METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO

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1 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO

2 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO A. J. Veal Tradução Gleice Guerra Mariana Aldrigui

3 Copyright Longman Group Limited, 1992 Copyright Financial Times Professional Limited, 1997 Copyright Pearson Education Limited, 2006 Copyright Editora Aleph, 2011 (edição em língua portuguesa para o Brasil) TÍTULO ORIGINAL: Research methods for leisure and tourism CAPA: Luiza Franco AQUARELA DE CAPA: Meire de Oliveira COPIDESQUE: Tânia Rejane A. Gonçalves REVISÃO: Hebe Ester Lucas PROJETO GRÁFICO: Neide Siqueira EDITORAÇÃO: Join Bureau EDITORES DE TURISMO: Guilherme Lohmann Alexandre Panosso Netto COORDENAÇÃO EDITORIAL: Débora Dutra Vieira Marcos Fernando de Barros Lima DIREÇÃO EDITORIAL: Betty Fromer Piazzi Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, no todo ou em parte, através de quaisquer meios. Publicado mediante acordo com Pearson Education Limited. Edinburgh Gate, Harlow, Essex CM20 2JE. EDITORA ALEPH LTDA. Rua Dr. Luiz Migliano, 1110 Cj São Paulo SP Brasil Tel.: [55 11] Fax: [55 11] Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Veal, A. J. Metodologia de pesquisa em lazer e turismo / A. J. Veal ; tradução Gleice Guerra, Mariana Aldrigui. São Paulo : Aleph, Série turismo) Título original: Research methods for leisure and tourism. Bibliografia. ISBN Lazer Pesquisa 2. Pesquisa Metodologia 3. Turismo Pesquisa I. Título. II. Série CDD Índices para catálogo sistemático: 1. Lazer e turismo : Métodos de pesquisa Lazer e turismo : Pesquisa : Metologia

4 SUMÁRIO Introdução à edição brasileira Prefácio INTRODUÇÃO À PESQUISA: O QUÊ, POR QUE E QUEM? Resumo Introdução O que é pesquisa? Definição de pesquisa Pesquisa científica Pesquisa em ciências sociais Três tipos de pesquisa Pesquisa descritiva Pesquisa explicativa Pesquisa avaliativa Por que estudar pesquisa? Em geral Pesquisa em processos de definição de políticas, planejamento e gestão Formatos de pesquisa em diferentes contextos Quem pesquisa? Acadêmicos Estudantes

5 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO Organizações públicas e privadas Consultores Gestores Acadêmicos e o mundo da prática: a importância de pesquisas publicadas para o planejamento e a gestão Questões Exercícios Para saber mais ABORDAGENS DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO Resumo Introdução As tradições disciplinares da pesquisa em turismo e lazer Introdução Estrutura interdisciplinar Disciplinas no estudo de lazer e turismo Sociologia Sociologia do lazer I: pesquisas sociais e modelos quantitativos Sociologia do lazer II: explicando os motivos Sociologia do lazer III: abordagem crítica Sociologia do turismo Geografia Economia Psicologia/Psicologia social História e antropologia Ciências políticas Abordagens e dimensões Pesquisa teórica e aplicada Pesquisa empírica e não empírica Indução e dedução Pesquisa descritiva e explicativa Pesquisa positivista e interpretativa Métodos experimentais e não experimentais Dados primários e secundários

6 SUMÁRIO Autoavaliação e observação Pesquisa qualitativa e quantitativa Validade e confiabilidade Questões Exercícios Para saber mais O INÍCIO: PROJETOS E PLANEJAMENTO DE PESQUISA Resumo Introdução O processo de pesquisa Planejando um projeto de pesquisa Seleção do tema Revisão bibliográfica Delimitação da estrutura conceitual Definição da(s) questão(ões) da pesquisa Relação das necessidades de informação Definição da estratégia de pesquisa Aprovação ética Condução da pesquisa Relato das descobertas Propostas de pesquisa Introdução Propostas de pesquisas autônomas Propostas responsivas termos de referência e licitações Estudos de caso Planejamento de projeto de pesquisa Questões Exercícios Para saber mais AMPLITUDE DOS MÉTODOS DE PESQUISA Resumo Introdução Cada macaco no seu galho Principais métodos de pesquisa Estudo científico Reflexão

