Índice. 1. Os desafios das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs)...3. Grupo Módulo 17

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1 GRUPO 7.3 MÓDULO 17

2 Índice 1. Os desafios das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs)...3 2

3 1. OS DESAFIOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (NTICS) Chamam-se Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs) as tecnologias e métodos para comunicar surgidas no contexto da Revolução Informacional, Revolução Telemática, ou terceira Revolução Industrial, desenvolvidas gradativamente desde a segunda metade da década de 1970 e, principalmente, nos anos A imensa maioria delas se caracteriza por agilizar, horizontalizar e tornar menos palpável (fisicamente manipulável) o conteúdo da comunicação, por meio da digitalização e da comunicação em redes (mediada ou não por computadores) para a captação, transmissão e distribuição das informações (texto, imagem estática, vídeo e som). São considerados exemplos de NTICs, entre outros: os computadores pessoais; as câmeras de vídeo e foto para computador ou webcams; a gravação doméstica de CDs e DVDs; os diversos suportes para guardar e portar dados como disquetes (com os tamanhos mais variados), discos rígidos, cartões de memória, pen drivers etc.; a telefonia móvel; acessos à Internet via tecnologia ADSL, cable modem etc.; TV por assinatura (a cabo ou por antena parabólica); correio eletrônico ( ) e listas de discussão; a Internet: web sites e home pages, quadros de discussão, streaming (fluxo contínuo de áudio e vídeo via Internet), podcasting (transmissão sob demanda de áudio e vídeo via Internet), enciclopédias colaborativas; as tecnologias digitais de captação e tratamento de imagens e sons: scanners, fotografia digital, vídeo digital, cinema digital, som digital, TV digital e rádio digital; as tecnologias de acesso remoto (sem fio ou wireless): wifi, bluetooth etc. É importante, no entanto, entendermos que as tecnologias não fazem sentido se não soubermos como utilizá-las. Seu uso precisa ser acompanhado da reflexão tanto sobre o próprio uso como também do uso num determinado contexto. Tecnologia é um conjunto de discursos, práticas, valores e efeitos sociais ligados a uma técnica particular num campo particular (Linard, citado por Belloni, 2008, p. 53). A educação sempre possuiu muitas mediações entre o conhecimento (representado pelo professor) e o aprendente: sala de aula, giz, lousa, livros, dentre outras ferramentas. Na EaD, a interação com o professor é indireta, portanto tem de ser mediatizada por uma combinação dos mais adequados suportes técnicos de comunicação. A socialização e a linguagem sempre mediaram a experiência humana, porém, a partir da modernidade, 3

