rima Rodovia BR158 Palmital - Roncador relatório de impacto ambiental

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1 rima relatório de impacto ambiental Rodovia BR158 Palmital - Roncador

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3 Para você, cidadão... Se você está lendo esse RIMA é porque é um cidadão que participa da sua comunidade. Esta revista pretende demonstrar a você, de forma simples, quais são as vantagens e desvantagens que se terá com a construção desta estrada. Você sabia que o Brasil tem uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo? Pois é, o mais importante dessa legislação, e que difere tanto das outras, é que você, população, tem o direito de participar da discussão para a construção dessa estrada. Pense assim: tudo tem um lado positivo e outro negativo, certo? Com uma estrada que se pretende construir não é diferente. Uma obra desse tamanho acaba afetando você e seus vizinhos positivamente como, por exemplo, no aumento dos empregos, dinheiro para o seu município e acesso viário, mas também trará efeitos negativos como desmatamento e aumento de tráfego de caminhões. Nossa legislação exige que o empreendedor (DNIT) contrate uma equipe de profissionais especializados para fazer um estudo em toda a área que será afetada direta ou indiretamente pela construção da estrada. Essa equipe, depois de estudar minuciosamente a região prepara um documento que se chama EIA Estudo de Impacto Ambiental. Isto tudo é feito para informar a você, população e ao órgão ambiental, o que ocorrerá na região com a construção deste empreendimento. Por isso é tão importante que você leia com atenção esta revista e, se ficar com dúvidas ou quiser se aprofundar, pode pedir para ler o Estudo de Impacto Ambiental. informe-se, é um direito seu! 1

4 Uma estrada pavimentada na região? Para quê? O Paraná está localizado em uma rota de riqueza entre São Paulo e o sul do país, incluindo países do Mercosul. Neste aspecto é um estado privilegiado e pode melhorar ainda mais sua vantagem competitiva se investir na sua infraestrutura de transporte. Trata-se de uma nova estrada, a ser implantada na região centro-oeste do estado do Paraná, Municípios de Roncador e Palmital, visando dar atendimento à circulação de veículos nesta região do estado do Paraná. A atual proposta é uma iniciativa do Departamento Nacional de Infra Estrutura e Transporte DNIT, acolhendo um projeto do DER-PR da década de 70, para complementar a infra estrutura rodoviária paranaense, buscando melhorar a acessibilidade destas regiões e é uma das obras de macro infra estrutura rodoviária previstas no plano nacional de infraestrutura rodoviária do DNIT e inserida no Plano de Aceleração Econômica PAC do governo federal. A obra em questão deve ocorrer nos municípios de Roncador, Mato Rico e Palmital e dará resposta aos constantes problemas de circulação viária regional, decorrentes da ausência de rodovias que permitam a circulação e o deslocamento de cargas e da produção agropastoril local. Mapa de localização 2

5 Vamos conhecer mais sobre o projeto? Quando em pista simples terá 2,5 m de acostamento em cada lado e 3,6 m em cada pista com um total de 12,2 m de largura e 2% de queda do centro para a borda. Nos locais onde tiver a terceira faixa terá 3,3 m dela e o acostamento será diminuído para 1,20 m com um total de 14,2 m de largura e os mesmos 2% de queda do centro para a borda. Entre Palmital e Roncador terá 41,23 km de comprimento. Está previsto a construção de 2 pontes: Rio Cantú: 109 m de extensão e 12,80 m de largura (a pista com 12 m e duas barreiras laterais com 40 cm cada). Rio Cancã: 50m de extensão e 12,80 m de largura (a pista com 12 m e duas barreiras laterais com 40 cm cada). Corte e aterro: Terá um volume de corte de m³ e aterro de m³. Tipo de revestimento a ser utilizado: Na pista sub-base e base terão 15 cm de brita cada camada. Acima terá um reforço em concreto betuminoso usinado a quente com 8 cm de espessura e capa de rolamento de concreto betuminoso usinado a quente com 6 cm de espessura. Nos acostamentos, as espessuras serão iguais mas só não haverá a capa de rolamento de 6 cm de concreto. Mão de obra: A origem da mão de obra terá como prioridade o estado do Paraná, sendo no que for possível e disponível a da região do empreendimento com complementação da capital e, se necessário, proveniente de outros estados da Federação. Durante a execução do empreendimento a mão de obra direta necessária será formada, aproximadamente, por 4 engenheiros civis, 36 encarregados/chefes de frentes de serviços diversas, 80 operadores de máquinas/equipamentos pesados, 140 motoristas de caminhões e veículos diversos e 150 operários/ajudantes. 3