7 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO Fontes existentes uso da bibliografia Fontes existentes dados secundários Observação Métodos qualitativos Sondagens com aplicação de questionário Técnicas secundárias e transversais Sondagem por cupom/estudos de conversão Sondagens no trajeto/interceptação Sondagens de orçamento de horas Método de amostragem por experiência Estudos tipo painel Estudos longitudinais Sondagens patrocinadas pela imprensa Pesquisa-ação Pesquisa histórica Análise de texto Técnica Delphi Técnicas projetivas Uso de escalas Meta-análise Métodos múltiplos Triangulação Estudo de caso Estudos de caso na prática Escolha do método Questões de pesquisa ou hipóteses Pesquisas anteriores Dados disponíveis/acesso Recursos Tempo Validade, confiabilidade e generalização Ética Usos/usuários das descobertas Questões Exercícios Para saber mais

8 SUMÁRIO 5. LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO Resumo Introdução Uma tarefa essencial O valor das bibliografias Busca Catálogos de bibliotecas Publicações de bibliografia Diretórios de publicações e bancos de dados eletrônicos Internet Livros gerais sobre lazer/turismo Listas de referências Além de lazer e turismo Obtenção de cópias do material Compilação e manutenção da bibliografia Levantamento bibliográfico Tipos de pesquisa bibliográfica Leitura crítica e criativa Apresentação do resumo Referências bibliográficas Para que servem? Elaborando referências Citações e notas Questões Exercícios Para saber mais DADOS SECUNDÁRIOS: FONTES E ANÁLISE Resumo Introdução Sondagens nacionais de participação em lazer O fenômeno da sondagem nacional de lazer Validade e confiabilidade Tamanho da amostra Questão principal: período de referência da participação Faixa etária Atividades individuais e limitações do tamanho da amostra

9 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO Características sociais A importância das sondagens de participação Sondagens de turismo Sondagens econômicas Censo populacional Planejamento das facilidades e a condução de estudos de viabilidade Área gerencial/marketing Avaliação de desempenho Segmentação de mercado Gerenciamento de dados Fontes documentais Uso de dados secundários Questões Exercícios Para saber mais OBSERVAÇÃO Resumo Introdução A natureza e o propósito da pesquisa observatória Possibilidades Brincadeiras de criança Uso de áreas informais de lazer/turismo Uso espacial e funcional de locais Perfil de usuário Comportamento desviante Teste de consumidor/incógnito Pesquisa complementar Rotina Comportamento social Principais elementos da pesquisa observatória Passo 1: Escolha do(s) local(is) Passo 2: Escolha do(s) ponto(s) de observação Passo 3: Escolha do(s) período(s) de observação Passo 4: Observação contínua ou amostral? Passo 5: Frequência da contagem

10 SUMÁRIO Passo 6: O que observar Passo 7: Divisão do local em zonas Passo 8: Registro da informação da observação Passo 9: Condução da observação Passo 10: Análise dos dados Fotografia e vídeo Fotografia aérea Fotografia simples Vídeos Fotografia time-lapsed Visão Questões Exercícios Para saber mais MÉTODOS QUALITATIVOS Resumo Introdução Qualidades e usos Méritos dos métodos qualitativos Processo de pesquisa qualitativa Variedade de métodos Introdução Entrevistas em profundidade Natureza Finalidades e situações Roteiro Processo de entrevista Registro Grupos focais Natureza Finalidades Métodos Observação participante Natureza Finalidades Métodos Análise de textos

11 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO Natureza Romances e outras literaturas Cobertura da mídia de massa Filme Material cultural Pesquisa biográfica Natureza Biografia/autobiografia História oral Trabalho de memória Histórias de domínio pessoal Etnografia Análise de dados qualitativos Introdução Armazenamento de dados e confidencialidade Exemplo de estudo de caso Métodos manuais de análise Introdução Leitura Temas emergentes Mecânica Análise Análise qualitativa usando software introdução NVivo Introdução Rodando o software NVivo Início Criação de um projeto Criação de documentos Atributos do documento Configuração de um sistema de codificação Codificação do texto Análise Questões Exercícios Para saber mais Apêndice 8.1 Exemplo de roteiro para entrevista em profundidade