4 observou-se um crescimento da mediação decorrente de mídias típicas de massa, como o impresso e depois os sinais eletrônicos. Nessa modalidade de ensino, a complexidade do processo ensinoaprendizagem acentua-se pela interação indireta entre professor e aluno no espaço (a distância, descontínua) e no tempo (comunicação diferida, não simultânea). Nas análises sobre educação a distância, a ênfase é destacada mais na descontinuidade e menos na não simultaneidade, porém as tecnologias possibilitam uma mediatização mais eficiente para o rompimento dos problemas gerados em função de diferentes espaços vivenciados no processo de ensino-aprendizagem pelo professor e pelo aluno. É necessário que também discutamos a não simultaneidade entendendoa como repleta de problemas bem mais difíceis de serem superados. A produção de um curso, de seus materiais, ou toda a preparação, planejamento, realização e distribuição destes podem afetar negativamente as condições de estudo e a motivação do estudante. Por exemplo, o tempo que me separa da escrita deste material até o momento em que o mesmo estiver em suas mãos e você o lendo é de meses. Quanto acontecerá? (Num tempo verbal meu ). Ou quanto aconteceu? (Num tempo verbal seu ). Como será (ou foi) a sua e também a minha vida neste período? E o mundo? Presenciará (ou presenciou) novas e/ou profundas mudanças? Pois é, o tempo dirá ou o tempo disse. Para o aluno, lidar com o espaço de estudo é mais tranquilo e mais autônomo, possibilitando-lhe inúmeras e diversas escolhas de onde e como estudar. O tempo, porém, pode cercear este aluno no que se refere a prazos de inscrição, avaliação etc., por exemplo. Vamos nos orientar agora para as fases na EaD quanto à intervenção tecnológica mediando o ensino-aprendizagem. É possível detectar três dessas fases: A primeira geração: exclusiva mente por correspondência escrita. A segunda geração: o ensino multimeio a distância, integrado pelo uso do impresso e pelos meios de comunicação audiovisuais (antena ou cassete) e, em certa medida, pelos computadores. A partir dos anos 1970, uma tendência do uso de materiais escritos complementados com meios audiovisuais de massa (rádio, TV) ou gravados (cassete de áudio ou vídeo). A terceira geração: a partir dos anos 1990, utilizando todos os meios anteriores mais os novos (programas interativos informatizados, redes telemáticas com banco de dados, , listas de discussão, sites, CD- ROMs didáticos, de divulgação científica, cultura geral, de infoentretenimento etc.). Destaquemos uma diferenciação necessária entre interação e interatividade. A interação é a relação entre dois sujeitos permeada pela intersubjetividade. Esta interação pode ser direta, numa conversa em espaço e tempo real, ou indireta, mediatizada por algum veículo técnico de comunicação. A interatividade refere-se à ação do sujeito com a máquina, sujeito este que recebe da mesma máquina uma retroação. Em outras situações, o termo interatividade é também utilizado para designar a potencialidade técnica oferecida por determinado meio. Um exemplo para ajudá-lo a entender melhor: em EaD pode haver interação indireta entre 4

5 professor e aluno, por meio de telefonema e/ou interatividade pelo uso que o estudante faz de um programa informativo. As NTICs oferecem possibilidades inéditas de interação mediatizada (professor/aluno; estudante/ estudante) e de interatividade com materiais de boa qualidade e grande variedade. As técnicas de interação mediatizada criadas pelas redes telemáticas ( , listas e grupos de discussão, Web sites etc.) apresentam grandes vantagens pois permitem combinar a flexibilidade da interação humana (com relação à fixidez dos programas informáticos, por mais interativos que sejam) com a independência no tempo e no espaço, sem por isso perder velocidade (Belloni, 2008, p. 50). O caráter de novas é dado mais pelo critério de uso dessas tecnologias do que pela própria novidade de suas existências. Se considerarmos as NTICs como ferramentas pedagógicas, é possível entendermos seu papel na educação. Porém, algumas precauções são necessárias: não devem ser utilizadas como modismo ; a informação que elas possibilitam é muito diferente do conhecimento (algo mais amplo e profundo ); as NTICs não podem ser consideradas como solução para todos os problemas da educação, ou seja, como um milagre. (...) saber mediatizar será uma das competências mais importantes e indispensáveis à concepção e realização de qualquer ação de EaD. De certa forma, ao preparar suas aulas e os materiais que vai utilizar, o professor mediatiza, embora o meio mais importante neste caso seja a linguagem verbal direta, o que significa que mediatizar o ensino não é uma competência totalmente nova. O que é novo é o grande elenco de mídias cada vez mais performantes disponíveis hoje no mercado e já sendo utilizadas por muitos dos aprendentes fora da escola, o que acarreta uma crescente exigência de qualidade técnica da parte dos estudantes (Belloni, 2008, p. 62). Agora é o momento de discutirmos um pouco mais sobre a mediatização, pois a mesma está no coração dos processos educacionais e, de modo particular, no ensino a distância. Mediatizar é codificar as mensagens pedagógicas, traduzindo-as sob diversas formas, segundo o meio técnico escolhido, respeitando as técnicas e particularidades do discurso analisado. De certa forma, é o que estou tentando fazer para você neste momento: codificando mensagens pedagógicas e traduzindo-as sob a forma escrita, respeitando as técnicas e particularidades do discurso de Maria Luiza Belloni, a partir também do meio escrito no seu livro Educação a distância. As TICs trazem grandes possibilidades de novas formas de mediatização, embora também acrescentem muita complexidade no ensino a distância, pois há grandes dificuldades na apropriação dessas técnicas para a produção própria no campo educacional. Sua utilização exige mudanças radicais nos modos de compreender o ensino e a didática. O uso de TICs em educação levanta numerosas questões. De um lado, as instituições educacionais não poderão mais fugir ao dilema da necessidade urgente de integrá-las, sob pena de perderem o bonde da história, 5

