PRÁTICA DOCENTE ALIADA À TÉCNICA INFORMACIONAL: PROJETO UNIVERSIDADE SEM FRONTEIRAS, BARBOSA FERRAZ, PARANÁ

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1 PRÁTICA DOCENTE ALIADA À TÉCNICA INFORMACIONAL: PROJETO UNIVERSIDADE SEM FRONTEIRAS, BARBOSA FERRAZ, PARANÁ NEGRÃO, Glauco Nonose 1 PUZIOL, Jeinni Kelly 2 RESUMO A prática da docência geográfica requer o estudo do espaço organizado pela sociedade, tendo como enfoque o entendimento da relação homem-natureza, envolvendo a participação dos alunos na percepção da realidade envolvente, sendo a documentação e possibilidade de armazenamento de dados por tecnologias atuais uma ferramenta indispensável. A utilização da fotografia, microcomputadores e programas específicos como recurso didático, têm como finalidade preparar o aluno para uma nova sociedade, cheia de tecnologias. Este relato foi desenvolvido pelo conteúdo trabalhado no Município de Barbosa Ferraz, entre outubro de 2007 a julho de 2008, com encontros semanais e atividades, apresentando resultados diversos em virtude do interesse de cada uma das partes, principal suporte do trabalho. Além disso, pelos resultados alcançados, procurou-se entender e desenvolver as condições de trabalho docente, aonde o cotidiano escolar é de extrema importância para que sejam repensadas as práticas que inviabilizam a prática docente. Palavras-chave: Educação, Tecnologia, Docência. INTRODUÇÃO 1 Mestrando em Geografia PGE/UEM/ Egresso/bolsista: Universidade sem fronteiras 2 Bolsista: Universidade sem fronteiras DGE/UEM/

2 Ao longo do tempo, a Geografia foi encarada como uma ciência de descrições e de informações, sendo requerida do professor a capacidade de reter exaustivos dados, sendo esse saber repassado aos alunos durante a aula. Atualmente, a prática da docência geográfica requer o estudo do espaço organizado pela sociedade, tendo como enfoque o entendimento da relação homemnatureza, envolvendo a participação dos alunos na percepção da realidade envolvente. A Geografia, sem deixar de ser uma ciência da cultura, é um leque aberto para colocar em prática o processo de observação, análise, interpretação, sugestão e propostas (TOMITA, 1999). Entre outros meios de realizar a prática, é recomendável colocar os alunos em situação de campo, tomando como ponto de partida o conhecimento prévio, alimentado pela teoria e reforçado pela observação direta da realidade. O trabalho de campo é um recurso metodológico de ensino-aprendizagem que vem sendo valorizado na Geografia escolar para despertar o maior interesse dos alunos pela aprendizagem espacial (LIMA & LENILTON, 2005). No campo, o aluno fará passará a entender as contradições e o processo de apropriação da natureza, entendendo o porquê da dinâmica evolutiva ocorrendo no espaço. Entende-se que há inúmeras dificuldades em nossas escolas em realizar trabalhos de campo, pela rigidez da estrutura, falta de flexibilidade, compreensão e elaboração, sendo necessário que se lute para sair da rotina desenvolvida em sala de aula. O campo faz-se necessário por ser uma atividade que contribui para estreitar a relações dos alunos entre si e com os professores, conduzindo-os a praticar atitudes que, além de assimilar e compreender melhor os conteúdos específicos pode influir na modificação de atitudes e formação de personalidade, servindo à prática social e profissional. Por outro lado, é uma prática indispensável para o ensino da Geografia, porém não suficiente, sendo ele um meio que tenha o seu prosseguimento no retornar em sala de aula. Por isso, a documentação e possibilidade de armazenamento de dados por tecnologias atuais é uma ferramenta indispensável à prática docente. Com a inclusão digital, o tema da tecnologia educacional ainda é marcado pela visão crítica correspondente como aparatos neutros a serem utilizados nas práticas político-pedagógicas em sala de aula.

