PROJETO DE APROVEITAMENTO AGUA DE CHUVA EM ESCOLAS - A2C

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1 PROJETO DE APROVEITAMENTO AGUA DE CHUVA EM ESCOLAS - A2C Eng. MSc.André S. Pinhel 1 ; Arq.MSc Ignez M. Selles; Eng.MSc. Icaro M. Junior; Eng. Danielle M. R. Duarte; Arq. Luis Guilherme F. Cosentino End: 1Campo de S. Cristóvão 138, sala 507, Rio de Janeiro; Resumo A ONU lançou este ano, na sede da FAO, em Roma, no Dia Mundial da Água, um grito de alerta sobre a situação dos recursos hídricos do planeta: dois em cada três habitantes estão ameaçados pela escassez de água até A dissonância entre a crescente demanda e a escassez de água, elemento essencial à vida e ao desenvolvimento, é motivo de preocupação para os gestores pelo fato de que 1,2 bilhão de pessoas habitam zonas de déficit de água e cerca de 500 milhões correm o risco de exposição ao estresse hídrico (escassez de água) a curto prazo. O quadro é, em hipótese, de prognóstico irreversível, mas a realização de investimentos nos programas de otimização dos sistemas de conservação e de retenção de água pode gerar benefícios para os ecossistemas terrestres, como a preservação da umidade pluvial e, conseqüentemente, a eficácia no uso da água. O avanço de processos de desertificação, a redução das reservas de água e as mudanças climáticas apontam para a educação e alternativas de desenvolvimento. Os projetos de educação ambiental sensibilizam indivíduos, promovendo a participação destes em discussões, fazendo com que compreendam a problemática ambiental através do fomento da responsabilidade de cada um e do coletivo, especialmente em relação ao desenvolvimento sustentável. A atual administração da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro EMOP está empenhada na busca para assegurar a solução de problemas de caráter sócio- ambiental, por meio da aplicação de tecnologia sustentável nas escolas públicas e em comunidades. Tal medida irá alavancar o surgimento de uma nova ética ambiental, aplicando na construção de espaço público tecnologias simples, saudáveis e seculares, como o aproveitamento da água de chuva, que podem se tornar soluções modernas de

2 gestão e, sobretudo, fazer emergir uma proposta de multiplicadores nas escolas. Todos esses avanços mexem com valores e reforçam atitudes que, geralmente, modificam o comportamento das pessoas em relação ao meio ambiente. Palavras-chave: Políticas Públicas de Água de Chuva; Água de Chuva em Escolas, Educação Ambiental 1. Introdução A falta de acesso à água limpa atinge mais de um bilhão de pessoas, de acordo com alerta feito pela Organização Mundial da Saúde OMS. Constitui grave preocupação à gestão dos recursos hídricos a ameaça direta à população pela baixa generalizada da oferta de água de muitos rios que servem para abastecimento doméstico e industrial, causada pelas mudanças climáticas e pela poluição. No Brasil pode-se verificar que os sérios problemas existentes que evidenciam a degradação ambiental, envolvem tanto escassez como contaminação das águas, agravadas pela ocupação desordenada de áreas de proteção dos rios nas bacias hidrográficas. Entretanto, observa-se que a tecnologia de aproveitamento da água de chuva pelas indústrias começou a ser intensificado após a implantação da cobrança pelo uso dos recursos hídricos, implantado oficialmente pela Agência Nacional de Água - ANA, em 2002, na bacia do Paraíba do Sul, atendendo a deliberação do Comitê CEIVAP, referente àquela bacia. A questão do reaproveitamento da água é um conceito novo nos órgãos públicos. Até o momento pode-se classificar como muito pouco significante os trabalhos realizados, principalmente, nas escolas. A educação que deve ser considerada prioritária para facilitar e agilizar a compreensão da problemática da água, tem o propósito de estimular o desenvolvimento sustentável, além de propiciar a promoção de políticas públicas. A Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro EMOP - foi criada com o propósito de sistematizar a construção dos prédios públicos. Atualmente, procurando introduzir os princípios estabelecidos por sua política ambiental, inova e transforma radicalmente a característica vigente, objetivando contribuir para a integração dos valores sócio-econômicos-ambientais às suas atividades. A EMOP está desenvolvendo de forma prática, simples e econômica, um programa que permite melhorar o cenário de aproveitamento da água de chuva nas escolas, com o intuito de disseminar esta tecnologia para aplicação em todo o Estado do Rio de Janeiro

