Palavra de Acampado: Experimentações em Jornalismo Literário 1

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1 Palavra de Acampado: Experimentações em Jornalismo Literário 1 Angélica Patrícia de ALMEIDA 2 Ernane Correa RABELO 3 Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG RESUMO O impasse na Zona da Mata Mineira entre os latifundiários e trabalhadores sem-terra é uma realidade recente na região e que carece de dados científicos acerca da temática. Diante da relevância social do tema, do baixo número de informações que esclareçam esta perspectiva e da complexidade de relações envolvendo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a mídia, este trabalho apresenta a aproximação entre jornalismo, literatura, história oral e cidadania, presente no livro-reportagem-perfil "Palavra de Acampado". Após pesquisa documental e de campo, foram retratadas as histórias de vida de nove integrantes sem-terra acampados na cidade de Goianá-MG. O que possibilita conhecer o perfil dos cidadãos que compõem o cenário em questão e refletir sobre as contribuições e desafios do jornalismo em profundidade. PALAVRAS-CHAVE: Livro-reportagem; Perfis; Histórias de vida; MST; Cidadania. 1 INTRODUÇÃO A literatura e o jornalismo impresso aproximam-se, intersectam-se e afastam-se desde o surgimento da imprensa moderna. Lima (2004), no livro Páginas Ampliadas, atribui à passagem do século XIX para o XX, como uma nova era na qual a narrativa jornalística, em reportagem, começa a tornar-se independente, ensaiando seu caminho próprio e resultando em livro. Neste sentido, o livro-reportagem, como veículo extensor do jornalismo e da literatura, seria responsável por preencher a incompletude e a imprecisão deixadas pelas publicações periódicas, uma vez que estas tratavam das questões muitas vezes com superficialidade e com extremo oportunismo. Ainda segundo o autor, diante do mercado editorial e da infinidade de publicações escritas sob a fórmula mais tradicional que existe, a pirâmide invertida, o livro-reportagem apresenta-se como espaço de relativa independência para colocar em prática o máximo das 1 Trabalho submetido ao XXII Prêmio Expocom 2015, na Categoria Jornalismo, modalidade JO 11 Livro-reportagem. 2 Aluna líder do grupo e recém-graduada em Comunicação Social-Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa, 3 Orientador do trabalho. Professor do Curso de Comunicação Social-Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa, 1

2 habilidades de um comunicador do real, em que há a possibilidade de responder à realidade complexa e plural na qual o jornalismo se insere. Significa potencializar os recursos do Jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lead, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos (PENA, 2006, p.13). Os livros-reportagens recebem diferentes classificações quanto ao objetivo e natureza, um deles e que configura este trabalho é o perfil. A partir da década de 1930, os jornais e revistas começaram a investir mais na ideia de retratar figuras humanas jornalística e literariamente. A excelência em perfis no Brasil foi impressa pela revista Realidade em sua época áurea ( ) e tinha como alguns dos elementos constituintes: a imersão total do repórter no processo de captação, a simultânea autoria e participação como personagem da matéria por parte do jornalista e a ênfase em detalhes reveladores (não em estatísticas ou dados enciclopédicos). Segundo Sergio Villas Boas (2003), no contexto das pesquisas qualitativas em Ciências Sociais (sociologia, antropologia, história, psicologia), há o uso de uma expressão mais ampla para designar os perfis: histórias de vida. Devido à corrente britânica impulsionada por Paul Thompson, a história oral de vida tem sido uma tendência forte no gênero da história oral (MEIHY, 2005). No cenário brasileiro, a partir dos anos 1950, as pesquisas históricas acadêmicas passaram a incorporar esta técnica. Recuperando, duas décadas depois, a importância das micro-histórias e garantindo maior atenção às vivências cotidianas, em detrimento da chamada história oficial. A novidade de uma história oral de pessoas anônimas e a força das transcrições completas de depoimentos representou um avanço diferenciado da prática que prezava a busca da verdade em detrimento do registro da experiência (MEIHY, 1999, p. 90). Philippe Joutard (2000) cita a influência da tradição oral sobre a perspectiva literária brasileira a partir de escritores como José Lins do Rego, Guimarães Rosa e Jorge Amado e assinala o legado social da história oral. Por pressuposto, este método tem como fundamento evidenciar vozes normalmente negligenciadas devido a uma concepção historiográfica que as considera insignificantes de serem registradas nos documentos escritos. 2

