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1 Edição número 2079 terça, quarta e quinta-feira, 10, 11 e 12 de julho de 2012 Fechamento: 10h00 Veículos Pesquisados: Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com Leonardo Severo Isaías Dalle Paula Brandão Luiz Carvalho William Pedreira Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti

2 Estadão.com Presidente da CUT recua mas não descarta manifestação contra STF Após dizer que Central poderia mobilizar trabalhadores, Vagner Freitas disse que Supremo fará 'julgamento técnico' Fernando Gallo (Política) 09/07/12 Embora tenha evitado dizer textualmente que descartava a ideia de uma manifestação nas ruas, o novo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, recuou nesta segunda-feira, 9, das declarações de que a central sindical pode mobilizar trabalhadores caso o Supremo Tribuna Federal (STF) faça um julgamento político do processo do mensalão. Ele repetiu diversas vezes que o Supremo fará um julgamento técnico, em cima dos autos. "Acreditamos nas instituições que nós mesmo criamos. Não temos dúvida nenhuma de que teremos um julgamento técnico, no campo jurídico. O Supremo, como órgão competente que é, tem toda a confiança da população brasileira para fazer um julgamento no campo técnico, daquilo que está escrito nos autos. Era isso o que eu gostaria de ter dito hoje" disse, referindo-se à entrevista que deu ao jornal Folha de S.Paulo. "Esse era o recado que queríamos dar em nome da CUT". Nos bastidores do Congresso da CUT, realizado nesta segunda-feira em São Paulo, a direção da central foi advertida da inconveniência das declarações de Freitas por petistas como o presidente da Câmara, Marco Maia, que pregou um "desarmamento" do debate. Freitas afirmou ter "informações" de sua assessoria de que os autos do processo não indicam a existência dos crimes pelos quais os réus do mensalão foram denunciados. "A informação que temos da nossa assessoria que faz a averiguação jurídica em relação aos autos é que nos autos você não tem a configuração do crime que quer se estabelecer", sustentou. Questionado sobre o autor da avaliação, ele negou que tenha sido feita pela assessoria jurídica da CUT, e desconversou. "São avaliações que temos tido. Obviamente não nos debruçamos em relação a isso porque temos tidos outras preocupações". Ele indicou que sua fala sobre a mobilização nas ruas é uma espécie de antídoto para que o julgamento não seja politizado. "Um pouco da nossa tentativa de fazer a intervenção é de que a gente não transforme isso numa queda de braço política entre defensores de tese A, B ou C. Por isso que acreditamos que o Supremo, do alto da sua responsabilidade, num Brasil que caminha numa normalidade democrática, vai fazer o julgamento em cima dos autos". Freitas afirmou que a "grande preocupação" da CUT é que não exista um préjulgamento do caso e afirmou que a central não se omitirá de opinar sobre o mensalão. "A CUT é uma central sindical importante e nunca vai se omitir diante de fatos importantes do Brasil".

3 Ex-presidente da CUT promete protestos 'para evitar a volta da direita' ao poder Artur Henrique disse que CUT 'tem lado na disputa de projetos políticos da sociedade' Fernando Gallo (Política) 09/07/12 Um dia após o novo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, ter afirmado que a central sindical poderia colocar manifestantes nas ruas caso o julgamento do mensalão fosse politizado, seu antecessor, Artur Henrique, que ocupou o posto até esta segunda-feita, 9, afirmou que a CUT levará trabalhadores às ruas durante as eleições para evitar a "volta da direita" ao poder. "A CUT é uma central sindical independente, autônoma, mas ela tem lado nessa disputa de projetos políticos da sociedade. A CUT não vai permitir e vai colocar sua militância nas ruas para impedir o retrocesso, a volta da direita. Nós não temos vergonha de dizer que essa é uma central que tem lado", sustentou durante o Congresso da CUT realizado nesta segunda-feira em São Paulo. Após a declaração, citou o pré-candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, a quem chamou de "meu companheiro Haddad", e disse que o instrumento para isso era a plataforma da CUT para as eleições. "Vamos percorrer o país com a nossa militância cobrando compromisso dos candidatos, mas sabendo que nós temos lado nessa disputa e é um prazer ter você (Haddad) aqui no nosso congresso da CUT". Às vésperas da greve geral de trabalhadores, Henrique afirmou que há "milhões de trabalhadores" fazendo greve nas universidades federais e anunciou uma grande mobilização nacional em agosto de entidades do trabalhismo rural em prol da realização da reforma agrária. O ex-presidente da CUT declarou ser "um crime" a grande rotatividade de mão-deobra no país. "Temos que discutir a qualidade dos empregos que estão sendo gerados. Não dá mais para o setor empresarial ficar se utilizando da rotatividade como forma de fazer o ajuste nos salários em nome da tal competitividade internacional. Em nome dela, reduz a renda dos trabalhadores, o que é um tiro no pé de quem quer enfrentar a crise". Serra diz que 'cada um conhece seus demônios' em referência a Haddad Candidato tucano caminhou em shopping na zona leste da capital e abraçou torcedor do Corinthians Fausto Macedo (Política) 09/07/12 "Cada um conhece os seus demônio, não é?" A frase é do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, ao responder a uma pergunta sobre seu rival, Fernando Haddad, do PT. No domingo, Haddad tentou tirar a sorte em um realejo, mas a mensagem que recebeu mão foi alvissareira. Segundo a previsão, ele teria que tomar cuidado com pessoas maldosas em sua campanha. O papel lido pelo candidato petista trazia a seguinte mensagem: "necessário que evites a companhia de certas pessoas que tratam de inclinar-te para o mal".

