliação seja igual ou superior ao montante do débito atualizado; e b) ajuizado e com embargos recebidos, quando o sujeito passivo for órgão da administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios ou for autarquia ou fundação de direito público dessas entidades estatais. A CPEND terá os mesmos efeitos da Certidão Negativa de Débitos. A CPD Certidão Positiva de Débitos relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União indicará a existência de pendências do sujeito passivo: a) perante a RFB, relativas a débitos, a dados cadastrais e à apresentação de declarações; e b) perante a PGFN, relativas a inscrições em cobrança. A CPD também será emitida quando houver determinação judicial para não emissão de CND ou CPEND. As certidões serão solicitadas e emitidas por meio da internet, nos endereços <http://www.receita.fazenda.gov.br> ou <http://www. pgfn.fazenda.gov. br>. Quando as informações constantes das bases de dados da RFB ou da PGFN forem insuficientes para a emissão das certidões na forma mencionada anteriormente, o contribuinte poderá consultar sua situação fiscal no e-cac Centro Virtual de Atendimento, mediante utilização de código de acesso ou certificado digital. A CPD será solicitada e emitida nas unidades de atendimento da RFB do domicílio tributário do contribuinte. Somente serão válidas as certidões emitidas eletronicamente, mediante sistema informatizado específico, sendo vedada qualquer outra forma de certificação manual ou eletrônica. Somente produzirá efeitos a certidão cuja autenticidade for confirmada nos endereços eletrônicos da RFB e PGFN. As certidões terão prazo de validade de 180 dias, contado de sua emissão, à exceção da CPD. A certidão terá eficácia, dentro do seu prazo de validade, para prova de regularidade fiscal relativa a créditos tributários ou exações quaisquer administrados pela RFB, e à DAU administrada pela PGFN. A certidão que for emitida com fundamento em determinação judicial deverá conter, em campo específico, os fins a que se destina, nos termos da decisão que determinar sua emissão. Na impossibilidade de emissão pela internet, o sujeito passivo poderá apresentar requerimento de certidão perante a unidade de atendimento da RFB de seu domicílio tributário. Na hipótese do parágrafo anterior, a certidão poderá ser requerida: a) se relativa a pessoa física, pessoalmente ou por procurador; b) se relativa a pessoa jurídica ou a ente despersonalizado obrigado à inscrição no CNPJ, pelo responsável ou seu preposto perante o referido cadastro. No caso da letra b, a certidão poderá ser requerida também por sócio, administrador ou procurador, com poderes para a prática desse ato. Junto com o requerimento, deverá ser apresentado documento de identidade original ou cópia autenticada do requerente, para conferência da assinatura. Na hipótese de requerimento em que conste firma reconhecida, fica dispensada a apresentação do documento de identidade do requerente. O cancelamento de certidão será efetuado mediante ato a ser publicado no Diário Oficial da União, dispensada a edição e publicação nos casos de revogação ou cassação de decisão judicial que tenha justificado a sua emissão. A RFB e a PGFN poderão expedir, no âmbito das respectivas competências, atos necessários ao cumprimento desta Portaria. A Portaria Conjunta RFB-PGFN/2014 revoga a Portaria Conjunta 3 PGFN-RFB, de (Fascículo 18/2007). LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 459

7 COAD FASCÍCULO 41/2014 TRABALHO TRABALHO TABELA PRÁTICA DÉBITO TRABALHISTA Atualização Atualize os débitos trabalhistas para pagamento no mês de outubro/ ATUALIZAÇÃO MENSAL Os coeficientes de atualização da tabela a seguir corrigem os débitos trabalhistas desde o primeiro dia do mês/ano em que o débito tornou-se devido até o último dia do mês anterior ao do pagamento. Sendo assim, a Tabela está atualizada até , aplicando-se ao pagamento realizado em TABELA 1 COEFICIENTES MENSAIS Meses de Vencimento do Débito Jan 1, , , , , , Fev 1, , , , , , Mar 1, , , , , , Abr 1, , , , , , Mai 1, , , , , , Jun 1, , , , , , Jul 1, , , , , , Ago 1, , , , , , Set 1, , , , , , Out 1, , , , , , Nov 1, , , , , , Dez 1, , , , , , Meses de Vencimento do Débito Jan 1, , , , , , Fev 1, , , , , , Mar 1, , , , , , Abr 1, , , , , , Mai 1, , , , , , Jun 1, , , , , , Jul 1, , , , , , Ago 1, , , , , , Set 1, , , , , , Out 1, , , , , , Nov 1, , , , , Dez 1, , , , , De acordo com a Súmula 381 do TST, o pagamento dos salários até o 5º dia útil do mês subsequente ao vencido não está sujeito à correção monetária. Contudo, se essa data limite for ultrapassada, incidirá o índice da correção monetária do mês subsequente ao da prestação dos serviços, a partir do dia 1º. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 458

