RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL: CUMPRIMENTO ÀS NORMAS OU DIFERENCIAL DE MERCADO. Ariane Mendes, Danielle Rodrigues, Débora Bianco 1, Ana Cabanas n

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1 RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL: CUMPRIMENTO ÀS NORMAS OU DIFERENCIAL DE MERCADO Ariane Mendes, Danielle Rodrigues, Débora Bianco 1, Ana Cabanas n 1,n Faculdade Anhanguera de São José/ Pós-graduação em Gestão de Pessoas Av. João Batista de Souza Soares, 4121, Colônia Paraíso, São José dos Campos- SP n Resumo- A função empresarial passou por mudanças significativas por meio de normas e certificações no que se refere à responsabilidade socioambiental, o que propicia à sociedade a ética e a transparência das ações corporativas. As normas e certificações embasam a prestação de contas, tornando-se indispensáveis ao permitir comparabilidade da empresa à concorrência. Neste estudo bibliográfico, o objetivo foi elucidar práticas socioambientais como diferencial competitivo e elevação da imagem perante a sociedade. A responsabilidade socioambiental conduz os negócios de tal maneira que torna a organização parceira e corresponsável pelo desenvolvimento socioambiental. A empresa socialmente responsável possui capacidade de ouvir os interesses dos stakeholders e conseguir incorporá-los no planejamento das atividades organizacionais, buscando atender às demandas coletivas e individuais, e não, apenas dos acionistas ou proprietários. Conclui que é possível compatibilizar a proteção e a conservação dos recursos naturais com o desenvolvimento sustentável. Palavras-chave: Responsabilidade socioambiental. Diferencial de mercado. Área do Conhecimento: Ciências Sociais / Administração. Introdução Os empresários brasileiros demonstram preocupação com a questão socioambiental e procuram por alternativas viáveis para solucionar problemas sem inibir o desenvolvimento do país. A responsabilidade socioambiental (RSA) no cenário empresarial varia do fato de estar em conformidade com as regulamentações de saúde e segurança dos colaboradores à proteção ambiental e à governança corporativa. No coração do movimento RSA, estão as questões de transparência e responsabilidade para que todos os interessados e a própria empresa façam auditorias e relatórios acerca de aspectos éticos, financeiras e socioambientais (MCINTOSH, 2001). Diante do fato de muitas corporações praticarem a filantropia em nome da RSA. Um equívoco, já que este tipo de responsabilidade deve ser efetividade, como o alcance de objetivos do desenvolvimento socioeconômico. Portanto, a organização é efetiva quando mantém postura socialmente responsável (TACHIZAWA, 2011). Enquanto, filantropia, no contexto brasileiro, tem visão assistencialista, na qual a doação é destinada a resolver a questão imediata e aguda, mas que não muda o status quo dos beneficiários (SCHWARTZ, 2002, p. 9). As normas e as certificações que regem a responsabilidade socioempresarial atende à demanda crescente por transparência e prestação de contas, elementos fundamentais para o processo de gestão socialmente responsável. Desta maneira, o propósito, neste artigo, é elucidar práticas socioambientais como diferencial competitivo e elevação da imagem perante a sociedade. Metodologia Nesta pesquisa bibliográfica reflexiva com caráter qualitativo, utilizou-se o método de abordagem dialético com procedimento funcionalista, tomando como base certificações como SA 8000 focada nas condições de trabalho, AA 1000 no diálogo com stakeholders e NBR 16001:2004 com enfoque na política Interna de Responsabilidade Social. Resultados Em 1983, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento como organismo independente. Em 1987, esta comissão materializa o documento Nosso Futuro Comum, responsável pelas primeiras conceituações oficiais, formais e sistematizadas sobre o 1

