UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E TEOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO JOÃO ENICELIO DA SILVA

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1 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E TEOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO JOÃO ENICELIO DA SILVA O Corredor da Fé: Expansão e Concentração Religiosa no Bairro do Brás, em São Paulo São Paulo 2014

2 JOÃO ENICELIO DA SILVA O Corredor da Fé: Expansão e Concentração Religiosa no Bairro do Brás, em São Paulo Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências da Religião. Área de concentração: Ciências Sociais e Religião. Orientador: Prof. Dr. João Baptista Borges Pereira São Paulo 2014

3 S586c Silva, João Enicelio da O corredor da fé: expansão e concentração religiosa no bairro do Brás, em São Paulo / João Enicelio da Silva f.: il. ; 30 cm Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, Orientador: Prof. Dr. João Baptista Borges Pereira Bibliografia: f Pentecostalismo 2. Antropologia urbana 3. Ciências da Religião 4. Bairro do Brás São Paulo I. Título LC BR B6

4 JOÃO ENICELIO DA SILVA O Corredor da Fé: Expansão e Concentração Religiosa no Bairro do Brás, em São Paulo Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências da Religião. Área de concentração: Ciências Sociais e Religião. Aprovada em: / /. BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. João Baptista Borges Pereira Orientador Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM Prof. Dr. Ricardo Bitun Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM Prof. Dr. José Guilherme Magnani Universidade de São Paulo USP

5 DEDICATÓRIA A Deus - Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas.(rm11.36a) A minha esposa Márcia Maria Alves

6 AGRADECIMENTOS Agradeço imensamente a Deus pela vida e pela oportunidade de ingressar na pesquisa acadêmica. Agradeço à Universidade Presbiteriana Mackenzie, e especialmente ao Fundo Mack Pesquisa, pelo incentivo de bolsa para pesquisa, e ao Prof. Dr. Rodrigo Franklin de Souza, na ocasião de ingresso, diretor do Programa de Pós-Graduação de Ciências da Religião. A Catarina Maria Costa, minha professora e orientadora da Academia, pessoa de uma bondade inestimável; palavras não são capazes de traduzir a minha gratidão ao lembrar que tudo começou com seu apoio e incentivo aos estudos. Ao Professor Dr. Ricardo Bitun, grande amigo, que me recebeu no Mackenzie, grande incentivador e apoiador, a minha imensa gratidão. Foram vários momentos valiosos que compartilhamos sobre a pesquisa, sempre atencioso e disposto a ajudar. Agradeço ao meu orientador, Professor Dr. João Baptista Borges, que, com sua imensa experiência no ramo da Antropologia, aceitou me apoiar nesta pesquisa, por ter me apresentado ao NAU (Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo), fato que contribuiu para a condução da pesquisa. Agradeço ao Prof. Dr. José Guilherme Magnani, que me recebeu na USP em suas aulas como aluno ouvinte, ao seu interesse e à sua disposição em percorrer um trecho do campo da pesquisa, também minha gratidão pelas ricas conversas. Agradeço a Jacqueline Moraes Teixeira, grande amiga, sempre prestativa, e a todos os membros do GERM-NAU-USP, que com muito carinho me receberam nas reuniões do grupo e com paciência compartilharam ideias sobre a pesquisa. Agradeço a minha família, que durante dois anos me incentivou e apoiou nesta etapa da minha vida, especialmente a minha esposa Márcia, pela paciência e compreensão por tantas horas de minha ausência em função da dedicação à pesquisa.

7 RESUMO SILVA, João Enicelio. O Corredor da Fé: Expansão e Concentração Religiosa no Bairro do Brás, em São Paulo. São Paulo, Dissertação (Mestrado). Programa de Pós- Graduação em Ciências da Religião. Universidade Presbiteriana Mackenzie. O presente trabalho visa mapear a concentração de diversas igrejas evangélicas pentecostais na avenida Celso Garcia, entre o número 01 e o número 1550, no bairro do Brás, em São Paulo, a partir das categorias antropológicas Pedaço; Mancha; Trajetos; Circuitos (MAGNANI, 2012). O modo de apresentação da cidade de São Paulo não está restrito apenas às ruas de comércio, aos locais de lazer, aos pontos turísticos e gastronômicos, aos locais de trabalho ou às áreas residenciais, mas se estende também à religião, especialmente a Evangélica Pentecostal, a qual hoje concentra um grande número de templos no bairro do Brás. A partir do mapeamento de noticiários em jornais regionais, de sites, de programas de rádio e televisivos e de visitas ao bairro é notável que nas avenidas Rangel-Pestana e Celso Garcia, especialmente no perímetro que compreende o bairro do Brás recorte que respeita o limite distrital oficial utilizado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo, concentra-se um grande número de igrejas, sobretudo evangélicas pentecostais, que movimentam uma rede de sociabilidade, tornando-se assim um objeto de estudo. Palavras-chave: Ciências da Religião, Antropologia Urbana, Pentecostalismo, Brás, avenidas Rangel Pestana - Celso Garcia.

8 ABSTRACT SILVA, João Enicelio. The Hall of Faith: Religious Expansion and Concentration in the Brás neighborhood, in São Paulo. Sao Paulo, P Dissertation (Master). Mackenzie Presbyterian University. This paper aims to study the concentration of various Pentecostal evangelical churches in Celso Garcia Avenue, between the number 01 and the number 1550, in the neighborhood of Brás, in São Paulo, from the anthropological categories "Piece; Mancha; paths; Circuits "(Magnani, 2012). The manner of presentation of the city of São Paulo is not restricted to the shopping streets, the places of leisure, to tourist and gastronomic points, to workplaces or to residential areas, but extends also to religion, especially the Evangelical Pentecostal, which today has a great number of temples in the neighborhood of Bras. From the mapping news in regional newspapers, websites, radio and television programs and visits to the neighborhood is notable that in Rangel-Pestana and Celso Garcia avenues, especially on the perimeter comprising the Brás neighborhood - cut regards the district official limit used by the City of São Paulo - concentrated a large number of churches, particularly Pentecostal evangelical, which handle a network of sociability, thus making it an object of study. Keywords: Religious Studies, Urban Anthropology, Pentecostalism, Brás, Rangel Pestana - Celso Garcia Avenues.

9 SUMÁRIO Índice de Mapas... 9 Índice dos Quadros Índice de Tabelas Índice de Fotos INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 - DESENHANDO O PROBLEMA DA PESQUISA A CONSTITUIÇÃO DE UMA MANCHA URBANA DAS AGÊNCIAS RELIGIOSAS COMO ESTRATÉGIA DE VISIBILIDADE RELIGIOSA AVENIDA RANGEL PESTANA-CELSO GARCIA CORREDOR DE VISIBILIDADE RELIGIOSA METODOLOGIA Capítulo 2 - Bairro do Brás: breve histórico MEMÓRIA E DEVOÇÃO CATÓLICA O CATOLICISMO DOS IMIGRANTES ITALIANOS DEVOÇÃO A CASALUCE: A SANTA NEGRA DOS NAPOLITANOS DEVOÇÃO A SÃO VITO MÁRTIR A PROCISSÃO DE NOSSA SENHORA DA PENHA: EXPRESSÃO DA RELIGIOSIDADE POPULAR NO BRÁS MAPAS DAS DENOMINAÇÕES RELIGIOSAS NO BRÁS E CORREDOR DA FÉ: UMA ABORDAGEM ESPACIAL As igrejas do distrito do Brás Igreja Católica Igrejas Protestantes Históricas Igrejas Pentecostais Centros Espíritas Outras (Sinagoga, Mesquita, Ortodoxa Grega) O Corredor da Fé CAPÍTULO 3 - O CINTURÃO PENTECOSTAL NA AV. RANGEL PESTANA- CELSO GARCIA O MOVIMENTO PENTECOSTAL E SEUS FUNDADORES AS TERMINOLOGIAS DO MOVIMENTO PENTECOSTAL DESCREVENDO A TOPOGRAFIA DA RELIGIÃO ATUAL NO CORREDOR DA FÉ Igreja Apostólica Essência de Deus Catedral Carismática das Nações Igreja Internacional do Poder da Fé Santuário Espiritualista de São Paulo Igreja Jesus Fonte de Vida IJFV... 73

10 3.3.6 Comunidade Cristã Amor e Graça CCAG Igreja Universal do Reino de Deus - IURD Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Brás Igreja Católica Paroquia São João Batista do Brás Templo de Salomão Bíblico Templo de Salomão (IURD) Ministério Mudança de Vida (MMV) Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus Catedral da Bênção (CB) Comunidade Missão dos Sinais de Deus CAPÍTULO 4 - ESTRATÉGIAS DE CHEGADA E PERMANÊNCIA NO CORREDOR DA FÉ A DETERIORAÇÃO DA AVENIDA RANGEL PESTANA CELSO GARCIA: REFLEXO DE UM BAIRRO ABANDONADO A CENTRALIDADE DO BAIRRO A EXPANSÃO E CONCENTRAÇÃO DA MANCHA RELIGIOSA NO CORREDOR DA FÉ A ESPACIALIDADE JUSTIFICADA PELO RETORNO AO ISRAEL MÍTICO O RÁDIO COMO MEIO DE PROPAGAÇÃO DAS MENSAGENS E CHAMADO AO LOCAL DO MILAGRE E AO LOCAL DE PODER FORTE Considerações finais Referências Bibliográficas Anexos ANEXO A ALGUNS RELATOS DE CAMPO ANEXO D FOTOS DAS DENOMINAÇÕES

11 9 Índice de Mapas Mapa 01: Denominações Religiosas no distrito do Brás e Eixo do Corredor da Fé...47 Mapa 02: Denominações Religiosas no Distrito do Brás e Denominações intituladas como Do Brás Mapa 03: Corredor da fé e suas igrejas satélites...60

12 10 Índice dos Quadros Quadro 1 Denominações Religiosas no distrito do Brás e Eixo do Corredor da Fé...47 Quadro 2 Denominações Religiosas no distrito do Brás e Intituladas como do Brás...51 Quadro 3 Corredor da fé Com extensão para além do perímetro do bairro do Brás...60 Quadro 4 Igrejas Satélites próximas ao corredor da Fé...62 Quadro 5 Denominações Religiosas x Emissoras de Rádio Quadro 6 Denominações Presentes no Corredor, no início da Pesquisa, em

13 11 Índice de Tabelas Tabela 01- Quantidade de denominações catalogadas segundo a orientação religiosa...50 Tabela 02- Quantidade de denominações no distrito do Brás de acordo com a orientação religiosa (incluindo igrejas fora do distrito, mas intituladas como "do Brás")...53 Tabela 03- Quantidade de igrejas protestantes históricas de acordo com a denominação...55 Tabela 04- Quantidade de igrejas no corredor da fé...62 Tabela 05 - Quantidade de igrejas satélites próximas ao corredor da fé...63

14 12 Índice de Fotos Foto 1 - Várzea do Carmo ano: Foto 2 Paróquia Bom Jesus de Matosinho...35 Foto 3 - Igreja de Nossa Senhora de Casaluce...38 Foto 4 - Paróquia São Vito Mártir...41