3 Os educadores e professores que lidam com a área e as orientações das políticas públicas para ela organizaram-se em torna da proposta de alternativas, não necessariamente excludentes, no contexto do trabalho escolar. A utilização da fotografia, microcomputadores e programas específicos, como recurso didático, têm como objetivo preparar o aluno para uma nova sociedade, cheia de tecnologias. ROTEIROS A iniciativa de se produzir roteiros para a prática de atividades didáticas tem como fundamento o campo, fornecendo subsídios para uma interação prática do ensino da Geografia, envolvendo a análise e discussão mais profunda das condições de ensino e dos múltiplos aspectos nela envolvidos. O projeto intitulado Universidade Sem Fronteiras: organização e produção do espaço geográfico em Barbosa Ferraz PR: saberes, conhecimento e recursos áudiovisuais para o ensino fundamental e médio vêm desenvolvendo uma nova proposta, exteriorizadas pela formulação de materiais didáticos e novas metodologias de ensino. Ela se voltou para o estudo da localidade, cuja problemática social e econômica refletese no seu baixo Índice de Desenvolvimento Humano, e tem como finalidade introduzir novas técnicas pedagógicas pra professores do ensino médio. O levantamento de documentos, dados e outras informações propiciaram a produção de materiais como fotos, vídeos e textos. A princípio, os temas que iriam compor o projeto foram escolhidos de acordo com o programa de ensino da Proposta Curricular para o Ensino da Geografia do Estado do Paraná, visando o entendimento da realidade envolvendo a relação sociedadenatureza, trabalho, relações sociais, realidade física em si e a produção do espaço, que como processo, requer análises de sua historicidade, interrelacionando-se com a necessidade de se entender o lugar, em termos atuais, como um processo históricogeográfico. A revisão bibliográfica de estudos relacionados, assim como a utilização de técnicas informacionais foi necessária, visando compreender mais uma vez a importância do trabalho escolar sobre o estudo do espaço e sua representação. Consideramos a pesquisa como colaboradora, desenvolvida por pesquisadores, educadores e bolsistas da Universidade Estadual de Maringá, sendo também

4 considerado um projeto de formação continuada. Este relato foi desenvolvido pelo conteúdo trabalhado no Município de Barbosa Ferraz, entre outubro de 2007 a julho de 2008, com encontros semanais e atividades, apresentando resultados diversos em virtude do interesse de cada uma das partes, principal suporte do trabalho. No decorrer do projeto, podemos perceber conflitos envolvendo relações entre os participantes, pelo compromisso de responsabilidade e a própria envergadura que o trabalho requereu. Além disso, esperavam que, de alguma maneira, a equipe facilitasse, fornecendo o material que buscavam, ensinando-os a utilizá-los. Como conseqüência, as expectativas do grupo quanto ao projeto, como eram bastante heterogêneos, gerou conflitos iniciais. As atividades e os papéis assumidos pelos participantes, na elaboração de roteiros, levaram a mudanças nas relações internas do grupo, porém de forma gradual. Deduzimos pela observação, na qual alguns professores tiveram uma produção mais restrita, sendo que outros se envolveram de forma mais ativa. Consideramos que, conforme foram percebendo como as atividades poderiam ser realizadas e, principalmente, que eles davam conta de efetuá-las, alguns professores tiveram um desempenho mais autônomo. A reflexão sobre a prática docente, mudanças de postura entre aluno-professor provocavam um desafio cada vez maior. Além disso, notamos um processo de auto-análise, nos quais os professores direcionavam seus enfoques de interesse, questionando suas expectativas às condições objetivas do desenvolvimento do trabalho. As principais dificuldades foram transpor as representações construídas em seu ambiente de trabalho, onde a prática burocrática criou tarefas que alimentam um cotidiano carente de sentido e de vida, ditada pelo mero cumprimento rotineiro delas. Os encontros semanais para a realização das oficinas de fotografia e roteiro foram fundamentais para o esclarecimento desse objeto de ensino, implicando na elaboração coletiva de uma visão mais integrada entre as condições sociais do município e o papel social exercido pela escola. Isso causou certa disparidade com as práticas escolares habituais que encontram nos livros didáticos certa rigidez, alimentando práticas cotidianas comuns e desestimulantes. FOTOGRAFIA