12 SUMÁRIO 9. SONDAGENS COM QUESTIONÁRIO Resumo Introdução Importância e limitações Méritos dos métodos de questionário Questionário preenchido pelo entrevistador ou pelo respondente? Tipos de sondagem com questionário Sondagem domiciliar com questionário Natureza Condução Sondagens múltiplas Estudos de orçamento de horas Sondagem de rua Natureza Condução Amostragem por cota Sondagem por telefone Natureza Condução Sondagem por correspondência Natureza Problema dos baixos índices de resposta Sondagens eletrônicas Sondagem com usuário/visitante/de local Natureza Condução Utilização das sondagens com usuários Sondagem de grupos cativos Natureza Condução Projeto do questionário Introdução: problemas de pesquisa e necessidades de informação Tipos de informação Redação das perguntas Perguntas comuns

13 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO 9.10 Ordem das perguntas e disposição dos questionários Comentários introdutórios Ordem Disposição Codificação Perguntas de múltipla escolha Perguntas abertas Registrando informações codificadas Validade dos dados a partir de questionários Arranjos do trabalho de campo Condução de uma sondagem piloto Questões Exercícios Para saber mais AMOSTRAGEM Resumo Introdução A ideia de amostragem Amostras e população Representatividade Amostragem para sondagem domiciliar Amostragem para sondagem de local/usuário/visitante Sondagem de rua e amostragem por cota Amostragem para sondagem por correio Tamanho da amostra Nível de precisão Intervalos de confiança Detalhamento da análise proposta Orçamento Tamanho da amostra e populações pequenas Ponderação Amostragem para pesquisa qualitativa Questões Exercícios Para saber mais

14 SUMÁRIO Apêndice 10.1 Apêndice sugerido sobre tamanho da amostra e intervalos de confiança ANÁLISE DE SONDAGENS Resumo Introdução SPSS Preparação Casos e variáveis Determinando variáveis Começando Inserindo informações sobre variáveis Janela para visualização da variável Salvando o trabalho Inserindo dados Janela para visualização de dados Análise de dados de sondagem e tipos de pesquisa Pesquisa descritiva Pesquisa explicativa Pesquisa avaliativa Sobreposições Confiabilidade Procedimentos SPSS Iniciando uma sessão de análise SPSS Frequências Verificação de erros Múltiplas respostas Recodificação Médias Apresentação dos resultados: resumo estatístico Tabulação cruzada Ponderação Gráficos Processo de análise Questões Exercícios Para saber mais Apêndice 11.1 Arquivo de resultado das frequências do SPSS

15 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO 12. ANÁLISE ESTATÍSTICA Resumo Introdução Abordagem estatística Estimativas probabilísticas Distribuição normal Significância Hipótese nula Variáveis dependentes e independentes Testes estatísticos Quais testes? Qui-quadrado Comparação de duas médias: teste t Diversas médias: análise unilateral de variância (ANOVA) Uma tabela de médias: análise fatorial de variância (ANOVA) Correlação Regressão linear Regressão múltipla Análise cluster e fatorial Conclusão Exercícios Para saber mais Apêndice 12.1 Detalhes do exemplo de arquivo de dados utilizado Detalhes das variáveis e dos dados Apêndice 12.2 Fórmulas estatísticas RELATÓRIO DE PESQUISA Resumo Introdução Começando Componentes do relatório Capa Folha de rosto Sumário Resumo

16 SUMÁRIO Prefácio/Apresentação Agradecimentos Parte principal dos relatórios: aspectos técnicos Numeração de seções Numeração de parágrafos Listas de tópicos Numeração de páginas Cabeçalhos e rodapés Hierarquia de títulos Formatação e espaçamento da digitação Tabelas e gráficos Referências Quem? Corpo do texto: estrutura e conteúdo Estrutura Entre métodos e resultados Público e estilo Funções do relatório: narrativa e registro Conclusão Outras mídias Comentário final Exercícios Para saber mais Referências