15 13 INTRODUÇÃO A sociedade paulista até meados do século XIX era configurada por uma população, que, em sua maioria, era oriunda das regiões rurais, orientados por um ethos de fé e devoção religiosa no seu dia a dia. A grande parte dos bairros constituídos hoje começou como chácaras e terrenos pouco atrativos, mas, com a chegada dos imigrantes e migrantes, esses locais foram sendo paulatinamente configurados com um misto de culturas e valores diferentes. O bairro do Brás se constituiu basicamente neste cenário, e teve na religiosidade de seus novos moradores um dos aspectos cruciais em suas mudanças e adaptações. Sabe-se que o Catolicismo marcou uma época e continua marcando a vida urbana do bairro, com festas e missas tradicionais constantes no calendário festivo do município. Nos dias atuais, o cenário católico cedeu espaço para as mudanças na vida religiosa do bairro, há milhares de pessoas as quais diariamente se deslocam de várias regiões da capital paulista, e até mesmo de outras cidades e de outros estados, para lá estar, em busca de vida melhor, de cura, de libertação e de solução sentimental e financeira. Tais pessoas vêm ao Brás principalmente para participar das reuniões nas igrejas evangélicas pentecostais. As avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia, principais vias de acesso a entrada e saída do bairro do Brás, tradicionais pelo seu corredor de ligação entre o centro e a zona leste da cidade, compreendem uma extensão aproximada de 8 km, com início no bairro do Brás e término na rua Coronel Rodovalho, no bairro do Tatuapé. Para além de sua vocação comercial e do corredor de ligação centro-leste, essas avenidas foram eleitas por agentes da religião como um corredor de visibilidade religiosa, local de concentração da fé, o qual, desde o Brasil ainda colônia, servira de passagem às romarias entre a igreja matriz da Sé e a igreja de Nossa Senhora da Penha, esta última fundada em Torres (1985), ao citar o historiador Leonardo Arroyo, em sua obra sobre as igrejas de São Paulo, intitulou o então conhecido corredor de ligação centro-leste, as avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia, de avenidas religiosas. Essas avenidas possuem aproximadamente vinte e quatro igrejas denominadas evangélicas pentecostais, uma igreja católica e um templo de religião afrodescendente, ao longo de sua extensão aproximada de oito quilômetros (a localização e o número exato de templos não podem ser definitivos, pois há uma constante entrada e saída de denominações).

16 14 Com base nesse contexto, esta pesquisa visa mapear a presença religiosa no trecho das avenidas Rangel Pestana Celso Garcia, partindo do número 1421, onde se localiza a igreja Bom Jesus do Brás, até o número 1550, que compreende o perímetro que pertence ao bairro do Brás, trecho onde é notável a concentração de um grande número de templos, sobretudo evangélicos pentecostais, que são, de alguma forma, o foco principal deste trabalho. São Paulo, nos dias atuais, segue várias lógicas de organização em sua vida urbana, que passam despercebidas aos olhos de muitos citadinos e transeuntes; o comércio, as áreas de lazer, as moradias, as etnias e a religião estão organizados em ruas, avenidas, praças, viadutos e até mesmo em bairros inteiros. Essa atualidade pode ser compreendida em um passado não tão distante, notável inicialmente nas explicações simplistas de historiadores, geógrafos e jornalistas. Pontes e Mesquita (2004, p. 18), ao observarem a aglutinação de armazéns e de atacadistas próximos ao terminal de cargas no bairro do Pari, no final do século XIX, atribuem ao ocorrido o termo concentração. Já Moura (1943, p.94), na tentativa de temporizar, entendeu que a concentração de lojas e de pessoas na capital teve início na região chamada Triângulo, formada pelas ruas 15 de Novembro, Direita e São Bento, o que constituía a tradição máxima de São Paulo no final do século XIX e início do século XX. AB SABER (2004, p.152) utilizou o termo reaglutinização setorizada para designar as concentrações de comércio temático em São Paulo. Já as concentrações étnicas, a exemplo dos bairros da Liberdade, de Higienópolis e outros, na concepção de ALESSANDRINI (2004, p.352), representam um fator de intimidade e segurança em meio às vicissitudes da vida urbana. Na cidade de São Paulo são mais de 50 ruas temáticas, ou de comércio especializado, como relatado em São Paulo (2014, p.1). As explicações de historiadores, geógrafos e jornalistas a respeito das diversas lógicas em que está organizada a cidade de São Paulo, até determinado ponto, são bem interessantes, mas por certo não abrangem todos os aspectos sociais. Oliven (1995, p.19) destaca: Para compreender os processos que ocorrem no meio urbano é necessário examinar o pensamento de cientistas sociais a respeito da cidade e das consequências da vida urbana sobre seus habitantes. Assim, esta pesquisa pretende estabelecer um diálogo teórico com as perspectivas analíticas desenvolvidas pela Antropologia Urbana.

17 15 Ao estudar o contexto urbano paulistano, Magnani (1996) formulou em seus expressivos estudos algumas categorias analíticas para designar as diversas concentrações temáticas presentes na cidade. Dentre elas, uma chama atenção e emerge como essencial para o desenvolvimento dos argumentos apresentados aqui, as intituladas manchas, que, em sua concepção, são: [...] áreas contíguas do espaço urbano dotadas de equipamentos que marcam seus limites e visibilizam cada qual com sua especificidade, competindo ou complementando uma atividade prática ou predominante. [...] Mancha, contudo, não se restringe ao lazer: as lojas de tecidos e malhas, assim com as de aviamento e produtos de couro no Brás, por exemplo, procuradas por atacadistas e varejistas sustentam uma intrincada rede de sociabilidade que vai além da mera compra de produtos. [...] A mancha, ao contrário sempre aglutinada em torno de um ou mais estabelecimentos apresenta uma implantação mais estável tanto na paisagem como no imaginário. As atividades que oferece e as práticas que propicia são o resultado de uma multiplicidade de relações entre seus equipamentos, edificações e vias de acesso o que garante uma maior continuidade, transformando-a, assim, em ponto de referência físico, visível e público para um número mais amplo de usuários. (MAGNANI, 1996) Magnani é claro em suas explicações quanto aos sentidos da mancha ; entende que cada mancha exerce uma função, porém, tais funções não são definidoras das relações e das interações sociais ali existentes, pois as manchas sustentam uma intrincada rede de sociabilidade o que faz com que seus sentidos sejam sempre plurais. O que a pesquisa pretende demonstrar é a descrição de uma mancha de templos religiosos, sobretudo pentecostais, nas principais avenidas que ligam o centro da cidade à zona leste da capital paulista. O presente trabalho, dentro da temática da religião, descreve a presença evangélica pentecostal nas avenidas Rangel-Pestana e Celso Garcia, especialmente no perímetro do bairro do Brás. É possível considerar que o que permite a presença de tantas igrejas evangélicas pentecostais na avenida Celso Garcia seja sua localização geográfica e a junção de importantes equipamentos urbanos num mesmo território; dentre eles, vale destacar o corredor de ligação centro-leste, contemplado por diversas linhas de ônibus que ligam a zona leste de São Paulo ao centro e a outros bairros, além de a avenida também possuir acesso facilitado pela malha ferroviária e metroviária. Além da facilidade de transporte para acesso à região, vale destacar que o trecho objeto deste estudo está inserido em um bairro tradicional de forte característica comercial, o Brás. Outra hipótese apontada é a deterioração dos

18 16 imóveis, o que facilita seus aluguéis e sua compra; esse argumento também vem sendo reavaliado na medida em que o bairro passa a ser alvo do mercado e da especulação imobiliária, algo que se intensifica com a construção do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Assim, o objetivo fundamental desta pesquisa é mapear o fenômeno que fez com que várias denominações religiosas optassem por se instalarem nas avenidas Rangel Pestana - Celso Garcia, no bairro do Brás, em São Paulo, bem como compreender as lógicas de funcionamento e as relações de troca e sociabilidade que permeiam esse corredor de visibilidade da fé.

19 17 1. CAPÍTULO 1 - DESENHANDO O PROBLEMA DA PESQUISA O mapeamento e descrição do corredor de visibilidade da fé formado nas avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia no Brás exigiu um período intenso de incursões etnográficasom o intuito de demonstrar um pouco desse processo, apresento trechos de um relato de campo. Apesar de ser inverno, é um final de tarde ensolarado do dia 31 de julho de 2014, momento em que estou na avenida Celso Garcia, um dos eixos de ligação centro-leste, na capital paulista. A migração pendular é intensa, percebe-se que são muitos os comentários em bares, lojas, bancas de jornal e pontos de ônibus, não se fala noutra coisa, a não ser no valor gasto na edificação da nova obra da Igreja Universal do Reino de Deus, o Templo de Salomão, localizado no número 605 da avenida Celso Garcia, no bairro do Brás. Foram 680 milhões, diz o gerente de um bar onde paro para tomar um cafezinho. Vocês viram nos jornais?, continua ele. Aí tem de tudo, heliporto, piscina, restaurantes, estacionamento para ônibus e até esteira para levar dízimo para o cofre, a iluminação e o som são importados, aí tem grana preta, tudo é de primeira. Logo mais à frente, nas proximidades de outra denominação religiosa, encontro um grupo de amigos reunidos em uma loja de equipamentos de som; estão ansiosos aguardando pelo horário da cerimônia de inauguração, apesar de saberem que não poderão entrar no local por se tratar de um evento exclusivo para convidados da alta sociedade paulistana e para políticos do cenário nacional, dentre eles, a Presidente Dilma Rousseff, o Governador Geraldo Alckmin e o Prefeito Fernando Haddad. Mesmo assim, há uma expectativa de acompanhar o evento pelos telões que estão instalados no pátio frontal. Os comentários desses amigos na loja não são diferentes de tantos outros por onde circulei nesse dia. Nas conversas surgem acréscimos a respeito dos detalhes da obra e sobre a vida do bispo Macedo, mas volta e meia vêm à tona aspectos a respeito dos valores gastos na construção. Enfim, chega o momento da cerimônia, dirijo-me para a porta frontal do templo. Ao chegar ao local, deparo-me com um forte esquema de segurança, polícia militar, civil e seguranças particulares, um cordão humano formado por jovens da força universal, isolando os portões frontais e o acesso à via na calçada do outro lado da rua; por trás desse cordão, multidões de curiosos, jornalistas, fotógrafos, idosos, jovens e pais com seus filhos.