2 desenvolvimento sustentável ideia mestra do relatório. Em 1992, no Rio de Janeiro, na Conferência das ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, reconheceu-se a importância de assumir a ideia de sustentabilidade em qualquer programa ou atividade de desenvolvimento. A ideia é de integração e interação, propondo nova maneira de olhar e transformar o mundo, baseada no diálogo entre saberes e conhecimentos diversos. No mundo sustentável, a econômica não pode ser pensada ou praticada em separado, porque tudo está interrelacionado, em permanente diálogo (ALMEIDA, 2002). Após a aceitação rápida da ISO 9000, e o aumento de padrões ambientais em torno do mundo, a organização constituiu o do Grupo Estratégico Consultivo sobre o meio ambiente (SAGE) em 1991, para considerar se os padrões atendiam alguns itens como: promover aproximação comum à gerência ambiental, similar à gerência da qualidade; realçar a habilidade das organizações de alcançar e medir melhorias no desempenho ambiental; e facilitar o comércio e remover as barreiras de comércio. A ISO estabelece os requisitos do sistema de gerenciamento ambiental, que foi formulada de forma a se aplicar a todos os tipos e portes de organizações e para adequar-se a diferentes condições geográficas, culturais e sociais (ABNT, 1996). A implantação da ISO traz alguns benefícios organizacionais, como: redução do consumo de energia, água, matéria prima, desperdícios e custos. Com isso, tem o lucro aumentado. Dentre as vantagens da padronização estão: consistência de procedimentos; desenvolvimento de sistemas de gerenciamento para garantir cumprimento e auditoria; claras definições para divulgação pública de informações auditadas; mecanismos de melhoria contínua; e incentivo ao mercado para o jogo limpo (INSTITUTO ETHOS, 2012). A Social Accountability (SA) 8000:1997 é a primeira norma voltada à melhoria das condições de trabalho, abrangendo os principais direitos trabalhistas e certificando o cumprimento destes por meio de auditores independentes. Esta norma foi elaborada pela Social Accountability International (SAI), organização não governamental criada em 1997, nos Estados Unidos da América (EUA), com ação voltada à preocupação dos consumidores quanto às condições de trabalho no mundo (ROCANTI, 2011). A SA 8000, que segue o padrão da International Standardization Organization (ISO) 9000 e da ISO 14000, para facilitar a implantação por empresas que já conhecem o sistema, tem nove requisitos com base em Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças. A certificação cobra ainda o cumprimento de legislações nas três esferas (federal, estadual e municipal). Os requisitos a serem seguidos pela empresa são: não prática do trabalho infantil na empresa; erradicação do trabalho forçado no ambiente laboral; seja assegurado ao trabalhador saúde e segurança; liberdade de associação e negociação coletiva dos empregados; práticas disciplinares internas que assegurem respeito e dignidade a pessoa humana; respeito ao horário de trabalho; remuneração digna e adequada à função desempenhada; e sistemas de gestão (INSTITUTO ETHOS, 2012). Os principais benefícios da SA 8000 caracteriza-se pelo envolvimento organizacional interno, por intermédio de melhoria contínua no relacionamento, com demonstrações de preocupação com o colaborador interno, proporcionando a gestão ética para com os itens das normas, estabelecendo condições laborais adequadas em saúde e segurança do trabalho, proporcionando confiabilidade perante os stakeholders. A Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2004), que está fundamentada na metodologia do ciclo de melhoria Plan, Do, Check and Action (PDCA), requisitos mínimos relativos ao sistema da Gestão de Responsabilidade Social (GRS), permitindo à organização formular e implementar a política e os objetivos que considerem os requisitos eticolegais e a preocupação com: promoção da cidadania; promoção do desenvolvimento sustentável; e transparência das atividades. O objetivo da NBR é de fornecer recursos às organizações com elementos do sistema de GRS eficaz, possibilitando a interação com outros requisitos de gestão, de maneira a auxiliá-las ao alcance das metas corporativas (ABNT, 2004). Por conjunto de elementos relacionados entre si, gerando bens e serviços, empregos, dividendos, porém, também consumindo recursos naturais escassos e gera contaminação e resíduos (TIETENBER, 2006). Portanto, como observado, 2