8 TRABALHO FASCÍCULO 41/2014 COAD 2. ATUALIZAÇÃO DIÁRIA Para atualização diária de débito pago em dia diferente do dia 1º, ou seja, para pagamentos a partir do dia 2, cabe ao devedor utilizar a TR pró-rata dia. A seguir, divulgamos os coeficientes diários que devem ser utilizados entre o período de 1-10 a : TABELA 2 COEFICIENTES DIÁRIOS DIA COEFICIENTE DIA COEFICIENTE 1 1, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , EXEMPLOS a) Suponhamos uma diferença de comissões referente ao mês de maio/2013 cujo pagamento deveria ter sido efetuado até o 5º dia útil de junho/2013, e a empresa realiza o pagamento em O valor da diferença de comissões é de R$ 333,00. O cálculo ficará da seguinte forma: R$ 333,00 x 1, (coeficiente mensal de junho/2013, mês seguinte ao da prestação de serviços, de acordo com a Tabela 1) = R$ 335,64 O valor atualizado para pagamento em é de R$ 335,64. b) Considerando a mesma diferença de comissões (R$ 333,00), referente ao mês de maio/2013, cujo pagamento deveria ter sido efetuado até o 5º dia útil de junho/2013, para pagamento em O cálculo ficará da seguinte forma: R$ 333,00 x 1, (coeficiente mensal de junho/2013, mês seguinte ao da prestação de serviços, de acordo com a Tabela 1) = R$ 335,64 R$ 335,64 x 1, (coeficiente de , de acordo com a Tabela 2) = R$ 335,97 O valor atualizado para pagamento em éder$ 335,97. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 457

9 COAD FASCÍCULO 41/2014 TRABALHO MEDIDA PROVISÓRIA 656, DE (DO-U DE ) FOLHA DE PAGAMENTO Desconto de Empréstimos, Financiamentos e Arrendamento Mercantil Alterada Lei que trata de desconto de empréstimos na folha de pagamento O referido Ato, cuja íntegra encontra-se disponível no Portal COAD, altera, dentre outras normas, os artigos 1º ao 5º da Lei , de (Informativo 51/2003), que autoriza o desconto de empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento mercantil na folha de pagamento do empregado. Dentre as alterações destacamos que: a) os empregados regidos pela CLT Consolidação das Leis do Trabalho poderão solicitar o bloqueio, a qualquer tempo, de novos descontos, não se aplicando àqueles autorizados em data anterior à da solicitação do bloqueio; b) o empregador ou a instituição consignatária (instituição autorizada a conceder empréstimo ou financiamento ou realizar operação de arrendamento mercantil) tem obrigação de disponibilizar, inclusive em meio eletrônico, a opção de bloqueio de novos descontos. A seguir, transcrevemos o artigo 9º da Medida Provisória 656/2014, relativo à matéria divulgada neste Colecionador, que entra em vigor 30 dias após :... Art. 9º A Lei nº , de 17 de dezembro de 2003, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 1º Os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, poderão autorizar, de forma irrevogável e irretratável, o desconto em folha de pagamento ou na sua remuneração disponível dos valores referentes ao pagamento de empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil, quando previsto nos respectivos contratos. 3º Os empregados de que trata o caput poderão solicitar o bloqueio, a qualquer tempo, de novos descontos. 