4 Serra passou a tarde desta segunda-feira, 9, caminhando pelas alamedas do grande shopping Aricanduva, na Zona Leste. Ao final da jornada, o tucano conversou com um grupo de jornalistas e ouviu a seguinte pergunta: "Para o senhor, quem são as pessoas maldosas (na campanha de Haddad)?". O tucano respondeu: "Ah, não sei, perguntem a ele. Ele deve saber. Cada um conhece os seus demônios, não é?" E os seus demônios?, ouviu Serra. "Os meus até agora não apareceram", respondeu. Político O tucano também mandou um recado aos líderes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que acenam com manifestações nas ruas se o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal federal (STF), marcado para ter início em 2 de agosto, tiver um caráter político. "Eu acho que ele (Vagner Freitas, novo presidente da Central) tem que definir primeiro o que é político, no entender dele. Político, provavelmente, é o que o contraria. Só pode ser isso". Para Serra, esse tipo de procedimento - protesto nas ruas contra julgamento na corte máxima - "não é função de uma entidade de classe". O candidato tucano foi categórico nas críticas sobre movimentos políticos da CUT e destacou que "outro dia leu na imprensa sobre uma manifestação eleitoral comandada pela CUT na Avenida Paulista". "Não é função também de uma entidade de classe fazer campanha eleitoral, porque eles (CUT) já começaram a fazer em São Paulo. Na eleição passada foram multados pela Justiça e, provavelmente, nessa também serão porque as entidades sindicais têm recursos que são recursos públicos, não são para serem usados em campanha eleitoral, nem partidária", completou. Corinthians Na caminhada que fez no Shopping Aricanduva, Serra tirou fotos com frequentadores e deu beijos em crianças. Ele fez ainda uma parada em um café, onde pediu fatia de bolo de laranja e xícara pequena de chocolate. Em busca de votos, abraçou até um corintiano, Denis de Oliveira, 19 anos, com quem tirou foto. Mas, palmeirense apaixonado, Serra fez um pedido. "Só tiro foto com você se for assim", disse o tucano, cobrindo com a mão o emblema do Corinthians na camiseta de Denis. Serra disse que "é o gostoso o corpo a corpo porque você sente a energia do eleitor". A caminhada foi acompanhada por um trio de músicos que, ao som de violino e flauta, o recepcionaram com as canções O Sole Mio, do folclore italiano, e Trenzinho Caipira, composição de Heitor Villa Lobos. A assessoria de Serra explicou que o shopping Aricanduva foi escolhido porque o local é de grande aglomeração popular. Segundo o deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), cerca de 250 mil pessoas circulam pelo Aricanduva no feriado prolongado. Marco Maia defende 'desarmamento' do julgamento do mensalão Deputado afirmou que será melhor para o caso que haja 'menos manifestações de ambos os lados' e defendeu a despolitização do processo Fernando Gallo (Política) 09/07/12 O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-SP), afirmou nesta segunda-feira que a mídia, os movimentos sociais e os partidos políticos fazem

5 pressões envolvendo o julgamento do mensalão, que está marcado para o dia 2 de agosto. Ele disse considerá-las "normais", mas defendeu um "desarmamento" do processo que envolve o julgamento. As declarações ocorrem um dia depois de o novo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, ter afirmado que a CUT pode ir às ruas caso haja politização do caso no Supremo Tribunal Federal. "Há elementos colocados de pressão, seja pela mídia, seja pelos movimentos sociais, seja pelos partidos políticos. Começa a chegar o dia do julgamento, começam a acontecer as pressões. É natural, é normal", declarou Marco Maia. "É obvio que quem se sentir prejudicado vai usar as armas que tem. Eu estou em uma campanha pelo desarmamento". O deputado afirmou que será melhor para o caso que haja "menos manifestações de ambos os lados" e defendeu a despolitização do processo. "Todo o nosso esforço deve ser para que o julgamento do mensalão ocorra sem politização. O julgamento deve ser técnico. É preciso garantir ampla defesa e que isso ocorra na normalidade, na tranquilidade que têm sido peculiares ao Brasil". O presidente da Câmara voltou a criticar a marcação do julgamento em meio ao processo eleitoral. "É fruto da pressão. Volto a dizer: não está correta a opinião de que o julgamento deva ocorrer neste momento". CUT assume 'lado' na eleição, mas nega pressionar STF Fernando Gallo (Política) 10/07/12 Um dia após o futuro presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, ter afirmado que a central sindical poderia colocar manifestantes nas ruas caso o julgamento do mensalão fosse politizado, o atual presidente, Artur Henrique, afirmou que a CUT levará trabalhadores às ruas durante as eleições para evitar a "volta da direita" ao poder. "A CUT é uma central sindical independente, autônoma, mas ela tem lado na disputa de projetos políticos da sociedade. A CUT vai às ruas para impedir o retrocesso. Nós não temos vergonha de dizer que esta é uma central que tem lado", disse no Congresso da CUT ontem, em São Paulo. Após a declaração, Henrique citou o pré-candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, presente no evento, e acrescentou que o instrumento para isso era a plataforma da CUT para as eleições. O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, rebateu as declarações, ressaltando que "as entidades sindicais têm recursos que são públicos, e não são para fazer campanha eleitoral partidária". Mensalão. Sobre o mensalão, o futuro presidente da entidade, Vagner Freitas, recuou das declarações. Repetiu que o Supremo Tribunal Federal fará um julgamento técnico. "Não temos dúvida nenhuma de que teremos um julgamento técnico. O Supremo, como órgão competente que é, tem toda a confiança da população para fazer um julgamento dentro do que está nos autos. Era isso o que eu gostaria de ter dito hoje (ontem)." O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-SP), tentou acalmar os ânimos mais acirrados, declarando que mídia, movimentos sociais e partidos fazem

6 pressões "normais" envolvendo o julgamento. Defendeu, porém, o "desarmamento" do processo, afirmando que será melhor para o caso que haja "menos manifestações de ambos os lados". "Todo o nosso esforço deve ser para que o julgamento do mensalão ocorra sem politização. É preciso garantir ampla defesa e que isso ocorra na normalidade, na tranquilidade que têm sido peculiares ao Brasil." Líder da CUT compara mensalão a impeachment de Lugo (Política) 10/07/12 Em discurso ontem na abertura do Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o presidente da central, Artur Henrique, relembrou o episódio do mensalão ao falar sobre a destituição do ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo. "Esse ataque à democracia pode acontecer no Brasil. Ou não foi isso que tentaram neste País em 2005? Ou não tentaram depor e derrubar o presidente Lula com o apoio da imprensa?" Henrique afirmou que os setores conservadores não precisam mais de "velhas formas" para derrubar presidentes eleitos democraticamente. "Basta aprofundar o processo eleitoral elegendo um Congresso conservador para se utilizar da legislação para derrubar um presidente." O mensalão, em 2005, foi o maior escândalo do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio derrubou o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e dirigentes do PT como o ex-tesoureiro Delúbio Soares. O processo, que tem 38 réus, está com julgamento marcado para começar no dia 2 de agosto no Supremo Tribunal Federal (STF). Henrique destacou ainda que a CUT tem um lado nestas eleições: "Não vamos permitir o retrocesso, a volta dos tucanos, do PSDB, ao governo e aos governos". 'Função'. O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, disse que "não é função de uma entidade de classe" fazer protestos como o defendido pelo futuro presidente da CUT, Vagner Freitas - o sindicalista disse ao jornal Folha de S. Paulo que a central pode ir às ruas se o julgamento do mensalão for "político". "Tem que definir primeiro o que é político, no entender dele. Político, provavelmente, é o que o contraria. Só pode ser isso", criticou Serra. O tucano também afirmou que não cabe à CUT "fazer campanha eleitoral". "Eles já começaram a fazer isso (campanha) em São Paulo. Li outro dia na imprensa sobre uma manifestação eleitoral comandada pela CUT na Avenida Paulista. Na eleição passada foram multados pela Justiça e provavelmente nessa também serão." Serra observou que "as entidades sindicais têm recursos que são públicos, não são para fazer campanha eleitoral partidária". Livre-arbítrio Dora Kramer (Política) 10/07/12 O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não poderia ter sido mais claro na entrevista que deu à Folha de S. Paulo neste domingo.