5 A fotografia tem papel fundamental enquanto possibilidade inovadora de informação e conhecimento, sendo instrumento de apoio à pesquisa nos diferentes campos da ciência, além de ser uma forma de expressão artística. A expressão cultural dos povos é exteriorizada através de seus costumes, expressões, monumentos, mitos e religiões onde fatores sociais e políticos passaram a ser documentadas. Com isso, a humanidade passou a ter um conhecimento mais preciso e amplo de outras realidades que lhes eram, até aquele momento, transmitidas pela forma escrita e oral. Com a possibilidade de detalhamento, vemos um mundo em detalhe, fragmentário em termos visuais, contextuais. Com a fotografia temos a possibilidade de autoconhecimento e recordações, de criação artística (ampliação de horizontes da arte), de documentação e denúncia pela sua natureza testemunhal. Mas o uso dessa tecnologia, aliada a programas computacionais específicos, ainda é marcada pela visão crítica correspondente como aparatos neutros a serem utilizados nas práticas político-pedagógicas. Os educadores e professores que lidam com a área e as orientações das políticas públicas para ela organizam-se em torno da proposta de alternativas, não necessariamente excludentes, no contexto do trabalho escolar, gestão e administração. Aprender que uma nova linguagem gráfica, isto é, o tratamento gráfico da informação, pode se constituir em um método dinâmico de ensino que auxilia a criança a construir o pensamento lógico a partir de uma forma visual que ela mesma elabora e que um mapa, além de ter diferentes utilidades, pode ser um exercício necessário para que os alunos cheguem às respostas de questões que lhes são propostas (BERTIN & GIMENO, 1982). A utilização da fotografia, microcomputadores e programas específicos como recurso didático, têm como objetivo preparar o aluno para uma nova sociedade, cheia de tecnologias. RELATO DA PRÁTICA As oficinas foram elaboradas para cerca de 30 professores, de áreas diversificadas, do ensino médio, tendo como instrumentação básica o uso do programa GIMP, acessório do sistema LINUX. Este software livre faz parte do Programa Paraná

6 Digital, cujo intuito é difundir o uso pedagógico das Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC com a ampliação das Coordenações Regionais de Tecnologia na Educação e com o repasse de computadores, com conectividade e a criação de um ambiente virtual para Criação, Interação e Publicação de dados provenientes das Escolas Públicas do Estado do Paraná. (www.diaadiaeducacao.pr.gov,2008) Com esse programa, podemos editar imagens, como exemplos, na qual o uso em sala de aula poderia ser auxiliadora da prática docente, como inserção de legendas, correção de tonalidades, focos e manipulação de imagens. Fora proposto, inicialmente, sob a forma de palestras, o incentivo e estímulo à sua própria sensibilidade, resultando em descobertas culturais e experiências intelectuais novas que, segundo correlatos dos participantes, as percebiam como muito significativas. Essas descobertas foram voltadas para o próprio município de Barbosa Ferraz, escolhido pelo seu baixo IDH, com IDH-Médio: 0,700, educação: 0,788, longevidade 0,694 e renda, 0,618 (IBGE/Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, Censo 2000), sendo a média da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão PR (COMCAM) é de 0,827 e do Estado do Paraná 0,879 (DUNKER et al, 2005). Após, com o uso de instrumentação digital, como câmeras digitais particulares e câmeras de vídeo, equipes foram formadas, em média de 5 pessoas, sob supervisão da equipe de estagiários e professora proponente do projeto e enviada em trabalho de campo, envolvendo toda a região do perímetro urbano e periurbano, de acordo com a temática específica proposta, voltada para a visualização dos atributos físico-sociais do município. O trabalho de campo é um recurso metodológico de ensino-aprendizagem que vem sendo valorizado na Geografia escolar para despertar o maior interesse dos alunos pela aprendizagem espacial (LIMA & ASSIS, 2005). A próxima etapa foi utilização de programas para edição de vídeos, mais especificamente o WINDOWS MOVIE MAKER, de propriedade do software WINDOWS, predominante em praticamente todos os computadores de uso privado. Com a utilização desse programa, elaboramos vídeos com o material fotográfico e filmagens obtidas do trabalho em campo. Os sete vídeos resultantes foram apresentados pelos membros das equipes tendo como resultado descobertas culturais e experiências intelectuais novas, para boa parte dos participantes, inclusive dos estagiários participantes.

