FERNANDA MOTTA LOPES NASCIMENTO GRASIELA SOARES DA SILVA KEYLLA ALVARENGA RIBETTI

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1 1 FERNANDA MOTTA LOPES NASCIMENTO GRASIELA SOARES DA SILVA KEYLLA ALVARENGA RIBETTI A IMPORTÂNCIA DO JOGO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Monografia apresentada ao programa de Graduação em Pedagogia da Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira, como requisito parcial para obtenção do grau em Licenciatura Plena em pedagogia. Orientadora: Vânia Rosa Rodrigues SERRA 2011

2 2 FERNANDA MOTTA LOPES NASCIMENTO GRASIELA SOARES DA SILVA KEYLLA ALVARENGA RIBETTI A IMPORTÂNCIA DO JOGO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Monografia apresentada ao Programa de Graduação em Pedagogia da Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira, como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciatura plena em Pedagogia. Aprovado em de Julho de 2011 COMISSÃO EXAMINADORA Prof.ª Vânia Rosa Rodrigues Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira Orientadora Coord.ª Carina Sabadim Veloso Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira Membro 1 Prof.ª Rosimar Alves Macedo Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira Membro 2

3 Dedicamos a todos aqueles sorriram, choraram, vivenciaram a construção da nossa monografia e nos deram força e acreditaram que o nosso sucesso seria possível. 3

4 Ao bom Deus, pelo dom da vida, que possibilitou-nos o prazer de construir a nossa existência. Aos nossos pais, irmãos, namorados, marido e toda a nossa família, que com carinho e apoio, não mediram esforços para ajudar a vencer mais uma linda etapa em nossa vida. A Orientadora Vânia pela paciência, e incentivo e que não mediu esforço para nos ajudar. A todos os professores que passaram por nossa vida acadêmica que nos deixaram lições de vida. E às minhas amigas, pelos momentos de alegria, de dificuldades e cansaço que compartilhamos. 4

5 5 Soubéssemos nós adultos preservar o brilho e o frescor da brincadeira infantil, teríamos uma humanidade plena de amor e fraternidade. Resta-nos, então, aprender com as crianças Monique Deheinzelin

6 6 RESUMO O desenvolvimento deste trabalho tem como objetivo compreender a importância do jogo para o desenvolvimento e aprendizagem na Educação Infantil. É incontestável o fato de que os professores que atuam na área educacional, necessitam do uso dos jogos em suas atividades cotidianas. Através do lúdico, a criança desenvolve habilidades cognitivas, facilitando seu crescimento nos aspectos físicos, cognitivo, motor e social. Por meio dos jogos, a criança tem maior facilidade de se expressar, imitar e ouvir as pessoas com que convive, com isso, ela estará entendendo as formas de se comunicar. Para isso, buscou-se através da pesquisa bibliográfica, analisar as principais ideias dos mais renomados autores sobre o assunto. Considerando que não há prática eficaz sem a presença da teoria, é válida as considerações feitas por alguns importantes pesquisadores como Piaget, Dewey e Frobel, tendo como ponto de partida os jogos como ação essencial no processo de ensino-aprendizagem. É necessário que o educador conheça os princípios básicos e a utilização do lúdico para trabalhar especificamente as dificuldades dos alunos, aplicar e acompanhar todo o processo. O ato de brincar é mais do que uma simples recreação, é uma necessidade que a criança tem em compreender o mundo ao seu redor. O jogo possibilita a criança se movimentar, criar, imaginar, ver e de sentir. Ela está experimentando o mundo pela primeira vez, por isso ela precisa e quer viver tudo com intensidade, aprendendo todo o dia uma coisa nova. PALAVRAS-CHAVE: Lúdico. Educador. Cognitivo. Brincar