7 Por enquanto não quer briga nem rompimentos com a presidente Dilma Rousseff, muito menos com o ex-presidente Lula, só que não renuncia à sua autonomia político-partidária. Não vincula seu destino e seus movimentos às conveniências do PT, tem uma visão bastante objetiva sobre o significado de alianças e nem de longe considera que a parceria com o governo federal inclua cláusula de submissão incondicional. Portanto, qualquer que tenha sido o teor da conversa durante o jantar marcado para ontem com a presidente da República, certamente não se poderá dar ao encontro a conotação de "enquadramento" tão ao gosto das versões oriundas do Palácio do Planalto. O governador pernambucano vem se destacando no cenário como um fato novo: não faz o esparramo de um Ciro Gomes, não vocifera no vazio como alguns oposicionistas, não é ladino ao molde de diversos aliados do governo e fala com todos os efes e erres exatamente o que dez entre dez políticos ditos governistas vivem resmungando pelos cantos. E o que murmuram? Que o PT não respeita procedimentos, desqualifica os aliados (os adversários, aniquila), faz jogo duplo, atropela regras e só pensa em si. Atua com o único propósito de consolidar seu projeto de poder numa dinâmica de desconsideração total em relação aos projetos dos parceiros que são tratados como meros anexos. Com isso, cria problemas e não constrói soluções para o governo. Por ora Eduardo Campos não parece se apresentar como candidato a presidente da República em 2014, embora seja ótimo para ele que assim apareça nas análises do quadro político: vai configurando-se como uma opção fora da dicotomia PT-PSDB e atrai possibilidades de alianças. "Adensa o entorno", como se costuma dizer. Se o governo se perder, a oposição não se achar, as circunstâncias permitirem e as condições objetivas estiverem postas, evidentemente o governador poderá ser uma hipótese viável de alternância já na próxima eleição. Nada demais, não fosse o fato de o PT não lidar bem com a autonomia alheia e, por isso, enxergar em Eduardo Campos um inimigo a ser combatido. Na perspectiva petista exibe o pior dos defeitos: tem projeto (aqui não entramos no mérito se bom ou ruim) e o executa nos limites da independência permitida a quem atua no mesmo campo em âmbito nacional sem, contudo, abrir mão do livrearbítrio. Assim ocorreu na decisão de lançar candidato no Recife quando enxergou o risco de se tornar refém das brigas do PT e assim, pelo jeito, Eduardo Campos atuará daqui em diante. Politizado está. CUT promete ir "às ruas" contra a politização do julgamento do processo do mensalão. Como não é de se supor que os sindicalistas pretendam transmitir ensinamentos legais aos ministros do Supremo Tribunal Federal nem tratar tecnicamente do conteúdo dos autos nessas manifestações, a central fará exatamente o que nega aos que pensam de forma diferente em relação ao processo: vai expor politicamente suas posições.

8 Tem todo direito. Desde que não pretenda se associar a ações de insurgência contra quaisquer que sejam as decisões do STF ou impor como verdade versões manipuladas dos fatos. Caso isolado. O apoio do PMDB ao candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte tem sido visto como uma tentativa de aumentar o cacife do partido junto ao Planalto, mas a decisão se baseou na conveniência local. É como diz um dirigente pemedebista: se quisesse fazer algum gesto de impacto nacional, o vice-presidente Michel Temer teria aproveitado o momento da desistência de Luiza Erundina e tentado levar Gabriel Chalita a desistir da candidatura em São Paulo para ocupar o lugar de vice de Fernando Haddad. Falcão vê 'politização da Justiça' no mensalão Presidente do PT critica STF por marcar julgamento perto das eleições, mas diz acreditar que, 'segundo os autos, não há base para condenação' Eduardo Bresciani e Bruno Boghossian (Política) 11/07/12 O presidente nacional do PT, Rui Falcão, atribuiu ontem a uma "politização da Justiça" a escolha do Supremo Tribunal Federal por realizar o julgamento do mensalão em agosto, em plena época de campanha eleitoral. "Não tenho notícia de julgamentos importantes realizados em períodos eleitorais. Podia ser feito antes ou depois das eleições. Não há nenhuma prescrição se fosse depois das eleições." E acrescentou que, se o julgamento se basear nos autos, não deverá haver condenação. "A minha expectativa é que os ministros do STF julguem segundo os autos. Fazendo desta forma, não há base para condenação", disse Falcão. As declarações do presidente nacional do PT vêm se juntar às do novo presidente da CUT, Vagner Freitas, que toma posse nesta semana. Ele afirmou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que a central sindical pretende ir às ruas caso haja um "julgamento político". Num discurso no mês passado, o ex-ministro José Dirceu, réu no processo, conclamou estudantes ligados à UNE a sair às ruas a fim de defendêlo politicamente durante o julgamento. Falcão esteve ontem em Brasília, no Congresso Nacional, em visita ao presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), para agradecer o apoio do aliado a Patrus Ananias, candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte. O PMDB tirou o deputado Leonardo Quintão da disputa e indicou Aloisio Vasconcellos para vice. O petista acusou de traição o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ao comentar o fim da aliança com o PT na capital mineira, mas afirmou que não há rompimento com o PSB em nível nacional. Para ele, não houve "ação deliberada" do partido aliado ao se afastar do PT na disputa em algumas das principais capitais. "Eu disse sempre que não há rompimento com o PSB. Temos alianças em várias cidades, capitais inclusive. Em Belo Horizonte, o prefeito rompeu a palavra, traiu um compromisso, mas isso não dá para atribuir como se fosse uma política nacional do PSB", afirmou. Sobre o jantar que a presidente Dilma Rousseff teve na noite anterior com o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos (PE), para reafirmar o compromisso nacional entre os dois partidos, Falcão declarou que Campos deve ter ido "se explicar" para Dilma sobre o rompimento em Belo Horizonte.