6 Jazidas e canteiros de obra: O empreendimento está planejado para ser executado em 3 lotes de construção, sendo os lotes 01 e 02 a implantação da rodovia desde Palmital até Roncador e o 3º lote a construção da ponte sobre o rio Cantú, com extensão de 109m. Para o lote 01, o projeto prevê a instalação do canteiro de obras no início do trecho, pois estará mais próximo ao centro urbano no município de Palmital. Para o lote 02, o projeto prevê a instalação do canteiro de obras no final do trecho, pois estará mais próximo ao centro urbano do município de Roncador. Para o lote de construção da ponte sobre o rio Cantú, o projeto prevê a instalação do canteiro de obras junto à margem do rio para facilitar a construção e posicionamento das peças pré-moldadas da citada obra de arte especial. Quanto às jazidas de pedras, o projeto prevê a exploração de 2 pedreiras, uma para cada lote, e localizadas, cada qual, nas respectivas extremidade dos lotes. Tais pedreiras já foram exploradas anteriormente em outros empreendimentos viários. Quanto à areia, o projeto indica a utilização de areia comercial proveniente do Porto de Areia Tibagi, situado na localidade de Uvaia, no município de Ponta Grossa. Equipamentos necessários: Lote 01: 12 carros, 58 caminhões diversos, 5 tratores de esteira diversos, 4 motoniveladoras, 4 tratores agrícolas, 4 carregadeiras, 2 retroescavadeiras, 6 rolos compactadores diversos, 2 escavadeiras de esteira, usina misturadora de solos, tanque de asfalto, compressores de ar, geradores, usina de asfalto a quente etc. Lote 02: 12 carros, 58 caminhões diversos, 4 tratores de esteira diversos, 4 motoniveladoras, 4 tratores agrícolas, 4 carregadeiras, 2 retroescavadeiras, 6 rolos compactadores diversos, 2 escavadeiras de esteira, usina misturadora de solos, tanque de asfalto, compressores de ar, geradores, usina de asfalto a quente etc. Lote Ponte Rio Cantú: 3 carros, 15 caminhões diversos, 2 carregadeiras, 1 compressor de ar, 3 geradores e 3 betoneiras Canteiro de obras e acampamento Lote 01: canteiro de obras: com terreno estimado em m². Irá contar com as seguintes instalações: britagem, usina de asfalto, usina de solos, central de concreto, fábrica de tubos e posto de combustível. Acampamento: com a construção das unidades de alojamento, sanitários, ambulatório, cozinha/refeitório, além das portarias e guaritas num total de 510 m². Canteiro principal: com unidades administrativas, técnicas, de armazenamento e de apoio, contando com as seguintes instalações num total de 324 m². Galpão e oficina: será previsto um galpão com 600m² de área construída. Facilidades: instalações físicas requeridas para o funcionamento do acampamento/canteiro como distribuição elétrica e iluminação e central de comunicação. 24