4º O disposto no 3º não se aplica aos descontos autorizados em data anterior à da solicitação do bloqueio." (NR) Art. 2º... Remissão COAD: Lei /2003 Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se: I empregador, a pessoa jurídica assim definida pela legislação trabalhista e o empresário a que se refere o Título I do Livro II da Parte Especial da Lei nº , de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Esclarecimento COAD: O Título I do Livro II da Parte Especial da Lei /2002 Código Civil (Portal COAD), no seu artigo 966, estabelece que se considera empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. IV mutuário, empregado que firma com instituição consignatária contrato de empréstimo, financiamento ou arrendamento mercantil regulado por esta Lei; V verbas rescisórias, as importâncias devidas em dinheiro pelo empregador ao empregado em razão de rescisão do seu contrato de trabalho; VI instituição financeira mantenedora, a instituição a que se refere o inciso III do caput e que mantém as contas para crédito da remuneração disponível dos empregados; VII desconto, ato de descontar, na folha de pagamento ou em momento anterior ao do crédito devido pelo empregador ao empregado como remuneração disponível ou verba rescisória, o valor das prestações assumidas em operações de empréstimo, financiamento ou arrendamento mercantil; e VIII remuneração disponível, os vencimentos, subsídios, soldos, salários ou remunerações, descontadas as consignações compulsórias.... (NR) Art. 3º... Remissão COAD: Lei /2003 Art. 3º Para os fins desta Lei, são obrigações do empregador:... II tornar disponíveis aos empregados, bem como às respectivas entidades sindicais que as solicitem, as informações referentes aos custos referidos no 2º; e Esclarecimento COAD: O 2º do artigo 3º da Lei / 2003 dispõe que, observado o disposto em regulamento e nos casos nele admitidos, é facultado ao empregador descontar na folha de pagamento do mutuário os custos operacionais decorrentes da realização da operação objeto desta Lei. III efetuar os descontos autorizados pelo empregado, inclusive sobre as verbas rescisórias, e repassar o valor à instituição consignatária na forma e no prazo previstos em regulamento.... (NR) Art. 4º... Remissão COAD: Lei /2003 Art. 4º A concessão de empréstimo, financiamento ou arrendamento mercantil será feita a critério da instituição consignatária, sendo os valores e demais condições objeto de livre negociação entre ela e o mutuário, observadas as demais disposições desta Lei e seu regulamento. 1º Poderá o empregador firmar com instituições consignatárias acordo que defina condições gerais e demais critérios a serem observados nos empréstimos, financiamentos ou arrendamentos que venham a ser realizados com seus empregados, podendo, nestes casos, a entidade sindical participar como anuente. 3º Na hipótese de ser firmado um dos acordos a que se referem os 1º ou 2º e sendo observados e atendidos pelo empre- LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 456

10 TRABALHO FASCÍCULO 41/2014 COAD gado todos os requisitos e condições nele previstos, inclusive as regras de concessão de crédito, não poderá a instituição consignatária negar-se a celebrar o empréstimo, financiamento ou arrendamento mercantil. Esclarecimento COAD: O 2º do artigo 4º da Lei / 2003 disciplina que poderão as entidades e centrais sindicais, sem ônus para os empregados, firmar, com instituições consignatárias, acordo que defina condições gerais e demais critérios a serem observados nos empréstimos, financiamentos ou arrendamentos que venham a ser realizados com seus representados. 8º Fica o empregador ou a instituição consignatária obrigada a disponibilizar, inclusive em meio eletrônico, a opção de bloqueio de novos descontos." (NR) Art. 5º O empregador será o responsável pelas informações prestadas, pelo desconto dos valores devidos e pelo seu repasse às instituições consignatárias, que deverá ser realizado até o quinto dia útil após a data de pagamento ao mutuário de sua remuneração disponível. 1º O empregador, salvo disposição contratual em contrário, não será corresponsável pelo pagamento dos empréstimos, financiamentos e arrendamentos concedidos aos seus empregados, mas responderá como devedor principal e solidário perante a instituição consignatária por valores a ela devidos em razão de contratações por ele confirmadas na forma desta Lei e de seu regulamento que deixarem, por sua falha ou culpa, de ser retidos ou repassados. 2º Na hipótese de comprovação de que o pagamento mensal do empréstimo, financiamento ou arrendamento tenha sido descontado do mutuário e não tenha sido repassado pelo empregador, ou pela instituição financeira mantenedora, na forma do 5º, à instituição consignatária, fica esta proibida de incluir o nome do mutuário em cadastro de inadimplentes. 