9 CPI. Também ontem, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, acusou o PT de utilizar a CPI do Cachoeira como instrumento político contra partidos de oposição. O tucano reagiu à convocação pela comissão do engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que foi diretor do departamento de estradas do Estado quando Serra era governador. "A CPI está sendo utilizada como instrumento político. É tipicamente petista: usar um aparato de Estado para oprimir e hostilizar adversários", disse Serra. Souza foi convocado a fim de falar sobre contratos entre o governo paulista e a construtora Delta. Serra afirmou que não há irregularidades em obras da empreiteira. "Meu governo não tem nada, nada a esconder", disse. A CUT tenta intimidar o STF O Estado de S.Paulo (Editorial) 11/07/12 Não engana a ninguém o recuo do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, prestes a ser empossado, da sua estrepitosa ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF), a propósito do mensalão. "Não pode ser um julgamento político. Se isso ocorrer, nós questionaremos, iremos para as ruas", afirmou, segundo a Folha de S.Paulo de segunda-feira. Estampado o desafio e decerto repreendido por algum grão-mensaleiro, alertado por sua vez pelos seus advogados, Freitas deu uma aparente guinada. "Não temos dúvida nenhuma de que teremos um julgamento técnico", entoou, magnânimo, aproveitando para cobrir o Supremo de elogios. "Era isso o que eu gostaria de ter dito." Faltou combinar com o ainda titular da central, Artur Henrique Santos. Em discurso no 11.º congresso da entidade que ele chamou, sem corar, de "independente e autônoma" - mas no qual as estrelas da festa eram os réus "companheiros" José Dirceu, o ex-ministro de Lula, e Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, além do candidato petista à Prefeitura paulistana, Fernando Haddad -, Henrique fez um paralelo entre a denúncia do mensalão e o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo. Fiel à versão de Lula para o escândalo, devidamente adotada pelo PT, o sindicalista disse que o impeachment de Lugo "foi o que tentaram fazer neste país em 2005", com a revelação, a seu ver fabricada, do esquema da compra de votos de deputados em benefício do governo petista. Até aí, nada de mais. Faz tempo que jaz em camadas profundas o perdão que Lula pediu aos brasileiros, no momento de fraqueza em que também se declarou traído. O ponto é que, enquanto o bancário Vagner Freitas fingia abafar o repto ao STF, o eletricitário Artur Henrique o inchava. Fazendo praça do fato sabido de que a CUT toma partido na política, embora, como as congêneres, seja subsidiada pelo imposto sindical - todas poupadas por Lula de prestar contas dos milhões embolsados -, Henrique avisou que a organização sairá às ruas "para impedir o retrocesso e a volta da direita". Ele se referia às próximas eleições municipais, mas não seria necessário ostentar a credencial de "petista histórico", como diz a companheirada, para entender que o objeto oculto da falação era o Supremo. O silogismo é elementar: se o desvendamento do mensalão foi uma tentativa de golpe, o mesmo vale para as suas consequências: a peça do procurador-geral da República, acolhida pela Corte, expondo, um a um, os membros da "sofisticada organização criminosa" responsável pela lambança, e as eventuais condenações dos réus petistas, a começar do ex-presidente da sigla José Dirceu. Veredictos "técnicos", como disse Freitas na sua falsa retratação, serão os que absolverem os

10 mensaleiros. Sentenças condenatórias serão necessariamente políticas, golpistas - merecedoras, antes até que se consumam, da justa ira do "povo trabalhador", como Lula gosta de dizer. Mas de que "golpe" se trata? Excluída, por insana, a derrubada da presidente Dilma Rousseff, será a possível eleição do tucano José Serra em São Paulo? Ou a reeleição do aecista Márcio Lacerda em Belo Horizonte? Assim como os terrores de que padecem os paranoicos, a teoria conspiratória cutista tem um fundo de verdade. Perdas eleitorais importantes para o PT este ano - que a sigla tratará de atribuir ao julgamento no STF - poderiam ter efeitos adversos para a reeleição de Dilma, apesar dos seus estelares índices de popularidade. O destino pessoal da presidente por quem a CUT morre cada vez menos de amores é, em si, secundário. O desejo cutista que não ousa dizer o nome é a candidatura Lula já em Nada deve pôr em risco a perpetuação no poder da sigla de que emana. A soberba, como se sabe, cega. A truculência também. Imaginam os dirigentes da CUT que o Supremo se deixará intimidar por seus arreganhos? Ou que a organização tem meios de criar no País um clima de convulsão capaz de "melar" o julgamento que tanto temem? Em outras palavras, por quem se tomam? Mas, no seu primarismo, as investidas do pelegato petista servem para lembrar à opinião pública a medida do seu entranhado autoritarismo e de sua aversão à democracia. 'Sindicatos têm de se envolver politicamente' Para líder sindicalista, proximidade com o governo traz resultados positivos em questões sociais Cleide Silva (Economia) - 12/07/12 Filho de metalúrgico e funcionário da Ford nos anos 70, formou-se em Direito na Universidade de Detroit, Michigan, Estado onde nasceu em 1946, berço da indústria automotiva dos EUA. Casado, pai de 5 filhos, foi eleito para presidir o UAW de 2010 a 2014 Visto como o mais poderoso sindicato de metalúrgicos, o UAW (sigla para United Auto Workers), que representa 390 mil trabalhadores e 600 mil aposentados do setor automobilístico americano, abre este mês uma filial no Brasil. Segue, assim, a mesma estratégia das montadoras que, diante da queda da clientela nos paísessede estão migrando para países em desenvolvimento. Com a decadência do movimento sindical, o UAW tem como bandeira hoje criar o que seu presidente, Bob King, chama de movimento global de solidariedade entre os trabalhadores. Em visita ao Brasil nesta semana, o sindicalista fez críticas à atuação de montadoras que tentam impedir a organização dos trabalhadores e defendeu a relação próxima entre centrais sindicais e governo. "O único grupo organizado que de fato representa os interesses dos trabalhadores são os sindicatos e eles devem se envolver com o governo e, quando isso ocorre, há mais resultados positivos nas questões sociais." Ex-funcionário da Ford, formado em Direito, foi eleito em 2010 para gestão até Aos 65 anos, pretende revitalizar o movimento sindical nos EUA e no mundo todo. No Brasil, participou de encontro da CUT, reuniu-se com políticos em Brasília e visitou o ex-presidente Lula, que considera um "ídolo". A seguir, trechos da entrevista. Por que o UAW vai ter um escritório no Brasil?

