TCUemPauta. Um clima de incerteza e diversas probabilidades. Servidores do TCU iniciam 2015 com boas novas

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1 TCUemPauta Brasília, Distrito Federal Fevereiro de 2015 ANO 2 - Nº 16 MARCELO BOLZAN - ASCOM SINDILEGIS Servidores do TCU iniciam 2015 com boas novas Sindilegis e entidades parceiras garantem URV para técnicos e auxiliares, e o ano começa com melhorias na remuneração da categoria Um clima de incerteza e diversas probabilidades conturbadas rondam o atual cenário brasileiro econômico. Os servidores do TCU, porém, têm o que comemorar logo neste início do ano: em dezembro, os técnicos e auxiliares da ativa receberam valores integrais e remanescentes da URV, conhecido como processo da Simone, bem como parte dos inativos, que receberam parcelas proporcionais. Já em janeiro, a remuneração sofreu reajuste acima da média dos demais servidores públicos. Fevereiro também será proveitoso, já que a nova progressão de padrões, que passou a ser semestral, será aplicada. Leia a matéria completa sobre as atuais demandas nas páginas 3, 4 e 5 CONFIRA O DEPOIMENTO DO MINISTRO AUGUSTO NARDES SOBRE SUA GESTÃO E O PAGAMENTO DA URV PARA TÉCNICOS E AUXILIARES. PÁGINAS 10, 11 E 12

2 DIRETORIA Presidente: Nilton Rodrigues da Paixão Júnior Vice-Presidente Executivo para a Câmara dos Deputados: Paulo Cezar Alves Vice-Presidente Executivo para o Senado Federal: Petrus Elesbão Lima da Silva Vice-Presidente Executivo para o TCU: Eduardo Dodd Gueiros Diretor Jurídico: José Carlos de Matos Diretor de Marketing, Propaganda, Publicidade e Comunicação Social: Márcio Hudson de Arruda Figueiredo Diretor de Aposentados e Pensionistas: Ogib Teixeira de Carvalho Filho Diretor Administrativo, de Finanças e Patrimônio: Dario Fava Corsatto Secretário-Geral: José Márcio Ribeiro da Costa Diretor Social e Esportivo: Alison Aparecido Martins de Souza Diretora de Educação Continuada, Cultura, Igualdade de Gênero e Meio Ambiente: Giovana Dal Bianco Perlin Diretor Interinstitucional: Olavo de Souza Ribeiro Filho Diretora de Integração Regional: Simone Maria Barbosa Ferreira Diretor de Benefícios, Serviços, Produtos e Vantagens: Helder Pinto Azevedo Diretora de Comissionados: Mathildes Pereira Ribeiro Castilho Diretor de Observação Política, Acompanhamentos de Proposições e Assessoramento Parlamentar: Fernando Moutinho Ramalho Bittencourt EDITORIAL A importância de uma boa liderança Capital da esperança, asas e eixos do Brasil. A música é da banda Plebe Rude e retrata bem o que significa Brasília para mim, natural de Marília (SP), acolhido por esta terra desde Infelizmente, minha querida cidade de adoção começou 2015 como um carro desesperado por combustível: sem fôlego, engasgando e prestes a parar. Agora, espera-se que o novo condutor deste automóvel, Rodrigo Rollemberg, retome a direção correta e conduza a Capital Federal por caminhos menos tortuosos do que os escolhidos nos últimos anos. A questão é que, sozinho, nunca se vai muito longe é preciso gerir sabendo que a cabeça não se move sem as pernas. Digo isso porque eu e todos os meus colegas do TCU sentimos na pele como é importante uma condução inteligente para que pudéssemos saber, de fato, onde estávamos indo e, principalmente, o porquê desta caminhada. E esta liderança auspiciosa e inteligente veio de ninguém menos que o nosso ex-presidente do Tribunal, ministro Augusto Nardes. Aproveito este momento de transição, em que depositamos toda nossa confiança no ministro Aroldo Cedraz, que hoje está à frente do cargo mais alto do TCU, para agradecer e enaltecer em especial todo o apoio oferecido pela Administração Pública da Casa, pela Segedam e, claro, pelo próprio Nardes, responsáveis por liquidarem uma das principais bandeiras levantadas pelo Sindilegis em 2014: o pagamento da URV. Em dezembro de 2014, após inúmeras articulações entre Sindilegis, Una-TCU - associação que promoveu uma importante mobilização dos técnicos, liderada por Weranice Brasil -, e outras entidades, com o ministro Nardes e outros membros, finalmente pudemos comemorar o pagamento dos valores totais referentes ao reconhecimento da extensão da URV, também conhecido como processo da Simone. Desde 2005, buscávamos levar este processo para apreciação do colegiado, que tramitou durante nove anos e meio até seu desfecho. Nesta edição do TCU em Pauta, você poderá conferir como se deu esta vitória, bem como o andamento de outras demandas, como quintos, ajuste salarial acima da média e progressão funcional. Apesar dos maus presságios que circundam este início de 2015, tenho fé e confiança de que nós, do Sindilegis, continuaremos sempre buscando guiá-los no caminho correto, com uma conduta baseada na transparência, na proatividade e no comprometimento. E é exatamente isto o que também espero dos governantes que estarão conduzindo este País por mais quatro anos. Boa leitura. Dario Corsatto Diretor Administrativo, de Finanças e Patrimônio EXPEDIENTE PUBLICAÇÃO ESPECIAL DO SINDICATO DOS SERVIDORES DO PODER LEGISLATIVO FEDERAL E DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO BRASÍLIA, DISTRITO FEDERAL - Nº JANEIRO/FEVEREIRO Editor(a) responsável: Carolina Augusta. Redação e revisão: Camila Schreiber, Kíssila Vasconcelos, Luísa Dantas e Marcelo Bolzan. Fotografia: Assessoria de Comunicação do Sindilegis. Coordenador Setorial de Marketing, Propaganda, Publicidade e Comunicação Social no TCU: Astrogildo Lima Franco. Projeto gráfico e direção de arte: Mídia Futura Comunicação e Marketing. Tiragem: exemplares. 2 TCU em Pauta -

3 DEMANDAS Um ano desafiador 2015 começa com avanços, mas a diretoria do Sindicato se prepara para enfrentar muitas resistências no novo Governo Dezembro Janeiro Fevereiro AVANÇOS Os técnicos da ativa recebem integralmente a parcela remanescente da URV, bem como é contemplada parcela dos inativos. Aprovada a elevação do teto do funcionalismo para R$ ,00. Remuneração dos servidores do TCU sofre reajuste médio de 7,32%, acima da média dos demais servidores públicos (de 5%). Será aplicada nova progressão de padrões, que passou a ser semestral. O ano de 2015 começou sob o impacto de medidas econômicas restritivas, que visam reduzir os gastos correntes do Governo. Até o momento, nenhuma ação mais dura atingiu a categoria dos servidores públicos, mas as entidades estão em estado de alerta. O Governo gastou desenfreadamente no ano passado e temos o temor que chame os mesmos de sempre para pagar a conta: os servidores públicos, que são os bodes expiatórios prediletos de qualquer governo, e os contribuintes em geral, ou seja, nós novamente, alertou o diretor Administrativo do Sindilegis, Dario Corsatto. Apesar dos maus presságios, o ano começou bem para os servidores do TCU. Quase na virada do ano, o Sindicato conseguiu, junto ao então presidente Augusto Nardes, a liquidação dos valores totais referentes ao reconhecimento da extensão da URV, o chamado processo da Simone. Como se sabe, Simone Barbosa atuou nesse processo como diretora do Sindilegis, obtendo essa conquista histórica para a categoria. Foram liquidados os passivos de 794 ativos e de 80 técnicos aposentados portadores de moléstia grave esse fato por si só demonstra o senso de humanidade do ministro Nardes e da Administração da Casa. Além disso, foi contemplado o pagamento parcial para 282 inativos, selecionados pelo critério do ano de competência, conforme informou a Dipag, numa sinalização importante de que o passivo dos inativos será efetivamente saldado. Veja reportagem completa nas páginas seguintes do TCU em Pauta. TCU em Pauta 3