3º Na hipótese de ocorrência da situação descrita no 2º, é cabível o ajuizamento de ação de depósito, nos termos do Capítulo II do Título I do Livro IV da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, em face do empregador, ou da instituição financeira mantenedora, se responsável pelo desconto, na forma do 5º, e de seus representantes legais. Esclarecimento COAD: O Capítulo II do Título I do Livro IV da Lei 5.869/73 Código de Processo Civil (Portal COAD) trata da ação de depósito que tem, por fim, exigir a restituição da coisa depositada. 5º O acordo firmado entre o empregador e a instituição financeira mantenedora poderá prever que a responsabilidade pelo desconto de que trata o caput será da instituição financeira mantenedora. (NR) Art. 55 Esta Medida Provisória entra em vigor: II trinta dias após a sua publicação em relação aos arts. 9º a 17; e (Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, Guido Mantega, Manoel Dias, Mauro Borges Lemos, Alexandre Antonio Tombini) NORMA OPERACIONAL 3 SPPE, DE (DO-U DE ) ESTRANGEIROS Autorização de Trabalho Disciplinado o registro do instrumento contratual celebrado com artistas e músicos estrangeiros A SPPE Secretaria de Políticas Públicas de Emprego, por meio do ato em referência, disciplina que o instrumento contratual celebrado entre pessoas físicas ou jurídicas e Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões e Músicos estrangeiros, domiciliados no exterior e com permanência legal no País, será registrado nos Setores ou Núcleos de Identificação e Registro Profissional das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego até a véspera da apresentação artística ou musical a que se refere. O requerimento do registro do instrumento contratual deverá ser realizado pelo contratante ou por procurador habilitado. O instrumento contratual deverá ser registrado junto à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de cada Estado onde o contratado estrangeiro for se apresentar. Os Setores ou Núcleos de Identificação e Registro Profissional das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego somente efetuarão o registro do instrumento contratual mediante comprovação do recolhimento da importância equivalente a 10% do valor total do ajuste e após todas as vias terem sido visadas: a) pela Coordenação-Geral de Imigração, do Ministério do Trabalho e Emprego; b) pelo Sindicato local representativo da categoria, no caso do contratado estrangeiro ser Artista e Técnico em Espetáculos de Diversões; c) pela Ordem dos Músicos do Brasil, quando o contratado estrangeiro for Músico. Para contratação de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões estrangeiros será exigido o recolhimento do referido valor à Caixa Econômica Federal em nome da entidade sindical a que pertencer o contratado, com base territorial abrangendo o local da apresentação. Já para contratação de Músicos estrangeiros, o recolhimento do valor será feito ao Banco do Brasil em nome da Ordem dos Músicos do Brasil e do sindicato a que pertencer o contratado, com base territorial abrangendo o local da apresentação, em partes iguais. As suspeitas de irregularidades nos instrumentos contratuais poderão ser encaminhadas aos Setores ou Núcleos de Fiscalização do Trabalho da respectiva Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, nos casos de irregularidades trabalhistas; ou à repartição pública competente para investigar irregularidades de outras naturezas. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 455

11 COAD FASCÍCULO 41/2014 TRABALHO/OUTROS ASSUNTOS FEDERAIS PORTARIA INTERMINISTERIAL 9 MTE-MS-MPS, DE (DO-U DE ) SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO Lista de Agentes Cancerígenos Ministérios divulgam lista nacional de agentes cancerígenos para humanos Os Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social, por meio do referido ato, cuja íntegra encontra-se disponível no Portal COAD, divulga a Linach Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos, como referência para formulação de políticas públicas. Os agentes cancerígenos de que trata a Linach são classificados como Grupo I carcinogênicos para humanos; Grupo II provavelmente carcinogênicos para humanos; e Grupo III possivelmente carcinogênicos para humanos. Para comprovar a exposição de