11 Faz parte da ofensiva de criar um movimento global de solidariedade entre os trabalhadores. Viemos para o Brasil pela mesma razão que as empresas transnacionais estão em todos os lugares, mesmo onde não têm produção. Nós, trabalhadores, precisamos ter essa presença também. Já temos escritórios na França, Índia e México. Abrimos no Brasil e, futuramente, na África do Sul e Alemanha. Como será a estrutura aqui? Buscamos um local em São Paulo, mas já designamos uma representante que tem como tarefa construir a proximidade de atuação entre entidades sindicais. Logo teremos mais gente. Qual sua opinião sobre o movimento sindical brasileiro? Tenho inveja. O Brasil é uma esperança para as pessoas ao redor do mundo, pois tem assistido a muitas mudanças. Há muito mais pessoas saindo da pobreza. O País está fazendo progresso. Os EUA estão no caminho inverso. A desigualdade está crescendo. O Brasil está fazendo todas as coisas certas e os EUA todas as coisas erradas. O sr. acha saudável a relação próxima da CUT com o governo? Eu vejo como muito boa. A CUT e os sindicatos são porta- vozes dos trabalhadores, sindicalizados ou não. O único grupo organizado que de fato representa os interesses dos trabalhadores são os sindicatos e eles devem se envolver com o governo. Quando isso ocorre, há mais resultados positivos nas questões sociais. Mas como fica a credibilidade em situações, por exemplo, como a que vivemos agora, em que membros do PT, apoiado pela CUT, serão julgados por corrupção, no processo do Mensalão? Eu acho que os sindicatos têm de se envolver politicamente. Apoio essa ação em qualquer lugar do mundo, de estar envolvido com todos os partidos políticos e candidatos que apoiam a justiça e as demandas dos trabalhadores. Eu não sei o envolvimento específico da CUT nesse contexto, mas os sindicatos, em qualquer lugar, devem ter regras rigorosas sobre corrupção, integridade, assim como os governos devem ter também. O UAW está preocupado com a atuação da japonesa Nissan, que vai inaugurar fábrica no Rio de Janeiro. Por qual motivo? Nos EUA, temos grande campanha em andamento para as companhias transnacionais: Toyota, Honda, Nissan, Volkswagen, Mercedes, BMW, Hyundai, Kia. Algumas empresas têm sido muito agressivas no que diz respeito à organização dos trabalhadores, dos seus direitos reconhecidos internacionalmente. Trabalhamos globalmente para evitar esse tipo de repressão. Na fábrica da Nissan, no Mississipi, os trabalhadores não têm representação sindical nem acordo de negociação coletiva, e grande parte é contratada como temporária, por agências. A Nissan já atua no Brasil junto com a Renault, no Paraná. O sr.dentificou algum problema? Minha visão é que a Nissan, globalmente, é uma boa corporação. Ela trabalha com os sindicatos em quase todos os países do mundo, mas não age assim nos EUA. Queremos alertar a todos os sindicatos sobre essa situação, para evitar que se repita. Como vê a relação de outras montadoras, como GM e Ford, com os funcionários no Brasil? Trabalhei na Ford, que tem uma rede global, por isso tive mais contato com os trabalhadores da empresa, principalmente em São Bernardo, e a relação com a

12 empresa, pelo que sei, é muito positiva. Os dois lados entendem a necessidade de sucesso e trabalham juntos. O UAW tem um slogan que pede "compre carros americanos". É possível manter essa campanha e ao mesmo tempo lutar por causas internacionais? Sim. Queremos construir sindicatos fortes em todos os países porque, dessa forma, os trabalhadores conseguem melhores salários, compram mais mercadorias e geram tributos que são revertidos em mais educação, em infraestrutura. Acreditamos que, agindo em conjunto, todos os trabalhadores serão beneficiados e não vão precisar lutar uns contra os outros. A China paga baixos salários para os trabalhadores para vender produtos baratos... Discordo. Essa é a nossa percepção da China, mas acabo de voltar de lá, onde estive com federações e sindicatos. Hoje, eles têm um claro objetivo de tirar as pessoas da pobreza, de formar uma classe média forte. Há um número maior de crianças com acesso à educação. Não é ainda o ideal, mas há progressos. Nos EUA, estamos fazendo o oposto. Estão cortando verbas para educação. Quando eu me formei, vinha de uma classe trabalhadora e pude estudar numa boa universidade. Foi uma luta, mas foi possível. Hoje, as crianças da classe média, da classe trabalhadora, não podem ir para a universidade sem que as famílias façam uma dívida de 50, 80, 100 mil dólares. Todo ano cai o porcentual de estudantes que são da classe trabalhadora. Nossa sociedade está indo para o caminho errado. Espero que possamos reconstruir o movimento sindical nos EUA para voltarmos ao caminho de uma sociedade melhor. Os sindicatos também foram responsáveis pela recente crise das montadoras? Se alguém diz que a culpa é dos sindicatos e não responsabiliza as empresas não é correto. E vice-versa. Talvez tenhamos focado nos temas internos, sem ter dado atenção ao aprofundamento da competição. Fui eleito justamente por ter discordado do nosso passado de falta de organização da produção. O sindicato entende que houve um período em que nos tornamos complacentes com nossos contratos e perdemos o foco. Agora estamos muito pró-ativos em nossa participação global, em construir alianças para o desenvolvimento dos EUA. Léguas a percorrer Dora Kramer (Política) - 12/07/12 A cassação do mandato de Demóstenes Torres obviamente não piora, mas também não melhora a imagem do Senado que encerrou a carreira política de um de seus pares sem, contudo, quitar a imensa dívida que acumula com a sociedade. Em pé, de braços cruzados, acompanhando a sessão com um quase imperceptível sorriso no rosto, Renan Calheiros era a materialização de uma evidência: Demóstenes não caiu em decorrência do rigor ético dos senadores, mas por um conjunto de circunstâncias para ele adversas. Se o critério predominante fosse o zelo ao decoro parlamentar, Calheiros não teria assistido à cena em posição tão privilegiada. Assistiu porque foi absolvido a despeito de ter tido contas particulares (a pensão da filha) pagas por um lobista de empreiteira, de ter mentido apresentando a seus pares documentos falsos na hora da defesa.