4 DEMANDAS TETO Logo no início do ano, foi aprovada pelo Congresso Nacional a Lei /2015, que elevou o teto do funcionalismo para R$ ,00, tendo sido sancionada pela Presidente da República em 12 de janeiro. Essa é uma boa notícia para centenas de servidores do TCU que recebem o valor máximo permitido para o funcionalismo e que agora poderão fazer jus a um aumento de 14,6% sobre suas remunerações. Cabe esclarecer, contudo, que, apesar dos efeitos financeiros valerem a partir de 1º de janeiro, o reajuste ficou condicionado à aprovação da lei orçamentária anual. Isso porque a lei autorizadora do reajuste subordinou sua efetivação à expressa autorização em anexo próprio da lei orçamentária anual com a respectiva dotação prévia (art. 4º). Assim, na prática, o teto permanecerá com os valores praticados em 2014 até a aprovação da LOA, o que excepcionalmente neste ano somente deverá ocorrer em abril ou maio, quando então será pago retroativamente e com correção monetária. A Dipag chegou a rodar uma folha de pagamentos com o novo valor do teto, mas percebeu logo em seguida o erro e, para não incorrer em ilegalidade, teve que rodar nova folha com o teto antigo. O reajuste referente ao novo teto do funcionalismo infelizmente precisará aguardar a aprovação da LOA, explicou Eduardo Dodd, vice- -presidente do Sindilegis. REAJUSTE Em janeiro, o vencimento básico dos servidores foi reajustado em 8,73%, percentual que repercutiu sobre a maioria das vantagens que compõem a remuneração. Em média, a remuneração total dos servidores do TCU sofrerá um reajuste de 7,32%. O percentual é superior ao concedido à maioria dos servidores Fique por dentro públicos (5%) e superior também à inflação do período (6,41%). Isso só foi possível porque o reajuste oferecido pelo Governo impactou sobre toda a folha, e não sobre as remunerações em si, de modo que parcelas de caráter pessoal que não foram reajustadas contribuíram para que houvesse um reajuste maior sobre o vencimento básico. PROGRESSÃO Em fevereiro, os servidores que não estão em final de carreira farão jus a mais uma progressão acelerada, o que poderá elevar novamente o vencimento básico de centenas de servidores. Essa é mais uma conquista histórica do Sindilegis e da Auditar, que obtiveram a possibilidade de que a progressão ocorra em interstício inferior a 1 ano, após muitas batalhas, observou Eduardo Dodd, vice-presidente do Sindilegis. Aproximadamente 1 mil ser vi dores serão beneficiados. AJUSTE AO PLANO DE CARREIRA EM DEBATE Dando prosseguimento ao trabalho iniciado no ano passado pelo Sindilegis, em conjunto com as demais entidades, e conduzido com grande competência pela Assessoria Parlamentar do TCU, o Sindicato volta a discutir o PL 7926/2014, que busca a equiparação da Gratificação de Desempenho (GD) entre ativos e aposentados, corrige as Funções Comissionadas e institui o Adicional de Especialização e Qualificação (AEQ). Lembramos que, a partir de intensa articulação do Sindilegis, em 17 de dezembro de 2014 foi apresentado pelo deputado Policarpo (PT/DF) o Requerimento de Urgência (RICD, art. 155), que contou com a assinatura de diversos líderes, de modo que, ao menos sob o ponto de vista formal, o projeto encontra-se pronto para aprovação diretamente pelo Plenário da Câmara dos Deputados. Apesar disso, sabemos que a atual conjuntura político-econômica é pouco favorável para a aprovação de qualquer projeto de lei que aumente despesas correntes. Corroborando essa situação, informamos que todas as emendas apresentadas na Comissão Mista de Orçamento (CMO) que envolviam aumento de despesas com pessoal, por qualquer dos Poderes, foram rejeitadas, inclusive a do TCU. Destarte, embora a Lei Orçamentária de 2015 não tenha ainda sido votada, as chances de uma reversão desse cenário são ínfimas. No momento, estamos discutindo com a Administração da Casa qual o melhor caminho a ser trilhado, do ponto de vista estratégico. Por um lado, é perfeitamente plausível apostar na aprovação do PL 7926/2014 ainda neste ano, para vigência em janeiro de 2016, em razão de alguns fatores, como o fato de estarmos procedendo a mero ajuste (sem alteração nos vencimentos básicos), o baixo impacto orçamentário do projeto e a existência de parecer favorável exarado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP), responsável pela apreciação do mérito da proposição. Por outro lado, há importantes vozes no TCU que propugnam que talvez seja melhor elaborar um projeto de maior fôlego, vale dizer, aguardarmos momento mais propício para propor projeto de maior abrangência. Os que defendem esse entendimento argumentam que o Governo não conseguirá barrar por muito tempo a necessidade de realinhamento das diversas carreiras que compõem o núcleo estratégico da Administração Pública, de modo que não seria interessante desperdiçar essa janela de oportunidade quando ela surgir. O Sindilegis tem se reunido com a nova Administração do TCU (em especial a Assessoria Parlamentar), no intuito de debater o melhor caminho. Muito importante que os diversos atores desse processo, liderados pela Presidência do TCU, que é, afinal, quem tem mais condições de estabelecer a melhor estratégia, estejam perfeitamente alinhados no momento da atuação parlamentar, observou Eduardo Dodd, vice-presidente do Sindilegis. É fundamental que, em qualquer cenário, ocorra a liderança pessoal do presidente Cedraz, que deverá dialogar com a Secretaria de Orçamento e Finanças e a Casa Civil, de modo que os recursos financeiros necessários sejam assegurados, bem como as condições políticas sejam viabilizadas, comentou Dario Corsatto, diretor do Sindilegis. O Sindilegis tem reunião agendada com o presidente Aroldo Cedraz para 5 de fevereiro e os desdobramentos desse encontro, bem como os subsequentes, serão comunicados a toda a categoria no momento oportuno. 4 TCU em Pauta -