3 na Figura 1, a economia deve definir visão holística da empresa como o sistema aberto. Um sistema que gerencie permanentemente as questões ligadas à RSA comprovado por documentação. Somente, após auditoria interna, a empresa deve solicitar auditoria externa ou certificação (CEPAA, 1999). Com a criação de padrão de gerenciamento de práticas de RSA, frutos da Governança corporativa, tornou-se mais fácil o monitoramento das ações empresariais e facilitou a análise das condições laborais. De modo geral, as Normas e as Certificações indicadas neste artigo podem ser diferenciadas mediante o enfoque, como verificado no Quadro 1. Figura 1 Sistema Econômico e meio ambiente O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) faz parte do comportamento ético ambiental da empresa. Nele, a conformidade é conquistada pela implementação do sistema. Torna-se estável e sustentável, por se calçar no comprometimento da empresa e dos empregados com a política socioambiental, expressa em planos, programas e procedimentos específicos. Discussão A série ISO é mais abrangente do que a ISO 9000, pois além de prever a certificação das instalações das empresas e as linhas de produção, no sentido de cumprirem os requisitos de qualidade da produção, também possibilita a certificação dos próprios produtos que satisfaçam os padrões de qualidade ambiental (VALLE, 2002). Para que a implantação desta ISO obtenha sucesso, deve haver o comprometimento de todos na organização, desde a alta gerência até o último escalão da empresa. Portanto, torna-se necessário trabalho de educação ambiental para todos. A aplicação da NBR dependerá da política RSA, natureza das atividades empresarias, produtos e serviços, localidade e condições de trabalho (ABNT, 2004). Por outro lado, a aplicação da Norma SA 8000 é denominada por Selo da Cidadania ou de Novo Passaporte na era da Globalização, como afirmado por Pacheco (2001), o que traz vantagem competitiva em relação às empresas que não possuem esta certificação. Após implantado o sistema descrito na norma SA 8000, a empresa tem que realizar auditoria interna com a assistência, se for necessário, de organizações não-governamentais locais, consultores, representantes sindicais ou outros especialistas. Quadro 1 Exemplificação acerca das normas e seus objetivos. Adaptado pelo autor Ao aplicar estas normas, a empresa obterá excelência nos negócios, ao promover a saúde e a riqueza da sociedade, manterá a lucratividade (McINTOSH. 2001). Há metodologia de implementação, envolvendo os ciclos de: decisão e comprometimento da direção; planejamento da implementação; seleção do coordenador do programa; definição da política de responsabilidade social; definição do comitê para implantação; treinamento; divulgação e conscientização para a responsabilidade social (OLIVEIRA, 2002). A utilização dos requisitos das normas supramencionadas não significa que a organização é socialmente responsável, mas sim possui sistema de GRS. Com isso, a comunicação tanto interna como externa deverão respeitá-las. As normas do SGA, Auditoria Ambiental (AA) e Avaliação do Desempenho Ambiental (ADA) são utilizadas para avaliar a organização, já as normas de Rotulagem Ambiental (RA), Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e Aspectos Ambientais em Normas de Produtos (AANP) são utilizadas para avaliação de produtos e processos. A avaliação ambiental, no entanto, é componente essencial do sucesso nos negócios, faz parte da imagem da empresa uma vez que envolve a questão da cidadania, do patrimônio coletivo, do bem público e a responsabilidade da empresa diante dos direitos civis e políticos do cidadão. O retorno do investimento, antes entendido simplesmente como lucro e enriquecimento dos acionistas, passa, fundamentalmente, pela contribuição e criação do mundo sustentável (DONNAIRE, 1999). As estratégias de marketing ] 3

4 ecológico, adotadas pela maioria das empresas, visam à melhoria de imagem tanto da empresa quanto de produtos/serviços, por meio da criação de novos produtos verdes e de ações voltadas pela proteção ambiental (SOUZA, 1993). Desse modo, o gerenciamento ambiental passa a ser fator estratégico que a alta administração deve analisar (CALLEMBACH et al., 1993). Assim, as organizações deverão incorporar a variável ambiental no aspecto dos cenários e na tomada de decisão, mantendo a postura responsável de respeito à questão socioambiental, Empresas experientes identificam resultados econômicos e estratégicos do engajamento corporativo na causa socioambiental, os quais não se viabilizam de imediato. Há necessidade de que