17 INTRODUÇÃO À EDIÇÃO BRASILEIRA Existe certa crítica justificada de que a pesquisa acadêmica/científica em lazer e turismo no Brasil precisa amadurecer, apesar de todo o esforço que muitos programas de graduação e pós-graduação, acadêmicos, pesquisadores e associações de pesquisa empreenderam para o avanço dessas áreas na última década. Parte dessa crítica está fundada em dois motivos principais: falta de um melhor entendimento do corpo teórico-conceitual, que está disponível na literatura internacional sobre lazer e turismo; e pouco conhecimento e uso de uma metodologia de pesquisa mais ampla e sofisticada. No que tange aos aspectos teórico-conceituais, a Aleph editora com mais títulos acadêmicos/científicos sobre turismo publicados no Brasil lançou, em 2008, o livro Teoria do Turismo: conceitos, modelos e sistemas. Agora, decidiu publicar um livro que aportasse sólido embasamento científico e técnico ao arcabouço metodológico da pesquisa em lazer e turismo. A escolha pela tradução da obra do professor Anthony Veal ocorreu por duas razões. A primeira, é a de que, não obstante a evidente evolução do uso de métodos de pesquisa em lazer e turismo no Brasil, nossos principais pesquisadores e centros de pesquisa ainda possuem, com raras exceções, uma forte tendência de abarcar o lazer e o turismo com acentuado senso descritivo, sem necessariamente apresentar técnicas sofisticadas de coleta e análise das informações que possibilitem um estudo crítico e fundamentado. Dessa forma, ferramentas amplamente utilizadas na análise de dados qualitativos e quantitativos pelas ciências sociais ainda não foram plenamente incorporadas à pesquisa em lazer e turismo. Apenas para citar um exemplo, o uso de softwares como SPSS e N-Vivo, descritos neste livro, raramente são aplicados nas publicações científicas, teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso em nossa área. Assim, neste momento, publicar um autor estrangeiro nos pareceu a melhor opção. A segunda razão foi que, apesar de existirem pelo menos três bons livros publicados em inglês sobre o tema, esta obra já se encontra em sua quarta edição a ser lan- 21

18 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO çada em inglês no ano de 2011 (a presente tradução se baseia na terceira edição), e que seu conteúdo tem evoluído significativamente a cada nova edição. Ademais, a própria estrutura dos capítulos, quase em formato de um roteiro em que os diversos aspectos metodológicos são explicados passo a passo, pareceu-nos mais adequada não só para ser adotada na disciplina de Metodologia de Pesquisa, mas também para que pesquisadores independentes possam ser bem-sucedidos ao explorar o rico universo da metodologia de pesquisa, principalmente nas áreas das ciências sociais aplicadas e ciências humanas. Ao ler e, principalmente, ao estudar essa obra, esperamos que o leitor aprecie o enorme trabalho desenvolvido pela equipe da editora Aleph, a começar pela própria tradução, que foi muito bem executada, passando pelo nosso trabalho meticuloso como editores, quando, em determinados momentos, inclusive contatamos o próprio autor para obter alguns esclarecimentos. Dentro do possível, não medimos esforços para adaptar a obra para a realidade brasileira. Neste sentido, agradecemos à professora Valéria Barbosa de Magalhães (Curso de Lazer e Turismo da EACH/USP) pela colaboração com a inclusão do texto sobre as normas da ABNT, no Capítulo 5. Por outro lado, no Capítulo 11, infelizmente não conseguimos cópias dos softwares SPSS e N-Vivo em português para traduzir as figuras apresentadas no original. De qualquer forma, muitos leitores acabarão eventualmente utilizando cópias do software em inglês; ou mesmo aqueles que vierem a fazê-lo com a versão em português perceberão que o mais difícil não será a falta de tradução desses comandos, mas quebrar a cabeça para decifrar os processos utilizados para se chegar aos resultados almejados. Para aqueles que chegarem lá, podem ter certeza de que se divertirão muito brincando com números e palavras. Este é um livro fundamental para estar na biblioteca de nossas instituições e nas mãos de todo acadêmico sério em lazer e turismo, seja ele discente do último ano de graduação, pós-graduando ou pesquisador-doutor. Boa leitura e bons estudos! Novembro de Guilherme Lohmann School of Tourism and Hospitality Management, Southern Cross University, Austrália Alexandre Panosso Netto Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo Editores de Turismo da Editora Aleph 22