5 PROCESSO DOS QUINTOS PASSA POR CONTRATEMPO, MAS O TRÂNSITO EM JULGADO É IMINENTE O processo dos quintos, que tramita no TRF da 1ª Região (processo ), sofreu novas e importantes movimentações. Em 10 de dezembro, foi publicado o acórdão que indeferiu a subida ao STJ, em recurso solicitado pela AGU. Com isso, abriu-se prazo para ciência e manifestação final das partes. O Sindilegis deu ciência dos autos no mesmo dia (que consta na movimentação do TRF1 como petição juntada ), como estratégia para agilizar a tramitação. Também na mesma data, contudo, a AGU retirou o processo, para ciência e estudo de eventual recurso. Não haveria mais qualquer medida a ser tomada, mas o órgão tem direito processual a esse prazo final. Se impetrasse recurso protelatório, poderia se expor a multa. Infelizmente, a AGU decidiu interpor novo recurso especial ao STJ, o que não está previsto em nosso sistema recursal. Os advogados do Sindilegis já apresentaram contrarrazões em 16 de janeiro, e, em tempo recorde, os autos foram recebidos no dia 20 no gabinete da Vice-Presidência. Temos a convicção de que o gabinete dará o encaminhamento, em respeito ao devido processo legal, que deve ser isento de manobras protelatórias, observou Dario Corsatto, diretor do Sindilegis. O dirigente sindical pediu calma e serenidade à categoria, pois entende que a única decisão possível será o não recebimento do recurso. Esgotada a via recursal, ocorrerá então o trânsito em julgado. Em seguida, será expedido ofício ao TCU informando que os servidores atualmente sindicalizados deverão ter os quintos incorporados. Simultaneamente, o processo desce para a primeira instância para a execução dos atrasados (últimos dez anos, aproximadamente), por meio de precatório. PROCESSO DA APL/GAL ESTÁ CONCLUSO PARA SENTENÇA A sentença que julgou procedente ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o pagamento autorizado por acórdão do TCU a título de APL/GAL foi publicada em 1º de outubro de Em 29 de outubro, o Sindilegis interpôs embargos de declaração junto ao próprio juízo de 1ª instância, e os autos encontram-se conclusos para julgamento. Acompanhe o andamento deste processo por meio dos nossos informativos e pelo site FALE CONOSCO Você acabou de conferir o andamento de algumas demandas dos servidores. Caso alguma demanda de seu interesse não tenha sido objeto de comentário, é porque não obteve avanços recentes. Para saber sobre algum assunto específico ou obter mais informações, envie para que responderemos na brevidade possível. Todos os s são respondidos. TCU em Pauta 5

6 CONQUISTA HISTÓRICA Sindilegis e servidores conquistam pagamento de URV para técnicos e auxiliares Processo, que se arrastou por quase dez anos, buscava estender os efeitos do Acórdão 217/2005 para incorporar valores ao vencimento básico à categoria. Parceria com Ministro Augusto Nardes foi crucial para desfecho positivo Para muitos servidores, a data 17 de março de 2005 está marcada na memória. Neste dia, o TCU reconhecia, no Acórdão 217/2005 Plenário, o direito dos servidores à incorporação de 11,98%, relativo à Unidade Real de Valor URV, aos vencimentos fixados pela Lei , de 27 de dezembro de O item 9.3 do Acórdão logo causou polêmica, ao afirmar que técnicos e auxiliares não receberiam a incorporação, tendo em vista que já havia acontecido uma correção de valores do vencimento básico no plano de carreira de 2004, Lei nº /2004. A partir daí, a técnica de Controle Externo e atual diretora de Integração Regional do Sindilegis, Simone Barbosa, percebeu que não havia jurisprudência na medida tomada pelo Tribunal. Quando da edição do mencionado Acórdão, a servidora encontrava-se como chefe substituta do Setor de Pagamento de Ativos (SPA). SAULO SANTOS 6 TCU em Pauta -

7 A URV é uma demanda constante nas reuniões entre o presidente, Nilton Paixão (à dir.), com integrantes da diretoria do Sindicato no TCU. ARQUIVO - ASCOM SINDILEGIS Na época da publicação da Lei /2004, ninguém discutia URV. O que aconteceu com a aplicação do Acórdão: nós, técnicos e auxiliares, apenas teríamos o direito de incorporação e recebimento dos atrasados até agosto de 2004, mês da vigência do novo plano. Isto é, estaríamos alijados dos efeitos do Acórdão 217/2005 após a mencionada data. A alteração dos vencimentos de técnicos e auxiliares no plano de 2004 veio apenas para se corrigir uma injustiça realizada no plano de carreira de Em hora nenhuma, nem no texto da Lei, nem na exposição de motivos encaminhada ao Congresso pelo excelentíssimo ministro Valmir Campelo, se mencionou incorporação de URV. Então qual o fundamento legal para o item 9.3 do Acórdão?, refletiu. Consternada com a visível segregação que o Acórdão traria para a categoria, Simone decidiu ir atrás. Começou a questionar a Administração, afirmando que a decisão era equivocada e que deveria haver sim a incorporação de 11,98% para técnicos e auxiliares. Comecei a correr atrás de pessoas que pudessem me apoiar nesta empreitada e, graças a Deus, consegui alguns apoios fundamentais, tais como os técnicos Sérgio Borges, Vergílio e Graça Leite, e auditores, como Sérgio Mendes, Henrique Ziller e Wagner César, que também perceberam o erro e se sentiram tocados pela injustiça. Trabalhamos em cima da tabela de vencimentos, começamos a ver os trâmites legais e organizar as ideias para levar o processo adiante. Foi quando decidi, em abril de 2005, ir atrás do Sindilegis para buscar alguém ou algo que pudesse encorpar ainda mais nosso pleito, alguém que realmente tivesse voz e poder para mudar as coisas. Entretanto não obtive apoio à época, relembra Simone. Para ganhar apoio de técnicos e auxiliares, Simone produziu um formulário de habilitação para interessados no possível processo e o distribuiu pela Casa, incluindo também técnicos e auxiliares que se encontravam nos Estados. Não demorou para tornar-se representante oficial da luta, que foi, timidamente, ganhando mais adeptos. O processo nasceu desacreditado. Contudo, logo cerca de 400 técnicos se habilitaram como interessados no processo, conta. Após a ideia realmente começar a ganhar corpo, Simone protocolou pedido nº TC /2005-0, requerendo que técnicos e auxiliares recebessem a diferença equivalente à conversão da URV também após o plano de Em busca de respaldo O tempo começou a passar e o processo esteve em diversos locais. A Conjur votou contra, a Segedam votou contra e a única que disse que tínhamos direito aos valores era a Diretoria de Legislação de Pessoal (Dilpe), subordinada à Segedam. Em seu entendimento, assim como os todos os servidores tiveram direito à incorporação a partir da edição do plano de carreira de 2001, técnicos e auxiliares o teriam também mesmo com o plano de 2004, revela. A argumentação básica dos setores para negação do processo era de que a URV já havia sido incorporada no reajuste do plano ocorrido no vencimento para técnicos e auxiliares em Após receber alegações contrárias Segedam e Conjur, a Presidência do TCU decidiu encerrar o processo, conforme publicado no BTCU nº 3, de 6/02/2006. Com uma nova diretoria assumindo o Sindilegis, Simone decidiu pedir apoio ao amigo e diretor de Órgãos Regionais à época, Djair Alves também técnico do TCU, já que apenas o Sindicato teria força e voz suficiente para reabrir o processo. Após conversar com a Simone e com outros colegas do Tribunal, fui convencido de que o pleito era justo e juridicamente defensável. Finalmente, após meses nos debruçando e discutindo acerca do assunto, conseguimos convencer o presidente e, no primeiro semestre de 2009, protocolamos no Tribunal uma petição solicitando a inclusão do Sindicato como parte interessada no processo, relembra Djair. TCU em Pauta 7