7 7 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO METODOLOGIA REFERÊNCIAL TEÓRICO CONCEITO DE INFÂNCIA BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFÂNCIA CONCEPÇÃO DE JOGO CARACTERÍSTICAS DOS JOGOS TIPOS DE JOGOS BREVE HISTÓRICO DOS JOGOS O JOGO NA EDUCAÇÃO INFANTIL O JOGO NA EDUCAÇÃO SEGUNDO PIAGET, DEWEY E FROBEL O PROFESSOR COMO MEDIADOR NO JOGO A CONTRIBUIÇÃO DO JOGO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA WEBGRAFIA PESQUISA PERIÓDICA...59

8 8 1. INTRODUÇÃO O presente estudo parte do interesse em alcançar um entendimento sobre importância do jogo na educação infantil, sendo este fundamental para o desenvolvimento da criança, nos aspectos cognitivos, afetivos, sociais, físio-motores, na oralidade e criatividade. Partindo dessa concepção o jogo na educação infantil, é considerado auxiliar na construção cognitiva, não que seja empregado de forma aleatória, mas como parte do processo. É no jogo que a criança se expressa e recria representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-lo. Nos jogos e brincadeiras dirigidas ou espontâneas, as crianças aprendem a conviver, a repartir, relaciona-se e respeitar os outros, estimula o sonho, dá prazer e cria espaço para a imaginação e a criatividade. Sendo assim o ato de jogar ajuda a criança a tornarse mais tarde adultos maduros e capazes de solucionar desafios. É importante que o professor conheça os jogos, suas alternativas de exploração e suas especificidades, assim como o histórico social da criança com as quais esteja trabalhando, a fim de se realizar uma pesquisa eficiente e que propicie resultados confiáveis que possam estabelecer novos rumos no trabalho pedagógico. É dever do educador, compreender o sucesso da utilização dos jogos e brincadeiras na sala de aula. O objetivo geral desse trabalho é compreender a importância do jogo para o desenvolvimento e aprendizagem nas crianças de educação infantil. Para tanto, é necessário percorrer sobre alguns caminhos para entender melhor esse processo, tais como: o conceito de infância, percorrendo sobre um breve histórico da educação infantil; concepção de jogo, as características e os tipos de acordo com alguns autores, o jogo na educação infantil, compreender melhor o jogo na educação segundo autores renomados como Piaget, Dewey e Frobel, o professor como mediador do jogo, e por fim o jogo como ferramenta no desenvolvimento da criança no processo ensino aprendizagem. Tendo como objetivo específico analisar o papel do jogo no desenvolvimento da criança na educação infantil, identificar os pontos mais relevantes nos aspectos cognitivos, social, motor, afetivo e criativo; identificar que tipos de jogos contribuem melhor para o desenvolvimento da criança, tendo como referência as leituras bibliográficas.

9 9 2. METODOLOGIA Tendo em vista o fato de que a pesquisa visa discutir a importância do jogo na educação infantil a opção metodológica desse trabalho será a pesquisa bibliográfica que segundo Ferrão (2008, p 103) é baseada na consulta de todas as fontes secundárias relativas ao tema que foi escolhido para a realização do trabalho. As pesquisas foram feitas tendo como norte autores estudiosos no assunto como: Friedmann, Kishimoto, Kami, Piaget, Vygotsky, Froebel e Dewey. O trabalho foi desenvolvido através de seguintes passos metodológicos: seleção bibliográfica, classificação dos livros, fichamentos dos livros, artigos, revistas e textos, análise das informações. A classificação da pesquisa é exploratória, conforme Gil (1996, p 45) Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Pode se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Sendo assim, neste trabalho de pesquisa pretendemos trazer contribuições aos professores de educação infantil, que desenvolvem trabalhos utilizando os jogos, desenvolvendo um trabalho significativo e de qualidade.