20 18 Com muito custo, consigo um lugar na calçada da Igreja Católica de São João Batista, que está bem em frente ao Templo de Salomão. Há uma grande expectativa para a abertura dos portões, quando, ao escurecer, começa uma projeção mapeada de símbolos do Judaísmo bíblico. Observam-se nas paredes frontais do templo, em uma grande tela, imagens de pedras representativas das 12 tribos de Israel. Outros símbolos também são projetados, como as menorahs e a arca. No momento em que termina a projeção, seis homens vestidos com trajes supostamente do Judaísmo, todos de branco, transportam uma réplica da Arca da Aliança 1, do antigo templo (sede da avenida Celso Garcia, 499) para o Templo de Salomão; no percurso, está estendido um tapete vermelho, e, na chegada, há um corredor humano no pátio interno do templo. A arca está coberta por um manto, o qual é retirado na entrada do templo por outros quatros homens. E, ao som de trombetas, a arca adentra o local. A reunião segue a portas fechadas. Depois de alguns minutos, a projeção mapeada retorna, agora com a história de vários personagens bíblicos, partindo de Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e outros, até chegar à breve história do surgimento da Igreja Universal do Reino de Deus, terminando-se a apresentação com dados sobre a construção do Templo de Salomão. A projeção termina, mas a reunião segue, mais uma vez, a portas fechadas. Olho ao redor, e percebo que o tempo sagrado na avenida não para; em outras denominações, outras reuniões acontecem, basta olhar à frente, do outro lado da calçada. Lá está a Paróquia São João Batista do Brás; ao seu lado, a Igreja Assembleia de Deus do Brás; logo atrás do Templo de Salomão, a Igreja Evangélica Brasileira; e, na lateral esquerda, a Igreja Assembleia de Deus La Roca; a 100 metros aproximados do Templo de Salomão (IURD), veem-se o Ministério Mudança de Vida, a Igreja Plenitude do Trono de Deus, a Universal do Reino de Deus e a Igreja Ortodoxa Grega 2. Os relatos sobre a presença religiosa no bairro do Brás acompanham as histórias sobre sua fundação que, como ocorreu com a maioria dos bairros tradicionais da cidade, deu-se em torno da Capela do Bom Jesus de Matosinho, com suas procissões, romarias e missas, que marcaram um período na hegemonia do Catolicismo. As transformações na região ocorreram, 1 A Arca da Aliança: trata-se de uma mobília do antigo culto judaico, responsável por armazenar a tábua dos dez mandamentos, a vara de Arão e o Maná, elementos descritos no texto bíblico veterotestamentário. 2 Relato referente à pesquisa de campo realizada em 31/07/2014, em decorrência da inauguração do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus.

21 19 a princípio, com a chegada de imigrantes europeus no final do século XIX, os quais erigiram edificações de novas igrejas, afinadas com suas devoções de origem. Partindo desse histórico que remete a presença católica na formação das cidades e dos bairros importantes, é possível aferir que, nas políticas de fundamentação das cidades, a presença religiosa, e, nesse caso, a construção de uma capela, era visto como um importante equipamento urbano. As paróquias serviam não apenas como espaço religioso, mas também como espaço de sociabilidade, de reuniões que se davam para além do espaço privado ocupado pela família. É nesse sentido que o espaço religioso emerge como equipamento urbano e a garantia de uma forma de religiosidade como meio facilitador da vida nas cidades. Em São Paulo, mesmo com o avanço de políticas de formação da metrópole e com o aumento considerável de equipamentos urbanos (praças, áreas de lazer, de cultura, transporte, etc.), pode-se afirmar que os espaços religiosos continuam atuando com espaços importantes de sociabilidade e de vivência na cidade. Tal consideração baseia-se na imensa profusão de templos e denominações religiosas que a cidade abriga e na necessidade de se constituir um espaço de visibilidade para as religiões. Assim, a problemática da pesquisa envolve a seguinte questão: dentro do tema da religião, a concentração de diversas denominações, sobretudo evangélicas pentecostais, estabelecidas nas avenidas Rangel Pestana-Celso Garcia, do seu início até o número 1550, perímetro do bairro do Brás, na cidade de São Paulo, segue a mesma lógica com que se organizam o comércio, o lazer e outras redes de sociabilidade nessa capital? Para tentar responder tais proposições, duas hipóteses centrais são aqui desenvolvidas: primeiramente, a descrição empírica de uma mancha religiosa constituída na rede de relações da região do Brás, e, em segundo, a concentração de diversas denominações religiosas, sobretudo pentecostais, o que nos remete a uma teia de estratégias relacionada à visibilidade religiosa.

22 A constituição de uma mancha urbana das agências religiosas como estratégia de visibilidade religiosa Como dito anteriormente, a partir de várias caminhadas pelo bairro do Brás, identificando as denominações religiosas, conversando com fiéis, moradores da região, transeuntes e frequentadores, chamou-me atenção a concentração de diversas denominações religiosas nas avenidas Rangel Pestana-Celso Garcia, especialmente no perímetro do bairro do Brás. Depois desse processo de reconhecimento de campo e de imersão, que durou aproximadamente dois anos, não somente dialogando com os interlocutores, como também assistindo às reuniões das denominações, pareceu-me importante não me ater à análise dos conteúdos referentes às práticas religiosas, mas apenas pensar nos percursos pelos quais tais denominações passam, e, principalmente, pensar no fato de os líderes religiosos se encontrarem no bairro do Brás, e, consequentemente, instalarem lá as sedes de seus ministérios, num território onde a IURD há muito tempo se instalou; ainda, pareceu relevante pensar por que pessoas de diversas regiões da metrópole deslocam-se em direção a essa região. Uma das hipóteses para esta pesquisa é se a chegada e a saída de tantas denominações religiosas implicam na presença de uma mancha religiosa. A categoria mancha faz parte de um conjunto de categorias antropológicas desenvolvidas por Magnani (1996 e 2012), as quais foram inicialmente utilizadas em função da necessidade de se analisar determinado conjunto de atividades no contexto urbano a partir dos anos de Dentre essas categorias, destacam-se: Pedaço: espaço ou segmento dele, demarcado; torna-se referência para distinguir determinado grupo de frequentadores como pertencentes a uma rede de relações. Mancha: pode ser compreendida por áreas contíguas do espaço urbano dotadas de equipamentos que marcam seus limites e os viabilizam, cada qual com sua especificidade, competindo ou complementando uma atividade ou prática dominante. Trajetos: aplica-se a fluxos recorrentes no espaço mais abrangente da cidade e no interior das manchas urbanas.

23 21 Circuito: categoria que descreve o exercício de uma prática ou a oferta de determinado serviço em estabelecimentos, equipamentos e espaços que não mantêm entre si uma relação de contiguidade espacial, sendo reconhecido em seu conjunto pelos usuários. Dado o número expressivo de denominações, mesmo no recorte das Avenidas Rangel Pestana-Celso Garcia, determinado como locus da pesquisa, escolhi aleatoriamente algumas dessas denominações para assistir às reuniões ali realizadas, na tentativa de melhor compreender a formação da mancha em questão. A região do Brás é marcadamente comercial, o que não implica nas atividades da maioria das denominações religiosas no local; porém, o funcionamento intenso destas se dá entre a sexta-feira e o domingo, com reuniões sobre exorcismo, prosperidade financeira, vida sentimental, saúde física e espiritual. Para entender as características da mancha, descrevi alguns aspectos gerais das denominações, as falas de entrevistados e as participações em reuniões. A Igreja de Bom Jesus do Brás, parte integrante da memória paulistana, vive na atualidade um período de ausência de membros oficiais. Eunice, a secretária geral, relatoume detalhes de como o número de fiéis ficou reduzido nas missas; enquanto converso com ela, chegam aqui e ali pessoas que entram e saem da igreja. A loja de produtos religiosos pouco movimentada é uma nova face do Catolicismo no país, que se reflete no bairro. Já a Comunidade Essência de Deus, denominada Católica Carismática, instalada em um espaço menor, num piso superior de uma loja, no Largo da Concórdia /avenida Rangel Pestana, apresenta um número expressivo de membros. Notável o estilo de suas práticas litúrgicas, acompanhado por músicas e símbolos predominantemente pentecostais, como a presença no púlpito da arca da aliança e da cruz. Pessoas mencionam que escutam o rádio, e, incentivadas pela facilidade de acesso ao local, pela existência de meios de transportes, vêm em busca do milagre na gruta de Nossa Senhora da Rosa Mística, instalada na parte que dá saída para a rua do Gasômetro; o agendamento para consultas espirituais é feito antes e depois da missa. Nessa denominação, o meu contato foi apenas com fiéis e com alguns funcionários, pois não obtive chance de contato com a liderança. Prosseguindo na avenida, em direção leste, sempre esteve de portas abertas a Igreja Catedral Carismática das Nações. O líder dessa igreja me recebeu, e contou detalhes sobre a sua origem evangélica e o seu trabalho atual carismático, além de ter falado sobre a aquisição do imóvel onde está instalada a igreja. Questionei esse líder a respeito da presença de elementos simbólicos do Pentecostalismo e do Catolicismo, e sobre a confissão religiosa do

24 22 público que circula pelo espaço, e ele respondeu: Deus vem pra todos, católicos, evangélicos, espíritas. Visitei o Santuário dos Santos Anjos, conversei com alguns diáconos, porém não obtive informações adicionais da denominação além daquelas que estão no seu portal de internet. Na Igreja Internacional da Fé, consegui contato com a liderança, que justificou a espacialidade do seu templo com a centralidade do bairro. Os membros dessa igreja são de vários bairros da capital, e chegam até lá trazidos pelas divulgações feitas no rádio. Na Comunidade Amor e Graça, tive três interlocutores, sendo uma senhora, um rapaz, ambos fiéis, e o líder da denominação, o qual, em sua fala, sempre incluía a justificativa do espaço. O líder contou que já tinha sido membro de uma outra denominação na região e, por causa da centralidade, marcada pela facilidade dos meios de transporte, optou por ficar no bairro e expandir a igreja para outras regiões. Os membros contaram-me sobre o estilo de trabalho da denominação, alinhada aos textos do Novo Testamento, especialmente as cartas do Apóstolo São Paulo. A principal diretriz da denominação é o viver uma prática longe do Israel mítico, baseando-se no Velho Testamento. Conta o rapaz: Antes, eu era da lei, agora eu sou da graça, fazendo alusão a uma outra denominação, que também trabalha em suas práticas litúrgicas elementos do Velho Testamento, ou a lei. O templo da IURD na avenida Celso Garcia, juntamente com o Templo de Salomão (IURD), movimenta toda uma rede de sociabilidade, envolvendo lojas de produtos, restaurante e café próprios, além de escolas e espaços para jovens e imigrantes. Nas proximidades, há também lojas de roupas, as quais foram abertas com as instruções dos bispos ou pertencem a membros da IURD. Na Igreja Assembleia de Deus, assisti a diversos cultos e escutei a programas de rádio e TV na tentativa de identificar trajetos e circuitos envolvendo essa denominação. Apenas se identificou uma rede de relacionamento em torno de um estabelecimento de equipamentos de som nas proximidades, que se reúne às terças-feiras, em cultos que têm a presença de pastores de diversas regiões; estes, por sua vez, encontram-se na loja para comprar ou trocar seus aparelhos de som; ali e acolá surgem conversas sobre o trabalho da igreja ou sobre o futuro do Evangelho. Os testemunhos e os programas televisivos movimentam uma rede de pessoas que vêm aos cultos da bispa, no Ministério Mudança de Vida. Um dos pastores contou que a escolha