8 BENEFÍCIO EXCLUSIVO 8 TCU em Pauta - aquela do processo. Daí não teve jeito, acabou pegando. O processo da URV acabou virando processo da Simone, afirma a diretora de Integração Regional. Assim que tomou posse no Sindilegis, a primeira medida tomada por Simone foi pedir vista e cópia do processo. Em 2010, a diretoria começou a percorrer os gabinetes, em especial o do ministro Nardes, com o intuito de sensibilizá-los em relação ao pleito dos servidores. Fui conhecendo pessoas importantes, que poderiam interferir no nosso pleito. Em 2011, havia uma esperança do processo ser inserido para pagamento no final do ano, conta Simone. A suspensão para pagamento dos valores abalou as estruturas dos técnicos: agora, o processo não correria administrativamente, e sim em Plenário. Na época, todos os nove ministros eram contrários à aprovação do material. Até que um dia cruzei com o ministro André Luis de Carvalho no corredor e lembrei que ele tinha sido chefe de gabinete do ministro Nardes, e que tinha conhecimento do processo. Ele ficou sensibilizado com nosso pleito e então conseguimos, por meio dele e de servidores do gabinete do ministro Nardes, agendar uma reunião para que mostrássemos o que queríamos no processo, recorda Simone. Em novembro de 2012, fui avisada de que o processo finalmente seria colocado em pauta, mas eu precisava de um ambiente favorável para que conseguisse a aprovação, afirma a diretora de Integração Regional. ARQUIVO - ASCOM SINDILEGIS Mais adiante, o Sindilegis protocolou outra petição e passou a batalhar para que a tese fosse aceita. Após várias negativas por parte da Administração do TCU, o processo foi remetido à Presidência do TCU para sorteio de relator com vistas à análise do recurso apresentado pelo Sindicato. Para nossa sorte, o relator sorteado foi o ministro Augusto Nardes, sempre sensível às causas dos servidores do Tribunal, em especial dos técnicos e auxiliares. A partir deste momento, foram muitos os encontros e reuniões com o Nardes ou com o seu chefe de gabinete, Alden Mangueira, com vistas à apreciação do referido processo pelo plenário do Tribunal, uma vez que parte dos ministros se mostravam relutante em reconhecer o direito ao benefício, conta Djair. Orientados pelo ministro Nardes, o Sindilegis passou a realizar visitas aos gabinetes dos demais ministros a fim de mostrar-lhes que o pleito era justo e legal. Em dezembro de 2009, o processo chegou a ser pautado, mas teve de ser retirado, pois ainda permanecia o risco de ser rejeitado pelo Plenário do Tribunal. O problema é que o processo ficou parado por três anos, até meados de 2010, quando ingressei no Sindicato como diretora de Órgãos Regionais. Durante a campanha para o Sindilegis, eu morava em Belo Horizonte e escutei dos colegas de chapa muitas vezes, que quando alguém ia se referir a mim dizia: A Simone vai fazer isso. Qual Simone? ARQUIVO - ASCOM SINDILEGIS A escolha do relator ARQUIVO - ASCOM SINDILEGIS CONQUISTA HISTÓRICA

9 Desfecho positivo Simone Barbosa, então, começou a buscar audiências com os ministros. Valmir Campelo, Ana Arraes, Raimundo Carreiro, José Múcio e Aroldo Cedraz, receberam a diretora e se mostraram favoráveis na votação pelo processo. Não posso deixar de citar o apoio que tive de técnicos como Wilson Figueiredo, que me auxiliou a encontrar pessoas nos gabinetes que pudessem me colocar em contato com o respectivo ministro, bem como da técnica Alessandra Gomes de Araújo, que me acompanhou em audiência com alguns ministros, e dos diretores do Sindicato, Dario Corsatto e Alison Souza, que algumas vezes me acompanharam a gabinetes de autoridades, salienta a diretora. No momento de decidir pelo pleito dos técnicos, apenas três ministros foram contrários. A demanda finalmente saiu vitoriosa e um novo acórdão foi expedido corrigindo o problema, o Acórdão nº 3240/2012. Sem o apoio dessas pessoas e, principalmente, sem o empenho pessoal do excelentíssimo relator ministro Augusto Nardes, a quem nós técnicos e auxiliares devemos nossa inteira gratidão, não teríamos logrado êxito! Foram quase 10 anos de luta, mas que, graças ao bom Deus, teve um final feliz, comemorou. Após tomar posse como presidente do Tribunal, Nardes comprometeu-se com as entidades representativas de que a URV seria liquidada assim que houvesse sobra orçamentária. Boa parte dos pagamentos ocorreram em 2012 e Durante todo o ano de 2014, a diretoria do Sindilegis esteve em constante contato com o Ministro. Em dezembro, os recursos foram obtidos e, a URV, paga integralmente a técnicos e auxiliares ativos, para aposentados por moléstia grave, e uma parcela para os outros aposentados. O Sindilegis mais uma vez enaltece a confiança e cumplicidade que sempre depositou no ministro Nardes para a liquidação do saldo desse passivo, que felizmente ocorreu de maneira integral, pelo menos para os ativos e inativos por moléstia grave, salientou Eduardo Dodd, vice-presidente do Sindilegis para o TCU. Muitos inativos acabaram também sendo beneficiados neste último pagamento, de acordo com o ano de competência que foi possível saldar, dada a limitação de recursos. O ministro Nardes tentou até o último momento pagar todos os inativos, mas infelizmente isso não foi possível. Todavia, comprometeu-se a envidar esforços no sentido de que a nova gestão consiga efetuar todos os pagamentos pendentes dos aposentados, observou Dario Corsatto, diretor do Sindilegis. A diretora do Sindilegis, Simone Barbosa, percorreu vários gabinetes a fim de levar ao conhecimento dos ministros o pleito dos técnicos e auxiliares. Na foto, ela visitou os ministros Valmir Campelo e Ubiratan Aguiar em No alto, Simone Barbosa e o diretor de Órgãos Regionais do Sindilegis à época, Djair Alves. Serviços Odontológicos exclusivos para filiados e dependentes! ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO: Diversas especialidades (dentística, implantodontia, ortodontia, periodontia, prótese, cirurgias, clareamento, checkup digital, entre outros); Equipamentos que proporcinam comodidade e modernidade. De segunda a sábado (ligue para agendar). CAS - SGAS 609/610, Conj. C, Mód. 70, Asa Sul - L2, Brasília - DF (61) / (61) sindilegis.org.br/odontolegis TCU em Pauta 9

10 CONQUISTA HISTÓRICA Sindilegis e servidores prestam homenagem ao ministro Augusto Nardes MARCELO BOLZAN ASCOM SINDILEGIS Após dois anos na presidência do TCU, ministro recebe placa pelo reconhecimento de seu trabalho à frente da Instituição Diretores do Sindilegis e servidores do Tribunal promoveram um café da manhã para homenagear o ministro Augusto Nardes pela sua atuação como presidente do TCU nos dois últimos anos. Na ocasião, o ministro ainda recebeu uma placa em reconhecimento aos serviços prestados e pela proficiência, coragem e determinação à frente da Casa. No encontro, os servidores puderam expressar a gratidão ao ministro. O técnico de Controle Externo e diretor Social e Esportivo do Sindilegis, Alison Souza, destacou o tratamento diferenciado do ex-presidente. O fato é que ao longo da gestão do senhor, os técnicos foram valorizados. Estamos realmente muito agradecidos, disse. Já o auditor e diretor Administrativo do Sindicato, Dario Corsatto, lembrou os avanços obtidos pela gestão do ministro em conjunto com o Sindilegis. Tivemos um relacionamento muito positivo com a Administração da Casa. Obtivemos grandes avanços e esta conquista dos técnicos sobre a URV veio em excelente hora, pois nosso quadro possui excelência e merece ser valorizado, ressaltou. Corsatto aproveitou para parabenizá-lo pela determinação com que enfrentou situações políticas difíceis. O senhor contribuiu muito para elevar ainda mais o nome deste Tribunal, e corajosamente apontou falhas na gestão da coisa pública, sempre que necessário, afirmou. Eduardo Dodd, também auditor e vice-presidente do Sindilegis para o TCU, reconheceu que muitos dos avanços do Sindicato coincidiram com a gestão de Nardes à frente da presidência do Tribunal. Há algum tempo, passávamos uma imagem de que atuávamos mais no Senado e na Câmara. Nestes dois anos, contudo, conseguimos mostrar justamente o contrário, e o resultado foi o aumento no número de filiações, concluiu. Ao final do encontro, Nardes agradeceu e dividiu a homenagem com todos os servidores do TCU. Leia abaixo o discurso do ministro. Tudo o que conseguimos foi graças à participação de cada um, ou seja, utilizamos do diálogo e soubemos ouvir. Um dos segredos da vida é saber escutar e tirar proveito da criatividade que cada ser humano possui. Cada profissional desta Casa possui capacidade imensa para as suas funções, para a sua família e para o País. É importante saber valorizar isso, porque o que procuramos fazer neste período foi valorizar cada um de vocês e proporcionar uma gestão aberta. Para escolher o secretariado, conversei com todos que estavam antes e os que entraram em minha equipe. Através de muito diálogo, ficamos sabendo da realidade e que decisões tomar, para uma gestão eficiente. Comecei a conhecer as pessoas deste Tribunal e um dos canais de diálogo foi através do esporte. Vários dos que estão aqui nesta sala praticam o tênis e muitas das reivindicações surgiram de momentos como este. Isso já parte de uma premissa de que o ministro não MARCELO BOLZAN ASCOM SINDILEGIS 10 TCU em Pauta -