trabalhadores a agentes nocivos, possibilitando a concessão da aposentadoria especial, serão considerados agentes reconhecidamente cancerígenos aqueles do Grupo I da lista. A Linach será atualizada semestralmente. ATO 510 TST, DE (DeJT DE ) DEPÓSITO RECURSAL Recolhimento TST prorroga prazo de recolhimento dos depósitos recursais e das custas processuais Tendo em vista a greve dos bancários, o prazo de recolhimento dos depósitos recursais e custas processuais foi prorrogado para o 3º dia útil seguinte ao término do movimento grevista da categoria profissional dos bancários. O recolhimento do depósito recursal deve ser comprovado, nos processos em tramitação no TST Tribunal Superior do Trabalho, até o 5º dia útil seguinte ao da sua efetivação. O PRESIDENTE DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, no uso das atribuições legais e regimentais, ad referendum do Órgão Especial, Considerando a deflagração do movimento grevista pela categoria profissional dos bancários, Considerando o disposto no artigo 775 da CLT, que autoriza a prorrogação dos prazos em virtude de força maior, Considerando o princípio da razoabilidade contemplado na Constituição Federal, RESOLVE: Art. 1º Fica prorrogado o prazo para recolhimento dos depósitos (prévio e recursal) e das custas processuais para o terceiro dia útil subsequente ao término do movimento grevista da categoria profissional dos bancários. Art. 2º O recolhimento dos depósitos deverá ser comprovado, nos processos em tramitação no Tribunal Superior do Trabalho, até o quinto dia útil subsequente ao da sua efetivação. Art. 3º Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Publique-se. (Ministro Antonio José de Barros Levenhagen Presidente do Tribunal Superior do Trabalho) OUTROS ASSUNTOS FEDERAIS INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB, DE (DO-U DE ) DCTF Normas para Apresentação RFB alterada norma que regula a apresentação da DCTF O referido Ato, que altera a Instrução Normativa RFB, de (Fascículo 52/2010), estabelece que as pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, que desejarem optar pela extinção do RTT em 2014, deverão apresentar a DCTF de agosto/2014 para manifestar tal opção. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 18 da LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 454

12 OUTROS ASSUNTOS FEDERAIS/FGTS FASCÍCULO 41/2014 COAD Medida Provisória nº , de 23 de agosto de 2001, no art. 90 da Medida Provisória nº , de 24 de agosto de 2001, no art. 7º da Lei nº , de 24 de abril de 2002, no art. 18 da Lei Nº , de 29 de dezembro de 2003, nos arts. 23, 24, 25 e 26 da Lei nº , de 20 de dezembro de 2010, no art. 1º da Lei nº , de 2 de maio de 2011, no art. 13 da Lei nº , de 19 de julho de 2013, e no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.469, de 28 de maio de 2014, RESOLVE: Art. 1º O art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 3º... 2º... IV... Remissão COAD: Instrução Normativa RFB/2010 Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF:... 2º Não estão dispensadas da apresentação da DCTF, as pessoas jurídicas:... IV de que tratam os incisos IeIIdocaput do art. 2º que não tenham débitos a declarar:... Esclarecimento COAD: Os incisos I e II do artigo 2º da Instrução Normativa RFB/2010 dispõem que deverão apresentar a DCTF Mensal, dentre outras: as pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, de forma centralizada, pela matriz; e as unidades gestoras de orçamento das autarquias e fundações instituídas e mantidas pela administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e dos órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios. f) em relação ao mês de agosto de 2014, para comunicar, se for o caso, a opção pelas regras previstas nos arts. 1º, 2º e 4º a 70 ou pelas regras previstas nos arts. 76 a 92 da Lei nº , de 13 de maio de (NR) Esclarecimento COAD: A Lei /2014 (Fascículo 20/2014 e Portal COAD) extingue o RTT Regime Tributário de Transição, adéqua a legislação tributária à legislação societária e às normas contábeis e altera a forma de apuração do IRPJ e da CSLL, a partir de ajustes que devem ser efetuados em livro fiscal. Art. 2º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União, produzindo efeitos desde 1º de janeiro de (Carlos