19 PREFÁCIO A primeira edição do livro Metodologia de pesquisa em lazer e turismo foi publicada em meados de 1992, e a segunda em Nesta edição, diversas alterações foram feitas, entre elas: atualização das diretrizes do Statistical Package for the Social Sciences 1 (SPSS) para a versão 12; acréscimo de mais detalhes sobre análise de dados qualitativos, incluindo um guia de utilização do programa de computador NVivo; utilização de exemplos concisos de estudos de casos de pesquisas na área de turismo e lazer tirados de publicações específicas do setor. Inúmeras outras mudanças foram feitas a partir da minha experiência e da de outras pessoas que dão aulas no ensino médio e na graduação com base neste livro. Sou particularmente grato ao meu colega da UTS, Dr. Simon Darcy, pelas diversas contribuições pertinentes para o desenvolvimento desta edição do livro. O objetivo do livro permanece o mesmo: oferecer um texto de como fazer e, também, auxiliar a compreender como os resultados de pesquisas são gerados, a fim de ajudar estudantes e gerentes atuantes a se beneficiarem da pesquisa de outras pessoas. A. J. Veal University of Technology, Sydney Maio, Programas de computador (softwares) de Estatística para Ciências Sociais. [N. do T.] 23

20 CAPÍTULO 1 Introdução à pesquisa: o quê, por que e quem?

21 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO RESUMO Este capítulo aborda o O quê? da pesquisa, introduzindo e definindo seu conceito, e descreve três tipos de pesquisa que serão estudados neste livro: a descritiva, a explicativa e a avaliativa. O Por quê? da pesquisa é discutido, principalmente, no contexto da definição de políticas, planejamento e gestão, já que a maioria dos usuários do livro estudará para se colocar no mercado. As relações entre a pesquisa e as diversas etapas da definição de políticas, planejamento e gestão são discutidas usando o modelo racional-abrangente como estrutura, destacando também as diversas formas que os relatórios de pesquisa podem assumir no ambiente gerencial. Quem conduz a pesquisa é um aspecto importante e geralmente negligenciado: neste capítulo, os papéis dos acadêmicos, dos estudantes, das organizações públicas e privadas, dos consultores e dos gestores são discutidos. 1.1 INTRODUÇÃO Informação, conhecimento e entendimento a respeito do ambiente natural, social e econômico vêm se tornando a principal base de desenvolvimento cultural e material em sociedades e economias contemporâneas. A compreensão de como a informação e o conhecimento são gerados e utilizados, somada à habilidade de contribuir para essa base de informação e conhecimento por meio da pesquisa, podem, portanto, ser competências essenciais para gestores, em qualquer setor econômico, e um componente- -chave da formação do profissional moderno. A pesquisa não é, no entanto, apenas um pacote de habilidades sem estrutura: ela existe e é desenvolvida em uma grande variedade de contextos sociais, políticos e econômicos. O objetivo deste livro é oferecer uma introdução para o mundo da pesquisa social inserida no contexto do lazer e do turismo, vistos como negócios, temas de políticas públicas ou campos de investigação e reflexão acadêmica. A proposta é fornecer um guia para a condução de pesquisas, uma apreciação crítica da pesquisa teórica e aplicada existente e um entendimento do papel da pesquisa nos processos de formulação de políticas, planejamento e gestão das atividades de turismo e lazer. O primeiro capítulo, portanto, dedica-se a responder a questões preliminares: o que é, por que é feita e quem faz pesquisa. O foco do livro é lazer e turismo. Se, por um lado, a metodologia de pesquisa pode ser vista como universal, por outro, vários campos de pesquisa incluindo estudos de lazer e turismo desenvolveram suas próprias linhas metodológicas e corpos de conhecimento. Em algumas áreas de investigação a norma é realizar experiências de laboratório, enquanto em outras as sondagens sociais são mais comuns. Embora a maioria dos princípios de pesquisa seja universal, um livro especializado, como 26