7 Lote 02: Canteiro de obras: com terreno estimado em m², além de 420m² de terreno para a instalação do canteiro de OAE ponte sobre o Rio Cancã. Irá contar com as seguintes instalações: britagem, usina de asfalto, usina de solos, central de concreto, fábrica de tubos, central de armaduras e formas para OAE e posto de combustível. Acampamento: com a construção das unidades de alojamento, sanitários, ambulatório, cozinha/refeitório, além das portarias e guaritas num total de 625 m². Canteiro principal: com unidades administrativas, técnicas, de armazenamento e de apoio, contando com as seguintes instalações num total de 324 m². Galpão e oficina: será previsto um galpão com 600m² de área construída. Facilidades: instalações físicas requeridas para o funcionamento do acampamento/canteiro como distribuição elétrica e iluminação e central de comunicação. Lote Ponte Rio Cantú: Canteiro de obras: com terreno estimado em 800 m². Irá contar com as seguintes instalações: central de concreto e central de armaduras e formas para OAE Acampamento: com a construção das unidades de alojamento, sanitários, ambulatório, cozinha/refeitório, além das portarias e guaritas num total de 320 m². Canteiro principal: com unidades administrativas, técnicas, de armazenamento e de apoio, contando com as seguintes instalações num total de 174 m². Galpão e oficina: será previsto um galpão com 600m² de área construída. Facilidades: instalações físicas requeridas para o funcionamento do acampamento/canteiro como distribuição elétrica e iluminação e central de comunicação. 5

8 RONCADOR N BR158 PALMITAL-RONCADOR PALMITAL

9 Áreas de Influência ADA Área Diretamente Afetada (FÍSICO E BIOLÓGICO) AID Áreas de Influência Direta Roncador (SÓCIOECONOMICO) Mato Rico Palmital AII Área de Influência Indireta 7

10 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL MEIO FÍSICO Clima A região onde está a estrada em estudo está em uma área de transição do clima tropical para o temperado, com regime de chuvas igualmente distribuído durante os meses do ano. Pela Classificação de Köeppen estão presentes os climas Cfa (subtropical) e Cfb (temperado). Geologia A Geologia da região é marcada por dois tipos de formação: Serra Geral que apresenta relevo suave ondulado, com colinas de topos planos e cujo principal tipo de rocha presente é o basalto formado por erupções vulcânicas que eram frequentes há milhares de anos; e Caiuá (sedimentos arenosos) formados por areia, argila e cascalhos que foram se depositando ao longo do tempo por rios e desertos. É importante verificar que os estudos identificaram que as rochas da região são suscetíveis à erosão, algo que deve ser considerado na construção da estrada. Esta tendência natural é agravada pelas áreas de criação de gado cuja vegetação foi retirada e assim deixou-se o solo mais fácil de escorregar. Na maior parte do traçado, no entanto, a rodovia passará por pequenos afluentes do rio dosmacacos e Cantú e assim serão necessárias várias pequenas pontes. Estas pontes deverão ser concebidas considerando normas ambientais que permitam, além da franca passagem das águas, a circulação de animais. Ruídos A região onde será construída a estrada está desabitada atualmente e passa por zonas rurais de com pequena população esparsa. Espera-se, por este motivo, uma grande elevação no nível de ruídos quando as obras estiverem ocorrendo por causa dos tratores, caminhões, máquinas e equipamentos que serão utilizados na construção. O nível de ruído é particularmente importante porque existem estudos que mostram o quanto prejudicial à saúde podem ser à saúde humana, causando problemas inclusive de ordem comportamental. No caso dos trabalhadores da obra devem ser realizadas campanhas de orientação da necessidade e distribuição adequada de Equipamentos de Proteção Individual. 8 Recursos Hídricos Para se realizar o percurso entre Palmital e Roncador, a estrada passará pelo vale do rio Cantú e um dos seus principais afluentes da margem esquerda, o rio Macacos. Nas duas situações serão necessárias pontes grandes e portanto, deverão ser tomadas medidas para preservar as margens rios durante a construção e posteriormente criar medidas para controlar a erosão. Poluição Atmosférica A emissão de poluição atmosférica ocorre tanto na construção quando na de uma rodovia, mas em níveis diferentes. Durante a construção o principal problema é a poeira que os trabalhos acabam levantando. Além disso também existem gases dos escapamentos dos caminhões, tratores e máquinas que estarão funcionando mas que são menos importantes que a poeira como fonte de poluição. Quando a estrada estiver sendo utilizada o problema principal será a emissão dos gases dos escapamentos dos carros e caminhões que passarão por lá.