3 Acerca dos desafios da história oral no Brasil, Meihy aponta a predominância da marca urbana da história e a carência de estudos de setores rurais. Alguns movimentos têm chamado atenção pelo impacto na sociedade em geral. Principalmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) tem motivado investidas da história oral (MEIHY, 1999, p. 94). Segundo o autor, a história oral de vida é a maior promessa do gênero, ao trabalhar com a experiência e o entendimento subjetivo do colaborador e evidenciar sua versão sobre a moral existencial. No Brasil, existem atualmente mais de 80 movimentos rurais e, dentre os inúmeros movimentos sem-terra criados, o mais expressivo é o MST, que há 30 anos é protagonista nas ocupações de latifúndios para fins de reforma agrária (GOHN, 2010). O modo como os meios de comunicação lidam com este movimento é contraditório. Estudos recentes acerca desta temática (GOHN, 2003; NEPOMUCENO, 2007; SOUZA, 2004; SCHWENBGER, 2008) evidenciam a complexidade de fatores que influenciam as abordagens feitas pela grande mídia brasileira. Desde a criação do MST, em 1984, o movimento expandiu sua atuação para 24 estados das cinco regiões do Brasil. Desse modo atingiu a incorporação de aproximadamente 1500 militantes, fazendo com que 370 mil famílias se estabelecessem nos 1800 assentamentos criados, além de reunir outras 130 mil famílias em diversos acampamentos (GOHN, 2010). Na Zona da Mata Mineira, a atuação do MST é recente e pouco ampla. O único assentamento rural da região, Olga Benário, originou-se em 2005, na cidade de Visconde do Rio Branco, local onde 30 famílias tiveram acesso às terras. No dia 25 de março de 2010, o MST ocupou a Fazenda Fortaleza de Sant`Anna, localizada nos municípios de Goianá, Coronel Pacheco, Chácara e São João Nepomuceno. Tradicionalmente conhecida como símbolo da opulência cafeeira, a fazenda tem mais de 4500 hectares e uma história ligada a grandes políticos da região. Fazenda esta que não teve cuidados administrativos suficientes e foi decretada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Tal classificação se deu apesar de a fazenda possuir alto potencial turístico, pelo estilo arquitetônico e maquinários coloniais que preserva; importância arqueológica, por ser o único local brasileiro onde foram descobertas múmias; riquezas históricas de ordem imaterial, com aproximadamente 100 moradores descendentes de escravos e colonos locais; além de remanescentes florestais cuja conservação é fundamental. 3

4 Além da cobertura jornalística da ocupação da fazenda feita por veículos como a TV Alterosa, Estadão, Correio Braziliense, Estado de Minas, Brasil Wiki e blogs em geral, circulam na internet relatos oficiais do MST acerca do dia 25 de Março de 2010, demonstrando como foi o processo de entrada e estabelecimento dos Sem-Terra na Fazenda Fortaleza. Em 2011, as 90 famílias que ocupavam o local foram despejadas, passando a ocupar uma beira de estrada próxima, no quilômetro 48 da MG 353. Tais famílias resistiram no local a fim de conseguir a liminar judicial para reocupar as terras da Fazenda e sobreviveram em moradias improvisadas, sem uma infraestrutura adequada que garantisse condições dignas de vida. No dia 3 de setembro de 2013, as famílias reocuparam a Fortaleza de Sant`Anna, onde permanecem atualmente em processo de negociações para concretizarem o projeto de assentamento. Meses depois, às margens da MG 353 não restaram sinais da ocupação. 2 OBJETIVO O objetivo central deste trabalho foi narrar as histórias de vida dos sem-terra que acamparam permanentemente 4 na BR 353, localizada em Goianá- MG, a fim de se conhecer a pessoalidade destes sujeitos e dar voz às suas trajetórias. Como objetivos específicos, esperou-se que os perfis evidenciassem informações suficientes para identificar que fatores impulsionaram este grupo de acampados a fazer parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; problematizar os conflitos do campo em Goianá, na perspectiva do homem acampado; além de registrar, sistematizar e ampliar as informações acerca do acampamento Denis Gonçalves, na MG 353, tendo em vista que o espaço ocupado era provisório e foi desmontado logo a já citada reocupação da Fazenda Fortaleza de Sant`Anna, em 3 de setembro de JUSTIFICATIVA Como exposto anteriormente, o impasse na Zona da Mata Mineira entre os latifundiários e trabalhadores sem-terra é uma realidade recente na região, carecendo de 4 De acordo com a política do movimento, as famílias devem pernoitar pelo menos dois dias no acampamento, além de cumprir as atividades designadas. Como há pessoas que trabalham nas cidades ao entorno do Denis Gonçalves, aproximadamente apenas 10 famílias residem permanentemente no local. Sendo a prioridade deste livro contar a história destas últimas. 4

