São Paulo, maio de Exmo. Sr.,

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1 São Paulo, maio de Exmo. Sr., O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) vem por meio desta manifestar seu apoio à regulamentação do trabalho terceirizado, porém com diversas sugestões de aperfeiçoamentos a itens do Projeto de Lei de Conversão (PLC) 30/2015, de 28/4/2015. Diferentemente de outros setores, na construção civil a terceirização é inerente à organização da produção. Isto porque as construtoras funcionam como montadoras. Cada fase da obra fica a cargo de empresa contratada de acordo com sua atividade específica: projeto, fundação, estrutura, instalações e assim por diante. Portanto, não há construção sem subcontratação, razão pela qual somos favoráveis a que também a terceirização das chamadas atividades-fim seja regulamentada, como já ocorre legalmente no setor. A grande maioria das construtoras no país é de pequeno ou médio porte. Graças àquela organização da forma de produção, a rotatividade na indústria da construção diminuiu consideravelmente. Se a terceirização das atividades-fim fosse proibida no setor, as construtoras seriam forçadas a demitir os trabalhadores a cada etapa da obra, caso não tivessem uma nova obra por iniciar na mesma localidade: o técnico em fundações seria demitido quando o edifício começasse a ser erguido, o pintor seria desligado após executar seu serviço e assim por diante. Mesmo empresas que têm um fluxo contínuo de empreendimentos seriam prejudicadas com a hipotética proibição de terceirização das atividades-fim. Isto porque, diferentemente de uma fábrica, as obras vão mudando continuamente de bairro, cidade ou Estado. Sem terceirização, demissões contínuas em uma localidade seriam seguidas de contratações de trabalhadores em outra região. Além de elevar a rotatividade, isto também representaria um pesado encargo trabalhista que encareceria as obras. Já as empresas terceirizadas têm baixa rotatividade. Quando terminam de prestar serviço em uma construtora, começam a fazê-lo na obra próxima de outra construtora. Se regulamentarmos e fiscalizarmos corretamente a terceirização, contribuiremos para salvaguardar direitos dos trabalhadores terceirizados, combatendo a precarização e não a acentuando. Por esse motivo, a construção também é favorável à regulamentação da terceirização, sem precarização. Entendemos que este deva ser o escopo exclusivo do PLC 30, não devendo o mesmo se prestar a alterações que visem, por exemplo, elevar a tributação das empresas do setor. Entendemos que o ajuste fiscal, necessário, deva se dar por outras vias, como corte ou adiamento de despesas de custeio, e investimentos na ampliação da infraestrutura que acabem por elevar a produção e a produtividade da economia e, por consequência, a arrecadação. Jamais, por elevação de tributos ou encargos.

2 Assim, seguem os artigos do PLC 30 que consideramos passíveis de aperfeiçoamentos, com as respectivas sugestões para a consideração de V. Exa.: Art. 2º Para os fins desta Lei, consideram-se: [...] II - contratante: a pessoa jurídica que celebra contrato de prestação de serviços determinados, específicos e relacionados a parcela de qualquer de suas atividades com empresa especializada na prestação dos serviços contratados, nos locais determinados no contrato ou em seus aditivos; e III - contratada: as associações, sociedades, fundações e empresas individuais que sejam especializadas e que prestem serviços determinados e específicos relacionados a parcela de qualquer atividade da contratante e que possuam qualificação técnica para a prestação do serviço contratado e capacidade econômica compatível com a sua execução. Atualmente inexiste um entendimento consensual dentro do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho sobre o que seria ou não uma empresa especializada. Alguns agentes inclusive autuam as construtoras porque não consideram como especializados os serviços da construção. A qualificação especializado deveria ser retirada do texto da lei, mantendo-se o termo serviços determinados e específicos. [...] 2º Não podem figurar como contratada, nos termos do inciso III do caput deste artigo: I a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado da contratante; Esta redação inviabiliza a criação de SPEs (Sociedades de Propósito Específicos) com os mesmos sócios das construtoras/incorporadoras que as constituam. Isto prejudica o setor da construção. É comum construtoras constituírem SPEs com sócios comuns a ambas, para a construção de obras específicas, por razões puramente de gestão. Pela legislação, as SPEs também podem aderir ao regime de Patrimônio de Afetação, que traz segurança jurídica aos adquirentes dos imóveis, em caso de problema com a empresa que estiver executando a obra. Inviabilizar SPEs, portanto, seria prejudicial aos adquirentes de imóveis, caso viesse a ocorrer algum problema com a construtora. [...] III a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios tenham, nos últimos 12 (doze) meses, prestado serviços à contratante na qualidade de empregado ou trabalhador sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou sócios forem aposentados.