10 10 REFERÊNCIAL TEÓRICO 3.1. CONCEITO DE INFÂNCIA Para entender a importância do jogo na Educação Infantil é necessário, primeiramente, entender o contexto da infância na sociedade e suas concepções, fazendo um breve passeio sobre a história da educação infantil. A criança deve ser entendida de forma diferente de um adulto, tanto por sua idade como pela sua maturação. As diferenças são notáveis quanto ao comportamento, sentimentos e entendimento do mundo. O entendimento de infância veio sendo moldado com o passar dos anos. De acordo com Almeida (2004), há maneiras diferentes de entender a infância, e as noções variam de acordo com a realidade de cada sociedade em determinada época. A ideia de infância não existiu sempre. Até o século XII, aproximadamente, havia um desconhecimento dessa etapa de vida porque em geral as crianças viviam muito pouco, devido a infecções e doenças. A partir do século XVI teve um aumento da expectativa de vida, pois diminuiu a taxa de mortalidade infantil. O sentimento de infância, a ideia, a representação da infância, todos esses fenômenos surgiram na civilização, muito vagarosamente e ligados a motivos os mais surpreendentes. Segundo Áries (1981), a aparição da criança como uma categoria social se dá lentamente entre os séculos XII e XVII, o autor destaca esse fator através do estudo de temas metafísicos religiosos presentes na iconografia medieval. Inicialmente a criança aparece em símbolos religiosos para representar anjos e o menino Jesus, depois a infância da Virgem Maria e dos outros santos. Nos séculos XV e XVI, a criança aparece em retratos reais que são encontrados inicialmente nas esfinges funerárias. Conforme o Autor: O aparecimento do retrato da criança morta no século XVI marcou, portanto, um momento muito importante na história dos sentimentos. Esse retrato seria inicialmente uma efígie funerária. A criança no inicio não seria retratada sozinha, e sim sobre o túmulo de seus pais. (ÁRIES, 1981, p.23) Áries (1981) diz que, até o início da época moderna não existia o conceito de infância esse período era considerado como período de transição, ou seja, a criança tinha uma infância

11 11 curta, sua passagem era pouco valorizada. Foi a partir do século XVII que a criança começou a ser valorizada e ter o seu próprio espaço nas imagens por ele analisadas. A partir desse século o sentimento de infância e os cuidados com a moral da criança surgiam com a chegada da burguesia começando dos nobres da sociedade, para os mais pobres. Para o Autor: Isso sem duvida significa que os homens dos séculos X XI não se detinham diante da infância, que esta não tinha para eles interesse, nem mesmo realidade. Isso faz pensar também que no domínio da vida real, e não mais apenas no de uma transposição estética, a infância era um período de transposição estética, a infância era um período de transição, logo ultrapassado, e cuja lembrança também era logo perdida. (ÁRIES, 1981, p. 52) A infância nos séculos X XI não tinha interesse nem mesmo realidade, era algo ultrapassado que não se dava importância cujas lembranças eram perdidas, a infância começava a ter um período de transição e transposição estética. A ideia da infância como um período particular somente se consolidou no século XVII, acompanhada da elaboração de uma teoria filosófica sobre a especificidade infantil, que tornou possível o posterior aparecimento de uma psicologia da criança e de seu desenvolvimento. Assim, para Áries (1981), a descoberta da infância começa no século XIII e evolui no XIV e XV, tornando-se significativo nos fins do século XVI e durante o XVII. Segundo Nunes; Silva: A criança passou a ser considerada detentora de sentimento, já que o índice de mortalidade era alto e, de certa forma as crianças não tinham nenhuma importância social proeminente, o que explicaria o cuidado emergente em preocupações com higiene e vacinação que começam aparecer tão somente nos séculos finais da Idade Média, revelando uma mudança lenta na indiferença anterior para mesma. (2000, p.21) Com o passar dos séculos a criança passou a ser considerada detentora de sentimento, não se dava importância a ela e com isso o índice de mortalidade era alto, não se preocupava com a higiene e nem com a vacinação e no final da idade media começou a ter uma mudança lenta na forma de pensar. Segundo Ariés (1978), as crianças eram consideradas um adulto em miniatura. Tinham que se vestir com trajes de adultos, porém em tamanho redizido. Na modernidade, a criança deixa