5 dados científicos acerca da temática 5, o que torna relevante estudar qual o perfil dos cidadãos que compõem o MST na região. Por outro lado, diante do baixo número de trabalhos empreendidos nesta perspectiva e da complexidade das relações envolvendo o MST e mídia, é necessária uma abordagem que aprofunde os conhecimentos a respeito do tema, possibilidade contida no livro-reportagem. Assim, a modalidade livro-reportagem-perfil apresenta-se como alternativa para se conhecer as histórias de vidas dos acampados do MST e compreender por quais motivos e como estes sujeitos fazem parte do atual projeto de reforma agrária na Zona da Mata mineira. O livro-reportagem, por não possuir um formato pré-determinado, propicia ao autor maior liberdade quanto à temática, angulação, fontes, tempo e eixo de abordagem. Indo ao encontro do interesse dos pesquisadores em estudar as histórias de vida dos acampados devido a uma pesquisa 6 iniciada em agosto 2012 e à experimentação do desenvolvimento embrionário de um livro-reportagem na disciplina Jornalismo Literário, oferecida no sexto período letivo. Fatores estes que potencializaram a identificação dos autores com causas sociais e a busca de uma apuração que se afaste de uma visão oficial acerca do movimento, que priorize falas por parte dos próprios dirigentes do MST, bem como de uma leitura que criminalize e/ou desqualifique o movimento. Buscando superar a premissa de que a mídia oculta aos olhos de telespectadores e leitores os aspectos mais importantes e edificantes do movimento, em geral tratado como um bando de malfeitores (ARBEX JR, 2003, p. 388), uma vez que os aspectos mais importantes e edificantes aqui selecionados são o próprio povo acampado, rico em suas histórias de vida. 5 Em uma busca no sistema de busca do Google pelos termos de pesquisa acampamento, Denis Gonçalves, MST, os conteúdos encontrados referem-se, quase que exclusivamente, a comentários oficiais do movimento ou de suas alianças partidárias e sindicais, com postagens em blogs ou vídeos no YouTube. Os dois únicos artigos acadêmicos encontrados possuem objetivos diferentes deste que ora se apresentam, sendo uma dissertação de mestrado da Extensão Rural da UFV, acerca do assentamento Olga Benário e que fala também da ocupação da Fazenda Fortaleza de Sant`anna (http://www.extensao-rural.ufv.br/dissertacoes/2012/manoel%20tadeu%20teixeira.pdf) e um artigo para a Revista de Educação Popular que trata do tema A População goianaense como guardiã do patrimônio cultural (http://www.seer.ufu.br/index.php/reveducpop/article/view/23030/12505). No acervo digital do Curso de Comunicação Social da UFV (http://www.com.ufv.br/tcc), analisando os trabalhos de conclusão de curso empreendidos entre 2004 e 2012, foi encontrado apenas um trabalho feito nesta temática, sobre o assentamento Olga Benário. 6 Práticas educomunicativas no campo: A influência midiática no processo de ensino-aprendizagem no assentamento Olga Benário e no acampamento Denis Gonçalves, orientada pelo professor do Departamento de Educação, Edgar Pereira Coelho, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 5