11 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL MEIO BIÓTICO FLORA Basicamente a flora da região pode ser dividida em dois tipos: a Floresta Com Araucária ou Floresta Ombrófila Mista nas áreas acima da altitude média de 600 m; e a Mata Atlântica ou Floresta Estacional Semidecidual em altitudes de 450 e 650 m. Também existem áreas de reflorestamentos com espécies exóticas, principalmente Pinus. De maneira geral as florestas existentes estão bem alteradas pela ação humana ou foram retiradas e no local existem pastagens ou plantações, sendo muito difícil encontrar locais com mata nativa íntegra. Floresta com Araucária Se caracteriza por misturar tipos de flora de diferentes origens e ocorre principalmente em altitudes maiores, entre 500 e 1800m. A árvore mais característica deste tipo florestal é o Pinheiro do Paraná ou Araucária mas também é comum a imbuia, a canela-amarela, canelapreta, canela-fogo, canela-lageana, canela-fedida, cuvatã, miguel-pintado, casca d'anta, pinheiro-bravo, pimenteira, sapopema, erva-mate, guabiroba e outras tantas. As matas alteradas por ação humana, são caracterizadas pela bracatinga, canela-guaicá, vassourão-branco, vassourão-preto, cafezeiro-do-mato e outras. Mata Atlântica A principal característica deste tipo florestal é a variação pela estação do ano. Ocorre em áreas tropicais bem chuvosas no verão e seguida por estiagem com frio intenso do inverno e temperaturas médias inferiores a 15º C. Nesse tipo de vegetação há boa quantidade de árvores chamadas caducifólias, ou seja, são aquelas que perdem as folhas durante o inverno. Ocorre geralmente sobre solos derivados dos derrames basálticos e em altitudes menores de 600 m e é considerada atualmente como um dos biomas mais ricos em termos de diversidade biológica do Planeta. Em termos gerais, esse tipo florestal apresenta a peroba-rosa, canafístula, louro-pardo, figueiras, gurucaia, rabo-de-mico, angicobranco, jerivá, grápia, canela-preta, guajuvira, canjarana, cedro, palmiteiro, leitinho, carrapateiro, jaborandi, paude-junta, catiguá e outras. Em locais mais alterados pela ação humana são encontradas o fumo-brabo, grandiúva, pata-de-vaca, capixingui, canela-guaicá) e outras. Florística na sub-bacia do rio Piquiri Na sub-bacia do rio Piquiri foi compilada uma lista de 311 espécies distintas e distribuídas em 93 famílias botânicas. Dentre a considerável riqueza florística registrada para sub-bacia do rio Piquiri, destacam-se doze espécies citadas em diferentes fontes como ameaçadas de extinção. Destas, duas são consideradas em perigo, cinco situam-se como vulneráveis e outras cinco enquadram-se ainda como em risco baixo de extinção. A maioria destas está nestas condições devido ao desmatamento indiscriminado e fragmentação de matas. Espécies de maior valor comercial como a peroba, os cedros e a urundeúva sofreram ainda, a exploração madeireira desenfreada, o que reduziu muito sua quantidade. Cobertura Vegetal Atual Em geral os terrenos mais planos são utilizados para a agricultura e os mais íngremes para pecuária. Em ambos os casos a vegetação original foi retirada. Atualmente, as comunidades vegetais melhor conservados estão concentrados na calha do rio Piquiri e de seus afluentes mais expressivos. Nestas faixas ao longo dos maiores rios se desenvolvem Florestas Ciliares. Nas outras partes restam apenas pequenas partes de florestas já bem alteradas e cercadas por plantações e pasto para criação de gado. 9