12 12 de ocupar lugar como resíduo da vida comunitária adulta e passa a ser percebida como ser inacabado e carente, portanto individualizado. Os quadros artísticos datados dessa época citam um texto de 1602, que traduz o pensamento daquele tempo em relação à preocupação dos pais quanto à educação das crianças. O autor considera que: Os pais que se preocupam com a educação de suas crianças merecem mais respeito do que aqueles que se contentam em pô-los no mundo. Eles lhes dão não apenas a vida, mas uma vida boa e santa. Por esse motivo, esses pais têm a razão em enviar seus filhos, desde a mais tenra idade, ao mercado da verdadeira sabedoria (o colégio), onde eles se tornarão os artífices de sua própria fortuna. (ÁRIES, 1978, p. 58) Na modernidade os pais passam a se preocupar somente com a educação de seus filhos, os enxergavam como uma fonte de renda, pois davam educação para que tivessem uma vida melhor, onde se tornarão os artífices de sua própria fortuna. O sentimento afetivo pela criança era sem importância, não se tinha muitos cuidados, pois de acordo com Áries (1981 p.56) como as crianças morriam em grande número a infância era tida como uma fase sem importância e não fazia sentido fixar sua memória na lembrança. Kramer evidencia que: A valorização e o sentimento atribuídos à infância nem sempre existiram da forma como hoje são concebidas e difundidas, tendo sido modificadas a partir de mudanças econômicas e políticas da estrutura social. Percebe-se essas transformações em pinturas, diários de família, testamentos, igrejas e túmulos, o que demonstram que a família e escola nem sempre existiram da mesma forma. (1995, p.17) Os sentimentos e a valorização à infância nem sempre existiram da forma como hoje são concebidas, estavam em processo de mudança. Conforme a política e a economia iam mudando poderia se perceber que começava a aparecer pinturas. Surgiram dois sentimentos novos em torno da criança, segundo Áries (1981), no meio familiar surge os mimos, pois via na criança a sua ingenuidade uma coisinha engraçadinha, motivo de distração e relaxamento para adulto, e outro pelos moralistas e educadores de

13 13 século XVII que viam na criança interesse psicológicos e preocupação com a formação do seu caráter e da moral, a partir deles que foi inspirada toda educação. Entre os estudiosos na área do desenvolvimento da criança, temos Piaget (1989) que dentre tantos outros estudos que desenvolveu, se dedicou a descobrir como o ser humano pensa, por que a criança raciocina diferente do adulto evoluído e apresenta pensamento próximo ao do adulto primitivo. Segundo o autor para a explicação do fenômeno é necessário acompanhar o desenvolvimento mental da criança. Piaget (1989) acreditava que a infância é considerada um período particular do processo de formação do pensamento, que só se completa na idade adulta, logo, o centro de seus estudos é o desenvolvimento do conhecimento, com base na biologia, ou seja, estudos de epistemologia-genética. Assim como Piaget, Heller (1989) segue essa mesma concepção que vê o homem como um ser que é fruto de sua vida em sociedade. Seus modos de perceber, de representar, seu funcionamento psicológico, a capacidade de expressar seus sentimentos em relação ao mundo, ao outro e a si mesmo, se constitui nas relações sociais. Conforme o autor: O homem participa da vida cotidiana em todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. Nele, coloca-se me funcionamento todos os seus sentidos, todas as suas capacidades intelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, idéias, ideologias. (HELLER,1989, p.16-17) O homem é fruto de sua vida em sociedade, tem capacidade de expressar seus sentimentos, age a partir de seus próprios pensamentos. Segundo Kishimoto (1997) a imagem de infância é vista pelos adultos por meio de dois processos: o primeiro está associado a todo um contexto de valores e absorção da sociedade e o segundo fala sobre a percepção dos próprios adultos, que relembra do seu tempo de criança, assim a imagem de infância se reflete no contexto atual dos adultos.