Alberto Freitas Barreto) FGTS COMUNICADO S/N CAIXA, DE 2014 (DO-U DE ) SALDO DAS CONTAS Atualização Caixa divulga coeficientes de JAM para crédito nas contas vinculadas em outubro/2014 O referido Ato torna público o Edital Eletrônico do FGTS, com validade para o período de a , onde estão disponíveis as orientações para aplicação dos coeficientes próprios do FGTS, as respectivas finalidades e forma de utilização. No Edital, que se encontra disponível no site gov.br, em versão eletrônica ou, alternativamente, nas agências da Caixa, estão contemplados os coeficientes para recolhimento mensal em atraso, por data de pagamento, a ser efetuado através da GRF Guia de Recolhimento do FGTS, e para recolhimento rescisório em atraso, a ser realizado por meio da GRRF Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS. O Comunicado s/nº Caixa/2014 fixa os coeficientes de JAM Juros e Atualização Monetária, que serão creditados nas contas vinculadas do FGTS em , incidindo sobre os saldos existentes em , deduzidas as movimentações ocorridas no período de 11-9 a , conforme tabela a seguir: (3% a.a.) 0, (4% a.a.) 0, (5% a.a.) 0, (6% a. a.) 0, conta referente a empregado não optante, optante a partir de (mesmo que a opção tenha retroagido), trabalhador avulso e optante até durante os dois primeiros anos de permanência na mesma empresa; conta referente a empregado optante até , do terceiro ao quinto ano de permanência na mesma empresa; conta referente a empregado optante até , do sexto ao décimo ano de permanência na mesma empresa; conta referente a empregado optante até , a partir do décimo primeiro ano de permanência na mesma empresa. NOTAS COAD: As orientações e os coeficientes para cálculo do recolhimento em atraso do FGTS, válidos para o período deste Edital, também podem ser obtidos no Portal COAD > Opção Obrigações > Recolhimento em Atraso > FGTS. Os coeficientes de JAM desde 1967, para crédito nas contas vinculadas do FGTS, estão disponibilizados no Portal COAD > Opção Obrigações > Tabelas Práticas > JAM FGTS. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 453

13 COAD FASCÍCULO 41/2014 JURISPRUDÊNCIA JURISPRUDÊNCIA ABANDONO DE EMPREGO AUSÊNCIA DE PROVA INE- QUÍVOCA NÃO CONFIGURAÇÃO Compete ao empregador o encargo processual de comprovar, de forma inequívoca, que o trabalhador tinha o ânimo de abandonar definitivamente o emprego, para justificar a ruptura contratual com fulcro na previsão contida no art. 482, alínea i, da CLT, tendo em vista a incidência do princípio da continuidade das relações contratuais, que informa o Direito do Trabalho. (TRT-1ª R. Publ. em Rel. Des. Rogério Lucas Martins RO CERCEAMENTO DE DEFESA FINALIDADE DA PROVA PERICIAL DESVIRTUAMENTO INOCORRENTE AUSÊN- CIA DE INSURGÊNCIA DAS PARTES Não autoriza o acolhimento da prefacial de nulidade da sentença por cerceamento de defesa, a alegação de desvirtuamento de finalidade da prova pericial realizada, por não haver o perito se pronunciado sobre o nexo de causalidade entre as atividades realizadas e o acidente sofrido pelo trabalhador, quando a perícia foi especificamente designada para fornecer ao Juízo subsídios para auxiliá-lo no deslinde de questão precedente, ou seja, o reconhecimento, ou não, do vínculo de emprego. Há que ser destacado que o Juízo declarou expressamente a finalidade da perícia determinada e incumbiu a tarefa, como exigia a questão, a um profissional com formação na área de engenharia, e não de medicina habilitação adequada para a avaliação do nexo causal, sem que as partes tivessem oportunamente emitido qualquer insurgência. (TRT-12ª R. RO Rel. Des. Jorge Luiz Volpato Publ. em CUSTAS PROCESSUAIS APRESENTAÇÃO APENAS DO COMPROVANTE BANCÁRIO DESPROVIDO DA GRU RESPECTIVA IMPOSSIBILIDADE DE VINCULAÇÃO DO RECOLHIMENTO AO PROCESSO DESERÇÃO Não merece conhecimento o recurso da parte, por deserção, quando apresenta apenas o comprovante bancário para demonstração do recolhimento das custas processuais, sem a respectiva GRU. Isso porque a ausência da GRU impede a vinculação do pagamento ao processo, bem como aferir se o recolhimento está relacionado a custas processuais ou a emolumentos, nos termos do Anexo I do Ato Conjunto nº 21/TST.CSJT.GP.SG. (TRT-12ª R. RO Rel. Convocado Juiz Reinaldo Branco de Moraes