6 4- MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS Por se tratar de um objeto de estudo localizado a 136 km de distância de Viçosa, onde residem os autores, este projeto experimental exigiu coleta de dados em campo e o esforço descritivo, a fim de apreender a realidade de vida dos acampados, além de pesquisa documental. A entrevista de história oral de vida, em profundidade e semi-aberta, orientada por um roteiro previamente elaborado e a imersão na realidade foram os dois instrumentos de coleta de dados que adotados. A entrevista em profundidade semi-aberta é uma técnica útil para apreender e tratar questões íntimas do entrevistado, bem como para descrever os processos complexos nos quais ele está ou esteve envolvido (DUARTE, 2005). Como facilitadores do registro, alguns materiais se fizeram necessários, tais como: um caderno de campo, na função de diário, um gravador de voz digital, e uma câmera fotográfica (NIKON D-90). Para o tratamento dos dados foi utilizado um Hd externo, um Notebook, Programa de edição e gravação de áudio, Audacity Pro. Softwares de edição de imagens e de diagramação, Adobe Photoshop e Adobe InDesign. 5 DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO Os contatos com a comunidade se deram em diferentes momentos, ao longo de 2012 a Períodos nos quais foram feitas algumas visitas rápidas e outras prolongadas, estas de uma semana inteira de vivência no acampamento, ao longo das férias e recessos acadêmicos. Ao longo das imersões, além das entrevistas feitas com os sem-terra que habitavam o local, houve participação nas atividades da comunidade que ocorriam nas barracas familiares e nos espaços coletivos (cozinha e terreiro comunitários), a fim de alterar o mínimo possível a rotina local. Em relação à duração das entrevistas, variou-se conforme a abertura das fontes, tendo em média o tempo de uma a duas horas por encontro. A partir da própria indicação dos acampados, foram identificadas novas fontes para serem entrevistadas. Tivemos oportunidade de visitar a casa de familiares de três acampados, uma no município de Piau e duas na área urbana de Goianá, momentos nos quais conhecemos a atmosfera citada durante a entrevista e enriquecer os relatos. 6

7 As coletas foram encerradas e o trabalho foi concentrado nas decupagens, orientações e escrita do memorial. Estágio no qual foram feitos a leitura e fichamento das principais referências teóricas. Posteriormente, participamos do processo de reocupação da Fazenda Fortaleza de Sant Anna e entrevistamos a população local e o herdeiro das terras. Foram feitas imersões no local para a revisão dos textos e aprofundamentos do diálogo com os acampados em processo de pré-assentamento. Foram lidos os perfis para os entrevistados, a fim de elucidar pontos que ficaram confusos ao decorrer da transcrição das primeiras conversas e também para que os semterra avaliassem se o texto escrito correspondia às entrevistas que tinham concedido. A partir da aprovação dos perfis, as famílias assinaram o termo de autorização de uso da imagem para integrarem o livro. Cada capítulo foi escrito de modo autobiográfico, por ser a forma enunciativa que expressa com privilégio a subjetividade da fonte (EMEDIATO, 2007) e que é mais coerente à proposta de evidenciar as histórias dos sem-terra sendo contada pelo ponto de vista deles próprios. O livro Si me permiten hablar... foi inspirador neste sentido para que déssemos voz aos sujeitos (VIEZZER, 2005). Ao longo da estruturação dos textos, adotamos os procedimentos previstos na história oral pura, segundo Meihy (2005), transcrevendo absolutamente a linguagem falada dos acampados, de modo bruto. Em um segundo momento, passamos para a fase de textualização, eliminando erros gramaticais, perguntas e fazendo a reparação de palavras sem peso semântico, além de retirar os ruídos indesejáveis e identificar o tom vital das entrevistas. Feita a textualização, a próxima etapa adotada foi a de transcriação, ou seja, o processo de edição e recriação das falas para comunicarmos melhor a mensagem das entrevistas, a partir de estratégias de modificação. Meihy (2005) aponta que este processo não se trata de cópia, reprodução, paródia ou imitação, mas o senso estético encontra oportunidades nesta fase de aproximar a história oral da literatura, ao valorizar a geração do percurso narrativo. 7