25 23 pelo bairro para a sede da denominação levou em conta a centralidade e a facilidade de estacionamento. Na Plenitude do Trono de Deus, assisti a reuniões de exorcismo e a campanhas da prosperidade, mas não consegui falar com a liderança dos membros; falei com frequentadores, pessoas que são de outras denominações, mas vão àquela igreja em busca da bênção e da troca de experiências, e lá ouvem testemunhos, fazem campanhas e esperam por um milagre. Na Catedral da Bênção, consegui contato com o pastor auxiliar, o qual contou que, no passado, a adesão à igreja foi conquistada por meio de divulgação no rádio. Hoje, o modus operandi mudou: as famílias vêm para essa igreja através da evangelização. A escolha da espacialidade ocorreu há muitos anos, quando se decidiu pelo local devido à sua proximidade do centro da cidade. Na Igreja Missão dos Sinais de Deus, frequentada por pessoas de diversas regiões e confissões da capital, as propostas escutadas no rádio logo trazem fiéis para o espaço de culto, os quais são de diversas denominações; as relações entre eles ocorrem pela identificação com o milagre. Nos cultos, conversa-se sobre de onde o fiel veio, com que ele trabalha e qual a bênção recebida por ele. A partir dos conceitos de Magnani (1996 e 2012), é possível pensar que a mancha religiosa localizada no trecho da avenida Rangel Pestana Celso Garcia, perímetro do bairro do Brás, está ligado a trajetos e circuitos que vão além do espaço do bairro. Nessa dialética de circuitos e trajetos, a dinâmica da mancha religiosa se dá de forma intensa. A maioria dos frequentadores vem de bairros distantes da cidade, localizados nas extremidades da zona leste; muitos dos entrevistados trabalham na região, outros acessam informações referentes à programação das igrejas por meio de programas de rádio, que ainda emerge como veículo importante de comunicação. A lógica dos trajetos tem por regra a busca por uma resposta a necessidades individuais dos frequentadores, que organizam suas incursões nas igrejas mediante o calendário de campanhas oferecidas. O calendário de campanhas temáticas conforma um circuito de práticas religiosas que extrapolam os limites geográficos do bairro do Brás, fazendo com que o contingente de frequentadores circule por outras regiões da cidade, como a rua Conde de Sarzedas, na região central, e em bairros considerados importantes centros regionais, como o bairro de Santo Amaro, que funciona como centro expandido para a zona sul, e o bairro de Vila Nova Cachoeirinha, centro expandido da zona norte.

26 Avenida Rangel Pestana-Celso Garcia Corredor de Visibilidade Religiosa As avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia, nos últimos anos, foram eleitas por agências de jornalismo e por agentes da religião como um corredor de visibilidade religiosa, local de concentração da fé. Várias reportagens foram veiculadas em diversos meios de comunicação a esse respeito, e até mesmo sobre o bairro do Brás como cenário da religiosidade. Tais exposições ocorreram ultimamente por conta da inauguração do Templo de Salomão (IURD), ocorrida no ano de 2006, quando também foi inaugurada a Igreja Assembleia de Deus do Ministério do Brás. Em todas as reportagens, há uma tentativa de atribuir termos relacionados à quantidade de denominações religiosas, tanto presentes na avenida como no bairro. Dentre os termos atribuídos: corredor da fé 3 ; via da oração 4, o bairro da fé 5 e o cinturão religioso do Brás. 6 Pereira (2010) sugere que a espacialidade das denominações, sutilmente, tenha uma relação entre economia e religião. Almeida (2004) analisou os locais de culto no contexto urbano paulista, especialmente as vias principais da zona leste da capital, e concluiu que as diferentes confissões não seguem a mesma dinâmica espacial, por exemplo, a visibilidade das paróquias católicas ocorre no interior dos bairros, onde estas estabelecem uma certa centralidade, servindo como referência de localização. 3 AMENDOLA, Gilberto. Celso Garcia, a avenida da fé. Jornal da Tarde. São Paulo, p set CORREA, VANESSA. Folha de São Paulo Disponível em: Acesso em: 20 set BRÁS, Jornal Do Disponível em: <http://www.jorbras.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=2820&itemid=2.> Acesso em: 20 set IDOETA, Paula Adamo; SENRA, Ricardo. Templo evangélico reforça caldeirão religioso no leste de São Paulo. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/08/140801_bras_vale_religioes_pai.shtml#dn a-comments>. Acesso em: 01 ago

27 25 Os templos da Assembleia de Deus, diferentemente dos católicos, encontram-se nas vias principais dos bairros periféricos. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) avalia o espaço geográfico e instala seus templos nas grandes avenidas, dotadas de grande densidade populacional, atendidas por uma vasta malha de transporte e com grande oferta de equipamentos urbanos. A visibilidade como meio de promoção da imagem e da adesão em massa foi amplamente explorada por Corten, Dozon & Oro (2003); Almeida (2004);, Oro (2006); Constins e Gomes (2007); Gomes (2008); Almeida (2011); Gomes (2011); Mafra (2011); Giumbeli (2012) e Bledsoe (2012). [...] Essa estratégia, a construção de suas grandes catedrais, visa dois objetivos, visibilidade e adesão em massa; esse tipo de construção imponente nas vias principais é uma estratégia de visibilidade e marketing que se articula com a presença na mídia e na esfera política visto que para sua efetivação as igrejas evangélicas necessitam de trâmites burocráticos nas administrações municipais; a intenção é parecer maior do que realmente é. (ALMEIDA, 2004, p. 23) A teoria de Almeida (2004) quanto à visibilidade e à adesão em massa é confirmada com o Templo de Salomão IURD, na avenida Celso Garcia. O edifício tornou-se um marco na cidade, milhares de pessoas vão às suas reuniões. Com a implantação de suas catedrais e seus megatemplos, a IURD consegue o feito também em outras cidades onde se instalou nos últimos anos. Outras denominações presentes na avenida Rangel Pestana-Celso Garcia, mesmo com templos menores, buscam essa visibilidade e adesão instalando as suas sedes administrativas nesse espaço. Ser visto na cidade, arrebanhar multidões aos seus templos são uma boa hipótese por que tantos líderes religiosos buscam o bairro do Brás, em São Paulo, em especial as avenidas Rangel Pestana-Celso Garcia. Para isso, não se medem esforços, e apelos são feitos na TV, no rádio e em diversos outros meios de publicidade. O processo de visibilidade e adesão em massa inicia-se através de planejamento de marketing e de mercado a respeito de consumidores de possíveis bens simbólicos. Não me aprofundarei nessa relação que possivelmente resultaria em uma análise chamada por alguns pesquisadores de religião e mercado.

28 Metodologia A metodologia empregada neste trabalho inicialmente foi de análise de conteúdo bibliográfico, especializada nos campos da religião, da história, da sociologia e, predominantemente, da antropologia urbana, o que permitiu construir um panorama da religiosidade do bairro e das avenidas Rangel-Pestana - Celso Garcia a partir da leitura de diferentes cientistas da religião (historiadores, sociólogos e antropólogos). Pretende-se, dessa maneira, viabilizar uma escrita pontilhada de referências. Para tanto, foram utilizadas as fontes depositadas nas bibliotecas da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, bem como as fontes do Arquivo Histórico do município de São Paulo. Em segundo momento, utilizou-se o método etnográfico, tendo sido feitas visitas às igrejas e a eventos nas denominações das avenidas Rangel-Pestana - Celso Garcia, além de anotações, mapas e fotografias de algumas paisagens, as quais farão parte do material a ser apresentado nesta pesquisa. Na medida do possível, à semelhança do que ocorrera com Silva (2000), foram utilizadas entrevistas informais, visto que os participantes declinavam quando apresentávamos questionários pré-estabelecidos. Percebido esse pormenor, abandonamos o processo formal e adotamos em todas as entrevistas a informalidade, procedimento que resultou na fluidez da pesquisa. As entrevistas e os questionamentos, mesmo que informais, quando aplicados às lideranças das denominações, procuraram seguir um roteiro que envolvia as seguintes questões: a) identificação do pesquisado, b) nome da denominação à qual pertence, c) relato histórico da denominação, d) quanto tempo está no Brás, e) o que lhe motivou escolher o bairro ou, em especial, o corredor Rangel-Celso Garcia, f) estar no Brás tem algum diferencial ou significado para você?, g) caso seja necessária a mudança, qual bairro da capital escolheria?, h) a denominação desenvolve algum trabalho social?. Essas questões nos guiaram diante de uma parcela representativa do número de líderes evangélicos pentecostais presentes no campo pesquisado. Outras questões nos guiaram quando as entrevistas foram realizadas com antigos moradores da região, com lideranças de associações, com comerciantes, com jornalistas e com

29 27 outras pessoas da região. Buscou-se saber destes sua identidade, sua pertença religiosa, o local de sua residência, se frequentam as denominações no bairro do Brás e qual sua opinião sobre a existência de tantas denominações no espaço do bairro, em especial, no corredor Rangel Pestana Celso Garcia. Os dados foram analisados a partir da teoria e das categorias analíticas mancha, trajeto e circuito, elaboradas e adotadas por Magnani (2012), em seus mais expressivos estudos. Tanto o método de análise de conteúdo como a etnografia resultaram no corpo documental da pesquisa. As caminhadas e participações nas reuniões das denominações, durante a pesquisa, sempre ocorreram no sentido centro leste, e foram feitas em dias diferentes da semana com intenção de se assistir às diversas temáticas propostas pelas reuniões, o que permitiu traçar alguns aspectos gerais das denominações que visualizei em campo. A pesquisa propôs uma abordagem antropológica, não utilizando de nenhum método invasivo; a relação se baseou na confiança mútua entre o pesquisador e o pesquisado. Os dados colhidos através dos informantes mantiveram o seu anonimato (exceto aqueles cujos informantes aceitaram a exposição), sendo as citações somente de forma indireta; contudo, todo pesquisado foi conscientizado de que faria parte de uma pesquisa no campo da Ciência da Religião e que, caso desejasse, sua identidade seria mantida em completo anonimato.