12 10 FAUNA Herpetofauna Durante Avaliação Ambiental Integrada da Bacia Hidrográfica do rio Piquiri foram obtidas informações da ocorrência de 30 espécies de anfíbios e 53 de répteis, o que corresponde a 25% e 33,1% do total de espécies no estado do Paraná. Uma observação importante é que muito pouco se conhece sobre a herpetofauna na região estudada. Atualmente temos 16 espécies de anfíbios enquadradas em alguma categoria de ameaça de extinção no Brasil (IBAMA, 2003). Destas 16 espécies, nenhuma ocorre na bacia do Piquiri. Além disso, há uma espécie enquadrada como quase ameaçada e outras 90 consideradas insuficientemente conhecidas. Com relação às espécies ameaçadas em nível regional, nenhuma das espécies da herpetofauna assinaladas aqui encontra-se em quaisquer status de ameaça no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Isto pode ocorrer não apenas por realmente não existir, mas pela falta pesquisas aprofundadas sobre a região. Avifauna Do total de aves registradas para a bacia do rio Piquiri algumas se encontram ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção em nível estadual, nacional ou mundial. As espécies mais importantes sob o ponto de vista conservacionista são: Jacutinga, Mutum-de-penacho, Urubu-rei, Gavião-bombachinha-grande, Gavião-pegamacaco, Juriti-vermelha, Arara-canindé, Arara-vermelhagrande, Maracanã-verdadeira, Papagaio-de-peito-roxo, Bacurau-ocelado, Macuru-de-barriga-castanha, Araçaride-bico-branco, Pica-pau-rei, Papo-branco, Trovoada-debertoni, Pinto-do-mato, Tapaculo-pintado, João-grilo, Pavó, Catirumbava, Curió, Japu. Mastofauna Considerando as informações de literatura, de museu e aquelas obtidas em campo na Avaliação Ambiental Estratégica da Bacia do Rio Piquiri , foi constatada a ocorrência de 47 espécies de mamíferos na região amostrada, pertencentes a dez ordens e 24 famílias, o que representa aproximadamente 26% do total encontrado no Estado. Merecem atenção especial e são apresentadas a seguir: Onça-pintada, Ariranha, Queixada, Bugiopreto, Anta, Paca, Bugio-ruivo, Puma, Jaguatirica, Gato-do-mato-pequeno, Lontra, Cateto, Veado-cambuta, Tapiti, Tatu-mulita, Tatu-do-rabo-mole, Gato-mourisco, Veadomateiro e Veado-catingueiro. Considerações sobre a Fauna Terrestre Na região onde será a estrada, em grande parte das propriedades a lei não está sendo cumprida, principalmente com relação à mata ciliar e outras Áreas de Preservação Permanente que deveriam ser mantidas. Além disso, grande parte das propriedades não possui Reserva Legal, instrumento de preservação previsto por lei, que garante a conservação da vegetação em 20% da propriedade rural. Desta forma recomendase fortemente a restauração da vegetação original com ênfase nas florestas ciliares e o incentivo à averbação de reservas legais junto aos proprietários da região. Ictiofauna De maneira geral, o rio Piquiri apresenta uma distribuição homogênea da abundância das espécies, sem dominância expressiva e com algumas espécies raras, indicando elevada diversidade específica. Ressalta-se a presença de espécies ameaçadas de extinção, como é o caso de Brycon orbignyanus e Crenicichla jupiaensis, além de espécies consideradas endêmicas como Apareiodon vladii e outras ainda novas para a ciência, como Rineloricaria sp. 1 e sp. 2, Apareirodon sp., Leporinus sp., Characidium sp., Astyanax sp., Oligosarcus sp., Myloplus sp., Hoplias sp. 1 e sp. 2, Hisonotus sp., Loricaria sp., Pimelodella sp., Pimelodus sp., Apteronotus sp., Crenicichla sp. e Hypostomus spp., ainda não descritas.