7 CONCLUSÃO Simples fatos e situações rotineiras mostram que, pela prática interdisciplinar, torna-se possível a ruptura do sistema de ensino em relação à sua estrutura ainda dependente pedagogicamente dos padrões tradicionais. O trabalho proposto propiciou aos participantes uma seqüência de práticas, principalmente voltada à percepção, análise em grupo e reflexão sobre o conjunto da experiência. A interdisciplinaridade vem desestimular a prática fragmentada por especialidades, estabelecendo novas competências e habilidades através de uma postura pautada em uma visão totalitária (holística) do conhecimento, além de ser uma porta aberta para os processos transdisciplinares, apontando para uma escola participativa e decisiva na formação do sujeito social, pela experimentação da vivência de uma realidade global, que se traduz, na prática, por um trabalho coletivo e solidário na organização da escola. Ainda, com a utilização da fotografia, microcomputadores e programas específicos como recursos didáticos, estaremos propondo aos alunos uma visão mais técnica, preparando-os para uma nova sociedade, cheia de tecnologias. Além disso, pelos resultados alcançados, procurou-se entender e desenvolver as condições de trabalho docente, aonde o cotidiano escolar é de extrema importância para que sejam repensadas as práticas que inviabilizam a prática docente. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Rosângela Doin de. Atlas municipais elaborados por professores: a experiência conjunta de Limeira, Rio Claro e Ipeúna. Cad. Cedes, Campinas, v.23, n. 60, p , agosto BERTIN, J.; GIMENO, R. A lição de cartografia na escola elementar. Boletim Goiano de Geografia, Goiânia, v. 2, n. 1, jan./jun CARREIRO, Maria Silva Almeida. Um olhar geográfico sobre a construção do atlas municipal e escolar de Rio Claro. Cad. Cedes, Campinas, v.23, n.60, p , agosto 2003.

8 DUNKER, Nelson et al. A análise do IDH para a busca de uma melhor qualidade de vida e conservação do meio ambiente como política pública na região da COMCAM. Curitiba: UFPR, 2005, disponível em INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Atlas de desenvolvimento humano no Brasil. Censo: LIMA, Maria das Graças & LOPES, Claudivan Sanches. Geografia e ensino: conhecimento científico e sociedade. Maringá: Editora Massoni, LIMA, Vanuzia Brito & ASSIS, Lenilton Francisco. Mapeando alguns roteiros de trabalho de campo em Sobral (CE): uma contribuição ao ensino da geografia. Sobral: Revista da Casa da Geografia de Sobral, v.6/7, n.1, p , 2004/2005. OLIVEIRA, Ana Maria Braga, et. al. A pedagogia dialógica na prática da extensão universitária. V colóquio internacional Paulo Freire Recife, 19 a 22 setembro, OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales. Do mito da tecnologia ao paradigma tecnológico, a mediação tecnológica nas práticas didático-pedagógicas. São Paulo: Revista Brasileira de Educação, set-dez, número 18. SILVA, Sandra Maria de, et al. Segmentação de mercado: análise do perfil sócioeconômico dos municípios do Paraná. Revista Gepec, vol. 10, n.2, jul-dez, p TOMITA, Luzia M. Saito. Trabalho de campo como instrumento de ensino em Geografia in Geografia/Departamento de Geociências, Universidade Estadual de Londrina. Londrina: Ed. UEL, vol. 8, n.1, jan/jun, (acessado em 01/08/2008)

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