30 28 2. Capítulo 2 - Bairro do Brás: breve histórico O Brás tinha rezas e blasfêmias. Da mistura equilibrada desses dois ingredientes, o espiritual e o profano, eram feitas as delicadezas e as grossuras do bairro. (DIAFERIA, 2002, p.40) Brás, tradicional bairro da capital paulistana, pertence à Subprefeitura da Mooca, sendo suas principais vias de acesso as avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia, a qual liga o centro de São Paulo aos bairros da zona leste. Nos dias atuais, o Brás é conhecido por suas características de comércio popular. Com grande variedade de lojas e distribuidoras, em vários segmentos, concentradas em suas principais ruas e arredores, esse bairro abastece diversos tipos de comércio de outras regiões do Brasil, e até mesmo de fora do país. É notável que essa vocação comercial faça do bairro um importante polo econômico para o estado. A diversidade de produtos e serviços presentes em suas principais ruas e avenidas atrai diariamente centenas de visitantes e turistas de todo o país e até mesmo de outras partes do mundo. Aquilo que se vê hoje no bairro do Brás teve início nos primórdios do século XX, e está vinculado aos movimentos de ocupação urbana na capital paulista. (BIANCO, 2008, p.42). No início da sua fundação, a localização do bairro, próxima ao rio Tamanduateí, dificultava o acesso aos moradores, pois as características topográficas e ambientais da várzea do Carmo geravam desconforto aos possíveis interessados em adquirir lotes de terras naquela localidade; era uma região marcada por capoeiras e por matagais. (TORRES, 1985, p. 64) Diaferia (2002, p. 35) nos faz lembrar que, no passado, o bairro tinha um visual diferenciado de outros bairros de São Paulo; como o acesso a ele era difícil devido à várzea e ao rio Tamanduateí, possuía poucos moradores, o que lhe dava aspecto de sítio. (Foto 1) Foto 1 - Várzea do Carmo ano: 1860

31 29 Fonte: Acervo fotográfico do Museu da Cidade de São Paulo - Tombo: DC/ /E Nos primórdios do bairro, suas chácaras eram habitadas somente por escravos e por caseiros, e seus proprietários viviam na região urbana. As terras dessa área teriam sido doadas para aqueles que as pediam à Câmara Municipal com a finalidade de construírem casas de campo, hortas e pomares. (REALE, 1982, pp. 7,9) A localização do Brás outrora começava no antigo Gasômetro e se estendia por toda a zona leste da cidade até a Penha. Na época, tinha-se por Gasômetro toda a área que circundava a sede da companhia que produzia gás para a iluminação pública da cidade de São Paulo, em meados do século XIX. Hoje, essa área reduziu-se apenas às proximidades do atual Parque Dom Pedro II. O que se tem atualmente como essa localidade restringe-se à rua do Gasômetro, hoje conhecida pelo seu comércio de madeiras. O bairro do Brás tem origem a partir das primeiras décadas do século XVII; sua paisagem, marcada por chácaras e regiões alagadiças, era cortada pelo Caminho da Penha (atualmente avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia), que servira no passado como rota de romaria e de comércio, entre a colina da Penha e a colina da Sé. O Caminho da Penha é fundamental na formação do bairro do Brás, pois nele se situa a Capela de Bom Jesus de Matosinho. A partir de 1725, iniciam-se as primeiras habitações no entorno dessa capela. No entanto, o vilarejo formado somente passará à categoria de Freguesia em 1819, com a

32 30 assinatura de documentos pelo Bispo Dom Matheus, ocasião em que a igreja de Bom Jesus de Matosinho foi elevada a Paróquia. (DIAFERIA, 2002, p. 41) O Brás, desde o Brasil Colônia, passou por diversas transformações, as quais, em alguns períodos, ocorreram de forma lenta, mas, em outros, de forma rápida. Os historiadores são unânimes em afirmar que um período marcante na transformação espacial do bairro ocorreu no final do século XIX, com a chegada da ferrovia e a decorrente vinda de (i)migrantes de diferentes lugares. A ferrovia, inaugurada em 1877, definiu a vocação do bairro e influiu decisivamente na posterior configuração social do espaço, pelo fato de haver atraído para suas margens atividades industriais e comerciais. Seus terrenos alagadiços, de baixo custo, e as indústrias que começavam a se instalar transformaram-no num bairro popular. (AMARAL, pp ) É notável que a ferrovia trouxesse mudanças permanentes no espaço urbano do bairro, para além das atividades comercias e industriais, como observa Amaral (2010). Alterações foram percebidas também no perfil religioso da localidade, logo no início do século XX. Os imigrantes italianos, chegados às décadas de 1920 e 1930 do mesmo século, trouxeram uma devoção religiosa afinada com sua região de origem. (RIBEIRO, 1994, p. 98) Com os planos de desenvolvimento urbano do município em parceria com o Estado e a Federação 7, o bairro foi se tornando arrojado, e passou a atrair mais pessoas, as quais vinham de fora em busca de novas oportunidades de trabalho. Primeiro, chegaram italianos e outros estrangeiros, e, mais recentemente, nordestinos e latinos 8. A presença desses (i) migrantes, tanto no início da formação do bairro quanto nos dias atuais, tem deixado traços de diferentes culturas no local. Para Torres (1985, p. 43), por exemplo, a presença da imigração europeia na cidade, especialmente a italiana, deixou marcas indeléveis no bairro. Com as reformas urbanas e a expansão decorrente do fluxo populacional, novas áreas foram sendo agregadas. Desse modo, as fronteiras do bairro foram ampliadas e, hoje, ele está apenas a uma distância aproximada de dois quilômetros do centro da capital paulista, fazendo divisa com os bairros da Mooca, do Belenzinho, do Pari, da Luz e da Sé (REALE, 1982, p. 03). 7 Investimento de verba federal para o desenvolvimento urbano. 8 Na década de 1940, os nordestinos, e, mais recentemente, os bolivianos.

33 31 A origem do nome 9 atribuído ao bairro do Brás já gerou diversas especulações entre os meios de comunicação, e três versões sempre são apresentadas. Entretanto, em dados publicados no site da Prefeitura de São Paulo, é notável que a versão para a origem do nome do bairro seja a mesma aceita por Torres (1985, p. 43), o qual faz referência às atas da Câmara Municipal de São Paulo, no termo de vereança de 04 de março de Os primeiros registros do bairro do Brás remontam ao início do século 18, quando foi pedida a edificação de uma capela em homenagem ao Senhor Bom Jesus do Matosinho em uma chácara de José Braz (assim mesmo, com z ). Ao que parecem, as primeiras referências a esse José Braz constam em atas da Câmara dos Vereadores de 1769, quando se despacharam várias petições em nome do mesmo. Tal chácara ficava na margem de uma estrada, que era conhecida como Caminho do José Braz, passou a ser a Rua do Braz, e hoje leva o nome de Avenida Rangel Pestana. 10 Curiosamente, até o ano de 2010, a memória do chacareiro José Brás estava circunscrita à pequena praça localizada ao lado da estação Brás do metrô. Após dez anos de luta por parte de moradores e comerciantes da região, no dia 8 de janeiro de 2011, foi inaugurado no espaço localizado embaixo do viaduto da estação do metrô Brás o parque Benemérito José Brás. No ato público, estavam presentes o prefeito Gilberto Kassab, o subprefeito da Mooca Rubens Casado, o secretário do Meio Ambiente Eduardo Jorge, o vereador e autor da Lei do Parque Francisco Chagas, o engenheiro Carlos Fortner e o Padre José Roberto da Igreja Nossa Senhora de Casaluce A chácara da Marquesa de Santos ou do Ferrão serviu para demarcar os limites do Brás, até o ano de Com a morte de dona Domitila de Castro, viúva do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, a propriedade passou para Brasílico de Aguiar Castro, filho caçula da Marquesa de Santos, o qual viveu até Brasílico era conhecido também por Brás, e essa seria uma versão da origem do nome do bairro. Outros insinuaram que Brás deve-se à passagem de Brás Cubas, fundador de Santos, pela região, por volta de agosto de Dentre as três versões existentes a respeito da origem do nome do bairro, a versão mais aceita é a do historiador Nuto Santana, para quem a verdadeira origem desse nome deve-se ao português José Brás, por ter residido em meados do século XVIII entre o Gasômetro e o Largo da Concórdia, onde cultivava como dono das terras. (BATTAGLIA, 1981) 10 PREFEITURA DO MUNICIPIO DE SÃO PAULO. Coordenação das Subprefeituras, Subprefeitura Mooca. São Paulo, Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/moo. php?p=435>. Acesso em: 11 ago AMIGOS da praça, Inauguração do parque benemérito José Brás. Amigos da Praça Blog spot, São Paulo 25 Jan Disponível em: < Acesso em: 11 ago

34 32 As autoridades sempre prestigiaram o bairro. Na gestão do prefeito Paulo Maluf ( ), através do projeto de lei do vereador Hanna Garib, foi instituído o Dia do Brás a ser comemorado, no âmbito do município de São Paulo, no dia 08 de junho, conforme a Lei nº , de 12 de maio de O bairro do Brás tem em sua história, portanto, uma série de processos que conjugam os valores dados à memória do fundador José Brás aos atos da política de governo. Nessa memória, ainda há espaço para se pensar nos demais agentes que fizeram parte da construção daquilo que o bairro é nos dias atuais. Esse bairro não ficou ileso diante das constantes concentrações que se organizaram e se reorganizaram nos espaços sociais da capital paulistana. Na memória coletiva, as mudanças pelas quais passou a região, além do saudosismo, deixaram suas marcas na paisagem religiosa de São Paulo. Basta olhar ao redor das movimentadas avenidas do bairro para perceber que o Brás é um exemplo considerável das transformações no campo religioso ocorridas no Brasil, especialmente em seus grandes centros urbanos, nas últimas décadas do século XX. Os movimentos apontam, desde os primórdios, a presença marcante de sujeitos sociais cuja história e vida estão imbricadas à religiosidade, demonstrando a relação entre o fenômeno urbano e a expansão de diferentes confissões religiosas no estado de São Paulo. 2.1 Memória e devoção católica A fundação de diversos bairros, e até de cidades, no contexto brasileiro, esteve ligada à religião católica romana, segundo o pesquisador Jesus (2006, pp. 12,17). Ao estudar essa relação, o autor ressalta o fato de que, na origem do bairro do Brás, houve um forte vínculo entre os primeiros moradores da localidade e sua devoção específica, para a qual erigiam algumas capelas e igrejas católicas. Assim, a história de muitas cidades brasileiras e a história da religião, ou da devoção de algum santo católico, está imbricada num conjunto de narrativas onde a memória se desloca dos monumentos cívicos para os lugares sagrados. 12 SÃO PAULO. Lei n , de 12 de maio de Institui o Dia do Brás. Diário Oficial do Município de São Paulo, São Paulo, 13 mai Disponível em: <http://www.radarmunicipal.com.br/legislacao/lei-11756>. Acesso em: 11 ago