3 Este item impede que por 1 ano a construtora contrate empresas formadas por exempregados de sua confiança. O legislador, no afã de salvaguardar direitos dos trabalhadores, acabou criando uma situação que vai impedir a criação de novas empresas, o que fere o artigo 170 da Constituição, que assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Deveria ser instituída uma salvaguarda para que empresas recém-constituídas possam dispensar este prazo se esta for a decisão de seus sócios. [...] 5º A qualificação técnica da contratada para a prestação do serviço contratado deverá ser demonstrada mediante: I - a comprovação de aptidão para o desempenho de atividade pertinente e compatível com o objeto do contrato; II a indicação das instalações, dos equipamentos e do pessoal adequados e disponíveis para a realização do serviço; III a indicação da qualificação dos membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos trabalhos, quando for o caso. 6º Tratando-se de atividade para a qual a lei exija qualificação específica, a contratada deverá comprovar possuir o registro de empresa e a anotação dos profissionais legalmente habilitados, nos termos do disposto na Lei nº 6.839, de 30 de outubro de Não está claro como deve ser feita esta comprovação, o que pode ensejar autuações por parte da fiscalização do Ministério do Trabalho, como exposto acima. Art. 7º A contratante deverá informar ao sindicato da correspondente categoria profissional o setor ou setores envolvidos no contrato de prestação de serviços terceirizados, no prazo de 10 (dez) dias a contar da celebração do contrato. A fiscalização deste e de outros dispositivos sindicais incumbe ao Estado. Discordamos que mais uma vez o Estado tente transferir indevidamente aos agentes privados uma atribuição que é dele. Art. 13. A contratante deve garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos empregados da contratada, enquanto esses estiverem a seu serviço em suas dependências ou em local por ela designado. Parágrafo único. A contratante deve comunicar à contratada e ao sindicato representativo da categoria profissional do trabalhador todo acidente ocorrido em suas dependências ou em local por ela designado, quando a vítima for trabalhador que

4 participe direta ou indiretamente da execução do serviço objeto do contrato. Não há respaldo legal para obrigar as empresas contratantes a fazerem essas comunicações aos sindicatos dos trabalhadores, pois estes não são órgãos fiscalizadores. Art. 15. A responsabilidade da contratante em relação às obrigações trabalhistas e previdenciárias devidas pela contratada é solidária em relação às obrigações previstas nos incisos I a VI do art. 16 desta Lei. Se a contratante fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas da contratada, não é justo que ela seja demandada diretamente em reclamação trabalhista, antes de esgotadas todas as possibilidades de adimplemento da contratada. No Estado de São Paulo, desde 2004 a subcontratação de empresas especializadas pelas construtoras já é regulamentada pelas convenções coletivas de trabalho do setor. As subcontratadas obrigam-se a cumprir todas as obrigações trabalhistas em relação aos seus empregados, e as construtoras contratantes assumem responsabilidade subsidiária, fiscalizando-as. Portanto, propomos que o termo solidária seja substituído por subsidiária. Art. 16. A contratante deve exigir mensalmente da contratada a comprovação do cumprimento das seguintes obrigações relacionadas aos empregados desta, que efetivamente participem da execução dos serviços terceirizados, durante o período e nos limites da execução dos serviços contratados: [...] IV depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS; [...] 1º Caso não seja comprovado o cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias a que se refere o caput deste artigo, a contratante comunicará o fato à contratada e reterá o pagamento da fatura mensal, em valor proporcional ao inadimplemento, até que a situação seja regularizada. 2º Na hipótese prevista no 1º deste artigo, a contratante deve efetuar diretamente o pagamento dos salários, os recolhimentos fiscais e previdenciários e o depósito do FGTS. O 1º do artigo 16 trata das obrigações trabalhistas e previdenciárias. Já o 2º vai além, mandando que se façam também os recolhimentos fiscais.