13 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL MEIO SOCIOECONÔMICO Palmital Está na região oeste Paraná, a 386 km de Energia elétrica Curitiba. Tem uma área de 661 Km² e altitude de Possui consumidores de energia elétrica num total de 342 metros acima do nível do mar MWh O município foi originário do movimento tropeiro, Abastecimento de Água nas décadas de 20 e 30, sendo seu fundador possui ligações num total de unidades Maximiliano Vicentin. Seu nome decorre da atendidas pela Sanepar. grande quantidade de palmito na região e foi Roncador criado em 25 de janeiro de 1951, desmembrado de Pitanga. População habitantes, sendo habitantes na zona urbana e habitantes na zona rural (47% de urbanização). A densidade demográfica é de 19,02 (hab/km²). Dados gerais e IDH Está na região oeste do estado do Paraná, a 436 km de Curitiba. Tem área de 716 Km², e altitude de 500 metros acima do nível do mar. Sua colonização iniciou-se na década de 20, quando chegaram às primeiras famílias, algumas de origem eslava. Instalaram-se na região onde uma comissão exploradora, responsável pela demarcação da estrada que faria a ligação Paraná ao Mato Grosso, havia montado um acampamento. Foi criado em 25 de julho de 1960, desmembrado de Campo Mourão População habitantes sendo 58% deles vivendo na zona urbana. A densidade demográfica é de 16,61 (hab/km²). Dados gerais e IDH FONTE: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil - PNUD, IPEA, FJP Economia A atividade econômica mais expressiva é a agricultura, a pecuária, a silvicultura, a exploração florestal e a pesca, seguida do comércio, reparação de veículos automotivos, objetos pessoais e domésticos. FONTE: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil - PNUD, IPEA, FJP 11

14 Economia A atividade econômica mais expressiva do município é a agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e pesca seguida do comércio, reparação de veículos automotivos, objetos pessoais e domésticos. Energia elétrica Possui consumidores de energia elétrica num total de MWh Abastecimento de Água possui ligações num total de unidades atendidas pela Sanepar. Patrimônio arqueológico, histórico e cultural Não foram identificadas ocorrências cadastradas de sítios arqueológicos para os municípios de Palmital e Roncador, o que não quer dizer que não existam. Somente pesquisas específicas a serem desenvolvidas nos programas ambientais poderão atender a estas demandas. Bens Imóveis Tombados nos Municípios da Bacia do Rio Piquiri Não foram identificados bens imóveis tombados para os municípios de Palmital e Roncador. 12