14 14 Como pesquisadora contemporânea, Kishimoto (1997) acrescenta que o comportamento infantil é moldado de acordo com a imagem de criança veiculada em formação da personalidade, é requerida também com o auxilio de concepções psicológicas e pedagógicas, que reconhece o papel de brinquedos e brincadeiras no desenvolvimento e na construção do conhecimento infantil. Para Kishimoto: A infância é, também, a idade do possível. Pode-se projetar sobre ela a esperança de mudança, de transformação social e renovação moral. A infância é portadora de uma imagem de inocência: de candura moral, imagem associada à natureza primitiva dos povos, um mito que representa a origem do homem e da cultura. (1997, p.19) A infância é um período em que podemos projetar sobre a criança esperança de mudança de transformação, pois nela podemos ver a sua inocência, onde os adultos podem moldar e fazer com que a possa ter uma infância com princípios e valores, fazendo com que ela não perca a melhor fase que o ser humano possa ter. O RCNEI (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil) (1998, p.21, v 1) mostra como a criança vem sendo vista atualmente no Brasil, afirmando que as crianças possuem uma natureza singular, que as caracterizam como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio. Assim, durante o seu processo de construção do conhecimento, as crianças utilizam as mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem ideias e hipóteses originais sobre aquilo que procuram desvendar. Para o referido documento: A concepção de criança é uma noção historicamente construída e consequentemente vem mudando ao longo dos tempos, não se apresentando de forma homogênea nem mesmo no interior de uma mesma sociedade e época. Assim é possível que, por exemplo, em uma mesma cidade existem diferentes maneiras de se considerar as crianças pequenas dependendo da classe social a qual pertencem do grupo étnico do qual fazem parte. Boa parte das crianças pequenas brasileiras enfrentam um cotidiano bastante adverso que as conduz desde muito cedo a precárias condições de vida e ao trabalho infantil, ao abuso e exploração por parte de adultos. Outras crianças são protegidas de todas as maneiras, recebendo de suas famílias e da sociedade em geral todos os cuidados necessários ao seu desenvolvimento. (RCNEI, 1998, p.19, v 1) A resolução CNE\CEB nº 20\ 2009 homologado no DOU de 09 de dezembro de 2009 institui no art. 4º as Diretrizes Curriculares Nacionais para educação infantil onde as propostas pedagógicas que deverão considerar a criança, apresentam a visão que o:

15 15 (...) centro do planejamento curricular, sujeito histórico e de diretos que nas interações, relações e pratica cotidianas de vivência, constrói sua identidade pessoal e coletiva, ao brincar, imaginar, fantasiar, observar, experimentar, narrar, questionar e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. A criança deve ter uma infância em que ela possa contribuir sua identidade pessoal e coletiva como, por exemplo: ao brincar, imaginar, fantasiar, observar e experimentar, para que tenha uma vida em sociedade e produzir sua cultura. Muitas crianças brasileiras, porém, condicionadas pela classe social são obrigadas ao trabalho infantil. São negadas possibilidades dignas para se desenvolver, como educação de qualidade, proteção, afeto e liberdade como prevê a constituição de 1988 Art. 227 que dá garantia por meio de decreto seus direitos dentro da sociedade. A lei ressalta que: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (BRASIL, 1988, p.29, 227) Percebe-se que desde Froebel (2001) o criador do jardim de infância em 1837, o jogo livre é adotado, assim como por Dewey (1965) um dos orientadores do movimento da Escola Nova, esta responsável pela divulgação do jogo como fator importante para a educação, pois nessa concepção o brincar surge como elemento indispensável para a aprendizagem. Veiga (2004) diz que, para compreender a infância em determinado contexto histórico é indispensável a busca de conhecimento e entendimento de cada etapa da vida da criança. É preciso compreender porque os adultos passaram a reconhecer e perceber a criança de forma diferente, e em que momento da vida social dos adultos ocorreu, e com que objetivos o tempo social da infância foi fixado e diferenciado. Para autora, o momento de distinção entre as gerações foram essenciais para o comportamento de classe social, que vieram acompanhadas da ampliação das produções sobre a infância e a criança como objeto de conhecimento. O que se pode inferir acerca desses sentimentos é que, historicamente, eles aparecem como complementares, perpetuando um conceito de infância ligado à ideia de essência infantil, a