35 33 Igrejas, capelas, lojas de artigos religiosos, celebrações e festas, comidas, odores e sabores são apenas uma parte das memórias que se tem do antigo bairro do Brás, por onde passaram tantas romarias, e que hoje fervilha com novas concentrações de fé e de crença no divino. Jesus (2006) também observa que, desde o passado colonial até os idos do Império Brasileiro, a paróquia como existência religiosa exercia além do poder espiritual, poderes seculares, isto é, civis e políticos: o discurso religioso corroborava a educação moral e os bons costumes entre os citadinos; o pároco era autoridade nas questões éticas; os fiéis confessavam seus pecados e tinham nas homilias dominicais apelos à vida regrada e piedosa. No entanto, não eram essas as principais necessidades dos devotos católicos, ou não eram somente essas as suas carências. A invocação aos santos, às divindades, aos poderes sobrenaturais, quer em religiões de matriz africana, quer em religiões de matriz indígena, ou nas de matriz cristã, está sempre associada às situações em que o homem não tem domínio sobre a natureza. No século XIX, na região do Brás, as enchentes dos rios, as secas e as pestes que atingiam os animais impeliam os mais pobres, e, em alguns casos, os mais ricos, a buscarem na devoção aos santos uma solução de seus problemas. (SOUZA, p. 441) Até meados do século XIX, os paulistas, vindos de uma tradição rural, consideravam a crença como uma necessidade de obter a proteção divina para solucionar os problemas advindos da precariedade de sua existência: os santos eram invocados para solucionar os problemas das enchentes, das secas, das pestes que atingiam as plantações e os animais, das epidemias que dizimavam as pessoas. (AZZI, 2005, p.41) A devoção maior do bairro do Brás, no passado, era a Bom Jesus de Matosinho e a Nossa Senhora da Penha, a qual era invocada em tempos de crise e de catástrofes na cidade. (DIAFERIA, 2002, p.41) Nesse contexto, o processo de formação do bairro do Brás demonstrou o poder religioso na cidade com os vínculos existentes entre a religiosidade popular e o cotidiano da sociedade. Os estudos sobre religião e cidade contribuem para a compreensão desse processo no bairro do Brás, que, desde a sua fundação, está intimamente ligado à concentração de religiosos, primeiro católicos, depois protestantes, e, atualmente, pentecostais. No passado colonial, os relatos dizem respeito à presença de religiosos no bairro e à construção da primeira capela em homenagem ao Senhor do Bom Jesus de Matosinho,

36 34 iniciada nos primórdios da colonização. Foi o próprio chacareiro José Brás quem erigiu a primeira capela do bairro. A devoção católica ao Senhor do Bom Jesus foi trazida de Portugal, da cidade de Matosinho, distrito de Porto, por volta da segunda metade do século XVIII (REALE, 1982, p. 03). A identidade religiosa dos portugueses, marcadamente católicos no lado de cá do Atlântico, mantinha-se vinculada a devoções que incluíam a crença em santos e o costume de nomeá-los padroeiros das cidades. O advento da República no país e as consequentes transformações urbanas do bairro trouxeram uma nova onda de construções de edifícios católicos, em virtude das quais colaboradores leigos da burguesia emergente, cheios de influências europeias, sentir-se-iam num espaço religioso distante da rusticidade e da sociedade escravocrata (AZZI, 2005, p.413). A partir da proclamação da Republica, houve em São Paulo um movimento significativo por parte da instituição católica no sentido de construir novos templos que se mostrassem à altura do desenvolvimento urbano, marcado por forte influência europeia em seus edifícios. A direção dessas novas construções estava nas mãos da hierarquia eclesiástica, do clero diocesano e das diversas congregações europeias que se tinha estabelecido na cidade nessa época. (AZZI, 2005, p.413) Nesse processo de desenvolvimento urbano, podemos observar no bairro do Brás, como descreve Torres (1985, pp. 101,102), novos templos com outras devoções católicas, a exemplo da devoção à santa cruz da Igreja de Santa Cruz da Figueira, na rua do Brás, expressando a fé da maioria da população católica. A autora faz menção aos documentos da Câmara Municipal nos quais, no ano de 1873, são encontradas solicitações para a construção de uma capela de São João; no ano de 1876, os documentos apontam para a solicitação de José de Souza Ribeiro para a edificação de uma capela com invocação à Santa Cruz. Reale (1982) destaca, dentre os principais fatos que marcaram a vida do bairro no início do século XX, o aparecimento de novas igrejas. O Catolicismo no bairro continuava predominante. Nesse processo de novas construções, no ano de 1903, é inaugurada uma nova igreja matriz do Senhor Bom Jesus de Matosinho (Foto 1), edificada em estilo romano, em forma de cruz. A edificação dessa nova igreja, no entanto, não foi suficiente, inicialmente, para apagar os vestígios e as práticas da

37 35 religiosidade popular, como observa Reale (1982, p. 29), ao relatar que, na Semana Santa, eram realizadas procissões do enterro 13 e do encontro, que percorriam todo o bairro. Foto 2 Paróquia Bom Jesus de Matosinho Fonte: Site da Paróquia -< A atual paróquia nada lembra a primeira construção de 1803, a qual foi edificada pelo Tenente José Corrêa de Moraes, em propriedade do chacareiro José Brás, e que, somente em 8 de junho de 1818, foi declarada matriz, por provisão e criação da Freguesia do Brás. Essa primeira igreja, por um longo período, tornou-se referência para as devoções populares, ponto de acolhimento da população e da imagem de Nossa Senhora da Penha nas romarias anuais. A igreja de Bom Jesus de Matosinho, ou Bom Jesus do Brás, foi e continua sendo parte da memória e da paisagem do bairro, porém não foi e não será a única edificação católica da localidade. Dentre as novas igrejas que foram erigidas, impulsionadas pelo desenvolvimento urbano, destacam-se as igrejas dos imigrantes italianos, as quais, 13 Procissão do Enterro do Senhor: manifestação católica que se estabeleceu em Portugal, pela devoção dos fiéis, nos fins do século XV e princípios do século XVI, mais concretamente entre 1500 e Disponível em: < Acesso em: 20 mai

38 36 notadamente, até os dias atuais, fazem parte da tradição do bairro e do calendário festivo da cidade. 2.2 O Catolicismo dos imigrantes italianos Os imigrantes italianos chegaram ao bairro do Brás entre o final do século XIX e o início do século XX, e eram, em sua maioria, devotos do Catolicismo. Inicialmente, esses imigrantes frequentavam a igreja matriz de Bom Jesus de Matosinho, até então a única do bairro, onde oficialmente eram realizadas missas dominicais e outras missas, em datas e eventos religiosos; na região, essa igreja não somente atendia à população local, mas também aos diversos imigrantes recém-chegados, como registra Ribeiro (1994, p. 127). Os italianos carregavam um forte sentimento de devoção religiosa de acordo com sua região de sua origem, como nos relata Ribeiro (1994, p. 127). Instalaram-se no bairro do Brás napolitanos 14 e bareses 15. Esses imigrantes buscaram organizar espaços e atividades em função das tradições e dos santos dos quais eram devotos em sua terra natal. Ao descrever sobre o imigrante italiano, Ribeiro (1994, p.129) afirma que: Reconhecido notadamente por seu caráter patriótico e religioso, ao imigrar para São Paulo, o italiano carregou suas crenças e tradições e, tão logo se adaptou à nova pátria, seu primeiro passo foi perpetuar a memória do padroeiro, com a construção das capelas de Casaluce e São Vitor Mártir. Ribeiro (1994, p. 136) relata que as crenças aos santos e as devoções praticadas pelos imigrantes italianos eram manifestadas nas capelas, porém nada os impedia de frequentar a igreja matriz do Bom Jesus de Matosinho e nela praticarem suas atividades religiosas. A autora também afirma que as atividades religiosas estavam relacionadas a todas as etapas da vida do imigrante italiano. 14 Imigrantes italianos vindos da província de Nápoles. 15 Imigrantes italianos vindos da província de Bari sul da Itália.

39 Devoção a Casaluce: a santa negra dos napolitanos A devoção a Casaluce teve origem na Itália, e, ao atravessar o oceano, concentrou-se no bairro do Brás; sua origem e história estão relatadas no livro de tombo da paróquia, e foram publicadas no site da arquidiocese de São Paulo. A história de Nossa Senhora de Casaluce provém do sul da Itália, com raízes que remontam o século XII, como afirma Ribeiro: A História de Nossa Senhora de Casaluce vem do sul da Itália (século XlI). Casaluce significa "CASA DE LUZ". Na cidade de Aversa, em um dia de temporal muito forte, uma linda moça de cor negra bateu à porta de um seminário para pedir abrigo, porém, naquele tempo, não era permitida a entrada de mulheres nessas instituições. Então, os padres pediram que a moça fosse a um convento de freiras na cidade mais próxima, "Casaluce". As freiras a acolheram e a instalaram num quarto. No dia seguinte, as freiras não a encontraram e no seu lugar havia apenas um quadro - era a figura da moça, com uma criança nos braços. 16 A imagem de uma moça negra com uma criança no colo, acolhida em uma noite de chuva pelas freiras da Casa da Luz, é emblemática. Há uma questão intrigante nessa narrativa: uma moça negra e uma casa da luz. Casa da Luz, ou Casaluce, teria sido então o lugar da revelação de uma santa negra, a qual, misteriosamente, manifestara-se às freiras em um dia de chuva. Interessante nesse relato da Santa de Casaluce é a questão étnica que se apresenta: uma santa negra de devotos brancos. Num país multicultural e pluriétnico como o Brasil, isso não seria problema, a moça com uma criança no colo evocava Maria com o menino Jesus em seus braços. No bairro do Brás, os napolitanos, com a intenção de atender aos devotos de Nossa Senhora de Casaluce, decidiram construir, com os seus próprios recursos e mão de obra, uma pequena capela como devoção à santa padroeira negra. (RIBEIRO, p. 129). Assim, a construção da Capela Nossa Senhora de Casaluce serviu de marco da presença dos italianos no bairro, e inaugurou uma nova devoção na cidade. A devoção católica aos santos, fortemente moldada pelo Catolicismo popular no Brasil, ganhava reforços do além-mar, em 16 Região Episcopal da Sé, Arquidiocese de São Paulo. Paróquia de Nossa Senhora de Casaluce. São Paulo. Disponível em: <http://www.regiaose.org.br/aspx/detailsparoquia. aspx?identidade=533>

40 38 um tempo em se pensava que a religião perderia forças nas cidades por causa do progresso e do desenvolvimento urbano. A devoção a Casaluce teve apenas dois templos construídos no mundo, o de São Paulo e o de Nápoles. Isso talvez demonstre o caráter local da devoção, que se contrapõe ao caráter universal dos dogmas e dos sacramentos da Igreja Católica e da religião cristã. Além disso, tal fato poderia significar que a devoção é também um elemento de identidade de uma comunidade local. Os napolitanos quiseram trazem em sua bagagem de mudança algo que lhes constituísse como religiosos, e não se eximiram de investir dinheiro e trabalho para a construção da capela, o que demonstra o valor cultural da devoção. Em São Paulo, a igreja de Nossa Senhora de Casaluce está situada na rua Caetano Pinto, 608, no bairro do Brás. Na fachada do prédio, esteticamente modesto, encontra-se estampada a imagem da santa (Foto 3). Foto 3 - Igreja de Nossa Senhora de Casaluce Crédito: Foto do autor Vista frontal da igreja Nossa Senhora de Casaluce. Como parte constituinte da paisagem urbana, o prédio da igreja demonstra a permanência da devoção à santa napolitana, que se tornou também devoção dos brasileiros,