Publ. em DANO MORAL TRANSPORTE DE VALORES GEREN- TE INDENIZAÇÃO DEVIDA O e. TRT reformou a sentença em que fora deferida a indenização por danos morais, por entender que A atribuição no transporte de valores dita como imposta pelo empregador não teve o objetivo de ofender o empregado, nem de causar repercussão danosa ao seu moral, de sorte que não há falar em reparação do suposto dano, na forma de indenização. Incumbe ao empregador o dever de proporcionar ao empregado as condições de higiene, saúde e segurança no ambiente laboral, sob pena de afronta ao princípio da prevenção do dano ao meio ambiente, exteriorizado, no âmbito do Direito do Trabalho, na literalidade do artigo 7º, XXII, da Carta Magna, segundo o qual é direito dos trabalhadores, urbanos e rurais, dentre outros, a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene segurança. Na hipótese, a conduta do Banco reclamado de exigir do empregado o desempenho de atividade transporte de valores diversa daquelas para as quais fora contratado, expondo o autor ao risco inerente a essa incumbência, dá azo ao pagamento de indenização por dano moral, ora fixada em R$ ,00 trinta mil reais, forte nos artigos 186 e 927 do Código Civil e 5º, X, da Constituição Federal. Precedentes desta Corte. (TST RR Rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann Publ. em EMPREGADO PÚBLICO CONTRATO DE EXPERIÊNCIA DISPENSA MOTIVADA Inexiste óbice à formalização de contrato de experiência em caso de empregado público admitido por meio de regular concurso público. Contudo, a extinção do contrato de experiência não pode se dar apenas pelo simples decurso de seu termo final, necessitando de motivação a afastar a conversão para o contrato por prazo indeterminado, como ocorrido no caso dos autos, em que houve fundamentação bastante a validar a dispensa do autor, não se extraindo qualquer sorte de desvio do poder empregatício, revestindo-se, assim, de legalidade o ato administrativo. Inteligência da OJ 247, II, da SDI I do TST. (TRT-3ª R. RO Rel. Convocado Juiz Vitor Salino de Moura Eça Publ. em EXECUÇÃO DE SENTENÇA MULTA DO ARTIGO 475-J DO CPC INAPLICABILIDADE O princípio do devido processo legal é expressão da garantia constitucional de que as regras pré-estabelecidas pelo legislador ordinário devem ser observadas na condução do processo, assegurando-se aos litigantes, na defesa dos direitos levados ao Poder Judiciário, todas as oportunidades processuais conferidas por Lei. A aplicação das regras de direito processual comum, no âmbito do Processo do Trabalho, pressupõe a omissão da CLT e a compatibilidade das respectivas normas com os princípios e dispositivos que regem este ramo do Direito, a teor dos arts. 769 e 889 da CLT. Existindo previsão expressa, na CLT, sobre a postura do devedor em face do título executivo judicial e as consequências de sua resistência jurídica, a aplicação subsidiária do art. 475-J do CPC, no sentido de ser acrescida, de forma automática, a multa de dez por cento sobre o valor da condenação, implica contrariedade aos princípios da legalidade e do devido processo legal, com ofensa ao art. 5º, II e LIV, da Carta Magna, pois subtrai-se o direito do executado de garantir a execução, em quarenta e oito horas, mediante o oferecimento de bens à penhora, nos termos do art. 882 consolidado. Recurso de Revista conhecido e provido. (TST RR Rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira Publ. em LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 452

14 JURISPRUDÊNCIA FASCÍCULO 41/2014 COAD EXECUÇÃO DE SENTENÇA MULTA DO ARTIGO 475-J DO CPC APLICAÇÃO Aplica-se a regra contida no art. 475-J, do CPC, ao Processo do Trabalho, por não existir incompatibilidade do aludido dispositivo processual comum com o processo laboral. (TRT-1ª R. AP Rel. Des. Rogério Lucas Martins Publ. em JORNADA DE TRABALHO BANCO DE HORAS E COM- PENSAÇÃO SEMANAL CUMULAÇÃO DOS REGIMES POSSIBILIDADE Não há proibição legal à adoção concomitante de ambos os sistemas de compensação de horas extras. Entretanto, a cumulação dos regimes de compensação semanal de jornadas e banco de horas deve necessariamente atender os requisitos legais para a validade de cada uma das modalidades de acordo para prorrogação do labor ordinário. Advirta-se, contudo, que