5 Suponhamos que a contratante tenha retido os 1,5% do Imposto de Renda e isto corresponda exatamente ao que a contratada deveria recolher. Como a contratada nada mais deve, ela não tem um DARF para comprovar pagamento. Ora, não recebendo DARF da contratada, a contratante é obrigada a efetuar o recolhimento, deduzindo o valor da próxima fatura ou da garantia contratual. Mas como ela já havia feito uma primeira retenção, haverá retenção em dobro. No caso de a contratada estar no Simples, ela faz o recolhimento dos tributos federais pelo faturamento total. Não há como a contratante fiscalizar se o recolhimento relativo ao serviço específico prestado está correto. Além disso, a contratante não tem como efetuar o depósito do FGTS, pois só a contratada tem a conectividade eletrônica e o código correspondente para efetuá-lo. [...] 4º O sindicato representante da categoria do trabalhador deve ser notificado pela contratante para acompanhar o pagamento das verbas referidas nos 2º e 3º deste artigo. Novamente não há respaldo legal para obrigar essas comunicações aos sindicatos dos trabalhadores, pois estes não são órgãos fiscalizadores. Art. 17. Ficam mantidas as retenções na fonte previstas no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e nos arts. 7º e 8º da Lei nº , de 14 de dezembro de Trata-se das retenções das contribuições previdenciárias de 11% (no caso de a contratada não ter a folha de serviços desonerada) ou de 3,5% (no caso de estar incluída na desoneração). Mas a legislação (art. 31 da Lei /91) manda efetuar essas retenções para que a contratante seja excluída da responsabilidade solidária pelo cumprimento das obrigações da contratada. A manutenção das retenções está em contradição com os artigos 15 e 16 (ver acima), que estabelecem, na terceirização, que a contratante terá responsabilidade solidária e deverá efetuar os recolhimentos quando a contratada não apresentar as documentações. Ou seja, ao reter e ao mesmo tempo ser obrigado a fiscalizar o cumprimento das obrigações, a contratante acumula simultaneamente a responsabilidade solidária com a retenção na fonte. 1º Nos contratos de terceirização não abarcados pela legislação prevista no caput deste artigo, fica a contratante obrigada a reter o equivalente a 20% (vinte por cento) da folha de salários da contratada, que, para tanto, deverá informar até o 5º (quinto) dia útil do mês o montante total de sua folha de salários referente ao serviço prestado à contratada no mês anterior.

6 Ou seja, os contratos de empreitada total, por não sofrerem retenção nem de 3,5% nem de 11%, deveriam sofrer a retenção de 20%. Se hoje uma construtora contratada por empreitada total para fazer uma obra já recolhe Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta de 2% e ainda por cima sofrer retenção de 20%, ela não terá do quê se compensar. Art. 24. A contratante poderá creditar-se da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até o limite da retenção ocorrida nos termos dos incisos III e IV do art. 18 desta Lei, calculadas sobre o valor pago à empresa contratada pela execução de atividades terceirizadas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas no art. 3º da Lei nº , de 29 de dezembro de Esta situação (creditar-se) não se aplica às construtoras, mas sim às incorporadoras. O artigo reduz o valor dos créditos a compensar, previsto no art. 3º da Lei nº /2003, porque estabelece, como limite de crédito do valor retido, as alíquotas de 0,65% e 3% (nos termos dos incisos III e IV do art. 18 deste PL). Pela legislação atual, o crédito é gerado pelas alíquotas de 1,65% e 7,6% Portanto, o valor do crédito está sendo limitado pelo projeto, o que fere a não-cumulatividade das contribuições objeto das Leis /02 e /03, que admite o creditamento integral. Art. 27. A quota a que se refere o art. 93 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, deverá ser cumprida pela empresa contratante em seus contratos de terceirização, considerando o somatório de seus empregados contratados e terceirizados. O SindusCon-SP sempre trabalhou pela inserção de Pessoas com Deficiência (PCDs) na atividade da construção, com todas as salvaguardas para resguardar a integridade física delas. Entretanto, como as contratadas executam seu trabalho na obra e se retiram, na prática ficará por conta da contratante a obrigatoriedade de empregar as PCDs. Suponhamos que uma construtora tenha 100 trabalhadores na obra, mas o total, incluindo os subcontratados, chegue a 300. Pelo projeto de lei, o cálculo da cota deverá ser feito sobre 300. No entanto, 200 logo irão trabalhar em outra obra e a contratante precisará manter a cota sobre 300. Isso pode inviabilizar a atividade da empresa por impossibilidade de cumprir a lei. Se já é difícil fazê-lo por falta de PCDs devidamente habilitados e em condições de segurança, esse encargo praticamente inviabilizará o atendimento da legislação e causará um efeito contrário ao pretendido. Estas são as nossas considerações, para as quais nos colocamos desde já à disposição de V. Exa., para os esclarecimentos que se fizerem necessários. Com votos de sucesso, despedimo-nos Atenciosamente,

7 José Romeu Ferraz Neto Presidente do SindusCon-SP Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo.

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