13 Descontados os detalhes, na essência comportamento tão indecoroso quanto o de Demóstenes, cuja situação se diferenciou basicamente por dois fatores: ausência da rede de proteção - no caso de Renan extensiva do Palácio do Planalto à sustentação de um partido de peso imenso (PMDB) passando pelo receio reverencial de senadores intimidados - e a contradição entre o personagem que encarnava e as ações ocultas que executava. Ativos importantes com os quais não contou o agora ex-senador. Disso, aliás, deu notícia em seu pronunciamento final recheado de sofismas. Numa desassombrada conversão à lei não escrita da boa convivência na Casa assumiu o que na visão dele foi seu "único erro". Qual? Ser "intolerante" com os demais, perceber que não vale a pena "buscar a fama" em cima do defeito alheio. Pediu perdão aos que "levianamente" ofendeu e a todos aconselhou: "Não entrem por esse caminho". Como legado do processo deixa uma lição. A austeridade, ainda que estudada e presumida, não compensa. Certamente não foi essa a intenção, mas quando se viu perdido por um Demóstenes Torres perdeu-se por mil, confessando que seu rigor ético era mesmo artificial, que almejava com ele notoriedade e que deveria ter-se preocupado menos com as causas que defendeu ao encarnar doutor Jekyll e mais com a tessitura dos laços de amizade que garantiriam proteção à sua face mister Hyde. Foi-se Demóstenes, mas ficou o Senado às voltas com seu passivo. Suas excelências têm desde já uma chance de escolher se o aumentam ou o reduzem na decisão sobre o que fazer com o suplente do senador cassado. Se valer o critério aplicado ao suplente de Joaquim Roriz, Gim Argelo, Wilder Pedro de Morais será recebido de braços abertos, não obstante seja acusado de ocultação de patrimônio à Justiça Eleitoral e tenha relações notórias com Carlos vulgo Cachoeira. Calendas. Se já era difícil a Câmara dar continuidade ao trabalho do Senado que aprovou o fim do voto secreto, a cassação de Demóstenes Torres torna a hipótese ainda mais remota. Saciados os apetites, arrefecerão as pressões e prevalecerá a alegação de que o voto sigiloso, afinal, não foi obstáculo para a cassação. Lacuna. Lula, CUT, UNE e os demais sócios da versão de que em 2005 não houve um escândalo que revelou a existência de um esquema de cooptação de partidos e desvio de dinheiro público, mas um golpe "das elites" para derrubar o então presidente, todos incorrem em falha grave de roteiro. Se não houve fatos, por que não denunciaram a conspiração? Lula, por exemplo, pediu desculpas. Isso antes de ir à televisão propagar a história de que o PT fez o "que todo mundo faz" e de usar a autoridade presidencial para defender o crime eleitoral como atividade corriqueira perfeitamente aceitável. Daí a extemporaneidade das ameaças de manifestações contrárias ao curso (sem que se saiba qual será) do julgamento do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

14 Folha de S.Paulo Central Única dos Aloprados? Eliane Cantanhêde (Poder) 10/07/12 Tem alguma coisa invertida nessa história: a maior central sindical do país não se mobilizou para protestar contra nenhum dos escândalos e escandalosos nacionais pós-2003 e agora fala em "ataque à democracia", ameaçando "ir às ruas" para defender os réus do mensalão. Dá para entender? Segundo o atual presidente da CUT, Artur Henrique, "o ataque à democracia" que ocorreu no Paraguai pode se repetir no Brasil: "Ou não foi isso que tentaram neste país em 2005? Ou não tentaram depor e derrubar o presidente Lula com o apoio da imprensa?", disse ele ontem, no congresso da central. E decretou: "Não vamos permitir a volta dos tucanos, do PSDB". Seu sucessor, Vagner Freitas, avisou, antes mesmo de assumir, que está de olho no julgamento do mensalão: "Não pode ser um julgamento político. Se isso ocorrer, iremos às ruas", disse, pronto para uma guerra, como se estivesse de dedo em riste na cara do Supremo Tribunal Federal. São deveras curiosos esses arroubos democráticos, mas vamos ao que mais interessa: as greves. Sem falar no setor privado, os professores de universidades federais estão parados há um mês e meio e funcionários de 12 órgãos federais cruzaram os braços. Dilma acaba de mandar cortar o ponto dos faltosos. E isso não é nada, perto do que vem por aí. A data-base de algumas das categorias mais poderosas, como metalúrgicos, químicos, petroleiros, bancários e carteiros, é no segundo semestre, a partir justamente de agosto -que vem a ser o mês do julgamento do mensalão. Vai ficar animado. A dúvida, hoje, é se a CUT vai para as ruas a favor dos mensaleiros de Lula, contra o Supremo, ou se vai a favor dos trabalhadores, contra Dilma. Em última instância: a favor de Lula e contra Dilma? Na pressão da estreia Janio de Freitas (Poder) 10/07/12 Convém saber o que será considerado julgamento político pelo novo comando da CUT no caso do mensalão A AMEAÇA até faz lembrar, pelo tom e pela pretensão, os últimos meses antes do golpe de 64. A carga de pressão lançada contra o Supremo Tribunal Federal, em sugestiva estreia do novo presidente da CUT, é uma caricatura das ameaças multiplicadas, a cada dia daqueles tempos, pelo sindicalismo e suas centrais. Vagner Freitas adverte os ministros do STF de que o julgamento do mensalão "não pode ser um julgamento político", e, "se isso ocorrer, nós [a CUT] iremos para as ruas". Seria então, quando menos, um sinal de que a CUT ainda respira, depois de docilmente sufocada pelos oito anos presidenciais de Lula.

15 Mas Vagner Freitas não explicita os critérios pelos quais julgará o julgamento, se político ou não. Ou seja, em que circunstâncias emitirá a ordem de ação que porá a CUT nas ruas. A rigor, o problema em aberto é ainda maior: a ameaça não foi ilustrada nem sequer por algum indício, qualquer um, de que tais critérios existam no novo comando da CUT. Não só aos ministros do Supremo, mas a todo o país convém saber o que será considerado, ou não, julgamento político e, portanto, indutor de quebra da estabilidade política e social vigente. Pois é disso que fala Vagner Freitas. "Não queremos um país desestabilizado por uma luta político-partidária" para exprimir um desejo que é geral, mas é uma frase dúbia. Pode exprimir uma visão exagerada de um possível julgamento politizado, mas também pode insinuar reações extremadas. Ou capazes de desestabilizar o país. Apenas por curiosidade política, ou metida a sociológica, a mim agradaria um esclarecimento especial de Vagner Freitas (jamais confundir, por favor, com Vagner Love, pacífico salvador do Flamengo, nem com outros Freitas sem poder). De que modo e por que a contraposição de petistas e seus adversários, a propósito do julgamento, "poderia colocar em risco os avanços sociais conquistados pelo país após a chegada do PT ao poder"? [estas aspas reproduzem a repórter Mariana Carneiro ao transcrever Vagner Freitas]. É uma relação esquisita, esta entre a divergência política e a derrubada das conquistas sociais. Como resultado preliminar da estreia do novo presidente da CUT, pode-se pôr em sua conta a provável reação lógica e natural de um ou outro ministro, ou de vários: até sem a percepção de que o fazem, calcar no rigor de tal ou qual voto, para afirmar e afirmar-se a sua indiferença a pressões e ameaças. Painel Vera Magalhães (Poder) 10/07/12 Teleguiados Com as candidaturas registradas, o PT organiza aparições de seus ministros no palanque eletrônico, sobretudo nas praças em que Dilma Rousseff optar por participação discreta. A primeira rodada de gravações ocorre no fim do mês e terá Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Aloizio Mercadante (Educação) enaltecendo os feitos do governo. A ofensiva ministerial na TV servirá para compensar a subexposição da presidente em redutos onde aliados estão em campos opostos. Holofotes Prognóstico de um dirigente petista sobre a exposição de auxiliares de Dilma e candidatos da sigla na propaganda eleitoral televisiva a partir de agosto: "Será uma guerra de vaidades". Multidisciplinar O QG de Fernando Haddad entende que o único ministro que pode colaborar na TV é Mercadante, mais conhecido do eleitorado paulistano. Outros participarão da redação do plano de governo, como Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Padilha (Saúde).