41 39 posto que, hoje, não somente italianos a veneram, como também brasileiros, os quais, já há algum tempo, acolheram a imagem da moça negra com uma criança no colo. Essas devoções e essas capelas davam sentido à vida dos imigrantes. Em carta aos que ficaram na Itália, trabalhadores do interior do estado de São Paulo reclamavam que ali não se ouvia nem um sino, fazendo menção à igreja e aos serviços paroquiais. Desse modo, a devoção pode ser vista também como a expressão da iniciativa e da experiência do indivíduo ou da comunidade deslocada da religião oficial, o Catolicismo elitista, comprometido com o estado. Os festejos à padroeira, marcados pela presença da banda de música, composta por um quinteto (RIBEIRO, 1994, p. 133), aconteciam no mês de maio, regados de comidas típicas italianas e com a presença de barracas onde se podiam encontrar pizzas, fogazzella, spoliatella e spaguetti al sugo. O evento em homenagem à padroeira Casaluce foi uma das primeiras festas típicas de imigrantes a acontecer no âmbito do município de São Paulo, especificamente no bairro do Brás, e perdura até os dias de hoje, já em sua 114ª edição no ano de Para encerrar a festa, até hoje se realiza uma grande concentração de pessoas numa procissão que percorre as ruas Caetano Pinto, Piratininga e a avenida Rangel Pestana. Nessa procissão, o principal andor é o de Nossa Senhora de Casaluce, constituído, na falta de uma imagem tridimensional, por uma tela onde está representada pictoricamente a santa negra. A tela sai para a procissão envolta num manto azul, onde os devotos costumam pregar contribuições com alfinete, até que o manto fique repleto de notas. Ao lado da imagem da santa ficam os festeiros, as filhas de Maria, as freiras, as vicentinas e os principais representantes da Congregação Mariana. (RIBEIRO, 1994, p.135) Nessas procissões, há uma série de elementos que devem ser estudados. Desde a posição central ocupada pela imagem da santa, as cores do manto que a paramentam até a posição dos devotos, as cantigas e as rezas entoadas. No entanto, não é esse o objetivo desta pesquisa. Cabe apenas comentar que a concentração e a permanência dessa procissão no bairro do Brás ainda hoje demonstram a força que a religiosidade popular costuma expressar nas devoções aos santos e aos padroeiros. Mesmo com as mudanças empreendidas no espaço urbano, desde as primeiras décadas da República, o Catolicismo popular segue adiante.

42 Devoção a São Vito Mártir A origem da devoção a São Vitor Mártir na cidade de São Paulo teve início no final do século XIX, com a chegada de uma pequena estátua no bairro do Brás. Segundo Ribeiro (1994), a imagem foi trazida em 1885, de Polignano A Mare, na Itália, por Modesto de Lucca. Ele era morador do bairro do Brás e trouxe a imagem da Itália para o Brasil porque queria ter a proteção do santo, além de querer perpetuar a memória do padroeiro. A pequena imagem de São Vitor, mesmo antes que tivesse uma capela ou paróquia, foi venerada, inicialmente, em cortiços, em ruas e em festas de congraçamentos dos imigrantes bareses. Somente no ano de 1912, através da união dos jornaleiros e com a fundação da Associação de São Vitor Mártir, a comemoração obteve um caráter semioficial, ocasião em que foi celebrada missa e feita uma procissão em homenagem ao santo. (BASACCHI, 2004 p.5) Foto 4 - Paróquia São Vito Mártir: Crédito: Foto do autor Vista frontal da paróquia São Vitor Mártir

43 41 Existem no mundo apenas três igrejas dedicadas a São Vitor Mártir. Uma em Praga, outra em Polignano A Mare e a de São Paulo, no Brás. Há mais de 70 anos essa igreja atrai uma grande massa de fiéis. Suas festas em homenagem a San Vitto Martire são tradicionais e fazem parte oficialmente do Calendário Cultural da cidade de São Paulo. A atual igreja que vemos hoje na rua Polignano A Maré, nº 51, no bairro do Brás, somente foi declarada paróquia a partir de 24 de março de Sua construção somente teve início quatro anos após essa nomeação, e foi financiada por meio de ofertas arrecadadas nas festas de São Vitor Mártir e por contribuições de industriais italianos. O término da construção possibilitou a nomeação de um vigário, como observa (BASACCHI, 2004, p. 6). As práticas de ofertas e de doação de prendas não cessaram com o término da construção da paróquia, uma vez que tais práticas estão ligadas à Associação São Vitor Mártir. Essas ofertas e prendas doadas pelos descendentes de Polignano A Maré se destinam aos festejos de São Vitor Mártir que ocorrem anualmente no mês de maio, ocasião em que são distribuídas comidas típicas e são promovidos shows e outros eventos da cultura italiana. A renda obtida com os valores arrecadados é destinada à paróquia, à manutenção de uma creche e à assistência social na comunidade. (RIBEIRO, 1994, p. 135), ao escrever sobre a prática de ofertas e de prendas feitas pelos comerciantes imigrantes bareses, afirma que: a oferta é um sério compromisso de fé relacionado à crença da proteção e retribuição de um ano próspero. A associação São Vitor Mártir, fundada oficialmente em 21 de outubro de 1919, é responsável pela organização da festa de São Vitor. Para manutenção da creche com mais de 120 crianças e de outras atividades culturais, a instituição promove shows, em que é distribuída comida típica da região das Apulias, em todos os fins de semana de maio, estendendo-se até a primeira quinzena de julho. (BASACCHI, 2004, p. 6) Existem duas festas com apelo à homenagem a São Vitor Mártir, sendo a mais antiga aquela da Associação de São Vitor Mártir, realizada na rua Fernandes Silva, nº 96, em salão coberto; no ano de 2013, completou a sua 95ª. A outra festa é a da paróquia realizada na rua Polignano A Maré, ocasião em que a rua é fechada e decorada para receber a quermesse com barracas de comidas típicas; no ano 2013, ocorreu a 16ª edição dessa festa. O caráter das festas dos imigrantes italianos, nos seus primórdios, tinha um forte apelo cultural, e estava ligado à expressão religiosa desses imigrantes. No entanto, com o passar dos anos, novos significados foram incorporados às festas, as quais passaram a ser momentos

44 42 de reencontros, de preparo de comidas, oportunos para construir e aprimorar a Associação com recursos adquiridos das vendas nas festividades. (RIBEIRO, 1994, p.133) Dentre as duas festas que prestam homenagem ao santo, a que mais evidencia a devoção ao padroeiro é a da rua Polignano A Maré, até mesmo por ser organizada pela paróquia, que promove procissão e quermesse. A missa solene e a procissão que comemora a devoção ao santo ocorrem no segundo domingo de maio após o dia 15; nas primeiras edições da festa, os hinos eram cantados no dialeto italiano (RIBEIRO, 1994, p.133). Os devotos de São Vitor Mártir na cidade de São Paulo são reconhecidos como a maior comunidade de fiéis no mundo fora da Itália. No ano de 2011, ocorreu um fato único nessa devoção, por iniciativa do presidente da Associação de São Vitor Mártir, com a intenção de integrar as comunidades de devotos: foi trazida da Itália a relíquia do braço de São Vitor Mártir, conhecida como "Il Braccio di San Vito". 17, ocasião em que a devoção tomou conta dos fiéis, com a realização de missa e da procissão a cargo do arcebispo de São Paulo Don Odilo Scherer. Atualmente a festa de São Vitor está na 93ª edição. Por tratar-se do ano da Itália no Brasil, um fato histórico ocorreu pela primeira vez na paróquia, a relíquia de São Vitor intitulada "Il Braccio di San Vito". Deixou a cidade de Polignano A Maré e veio a São Paulo. 18 A devoção, que teve início com os imigrantes italianos, hoje excede as fronteiras do Brás, fazendo parte da cidade de São Paulo, não somente pelos festejos que estão inseridos no calendário cultural do município, mas pelas pessoas, (i) migrantes, que, de diversas etnias, frequentam a paróquia, participam de suas missas, procissões e eventos venerando o santo. 2.5 A Procissão de Nossa Senhora da Penha: expressão da religiosidade popular no Brás 17 A relíquia trata-se de um dos ossos do braço do santo, considerado milagroso, protegido em um relicário em formato de mão. Festa de São Vitor. Brasil receberá visita inédita de relíquia de São Vito. Disponível em: <http://festadesaovito.com.br/2014/?p=257 > Acesso em: 20 ago FESTA de São Vito traz a SP relíquia "Il Braccio di San Vito". GUIA Folha de SP, São Paulo, 14 mai Disponível em: < Acesso em 20 ago

45 43 Ainda no Brasil Colônia, as pregações jesuítas eram feitas por meio de música, bailado e procissão. Kantor (2005, p. 325) descreve os tipos de procissão existentes: Eram quatro tipos de procissões: 1) as festivas ou jubilares (padroeiros, inauguração de igrejas e grandes festas); 2) as rogativas (epidemias, penitências, catástrofes naturais, pela saúde dos monarcas, expedições militares); 3) gratulatórias (celebração de vitória de militares[...]. Havia também as procissões em comemoração à chegada de relíquias ou recepção de autoridades nas vilas e povoações); 4) finalmente, as procissões de desagravo, realizadas em protesto contra alguma medida autoritária. Dentre as concentrações ocorridas de festas e de procissões católicas no bairro do Brás, a da Nossa Senhora da Penha era a mais expressiva, no âmbito municipal, nos séculos XVII e XVIII, especialmente por razões relacionadas à situação de saúde pública que frequentemente afetava a cidade. As procissões rogativas em favor dos munícipes atraíam pessoas das mais diversas partes da localidade. Por sua regularidade e pelo caráter oficial que ela assumia diante das demais devoções, a festividade da Penha tornou-se o centro das atenções da população municipal. A procissão de Nossa Senhora da Penha ficou conhecida após as transladações da imagem da padroeira da igreja da Penha para a igreja da Sé, fato que, segundo Jesus (2006, p. 53), ocorreu pela primeira vez em Na procissão misturavam-se elementos da doutrina católica, elementos da cultura popular e da religiosidade de brancos, de indígenas e de negros. Assim, as festas e procissões eram marcadas por grande colorido cultural, com rezas e ladainhas, com enfeites e fantasias que lembravam elementos medievais e romanos, com danças de negros, com elementos da cultura indígena, como chocalhos e adornos feitos de palha e penas, além de tabuleiros de quitutes de mais variada origem, junto à farta bebida e à fumaça das velas e do fumo de corda. A procissão de Nossa Senhora da Penha ocorria mediante prévio entendimento entre as autoridades eclesiásticas e a Câmara Municipal, e estava vinculada à religiosidade dos paulistanos. (TORRES, 1985, p. 53) É interessante observar como, burocraticamente, se processava o trâmite para efetuar a transladação da imagem da Nossa Senhora da Penha: primeiro,