6 tornando-se obsoletas na sociedade. Por outro lado, a introdução dessas novas técnicas estabelece profundas mudanças nos modos de ensino e na própria concepção dos sistemas educativos, gerando uma nova ordem na cultura escolar. Cabe lembrar que as TICs não são mais relevantes ou eficazes do que as mídias tradicionais, embora seja preciso se lembrar de que essas técnicas não mostraram ainda todo seu potencial e eficiência pedagógica. Elas estão cada vez mais presentes na vida cotidiana fazendo parte do universo dos jovens e adultos. A estimativa de crescimento da tecnologia da informação prevê que os brasileiros terão acesso à informação pessoal em maior quantidade e em menor tempo. Há um novo espaço contemporâneo de convivências e de ações, o ciberespaço, termo originado da ficção científica que descreve e delimita o espaço virtual de comunicação e informação. Neste ciberespaço, cruzam e interagem seres virtuais, conhecimentos científicos e informações corriqueiras. Por exemplo, o uso de redes informáticas para operações bancárias ou o envio e recebimento de mensagens através de s são viagens no ciberespaço. Neste, jogos virtuais convivem com jogos ou atividades de trabalho ou estudos provenientes do mundo real. No entanto, é imprescindível a capacidade de manipulação e interpretação do que é ou não importante ou aproveitável, pois nem só de anjos está povoado o ciberespaço. Existe, então, uma nova cultura dada neste ciberespaço que é a cibercultura, capaz de nos apresentar uma nova estética que se liberta dos limites da representação simplesmente analógica do real e dá, literalmente, asas à imaginação do criador. Pensemos nas virtudes pedagógicas das NTICs sem ignorar a necessidade de integrá-las nas instituições educacionais, pois o contrário as tornaria ainda mais distantes do mundo social contemporâneo. Por outro lado, é necessário que ocorram profundas mudanças nos modos de ensinar e na própria concepção e organização dos sistemas educacionais. É importante compreender melhor as novas tecnologias para integrá-las à educação de modo a permitir que o aprendente se aproprie delas e não seja dominado por sua lógica. Os jovens já vivenciam a integração tecnológica às suas vidas e a educação pode aproveitar/valorizar este interesse para favorecer a aprendizagem. Pesquisas já revelam domínios cognitivos adquiridos pela geração cujas tecnologias fazem parte da sua nova cultura: representação do espaço, representação icônica, descoberta pela indução e pelo ensaio e erro, desenvolvimento da intuição quanto às relações espaço-temporais, constituição de comunidades virtuais, entre muitos outros. Porém, a cultura ensinante está cada vez mais afastada da cultura autônoma dos jovens. Evidentemente, tudo depende da pedagogia de base que inspira e orienta estas atividades: a inovação ocorre muito mais nas metodologias e estratégias de ensino do que no uso puro e simples de aparelhos eletrônicos. O uso destas TICs pode também ocorrer de forma mecânica, nada inovadora, interativa, mas não reflexiva, submetida a uma lógica de estímulo/ resposta, na qual o programa é quem conduz a ação ou a aprendizagem, como aliás acontece em geral nos jogos eletrônicos (Belloni, 2008, p. 73). O problema fundamental da educação é a formação de formadores, pois não se pode pensar em qualquer inovação educacional sem duas condições 6

7 prévias: a produção de conhecimento pedagógico e a formação de professores. Essa perspectiva exige uma reflexão de como interagir as TICs com a educação, formando professores criativos e críticos, bem como conceptores de materiais e aprendizagem aberta a distância. 7

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