16 Álbum Impossibilitado de cumprir extensas agendas no interior paulista, Michel Temer pediu ao PMDB que reúna seus 410 candidatos a prefeito e vice no Estado para sessão de fotos e gravações na quinta-feira. Será a participação do vicepresidente na largada da campanha peemedebista em São Paulo. Divã Ainda preocupado em debelar o fogo amigo em sua campanha, José Serra chamou Sidney Beraldo, chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin, para uma conversa no final de semana. Depois da escolha do vice do PSD, serristas desconfiam do empenho do governador e sua equipe na eleição da capital. Inflação Balanço fechado ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral mostra que 531 mil candidatos a prefeito e vereador foram registrados neste ano em todo o país. A Justiça esperava o cadastro de 440 mil nomes. Em 2008, o número chegou a 380 mil. A fonte... Além do término do prazo legal para liberação de recursos federais por causa da eleição e da queda nos repasses do FPM, prefeitos reclamam que o Tesouro Nacional atrasa a remessa de verbas para obras e projetos que já estão em andamento.... secou Técnicos do governo admitem, reservadamente, que pequenas e médias cidades vêm sendo prejudicadas pela prioridade dada à execução do PAC e do Minha Casa, Minha Vida. Troco 1 Senadores do PMDB, liderados por Renan Calheiros (AL), afirmam que não entrará hoje na pauta da Comissão de Constituição e Justiça o projeto que beneficia servidores da área ambiental. O motivo: a recusa do órgão em conceder licença para estaleiro em Alagoas. Troco 2 Peemedebistas lembram ainda que, há 15 dias, a Funai criou obstáculos para a instalação de uma refinaria em Pecém (CE). A fundação retardou a emissão de documento relatando a inexistência de população indígena no entorno do futuro empreendimento. Dois em um Com a posse do bancário Vagner Freitas na CUT, a central passa ao comando da ala ligada ao deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). O braço operacional da entidade, contudo, ficará a cargo de Sérgio Nobre, atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e muito próximo do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. Acareação Recém-instalada, a Comissão da Verdade da Câmara paulistana convidará, para depoimento, o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra. O requerimento é do vereador Gilberto Natalini (PV), que afirma ter sido torturado pelo militar quando preso político. Mensalão era golpe para depor Lula, diz presidente da CUT Congresso da central sindical contou com presença de Dirceu e Delúbio, dois dos 38 réus do processo no STF Dirigente declarou apoio ao PT na disputa em São Paulo e afirmou que atuará para evitar volta do PSDB ao poder Marlene Bergamo/Folhapress

17 O presidente da CUT, Artur Henrique, saúda o candidato do PT em SP, Fernando Haddad Bernardo Mello Franco e Mariana Carneiro (Poder) 10/07/12 O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, disse ontem que o escândalo do mensalão foi uma tentativa de golpe contra o expresidente Lula. Ele afirmou ainda que a democracia brasileira corre risco ao criticar a destituição do ex-presidente Fernando Lugo no Paraguai. "Esse ataque à democracia pode acontecer no Brasil. Ou não foi isso que tentaram neste país em 2005? Ou não tentaram depor e derrubar o presidente Lula com o apoio da imprensa?", disse. Em discurso no 11º congresso nacional da CUT, o sindicalista chamou de "companheiros" dois réus do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal): o exministro José Dirceu e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Os dois foram recebidos como celebridades no evento, num centro de convenções na zona sul de São Paulo. Posaram para fotos com sindicalistas e se sentaram na ala de autoridades. Henrique declarou apoio ao candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e prometeu que a central atuará para evitar "o retrocesso e a volta da direita". "Não temos vergonha de dizer claramente que esta central sindical que tem lado na disputa política", disse. "É um prazer ter você [Haddad] aqui no nosso congresso." Mais cedo, o sindicalista descreveu o PSDB como inimigo a ser batido nas eleições. "Não vamos permitir o retrocesso, a volta dos tucanos, do PSDB, ao governo." Em entrevista publicada ontem na Folha, o presidente eleito da CUT Vagner Freitas, que assume na quinta, ameaçou comandar protestos caso identifique julgamento "político" no mensalão. O caso começará a ser julgado em agosto.