16 16 sua materialidade, suas reais condições sociais. Dessa forma a ideia de criança e infância universais acaba por se manter, desconsiderando as várias infâncias e crianças, condicionadas pelas adversidades de existência. Para Kramer 1995 tal concepção, originaria da Idade Média, tem perpetuado a ideia de infância única, um ideal de criança abstrato, mas concretizado na infância burguesa, mascarando, assim, a realidade social. Independente da construção de infância que nos deparamos é imprescindível que não esqueçamos que as crianças são seres singulares, provenientes dos mais diversos cenários sociais e culturais, herdeiros de novas concepções de família. No documento: Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis. (RCNEI, 1998, v.1, p.23) Educar não é só colocar na escola. Significa também proporcionar situações de cuidado, brincadeiras e aprendizagens orientadas. Os pais devem trabalhar em conjunto com a escola, fazendo assim com que a criança tenha bons relacionamentos e melhor formação. Para Arroyo (1996) a ideia de infância é dinâmica e vem crescendo em termos de relevância social, entretanto como ela antecede a idade adulta, no que se refere ao tempo cronológico acaba por permitir certa contradição entre a natureza biológica e o papel social ocupado pela criança nas diferentes culturas. Se por um lado a ideia de criança está relacionada a uma etapa do desenvolvimento que antecede à idade adulta, contraditoriamente a infância está permeada por significações ideológicas que determinam o seu papel na sociedade em que vive. A ideia de infância só tem

17 17 sentido, portanto, se percebida de acordo com as relações de produção da sociedade em determinada época. Daí a necessidade de tratarmos a criança como ser que se desenvolve dentro de um contexto determinado e contribuir para cultura de sua época histórica. Diante dessa nova perspectiva de infância, a educação de crianças pequenas, em nosso país, clama por atitudes que superem as práticas e concepções excludentes e impeditivas de que nossas crianças tenham acesso aos bens conquistados pela humanidade e possam ser respeitadas com sujeito de direito.

18 BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Para compreender o jogo na educação infantil, vamos fazer um breve comentário sobre sua história. Na antiguidade, a educação infantil era feita pela família e igrejas e com o passar dos anos essa forma de educar foi se modificando. No entanto a Educação Infantil nasceu da necessidade de obtenção de cuidados das crianças enquanto as mães trabalhavam. Depois do século XVI as escolas que existiam eram dirigidas pela igreja e reservadas para instruir pequenos grupos, principalmente meninos. De acordo com Áries (1981) nessa época ainda não havia preocupação com a educação da infância, pois não havia distinção de idades e nem divisão de classes. Com o surgimento dos colégios de caridade de século XVII abrem as portas tanto para pequenos burgueses nobres, como classes populares. A igreja perde o poder e a burguesia fica responsável pelo assistencialismo social. A partir do século XVIII, as famílias burguesas não aceitam que seus filhos se misturem com a classe popular, então a escola única foi substituída pela criação da escola primária e secundária que se diferenciava pela classe social: o colégio secundário é prolongado com formação de ensino técnico para o burguês e a escola primária com ensino curto e prático voltado para formação de mão de obra do povo. A partir dessa divisão a sociedade passa a se preocupa com a formação da criança para a vida adulta, pois a figura ideal era o homem burguês, que tinha sucesso, mas para se obter o que tanto se desejava deveria ter acesso à educação e está exigia certa condição financeira, a criança era inserida na escola visando o trabalho e a aquisição de bens. Para o autor: As aspirações educacionais aumentam à proporção em que se acredita que a escolaridade poderá representar maiores ganhos, o que provoca frequentemente a inserção da criança no trabalho simultâneo à vida escolar (...). A educação tem um valor de investimento a médio ou logo prazo e o desenvolvimento da criança contribuirá futuramente para aumentar o capital familiar. (KRAMER, 1995, p.23) A partir do século XVIII a educação para crianças era vista como um valor de investimento a médio ou longo prazo, os pais se preocupavam em colocar seus filhos nas escolas para que, futuramente aumentar o capital familiar.