22 INTRODUÇÃO À PESQUISA: O QUÊ, POR QUE E QUEM? este, reflete as tradições e práticas e se concentra em exemplos de aplicações relevantes de métodos em uma área específica, e nos problemas e questões que surgem em tais aplicações. A área de lazer e turismo é enorme, englobando um amplo leque de atividades humanas individuais e coletivas. É uma área cheia de problemas conceituais por exemplo, em alguns contextos a palavra recreação é usada como um sinônimo de lazer, mas em outros a recreação é vista como uma parte distinta e limitada do lazer ou, até, como completamente separada dele. Em alguns países, o termo tempo livre é associado preferencialmente à palavra lazer. Em algumas definições, turismo inclui viagens a negócios, enquanto em outras não. Em algumas situações, viagens de um dia são consideradas como turismo, embora em outras sejam excluídas do conceito. O objetivo deste livro é ser muito mais abrangente do que excludente. O lazer engloba atividades como recreação; jogos; brincadeiras; envolvimento em esportes e artes, como espectador, público ou participante; uso de mídia eletrônica e impressa; entretenimento ao vivo; hobbies; sociabilização; ato de beber; jogos de azar; visita a pontos turísticos; passeio a parques, litoral e campo; bricolagem; artes e atividades manuais; atividades em casa e fora dela; atividades com propósitos comerciais ou não; e a opção de não fazer nada em particular. O turismo é visto, essencialmente, como uma atividade de lazer que envolve uma viagem para longe do local normal de residência de uma pessoa. Mas o turismo também compreende atividades como viagens a negócios, participações em eventos e visitas a amigos e parentes: nesses casos, a pessoa, no mínimo e invariavelmente, envolve-se em atividades de lazer como complemento às atividades que foram as principais motivadoras da viagem. Considerando-se que este livro trata de turismo e lazer, excursões 1 estão incluídas, independentemente de serem consideradas como parte do turismo. Lazer e turismo são atividades realizadas por indivíduos e grupos, mas também é um setor de serviços que envolve os setores público, privado e o terceiro setor. A maior parte do livro está preocupada em como pesquisar. Assim, o objetivo deste capítulo de abertura é apresentar o quê, por que e quem da pesquisa: O que é pesquisa? Por que estudar pesquisa? Quem faz pesquisa? 1.2 O QUE É PESQUISA? Definição de pesquisa O que é pesquisa? O sociólogo Norbert Elias (1986, p. 20) definiu pesquisa em termos de seus objetivos, da seguinte forma: 1 Viagens de um dia. [N. do T.] 27

23 METODOLOGIA DE PESQUISA EM LAZER E TURISMO O objetivo, da maneira como entendo, é o mesmo em todas as ciências. Dito de modo rápido e simples, o objetivo é tornar conhecido algo anteriormente desconhecido à raça humana. É avançar o conhecimento humano, para torná-lo mais preciso ou mais apropriado [ ] O objetivo é [ ] a descoberta. A descoberta tornar conhecido algo anteriormente desconhecido pode ocorrer em inúmeras atividades, por exemplo, no trabalho de jornalistas ou de detetives. Elias, entretanto, também indicou que a pesquisa é uma ferramenta da ciência e que seu propósito é avançar o conhecimento humano aspecto que distingue a pesquisa de outras atividades investigativas Pesquisa científica A pesquisa científica é a pesquisa conduzida seguindo regras e convenções da ciência. Isso significa que é baseada na lógica, na razão e na análise sistemática de evidências. De forma ideal, o modelo científico dita que os mesmos ou outros pesquisadores devem conseguir reproduzir a pesquisa, chegando a conclusões similares (embora isso nem sempre seja possível ou viável). A pesquisa deve também contribuir para o conhecimento cumulativo de uma área ou um assunto. Esse modelo de pesquisa científica se encaixa melhor em ciências naturais, como física ou química. Na área de ciências sociais, que lida com pessoas como agentes sociais e membros de comunidades, o modelo científico precisa ser adaptado e modificado e, em alguns casos, abandonado Pesquisa em ciências sociais A pesquisa em ciências sociais é conduzida utilizando métodos e tradições da ciência social, que difere das ciências naturais por tratar de pessoas e de seus comportamentos sociais; pessoas são menos previsíveis que fenômenos inumanos. Pessoas podem saber a respeito de uma pesquisa realizada sobre elas e, portanto, deixarem de ser objetos puramente passivos; podem reagir aos resultados da pesquisa e alterar seu comportamento de acordo com eles. Pessoas em diferentes lugares no mundo e em diferentes épocas agem de forma diferente. O mundo social está em constante mudança, de modo que raramente é possível reproduzir uma pesquisa em uma época diferente ou em um local diferente e obter resultados similares. 28

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