11 pode ficar fechado em seu gabinete, hermético em uma sala, achando que ele é conhecedor de tudo, sem dialogar com aqueles que trabalham ao seu redor. Conseguimos avançar por estes fatores... Saber ouvir e dialogar. Isto constrói o relacionamento e a confiança. Estou muito feliz porque sentimos que apoiamos e defendemos esta Instituição. Nós somos uma grande família e, como tal, temos que brigar, precisamos estar juntos. Conseguimos ouvir e criar uma sinergia com os servidores, para finalizar com os resultados a que chegamos ao final da gestão. Percorri 25 estados desta Nação, o que demonstra que valorizamos muito as Secretarias Regionais. Quanto ao processo da URV dos técnicos e auxiliares, recebi várias ligações de servidores e secretários, aflitos com o pagamento. Os secretários me explicaram que havia um acompanhamento em massa dos servidores em relação à URV. Conversei muito com minha equipe para efetivamente garantir estes pagamentos, pois seria um reconhecimento para quem presta um grande serviço e faz esta Casa avançar, seguir em frente. Em minha gestão, destaco que conseguimos também incorporar um fato importante, que foi a integração com todos os tribunais regionais dos estados, de modo a termos um panorama geral do Brasil. E o grande evento, que firmou tudo isso e contou com a participação de aproximadamente 40 mil pessoas foi, sem sombra de dúvida, o pacto pela boa governança. Isso tirou o Tribunal da zona de conforto, assim como também os tribunais dos estados. No ano passado, fizemos auditorias na educação, na saúde, entre outras. Nosso projeto fica para este Tribunal Ministro Nardes ficou lisonjeado com a homenagem. MARCELO BOLZAN ASCOM SINDILEGIS como um legado, e nosso desejo é que se transforme em projeto para o País. A partir do nosso exemplo, de que sem uma boa governança não é possível estabelecer metas e expectativas de futuro para a Nação, poderemos construir um país diferenciado. Claro que isso não depende só deste Tribunal, mas especialmente de quem governa. Um exemplo foi a questão da Petrobras. Felizmente, a empresa começou a falar em governança. São mais de 450 mil funcionários, e nesse cenário é claro que a ideia de governança assume importância crucial. Aqui no DF, tivemos uma longa conversa com o atual governador Rollemberg, e tenho bons motivos para crer que ele de certa forma se baseou em nosso projeto para montar o seu projeto de governo. Espero que ele consiga melhorar o DF. No Rio Grande do Sul, a primeira reunião do governador com seu secretariado foi exatamente pedir para um ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado dar orientações sobre gastos com eficiência. Ou seja, conseguimos incutir nossas propostas em vários estados. O movimento Brasil Competitivo nos solicitou um estudo para ver como aperfeiçoar o Estado para que pudéssemos tornar o Brasil mais competitivo. Enfim, conseguimos lançar uma semente com a participação dos servidores, e também com a nossa participação. Servidores participam de café da manhã com ministro Nardes para agradecê-lo pelas suas atuações. Quero dizer ao Sindilegis, à Auditar, à ASTCU, à Una-TCU, aos servidores mais antigos e mais jovens que o Tribunal tem perspectiva de influenciar muito este País. Porém devemos conduzir este processo interno e externo e não ter medo de enfrentar os poderosos. Eu tenho dito em muitos encontros e palestras que os conselheiros não podem ter medo de dizer a verdade para os governadores. O nosso cargo é vitalício justamente por isso. Nós temos que apontar o que está errado e o que deve ser aperfeiçoado. Se não tivermos esta coragem, o país será sempre submisso às grandes potências. Somente assim nos tornaremos uma Nação mais ouvida e importante no contexto mundial. Veja o caso da Petrobras: o Tribunal já havia alertado para o problema, inclusive em uma entrevista para a revista Veja. Vínhamos alertando há alguns anos o que poderia acontecer com a Petrobras. Fatos como esse maculam a credibilidade do País em nível internacional. Tomando este café com vocês me lembrei que fizemos exatamente desta forma com o Congresso. Não existia diálogo entre o Tribunal e o Poder Legislativo e consequentemente começamos a sofrer críticas. Então criamos estas mesas de diálogo e apresentamos os relatórios para cada uma das pastas e também para os presidentes das comissões. O que faltava na verdade era comunicação, e com isso nos aproximamos, TCU em Pauta 11

12 CONQUISTA HISTÓRICA de forma que diminuíram as críticas. Recebemos em torno de 80 parlamentares entre senadores e deputados. Alguém vai falar eu estive lá, eles possuem um trabalho pronto sobre tal tema. Ou seja, tem que existir o diálogo. A população merece que se tenha transparência e respeito nos atos públicos, e procuramos fazer isso nestes dois últimos anos. Nada disso seria possível se não tivesse levado em consideração o que conversei com muitos de vocês. Isto começou meses antes de assumir meu mandato. Por isso, quando assumi, já tinha metas e estratégias adotadas, o que me proporcionou condições de realizar uma gestão com foco e direcionamento mais arrojados. Foi uma vitória de todos e espero que os futuros presidentes façam uma boa gestão e cumpram todas as metas a que se dispõem. E eu estarei sempre disponível para ajudar. Não perco energia a não ser pensando para frente, porque temos que pensar na Instituição como um todo, e não em nós, que somos passageiros. Infelizmente não conseguimos liquidar o total da URV de todos os aposentados, somente daqueles com doenças mais graves, e pagamos em torno de 15% dos demais aposentados, mas conversei com a Presidência atual e, ao final deste ano, devemos pagar o restante. Esta foi uma garantia que nos foi passada e espero que assim seja feito. Isto não é um presente, mas simplesmente o reconhecimento à dignidade e a doação de cada um para a nossa Instituição. Desejo a todos um feliz 2015 e que, nos momentos mais difíceis, tenhamos capacidade de ajudar o País. Somos uma das poucas Instituições que podem fazer a diferença no Brasil. Eu tenho esta concepção. Pela estabilidade que temos, pelo cargo vitalício que os ministros possuem e por nossas prerrogativas constitucionais. Meu grande desejo é que o País evolua. Muito obrigado a todos vocês pela homenagem e pelo carinho. REGIONAIS Secex-MA promove dia de Combate à Corrupção LÚCIO AGUIAR - SECEX/MA Com apoio do Sindilegis, servidores do Maranhão realizaram evento para discutir e mobilizar a população Manifestação contra a corrupção reuniu auditores da Secex/MA, Polícia Militar e cidadãos. 12 TCU em Pauta -