8 Figura 1- Enunciação, em terceira pessoa, introduzindo os perfis no livro. Os perfis foram organizados em capítulos e introduzidos com uma breve enunciação, escrita em terceira pessoa e demonstrando o relacionamento afetivo dos pesquisadores com os personagens (Figura 1). Das 20 entrevistas feitas, nove foram escolhidas para configurarem o livro. O último perfil que compõe o livro foi assinado como Acampada Anônima, a pedido da fonte. Houve seleção das fotos tiradas para compor o livro e o produto final teve um total de 131 páginas, no formato 25x21cm. 6- CONSIDERAÇÕES Esta foi uma experiência desafiadora e bastante rica nos quesitos pessoal e profissional. Acompanhar as pessoas na angústia da espera por um pedaço de chão, privadas de direitos básicos e com a incerteza de que o investimento seria realmente recompensado, nos impulsionava a prosseguir. Ao mesmo tempo, a cada ida ao acampamento, aumentava a incerteza se havia energias e preparo suficientes para levar adiante esta empreitada. Diante da complexidade das situações e aprendendo, na maior parte do curso, a escrever objetivamente e em forma de lead, por muitas vezes sobrevieram os conflitos em relação à capacidade de reportar, de forma madura, as histórias dos acampados. Conferimos, na prática, as dificuldades já prenunciadas nas teorias do jornalismo literário. A pesquisa biográfica exige certo preparo mental para compreender e aceitar a complexidade da tarefa, a natureza criativa do processo e as demandas de tempo, paciência e compromisso com um momento muitas vezes caótico e intrincado de ambos, biógrafo e biografado. (VILAS BOAS, 2007, p.40) 8

9 Ao final, os aprendizados foram muito significativos: Primeiramente, o exercício da escuta, a busca pela empatia e profundidade, o compromisso e respeito às fontes, a necessidade de leituras acerca do tema e organização para o êxito do trabalho. Esperamos que o livro-reportagem possa retornar como fonte de registro e memória aos pré-assentados do Denis Gonçalves, para que a história de resistência deste povo não fique esquecida. Além disso, é esperado que também instigue novos trabalhos acadêmicos no Curso de Comunicação da UFV, que prezem pela responsabilidade social do jornalismo e pela apuração em profundidade, bem como pesquisas interdisciplinares. Com relação aos desafios da história oral no Brasil, este estudo vai ao encontro da necessidade apontada por Meihy (2005), de suprir a carência de estudos de setores rurais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARBEX JR., José. Uma outra comunicação é possível (e necessária). In: MORAES, Denis de (org). Por uma outra comunicação. 3 ed. Rio de Janeiro-São Paulo: Record, p EMEDIATO, Wander. A fórmula do texto: redação, argumentação e leitura. São Paulo: Geração Editorial, GOHN, Maria da Glória. Movimentos Sociais e redes de mobilizações civis no Brasil contemporâneo. 2. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes GOHN, Maria da Glória. Movimentos Sociais no início do século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, GONH, Maria da Glória Marcondes. Os sem-terra, ONGs e cidadania: a sociedade civil brasileira na era da globalização. 3ª edição. São Paulo: Cortez, INCRA. Histórico da questão agrária. Arquivo disponível em: Acessado em 20 de Julho de LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas Ampliadas: O livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura. 3ª Edição. Editora Manole: São Paulo, MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de História Oral. 5ª Edição. Edições Loyola: São Paulo, MST. Organização. Disponível em: Acessado em 30 de Julho de NEPOMUCENO, Eric. O massacre: Eldorado de Carajás: uma história de impunidade. São Paulo: Editora Planeta do Brasil,

10 SOUZA, Eduardo Ferreira de. Do silêncio à satanização: o discurso de Veja e o MST. São Paulo: Annablume, SCHWENGBER, Isabela. Quando o MST é notícia. Dourados, MS: Editora da UFGD, VIEZZER, Moema. Si me permiten hablar: testimonio de Domitila, una mujer de las minas de Bolivia. Siglo XXI, VILAS BOAS, Sergio. Perfis e como escrevê-los. Summus Editorial: São Paulo,

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