46 44 a petição popular ou de algum político era entregue à câmara; daí, ela seguia até as mãos do governador da província que a enviava para ser apreciada pelo vigário geral que, enfim, a mandava de volta para a câmara. Cabia a esta organizar e financiar a procissão, exigir que as ruas fossem limpas e enfeitadas, exigir a presença da população, das pessoas ilustres e dos políticos que acompanhariam a saída e a chegada da santa peregrina. (JESUS, 2006) A população acreditava, segundo relatos, que, no ato rogativo da procissão, a cidade seria curada dos males e das diversas pestes que a assolavam. Esses males, ora provocados pelas enchentes, ora por epidemias, tornavam os fiéis os mais devotos penitentes da santa. (SOUZA, 2004, p.441) Naquele contexto, Nossa Senhora da Penha era a padroeira de toda a cidade. A procissão passava pelo bairro do Brás, e a Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos servia de parada obrigatória para a imagem, tanto no seu trajeto de ida quanto no de volta. Essa parada somente foi reconhecida em 23 de agosto de 1819, após a ação do estado em elevar a Capela do Brás à categoria de Freguesia. A transladação da imagem de Nossa Senhora da Penha, que tantas vezes atravessara o Brás, ocorreu pela última vez em Depois daquele ano, somente na celebração do terceiro centenário de Nossa Senhora da Penha, em 1968, é que novamente se viu a trasladação da santa, como narra a historiadora Maria Celestina Torres: O ano de 1968 é particularmente auspicioso. No domingo de 14 de abril, domingo de Páscoa, celebrou-se também o terceiro centenário de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade, e nesse dia os paulistanos reviveram a antiga tradição de se transladar a imagem de Nossa Senhora da Penha, do seu santuário, para a praça da sé, onde presidiria as cerimônias da páscoa da fraternidade, realizada pelo cardeal Agnelo Rossi. (TORRES, 1985, p. 200) O cortejo do século XX apresentou uma mudança significativa na relação entre religião e cidade. O bairro do Brás havia mudado, as antigas ruas pouco movimentadas no passado estampavam uma nova paisagem, exigindo das autoridades religiosas, que organizavam a celebração, novas formas de condução dos elementos que compunham o ritual religioso, incluindo-se a imagem da santa. No passado, a santa era transladada da Penha de França à matriz da Sé, através da avenida Rangel Pestana Celso Garcia, com parada na igreja do Bom Jesus de Matosinho. Desta feita, por ocasião do terceiro centenário de Nossa Senhora da Penha, em 1968, ela foi

47 45 levada de helicóptero até a concentração no Parque Dom Pedro II e daí até a Sé em cortejo, onde ocorreram desfiles com as Forças Armadas e a missa campal, com as bênçãos do Papa Paulo VI. No retorno à igreja de Nossa Senhora da Penha, a imagem da santa foi conduzida em cortejo motorizado pelas ruas do Brás. Torres ressalta que as mudanças na procissão estão diretamente ligadas às mudanças urbanas do século XX (Torres, 1985, pp. 200,201), evidenciando a relação direta entre a religiosidade popular e o desenvolvimento do espaço da cidade de São Paulo, demarcado por novas concentrações da fé, expressas na presença de novos templos e de diferentes devoções. 2.6 Mapas das denominações religiosas no Brás e corredor da fé: uma abordagem espacial O mapa religioso do Brás é resultado de observações de campo e de registros cartográficos realizados no bairro. Nesse levantamento, foram cadastradas todas as denominações religiosas em atuação no distrito, de modo a caracterizar sua distribuição. Para tanto, foram utilizados três recursos. O primeiro deles foi o trabalho de campo, que visou ao levantamento das denominações religiosas previamente conhecidas ao longo do distrito do Brás. Em um segundo momento, foram buscadas informações junto à base de endereços do Google Maps/Google Street View 19, aliadas às páginas virtuais de diversas instituições religiosas, com o objetivo de identificar mais unidades não detectadas durante o trabalho de campo, e de verificar se as referidas unidades, no momento desta pesquisa, ainda estão em exercício no endereço cadastrado do bairro. Como último recurso, foi realizada a validação do mapa, por meio da observação direta das denominações cadastradas, durante um percurso pelas ruas do bairro. O recorte espacial da pesquisa envolve o distrito do Brás, com destaque para a avenida Rangel Pestana e seu prosseguimento, a avenida Celso Garcia; assim, caracteriza-se para além do Brás um longo corredor, permeado por denominações de diversas orientações religiosas. 19 Neste procedimento, só foram cadastrados igrejas e templos com fotografias do Google Street View, atualizadas entre o período de julho e setembro de As informações obtidas com fotografias de datas anteriores não foram utilizadas em razão da volatilidade de permanência de algumas denominações na região.

48 46 Ressalte-se que esse recorte respeita o limite distrital oficial utilizado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo. Entretanto, historicamente, o local conhecido popularmente como "Brás" envolvia (e ainda envolve) partes da vizinhança que hoje integra outros distritos, como Pari, Belém, Bresser e Mooca. O Mapa (Mapa 01), o Quadro (Quadro 01) e a Tabela (Tabela 01) a seguir apresentam o resultado desse levantamento. Mapa 01: Denominações Religiosas no distrito do Brás e Eixo do Corredor da Fé Fonte: Dados elaborados a partir do Google Maps/ Google Street View: Crédito do Autor visita aos locais. Quadro 1 Denominações Religiosas no distrito do Brás e Eixo do Corredor da Fé

49 47 Denominações Religiosas no distrito do Brás Denominações Endereços Protestante Históricas Igreja Metodista no Brás Rua Xavante, 195 Terceira Igreja Presbiteriana Independente Rua Joli, 492 União Central Bras. da Igreja Adv. Sétimo Dia Rua Cap. Faustino lima, 289 Pentecostais Igreja Congregação Cristã do Brasil Rua Visc. de Parnaíba, 1616 Igreja Mundial do Poder de Deus Rua Carneiro Leão, 439 Igreja Pentecostal O Poder da Fé Rua Carneiro Leão, 90 Igreja Evangélica Catedral da Bênção Rua Domingos Paiva, 270 Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo Rua do Hipódromo, 146 Igreja Ev. Assembleia de Deus M. "Cristo La Roca" Rua Júlio César da Silva,164 Igreja Evangélica Camhi Rua Gonçalves Dias, 216 Espíritas: União Brasileira Espiritualista Rua Mons. Anacleto, 75 União Espírita Cristã B. Laudelino Novaes de Brito Rua Brig. Machado, 264 Centro Espírita José Barroso Rua Inácio de Araújo, 255 Casa de Caridade Espírita Três Estrelas Rua Flora, 172 Sinagoga e Mesquita: Mesquita Mohammad Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) Rua Elisa Whitaker, 17 Sinagoga Israelita do Brás Rua Bresser, 47 Católicas Igreja São Vito Mártir Rua Polignano A Maré, 51 Igreja Nossa Senhora Casaluce Rua Caetano Pinto, 618 Igreja Católica Das Santas Missões Rua Do Gasômetro, 996 Ortodoxa Igreja Ortodoxa Grega São Pedro Rua Bresser, 793 Denominações Religiosas no Eixo do Corredor da Fé

50 48 Denominações Endereço Paróquia Bom Jesus do Brás Av. Rangel Pestana, 1421 Comunidade Essência de Deus Av. Rangel Pestana, 1897 Catedral Carismática das Nações Av. Rangel Pestana, 2345 Igreja Internacional do Poder da fé Av. Rangel Pestana, 2419 Santuário Espiritualista de São Paulo Av. Celso Garcia, 14 Santuário dos Santos Anjos Av. Celso Garcia, 174 Igreja Jesus Fonte de Vida Av. Celso Garcia, 188 Comunidade Nova Geração Av. Celso Garcia, 238 Comunidade Cristã Amor e Graça Av. Celso Garcia, 243 Igreja Universal do Reino de Deus Av. Celso Garcia, 499 Igreja Evangélica Assembleia de Deus M. do Brás Av. Celso Garcia, 560 Igreja Católica Paróquia São João Batista do Brás Av. Celso Garcia, 600 Templo de Salomão (IURD) Av. Celso Garcia, 605 Ministério Mudança de Vida Av. Celso Garcia, 777 Igreja Pentecostal Concerto Eterno Av. Celso Garcia, 816 Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus Av. Celso Garcia, 899 Igreja Avivamento em Glória Av. Celso Garcia, 1010 Catedral da Bênção Av. Celso Garcia, 1081 Comunidade Missão dos Sinais de Deus Av. Celso Garcia, 1515 Igreja Pentecostal Deus é Amor Av. Celso Garcia, 2214 Igreja do Evangelho Pleno em Cristo Av. Celso Garcia, 3478 Igreja Internacional do Mover de Deus Av. Celso Garcia, 3503 Bola de Neve Av. Celso Garcia, 3147 Igreja Internacional da Graça de Deus Av. Celso Garcia, 3757 Templo da Fé Av. Celso Garcia, 4030 Ministério Plenitude do Avivamento Av. Celso Garcia, 4217 Igreja Nova Geração Mundial de Deus Av. Celso Garcia, 4224 Casa de Umbanda Caboclo Changa Av. Celso Garcia, 4725

51 49 Igreja Evangélica Assembleia de Deus - M. Belém Av. Celso Garcia, 4906 Igreja Pentecostal Deus é Amor Av. Celso Garcia, 5426 Ministério Apostólico de Reavivamento Profético Av. Celso Garcia, 5436 Igreja Internacional da Graça de Deus Av. Celso Garcia, 5519 Igreja Batista Palavra Viva Av. Celso Garcia, 5518 Igreja Mundial do Poder de Deus Av. Celso Garcia, 5520 Comunidade Cristã Paz e Vida Av. Celso Garcia, 6076 Fonte: Dados elaborados a partir do Google Maps/ Google Street View: Crédito do Autor visita aos locais. Tabela 1- Quantidade de denominações catalogadas segundo a orientação religiosa Denominação Religiosa Templos ou salões Igreja Católica 5 Igreja Protestante Histórica 3 Igreja Evangélica Pentecostal 40 Espírita 4 Islâmica 1 Judaica 1 Afro-americana As igrejas do distrito do Brás A catalogação das denominações religiosas no Brás mostra que existe uma diversificação no bairro, abrangendo unidades católicas, protestantes, pentecostais e espíritas, além de uma mesquita e de uma sinagoga. Para além destas, encontramos, nas proximidades, denominações intituladas como do Brás (Mapa 02, Quadro 02 e Tabela 02).

52 50 Mapa 02: Denominações Religiosas no Distrito do Brás e Denominações intituladas como Do Brás Fonte: Dados elaborados a partir do Google Maps/ Google Street View: Crédito do Autor visita aos locais. Quadro 2 Denominações Religiosas no Distrito do Brás e Intituladas como do Brás Denominações Endereços Denominações Religiosas no distrito do Brás Evangélicas Históricas Igreja Metodista no Brás Rua. Xavante, 195 Terceira Igreja Presbiteriana Independente Rua. Joli, 492 União Central Bras. da Igreja Adv. Sétimo Dia Rua. Cap. Faustino lima, 289 Evangélicas Pentecostais

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