13 MARCELO BOLZAN ASCOM SINDILEGIS Momento marcante: dirigentes do Sindilegis e comissão de técnicos retribuíram esforço e dedicação do ministro Nardes para com os servidores. O Dia Internacional Contra a Corrupção ocorre todos os anos, em todas as partes do mundo, no dia 09 de dezembro. A data é uma referência à assinatura da Convenção das Nações Unidas contra a corrupção, ocorrida na cidade mexicana de Mérida. A proposta de criação do Dia Internacional contra a Corrupção foi apresentada pela delegação brasileira à época da votação da Convenção. Foi nesse dia, no ano de 2003, que mais de 110 países assinaram a Convenção, entre eles o Brasil. O Congresso Nacional brasileiro aprovou o texto da Convenção em maio de No dia 31 de janeiro de 2006, a Convenção foi promulgada, passando a vigorar no Brasil com força de lei. No Brasil, é a Controladoria-Geral da União o órgão responsável pela implementação da Convenção. Desde então, todos os anos a CGU promove celebrações do Dia Internacional contra a Corrupção em todas as capitais do país. E não poderia ser diferente no estado do Maranhão. Por meio de uma iniciativa dos servidores da Secretaria de Controle Externo do TCU no estado (Secex-MA) em parceria com o Sindilegis, foi realizado um grandioso evento com programação voltada para todo o dia e abertura solene no Tribunal de Contas do Estado. De acordo com o auditor de controle externo, Lúcio Aurélio Barros Aguiar, o Dia Internacional é uma data festiva para todos aqueles que atuam na repressão e na prevenção da corrupção. É um momento único em que os profissionais vão às ruas e sensibilizam diretamente a população acerca dos malefícios que a corrupção acarreta no seio da sociedade, afirmou. Lúcio ainda afirmou que a participação do Sindilegis garantiu mais visibilidade às atividades realizadas no evento, tendo em vista à sua importância no cenário sindical brasileiro. Foi uma parceria muito profícua. Esta edição do Dia Internacional contra a Corrupção foi a que mais repercutiu na imprensa local e também a que houve o maior público. Cerca de 10 mil pessoas passaram por atendimentos durante a realização da celebração, comemorou. TCU em Pauta 13

14 POSSE AGÊNCIA SENADO Vital do Rêgo é nomeado ministro do TCU Paraibano, novo ministro prometeu isenção no julgamento de processos que envolvem gastos públicos. APOSENTADORIA Propostas que beneficiam servidores aposentados a um passo de aprovação definitiva Sindilegis e Instituto MOSAP comemoram andamento da PEC 434 (antiga PEC 170) e do PLS 250, que garantem vantagens para aposentados Propostas importantes que beneficiam servidores do Legislativo Federal e Tribunal de Contas da União estão bem próximas de desfechos positivos. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a proposta de emenda à constituição (PEC) 434/2014 (antiga PEC 170), que garante aposentadoria integral ao servidor público que se aposentar por invalidez. Além disso, também foi aprovado o texto do projeto de lei do Senado (PLS) 250/2005, que garante aos servidores portadores de deficiência critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria. A PEC 434/14, de autoria da deputada Andreia Zito, define novas regras para servidores civis da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A partir da publicação da futura emenda constitucional, a invalidez gerada por acidentes domésticos, por exemplo, permitirá ZECA RIBEIRO - AGÊNCIA CÂMARA ao servidor se aposentar com proventos integrais, calculados na forma da lei, em vez de proporcionalmente ao tempo de contribuição. A matéria precisa agora tramitar no Senado. 14 TCU em Pauta -

15 Senador foi indicado pelo Senado para ocupar a vaga do ministro José Jorge, aposentado pelo Tribunal no final do ano passado Em dezembro de 2014, o senador Vital do Rêgo tomou posse como novo ministro do Tribunal de Contas da União, em solenidade presidida pelo então presidente do órgão, Augusto Nardes. Vital foi indicado pelo Senado para ocupar a vaga do ministro José Jorge, que se aposentou compulsoriamente e deixou o Tribunal. Jorge completou 70 anos e, pela lei, atingiu a idade máxima para magistrados. A nomeação de Vital para assumir a vaga de ministro foi publicada na edição de dezembro do Diário Oficial da União. Sua indicação para o cargo foi aprovada em votações no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. No Senado, o placar favorável foi de 63 votos a 1. Já na Câmara, a indicação teve 313 votos favoráveis, 8 contrários e 8 abstenções. Na solenidade de posse, o ministro Augusto Nardes deu as boas-vindas a Vital do Rêgo, acolhendo o senador na família TCU. Vossa Excelência tem capacidade de fazer o Tribunal crescer ainda mais. Somos muito gratos a Vital, pois recentemente desempenhou em seu trabalho como relator da LDO a aprovação de uma emenda que garante ao TCU uma estabilidade futura em termos de recursos. Saibam que, antes de chegar aqui, o nosso novo ministro já trabalhou muito pelo Tribunal assegurando esses recursos, afirmou. Agradecendo aos ministros pelas palavras de boas-vindas, Vital compartilhou trechos de diálogo que manteve recentemente com o ministro Bruno Dantas, com quem trabalhou no Senado enquanto consultor. O ministro Bruno Dantas foi o primeiro colega que consultei quando soube da notícia que recebi da Mesa Diretora do Senado dando conta do convite feito a mim para assumir este espaço. Ofereceu-me informações valiosíssimas sobre o nosso Tribunal, afirmou. Vital teria mandato de senador até 2019 e ocupava a presidência de duas comissões parlamentares de inquérito instauradas para apurar denúncias contra a Petrobras. O Sindilegis parabeniza a escolha do senador para o cargo de ministro e acredita que a competência e preocupação com a boa gestão da coisa pública serão marcos na carreira de Vital durante sua passagem pelo TCU. Plenário da Câmara aprovou proposta que garante aposentadoria por invalidez a servidores no fim do ano. Agora analisarão o PLS 250, que trata de aposentadoria a servidores com deficiência. Já o PLS 250/2005, de autoria do senador Paulo Paim, determina que o servidor que tenha algum tipo de deficiência poderá se aposentar voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, após 25 anos de contribuição, independentemente de idade. Considera-se portador de deficiência a pessoa com limitações físico-motora, mental, visual, auditiva ou múltipla. A proposta será examinada agora na Câmara dos Deputados. O diretor de aposentados e pensionistas do Sindilegis, Ogib Teixeira, comemorou as vitórias. Nossa luta para a aprovação destas matérias é importante para todos os servidores, não se restringindo apenas à categoria do Legislativo. Agora nossos trabalhos se concentrarão para que as duas propostas tenham um desfecho positivo, assegurou. Ambas as propostas foram acompanhadas de perto pelo Sindilegis, em parceria com o Instituto MOSAP (Movimento dos Servidores Aposentados e Pensionistas). As entidades estiveram em diversos encontros com parlamentares, lutando em prol dos aposentados e pensionistas. TCU em Pauta 15

