Empreendedorismo, transformando idéias em negócios. (Introdução)

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1 Empreendedorismo, transformando idéias em negócios (Introdução) Prof. Dr. José Dornelas

2 A revolução do empreendedorismo O empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o século 20 (Timmons, 1990)

3 Definindo o tema Como você definiria empreendedorismo?

4 Empreendedorismo, o que é? Historicamente, empreendedorismo tem sido definido como uma maneira diferenciada de alocação de recursos e otimização de processos organizacionais, sempre de forma criativa, visando à diminuição de custos e melhoria de resultados. Percebe-se ainda que o termo é constantemente relacionado à criação de novos negócios, geralmente micro e pequenas empresas. Por trás destes negócios estão indivíduos diferenciados, conhecidos por empreendedores.

5 Empreendedorismo, o que é? Isto tem gerado certa confusão de definições, pois muitas pessoas têm considerado o empreendedorismo como sendo sinônimo do ato de abrir empresas. Definições mais abrangentes mostram que o empreendedorismo vai além do ato de abrir novas empresas e que pode estar relacionado a vários tipos de organizações, em vários estágios de desenvolvimento.

6 Exemplos de definições clássicas A Harvard Business School considera que empreendedorismo é a identificação de novas oportunidades de negócio, independentemente dos recursos que se apresentam disponíveis ao empreendedor. O Babson College define o termo de forma ainda mais abrangente: empreendedorismo é uma maneira holística de pensar e de agir, sempre com obsessão por oportunidades, e balanceada por uma liderança.

7 Detalhando um pouco mais O ato de empreender está relacionado à identificação, análise e implementação de oportunidades de negócio, tendo como foco a inovação e a criação de valor. Isto pode ocorrer através da criação de novas empresas, mas também ocorre em empresas já estabelecidas, organizações com enfoque social, entidades de natureza governamental etc.

8 Aplicações do empreendedorismo O empreendedorismo aplica-se a uma variedade de organizações em seus vários estágios de desenvolvimento, como por exemplo: Uma pequena empresa em início de desenvolvimento Uma média empresa em fase de crescimento Uma empresa familiar em fase de profissionalização Uma ONG (Organização Não Governamental) Em entidades e órgãos públicos Em associações e cooperativas Em empresas já estabelecidas, que buscam renovação e crescimento

9 Empreendedorismo Feitas estas ressalvas, pode-se então apresentar o objetivo do se estudar empreendedorismo como disciplina. Normalmente, no caso das Instituições de Ensino Superior no Brasil, grande enfoque é dado ao empreendedorismo de criação de novos negócios. Desta forma, o foco do livro Empreendedorismo, transformando idéias em negócios é a criação e gestão de negócios em fase inicial de desenvolvimento, as chamadas micro e pequenas empresas, ou startups ; bem como o entendimento do papel do empreendedor neste contexto.

10 Quem é o empreendedor? Para que o empreendedorismo ocorra nas organizações haverá a necessidade de pessoas que o façam acontecer, ou seja, os empreendedores. O empreendedor é aquele que faz acontecer, antecipa-se aos fatos e tem uma visão futura da organização (Dornelas, 2001) O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente através da introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização, ou pela exploração de novos recursos e materiais Joseph Schumpeter (1949)

11 Empreendedorismo é o envolvimento de pessoas e processos O empreendedor é aquele que percebe uma oportunidade e cria meios (nova empresa, área de negócio, etc.) para persegui-la. O processo empreendedor envolve todas as funções, ações, e atividades associadas com a percepção de oportunidades e a criação de meios para persegui-las

12 O empreendedor Em qualquer definição de empreendedorismo encontram-se, pelo menos, os seguintes aspectos referentes ao empreendedor: Iniciativa para criar/inovar e paixão pelo o que faz Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e econômico onde vive Aceita assumir os riscos e a possibilidade de fracassar

13 Quem é o empreendedor? Alta Criatividade e Inovação Inventor A grande maioria Empreendedor Gerente, Administrador Baixa Alta Habilidades gerenciais e know-how em business

14 Empreendedorismo + Inovação = Prosperidade

15 Evolução das teorias administrativas Movimento de Racionalização do trabalho: foco na gerência administrativa. Movimento das Relações humanas: foco nos processos Movimento do Funcionalismo estrutural: foco na gerência por objetivos Movimento dos Sistemas abertos: foco no planejamento estratégico Obs.: Movimento: refere-se ao movimento que predominou no período. Foco : refere-se aos conceitos administrativos predominantes. Movimento das Contingências ambientais: foco na competitividade Não se tem um movimento predominante, mas há cada vez mais o foco no papel do empreendedor como gerador de riqueza para a sociedade.

16 O velho modelo econômico (a era da manufatura) Dirigido pelos modelos clássicos Recursos escassos eram materiais raros Força de trabalho (poder dos músculos) Retornos pequenos Economias de escala Barreiras de entrada Ativos físicos Sobrevivência dos maiores

17 O novo modelo econômico (a era da inovação empreendedora) Dirigido por novos modelos de negócios Recursos escassos são imaginação e conhecimento Retornos maiores Baixas barreiras de entrada Ativos intelectuais Poder do conhecimento Sobrevivência dos mais rápidos

18 Por que empreendedorismo? Reino Unido Em 1998 publicou um relatório a respeito do seu futuro competitivo, o qual enfatizava a necessidade de se desenvolver uma série de iniciativas para intensificar o empreendedorismo na região Alemanha Tem estabelecido vários programas que destinam recursos financeiros, e apoio na criação de novas empresas. Na década de 90, aproximadamente 200 centros de inovação foram criados, provendo espaço e outros recursos para empresas start-ups Finlândia Em 1995, o decênio do empreendedorismo foi lançado na Finlândia com vistas a: criar uma sociedade empreendedora, promover o empreendedorismo como uma fonte de geração de emprego e incentivar a criação de novas empresas.