19 19 Segundo Áries (1981) por conta da diferença entre a escola popular e a burguesa, a popular não durou muito tempo e tornou-se ineficaz, por conta desses problemas foram criados programas compensatórios, pois na visão de infância dos burgueses todas as crianças são iguais, porém, como as classes menos favorecidas não correspondia ao padrão estabelecido pela sociedade, por isso precisavam ser compensadas. Ao longo do século a creches e pré-escola formaram conceito de cuidado e para guardar as crianças, devida a prática de instituições formadas pelas igrejas e famílias da alta sociedade que prestava assistência e caridade as crianças pequenas. Nesse período, os pioneiros da educação pré- escolar, como Convênios, Rousseau, Pestalozzi, Decroly, Froebel, entre outros, buscavam descobrir formas de eliminar as punições físicas e estabelecer bases para um ensino mais centrado na criança. Embora enfatizassem propostas diferentes entre si, esses autores tinham em comum o reconhecimento de que as crianças tinham necessidades e características próprias e diversas à dos adultos. No Brasil as primeiras creches chegaram por volta do século XX a partir da Revolução Industrial, em meados de 1971 com a formulação da Lei n , na qual definiu que os sistemas receberiam crianças em idade inferior a sete anos para iniciarem uma vida escolar em escolas maternais ou jardins de infância. As mães operárias também conquistaram o direito à instalação de creches assistencialistas e salas de amamentação nas indústrias em que trabalhavam. Segundo Kuhlmann Jr (1998) a educação compensatória era tida, não como beneficio para seus filhos, mas sim como uma dádiva filantrópica. Segundo o autor: (...) As concepções educacionais vigentes nessa instituições mostravam explicitamente preconceituosas, o que acabou por cristalizar a idéia de que, em sua origem, no passado, aquelas instituições teriam sido pensadas como lugar de guarda de assistência, e não de educação. (KUHLMANN; JUNIOR, 1998, p.166) As concepções que tinham no século XX eram que as instituições serviam para guarda de assistência a criança e não lugar para ensinar seus filhos, as professoras eram vistas como babás.

20 20 A partir de 1970, devido ao crescimento acelerado das indústrias, o tema creches passou a ser considerado de interesse pelos setores oficiais. Por volta de 1979, houve um movimento de luta por creches, que reivindicava a participação do Estado na criação de redes públicas de creches. Na década de 1980, houve um avanço considerável com relação à Educação infantil. Nesse período, discutiu-se a função de creche/pré-escola, de forma a universalizar a ideia de que a educação da criança pequena é importante, independentemente de sua origem social. Assim, estabeleceu-se, na Constituição Federal de 1988, a creche e a pré-escola como direito da família e dever do Estado. Para o autor: Também em relação à creche no Brasil, temos apontado tal perspectiva política. Apenas quando segmentos de classe média foram procurar atendimento em creche para seus filhos é que esta instituição recebeu força de pressão suficiente para aprofundar a discussão de uma proposta verdadeiramente pedagógica, compromissada com o desenvolvimento total e com a construção de conhecimento pelas crianças pequenas. (OLIVEIRA, 2008, p 18) No Brasil a creche só teve mudança quando a classe média foi procurar atendimento em instituições para seus filhos. Nesse período as creches começaram a receber auxilio do governo para se manter e ser um local verdadeiramente pedagógico. Com a constituição de 1988 a educação passa a ser direito de todos e dever do Estado, da família e da sociedade. Sendo incluída na política educacional, tornou-se um referencial na busca e avanço nas soluções para superar as práticas de um ensino assistencialista ou preparatório para as séries seguintes. Nesta perspectiva a criança passa a ser vista como um ser social, histórico, pertencente a uma determinada classe social e cultural. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 vem reforçar uma base maior para educação infantil com primeira etapa da educação básica. (Art. 29) com a finalidade de desenvolvimento da criança ate seis anos de idade. Reconhecendo que a educação começa nos primeiros anos de vida. A lei define como: A educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos

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