16 INICIATIVA TCU sedia evento da Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo Tomaram posse na Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo (ABCP) cinco novos membros Em noite de gala e muito charme, tomaram posse na Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo (ABCP) cinco novos membros: Eliane Gonçalves Ubillús, Fredolino Antonio David, Hugo de Faria Almeida, Marta Diva Baena e Yvone de Souza Almeida, esta, presidente do Colégio Brasileiro de Cerimonial (CBC). O evento, realizado no início de dezembro, foi sediado no Tribunal de Contas da União. Fundada em 2004, a ABCP congrega grandes expoentes do Ceri mo - nial nacional, cujas obras têm contribuído para o fomento à p esquisa nesse vasto campo do saber, bem como o aperfeiçoamento da atividade profissional dos cerimonialistas. A solenidade foi presidida pelo Professor Marcílio Lins Reinaux, cerimonialista fundador da entidade, e prestigiada pelo presidente da Academia de Letras de Brasília, José Carlos Gentili, e pelo presidente do Comitê Nacional do Cerimonial Público do Brasil (CNCP-Brasil), Ronan Ramos de Oliveira, os quais compuseram a mesa de honra ao lado dos acadêmicos José Júlio dos Reis e Franklin Bezerra dos Santos, respectivamente, vice-presidente e diretor administrativo da Academia. Momento de grande emoção se deu quando Carminha Speers auxiliou a aposição das vestes talares na acadêmica Eliane Ubillús, ocupante da cadeira de nº 15, patroneada pelo Professor Nelson Speers, saudoso marido de Carminha, falecido em setembro passado, aos 94 anos. Havendo sido premiado com o título ímpar de Pioneiro Emérito do Cerimonial Brasileiro, Speers é considerado, no Brasil, o ícone por excelência desse métier e, no exterior, entre outras homenagens, foi nomeado presidente de honra da Organización Internacional de Ceremonial y Protocolo (OICP). O acontecimento, que contou com o apoio do Sindilegis, foi presenciado por seleto auditório, em que estava Miguel Lins, filho do inesquecível cerimonialista e escritor Embaixador Augusto Estellita Lins, que fora chefe do Cerimonial do Itamaraty, cuja cadeira na ABCP, de nº 2, passou a ser ocupada pelo acadêmico Fredolino David. Também se fizeram presentes María Esther Regueiro, que já exerceu as funções de chefe de cerimonial do governo da Galícia e da prefeitura de Santiago de Compostela, e Gilda Fleury Meirelles, renomada escritora, conferencista e professora de Cerimonial e Protocolo, entre outros cerimonialistas que abrilhantaram a sessão festiva. ASTROGILDO FRANCO - TCU ABCP congrega grandes expoentes do Cerimonial nacional, cujas obras têm contribuído para o fomento à pesquisa, bem como para o aperfeiçoamento da atividade profissional dos cerimonialistas. 16 TCU em Pauta -

17 Descubra o que o Sindilegis tem a oferecer de melhor para você e sua família! Odontolegis Atendimento odontológico de ponta, gratuito para filiados e dependentes. Filiados têm: Legis Club Brasil Um clube que oferece uma gama de descontos e vantagens em diversos serviços. Consulegis Consultoria Jurídica que oferece orientação e representação jurídica gratuitas (coletivas e individuais) em diversas áreas do Direito. CAS 610 Sul UTI Vida Atendimento de Urgência e Emergência 24 horas e assistência médica imediata. Um ambiente de 7 mil m² que agrega alguns serviços do Sindicato: Consulegis e Odontolegis, Legis Club Brasil, além do acesso a empresas conveniadas. Faça parte do seu Sindicato! Para se filiar, basta preencher a ficha cadastral disponível nos postos do Sindicato na Câmara, no TCU, na gráfica do Senado ou na sede. A mensalidade é de apenas 0,8% sobre o vencimento no contracheque, variando entre R$ 40 e R$ 140. Podem se filiar todos os servidores do Legislativo Federal e do TCU ativos e aposentados, pensionistas, ocupantes de cargos em comissão, CNE's e Secretários Parlamentares. TCU em Pauta 17

18 ENTREVISTA CAMILA SCHREIBER - ASCOM SINDILEGIS TCU publica livro sobre sua história Tribunal de Contas da União: evolução histórica e administrativa traz um esboço histórico sobre a Instituição O livro Tribunal de Contas da União: evolução histórica e administrativa, publicado no mês de novembro passado, aborda a evolução histórica das práticas de controle das finanças públicas desde as antigas civilizações mediterrâneas, com destaque para as primeiras formas institucionalizadas de controle surgidas na alta Idade Média, a exemplo da Casa dos Contos, cuja origem remonta provavelmente à segunda metade do séc. XIII, sendo extinta apenas no século XVIII, quando foi substituída pelas Juntas da Real Fazenda na esteira da criação do Erário Régio realizada por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Em termos de Brasil, o livro informa que nem a Colônia nem o Império conheceram o Tribunal de Contas, que veio a ser criado somente no alvorecer da República, mediante o Decreto nº 966-A, de 1890, por iniciativa de Ruy Barbosa, ministro da Fazenda do Governo Provisório, chefiado pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca. A obra também reporta a evolução administrativa do Tribunal de Contas através da exposição sinótica de leis, decretos, leis orgânicas e regimentos internos que, a longo da existência daquele órgão, mantiveram o exercício do controle externo nos estritos limites de sua jurisdição e competência. Ainda no terreno administrativo, são também historiadas as áreas de recursos humanos, tecnologia da informação, educação corporativa e atuação internacional. Ao final do livro, consta alentada galeria fotográfica composta de autoridades do Tribunal em que o leitor pode conferir a composição atual de ministros, ministros-substitutos e membros do Ministério Público junto ao TCU, bem como listagem completa dos ex-presidentes do Tribunal e ministros eméritos da Casa. A responsável pela edição do livro institucional do TCU, Nair Gaston Nogueira, em entrevista ao TCU em Pauta, pontuou. as origens daquela que é hoje uma das instituições mais respeitadas do País. Nair é servidora do Tribunal há mais de vinte anos e filiada ao Sindilegis. Tem como hobby a leitura de biografias de grandes vultos da história da humanidade. Atualmente coordena a Comissão encarregada do desenvolvimento da Política de Acessibilidade do TCU, presidida pelo Procurador do Ministério Público junto ao TCU, Dr. Sérgio Caribé. Nair Gaston participou da organização, textos e pesquisas do livro institucional. 18 TCU em Pauta -