19 Por que empreendedorismo? Israel Programa de Incubadoras Tecnológicas (+ de 500 negócios já foram criados nas 26 incubadoras do projeto) Houve ainda uma avalanche de investimento de capital de risco nas empresas israelenses, sendo que mais de 100 empresas criadas em Israel encontram-se com suas ações na NASDAQ (Bolsa de ações de empresas de tecnologia e Internet, nos EUA). França Iniciativas para promover o ensino de empreendedorismo nas universidades, particularmente para engajar os estudantes. Incubadoras baseadas nas universidades estão sendo criadas; uma competição nacional para novas empresas de tecnologia foi lançada; e uma fundação de ensino do empreendedorismo foi estabelecida.

20 Por que empreendedorismo? A década de 90 foi a década do empreendedorismo nos EUA Desfrutou de 8 anos de crescimento econômico, o período mais longo de crescimento contínuo no século 20. Boom da Internet Crescimento do venture capital Ganhos vultosos nas bolsas de Nova York e Nasdaq Novos jovens milionários Conclusão do Departamento de Comércio A conjunção desse intenso dinamismo empresarial e rápido crescimento econômico, somados aos baixos índices de desemprego e baixas taxas de inflação, aparentemente apontam para uma única conclusão: o empreendedorismo é o combustível para o crescimento econômico, criando emprego e prosperidade.

21 Iniciativas de suporte ao empreendedorismo no Brasil Começam a aumentar... Softex (Genesis) Empretec (SEBRAE) Brasil Empreendedor Projeto REUNE (CNI/IEL) Começa a haver a figura do capitalista de risco Crescimento das incubadoras de empresas tradicionais, tecnológicas e mistas Ensino de empreendedorismo nas universidades Entidades de apoio (Sebrae, Endeavor, Instituto Empreendedor do Ano da Ernst & Young...) Alternativas de financiamento: Fapesp, Finep, Angels, VCs... Crescimento de franquias

22 A experiência brasileira Assunto começa a ser discutido no mundo acadêmico no início da década de 80 Permanece na periferia da academia por vários anos Nos anos 90 começam a surgir os primeiros programas ligados aos cursos de tecnologia, via ação induzida de entidades de fomento (CNI/IEL, Softex etc.) Maior visibilidade acontece quando o foco na pequena empresa passa a ser prioridade governamental com vistas à geração de emprego (ex.: Programa Brasil Empreendedor)

23 A experiência brasileira Brasil segue tendência mundial e questões como inovação tecnológica, capital de risco, transferência de tecnologia etc., predominam na agenda da época (segunda metade da década de 90) Grandes oportunidades surgem para criação de empresas ponto.com Disciplinas de empreendedorismo são criadas em todo o país, ligadas aos mais variados cursos superiores (administração, engenharia, computação, turismo )

24 Por que empreendedorismo? Mortalidade de Pequenas Empresas 100% 90% 80% 70% 31% 37% 49% 53% 60% 60% 50% 40% 30% 20% 69% 63% 51% 47% 40% 10% 0% (fund. Em 2001) (fund. em 2000) (fund. em 1999) (fund. em 1998) (fund. em 1997) Emp. com 1 ano Emp. com 2 anos Emp. com 3 anos Emp. com 4 anos Emp. com 5 anos Empresas em atividade Empresas encerradas Fonte: Sebrae-SP, 2003

25 Mobilidade Social e Empreendedorismo Números da mobilidade 82% dos milionários brasileiros construíram a própria fortuna 66% das empresas privadas que estavam na lista das 50 maiores de Exame há 30 anos desapareceram do ranking 30% das fortunas brasileiras são ligadas ao agronegócio 200% foi o aumento do número de pessoas que compraram carros na Região Norte, conhecida pelo seu histórico atraso, nos últimos 15 anos 8% foi o aumento do número de milionários no Brasil num período de dois anos mobilidade 65% foi o aumento da renda per capita na Região Centro-Oeste nos últimos 15 anos Fontes: IBGE, Ministério da Agricultura, USP e Inpe, Revista Exame (out/2004)

26 Melhores e maiores As maiores em cada fase Eis a lista das maiores companhias privadas com atuação no Brasil da década de 50 até 2004 ANO SETOR Indústrias Reunidas F. Matarazzo São Paulo Light S/A Volkswagen Shell Autolatina Brasil (Volkswagen) Telemar EMPRESA Industrial Serviços Industrial Industrial Industrial Serviços Fontes: Melhores e Maiores (de 1974 a 2004); "Quem é quem na economia brasileira", revista Visão

27

28 Total Entrepreneurial Activity [TEA] Index Baseado em pesquisa com população adulta Localizar empreendedores em atividade Contar aqueles em fase start-up Ativos, iniciativa própria, sem pagamento de salários/recebimentos por mais de 3 meses Contar aqueles proprietários/gerenciando o próprio negócio Ativos, com salários/recebimentos no período de 3-42meses Adicioná-los em conjunto ao índice TEA Considerar apenas uma vez se a pessoa estiver em ambos, como 6% estão

29 ATIVIDADE EMPREENDEDORA TOTAL POR PAÍS Brasil na sexta posição Fonte: GEM 2003

30 Fatores associados com maiores níveis de atividade empreendedora (GEM) Percepção da oportunidade Fatores sociais e culturais Educação (segundo grau e universitário) Participação das mulheres Experiência Suporte financeiro para start-ups

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