18 O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), criticou a ideia e defendeu que os sindicatos não pressionem o STF. "Se começa uma pressão da mídia e dos partidos de oposição, é óbvio que quem se sentir prejudicado vai usar das armas que tem para tentar influenciar. Mas eu estou numa campanha pelo desarmamento", afirmou. O candidato do PSDB a prefeito, José Serra, criticou o novo dirigente da CUT. "Ele [Freitas] tem que definir o que é 'político'. Provavelmente, é o que o contraria. As entidades sindicais têm recursos públicos. Não são para ser usados em campanha." Durante o evento, parte da plateia vaiou quando foi lida mensagem do governador Eduardo Campos, presidente do PSB, partido que rompeu alianças com os petistas em BH, Fortaleza e Recife. Central quer intensificar greves no país (Poder) 10/07/12 A CUT promete intensificar a greve no funcionalismo público federal se não houver uma resposta do governo até a próxima semana. A central prepara uma manifestação em Brasília, onde grevistas devem acampar entre os dias 16 e 20. O talentoso senhor Dirceu Matias Spektor (Opinião) 11/07/12 A imprensa rende-se ao julgamento do mensalão. Se você achava que o debate público não podia ficar mais pobre, pense de novo. Futricas do Supremo, dedo em riste da CUT e outras levezas serão nosso pão cotidiano durante as próximas semanas. Esta coluna ignoraria o tema solenemente, não fossem os efeitos do mensalão sobre a política externa brasileira. A história começa há dez anos, em julho de 2002, quando José Dirceu foi aos Estados Unidos pela primeira vez. Não falava nem entendia inglês. Não conhecia quase ninguém. Mas Lula crescia nas pesquisas de intenção de voto, Fernando Henrique patinava e o "Financial Times" sentia cheiro de calote no ar. Não era a primeira crise financeira a coincidir com uma eleição presidencial. Em 1998, um Fernando Henrique acuado pedira socorro ao presidente Bill Clinton. Em 2002, Lula não tinha como fazer o mesmo com George W. Bush porque o PT estava longe dos centros americanos de opinião pública, pensamento e poder. O "New York Times" tinha lá seu naco de razão: "Um governo esquerdista do PT e um governo conservador republicano podem ser uma combinação explosiva". Lá foi José Dirceu com a "Carta ao Povo Brasileiro" debaixo do braço. Em Nova York, conversou com gente de JP Morgan, Citigroup, Morgan Stanley, Lehman Brothers, ABN Amro, Bear Stearns, da Alcoa e também da Moody's.

19 Em Washington, visitou a central sindical americana AFL-CIO, o Banco Interamericano, o Departamento de Estado, o Tesouro, o Conselho Econômico Nacional e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Tirou foto solene no Ground Zero. WikiLeaks e outros documentos abertos pela lei americana de acesso à informação revelam que ele convenceu. Em poucos meses, Lula e Bush montariam a aproximação diplomática mais ambiciosa de uma geração. Patrocinaram o primeiro encontro ministerial dos dois países, consultaram um ao outro sistematicamente e a Casa Branca começou a argumentar que o Brasil era "uma potência global em ascensão". Em relações internacionais, reconhecimento é poder. O mensalão jogou esse trabalho por terra porque era Dirceu quem mantinha o canal de comunicação desimpedido. Mais tarde, o Palácio do Planalto e a Casa Branca iriam às turras a respeito de Iraque, Cuba, Honduras, Irã, comércio internacional, direitos humanos e proliferação nuclear. Longe de mim colocar azeitona na empada de José Dirceu. O homem não precisa de mais mitificação. Mago dos magos para uns, inimigo público para outros, ele é odiado e reverenciado ao mesmo tempo. Sua iniciativa deu certo. Não porque ele fosse um grande estadista. Não era. Estava mais para bombeiro apagando incêndio. Teve êxito porque, na época, uma estratégia para lidar com os Estados Unidos era inexistente. Dez anos mais tarde, pouco mudou. Quando se trata de gerir problemas na relação com os Estados Unidos, o Brasil ainda fica à mercê do talento de um ou outro indivíduo. Sexta economia do mundo, podíamos fazer melhor. AMANHÃ EM MUNDO Clóvis Rossi Valor Econômico Para presidente da CUT, Lula quase sofreu golpe igual ao do Paraguai Raphael Di Cunto 09/07/12 O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirmou nesta segunda-feira que, em 2005, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quase sofreu um golpe igual ao que depôs o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Ou não foi isso [golpe] que tentaram no país em 2005? Ou não foi isso que os conservadores tentaram fazer com apoio da imprensa?, afirmou, na abertura do 11º Congresso da central, em São Paulo. Em 2005, no auge do escândalo do mensalão, que revelou a compra de apoio político no Congresso pelo governo, a oposição ameaçou entrar com um pedido de

20 impeachment contra Lula. A CUT foi às ruas para protestar contra a tentativa de cassação. Henrique, que está no fim de seu segundo mandato e passará a presidência da CUT para o ex-bancário Wagner Freitas na quinta-feira, discursou a favor do governo petista. Um jornal aí publicou uma frase de que esse congresso vai defender o governo do presidente Lula. E vai mesmo. Não temos vergonha de defender o que foi feito no nosso país pelo governo do presidente Lula, disse. O ainda presidente da CUT defendeu a reforma política para criar o financiamento público de campanhas e alertou: não achem que o que aconteceu no Paraguai e em Honduras não pode acontecer no Brasil. Pode. Basta continuar a eleger um Congresso Nacional conservador que se utilize da legislação para derrubar um presidente, afirmou. O cutista reforçou ainda o discurso de Lula, que em entrevista ao "Programa do Ratinho", do SBT, disse que concorreria à Presidência em 2014, caso a presidente Dilma Rousseff não quiser se candidatar, para impedir a volta dos tucanos ao poder. "A CUT tem independência e autonomia, mas não vai permitir o retrocesso que é a volta da direita, a volta dos tucanos ao governo federal ou ao governo das cidades", atacou. Segundo Artur Henrique, a central "estará nas ruas na eleição municipal para levar sua plataforma de melhoria da vida dos trabalhadores e trabalhadoras". Artur Henrique deixa CUT e vai trabalhar com Lula Raphael Di Cunto 09/07/12 Prestes a terminar seu segundo mandato como presidente Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ex-eletricitário Artur Henrique vai ajudar o instituto do expresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Artur Henrique vai trabalhar com organizações sindicais e movimentos sociais das Américas. Vou levar um pouco da experiência que acumulamos no Brasil em quase dez anos de governo democrático e da relação de uma central sindical com esse governo, afirmou ao Valor. A parceria com Lula será feita concomitantemente ao trabalho na central, logo após ele entregar o comando da CUT com o atual tesoureiro da central, o ex-bancário Vagner Freitas, na quinta-feira. Artur Henrique vai coordenar o recém-criado Instituto de Cooperação Internacional da CUT e ficará responsável pela relação da central com os sindicatos do continente americano, mesma tarefa desempenhada para o ex-presidente Lula. Segundo ele, o trabalho com o Instituto Lula surgiu de uma conversa com o expresidente, que lhe perguntou o que faria ao fim do mandato e, ao saber do trabalho internacional da CUT, quis fazer uma parceria para fortalecer o grupo de trabalho do instituto na América. A ideia é que o sindicalista dedique dois dias por semana à tarefa. Artur Henrique também representará a CUT no conselho deliberativo da Confederação Sindical das Américas (CSA), como um dos 35 vice-presidentes da entidade. Os cutistas têm ainda outros dois representantes na CSA: o ex-presidente da CUT João Felício, também como vice-presidente, e Rafael Freire como secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA.

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