19 Em linhas gerais, como você caracterizaria esse livro sobre o TCU? Diria que o livro tem o espírito de uma viagem narrativa sobre a história das instituições públicas de controle precursoras das Cortes de Contas, da antiguidade até os dias de hoje, tendo como fio condutor o dever de prestar contas da aplicação dos dinheiros públicos. Creio que, por esse caminho, conseguimos atingir o formato de livro institucional que idealizamos a partir da incumbência que me foi endereçada pessoalmente, em março de 2014, pelo então presidente do TCU, ministro Augusto Nardes, ou seja, que o livro tivesse solidez de conteúdo e que fosse agradável de se ver. O dever de prestar contas já existe há muito tempo? É certo que os historiadores não indicam o ponto exato da história da civilização em que se deu o início da prática de prestação de contas. Porém, existem registros de que a cidade-estado de Sippar, fundada em a. C., às margens do rio Eufrates, era administrada por um conselho de anciãos que prestava contas de sua gestão ao governo central. Na antiga Atenas, aí por volta do século VI a. C., registra-se a existência do Conselho de Quinhentos, chamado Bulé, que se encarregava de receber, analisar e promover o julgamento das prestações de contas dos gestores públicos. Como era o sistema de prestação de contas em Atenas? Em se tratando da aplicação de recursos públicos, os cidadãos atenienses eram muito vigilantes. Em cada exercício, a Bulé sorteava um comitê de controladoria constituído de dez auditores, com dez adjuntos, encarregados de inspecionar as prestações de contas dos gestores e magistrados, ao final de seus respectivos mandatos, para depois encaminhá-las para julgamento de um tribunal. Quando necessário, costumava-se nomear um examinador com a função de apurar denúncias e irregularidades atinentes às prestações de contas desses gestores, de modo a permitir à assembleia um julgamento político mais abrangente da respectiva gestão. Agora só nos resta torcer para que Tribunal de Contas: evolução histórica e administrativa seja considerado um livro à altura das tradições do TCU e, sobretudo, que seja do agrado de todos os seus leitores. Caso constatada alguma irregularidade nas contas, os agentes públicos eram punidos de que forma? Quando se verificava um caso de peculato, por exemplo, um tribunal condenava o réu por roubo de dinheiro público e o sentenciava a devolver aos cofres públicos dez vezes mais do que o valor da quantia subtraída. No caso de acusação de má conduta ou improbidade administrativa, o envolvido era multado e obrigado a recolher o valor da multa, sem acréscimo, antes do final do exercício, pois, se não o fizesse, a multa dobrava de valor. Se o cidadão, em razão do exercício do mandato, aceitasse qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida, e fosse declarado culpado do crime de improbidade, o tribunal aplicava multa por corrupção também equivalente a dez vezes o valor do malfeito. E em Portugal, quando aconteceram as primeiras tentativas de controle de contas? Um grande esforço de controle de finanças foi feito por volta da segunda metade do séc. XIII quando da instituição da Casa dos Contos, um embrião de departamento de contabilidade que processava o registro das receitas e despesas estatais e se encarregava de todos os assuntos relacionados à contabilidade pública e à situação financeira do reino português. No século XIV, a Casa dos Contos de Lisboa respondia pela contabilidade de todos os almoxarifados do reino, enquanto a Casa dos Contos d El Rei cuidava das receitas e despesas privativas da Casa Real. No século XVI, pelo Regimento das Ordenações da Fazenda editado por d. Manuel, a Casa dos Contos passou a denominar-se Contos do Reino e Casa, cabendo-lhe o controle das finanças nas possessões coloniais. No séc. XVII, por ordem de Filipe II, os Contos do Reino e Casa centralizaram toda a contabilidade pública, tanto da metrópole quanto das colônias. Havia controle de contas no Brasil colônia? Sim. Foi no período colonial que se verificaram as primeiras ações efetivas de controle no Brasil, durante o reinado de d. José I, na última metade do século XVIII, implementadas por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que editou vários regulamentos de caráter fiscalizador destinados ao estabelecimento de órgãos especializados, como as Mesas de Inspeção do açúcar, tabaco e algodão, e pela reorganização da administração das regiões auríferas. Com a instituição do Erário Régio, ou Real Erário, em 1761, as Casas dos Contos foram sendo progressivamente abolidas e substituídas pelas Juntas da Real Fazenda, diretamente subordinadas a Portugal, encarregadas da administração fazendária nas capitanias hereditárias, vez que em cada capitania foi criada uma Contadoria integrada na estrutura da Junta da Fazenda para desempenhar a função contábil anteriormente exercida pelas Casas dos Contos. TCU em Pauta 19

20 ENTREVISTA No livro consta uma especial referência a Ruy Barbosa. Qual a importância de Ruy para o Tribunal? É uma grande honra para o Tribunal e para qualquer instituição, ter como Patrono a excelsa figura de Ruy Barbosa, que, além de um estadista de grande envergadura, é o gênio máximo da oratória política e social brasileira. São muitos os superlativos que se aplicam a Ruy Barbosa. Dele podemos dizer que foi um incansável ativista da moralidade pública, e também um tenaz defensor do equilíbrio das contas públicas. Monteiro Lobato, por exemplo, tem uma expressão de que pessoalmente gosto muito, quando diz que Ruy era imenso como o rio Amazonas. O certeiro diagnóstico de que o desequilíbrio entre a receita e a despesa é a enfermidade crônica da nossa existência nacional, também pertence a Ruy Barbosa. Com invulgar descortino, defendia que a Lei Orçamentária era a instituição mais relevante para o regular funcionamento dos mecanismos administrativos e políticos do país. Daí que, conforme Ruy costumava afirmar, a República precisava blindar o orçamento federal contra as influências perversivas e as seduções sutis que costumam rondar o Tesouro Nacional. Especificamente no caso do Tribunal, a importância histórica de Ruy Barbosa advém do fato de que, na condição de ministro da Fazenda do governo do marechal Deodoro, ter conseguido editar o Decreto nº 966-A, de 7 de novembro de 1890, cujo artigo primeiro preconizava a instituição de um Tribunal de Contas com incumbência de examinar, revisar e julgar todas as operações concernentes à receita e à despesa da República. Porém, considerando-se que esse decreto foi editado em meio ao turbilhão da fundação da República, num momento anterior à Assembleia Constituinte, infelizmente não teve força política suficiente para, logo em seguida, proporcionar a instalação do Tribunal, porque a existência do Tribunal de Contas no mundo jurídico requeria que fosse providenciada a sua regulamentação, a cargo do Ministério da Fazenda. No entanto, antes de concluir esse processo, Ruy Barbosa deixou o Ministério da Fazenda, e seu sucessor não quis levar adiante a regulamentação. Por isso, o processo de instalação do Tribunal demorou um pouco, embora se tenha acelerado quando ocorreu a sua institucionalização, sobrevinda com a promulgação da primeira Constituição republicana, havida em 24 de fevereiro de Qual papel coube a Serzedello Correa no processo de instalação do Tribunal de Contas? No processo de instalação do Tribunal, Serzedello Corrêa tem um papel de fundamental importância, visto que, na qualidade de ministro da Fazenda do governo Floriano Peixoto, promoveu a edição do Decreto Provisório nº 1.166, de 17 de dezembro de 1892, que formalizou a criação do Tribunal, desta feita com o respaldo constitucional fornecido pelo art. 89 da Constituição, de que não pudera contar o Decreto nº 966-A, de 1890, de iniciativa de Ruy Barbosa. Quer dizer, o decreto de Serzedello diferenciou-se do decreto de Ruy porque veio imbuído de vontade política, a ponto de poder determinar, taxativamente, em seu art. 18: Fica criado na Capital Federal o Tribunal de Contas com as atribuições determinadas no art. 89 da Constituição. Uma vez reiterada a criação do Tribunal, o passo imediato de Sezerdello foi providenciar a sua instalação. Então, grosso modo, existem três datas historicamente importantes para o Tribunal: a de sua primeira criação, pelo Decreto nº 966-A, de 7 de novembro de 1890, de iniciativa de Ruy Barbosa; a de sua institucionalização, pelo art. 89 da primeira Constituição republicana, promulgada pelo Congresso Constituinte, em 24 de fevereiro de 1891; e, a de sua efetiva instalação, a 17 de janeiro de 1893, possibilitada pela edição do Decreto Provisório nº 1.166, de 1892, de iniciativa de Serzedello Corrêa, que fixou para o Tribunal de Contas sua composição, área de jurisdição e competências. Onde e quando aconteceu a instalação do Tribunal de Contas? A instalação do Tribunal de Contas aconteceu em 17 de janeiro de 1893, às 11 horas da manhã de uma terça-feira, na ala direita do terceiro andar de um palácio localizado na antiga rua do Real Erário, denominada rua do Sacramento a partir de 1817, em função da Igreja de Santíssimo Sacramento, e depois rebatizada de avenida Passos, em homenagem ao prefeito Pereira Passos que fez a reforma urbanística do Rio de Janeiro, vulgarmente conhecida como bota abaixo, no início do séc. XX. À solenidade de instalação do Tribunal de Contas, Serzedello Corrêa compareceu na qualidade de presidente honorário para dar posse a um ex-senador do Império, Manuel Francisco Correia, que se tornou o primeiro presidente da Casa. 20 TCU em Pauta -

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