15 IMPACTOS AMBIENTAIS Alteração na Qualidade do Ar As obras deverão necessitar de máquinas,tratores caminhões e equipamentos pesados para cavar o solo, fazer aterros etc. Todo este movimento deve levantar muita poeira e liberar fumaça poluente dos escapamentos. Quando a estrada estiver pronta, o ar da região deve sofrer alteração pelos caminhões e carros de passeio que trafegarem por lá. Alteração na Qualidade das Águas Superficiais e Subterrâneas Imagine as obras desta estrada: a terra sendo movimentada de um lado para outro e a chuva levando parte dela para dentro dos córregos e rios, além de lixo e esgoto do canteiro de obras, óleo diesel e graxa das máquinas que pode derramar no ambiente. Tudo isso significa potenciais poluentes que devem ser produzidos durante as obras e como consequência da chuva vão parar nos córregos e rios cuja água deve ficar mais turva, o que é prejudicial à flora, peixes e fauna em geral. Já depois de pronta, a estrada deve causar problemas somente quando ocorrer algum problema de manutenção ou falha do projeto que cause escorregamentos do terreno que podem levar terra aos córregos e rios. Poluição Sonora Durante as obras haverá pessoas, caminhões, máquinas e outros equipamentos pesados circulando e sendo utilizados. Tudo isso deve fazer muito barulho e causar vibração no ar onde hoje é relativamente calmo. Riscos de Acidentes Provenientes do Transporte de Produtos e Resíduos Perigosos com tantas máquinas, caminhões e outros equipamentos circulando aumenta a chance de ocorrer algum acidente que possa derramar algum produto perigoso nos córregos e rios próximos da estrada. Também, se não houver muito cuidado com a colocação de produtos contaminantes no canteiro de obras, parte dele pode parar nos córregos ou ainda infiltrar no solo e ir parar na água subterrânea, causando sua poluição. Quando estiver em, o risco será de ocorrerem acidentes com caminhões transportando cargas perigosas que podem derramar e chegar aos córregos, rios e água subterrânea. Erosão do Solo e Assoreamento dos Corpos Hídricos. Durante as obras será necessário retirar a vegetação, fazer cortes de morros e construir aterros. Com a chuva e vento atuando diretamente sobre estes locais, ainda sem proteção, deve levar parte desta terra para os córregos e rios e assim deve causar o seu assoreamento. O assoreamento é causado porque a terra se deposita no fundo destes corpos d'água e os deixa mais rasos. Quando estiver em estes problemas podem acontecer se houver erros no projeto, de conservação da estrada ou não atendimento de diretrizes ambientais. baixa média alta 13

16 Impactos nas Áreas de Empréstimo e de Bota-fora Áreas de empréstimo são aqueles locais de onde serão retiradas pedras ou terra para colocar em aterros durante as obras e as áreas de bota-fora são locais onde serão colocados materiais retirados de cortes do terreno (de algum morro ou barranco). Se não forem pensados e estudados com muito cuidado, bem como recuperados depois de utilizados, estes locais podem se transformar em áreas degradadas. Alteração da fauna devido construção da rodovia. Como já foi visto no segundo impacto desta lista, a terra e poluentes que forem levados dos canteiros de obra para os os córregos e rios da região devem deixar a água mais turva o que pode interferir na vida e principalmente na reprodução de algumas espécies de peixes e outros organismos aquáticos que colocam seus ovos no fundo das águas. Provavelmente o número destes animais deve diminuir pois são adaptados ao que existe atualmente. Nos animais terrestres o impacto ocorre por causa do desmatamento necessário para as obras que deve diminuir seus locais de abrigo e alimentação, além da fragmentação dos habitats (divisão de uma mata que hoje é contínua, muitos animais não conseguem circular de um local para o outro, isolando ambos). Alteração da fauna aquática devido à contaminação potencial dos recursos hídricos. Como já foi visto no segundo impacto desta lista, quando a estrada estiver pronta vão circular carros e caminhões que descarregam poluentes pelos escapamentos, liberam borracha dos pneus e lonas de freios e liberam poeiras e materiais sólidos maiores das suas cargas. Com a chuva tudo vai parar nos córregos e rios e causarão sua contaminação, prejudicando assim os animais que lá vivem. a Comprometimento da fauna pelas emissões de gases e partículas sólidas. Como já foi visto no primeiro impacto desta lista, as obras devem alterar a qualidade do ar e causar poluição. Parte deste material jogado no ar pode causar danos à vegetação ao próxima e reduzirá assim a disponibilidade de alimentos para os animais. Alteração no ciclo reprodutivo da fauna provocado pelo aumento de ruídos Como vimos no terceiro impacto desta lista, as obras vão causar muito barulho e vibração o que deve interferir na vida e principalmente na reprodução dos animais que vivem próximos ao local. 14 baixa média alta