esta Corte Superior tem considerado a avença de compensação semanal inexistente e não inválida ou descaracterizada nos termos da Súmula 85/TST quando não houver redução ou eliminação da jornada de trabalho no dia destinado a contrabalancear o labor extraordinário nos outros da mesma semana. Isto porque o pacto laboral é, por primazia, um contrato-realidade e esta característica determina que não se pode emprestar qualquer eficácia às tratativas que não se realizam no mundo dos fatos e existem apenas do ponto de vista formal. Precedentes. Recurso de Revista não conhecido. (TST RR Rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira Publ. em PENHORA QUOTAS DE SOCIEDADE COOPERATIVA NULIDADE INOCORRENTE Não há nulidade de penhora que recaiu sobre quotas de sócio da Sociedade Cooperativa. Primeiro, porque não estão as quotas da cooperativa abrangidas pela impenhorabilidade absoluta consagrada pelo art. 649 do CPC. Segundo, porque o art. 655, VI, do CPC permite a penhora de ações e quotas das sociedades empresárias. (TRT-12ª R. AP Rel. Convocado Juiz Nivaldo Stankiewicz Publ. em PRESCRIÇÃO ACIDENTE DE TRABALHO COM MORTE DO EMPREGADO CONTAGEM DO PRAZO O falecimento do obreiro constitui um dos meios de extinção do contrato individual de trabalho, extinguindo, de imediato, o contrato a partir do óbito. Ou seja, ocorrendo o óbito do empregado, tem-se por extinto o contrato de trabalho, haja vista a natureza personalíssima do ajuste, que não permite transferir para terceiros as obrigações do contrato. O autor faleceu no dia fl. 82, e a presente ação trabalhista somente foi ajuizada no dia , quando já transcorrido o biênio prescricional previsto no art. 7º, XXIX, da CRFB. A prescrição para a ação de dano moral decorrente da relação de emprego segue a regra estabelecida no art. 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal. Recurso improvido. (TRT-1ª R. RO Rel. Des. Bruno Losada Albuquerque Lopes Publ. em RELAÇÃO DE EMPREGO PASTOR EVANGÉLICO VÍN- CULO EMPREGATÍCIO INEXISTENTE Não estando presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego, não há falar em vínculo de emprego, uma vez que o pastor não é considerado empregado, pois se dedica à pregação do Evangelho, através da realização de cultos religiosos e execução de demais atos assistenciais. (TRT-12ª R. RO Rel. Convocado Juiz Hélio Bastida Lopes Publ. em RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONTRATO DE FRANQUIA SERVIÇO PRESTADO EXCLUSIVAMENTE PARA O FRANQUEADO SEM INTERFERÊNCIA DO FRAN- QUEADOR Nos termos do art. 2º da Lei nº 8.955/94, franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. Assim, se o trabalhador é contratado diretamente pelo franqueado e trabalha com pessoalidade, subordinação jurídica e exclusivamente para ele, sem intervenção do franqueador, não há falar na terceirização da prestação de serviços, tampouco na formação de grupo econômico. Por conseguinte, resta afastada qualquer possibilidade de reconhecimento da responsabilidade solidária ou subsidiária do franqueador. Acórdão: RO Relatora Desª Lília Leonor Abreu Publicado no TRTSC/DOE em (TRT-12ª R. RO Rel. Des. Marcos Vinicio Zanchetta Publ. em SUCESSÃO TRABALHISTA EFEITOS JURÍDICOS NO CONTRATO DE TRABALHO FIXAÇÃO DA RESPONSABI- LIDADE DA SUCESSORA Dispondo os artigos 10 e 448 da CLT que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados e a mudança na propriedade não importará em modificações no contrato de trabalho, impõe-se reconhecer a sucessão havida entre a antiga empregadora do autor e aquela que permaneceu desenvolvendo as mesmas atividades econômicas e produtivas anteriormente exercidas pela empresa sucedida. Recurso Ordinário da ré ao qual se nega provimento. (TRT-1ª R. RO Rel. Des. José da Fonseca Martins Junior Publ. em VALE-TRANSPORTE NÃO PREENCHIMENTO DOS RE- QUISITOS LEGAIS ÔNUS DA PROVA A partir do cancelamento da Orientação Jurisprudencial nº 215 da SDI-1 do TST, prevalece o entendimento de que é do empregador o ônus da prova acerca do não cumprimento pelo empregado dos requisitos necessários ao recebimento do valetransporte. (TRT-12ª R. RO Rel. Convocado Juiz Nelson Hamilton Leiria Publ. em LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 451

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