sejam corretamente planejados e organizados todos os passos para a interiorização da variável ambiental para que possa atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo vantagem competitiva. Algumas empresas, porém, têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não sendo a organização que atua no chamado mercado verde, desde que as empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de negócios (DONNAIRE, 1999). É possível que investidores e acionistas usem cada vez mais a sustentabilidade ecológica, no lugar da estrita rentabilidade, como critério para avaliar o posicionamento estratégico de longo prazo das empresas (CALLENBACH et al., 1993). Conclusão Acredita-se que a preocupação socioambiental se opera por exigência do cumprimento de normativas, pela força da fiscalização e, primordialmente, pela competitividade do mercado. Por outro lado, as organizações de todos os setores e portes estão cada vez mais impelidas em atingir e demonstrar performance que se antecipa à preservação ambiental, controlando e cuidando dos processos produtivos que impactam o meio ambiente no cenário legislativo e de conscientização ambiental. Em conformidade com a Norma SA 8000, deve existir um sistema de gestão que garanta a efetividade do cumprimento de todos os requisitos da norma, envolvendo documentação, implementação, manutenção, comunicação e monitoramento da empresa em relação às questões abordadas na norma num processo de melhoria contínua. Portanto, a empresa sustentável nada mais é que o sistema de gestão pautado no relacionamento transparente e com foco no crescimento em conjunto com os stakeholders; somente desta forma a organização consegue promover a sustentabilidade, a autonomia e o efetivo direito de todos. A organização forte cresce com o apoio e a participação de todos os envolvidos no processo. Por isso é fundamental a ampliação consciente do público alvo e do marketshare, integrando o social e o ambiental nas estratégias econômicas. Diante deste cenário, a aplicação de normas reguladoras concede valor social à imagem corporativa e a sustentabilidade é sinal de que a organização tem preocupação mais ética diante dos valores sociais. Todavia, deve haver compromisso com a adoção de valores, que conduzem e estimulam o aperfeiçoamento dos processos empresariais, para que assim haja resultados na preservação e melhoria da qualidade de vida do ponto de vista ético e socioambiental. O SGA baseia-se na premissa básica da possibilidade de conciliar objetivos socioeconômicos como estratégias alternativas que se complementam e não como alternativas mutuamente excludentes. Enfim, conclui, neste artigo, ser possível compatibilizar a proteção e a conservação dos recursos naturais com o desenvolvimento sustentável. Referências ALMEIDA, F. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) Brasília, CALLENBACH, E., et al. Gerenciamento Ecológico. São Paulo: Cultrix, COUNCIL ON ECONOMIC PRIORITIES ACCREDITATION AGENCY (CEPAA). Guia de orientação Documento guia para a responsabilidade social DONNAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2 ed. São Paulo: Atlas, INSTITUTO ETHOS. Indicadores Ethos de responsabilidade social empresarial. Disponível em: dicadores/responsabilidade/etica.asp. Acesso em: 16 fev

5 INSTITUTO ETHOS. Relatórios de Sustentabilidade. Publicados em Disponível em: =Ethos&Lang=pt-BR&TabID=4198. Acesso em: 11 fev INTERNATIONAL INSTITUTE FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT (IISD). ISO and business strategy, McINTOSH, M. et al. Cidadania corporativa. Rio de Janeiro: Qualitymark, OLIVEIRA, J. A. P. Empresas na sociedade. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, ROCANTI, J. N. Mercado e desenvolvimento social. Anais do I Seminário de SA Porto Alegre, 27 de setembro de SCHWARTZ, C. Assinar o cheque é só o começo da ação social. Revista Expressão. v.12, n.119, SOUZA, M. T. S. Rumo à prática empresarial sustentável. Revista de Administração de Empresas. v.4, n.33, p.40-52, TACHIZAWA, T. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa. 7 ed. São Paulo: Atlas, TIETENBERG, T. Economia de recursos ambiental e natural Disponível em: Disponível em: Acesso em: 28 ago VALLE, C. E. Qualidade ambiental. São Paulo: Pioneira,

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