17 Aumento do número de atropelamentos da fauna. O número de animais mortos em estradas brasileiras é alto e pode ser visto como uma das principais ameaças à vida selvagem. Se a estrada é movimentada e cruza locais preservados então, o problema é piorado e muito. Muitas espécies usam a estrada para se deslocar e assim podem ser atropeladas. Para evitar este tipo de problema existem soluções como tuneis como túneis, pontes, cercas, e placas de sinalização para os usuários. Perda de ambientes naturais e Segregação de ambientes O desmatamento necessário para as obras deve causar prejuízos por fragmentar os habitats e romper corredores ecológicos (isola-se uma parte de mata da outra e assim diversos animais não conseguirão ir de um local ao outro). Assim haverá diminuição de espécies ameaçadas de extinção, perturbação de animais polinizadores como beija-flores e abelhas (muito importantes para reprodução das plantas) e dispersores (que comem os frutos com sementes e as deixam em suas fezes por onde passam, dispersando assim as espécies de plantas), perda da biodiversidade da flora, perda de material genético e alteração do microclima. Aumento de partículas sólidas em suspensão Como visto no primeiro impacto desta lista, muita poeira deve ser levantada durante as obras. Esta poeira, quando cai sobre as folhas das plantas ao redor, diminui sua área de captação de luz solar e assim prejudicará o seu desenvolvimento. Alteração de paisagem As atividades de desmatamento, remoção de solo, terraplanagem e aumento de veículos devem causar a alteração da paisagem que existe atualmente. Potencialização do efeito de borda. O efeito de borda é pode ser entendido como o conjunto de alterações que ocorrem nas áreas próximas à estrada. O ambiente local estava, de alguma forma, em equilíbrio com o entorno e com a construção deve ficar mais suscetível a contaminação biológica por espécies invasoras, além de afetar a estrutura natural do ambiente, como na queda de árvores pela infiltração de vento no interior da floresta. Aumento do conhecimento científico Durante estes estudos ambientais são produzidos conhecimentos científicos a partir da identificação das espécies e tipologias presentes, além da possibilidade de monitoramento do desenvolvimento dos fragmentos remanescentes do entorno e das áreas em recuperação após a implantação do empreendimento. baixa média alta 15

18 Perturbação dos agentes polinizadores e dispersores O desmatamento necessário às obras causará a diminuição do habitat de animais polinizadores (que trocam pólen de uma planta para a outra como fazem as abelhas e beija-flores) que serão obrigados a se retirar para outras áreas. Estes animais são fundamentais para manter um ecossistema saudável pois promovem a variabilidade de espécies de plantas na mata através da dispersão de sementes. Algumas espécies de plantas inclusive necessitam que suas sementes passem pelo estômago de animais para quebrar a dormência e assim poder germinar. Perda de biodiversidade. Os ambientes locais já estão bem alterados pela ação humana mas devem ser ainda mais prejudicados pela construção da estrada, principalmente pelo desmatamento que vai reduzir ainda mais a diversidade de animais e plantas. Perda de material genético O desmatamento necessário às obras devem causar diminuição do numero de indivíduos e assim reduzir a diversidade genética das plantas da região pois cada um representa uma mistura única de material genético. Alteração do microclima Você já foi de um local sem vegetação para outro com ela e sentiu uma mudança de temperatura entre eles? Mesmo eles estando na mesma região e assim com o mesmo clima. Esta diferença se chama de microclima que é muito influenciado pela presença da vegetação e que deve ser alterado com o desmatamento. Assim deve ocorrer o aumento da temperatura da superfície do solo e a diminuição da umidade do ar local. Marcação do eixo e delimitação da faixa de domínio e acessos. Hoje não há muita dúvida sobre até onde vai cada propriedade da região, onde são seus acessos etc. correto? Pois é com as obras isto será modificado. Serão abertos desvios, desapropriadas áreas, remodeladas áreas etc. Deve ser dada atenção especial para os locais próximos de estabelecimentos comerciais e de serviços (igrejas, escolas, centros de saúde, cemitérios,etc) que podem ser prejudicados ou beneficiados dependendo do projeto da estrada. 16 baixa média alta

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