3 2. Metodologia Este trabalho constou de uma pesquisa bibliográfica em diversas fontes nacionais e internacionais, onde se observou que o aproveitamento de águas pluviais era sistematizado em vários países, principalmente na Alemanha, (KONIG, 2001). A retenção natural da água pluvial está inserida na legislação de recursos hídricos para a manutenção e revitalização dos mananciais. Os projetos de telhados verdes agregaram tecnologia à estética e constituem exemplos marcantes na arquitetura, utilizando água de chuva para conforto e equilíbrio térmico, redução de custos de refrigeração e prevenção de alagamentos. No Brasil, o assunto foi pouco mencionado na maior parte dos trabalhos técnicos, até 2000, mas os relatórios atuais começam a dar o devido destaque ao aproveitamento da água de chuva, devido ao impacto ambiental positivo e ao surgimento de tecnologias adequadas de aproveitamento racional da água de chuva. Neste sentido, a EMOP vem buscando disseminar de modo rápido e eficaz o conhecimento dessa tecnologia social sustentável, bem como intensificar o processo de sua implementação. Desse modo, a empresa partiu para montagem e estruturação de projeto numa escola pública - CIEP- tipo compacto, cujo modelo, hoje implantado, permite a aplicação e multiplicação dessa importante tecnologia em, no mínimo, 200 outras escolas, simultaneamente. Os CIEPs, Centros Integrados de Educação Pública, são um projeto de Oscar Niemeyer, que foi realizado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de propiciar às crianças uma escola de horário integral, com ensino de boa qualidade, incluindo alimentação, assistência médico-odontológica, lazer, atividades culturais. Trata de uma escola ampla, bonita, funcional e 30% mais barata que um prédio escolar convencional, e que hoje tem o desafio de conciliar beleza, educação ambiental e tecnologia social sustentável.

4 CIEP Além de agregar tecnologias a prédios públicos, o projeto A2C colabora para instrumentalizar ações de aproveitamento da água de chuva, e, sobretudo, promover a transformação de hábitos/atitudes e os cenários existentes nas comunidades, por meio de melhoria das condições de saneamento ambiental e minimização dos problemas provenientes da água, proporcionando qualidade de vida saudável. A intenção é multiplicar o impacto de soluções eficazes, compartilhar o conhecimento contido nelas e ampliar os seus resultados para que excedam os limites de uma comunidade e possam, com o apoio de governos, se transformar em políticas públicas. A experiência do projeto possibilita não apenas traçar linhas de ação para construir uma consciência crítica, mas um diagnóstico com fins econômicos, sociais e ambientais. 3. Resultados e conclusões Há o reconhecimento de que existem boas medidas sócio-ambientais sendo aplicadas no Brasil. Contudo, nem sempre elas se mostram viáveis ou efetivas, devido a dificuldades comuns de planejamento, avaliação, captação e gestão de recursos. Na maioria das vezes atingem um grupo limitado de pessoas, subtraindo um grande contingente humano que poderia se beneficiar da mesma ação. A elaboração de projetos de A2C nos CIEPs possibilita atingir um grupo bastante significativo de pessoas do Estado do Rio de Janeiro, com baixo custo, uso prático, resultados inquestionáveis e aplicação também nas escolas convencionais.

5 É justamente a possibilidade de fazer diferença em grande escala, que distingue a idéia da EMOP em aplicar essa tecnologia nos demais CIEPs, o que demonstra o interesse por apresentar solução efetiva de transformação social e ambiental. A iniciativa tem como objetivo reduzir os impactos negativos e otimizar os seguintes impactos positivos: O aproveitamento da água de chuva em sanitários, reservas para incêndios, limpeza em geral e rega de jardins e hortas nas Escolas. Redução no volume de água tratada.utilizada. Economia de 30% nos gastos de água tratada no CIEP. Economia de 30% na conta de água e esgoto da Escola. Resultado : PROJETO PILOTO do CIEP, cujas características principais são: Nome: CIEP 225 Mário Quintana Nº de alunos: 1950, sendo nos turnos Manhã: 800, Tarde: 850, Noite: 300 Local: Campo Grande/RJ. Dimensionamento dos reservatórios: considerou-se o índice pluviométrico de 1200mm Armazenamento de água previsto: Litros/ mês Finalidade de uso da água de chuva: banheiros, limpeza de pátios, reserva de incêndio e rega de jardim (fins não potáveis) Economia de água prevista : 30% Economia financeira : 0,30 x R$9.000,00 = 2700,00/mês cada unidade de CIEP Custo estimado das obras : R$ ,00/ unidade/ CIEP Esta experiência está prevista ser aplicada em pelo menos 200 CIEPs. Portanto, será obtida uma economia significativa para o Estado : 2700,00/mês x200 CIEP = R$ ,00/mês X 12 meses = R$ ,00/ano. Gastos: ,00/ unidade x 200 CIEPs = R$ ,00 Ganhos efetivos : R$ ,00 - R$ ,00 = R$ ,00

6 Referências bibliográficas FIGUEIREDO,RICARDO B, Engenharia Social, soluções para área de risco, Makron Books. SP, 1995 GEIGER, W.F., DREISEITL, H., Neue Wege für das Regenwasser, Handbuch zum Rueckhalt und zur Versickerung von Regenwasser in Baugebieten, Oldenbourg, Deutscheland,1995 KONIG, KLAUS W., The rainwater tecnology handbook, rainharvesting in building,, Editora Wilo-Brain, Dortmund, Deutscheland, KOLB, Walter; SCHWARZ, T, Dach begrünung intensive und extensive, Verlag Eugen Ulmer,1999. TOMAZ, PLINIO. Aproveitamento da Água de Chuva para Áreas Urbanas e fins nãopotáveis, Editora Navegar, 2003

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